História Orgulho Gasser - Capítulo 3


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Alfas, Alicia, Amor, Arllew, Betas, Colômbia, Felinos, Guerrilha, Lobos, Ômegas, Orgulho, Romance, Shifters, Tigres
Visualizações 142
Palavras 4.694
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Festa, Ficção, Lemon, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Musical (Songfic), Romance e Novela, Saga, Sobrenatural, Terror e Horror, Violência, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Gravidez Masculina (MPreg), Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Olá, gente!
Bom, to sendo rápida, pois um temporal forte tá caindo aqui e eu quero desligar tudo, mas quero postar antes também.

O capítulo tem MUITA informação. Parece meio corrido, mas acreditem, não lancei nem um terço das revelações que estão por vir. E isso envolve Ryan.

Espero que entendam e não tenha ficado confuso. Prometo não demorar tanto pra postar, mas o próximo será trabalhoso, ao lerem entenderão o que quero dizer.

Boa leitura, aguardo comentários de vocês.

Capítulo 3 - Capítulo DOIS - Confiança


Fanfic / Fanfiction Orgulho Gasser - Capítulo 3 - Capítulo DOIS - Confiança

Diego foi lançado por metros, até bater as costas de forma dolorosa ao atingir o ônibus. Ele observou o menino diante dele elevar as mãos e fazer os carros erguerem-se no ar e se chocarem.

Daniel.

Seu nome era Daniel, era um shifter ômega, e mostrava ser incrivelmente poderoso.

Só podia ser seu filho.

Tinha de ser.

Ele ergueu-se, vendo o menino correr. Olhou para os homens, que miravam as armas em direção aos garotos e rugiu, enfurecido, fazendo todos o encararem.

— Aquele garoto é meu filho! – ele berrou. As suas emoções estavam gritando, ele sabia que não estava errado – Se alguém o ferir novamente eu juro por Deus que vou matá-lo sem pensar duas vezes!

— Como é?! – Victor se aproximou.

Ele viu Maria vir de moto, Adam e Luka se aproximarem correndo. O Tigre sabia que haviam ouvindo.

— Ele se chama Daniel, é um shifter e um ômega! – falou ele – Acham que é coincidência? Ele está assustado e ferido, precisamos encontrá-lo antes que aquela maldita bala o mate!

— Não pode ter certeza disso, Diego. – falou Adam.

— O garoto me viu da torre, ele abaixou para que eu acertasse o bastardo que o feriu. Pode ser meu irmão sim! – exclamou Maria, largando a mochila que carregava – Estamos perdendo tempo, precisamos achá-lo!

— Vamos achá-lo. – respondeu Victor, virando-se para os demais – Não o machuquem, vamos rastreá-lo. Quem os achar avise pelo rádio, e deixaremos para termos certeza de que ele é o nosso Daniel quando o encontrarmos e falarmos com ele.

Todos acenaram. Mas Diego já tinha essa certeza.

Eles dividiram-se em pequenas equipes. Duas seriam as barulhentas, fariam barulho para camuflar as demais. Luka e Adam as lideravam. Maria, Diego e Victor seguiram liderando outras três equipes, separando-se pela mata.

Diego estava nervoso, à medida que o tempo passava e eles não encontravam os meninos. Ele seguiu o rastro até chegarem em um riacho. Viu as marcas ali, sabia exatamente o que ele havia feito.

Lavaram-se para perder o rastro.

Diego agachou-se, cheirando as manchas de sangue. Era semelhante ao de Pablo, isso queria dizer muita coisa.

— É dele? – perguntou Maria.

Ele olhou para as outras duas equipes que haviam chegado ali também. Daniel estava confundindo-os, tinha certeza.

Estava usando seus poderes para confundi-los.

— É sim. – respondeu. Diego ergueu-se e oferecendo a mão suja de sangue para Maria e Victor cheirarem – O que os lembra?

— Pablo.

— Sim, lembra o papai.

— Como não consigo reconhecer o cheiro do meu próprio filho?!

— Pode haver algo, algum feitiço, sei lá! – exclamou Maria – Mas isso reforça a tese de que é o meu irmão. Temos de encontrá-lo!

— Será difícil. – respondeu Victor, que olhava a copa das árvores – Ele está usando os poderes dele pra se esconder. Precisaríamos de Alice ou...

— Não. – respondeu Diego e Maria ao mesmo tempo.

Victor suspirou. Ele também não queria isso. Pablo já sofria muito durante todos esses anos longe do filho. Seria um pesadelo achar o garoto morto ou descobrir que era só mais uma esperança falsa de reencontrar o menino.

Mas aquela era a chance mais forte em muito tempo.

Tinha de ser o Daniel.

— O que faremos então? – perguntou Maria.

— Esperar aqui. – respondeu Victor – É cruel o que direi, mas é um fato. Esse menino está ferido. Ele está por aqui, é o último local em que conseguimos achar o seu cheiro, então quando ele perder os sentidos pela perda de sangue e pelo veneno, a localização dele será descoberta. Eles não estão longe, não com um ferimento daqueles.

— Eu concordo, Victor, mas não espere que irei ficar aqui parado. – respondeu Diego – Vou procurar por eles pelas redondezas.

— Eu não irei ficar parado também. – respondeu Victor – Irei ajudá-los. Chamem Luka e Adam para se juntar a nós, não dará em nada o barulho, já sabemos o ponto que iremos procurar, agora temos de ter todos aqui.

Maria seguiu falando via rádio com os dois. Os grupos se reuniram e acenderam uma fogueira enquanto Diego, Maria e Victor se juntavam com Luka e Adam para procurar pelo garoto.

Esperavam que não fosse tarde demais quando conseguissem o achar.

 

***

— Daniel. – chamou Ryan – Se mantenha acordado, irmão. Ou seremos mortos! – Ryan tinha muitas dúvidas sobre isso, mas ele seguia os instintos de Daniel, nunca estavam errados.

— Estou ac-ordado. – sussurrou o menino, soluçando.

Os dois estavam em uma caverna, próximo ao riacho. Ryan olhava a volta, apavorado, ouvia o som das vozes muito próximo dos dois. E Daniel não estava bem. O menino tremia visivelmente e soluçava no momento. Ele só imaginava a dor que o amigo estava sentindo, e se odiava por não poder fazer absolutamente nada.

— Você veio atrás deles, por que estamos fugindo, Dani? – perguntou Ryan.

— Não sinto nada deles, só medo. – respondeu o menino – Não tenho nenhum sentido quando envolve eles, Ryan. Isso me preocupa, como saberei se são boas pessoas?

— Mas você não sonhava com eles? Não via coisas? Não se via com eles? Como podem ser ruins se você se via com eles?

— Eu não sei explicar meu medo, Ryan. Mas sempre segui meus instintos.

— Eu sinto que seus instintos estão bugados, Dani. – concluiu Ryan.

O garoto arfou, tentando se ajeitar, mas ambos travaram ao ver a movimentação diante da caverna. Os dois olharam para as sombras que caminhavam em direção aos dois.

— Você realmente acha que é ele? – perguntou um dos rapazes.

— Diego tem certeza de que é, e ele é sempre o mais pé no chão do grupo. – respondeu o outro – Então eu acho que é sim.

— Mas... Não, eu não creio que seja ele, Adam. – respondeu o outro – Ele não reconheceria a gente? Somos a família dele!

Daniel observou o loiro com atenção, usando seus poderes para ver se ele estava sendo sincero. Embora estivesse no limite, precisava saber quem eram, ele viu que os dois faziam parte de suas visões...

Por que ele não conseguia reconhecê-los?

Adam parou, encarando o rapaz.

— Luka, Diego não o reconheceu, mas o outro garoto o chamou de Daniel. Ele é um shifter e é um ômega. Está ferido e assustado, pode não ter nos reconhecido também porque quando foi levado era muito pequeno. E eu penso que isso possa ser obra de feiticeiros, guaxas ou sei lá, alguém que tenha nos bloqueado a ele, e ele a nós.

— O que faremos quando o acharmos? – o rapaz tornou a questionar.

— Saber se é ele mesmo. – respondeu Adam – Alguma coisa terá de ser feita...

Eles seguiram conversando e Ryan encarou Daniel. Agora tinha certeza de que não queriam fazer mal ao amigo.

— Precisamos falar com eles. – sussurrou Ryan.

— Pode ser uma armadilha! – respondeu Daniel.

— Mas e se não for? Você não usou seus poderes com eles? – perguntou o menino. Ele viu o outro acenar – Então, Daniel?! Por que tem tanto medo deles?

— São alfas, Ryan. – respondeu o garoto – Alfas.

Ryan mordeu o lábio, olhando os dois.

— O que seus sentidos dizem?

— Eu não detectei mentira, mas estou com muito medo. É algo que não sei explicar, o terror é maior do que minha vontade de saber quem são de verdade.

— Prefere morrer aqui do que descobrir o que eles são pra você?

— Pelo menos morrerei livre!

— Está sendo irracional, Daniel.

— Eu sei o que é ser preso, torturado e estuprado por diversos alfas ao mesmo tempo, Ryan, então me desculpe se prefiro morrer nesse buraco do que enfrentar outro grupo que não sei definir o que querem de mim!

Ryan se calou. Ele sabia o que Daniel havia passado, mas o amigo nunca, jamais havia falado nada sobre isso. Ele sempre havia sido silencioso sobre o que havia passado. Aquela era a primeira vez que ele dizia algo sobre o ocorrido de forma tão direta.

— Desculpe. – soluçou o menino. Ryan o viu chorar em silêncio. Percebeu que ele apertava o ferimento com força.

O rapaz estava em seu limite.

— Isso é feitiço. – respondeu Ryan – Convivi com guaxas tempo o suficiente pra saber do que são capazes. Você os teme mesmo usando seus poderes. É ridículo isso! – exclamou Ryan, que se ergueu.

— Ryan! – chamou Daniel – O que você vai fazer?!

Ele sorriu para Daniel.

— Eu sou um ômega humano, Dani. Eu vou seguir meus instintos e salvar seu lindo traseiro de apodrecer nesse lugar.

— Eu não vou deixar. – falou Daniel, que se encolheu, segurando o quadril.

Ryan pegou uma pedra, encarando o amigo.

— Eu peço perdão por isso, mano. – falou o rapaz – Mas eu vou salvar você de si mesmo. – e antes que Daniel dissesse algo, o rapaz acertou sua cabeça com a pedra, o fazendo desmaiar. Ele sentiu o bloqueio se desmanchar.

Ryan agachou-se, tocando o rosto do rapaz, suspirando aliviado ao ver que só havia perdido os sentidos. Ele não queria matá-lo, só o deixar desacordado.

— Espero estar fazendo a coisa certa, Dani... não quero que você sofra, eu não me perdoaria... Socorro! – ele gritou.

Em instantes ele ouviu o som de passos apressados. Viu os dois homens de antes, e ergueu as mãos.

— Estou confiando em vocês, então não me desapontem! – exclamou ele, indicando Daniel – Mas se eu não fizer nada ele vai morrer!

Adam e Luka agacharam-se, tocando o rosto de Daniel. Eles se olharam e então o pegaram nos braços. Ryan pegou as coisas e os seguiu para fora da caverna.

— Ele se chama Daniel? – perguntou Luka, que mantinha uma mão na ferida de Daniel, comprimindo-a.

— Sim. Daniel Hernandes.

— Santo Deus. – exclamou Adam – O sobrenome do Miguel.

— É o avô dele. – falou Ryan – Vocês... vocês trabalham pra ele?!

Ryan sentiu o terror subir pelo seu corpo com aquilo.

— Não. Nós queremos encontrar esse bastardo para matá-lo novamente. – falou Adam – E você, como se chama?

— Ryan. – respondeu, ainda de forma trêmula pelo susto de instantes atrás.

Eles surgiram na entrada da caverna e logo viram os demais se aproximarem. Diego e Maria correram em direção dos quatro, pegando Daniel dos braços de Adam e o colocando no chão.

— Olha a pinta. – sussurrou Maria, que parecia à beira das lágrimas – Anda, pai, olha o sinal nas costas! Deve ter o mesmo que eu, papai e o nosso Daniel tem!

— Não precisa, é ele. – falou Adam, vendo todos o encararem – O menino aqui disse que ele é neto do Miguel.

Mas Diego procurou pelo sinal nas costas, para confirmar. Ele  toco com a ponta dos dedos a mancha que Pablo e Maria também tinham. O Tigre olhou para Maria, que chorava diante dele. O homem tocou o rosto da filha, entregando-se ao choro também.

— É o nosso menino, Maria. É ele. – Diego abraçou o filho inconsciente contra seu corpo, beijando o seu rosto suado – É o meu pequeno, é o meu Daniel!

— Maninho! – sussurrou a garota, também beijando o rosto do menor – Finalmente te encontramos, Dani! Finalmente!

Victor uivou, sendo seguido de todos os lobos ali. O rugido de Diego, Adam e Maria também foi ouvido. Ryan observou a emoção tomar conta do grupo ali, pois os uivos e rugidos eram o choro de um grupo inteiro. Ele suspirou aliviado, rogando aos céus por ter seguido seus instintos. Daniel estava em boas mãos, ele sabia disso.

Pouco depois o grupo se dirigiu para o acampamento improvisado que haviam feito e então colocaram Daniel sobre as cobertas que Ryan mantinha nas bolsas. Diego removeu a bala e cuidou do ferimento do quadril e da cabeça e não saiu de perto dele em momento algum. O Tigre não conseguia tirar os olhos do filho.

Ele não o deixaria mais sozinho em momento algum.

— Como ele ganhou esse caroço na testa? – perguntou Maria, sentando-se no chão e colocando a cabeça do irmão sobre suas pernas.

— Eu acertei ele com a pedra. – respondeu Ryan, que parecia tranquilo ao ver os olhares dos dois para ele – Era isso ou morrer na caverna, vocês deveriam me agradecer por isso em vez de me olharem com essa raiva toda. Ele estava aterrorizado com vocês andando na volta. Não iria aparecer e os poderes o estava drenando demais.

— Qual o seu sobrenome, Ryan? – perguntou Victor, sentando ao lado do menino.

— Não tenho. – ele respondeu, não o encarando – Sou somente Ryan.

— Você não sabe mentir.

— Eu só me chamo Ryan. – respondeu ele – Se contente com essa resposta.

Victor o mirou por alguns instantes até suspirar. Não queria brigar ou discutir, o momento era de conseguir a confiança daqueles dois para poderem retornar para casa. Victor não conseguia crer que estava diante do sobrinho. Finalmente haviam encontrado Daniel. Ele observou Adam e Luka, sabendo que os dois deveriam estar emocionados com aquilo, afinal, reencontraram o companheiro perdido.

Ele ergueu-se e foi até os dois. Ambos olhavam para Daniel com atenção, mas o olhar demonstrava que estavam angustiados.

— Vocês estão bem?

Eles o encararam e acenaram.

Mas Victor sabia que tinha algo errado.

— O que foi?

— Não sentimos a ligação, pai. – respondeu Luka, fazendo Diego e Maria o encararem – Nada, não sentimos nada ao encontrá-lo.

— Mas é ele. – respondeu Diego – Não tenho dúvidas disso.

— Mas não temos a ligação. – respondeu Adam – Companheiros tem esse vínculo, nós não sentimos isso com ele.

— Eu acho que isso tem haver com as guaxas. – Victor e os demais encararam Ryan – No local em que éramos mantidos prisioneiros havia muitas delas por lá. E eu sei que essas criaturas têm muitos poderes.

— Isso explica o fato de eu não reconhecer meu próprio filho. – concluiu Diego.

— E ele nos temer.  – completou Maria.

O telefone do homem tocou e ele viu ser de casa. Diego encarou Victor e os demais, sem saber o que fazer.

— Pablo vai saber na hora que tem algo errado. – comentou o homem – E eu não quero mentir pra ele.

— Se falar, ele vai se jogar pra cá, pai. E não podemos correr riscos, Miguel deve estar caçando Daniel.

— Está sim. – confirmou Ryan – Fugimos por pouco daquele monstro.

— Teremos uma conversinha com você mais tarde. – falou Diego, erguendo-se. Ele puxou o ar com força e atendeu o telefone – Oi, amor.

— O que está acontecendo?! – Pablo gritou no celular – Eu estou em cólicas aqui, Diego. Eu sei que tem alguma coisa acontecendo, eu sinto, e isso me diz que tem ligação com Daniel! Não me pergunte o motivo, mas eu sinto isso! O que está acontecendo?!

Diego mordeu o lábio, não respondendo na hora.

— Se mentir pra mim eu vou saber. E é muito bom você pensar bem antes de fazer isso, Diego. – a fala de Pablo deixava claro que ele estava usando seus poderes.

— Me promete que ficará calmo e não vai vir até aqui e eu te conto o que aconteceu. – respondeu Diego, por fim, desistindo de inventar algo. Não seria justo com Pablo. E ele estaria ferrado na mão do companheiro.

— Eu prometo. Me fala.

— O bastardo fez uma criança refém e Maria acabou matando o maldito.

— E essa criança está bem? – perguntou Pablo, sendo direto – Quem é ele, Diego?!

O homem fez uma pausa, olhando para a filha e Victor, que acenaram. Eles ouviam a conversa atentamente.

— Ele pode ser nosso filho. – respondeu o homem, não querendo dar toda certeza para Pablo. Mas sabia que era inútil – Mas está enfeitiçado e não conseguimos comprovar isso. – era uma tentativa inútil de não dar esperanças, que logo confirmou-se totalmente inválida.

O silêncio do outro lado da linha foi gritante. Pablo soluçou, caindo no choro.

— Pablo? Pablo?

— Diego... o que aconteceu? – era Christian.

— Não o deixe vir de forma alguma, Chris. Estaremos retornando para casa, mas ele não pode vir, Miguel poderá tentar pegá-lo. Avise Raphael e Hector para reforçarem a segurança do vilarejo e o leve para o casarão.

— Certo. Mas me fale o que está havendo, eu estou assustado com o choro do Pablo! Está agarrado a Raphael chorando muito alto!

— Encontramos Daniel. – ele respondeu – Mas está ferido e enfeitiçado. Segure as pontas aí, Chris e não o deixe sair.

— Avisarei Alice. – respondeu ele.

— Diga a Pablo que o menino está bem. – respondeu – E que dentro de alguns dias estaremos em casa.

— Eu direi.

Ele desligou o celular e encarou a todos, suspirando.

Mas não teve tempo de falar, pois Daniel se moveu, fazendo com que todos o mirassem. Ryan ergueu-se e se colocou diante dele, fazendo com que Daniel o visse antes de ver os outros.

— Ryan. – sussurrou o menino.

— Está tudo bem, você está salvo, irmão. – falou ele, segurando a mão do garoto, que olhou ao seu redor e começou a se agitar – Eles salvaram sua vida, fica calmo.

— Você me entregou! – ele gritou, se sentando e tentando se mover, mas Maria o segurou, fazendo-o encará-la.

— Oi, Dani. – ela sorriu, tocando o rosto dele – Eu sou Maria, sua irmã. – Maria não era conhecida por ter pudor ao falar, sempre sendo direta e sincera, por vezes, até demais.

Daniel piscou, olhando-a nos olhos. Os sentimentos dela eram de emoção e felicidade, ele sabia que ela realmente acreditava naquilo.

— O que?!

— Sou a Malia, não lembra? Malia, Mama, Ma? A Mana.

Daniel negou com a cabeça.

— Daniel. – ele olhou o homem loiro agachar-se diante de si e se encolheu – Eu sou Diego, pai da Maria...

O menino o mirou nos olhos, sentindo a força daquela afirmação.

Seu pai...

— Meu pai? – ele perguntou, Diego acenou. O menino girou o rosto, olhando a todos ali – Como eu posso saber que estão falando a verdade?!

— Você não nos sente? – perguntou Adam, encarando o menino, que o olhou. Ele não se aproximou. Via pelos gestos de Daniel que ele estava se sentindo ameaçado por eles. Mesmo que não estivessem fazendo nada.

Isso lhe dizia que teriam muito trabalho pela frente.

— Tudo que sinto perto de vocês é pavor, terror. – respondeu, confirmando o que suspeitava.

— Isso é feitiço, só pode ser feitiço.  – rosnou Luka, que continuava do lado de Adam. Sentia uma frustração tremenda de ver o menino ali, seu companheiro, e não poder fazer nada além de olhá-lo de forma afastada.

Nem um abraço ele pode lhe dar.

— Daniel, olhe para mim. – ele olhou para Victor, que estava agachado diante dele – Miguel Hernandes já falou de Victor Villanueva pra você?

Ele acenou.

— Que é um bastardo, um maldito desgraçado que ele iria se vingar. Dele e de um outro homem que roubaram o filho dele.

— Qual o nome do filho dele?

— Navaho.

— É o verdadeiro nome do seu pai. – falou Diego – Navaho é o nome que Miguel deu para o Pablo.

— Eu sou Victor Villanueva, Daniel. Ele roubou você dos seus pais. Pablo chora pelo seu sumiço há anos, querido. Acha que iriamos te ferir sendo um dos nossos?

Daniel olhou para todos ali, que pareciam estar sendo sinceros. Mas o terror que ele sentia no meio deles era gritante. O seu desejo era de desaparecer e não deixar nenhum rastro para que o encontrassem.

Mas...

E se eles estivessem falando a verdade?

Ele, por anos, sonhou com todos eles. Daniel sempre desejou encontrá-los, estava ali para isso. Então, por que ele sentia esse medo destruidor de estar próximo a eles?

— Eu não confio em Alfas. – ele sussurrou, por fim, mirando todos ali e se encolhendo.

Ryan suspirou.

— Quantos alfas tem aqui? – ele perguntou.

E vendo a expressão de todos, o garoto engoliu em seco.

— Tá brincando que todos aqui são alfas?

Maria bufou, mas nada disse.

— Pablo é um Ômega como você, Daniel. – murmurou Diego, segurando a mão do menino entre as suas – E tem o companheiro do Victor, que é um ômega humano.

Daniel olhou de relance para Ryan, que mordeu o lábio.

Aquilo não passou despercebido de Victor.

— O que foi? – perguntou ele para Ryan.

— Eu sou ômega humano. Por isso me pegaram também. Mas por algum motivo eu era apenas aprisionado com Daniel.

— Você cuidou de mim. – murmurou o menino.

— Deve ser isso mesmo, o cuidado que teve com ele enquanto esteve preso. – respondeu Victor. Ele tocou no rosto do Daniel e sorriu – Você está livre agora, Daniel. Irá receber todo o amor da sua família. Há um pai e um tio, assim como mais dois primos que querem muito conhecer você. Christian também ficará feliz de te ver.

— Christian? – Ryan perguntou alto, esganiçado, fazendo Victor e os demais o encararem – O nome do seu companheiro humano e ômega é Christian?! Christian Philips?!

Victor viu o rapaz empalidecer com a pergunta. Aquilo o deixou em alerta.

— Qual o seu sobrenome, moleque?

— Eu não tenho, eu já disse.

Victor pegou Ryan pelo colarinho, o fazendo gritar. Daniel se ergueu tão rápido que surpreendeu quem o rodeava. Diante de Ryan surgiu um Lobo Branco, que rosnava de forma furiosa para Victor, que havia caído sentado com o salto do garoto.

“Você não é meu alfa!” – ele gritou. Mesmo em sua forma lupina, aquilo era audível para todos ali – “Não toque no meu amigo!”

— Calma, Daniel. – Victor ergueu as mãos no ar – Eu não vou fazer mal a nenhum de vocês. Mas preciso proteger minha família e eu não sei quem é esse garoto. Desconfiar de alguém que te acompanha até aqui e parece conhecer meu companheiro é o mínimo que posso fazer.

Ryan tocou no pelo de Daniel, que o encarou. Ele sorriu de leve, repassando tranquilidade que ele não verdadeiramente sentia para o amigo. O Lobo voltou a sua forma humana e logo foi envolvido nas mantas que ali estavam, abraçando Ryan.

— Há roupas na bolsa. – respondeu Ryan, que fez Daniel sentar e indicou a mochila de garoto para os homens. Ele encarou Victor, pensando o que faria – Venho de uma família de caçadores, Victor Villanueva. Fui sequestrado e jogado a um bando de lobos malucos, que tinham prazer em me aterrorizar. – rosnou Ryan, frisando o nome do Lobo Negro – Então temer dizer quem eu sou para um grupo de Lobos que não parecem gostar nada de mim apesar de ter salvo a vida de “um dos seus” é o mínimo que posso fazer.

Victor mirou o garoto diante dele, para então suspirar. Ele ergueu-se e sentou-se diante do menino. Não queria perder o pequeno laço que haviam feito com os dois, ele teria de se controlar e tentar descobrir tudo aos poucos.

— Você cuidou de Daniel e o salvou. Nos ajudou a encontrá-lo, então eu jamais te atacaria por ter sangue de caçador, Ryan. Você está com Daniel, está conosco também. Mas quero saber quem é e também o motivo por reagir dessa forma quando ouviu o nome do Chris.

Ryan olhou para Daniel, que devolveu o olhar. Victor tinha certeza de que o Lobinho ali sabia o que o garoto escondia.

Ele iria descobrir o que estava acontecendo.

— Eu...

Antes que Ryan pudesse completar o que falava, os Lobos ergueram o olhar para o alto. Diego ergueu-se, na defensiva, cheirando o ar.

— Lobos vindo do Oeste. – apontou Luka – Vamos ser atacados, não são do nosso grupo.

Victor ergueu-se, olhando o para a direção que Luka havia apontado.  Ele olhou para Luka e Adam e então para Maria.

— Vocês três sabem o que fazer. Atrasem o grupo quanto puder. – ele ordenou.

Os três acenaram, desaparecendo na mata.

Victor olhou para o restante do grupo.

— Fiquem aqui e nos cubram. Tomem cuidado e não morram.

— Certo. – responderam, erguendo-se e se espalhando pela mata.

Victor encarou Diego, que agachou-se diante dos garotos.

— Vamos tirar vocês daqui. Já devem ter destruído nossos carros, mas iremos pegar os deles. A distração nos dará tempo de sair daqui. Vocês precisam confiar em nós dois, tudo bem?

Diego e Victor observaram os meninos se olharem e Ryan apertou a mão de Daniel, acenando. Diego sabia que a ponte para se aproximar do filho era aquele menino. Daniel não confiava em ninguém e o rapaz ao seu lado mostrava ter forte influência sobre garoto.

— Tudo bem. – respondeu Daniel.

— Vamos levar vocês nas costas. Daniel, eu sei que você está fraco, mas estará em contato com o corpo de seu pai, use a força dele pra te dar energia e bloqueie esses desgraçados. Você consegue fazer isso? – perguntou Victor, que já colocava Ryan em suas costas e ajeitava o garoto para que ficasse firme.

— Nunca fiz, mas posso tentar. – respondeu o menino.

— Basta se concentrar em mim. – respondeu Diego, tocando o rosto do menor com carinho – Preparado?

O menor acenou.

Com as mochilas nas costas e sob os ombros de Diego e Victor, os meninos se olharam, acenando um para o outro. Daniel fechou os olhos, criando o bloqueio. Logo sentiu o cansaço tomá-lo novamente. Estremeceu com aquilo, mas, olhou para o homem que o segurava firmemente em suas costas.

— Confie em mim, filho. Eu darei minha vida pra te proteger e devolver o que te roubaram. Use minha força, você tem meu sangue e eu sou um alfa.

Daniel acenou, deitando a cabeça sobre o ombro de seu pai, respirando lentamente e fechando os olhos.

Em minutos ele sentiu a poderosa energia de Diego fluir sobre ele.

Diego olhou para Victor e acenou.

Os dois saltaram, correndo por entre às árvores.

 

***

 

— Pablo, tenta ficar calmo! – pediu Christian – Logo você estará com o seu filho nos braços, querido.

O rapaz estava há horas andando de um lado para o outro, no casarão. Desde que acordou, naquela manhã, ele sentia que algo estava acontecendo. Seus instintos nunca o enganaram, e ao ligar para Diego, a notícia que por muitos anos ele esperou receber finalmente veio.

Daniel.

— Meu Daniel... – sussurrou ele, laçando os braços contra o próprio corpo e chorando. Christian se aproximou e o abraçou com força.

— Ele estará ao seu lado, logo-logo. Agora eu preciso que você se acalme, Pablo. Por favor, fica calmo, precisamos estar conscientes aqui.

— Tome, querido. – Alice entregou uma caneca de chá para o rapaz, que por fim, sentou-se e o bebericou – Eu já acionei meus feitiços, para proteção de todos. Fique tranquilo, você o terá em poucos dias com você.

— Eu sei, mas... – Pablo parou de falar, erguendo a cabeça em direção à porta – Vamos ser atacados.

Christian e Alice se olharam, erguendo-se no ato e correndo para o sino que mantinham na porta. Ele foi tocado, dando o alarme para todos os guardas do vilarejo. Pablo se ergueu, subindo as escadas correndo, entrando no sótão e pegando algumas armas e rifles. Ele viu Christian entrar e jogou para ele um dos rifles que estavam diante dele.

— Quem acha que é?

— Miguel. – respondeu Pablo – Os homens dele. E eu sei que irão atacar Diego e os outros também. Estão caçando meu filho e querem um ataque duplo pra nos pegar de surpresa.

— Desgraçado, esse homem tem de morrer, mas de verdade!

Os dois correram para a escada que ficava neste mesmo cômodo e abriram uma pequena porta, saindo pra fora. Era noite, e dali eles viam a correria dos guardas. Os tiros já eram ouvidos e alguns pontos do vilarejo. As pessoas corriam para suas casas, para se esconderem no abrigo.

Pablo viu Raphael no alto do barracão de Alice, junto com Oliver. Elliot e Alice correram para se juntar com Hector e Evelyn.

— Espero que Sophia esteja no abrigo. – murmurou Chris. Ele sabia que a filha era treinada pelos melhores e que ela sempre fez o que foi orientada em momentos como aquele. Mas a necessidade de saber era mais forte.

— Sophia está com minha filha, Chris. – avisou Hector pelo rádio, que ouviu o que Chris dizia – Ela a levou para o abrigo de casa.

— Obrigado. – falou Chris, aliviado.

“Se concentrem.” – falou Pablo, na mente de todos – “Isso não é um treinamento, eles estão vindo pra matar.”

Chris apertou o rifle, mantendo a mira. Apesar daquilo ser algo que acontecia algumas vezes por ano, não havia como se acostumar. Ainda mais quando seu companheiro e filho estavam longe e sob fogo também e o inimigo era o Hernandes.

— Fica tranquilo, Chris. – falou Pablo, que deu o primeiro tiro, acertando um Lobo que vinha se esgueirando por uma das casas – Eles estão bem. Nós somos os melhores no que fazemos.

Christian olhou para o amigo. Este sorriu, disparando mais um tiro.

Ele, muitas vezes, tinha medo de Pablo, pois ele se transformava, não parecendo o rapaz emotivo ou animado de antes, a forma como ele falava e como ele poderia ser frio quando as coisas estavam ruins.

Ruins como a situação em que estavam.

Ele esperava que o amigo estivesse certo.

As coisas iriam se complicar.

Ele não tinha ideia de como estava certo.


Notas Finais


O que acharam?
Pesado, né otfvseyugvsevouovsuevguoyvegs
Música que ouvi enquanto escrevia - https://www.youtube.com/watch?v=akrnJEjUUm4
Link da playlist que fiz pra fanfic - https://www.youtube.com/playlist?list=PLN-1CWD9f_OIJteGkUJ4BHGdJ5Pf8amQ6
Primeira temporada desta fanfic - https://spiritfanfics.com/historia/matilha-villanueva--para-sempre-meu-1736482


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