História Original Sin - Capítulo 7


Escrita por: ~

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Categorias Bangtan Boys (BTS), Got7
Personagens JB, Mark
Tags Got7, Imjaebum, Jinson, Mark, Markbum, Marktuan, Yugmark
Visualizações 13
Palavras 5.066
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Famí­lia, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Sadomasoquismo, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 7 - 07


As coisas deveriam ter melhorado entre Mark e Jaebum depois do ocorrido na noite passada, mas não foi bem isso o que aconteceu. Pela manhã eles não chegaram a se encontrar, Jaebum saiu muito cedo para correr, e quando voltou Mark sequer havia levantado. O ruivo só veio a despertar por volta das quatorze horas. E após tomar um banho para desimpregnar-se do cheiro de sexo que tomava conta de todo o seu corpo - apesar de não ter praticado o ato em si -, ele se vestiu e desceu.

Jaebum estava absorto com o notebook no colo, digitando numa habilidade tão grande e silenciosa, que parecia ter nascido para aquilo. Do último degrau da escada, Mark o observou por algum tempo. Ele não parecia mais tão estranho, afinal. Seus cabelos negros passavam a impressão de não terem sido penteados naquele dia, já que algumas ondas começavam a se formar perto das pontas, mesmo que todo o resto fosse totalmente liso. Os óculos de grau redondos escorregavam pelo dorso de seu nariz, e o ruivo julgava a maneira que eles eram novamente empurrados para cima um tanto fofa.

A sua presença acabou sendo notada antes do que ele esperava, o que acabou desconcertando-o pela forma como fora encarado, como se tivesse que falar alguma coisa. Mas Mark não falou, nem sequer um “Oi, Jaebum”. Seguiu direto para a cozinha, onde encontrou um almoço empacotado, que tinha certeza não ter sido preparado pelo coreano, devido à inutilidade do mesmo no quesito cozinhar. Talvez tenha sido um pouco rude ignorar a comida que Jaebum comprou e resolveu dividir, mas não sentia vontade de comê-la e ficar devendo alguma coisa a ele. Por isso buscou pela geladeira algo fácil de ser preparado, mas nada parecia apetecer-lhe o paladar, e Mark só queria comer. As maçãs pareciam podres, a melancia estava com cara de ser madura demais, e assar carne no momento não era uma opção a se cogitar. Acabaria morrendo de fome se o telefone não tivesse tocado no momento certo.

Apressado, o americano foi correndo até o quarto, subiu as escadas como se estivesse se preparando para uma maratona, enquanto o anjo caído apenas o encarava sem nada dizer ou se mover de onde estava. Mark voltou falando animadamente com alguém do outro lado da linha, dizendo que ficaria muito feliz em receber o que quer que tenha sido que a pessoa estava oferecendo preparar para ele. Quando a ligação teve fim, Jaebum estava de pé ao seu lado, encarando-o de braços cruzados e com aquela expressão que o ruivo nomeou de“Maldita Cara de Nada”.

– Quê? – Prestes a dar as costas, Mark indagou sem demonstrar real interesse.

– Tem comida na cozinha. Como você demorou para acordar, eu comprei. Não viu? – Uma das sobrancelhas do moreno se alteou enquanto ele questionava. Sua postura parecia tão dura e séria quanto à de um militar.

– Vi sim, mas não quero aquilo. Minha amiga vai trazer torta e frango empanado para comermos, se quiser pode comer também. – Mark não sabia ao certo, mas algo na nova expressão de Jaebum fez com que ele se sentisse mal pelo que havia acabado de dizer, uma súbita vontade de voltar atrás. – É que eu-

– Vou sair, espero que aproveite. – O demônio interrompeu sua fala e voltou para onde havia deixado o notebook, fechando-o para colocá-lo sob um dos braços.

– Espera! Pra onde você vai? – Mark foi atrás dele sem saber exatamente o que falar. – Não precisa sair porque ela vai chegar, você pode ficar com a gente. – Mas tudo o que ele recebeu foi o barulho dos passos de Jaebum subindo a escada. – Pra onde você vai, Jaebum? – Voltou a perguntar, caminhando logo atrás.

– Não te interessa.

– Você poderia deixar de ser tão idiota? Só por um dia, pelo menos. – Aquela frase fez com que o moreno se virasse e encarasse o americano com descrença.

– Tem certeza de que sou eu quem está sendo o idiota aqui? – Os olhos negros se estreitaram e o ruivo recuou um passo, quando já estavam em frente ao quarto do maior. – Se você ia agir assim, não deveria ter feito nada do que fez ontem. – Foi a última coisa a ser dita por Jaebum antes que ele batesse com força a porta atrás de si, deixando Mark irritado, tanto com ele quanto consigo mesmo.

Antes que Jaebum se destrancasse, a tal amiga que Mark conheceu na noite anterior havia chegado, bem mais rápido do que o esperado. O americano até chegou a pensar em ligar remarcando a visita, mas sequer tivera tempo para isso. A garota parecia já ter tudo pronto quando ligou. Assim que a porta fora aberta, a mestiça, que se denominava Allie, praticamente pulou no pescoço do rapaz. Ela tinha duas sacolas em cada um dos braços, e dentro delas o que seria suficiente para alimentar pelo menos uns três Marks, considerando que um só já comia bastante. Rindo da afobação da menor, o ruivo abraçou-a pela cintura, convidando-a para entrar e irem até a cozinha, logo após a porta ser fechada. Em minutos, eles já estavam com toda a comida à disposição sobre a mesa. Pratos tipicamente americanos tomavam o lugar das picantes comidas coreanas, e matar a saudade quando não se podia ir para casa, era o que Mark mais queria no momento, por isso passou a comer desmedidamente, sem ligar com as regras de etiqueta.

O cheiro de enxofre surrupiou o oxigênio da casa, fazendo com que JB saísse do quarto quase desesperado, em busca do humano imprudente. Independente de quem fosse o demônio que estava se relacionando com Mark, ou ele não estava fazendo questão de se esconder, ou não sabia da existência de Jaebum ali, o que era impossível. Assim como anjos podiam sentir o cheiro dos demônios, demônios podiam sentir a presença de um anjo, devido ao tanto de energia espiritual que os mesmos emanam. Isso era, basicamente, o que ajudava aos descendentes de Lúcifer a manterem uma distância no mínimo segura, já que anjos não têm o costume de se dar bem com demônios - nem mesmo os caídos - por achá-los inferiores, independente do seu principado. Claro, fugiam à regra os que trabalhavam diretamente com demônios poderosos, como Jaebum, que tinha que lidar com Lilith, a primogênita. Mas independente da convivência forçada por Lúcifer a qualquer anjo caído, nenhum deles aceitava de bom grado.

Quando o moreno chegou à cozinha e deparou-se com Mark desfrutando da comida que lhe havia sido dada, tal qual uma criança esfomeada em uma festinha de aniversário, rosnou na defensiva. Se houvesse veneno nos alimentos, Jaebum com certeza teria conseguido sentir pelo cheiro, mas tudo estava em boas condições e completamente limpo. Entretanto, aquela visita súbita fora uma real afronta ao anjo caído, já que o demônio que estava encarando o ruivo com olhos encantados, enquanto este se deliciava com as comidas, era nada menos que Lilith em um novo receptáculo; uma moça que ainda não deveria ter chegado aos trinta anos, de traços orientais, mas com uma cor de pele que indicava que ela não era nativa do oriente. Jaebum podia claramente ver a alma da jovem ainda presa ao corpo que era possuído, sendo torturada ao lado da aparência horripilante de Lilith.

Almas humanas costumam ser caracterizadas por inúmeras coisas, mas o mais predominante nelas são os sentimentos; quanto mais amor, mais parecida com o amor a alma será, e assim por diante. Ao contrário dos humanos, e dos anjos que são seres espirituais criados por Deus, demônios propriamente ditos não possuem nenhum tipo de espírito, eles são apenas massas densas e pretas, carregadas de ódio e crueldade. Independente do quão ruins anjos caídos possam se tornar com a convivência com os males humanos, seus corpos reais ainda continuarão sendo de luz, já que foram criados dessa forma. Essa era a principal diferença entre um caído e um demônio, mesmo que ambos fossem tratados como iguais pelos leigos.

Um pigarro rouco chamou a atenção do casal que comia e conversava animadamente - não que a atenção de Lilith precisasse ser chamada, JB estava sendo sentido por ela desde os quatro últimos quarteirões. Mark olhou o coreano ainda com pesar, mas ambos sabiam que um pedido de desculpas não escaparia de seus lábios. Já a garota de longos cabelos castanhos encarou Jaebum com um sorriso aberto, seus olhos tinham um brilho incomum, cativante para quem não soubesse o mal que aquela face delicada escondia. O anjo caído forçou-se a sorrir de volta, demonstrando uma simpatia totalmente inexistente, para que o ruivo não acabasse se virando contra ele por ter destratado uma de suas amigas.

Jaebum tinha certeza de que a garota não sabia que Mark possuía, além do corpo, a mesma alma que Yien. Ela provavelmente acreditava que o moreno estava ao lado do humano unicamente pelo fato de ele ter a aparência similar a do homem que o mesmo amava. Independente do quão desequilibrada Lilith pudesse ser, ela não faria mal a Mark enquanto pudesse usá-lo para atingir JB, era isso o que o caído tinha em mente, e desde que ele demonstrasse pouco interesse, seria mais fácil fazê-la mudar de ideia, seja lá qual fosse a que ela tinha ao entrar na vida do americano.

Formalmente Jaebum se apresentou à jovem, para a surpresa de Mark, que apenas os encarava em silêncio após informar a ambos os nomes um do outro. Quando a jovem ouviu que o caído estava sendo chamado por“Jaebum”, seus olhos se apertaram e por muito pouco ela não gargalhou alto, chamando-o mentalmente de patético, pois sabia que seria ouvida assim.

– Jaebum, você vai mesmo sair? – Mark perguntou, porque estava começando a ficar incomodado com o silêncio que tomava conta do lugar e com a forma como o moreno e Allie se encaravam como se já se conhecessem de algum lugar.

– Não se preocupe, Mark. Eu posso ficar com você até o seu amigo voltar para casa, não será incomodo nenhum. Aqui tem Netflix? – Ao voltar-se na direção do ruivo, a mestiça falou sorrindo, e, em seguida, limpou-lhe o canto da boca sujo de molho, lambendo o dedo usado logo depois. Claro, aquilo fez com que JB sentisse vontade de estripá-la ali mesmo, mas sua expressão continuava suave, e seus pensamentos estavam em branco, sem que cedesse à provocação.

 – Parece que a comida está muito boa, eu acho que posso ficar com vocês e comer um pouco também. Allie não se incomodaria, certo? – Puxando uma cadeira da mesa, JB se sentou e Mark involuntariamente sorriu pela decisão tomada por ele. Ao contrário da garota, que parecia contrariada e insatisfeita, ainda que empurrasse um pedaço de torta de morango em direção ao mais alto dos rapazes.

– Você gosta de morangos Jae-bum? – Ela pausou o nome propositalmente. – Fiz essa torta hoje, experimenta!

– Ele é um louco compulsivo por isso, adora qualquer coisa feita com morangos, não é Jaebummie? – Mark falou animado enquanto se levantava para pegar um novo talher.

– Jaebummie? – A garota pareceu confusa com o tratamento carinhoso, o que fez com que JB sorrisse de canto, com evidente arrogância, e Mark corasse sem que pudesse evitar.

– Ele me chama assim porque sabe que eu não gosto. – Afirmou Jaebum, tomando o garfo que lhe fora estendido no segundo seguinte. – E eu adoraria provar da sua torta, está com uma cara ótima. Foi você mesma que fez? Não vale mentir, se tiver comprado em uma confeitaria. – JB sabia que ela havia feito isso.

– Oh! Entendi. Mark é um pouco maldoso, não? É claro que não, Jae-bum. Eu sou ótima na cozinha, qualquer dia vamos marcar um almoço lá no meu apartamento, sim? Não é muito grande, mas não deixa de ser acolhedor, não é, Mark? – Como se quisesse deixar claro que Mark já tivesse ido a seu apartamento, Allie lançou um sorriso tão arrogante para JB quanto o que ele havia lançado para ela, pouco antes de virar-se para o ruivo novamente e começar a brincar com os dedos em uma de suas bochechas. Ela era extremamente pegajosa.

– Er... É, sim. Mesmo que eu não tenha passado mais do que dois minutos lá, pareceu bem agradável. – Quando o americano falou, seus olhos estavam totalmente voltados para Jaebum, que apenas sorriu a ponto de seus pequenos olhos se fecharem.

– Seria maravilhoso. – Foi tudo o que o caído disse, dando atenção à torta que começou a comer.

A noite não demorou a chegar, fazendo assim com que Allie tivesse que ir embora em algum momento. Mark se ofereceu para levá-la até em casa, mais por cavalheirismo do que por vontade própria, mas ela disse que poderia chegar lá sozinha e que estava de carro. JB sabia que a desculpa fora dada porque o demônio provavelmente estaria indo matar algumas pessoas e comer seus órgãos. Após o divertidíssimo encontro que tiveram, Lilith estava furiosa, ainda que nada evidenciasse isso. Quando ela finalmente foi embora, os dois rapazes encaminharam-se para a cozinha mais uma vez, a fim de lavar a louça que havia ficado suja. Nada fora dito durante um longo tempo, e Jaebum estava incomodado com o cheiro de enxofre presente na casa e em Mark, principalmente em Mark.

– Deveria tomar um banho. – O silêncio fora quebrado pelo maior.

– Está irritado? – Mark se virou para perguntar, o rosto quase indo ao encontro de um dos braços alheios.

– Não, apenas acho que deveria tomar um banho. Vou sair. – Quando terminou de lavar o último prato, entregou ao ruivo antes de dar-lhe as costas e sumir da cozinha.

– Sair? Ainda vai? Ah... Ok. – Aquele timbre de voz não poderia parecer mais decepcionado.

JB precisava encontrar Lilith e saber o que ela queria com todo aquele show, assim como também precisava comprar pelo menos três almas durante a noite, para continuar com o alto nível de seu desempenho e não deixar pontas soltas que poderiam gerar eventuais problemas. Mas não conseguia tirar o pensamento do ruivo, principalmente quando estava prestes a sair e encontrou-o adormecido no sofá da sala, e de banho tomado. Não restavam dúvidas a Jaebum de que enlouqueceria cedo ou tarde, Mark encarregar-se-ia disso. E sem nem mesmo se esforçar. O maior acabou deixando todos os planos que tinha para a noite de lado e foi trocar a roupa de sair, voltando alguns minutos depois até o americano que se remexia ainda desacordado, como se estivesse no meio de um pesadelo. A ponta de seu dedo indicador repousou no meio da testa de Mark que se enrugava, confortando seu sono, para em seguida tomá-lo nos braços e levá-lo até seu próprio quarto.

Assim que o menor fora depositado na cama, antes que Jaebum tivesse a oportunidade de cobri-lo, os braços magros envolveram-no pelos ombros com força, impedindo-o de se afastar. Logo os olhos castanhos e sonolentos estavam sendo abertos de forma preguiçosa, e assim que o moreno sério entrou em seu campo de visão quando o foco do mesmo fora restabelecido, Mark o puxou ainda mais contra si. JB esperava ser repelido, já que tinham passado a maior parte do dia evitando um ao outro ou discutindo, mas agora os lábios fartos estavam a centímetros de distância e não havia possibilidade de ele manter-se longe, então o beijou sem aviso. As mãos do ruivo assim foram ao encontro dos fios escuros e lisos, emaranhando-se ali para puxá-los a cada vez que os rostos moviam-se em direções opostas. Mark não usava mais a blusa de gola alta que encobriu as marcas espalhadas por seus ombros e pescoço durante todo o dia, e agora cada uma delas estava sendo acariciada pelos lábios de Jaebum com beijos molhados. Eles ficaram por horas apenas se beijando, até que o americano voltou a adormecer.

Um novo dia nasceu nebuloso e mais frio do que o habitual para aquela época do ano. Após abrir e coçar os olhos, livrando-os de sua secreção ocular matinal, Mark pôs-se sentado na cama, um pouco desapontado por Jaebum não estar ali. Mas não era nenhuma surpresa. Talvez ele até mesmo tenha saído de casa depois que adormeci, foi o que o ruivo imaginou. Sua higiene fora feita como de costume e, após o banho tomado, ele desceu para se alimentar. Ao contrário do dia anterior, nenhuma comida estava à sua espera, assim como Jaebum também não. A casa estava vazia e estranhamente fria. Mark então resolveu ocupar a mente preparando algo para comer, e assim evitando se perguntar aonde o moreno havia ido.

Entrou a tarde e o começo da noite, e o ruivo ainda estava sozinho. Seu mau humor era tanto, que até mesmo o Cartoon Network estava deixando-o irritado. Com a cara fechada, encarava a televisão sem de fato prestar atenção no que nela se passava, até que a porta de fora se abriu e Jaebum apareceu mais morto do que vivo. Mark não se incomodou em desviar o olhar para encará-lo, por isso só veio perceber sua condição física quando este despencou sem ao menos ter tempo de fechar a porta atrás de si.

– JAEBUM! – Alarmado, o americano correu até onde o maior estava quase desacordado e ardendo em febre. Por mais que Jaebum normalmente fosse quente como o inferno, aquilo ali não era a temperatura normal do seu corpo, Mark tinha certeza. – Vem, Jaebummie, levanta. Por Deus, onde você estava até a essa hora?

– Yah... punk! Estava preocupado? – A voz atipicamente fraca soou muito baixa, quase soprada, e mesmo que o sorriso tivesse feito menção de surgir em seus lábios devido aos ditos, ele não teve forças para fazê-lo.

– Cale a boca, idiota. Venha, ajude-me a te levantar. Você pesa quantas mil toneladas?

– Até mesmo a sua voz é bonita. – Jaebum já delirava aparentemente prestes a desmaiar.

– Ei, não apaga. Acorda! – Mark deu alguns tapinhas no rosto pálido. – Jaebummie, não apaga, por favor, preciso te levar até o banheiro para tomar um banho e tentar baixar essa febre. Ajude-me.

Mesmo debilitado, o moreno esforçou-se para usar o restante de suas forças e assim ajudar o ruivo a erguê-lo. Com um esforço gigantesco, Mark fechou a porta e depois se encarregou de carregar Jaebum até o banheiro do seu quarto, colocando-o de roupa e tudo sob o chuveiro ligado na água fria. O coreano tentou fugir em meio ao choque térmico, projetando o corpo para trás, mas lá estava o braço do ruivo, obrigando-o a permanecer quieto onde estava. Suas roupas molhadas foram retiradas pouco tempo depois, revelando o corpo trêmulo e com cicatrizes que pareciam ser recentes, na região de suas costelas.

Quando o banho teve fim, Mark acabou encharcado junto, ao tirar Jaebum de dentro do box e levá-lo abraçado a si para fora do banheiro, até que encontrasse uma toalha limpa e pudesse envolver seu corpo torneado. Secou e deitou o moreno na cama, para só então conseguir vestir-lhe uma calça de moletom e enrolá-lo com apenas um cobertor, por causa da febre que se recusava a baixar.

Mark estava exausto, nunca foi de praticar exercícios físicos pesados, e sua cabeça latejava dolorida já tinha algum tempo. Quando ele terminou de lidar com o moreno enfermo, que também se recusava de todas as formas possíveis a tomar qualquer tipo de medicamento para febre, deixou-se despencar no chão ao lado da cama, respirando fundo, com a mente tão exaurida quanto todo o seu corpo. Jaebum falou diversas coisas durante o sono turbulento, mas nada que fosse compreendido, uma vez que ele parecia usar uma mistura de latim, hebraico e alguma outra língua desconhecida. Mark ainda ficou algum tempo encarando-o antes de ir para o próprio quarto mudar as roupas molhadas e se afundar na cama, sem intenção de rever aquele cara novamente, mesmo que cada uma das células de seu corpo estivesse preocupada com ele.

Naquela manhã, Jaebum havia ido ao lugar marcado por Lilith para encontrarem-se, mas acabou sendo surpreendido por uma pequena legião de demônios recém-libertos, que praticamente o sequestraram. Em outro tempo, ele teria lidado com a situação muito rapidamente, mas uma vez que precisava manter seu receptáculo em perfeitas condições, criar uma guerra não era exatamente o que tinha em mente. Os demônios estavam em maior número e, apesar de anjos caídos serem fortes, isso não quer dizer que não possam ser feridos - principalmente quando rituais de tortura, óleos sagrados e antigos celestiais, agora iníquos, estavam envolvidos. Prender JB em uma armadilha e torturar seu corpo humano ou espiritual não chegava nem perto de ser tão aterrorizante quanto às cenas incrivelmente reais de suas piores lembranças, que estava sendo obrigado a reviver nos fundos daquela mercearia cercada por demônios sentinelas. Essa era a única coisa que poderia levá-lo à loucura, e, consequentemente, fazê-lo usar da sua força para tentar se libertar; Lilith sabia disso.

E foi exatamente o que o moreno fez, até que o corpo humano que tinha como receptáculo começasse a dar indícios de que não conseguiria suportar a quantidade de força e energia que ele ganhava espiritualmente devido a sua ira. Se Jaebum não parasse, acabaria desintegrando o receptáculo ao qual esteve ligado desde a sua queda. Mas antes que isso acontecesse, Lilith o libertou, afirmando que a vingança pela decapitação de seu antigo receptáculo havia sido concluída. Na verdade, ela apenas havia tirado a prova de que tudo o que motivava JB a continuar perto daquele humano era a sua semelhança com Yien, como desconfiou desde o princípio. Esse, sim, tinha sido o verdadeiro propósito daquilo tudo. Entretanto, o demônio só não entendia o porquê Jaebum ainda não tinha matado aquele ruivo no momento em que descobriu que ambos não possuíam a ligação de almas. Lilith não conseguia sentir a alma de Yien naquele corpo, e sabia que JB nunca aceitaria qualquer outra pessoa usando a primeira face do amor de sua vida. Ela conhecia a personalidade do anjo caído, e conhecia ainda mais a alma do humano que ele tanto amava, já que se encarregou de matá-lo por incontáveis vezes.

Lúcifer havia feito Jaebum sentir-se culpado pelas mortes precoces de todas as reencarnações de Yien, alegando que ele havia violado a pureza e a alma do humano. Mas aquelas mortes nada mais eram do que frutos de um capricho. Quando o primeiro demônio a ser criado viu-se incapaz de ter o que o humano tinha, decidiu que o mataria. Não que Lilith nutrisse algum sentimento bom por Jaebum, porque não nutria. Demônios eram incapazes de possuir qualquer coisa boa dentro de si, e por ser o primeiro a ser criado, ela era o pior de todos eles, já que foi um teste que deu origem aos outros. A inveja e a crueldade que existiam em seu ser não tinham limites, assim como tantos outros pecados e maus sentimentos.

Jaebum e Yien tinham uma ligação de propósito desconhecido até mesmo para Lúcifer e outros anjos caídos, por isso todos os queriam mortos ou vivos como escravos. Lilith se precipitou ao assassinar o camponês pela primeira vez, intolerante com a forma que ele era sempre tão bem tratado e não deixava de sorrir em momento algum. O demônio esperava que Jaebum fosse esquecer de Yien com sua morte, e dessa forma finalmente viesse para o lado de Lúcifer, já que para o céu ele não poderia voltar. Só não contava que anos depois a alma do jovem humano reencarnasse. Tomando como hobby, a primogênita de Lúcifer caçava as reencarnações de Yien depois de esperar pacientemente por cada uma delas durante todos os anos que fossem preciso. Mesmo que Jaebum não encontrasse a alma amada em primeiro lugar, Lilith não deixava que o corpo humano acoplado a ela passasse da idade de sua primeira morte; não era uma maldição, nunca foi. O demônio induzia outro ser, humano ou não, a matar o corpo, ou fazia-o adoecer de algo grave, já que se tirasse sua vida com as próprias mãos, o anjo caído descobriria.

JB passaria a eternidade se culpando, enquanto seu amado humano seria incapaz de viver como os demais de sua raça. Parecia um plano perfeito e incrivelmente divertido, mas Lúcifer queria ter a sua porcentagem de lucro também, que era Jaebum como escravo, por isso ludibriou-o para conseguir o que almejava. Fez com que o caído acreditasse que estava fadado a perder a alma do humano para sempre, roubando com isso sua sanidade e esperança por muito tempo. Mas nenhum deles, Lúcifer, Lilith ou outros anjos, esperava que Jaebum tivesse amor e ousadia suficientes para desistir da eternidade por Yien, com um ritual de troca de vida.

Anjos e demônios travaram uma batalha acirrada naquele dia, enquanto os corpos do caído e do humano estavam protegidos pela mesma barreira invisível que agora encobria a verdadeira identidade de Mark. Todos ali queriam a morte de um e a obediência do outro, mas no fim, a má sucessão do ritual fez com que ninguém ganhasse o que esperava, nem mesmo Jaebum. Se reviver o passado já era doloroso demais em pesadelos, quem dirá em cenas tão reais quanto as que Lilith o obrigou a rever por meio da clarividência, que o fizeram ouvir e sentir tudo como se estivesse fazendo aquelas coisas outra vez. Como se estivesse matando Yien outra vez. Por isso lutou de todas as formas possíveis para conseguir se livrar da armadilha na qual havia caído, chegando ao ponto de enfraquecer seu receptáculo e quase destruí-lo.

 

●  ●  ●

 

Desde que JB chegou, nada mais havia sido o mesmo. Era turbulento e imprevisível, como uma tempestade repentina. Por outro lado, Mark costumava lidar com as coisas como a calmaria de um dia primaveril, apesar de seu temperamento terrível. Eles eram completamente opostos, e isso estava levando ambos à loucura. Quando não estavam brigando e se ofendendo, estavam se amassando em algum canto da casa. Jaebum sabia que Mark encontrava outras pessoas, e que uma delas era a garota possuída por Lilith, chamada Allie, que fazia questão de visitá-los sempre com um doce diferente, até mesmo quando os demais moradores da casa voltaram da América. Nenhum deles gostava dela ou aguentava mais ouvi-la falar sobre sua cobra de estimação. Suportavam-na apenas porque o ruivo disse que ela precisava de amigos no país. Havia outra pessoa também, e esse Jaebum não tinha visto ainda, mas sabia ser um garoto. Mark não demonstrava suas emoções ou afinidade anormal com ninguém, por isso o moreno não se importava tanto - pelo menos não na frente do americano -, já que não podia cobrar nada.

Mark mal sabia que em algumas das saídas misteriosas de Jaebum, ele estava destruindo enlouquecidamente tudo o que via pela frente, em pontos distintos do mundo. O anjo caído tinha força suficiente para fazer coisas inimagináveis por qualquer ser humano com mentalidade sã. Por incontáveis vezes ele chegou ao casarão exaurido e com o semblante de alguém que não conseguia colocar a própria vida no lugar. Não era mais cordial em seus pactos, agora induzindo sadicamente as pessoas a venderem suas almas. Ter Mark em quaisquer outras mãos, que não as suas, estava fazendo-o perder completamente o controle, e o pior de tudo é que ele não podia nem mesmo deixar o ruivo a par disso. As brigas tornaram-se mil vezes piores, ainda que eles continuassem se encontrando às escondidas todas as noites. A confusão de Jaebum estava mexendo com a confusão que Mark era, e mesmo que se entender fosse algo praticamente impossível, eles não conseguiam se afastar.

O caído acabou conhecendo um grande amigo do americano alguns dias antes da festa que seria dada. O rapper de contrato assinado com a YG Entertainment não parecia ter deixado a fama subir à sua cabeça, apesar de não ser uma pessoa como as comumente vistas nesse ramo. Ele falava mais do que qualquer um que Jaebum já tivesse encontrado, e sobre cem assuntos ao mesmo tempo. Sua risada era estrondosa e totalmente sincera, mesmo quando não tinha motivo algum para estar rindo. O rapaz de feições muito joviais parecia se dar bem com as garotas e possuir inúmeros talentos no quesito música. Não era alguém que precisaria vender a alma para obter sucesso. E, apesar de JB saber sobre tudo o que Mark falava pelas suas costas com ele, não sentia raiva ou desgosto do adolescente. De alguma forma simpatizava com o garoto, pelo simples fato de o ruivo o fazer. Por infelicidade, Allie tornou-se obcecada pelo jovem de futuro promissor tanto quanto por Mark. B.I a evitava como se a mestiça fosse uma espécie de praga - o que não deixava de ser verdade. E, apesar de o mais novo saber sobre toda a apatia que o americano nutria por Jaebum, mesmo se agarrando pelos cantos, não estava a par de seus reais pensamento ou sentimentos.

Os sentimentos de Mark nunca foram compartilhados com ninguém, até que ele começou a se abrir com Jaebum no meio de uma de suas inúmeras brigas. O menor cuspia ofensas e apontava o dedo na face do outro, alegando que sabia que nunca poderia tê-lo por completo, que por isso não confiava nele e não era capaz de entregar-se. Eles já haviam discutido diversas vezes por aquele mesmo ponto, onde um morria de ciúmes e o outro era incapaz de se deixar levar pelo que verdadeiramente estava sentindo. Mesmo que nada tenha sido dito aos demais moradores da casa, todos já sabiam que algo muito complexo estava acontecendo entre o Tuan do meio e o moreno. Em um dia eles nem ao menos se falavam, para no dia seguinte ficarem se encarando como se tivessem sido cúmplices em algum crime.

Joey foi o primeiro de casa a saber o que acontecia entre os dois pela boca de Mark. Mas o caçula não escutou que ambos estavam vivendo um grande amor, e sim que o irmão não aguentava mais Jaebum em seu pé. Que ele era insuportável e louco, e que não o deixava em paz durante momento algum. Joey sabia que Mark era assim, que quando ele estava começando a ceder e os sentimentos faziam-no confuso, ele arrumava um jeito de afastá-los de alguma maneira. Por isso escutou-o calado, já que a forma arranjada deveria ter sido colocar toda a culpa em Jaebum, e isso parecia funcionar bem. Mark só se esqueceu de arrumar uma desculpa para o fato de que voltava todas as noites para os braços do moreno, mesmo detestando-o mais do que tudo, como fazia parecer. Desde o primeiro beijo, eles não haviam se separado uma vez sequer.



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