História Os contos do Príncipe Mestiço, o "covarde" - Capítulo 2


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Categorias Harry Potter
Personagens Severo Snape
Tags Drama, Harry Potter, Principe Mestiço, Severo Snape
Visualizações 50
Palavras 1.000
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 10 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia)

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


(Esse capítulo foi inspirado em algo que me aconteceu.
Minha irmã me convidou para passear em outra cidade, disse que eu poderia levar algum amigo caso quisesse para me fazer companhia.
Fiquei empolgada e ansiosa, mas percebi que não tinha ninguém. Que iria sozinha. Que estava sozinha.
Uma das piores coisas que já me ocorreram, com certeza. É horrível pensar no que você tem e se encontrar sozinho.
Espero que ninguém jamais precisa passar por isso.)

Capítulo 2 - O passeio perdido à Hogsmeade


Arrumando o cachecol e os cabelos negros, Severo desceu as escadas com as mãos tremendo pelo frio e a ansiedade que o aguardava.

Não tinha muitas razões para ainda continuar indo para Hogsmeade toda sexta depois das aulas, pois sempre ficava longe dos outros colegas ou os Marotos davam um jeito de derrubá-lo no chão ou puxar seus fios com força por trás, mas mesmo assim gostava de ir para se distrair e poder apreciar o ar livre quase sempre cheio de neve.

Abaixo da torre do relógio todos os alunos estavam enfileirados em duplas em perfeita ordem, sendo acalmados pela professora Minerva que nunca conseguia ter muita paciência pela empolgação deles. Severo se incomodou com o fato de somente ele não ter uma companhia, mas tentou não pensar muito nisso.

— Silêncio! — exclamou a professora pela décima vez e os alunos decidiram a obedecer. — Como vocês foram avisados, por conta do Natal, o passeio só será concedido se estiver acompanhado de um amigo. — continou ela e o coração dele bateu mais rápido. — Agora, podem se encaminhar para ir. O bom comportamento deve ser mantido sempre e a boa educação também, lembrem-se disso.

Todos começaram a caminhar, mas Severo permaneceu no mesmo lugar. Quando conseguiu se mexer obrigou as pernas a ir até onde Minerva estava, já se encaminhando de volta ao castelo.

— Professora... — chamou ele puxando de leve sua roupa para que notasse sua presença.

— Senhor Snape, qual o problema? — questionou ela de volta, vendo seu rosto triste.

— Eu não... bem... eu não tenho um amigo para me acompanhar — respondeu ele com a voz baixa, envergonhado. — Será que não posso mesmo ir?

— Você foi avisado que isso ocorreria, não foi? — Ele afirmou com a cabeça. — Então por que não está com algum colega?

O vento balançou seus cabelos evidenciando as lágrimas que queriam escorrer, o coração antes acelerado agora dando pontadas pela tristeza de saber a razão de não poder ir junto dos outros.

— Eu não tenho ninguém, professora — anunciou a olhando com as sobrancelhas erguidas de forma digna de se sentir pena.

— Não fique assim, pode permanecer aqui e fazer outras coisas, até porque os seus colegas não ficarão por lá mais de quatro horas — disse ela com a mão em seu ombro, o sorriso gentil no rosto. — Logo faremos mais passeios e você poderá ir em todos, Severo.

Ele tentou retribuir o sorriso, mas seu queixo pareceu querer se quebrar quando se esforçou para esticá-lo, como se não pudesse sequer fingir que estava feliz por aquilo. De toda forma, realmente havia sido avisado na sala de aula que isso ocorreria, mas nunca levavam essas coisas a sério e pensou que fossem desistir no mesmo dia. Contudo, para sua infelicidade, persistiram na ideia.

Severo voltou para dentro suspirando e o esforço para suportar o choro fora maior do que pensava, sempre relembrando a si mesmo de que era só um passeio bobo, que não era algo tão importante assim para ficar se sentindo mal. Mas ele sabia que era. Porque parecia ser uma das poucas coisas que o animava de fazer, uma das poucas oportunidades que tinha de sair da escola e não ser tão zoado, tão humilhado e descartado.

Acabou passando a tarde ao lado do zelador Filch, o mesmo que também sofria com a ignorância dos alunos — mas que acabava sendo uma ótima companhia por não gostar de conversar muito —, e ficaram limpando os quadros por conta da poeira recente que os incomodavam. Depois se dirigiu para fora, dando voltas sozinho e tentando não pensar no que os colegas estavam fazendo, o que poderiam ter encontrado no caminho ou se teria sido muito divertido ao ponto de ele se arrepender por não ter insistido um pouco mais para ir junto.

Estava anoitecendo quando voltaram, com suas risadas altas e as sacolas com coisas que compraram nas mãos. Severo avistou Lílian ao longe perto de Tiago, ele tinha um braço solto no ombro dela como se dissesse que era somente sua, enquanto ela conversava com Alice Longbottom que estava acompanhada no namorado que segurava sua mão com delicadeza.

Deve ter ficado muito tempo os observando, pois em algum momento Alice o avistou com seus olhos curiosos e cutucou a garota ruiva ao seu lado, apontando discretamente para onde ele estava.

— Aquele não é seu amigo, o da Sonserina? — perguntou ela curiosa, mas não manteve a voz baixa. Lílian afirmou que sim. — Por que você não levou ele junto com a gente?

Severo inclinou o corpo para frente na intenção de ouvir a resposta dela. Talvez, por um segundo, ela sentisse falta dele assim como ele; talvez pensasse nele a todos os momentos, assim como ele; talvez pensava que poderia ter o abraçado mais vezes enquanto podia, assim como ele; talvez imaginava em reconciliar a amizade mesmo depois dos danos, assim como ele.

Lílian olhou para Tiago e depois para a amiga, balançando a cabeça devagar negando.

— Ele não é meu amigo mais, agora só passa de um desconhecido — disse ela com indiferença, como se não se importasse com a forma que as palavras saíam.

Ele se levantou no mesmo segundo, dando meia volta e apressando o passo para poder sair o mais rápido que pudesse de perto deles.

— Que maldade, Lílian! Ele deve se sentir mal por isso — pôde ouvir Alice exclamar, num tom que parecia brigar com a amiga.

Em um canto escuro da Sala Comunal, ele permaneceu sozinho pensando nas palavras daquela que um dia já jurou conhecer. Que não imaginava que um dia fosse perder. Que sequer passava por sua cabeça um dia vê-la se transformando em uma desconhecida novamente.

Perdera o passeio em Hogsmeade, sem ter a oportunidade de comprar algo para si mesmo, além de ganhar um presente da garota ruiva que ainda se lembrava com carinho em seus pensamentos.

Estava frio e se encontrava sem nenhuma companhia, lá fora nevava como se o mundo fosse se congelar, mas seu coração parecia mais gélido do que o longo inverno.



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