História Os contos do Príncipe Mestiço, o "covarde" - Capítulo 4


Escrita por: ~

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Categorias Harry Potter
Personagens Severo Snape
Tags Drama, Harry Potter, Principe Mestiço, Severo Snape
Visualizações 33
Palavras 1.392
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 10 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia)

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 4 - O baile dos horrores


Os passos apressados e a vozes desesperadas por conta do atraso lhe davam descontração para se afundar no livro de poções.

As meninas exclamavam que seus pares as deixariam se não trocassem de roupa rápido, os meninos repetiam que perder a companhia de alguém do sexo feminino estava longe de ser algo perdido. E enquanto isso Severo se perguntava por qual motivo alguém se interessaria em ir algo assim, uma vez que não parecia fazer sentido se misturar em um aglomerado de pessoas que nunca param de falar e o analisam como se pudessem ver sua alma.

Um empurrão fez com que o livro caísse e ele se virasse assustado, ainda mais irritado.

— O que está fazendo aí parado ainda? Vai se arrumar logo! — exclamava o monitor da Sonserina, tentando se enfiar na calça preta ao mesmo tempo que pentear o cabelo.

— Eu não vou nisso — disse Severo somente, sem nenhuma expressão.

O monitor o olhou como se fosse lhe bater, como se aquilo tivesse lhe proporcionado tanta raiva que poderia deixá-lo dormindo do lado de fora só por conta de suas palavras.

— Está de brincadeira! Por que não? — questionou agora escovando os dentes, ainda com as sobrancelhas apertadas com raiva.

— Eu não quero — respondeu indiferente.

— Ah, você vai sim, porque é obrigatório! E se não estiver lá, o diretor vai me matar! — repetia ele encaixando os sapatos.

— Não tem nada para mim lá — interviu Severo, dando de ombros.

— Vai ter muita distração, como bebidas e comidas que farão você esquecer disso.

— Não há nada de impressionante naquilo.

— Diz isso até ver as garotas do último ano de costas.

— Não tenho ninguém para me acompanhar.

— Ah, colega, pelo menos nisso estamos iguais — o monitor se levantou e Severo quis lhe dar mais motivos para não ir, só que ele balançou as mãos com impaciência. — Não ligo dos por quês você não quer ir, apenas vá e pronto. Fique uns vinte minutos lá e volte, depois durma e vou te deixar em paz. Não me arrume mais problema do que já tenho, Severo.

Se dando por vencido ele teve de vestir seu terno rasgado e até um pouco sujo, uma roupa que nunca pensaria que fosse usar, mas que a mãe fez questão de sempre colocar dentro do malão caso fosse preciso. Não se deu o trabalho de sequer pentear os cabelos, os deixando arrepiados e jogados perto do rosto, com as pontas para fora e algumas formando pequenas ondas. E a típica expressão mal humorada e indiferente em seu rosto, dando a impressão de que havia acabado de acordar.

Conforme descia as escadas devagar percebendo que a cada passo seu cérebro lhe dizia para voltar, ele avistou os Marotos e suas acompanhantes. A antiga amiga e seu primeiro amor estava dentro de um vestido azul claro de alças finas, os cabelos presos em um enorme rabo de cavalo com alguns fios perto das orelhas soltos, o rosto maquiado a deixava ainda mais exuberante e seu belo sorriso se alargava enquanto conversava com as outras garotas.

Você está tão linda, Lílian, elogiou ele somente para si mesmo caminhando para frente ainda muito impressionado e petrificado com a beleza da garota ruiva. Seu coração se apertou um pouquinho por saber que ela jamais saberia do elogio, mas se alegrou por ter a oportunidade de ao menos vê-la naquela noite.

Por sorte conseguiu ter uma conversa longa por várias horas junto de Lúcio Malfoy, o garoto ambicioso que ninguém costumava gostar, que estava acompanhado de Narcisa, uma garota que quase lhe lembrava neve por conta de sua pele tão pálida. Por conta disso não foi maltratado pelos Marotos, que faziam bagunça e muito barulho do outro lado do salão como se pertencesse somente à eles.

Lúcio se virou no momento que os colegas começaram a gritar e revirou os olhos bufando impaciente, ajeitando o braço em torno dos ombros da acompanhante.

— Um bando de idiotas — murmurou ele com a expressão descrente visível.

— Sabe o que dizem sobre os grifinórios: muita coragem, mas pouco cérebro — disse Severo colocando uma mecha do cabelo atrás da orelha, fazendo todos rirem.

— Nem mesmo eu posso discordar disso — admitiu Narcisa sorrindo, realçando o batom vermelho que colorida seus lábios.

Mas a graça acabou quando o casal foi embora o deixando sozinho novamente, o que o assustou com a possibilidade de algo dar errado nesse meio tempo. Dando uma olhada por cima dos ombros pôde perceber que os professores e até o diretor já haviam ido embora, pois possivelmente nem mesmo eles foram capazes de aguentar a bagunça causada pelos mais novos. Não havia mais motivos para estar ali, afinal nem mesmo o monitor estava o observando mais, então poderia subir para poder estudar poções e dormir tranquilo.

Dando impulso com as pernas se pôs de pé em caminho da porta, mas alguém puxou seu cabelo por trás com força suficiente para que alguns fios fossem arrancados. Severo se virou depressa, algumas lágrimas involuntárias aparentes por conta da dor do ato, recebendo um sorriso maligno de Tiago de volta.

— Olá, Ranhoso. Sabe, estive pensando em algo... você não acha que deveria lavar esse seu cabelo oleoso? — perguntou ele irônico, a risada maldosa sempre presente de palavra em palavra. — O que vocês acham, pessoal? O ranhoso não deveria dar uma lavada nessa coisa imunda? — perguntou levantando a voz, ouvindo as pessoas respondendo com gritos afirmando. Tiago o olhou com um sorriso de lado. — Bem, todos nós achamos isso, então não vamos perder esse tempo.

Tiago despejou o resto do líquido que havia na garrafa que estava em sua mão, fazendo Severo apenas olhar para baixo pra não deixar que atingisse seus olhos. A risada dos outros encheu o salão e os garotos começaram a jogar coisas nele, desde comida mastigada até cuspir bebidas em seu rosto, o deixando sem escapatória para fugir. As gargalhadas apenas aumentavam conforme apostavam quem conseguia fazê-lo chorar primeiro por conta de seu rosto transparecer a evidente tristeza pela humilhação.

Severo se sentiu um pequeno garoto sem defesa alguma, muito embora seus dedos estivessem firmes na varinha dentro do bolso. Ainda que quisesse, não conseguia se mover e era como se tivessem o enfeitiçado. Se recusava a chorar, ele não seria tão fraco a esse ponto, mas não estava suportando mais.

— Já está bom, Tiago — ouviu a voz de Remo, tentando afastar o amigo.

— Cala a boca, aluado! — exclamou ele somente rindo, o empurrando de leve.

Em um certo momento, os adolescentes pararam de rir. Nem mesmo Sirius, o bobo alegre, estava achando graça mais, mas isso não impedia que Tiago continuasse a jogar coisas nele e rir por não ter nenhuma reação, mostrando o quão fraco realmente era.

O ápice de sua brincadeira fora o momento que o acertou com uma garrafa perto do rosto, fazendo o vidro se estilhaçar e quase acertá-lo nos olhos, ferindo seu rosto que começou a sangrar.

— Chega, Tiago! — vociferou Remo, o empurrando forte o suficiente para cair no chão.

— Vá se ferrar, Remo! — gritou ele se levantando. — Está mesmo com dó do Ranhoso só por causa dessa brincadeira?

— O que você fez está, obviamente, muito longe de ser somente uma brincadeira — respondeu ele sério, apontando para Severo que permanecia de cabeça baixa. —, e eu tenho certeza de que não estaria rindo se tivessem feito o mesmo com você.

— Eu também tenho certeza de que você não vai gostar se pararmos de conversar por conta da sua mania em defender o Ranhoso — rebateu Tiago com as sobrancelhas erguidas, ajeitando os óculos.

Dando ordem às pernas, Severo deu meia volta e caminhou tão lentamente que pensou que cairia mais uma vez. Seu rosto ardia e estava pregando por conta do que jogaram sobre si, lhe dando um odor terrível que o fazia sentir nojo dele mesmo.

Apesar de estar longe, ainda conseguia ouvir as vozes que vinham de dentro do salão.

— Você humilhou ele, sabia? — disse Alice preocupada, a voz quase gritando. — Ele pode querer se matar por conta disso, Tiago.

Pensava no por quê ela sempre o defendia, se nunca haviam conversado antes. Mesmo em silêncio, ele era grato por essa atitude já que parecia ser a única que o fazia.

— Se o Ranhoso realmente quiser e tentar se matar — começou o inimigo rindo, o observando de costas desaparecer. —, espero que consiga.



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