História Os descendentes do sobrenatural - A guardiã - Capítulo 12


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Anjos, Bruxas, Demonios, Guardioes, Hades, Lucifer, Telepáticos, Videntes
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Palavras 4.033
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Colegial, Drama (Tragédia), Escolar, Famí­lia, Fantasia, Ficção, Ficção Científica, Luta, Magia, Mistério, Romance e Novela, Saga, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Suspense, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Heterossexualidade, Mutilação, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Bom, eu não sei se ainda tem alguém aki, me acompanhando e td mas... Er... Não sei onde esconder minha cara, sério. Queria pedir desculpas a vcs. Eu tive um problema com criatividade e tempo. Mas então eu resolvi tentar mais uma vez. Repito, não vou desistir da fic, amo muito ela pra isso. Mesmo ela não tendo muitos favoritos, eu gosto pra caramba de escreve-la. Bom, é isso. Agradeço a paciência de tds.
Boa leitura❤
TRADUÇÃO DO CAPÍTULO - ARCO E FLACHA.

Capítulo 12 - Archery.


Fanfic / Fanfiction Os descendentes do sobrenatural - A guardiã - Capítulo 12 - Archery.

Pude ouvir os passos apressados de Bryan enquanto subia a escada. Em poucos segundos ele chegou ao quarto empurrando a porta. Empurrou com tanta força que a porta chegou a bater na parede. Ele se aproximou de mim ao ver os lençóis ensanguentados. Apesar do corte ser pequeno parecia sangrar cada vez mais.

Bryan retirou as cobertas que estavam em cima de mim, me pegou no colo e encarou o corte no meu estômago, que a cada segundo me encharcava mais.

– O que aconteceu? – perguntou preocupado.

– Eu não sei... Eu estava... Estava dormindo e... – grunhi – sonhei com... – estava difícil falar, a dor me consumia e me roubava a fala. Tentei respirar, mas eu não conseguia. Depois de tanto tempo sem ter um ataque de asma, ela volta assim, agora. No pior momento. Meus pulmões doíam e eu não sabia o que fazer. Quanto mais eu tentava respirar, mais dor eu sentia.

Bryan saiu do cômodo descendo as escadas as pressas, pegou minha chave e destrancou a porta, saindo de casa correndo. Eu não fazia a mínima ideia de para onde ele estava me levando.

[...]


2015, sexta-feira.

Algumas horas depois da festa.


Acordei com o despertador tocando, me levantei morrendo de preguiça e desliguei aquele som insuportável. Praticamente me arrastei até o banheiro, encostando minhas mãos quentes no mármore frio. Lavei o gosto com a água gelada, o que me fez arrepiar, sentindo frio e me deixando mais acordada.

Olhei para o espelho. Eu ainda estava com a roupa da festa e o casaco de Bryan que quase cobria meu vestido. Sorri ao me lembrar de algumas horas atrás. Balancei a cabeça quando os pensamentos ficaram encantados de mais, tentando afastá-los. Foi apenas um beijo e não passaria disso.

Procurei pelo relógio na parede do quarto. 6:50. Eu estava atrasada. Peguei a escova, passei a pasta de dentes e a coloquei na boca, indo correndo arrumar meus materiais. Abri o fichário e encarei meu horário de aulas. Por alguns segundos eu me perguntei que dia era. Sexta-feira. Me animei. Finalmente o fim de semana iria começar e eu poderia colocar meu sono em dia. Peguei um bloco de folhas e coloquei dentro do fichário. Voltei a pia, terminando de escovar os dentes e voltando ao quarto para trocar de roupa e pegar minhas coisas.

Ao chegar ao hall da escada joguei minha bolsa sobre a grade de madeira, a ouvindo cair no sofá do andar de baixo depois de uns segundos. Desci os degraus saltitando, indo até a cozinha pegar um pedaço de bolo. Atravessei o corredor, parando de frente a porta do escritório do meu pai. Coloquei o bolo na boca, o segurando com os dentes e bati forte na madeira escura. Voltei a sala para pegar minha bolsa no sofá, ouvindo a porta do escritório se abrir e o chaveiro cheios de chaves tilintar. Peguei o bolo com o indicador e o polegar, mordendo um pedaço antes.

– Bom dia! – exclamei ao abrir a porta e pisar do lado de fora da casa.

– Está atrasada. – reclamou passando as mãos nos olhos inchados.

– E você dormiu no escritório de novo. – retruquei, levantando os ombros e andando em direção ao carro.

[...]


Entrei na sala alguns minutos antes da aula começar, me sentando no lugar de sempre. Levei o último pedaço de bolo a boca, abrindo a bolsa e pegando o fichário.

Algo estava errado. Havia silêncio de mais. Olhei ao redor, todos conversavam baixinho, olhando em minha direção. Por um momento pensei que fosse meu cabelo, descartando a hipótese ao passar a mão nele. Estava baixo, normal. Marilian me encarava séria, com os olhos estáticos. Franzi o cenho, não fazendo a ideia do que se passava ali.

Giovanna e Amanda atravessaram a porta, uma ao lado da outra, conversando entretidas. Assim que seus olhares pousaram em mim vieram correndo em minha direção.

– A princesa fugitiva apareceu. – provocou Giovanna, sentando na cadeira a minha frente.

– Você sumiu. Foi embora com quem? É verdade o que andam falando? – acrescentou Amanda sentando ao lado da loira.

– Em primeiro, a princesa aqui não fugiu de lugar algum. – respondi encostando o polegar no meu torço, sorri ao indicar que me referia a mim. – Em segundo, eu não sumi. Simplesmente fui embora. – dei de ombros. – Se dependesse de vocês estaríamos saindo de lá as seis. Passaríamos na cafeteria para comprar um café e chegaríamos na escola atrasadas, cansadas e com cara de zumbi. Exatamente como estão agora. – ri ao ver Giovanna revirar os olhos.

– Como sabe do café? – indagou Amanda, me olhando curiosa.

– Isso não é importante. – interferiu a loira. – Sabe o que é importante?! Descobrir se os boatos são verdade. – levantou as sobrancelhas.

Pisquei algumas vezes, eu não sabia do que ela estava falando.

– Boatos? Que boatos? – eu estava confusa.

– Que você pegou o garoto do segundo ano e ainda foi embora com ele. – falou Amanda orgulhosa, como se fosse a melhor coisa do mundo. Ri da situação, alguma informação estava errada ali.

– O que?! Segundo ano? Vocês são loucas?! – perguntei entre risos. – Eu fiquei com um garoto sim, mas ele não é do segundo ano, e sim da nossa classe. Vocês se superaram. – coloquei os dedos na testa, ainda achando a situação engraçada.

– Espera aí. Você não ficou com o Bryan? – levantei os olhos, prestando atenção em Giovanna.

Alguma coisa estava errada. Ele não podia ser do segundo ano. Elas estão erradas. Houve algum problema de interpretação, certeza.

– Sim, mas ele disse pra mim que estudava na nossa sala, que até se sentava da cadeira ao meu lado. – estiquei o braço direito, gesticulando para a carteira ao meu lado, virando a cabeça em seguida. Ela estava vazia, não tinha ninguém lá. Voltei meus olhos as meninas.

– E ele não mentiu. Ele é da nossa classe. Da classe de química para ser mais exata. – a morena falou levantando o dedo indicador.

– Ele é ajudante do professor. Faz isso por crédito extra. E sobre se sentar ao seu lado, não é bem uma mentira. Você se senta perto da mesa do professor. – Giovanna balançou o ombro esquerdo.

Eu não podia acreditar que aquilo estava acontecendo. Um veterano do segundo ano?! Era muito para se digerir.

– Eu achei que você conhecia ele, sabe. – a afirmação saiu mais como uma pergunta. – A Marilian vive correndo atrás dele. – a animação nos seus olhos esverdeados tinha sumido.

– Até cheguei a pensar que você fez isso só para contrariar ela. – eu encarei os olhos castanhos de Amanda sem acreditar no que ela havia acabado de dizer.

– Qual é meninas, eu não sou esse tipo de garota, vocês me conhecem! Eu não faria isso apenas para deixa-la mal. Eu nem sabia que esse garoto existia algumas horas atrás. Se eu soubesse que ele era do segundo ano eu... Eu não teria... Eu não fiz isso pra provocar a Marilian! – gritei já meio nervosa.

– Wow patinha, mantenha a calma. Nós já entendemos. – Giovanna levantou os braços em rendição.

– Eu não acredito que isso está acontecendo, eu devo ser o assunto do colégio no momento.

– Fica tranquila, até a hora do intervalo todos vão ter esquecido essa história. – Amanda falava de uma forma esperançosa, mas eu sabia que não seria simples assim.

– Ta de brincadeira né?! Olha em volta! Estão todos cochichando e olhando pra mim Amanda! – levei as mãos aos olhos, os apertando um pouco.

Amanda se levantou, e eu já sabia o que faria. Me arrependi de ter reclamado.

– O que foi? Algum problema?! Qual é o novo assunto do momento?! Eu até perderia meu tempo comentando sobre o acontecimento com vocês se isso não fosse tão clichê! Porque vocês simplesmente não cuidam da própria vida ao invés de ficar comentando sobre a alheia?! Parem de procurar assunto se aproveitando dos acontecimentos. As vidas de vocês são realmente tão fúteis assim? Para chegar ao ponto de se preocupar e fala sobre a dos outros?! Agora, meninas, aparem de falar e julgar a Gabrielly, todos aqui sabem muito bem que qualquer uma de vocês adoraria estar no lugar dela. Pegar o cara mais gato do segundo ano, quem negaria?! – ela olhou para o lado, encarando Marilian. – E você, Marilian, pare de criar boatos sem saber o que realmente aconteceu garota! Estou pensando seriamente em te dar dois gatos, porque ai você vai poder cuidar das 14 vidas deles e da sua! Quem sabe assim você não para de se intrometer na vidas dos outros! E para aqueles que não sabem do que eu estou falando, vocês tem sorte. Não percam o tempo de vocês com essa história idiota e tão mal inventada. Sabem porque?! Porque quem trouxe a Gabrielly foi o pai dela! O que significa que ela estava em CASA! Por favor Marilian, use mais a sua criatividade! Você já foi melhor nisso! Para chegar ao ponto de se rebaixar ao nível de a história nem bater com os acontecimentos você deve realmente estar se sentindo mal. Espero que supere. Afinal, aceitar que perdeu o crush dói menos, mesmo que seja para a menina que você mais odeia. Melhoras linda. – ela abriu um grande sorriso.

– O discurso terminou? – perguntou a professora Carter na porta da sala.

Passei as mãos no cabelo, eu não sabia onde esconder a minha cara. Ótimo, além de todos na escola estarem falando, agora a minha professora favorita também vai ficar sabendo! O dia está cada vez melhor.

Carter entrou na sala e colocou seus livros em cima de sua mesa, voltando o olhar crítico para nós. Amanda e Giovanna já estavam em seus devidos lugares e a olhavam sem graça.

– Antes de começar a minha aula eu quero deixar bem claro que não admito fofoca, murmúrios, cochichos e muito menos conversa fiada sobre o veterano do segundo ano e a caloura do primeiro. Se eu sequer ouvir os nomes de um deles sair da boca de qualquer um aqui, vocês serão convidados a se retirar da sala e não assistirão mais a minha aula tão cedo. E considerando a situação de alguns, eu sugiro que calem a boca. – ela com certeza ouviu as conversas nos corredores enquanto vinha para a sala.

[...]


Carter desviou seu olhar até mim algumas vezes durante a aula. Eu me sentia envergonhada.

– Muito bem pessoal, até a próxima aula. Podem sair. – guardei meus materiais, me preparando para sair da sala. – Você não Gabrielly, você fica. – fechei os olhos, temendo o que viria a seguir. Ela esperou todos saírem antes de abrir a boca para voltar a falar mas eu não aguentei e comecei a falar em seu lugar.

– O que estão dizendo não é verdade. Ta, eu beijei o garoto do segundo ano, mas foi isso.

– Gabrielly. – tentou me interromper, mas eu continuei.

– Eu saí escondido de casa e precisava voltar antes das quatro e meia, e como percebeu, minhas amigas saíram de lá não faz muito tempo. – ela franziu o cenho. – Ele me ofereceu carona e...

– Gabrielly. – tentou mais uma vez.

– Eu aceitei, afinal, precisava chegar em casa. O pai dele me deixou em casa e foi embora. Apenas isso. Eu não fui na casa dele, não dormi na casa dele. Eu não.

– Gabrielly Muller! – me repreendeu e eu me calei, suspirando. – Eu sei que você não fez isso, mas eu estou preocupada. Até o intervalo todos vão estar sabendo, e os boatos não vão parar por ai, vão começar a inventar mais coisas. Estou preocupada porque pessoas com o emocional fraco não aguentam isso. Os olhares tortos, os cochichos, ouvir seu nome nos corredores. E você é sensível. Gosto de você Gabrielly, mas pelo o que eu ouvi não podemos ir a diretoria no momento. – apertei os lábios. – Se você não conseguir resolver isso e as historias piorarem eu vou levar esses acontecimentos a conhecimento do conselho. Entendeu?

– Entendi. – balanceia a cabeça positivamente.

– Muito bem. Agora vai, ou você vai perder a segunda aula.

– Obrigada.

– Por nada.

– Não, obrigada. Pela preocupação. – ela piscou os olhos, assentindo.

Sai da sala correndo, atravessando os corredores em direção a sala de cálculo. Abri a porta e todos já estavam lá dentro.

– Gabrielly Muller, sempre achei que te colocar na aula de cálculo avançado era um erro, mas não pensava que o problema seria os atrasos.

– Eu estava falando com a Sra.Carter.

– Tudo bem, sente-se.

Quando olhei para frente vi Bryan retirar sua mochila de cima da última cadeira vaga, que estava a sua frente. Respirei fundo, andando entre as filas com calma. Assim que sentei na cadeira ouvi sua voz.

– Olha se não é a garota que não sabia que estudava comigo. – brincou, seu tom de voz era baixo e somente eu podia ouvi-lo.

– Olha se não é o garoto que sabe do que está falando. – eu fui sarcástica, mas mesmo assim ele riu, se aproximando mais de mim. Bryan estava tão perto que eu podia sentir seus lábios tocando minha orelha.

– O que? Vai me dizer que não gostou do beijo?! – se os boatos não estivessem acontecendo, eu provavelmente iria sorrir. Mas me mantive em silêncio, sem nem mesmo me mover. – Patinha? – virei minha cabeça, tentando olhar em seu rosto.

– Porque me chamou assim? – perguntei temendo me mover, se eu virasse a cabeça mais um pouco meu rosto tocaria o seu.

– Não é assim que suas amigas te chamam? – sua boca estava ainda mais próxima de meu ouvido, o que fazia com o que seus sussurros parecessem altos demais. – Por que está brava comigo, patinha?

– Não estou brava. – afirmei de pressa.

– Então por que está tentando me ignorar? – não respondi, não estava com cabeça para brincadeirinhas. – Viu, você está brava, patinha.

– Não estou brava. – repeti.

– O que está te incomodando? Patinha.

– O que está me incomodando?! Sério?! O fato de nós sermos o assunto do colégio não te incomoda?! – meu tom estava um pouco agressivo.

– Eu sempre fui o assunto do colégio. – ele sorriu de canto e eu revirei os olhos.

– Mas eu não. A algumas horas atrás ninguém sabia quem eu era, e agora estão falando meu nome pelos corredores! E nem são nove da manhã ainda! Isso tudo é culpa sua! – ele suspirou, se afastando para encostar o corpo na cadeira e voltando a ficar próximo em seguida.

– Está mesmo preocupada com o que os outros falam?

– Você vai falar que é mentira. Vai dizer que os boatos são mentira.

– Eu já falei, acha que alguém acreditou em mim?!

– Se necessário você vai até mentir, dizer que foi uma aposta. Um desafio idiota, que nós saímos porque meu celular tocou e meu pai foi me buscar.

– Não vou fazer isso. Não vou dizer que você foi uma aposta. Não quero as outras pessoas rindo de você. – apesar de toda minha agressividade, ele estava calmo.

– Pelo menos saberão que não aconteceu nada de mais, e eu não terei uma reputação de caloura atirada. Acho melhor não conversamos mais, não quero alimentar as histórias deles. – Bryan respirou fundo, soltando o ar de vagar. Virei-me para o quadro, puxando a cadeira um pouco para frente.

Alguns segundos de silêncio foram feitos, mas ele parecia inquieto.

– Nós podíamos... – começou, mas não deixei que terminasse.

– Não fale mais comigo. – pedi em tom baixo. Mais 30 segundos de silêncio foram feitos.

– Sabe, eu demorei dormir naquela noite. Eu... – virei para trás, o encarando nos olhos pela primeira vez desde que entrei na sala.

– Eu achei que tinha dito para você não dirigir mais a palavra a mim! – só percebi que tinha praticamente gritado quando toda a sala se calou, nos observando.

– Acho que você falou alto de mais, patinha. – sussurrou, me deixando mais irritada.

– O que acha de resolver o problema? - voltei-me para frente, era a voz do professor. Demorei entender que ele se reveria a conta no quadro, e não a minha discussão com Bryan.

Me levantei da cadeira, andando em sua direção e pegando o pincel em sua mão. Encarei a conta no quadro branco por alguns segundos, sorri ao descobrir a resposta. Escrevi o resultado 42 em números grandes, estendendo o pincel na direção do professor.

– Você não fez o cálculo. – franziu o cenho.

– Não será preciso. – tentei entregar o pincel mais uma vez.

– Como sabe que está certo sem fazer o cálculo? – ele cruzou os braços, esperando que eu respondesse.

– Eu simplesmente sei que está certo.

– Tem certeza?

– Absoluta. – arqueei as sobrancelhas. – Se tem dúvidas, confira você mesmo. – balancei o pincel e ele finalmente o pegou.

Pude sentir seus olhos pesados sobre mim enquanto eu voltava para minha cadeira. Ele se virou de costas, começando o cálculo no quadro.

– Eu não conhecia esse seu lado, você é agressiva, patinha. – a voz de Bryan se fez presente.

– Você não me conhece. – joguei.

– Parabéns. – a voz áspera do professor me atingiu. – Sua resposta estava certa.

– Olha, a patinha é inteligente. – resolvi ignora-lo.

No meio da aula eu comecei a ouvir murmúrios, e pude sentir a tensão se formar a minha volta. Eu estava em uma aula do segundo ano, não conhecia ninguém ali. Um grupo de garotas conversavam e olhavam algumas vezes para mim. Me senti desconfortável, me afundando na cadeira.

A cadeira de Bryan fez barulho e eu sabia que ele estava se levantando. Decide não olhar em sua direção. Ouvindo o barulho de outra cadeira se arrastando.

– Bryan! – gritou uma garota da fila ao lado, três cadeiras a frente. – Eu não acredito que você fez isso! – resolvi olhar, pelo tom de sua voz ela aparentava estar brava.

– Desculpe, eu tropecei e... Desculpa mesmo. – seu tom era de deboche, a essa altura eu já observava a situação com atenção.

– Ata, até parece que você é atrapalhado assim! – sibilou a garota, só então notei, ela estava molhada. Sua blusa estava com uma mancha enorme.

Eles começaram a discutir e eu quase ri. Todos os observavam.

– O que está acontecendo?! – o Sr.Houg interferiu.

– Bryan esbarou na minha cadeira e derramou água em mim! – gritou.

– Pelo amor de Deus, não seja dramática. Eu apenas tropecei.

– Claro, com certeza. – disse cínica. O professor já parecia estar perdendo a paciência.

– Os dois, pra fora já! – ele apontou para a porta.

– Isso é ridículo, eu apenas tropecei. – insistiu Bryan.

– Por favor, todos nós sabemos do seu envolvimento e desentendimento com a Srtª.Archery. – a garota tinha o cenho franzido, olhando com indignação para o professor. Em um pulo ela se levantou, batendo as mãos na mesa com força.

– É tudo culpa da Gabrielly! – me coloquei de pé rapidamente assim que ouvi meu nome.

– O que?! Não tenho nada a ver com isso! Eu não fiz nada! – Bryan suspirou, humedecendo os lábios.

– Claro, como se ele não tivesse feito isso para que eu saísse da sala e você pudesse se sentir um pouco melhor. – ela ergueu uma sobrancelha.

– Os três, saiam da minha sala agora! – ele novamente apontou para a porta.

– Isso não é justo! Eu não fiz nada! Sequer sei quem é essa garota. Nem sei o nome dela! – eu comecei a ficar revoltada.

– Saiam! – sibilou arduamente. Bryan foi o primeiro a sair, e eu resolvi ir também, relutante, mas fui. A “Srtª.Archery” foi a última a sair, bufando.

O professor nos acompanhou e fechou a porta da sala, ficando de frente para todos nós.

– Se expliquem. – sua voz estava mais áspera que o normal.

– Simples, Bryan derramou água em mim para proteger a nerd que pulou uma série e agora é caloura do primeiro ano. – franzi as sobrancelhas, quem é essa garota?

– Ótimo, só faltou saber meu sobrenome. – meu tom era sarcástico e sério.

Muller. – ela deu um sorriso falso. Tentei retribui-lo calada, mas não aguentei.

– Das três, uma. Você é intrometida e gosta de se meter em assuntos que não é da sua conta. – levantei um dedo. – Minha vida é mais interessante do que eu achava que fosse, por que ultimamente parece que todos resolveram comentar sobre ela. – levantei o segundo dedo. – Ou então você é uma vadia que procura saber coisas das pessoas para poder julga-las e se sentir melhor consigo mesma. – levantei o terceiro dedo, me aproximando mais dela com a intenção de sussurrar em seu ouvido. – Sabia que é nessa idade que nós desenvolvemos a crueldade? – ela olhou torto. Bryan segurou para não rir.

– Eu voto na terceira. – o garoto de olhos azuis brincou.

– Parem com isso e me contem o que aconteceu. – aquela voz áspera novamente.

– Eu conto, a veterana do segundo ano estava falando de mim. Eu não fiz e não disse nada, mas ai Bryan levantou e derramou água nela. Eles começaram a discutir, ela se sentiu ameaçada e resolveu me culpar também! – o professor olhou para Bryan, esperando sua versão da história.

– Já disse, eu apenas tropecei. – ele levantou as mãos, em sinal de rendição.

– Como se não estivesse óbvio que você fez isso para proteger a sua nova namoradinha. – a garota levou a mão ao cabelo, jogando algumas das mechas loiras que caiam em seu rosto para trás.

– A garrafa era sua e pra piorar ela estava aberta. Tracy, menos. – Bryan pediu sem olhar para ela. Então o nome dela é Tracy Archery.

– Ainda quer me culpar Tracy?! Podemos resolver isso na diretoria. O Sr.Wright vai adorar os seus argumentos sendo formado em direito. – ergui as sobrancelhas.

– Não precisa, acredito que nós já resolvemos o problema. Não é mesmo professor? – Houg não a respondeu, apenas nos encarou com desânimo.

– Vocês não vão voltar para a minha aula. – disse por fim.

– O que? Mas as minhas coisas estão lá dentro. – esse era com certeza um dia perfeito.

– Espere a aula acabar. – respondeu fechando a porta.

Respirei fundo, tentando encontrar paciência. Quando virei as costas e comecei a andar os dois me olharam.

– Não vai atrás da namoradinha?! – Tracy provocou. Logo em seguida ouvi passos vindo em minha direção.

– Gabrielly. – Bryan me chamou, mas eu continuei a andar, ignorando sua presença. – Gabrielly! – perdi a paciência que me restava e me virei.

– Para! Por acaso você percebeu que tudo que aconteceu de ruim comigo hoje foi culpa sua?! Os boatos, o atraso pra aula e depois isso! Eu nunca perdi uma aula na minha vida! Se isso entrar pro meu histórico eu juro que vou... – fechei os olhos, apertando a mão para me impedir de falar.

– Eu só estava tentando ajudar.

– Ajudar?! Você só piorou as coisas. Estou aqui fora agora por culpa sua! Não fala mais comigo, não chegue mais perto de mim. Eu não quero que você fique tentando se aproximar assim! Desiste. – Bryan cruzou os braços, apertando os lábios.

– Tá legal, chega. Não haja como se você não estivesse gostado do beijo, da minha aproximação e de mim. Porque você gostou, só está brava com o que os outros estão fazendo e resolveu jogar a culpa em mim. Quando estávamos no carro, você estava tão perto que eu podia sentir seu coração batendo. Ele batia rápido, estava nervosa. Pude ver o que eu causo em você. Então, porque você não desiste de tentar me afastar? – ele se virou e saiu. Sem esperar minha resposta e dando passos lentos.

[...]


Dias atuais.

Por volta de 3:30 da manhã.


Narrador.

Com Gabrielly em seu colo, Bryan corria pelas ruas iluminadas do centro da cidade. Seus pensamentos estavam embaralhados e ele só conseguia pensar em um lugar para leva-la. O corte no estômago da garota o preocupava. Bryan até cogitou a hipótese de a levar ao hospital, mas não adiantaria muita coisa.

Gabrielly estava acordada, mas não se mexia ou falava. Ela não conseguia pensar em absolutamente nada, então apenas se concentrava nas luzes que refletiam em seu rosto e faziam sua visão embaçar.

P.O.V – Bryan.

Cortei a esquina, vendo várias casas parecidas no mesmo quarteirão. Tentei me lembrar do número da casa, mas fazia muito tempo desde a última vez que vim aqui. Corri por mas algum tempo, até encontrar uma casa familiar e com as luzes acesas. Cortei caminho pelo gramado e parei de frente a porta.

Ajeitei Gabrielly em meus braços, sentindo seu sangue manchar minha camisa e bati na porta. Gabrielly não falava nada desde que saímos de sua casa. Bati na porta novamente e ouvi o barulho da tranca se abrindo. A porta foi aberta e a luz iluminou o meu rosto. Ela me olhou de cima a baixo e franziu o cenho.

– Bryan?

– Agatha, eu preciso da sua ajuda!


Notas Finais


Sobre os erros, me desculpem. O APP que eu uso para escrever deu um problema e não está corrigindo os erros. Eu cheguei a reler o capítulo, mas como foi eu que o escreveu foi difícil identifica-los. Me desculpem mais uma vez por essa demora.
Eu estava pensando em desistir, mas então li os comentários anteriores e isso me animou! Obg a tds que comentaram amores!_❤❤


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