História Os diários proibidos de Pedro Aaron. - Capítulo 1


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Bromance, Drama, Gay, Lbgt, Original
Exibições 6
Palavras 3.207
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Escolar, Famí­lia, Ficção, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


*** Novos capítulos serão adicionados aos domingos ***

Capítulo 1 - Eu queria muito que isso acabasse.


Fanfic / Fanfiction Os diários proibidos de Pedro Aaron. - Capítulo 1 - Eu queria muito que isso acabasse.

Blumenau, 10 de janeiro de 2007.

 

Encontrei minha velha agenda do ano passado, e também as fotografias que foram tiradas quatro meses atrás. Uma dor inconveniente. Meu dia passou numa velocidade absurda que mal percebi a noite chegar, trazendo um vento fresco e aliviando a temperatura desse verão infinito. Laura está aqui em casa durante a semana, e deve ficar pelo menos até o final de semana. Ela me encara por detrás do livro em suas mãos, a sobrancelha pontiaguda num desenho bem feito, erguida como num sorriso.

   - Pensando no quê?

Laura é minha melhor amiga desde que tínhamos sete anos de idade. É óbvio que ela me conhecia tão bem a ponto de identificar no meu rosto que eu estava em outro mundo. Continuou me encarando até que eu me rendesse. Larguei a agenda e as fotografias ao lado, em cima da cama.

   - Estou ficando com sono, na verdade. – Menti.

   - Mas são apenas oito e vinte. Você não está com sono, você está estranho.

   - Podemos pular a parte em que eu explico isso, ou você vai me obrigar a falar sobre algo que eu não estou pronto para discutir?

   - Podemos pular essa parte, desde que você não durma.

Junto as fotografias, enfio-as dentro da agenda e os guardo na gaveta do meio do guarda-roupa. Caminho até a janela do meu quarto e sinto a brisa fria atravessar meu rosto enquanto os carros lá fora compõem uma imagem bizarra, numa mistura de luzes e sons estridentes, que me incomodam por alguns instantes, até que eu me acostume. Confesso que hoje não é um dos meus melhores dias. Malditas fotografias, maldita agenda – malditas lembranças. Volto a sentar na cama meio interessando em como A Ilíada pode ser tão divertida a ponto de fazer Laura conseguir se concentrar naquela profundidade. Encaro a gaveta onde guardei as fotografias e a agenda.

   Estou com fome, mas com preguiça de ir até a cozinha preparar alguma coisa. Permaneço na cama folheando uma revista e me sentindo patético por estar com inveja desses famosos que parecem viver num conto de fadas o dia inteiro. Até isso deve ser um saco de suportar. Será que eles também ficam entediados com a própria vida? Será que eles também querem ficar sozinhos quando seus corações são partidos ao meio após um término de relacionamento? Ou simplesmente dão festas e viajam para esquecer o que passou e tentam seguir com a vida como se nada disso tivesse acontecido?

Minha mãe ainda está trabalhando. Se ela estivesse aqui, eu provavelmente já estaria entupido de comida, e de conselhos. Coitada, deve estar batendo os dedos na mesa com pressa de voltar para casa. Ela odeia reuniões de negócios, especialmente as que duram num período maior que o seu horário normal. Ela e eu temos um problema em comum: ansiedade crônica. Pego meu notebook no colo e começo a pesquisar o que está rolando de interessando nesse planeta. Nada demais, nada de novo. Sinto-me vago. Largo o notebook em cima da escrivaninha e deito, encarando o teto, sem pensar exatamente em algo fixo. Quatro meses hoje e eu ainda estou sentindo isso.

   - Pedi pizza. – Informa Laura, interrompendo sua leitura e meu devaneio.

   - Você é a melhor! – Exclamei. – Eu estou morto de fome.

   - Eu imagino.  – Responde ela num tom de reprovação. – Você não comeu nada desde o almoço.

   - Preguiça. – Tento justificar.

   - Sei...

Eu realmente queria poder me abrir com Laura sobre o que estou sentindo agora. Não é que eu não confie nela e nem que ela não possa me compreender. A questão é que ela já sabe do que se trata, e se eu começar a falar, não terá volta. Vou começar a chorar, ficar pior do que já estou. A verdade é que eu ainda sinto a falta dele, muita. Fiz o que pude para dar a volta por cima, mudar de disco e seguir com a vida, mas não é bem assim que essas coisas funcionam. Além do mais, agora que estou de férias o tempo livre não me ajuda. Ficar em casa está me consumindo, eu passo muito tempo pensando nas coisas. O segredo é não pensar.

   - Você quer viajar comigo? – Pergunto espontaneamente.

Laura franze a testa como se não estivesse compreendo o que acabei de perguntar.

   - Viajar para onde? – Pergunta ela ainda com a testa naquele amontoado de franzido.

   - Sei lá. – Respondo enquanto me ajeito sentado na cama. – Litoral, talvez, ou Curitiba...

   - Você está falando sério. – Diz ela assustada.

   - Não é uma ideia tão maluca assim. – Retruco.

A campainha toca.

   - Deve ser a pizza. – Exclamo antes de pular da cama e caminhar até a sala para atender a porta.

Recebo a pizza, organizo a mesa e tiro o refrigerante da geladeira. Laura e eu começamos a planejar um possível passeio para os próximos dias, o que me deixa animado e então consigo distrair um pouco. Antes que a pizza terminasse, abri uma garrafa de vinho e permanecemos na cozinha jogando conversa fora e ouvindo música. Quase uma hora depois, minha mãe chegou do serviço e se juntou a nós. Quando dei por mim, já passava da meia-noite e eu estava exausto.

Minha rotina era estabelecida enquanto eu trabalhava e estudava, mas com as férias eu me sinto completamente perdido. Eu sou uma pessoa que precisa de horários, listas de coisas a fazer e objetivos para cumprir ao longo dos dias, ou do contrário, eu me entedio facilmente. Minhas férias estão melhores porque Laura está comigo, senão eu estaria enfiado no meu quarto o dia inteiro sem saber o que fazer.

Eu costumava ter uma vida social mais interessante que mal acredito estar vivendo este período infernal de reclusão. Em 2005, quando vim morar nesta casa com minha mãe, logo após o divórcio dos meus pais, as coisas pareciam ser mais fáceis. Eu estava no primeiro ano do ensino médio e comecei a estudar numa escola nova, onde fiz muitas amizades, vivia na estrada e rodeado de gente. Com o passar do tempo, acabei fazendo parte de um grupo que se formou naturalmente. Fabrício Duarte, Tiago Luís de Lima, Juliana Caruso, Vanessa Negreiros e eu. Éramos inseparáveis, até que me apaixonei por um dos meninos. O resto é uma ópera italiana.

Blumenau, 26 de janeiro de 2007.

 

Não sei aonde eu estava com a cabeça quando aceitei este convite absurdo. Sim, um absurdo porque, como eu havia esclarecido anteriormente, minha relação com o grupo já não era mais a mesma desde que eu me permiti sentir o que não deveria. De qualquer maneira, ali estava eu, sentado à mesa de um restaurante com os quatro. Muita coisa havia mudado até então. Eles estavam diferentes desde a última vez que nos vimos. Pelo menos não me senti sozinho, ou estranho: Laura estava comigo o tempo todo, e seu olhar vez ou outra cruzava com o meu, me perguntando silenciosamente se eu estava bem. Eu estava bem, mas não completamente.

Vanessa e Juliana discutiam sobre algum tipo de roupa que haviam gostado durante um passeio ao centro da cidade mais cedo, enquanto Fabrício e Tiago, entre um gole de refrigerante e outro, falavam sobre carros e futebol, me deixando completamente perdido e com mais vontade de ir para casa, intensificando meu arrependimento de estar ali. Tento disfarçar meu desconforto conversando com Laura e fazendo o máximo de esforço para evitar contato visual com ele, mas é impossível. Nunca consegui fugir daqueles olhos. Que patético eu sou!

Num lampejar as memórias saltaram e me peguei lembrando do início e em como poderia ter sido diferente, ou menos constrangedor, no mínimo.

Foi em setembro do ano passado, durante uma daquelas viagens que a escola organiza para o litoral. Eu ainda era apenas um estranho do segundo ano que tinha dificuldade em fazer amizades, e Laura era minha única amiga – para piorar, não estudava na mesma escola que eu. Durante a viagem, dentro do ônibus entupido de alunos cantando músicas que eu não conhecia e brincando uns com os outros, eu permanecia sentado na penúltima poltrona, ao lado da janela, com os fones de ouvido no último volume, observando a paisagem, ao passo que nos aproximávamos do destino. Num susto, percebi que alguém estava tentando falar comigo, e quando me virei, podia jurar que eu já não estava mais sentindo meus pés no chão. Meu coração era um tambor intenso, palpitando por debaixo da camisa enquanto cada pedaço do meu corpo parecia estremecer ao seu ritmo. Ali estava Fabrício, com um meio sorriso no canto da boca, a camisa polo meio amassada e uma calça jeans azul marinho. Suas mãos estavam apoiadas na cabeceira dos bancos, o cabelo desajeitado num corte moderninho e aqueles olhos num verde escuro, cujas bordas pareciam acinzentadas.

Permaneci imóvel por uns instantes ainda com os fones de ouvidos, até que cai em mim e percebi que era comigo que ele estava falando. Retirei os fones, pendurando-os no pescoço, ainda desconcertado ao encará-lo, aguardando que ele repetisse o que quer que ele tenha me dito anteriormente.

   - Não é fã de bagunça? – Perguntou abrindo o sorriso num deboche.

   - Não muito. – Confessei sem jeito.

   - Gosta de música? – Pergunta ele já sabendo a resposta enquanto apontava para meu enorme fone de ouvido.  – Nós estamos com um violão ali na frente, se quiser participar do nosso barulho. – Convidou.

   - P-pode ser. – gaguejei.

 

Deixei que ele saísse dali e então respirei profundamente antes de sair do meu banco e me juntar a eles. Este foi o momento que eu deveria ter evitado, que eu deveria ter dito que não estava em sentindo bem, ou qualquer outra desculpa. Se eu ao menos soubesse o que aconteceria.

Ele me apresentou ao seu melhor amigo, Tiago, e também fui apresentado às duas garotas loiras que andavam com eles direto nos corredores da escola, as irmãs Vanessa e Juliana. Dentro de meia hora eu estava surpreendentemente me sentindo à vontade com o grupinho, cantando ao som do violão acústico e me divertindo de verdade. Eles não eram populares, nem descolados. Para ser honesto, eu já os conhecia, de vista, mas nunca havíamos nos falado antes, apenas acenado com a cabeça num “oi” forçado. Frequentamos a mesma igreja evangélica, onde me recusei a participar do grupo dos jovens, porque no fundo eu não me sentia parte daquele circo.

Quando chegamos à pousada na Lagoa da Conceição, em Florianópolis, me convidaram para ficar no quarto com eles. Eu aceitei. Seguimos o itinerário que a pousada havia preparado para os alunos: a recepção de apresentação, a tarde livre na piscina, a festa eletrônica ao cair da tarde, o jantar de confraternização e a festa reservada que durou a noite inteira. Eu não poderia mentir sobre o tanto que eu me diverti e me senti parte de algo que eu nunca havia feito antes. Aquele dia foi crucial na relação que eu criei com esse grupo e, na volta para casa, já estávamos nos sentindo como se fôssemos amigos por séculos.

Com o passar do tempo o relacionamento do grupo apenas intensificou, ao ponto em que todos os finais de semana eram sagrados. Passávamos cada sábado e domingo juntos, o dia todo e não raro, dormíamos um na casa do outro. Eles passaram a ser parte da família aqui em casa e, de certa maneira, isso me mudou em diversos aspectos. Me tornei mais aberto para possibilidades, mais sociável e até me juntei ao grupo de jovens da igreja, algo que em anos eu jamais imaginei acontecer. Fui mais além, formamos uma banda juntos e comecei a participar dos serviços sociais promovidos pela igreja através do grupo de jovens, o que me rendeu experiência com pessoas desconhecidas e muito mais contatos na minha lista telefônica.

Esse relacionamento funcionou perfeitamente por quatro meses, até que numa noite de lua nova, fria e completamente sem sentido eu não segurei minhas emoções e, aproveitando um momento em que Fabrício e eu ficamos sozinho – contei a ele o que eu sentia e em como isso era confuso para mim, mas que eu não podia mais fingir que estava tudo normal. Não estava.

Ele surtou de uma maneira que eu não esperava. No instante em que eu pronunciei palavra por palavra, dizendo o meu primeiro “eu te amo, acho que estou apaixonado por você”, ele me encarou com raiva e logo em seguida, com nojo. Neste momento eu soube que tinha estragado tudo e me arrependi até o último fio de cabelo por ter sido tão imbecil. Eu não sabia onde enfiar a cara enquanto ele me dava um sermão sobre como isso era nojento e pecaminoso, e como Deus estava desapontado comigo por eu permitir deixar que algo tão “demoníaco” me dominasse a este ponto. Depois ele chorou, de raiva, nojo, aversão, sei lá o que mais ele estava sentindo no momento, só sei que não era bom e foi de cortar o coração vê-lo nesse estado.

No dia seguinte eu estava arrasado e não queria mais sair de casa. Laura foi a minha salvação. Ela sabia de tudo, era a única que eu confiava para isso e a única que nunca me julgou ou me fez sentir como Fabrício – um lixo. Duas semanas depois, ele me procurou, pediu desculpas pela sua reação exagerada e disse que estava confuso e, que não havia contado nada a ninguém, nem mesmo ao pessoal do grupo, embora eles estivessem estranhando minha ausência nos últimos encontros.

Por último, ele me pediu segredo total. Óbvio que ele queria segredo. Claro que essa foi a coisa mais estúpida que eu havia feito nesses dezessete anos de vida, e claro que eu queria nunca mais ter de vê-los outra vez, tamanha era minha vergonha. Mas aprendi minha primeira grande lição. Eu era o estranho, o diferente, o fora do padrão. Não havia e não haveria espaço para mim. Este era o segredo que eu deveria guardar, ou do contrário, minha vida seria este ciclo de decepções e corações quebrados.

Por fim, hoje, me convidaram para este encontro estranho no restaurante onde costumávamos nos reunir aos finais de semana. Estamos aqui como se nada disso tivesse acontecido, como ainda fôssemos o mesmo grupo, como se ainda fôssemos aqueles jovens sorridentes, felizes e, amigos para sempre que fotografamos diversas vezes. Não somos. Não estamos, e eu preciso dar um basta nisso.

   - Podemos conversar? – Fabrício sussurrou para mim enquanto o restante estava distraído em algum assunto que envolvia um acampamento e cabanas, ou algo do tipo.

   - Claro. – Respondi sentindo as pontas dos dedos latejando.

Ele fez um sinal com mão para Tiago e levantou da mesa, caminhando para a área de fora, e eu o segui.

   - Vou te contar uma coisa que eu não queria que você soubesse por outras pessoas. – Diz ele com dificuldade em me olhar nos olhos, e eu agradeci por isso, porque aqueles olhos já não carregam mais o brilho que eu via.

   - Ok. – Respondi sentindo o nervosismo formando um nó na garganta.

   - Depois de amanhã vou oferecer um jantar na minha casa e convidarei todo o grupo. O motivo disso é que eu pedirei a mão de Vanessa em namoro, e eu queria fazer isso com meus pais por perto. Não sei se você quer participar.

Eu não havia entendido muito bem se a frase final era uma pergunta ou uma afirmação, mas de imediato, eu suspirei em meio a uma nuvem de confusões em minha mente e pigarreei antes de responder.

   - Eu prefiro não estar perto. – Respondi olhando para o chão.

   - Tudo bem, eu respeito tua escolha.

Não era bem uma escolha, não havia o que ser decidido. Como eu poderia ter dito a ele que estava apaixonado e aceitar participar de seu pedido de namoro a uma de minhas amigas? Isso estava ficando estranho demais num nível em que eu não sabia lidar. Fiz o que faço de melhor numa crise.

   - Eu prefiro que a gente pare de ser ver. – Falei.

   - Como assim?

   - Preciso lidar com minha condição sozinho. – Expliquei. – Eu entendo que tenha sido um choque para você, mas caso tenha esquecido, isso é muito pior para mim do que para você. Não vou conseguir ficar por perto de vocês depois de tudo o que aconteceu.

   - Você precisa se livrar disso, Pedro. – Disse ele como se estivesse falando de alguma doença, ou de um saco de lixo.

   - Sim, eu preciso. – Respondi completamente desinteressado em discutir detalhes.  – Você pode chamar Laura para mim, não quero voltar ali, vou para casa. – Pedi.

   - E o que eu digo para o pessoal? – Pergunta ele com cara de perdido.

   - Sei lá, diz que eu estou com problemas pessoais. Mentira não é. – Quase ri ao dizer isso em voz alta.

   - Você não precisa agir desse jeito. – Disse ele pressionando as mandíbulas.

   - Eu não preciso. Eu quero. – Respondi sentindo uma pontada de ódio brotando de algum lugar.

   - Vai ser assim daqui em diante?

   - Vai ser do único jeito que pode ser. – Respondo ainda mais frio e vazio.

   - Nós poderíamos te ajudar, sabia? – Fabrício parece genuinamente acreditar no que acabou de dizer.

   - Lavagem cerebral? – Perguntei.

   - Não brinque com isso, Pedro. – Ele me repreende.  – Você sabe muito bem que isso não é certo.

   - Você acha que eu tive alguma escolha? – Perguntei sentindo minha voz aumentar um tom.

   - Não estou dizendo que você teve uma escolha, estou dizendo que você precisa de uma cura.

Soltei uma gargalhada tão alta, que poderia muito bem enganar o pessoal na mesa lá dentro.

   - Eu não sei o que é isso, nem como isso aconteceu, mas eu sei que não estou doente, e você sugerir um absurdo desses é tão ofensivo quanto a cara de nojo que faz quando fala disso. – Me segurei para não gritar, mas a raiva me fez pronunciar cada palavra por entre os dentes.

   - Você precisa de ajuda espiritual, Pedro.

Soltei outra gargalhada, e tenho quase certeza de que ele pensou que eu estivesse possuído.

   - Eu realmente sinto muito por te fazer passar por uma situação constrangedora, tudo bem? Mas eu não preciso de ajuda alguma. E não se preocupe, pode voltar para a sua turma normal de gente normal que faz coisas normais.  – Disse isso e virei as costas, esperando Laura no acostamento.  

Ela voltou comigo para casa e não dissemos nada durante o trajeto inteiro. Deitei na cama, refleti sobre tudo o que havia acontecido e, pela primeira vez eu pude chorar de verdade, como se algo estivesse doendo, como se eu tivesse perdido completamente as estribeiras. Foi a primeira vez que encarei quem eu era e o que estava por vir.

E se Fabrício estivesse certo? Se eu, de fato, precisasse de ajuda? Eu não escolhi nada disso, eu não decidi de uma hora para outra me transformar nisso que nem ouso pronunciar a palavra. Tudo o que eu consigo pensar agora é no que aconteceria se minha mãe descobrisse, ou pior ainda, meu pai? Minha família já é uma bagunça por si só.

Antes de dormir, orei. Pedi com todas as minhas forças para mudar as coisas que, eu sozinho, não conseguia. Eu queria muito que isso acabasse. 



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