História Os dois lados da vida (Emison) - Capítulo 24


Escrita por: ~

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Categorias Pretty Little Liars
Tags Emison, Originais, Pll, Pretty Little Liars, Sashay
Exibições 346
Palavras 5.179
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Escolar, Festa, Romance e Novela, Saga, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Boas pessoal.
Cheguei para dar início ao nosso salto de tempo. Quero deixar claro que esse capítulo terá um pulo de cinco anos e apenas no próximo concluirei o SEXTO ANO. Vocês encontrarão apenas dois pov's e nenhum deles é da Emily. VAMOS COM CALMA, OK? Bom, a princípio o que tem nesse capítulo é importante para tudo. Espero que gostem do que preparei e boa leitura.

P.s. A galera que comentou a sinopse, já estou terminando de responder.
P.s. 2. EU AMO VOCÊS, OBRIGADA PELO APOIO.

Capítulo 24 - Dolorosos anos


Fanfic / Fanfiction Os dois lados da vida (Emison) - Capítulo 24 - Dolorosos anos

Pov Alison

Tic-toc. Tic-toc. Da sala consigo ouvir, as batidas do relógio. A vagarosa sensação de sentir o meu coração dilacerado pela impiedosa dor que estou sentindo. A saudade é cruel, um sentimento extremamente ruim. Hoje faz três meses desde que Emily foi para os Estados Unidos, viver o sonho dela. Eu estou em Paris, vivendo o prêmio de consolação que me restou, a Légor. As coisas na Légor vem tomando um prumo bom para mim, aliás, ótimo. Venho me esforçando para cumprir a promessa que fiz a Emily, numa tentativa de deixar uma justificativa justa sobre abrir mão de nós. Enquanto estou na Légor tudo fica menos ruim, como se aprender substituísse os pensamentos de como Emily possa estar. Falando em Emily, bom, no início ela me ligava todos os dias e infelizmente, eu só conseguia chorar a cada chamada. Acredito que isso seja uma razão óbvia pela qual ela já não liga assim, tantas vezes.

Pelo o que ela me contou, já começou suas aulas e ela está muito empolgada. Segundo ela a universidade é um universo diferente, com pessoas mais maduras e sérias. Pra falar a verdade, não me pareceu assim tão séria, depois que vi uma foto que ela postou no facebook com pessoas diferentes, enquanto segura uma garrafa de cerveja. Eu tento dar espaço para ela, mas sei que muitas vezes falho. Só faz três meses e parece uma eternidade e eu me pergunto: Será que ela está tão feliz quanto suas últimas fotos? É terrível imaginar que por alguma razão, ela já tenha me superado. Tento sair desses desvaneios, indo até o jantar que comprei em uma churrasqueira que faz esquina a Légor. É lá que busco o meu jantar todos os dias, pois saiu da Légor muito cansada e poucas são as vezes que me sinto apta para cozinhar.

Peguei um prato para por a comida e coloquei suco de laranja em um copo. Segurei o garfo, remexendo a comida e não muito diferente de todas as vezes que como, na terceira garfada, me sinto cheia e sem apetite. Levanto da cadeira e me deito no sofá, subindo o cobertor até a minha orelha numa tentativa de fugir do frio, enquanto assisto televisão. Uma coisa que todos precisam saber é como a vida na europa pode ser solitária. Você vê todos que conhece vivendo um tipo de vida e você absolutamente só observa os dias passar. Cansada de assistir televisão, embriagada de sono, desligo-a e essa é sim, a pior hora do meu dia.

Desde que Emily se foi, evito deitar naquela cama e isso não diminui o fato que ao fechar os olhos me trás Emily na memória. Quantas e quantas vezes, ameacei clicar no whatsapp e chamá-la para conversar. Confesso que cheguei a fazê-lo, tendo uma resposta apenas dias depois, mesmo vendo que ela visualizou. Eu não sei qual foi o meu grande erro em questão para vê-la se afastar assim. O dia amanheceu e como venho parcelando minhas noites entre lágrimas e pesadelos, consequentemente, sou a garota olheiras. Céus. Vou ao banheiro escovar os dentes e tomar um banho, me preparar para mais um dia de aula.

Três anos depois…

Pov Noel

Hoje vamos fazer uma visita ao hospital de Londres, o que é ótimo, pois terei a chance de ver Samanta, minha irmã mais nova. Samanta foi a minha inspiração para escolher Oxford. Hoje ela e seu marido Freddy estão esperando, Elizabeth. Já faz sete meses desde que ela descobriu a gravidez e isso tem sido muito bom para a nossa família. O que poucas pessoas sabem é que, Samanta já engravidou na sua adolescência e acabou por perder. Mas hoje a vejo muito feliz e isso é o suficiente para mim. Desde que vim morar em Oxfordshire, muitas coisas mudaram. Não sei explicar como é se tornar um homem, mas isso vem mudando tudo dentro de mim, mudanças que gosto.

Consegui ao longo desses quatros anos, pensar menos em Hanna Marin e acredito que isso tenha sido por causa de seu casamento com o Caleb. Foi muito inusitado, na verdade, muito inesperado mesmo esse casamento, mas em uma conversa com Aria, descobri que Hanna engravidou do Caleb. Desde que descobri isso, preferi não saber mais dela, porque isso estava me consumindo. Até um ano atrás, meu coração batia por ela intensamente, mas hoje, eu não sei, não consigo sentir o que sentia. Hanna teve muitas chances de ser feliz comigo, ou, me deixar tentar fazê-la feliz, mas eu entendo, coração é lugar que ninguém é capaz de comandar e o dela, bom, o dela sempre foi do Caleb.

Hoje em dia, me esforço para ser um bom médico, embora ainda esteja em clínica geral, mal posso esperar para me especializar em pediatria, o que sim é, meu grande sonho. Sei que quando falo isso em voz alta e as pessoas olham para a minha estatura, meu físico, perdem a fé que eu vou me manter nessa vontade, porém, o que poucos sabem é que eu amo crianças. Eu sei, isso soa bem estranho, um rapaz como eu amar crianças, digo pelos meus colegas, são todos mulherengos que bebem até esquecerem seus nomes e ainda sonham em ser neurologistas e cardiologistas. Apesar de saber que essas áreas na medicina tem muito mais reconhecimento, a maior razão de optar por medicina, foi escolher acima de tudo, o que meu coração deseja.

Agora, às nove e quinze da manhã, estamos fazendo visita aos quartos dos pacientes, para ganhar experiência sobre situações reais, o que torna tudo muito mais interessante. Na universidade aprendemos tudo, mas ver esse tudo acontecendo na agitada vida de um médico é, simplesmente fabuloso. O dom de salvar vidas, de preservá-las e dá-las uma nova perspectiva. Claro que tudo tem seu lado ruim, digo pela aflição que senti ao vê um senhor que teve morte cerebral e Andy, teve que ir até os familiares dar essa notícia. De fato, nada consegue ser perfeito na vida. Assim que terminou a ronda, fomos para o andar da recepção para irmos embora, quando escuto uma agitação vinda da entrada.

Me aproximo um pouco para vê o que está acontecendo, vendo muitos médicos se aproximar da maca, impedindo a minha visão, até que ouvi um a voz da paciente implorando para salvar o bebê. O som da voz daquela paciente não era estranha para mim, por isso ousei me aproximar da maca sentindo minhas pernas falharem. A paciente agonizando a beira da morte na verdade é minha irmã, Samanta. Comecei a pedir para salvá-la até ser impedido por alguns médicos me seguraram.

– O senhor é o que dela? – Perguntou o jovem doutor.

– Irmão. O que aconteceu com ela?

– Sua irmã e um outro rapaz sofreram um acidente grave de carro. Vamos fazer de tudo para salvá-la. – Informou.

– E o rapaz com ela? Aonde ele está? – Pergunto preocupado.

– Infelizmente ele morreu no local.

Dolorosas palavras para ouvir em pleno choque. Matheus sempre foi um esposo impecável, incontáveis vezes brincava falando que meu sonho era ser um bom marido como ele era. Volto a tomar atenção para o rapaz que informa como tudo aconteceu. Assim que ele me dá as costas, me sento em uma cadeira azul de plástico com metal, curvando minha cabeça enquanto meus dedos deslizam por meu cabelo. Meu professor tentou me consolar, informando que ele precisa voltar para Oxford e eu simplesmente balancei a cabeça positivamente. Sequer consigo falar, estou tentando disfarçar minha vontade de chorar. Algumas horas se passaram até que senti uma mão tocar meu ombro, levantei a cabeça vendo aquele jovem médico com o mesmo olhar que mais cedo vi o outro doutor dar.

– Senhor Kahn, eu sinto muito, mas Samanta não suportou as fraturas. – Disse.

Me levantei olhando para os lados, vendo os lábios dele se mexer, impossibilitado de pronunciar qualquer coisa ou, ouvir qualquer coisa. Meu coração espremeu de um jeito tão forte, que ao me dar conta, lágrimas quentes e carregadas de dor já estavam rolando por meu rosto.

– Contudo o bebê sobreviveu. – Franzi a testa. – Ele está fraco, sem condições para sair da incubadora.

– É um menino? – Pergunto.

– Não. O bebê é menina.

Balancei a cabeça pedindo-lhe para vê-la e assim ele o fez. No caminho consegui olhar para o interior de uma sala, vendo-a com todos os aparelhos desligados e confesso, meu desejo de ir até ela é maior do que ir até o bebê. Assim que chegamos na incubadora, vejo quanto ela é pequena e mesmo tão pequena e cheia de tubos, está lutando para sobreviver. Não vou mentir, é muito forte dar alguns passos e ver alguém que você sempre amará morto. Então, dar mais alguns passos e encontrar alguém que você precisa amar, vivo. Nesses pensamentos, sinto a mão de alguém tocar o meu ombro novamente, sendo avisado que devo deixá-la. Volto para a sala de visitas e tento pensar em alguém para me ajudar, um apoio e só penso em Alison. Alison e eu construímos uma amizade para isso, nossos últimos três natais juntos foram ótimos, mas será que o suficiente? Tomo coragem para ligar e assim que ouço sua voz, volto a prender o choro.

Chamada on:

– Olá Noel. Está tudo bem? – Pergunta.

– Ali… não está nada bem. – Respondo.

 – O que aconteceu? – Pergunta imediatamente e eu, começo a explicar tudo que aconteceu.

Sabe àquela pessoa que nunca vai te decepcionar? Na minha vida Alison tem sido essa pessoa. Acho que parte disso tem sido por causa de Hanna e Emily, pelo menos no início era. Com os últimos três anos eu e Alison nos tornamos um tipo de amigos que está lá para tudo, mesmo que ela esteja em Paris e eu em Oxfordshire.

– Me espere que vou para Londres hoje mesmo, Noel. – Ela responde.

– Você não vai se atrapalhar na Légor? – Pergunto.

– Vou dar um jeito. Segura as pontas ai, por favor.

– Vou comprar sua passagem e pedir para enviarem para o seu Email.

– Ok. Vou arrumar minhas coisas. Força meu amigo.

Chamada Off.

Desligo a chamada e peço para o meu pai comprar a passagem da Alison. O jovem médico, que acabei descobrindo que se chama Andrew, sentou comigo dando um ombro amigo. Em meio a nossa conversa ele disse que o bebê está propicio a infecções e muitas outras coisas. Fora o leite que ele não tem ainda para beber. Tantas coisas para pensar e junto à isso me preocupar com velório de Samanta e Matheus. Meus pais estão na Flórida e vão demorar muito para chegar, para me ajudar a organizar tudo. Mais algumas horas se passaram, quando ouvi o toque de mensagem do meu celular da Alison avisando que chegou no aeroporto. Pedi para ela entrar em um táxi e ela o fez. Fui para porta de entrada, vendo-a sair de dentro do táxi enquanto pendura a mochila em suas costas.

Ela fechou a porta do táxi e ao me ver não hesitou em me abraçar. É maravilhoso sentir todo esse apoio da parte dela, agora sim me sinto confortável para chorar, por para fora tudo que estou sentindo. Se me lembro bem, apenas Alison me viu chorar na roda de amigos e, nenhuma das vezes que isso aconteceu ela me tarjou de marica. Ao contrário disso, ela sempre permitiu esse momento, dando silêncio e espaço para o meu desabafo. Fiquei muito tempo em seu abraço, ouvindo coisas dela que apenas um amigo pode falar e eu compreender sem achar forçado. Ela folgou o abraço e ao meu pedido, fomos vê o bebê. Alison e eu dessa vez precisamos usar roupas especiais, incluindo máscaras.

Agachamos em volta da incubadora e por mais que eu não conseguisse ver os lábios da Alison, vejo o seu sorriso com os lábios. Ela passou seus dedos em volta da incubadora, fazendo algo repentino acontecer; a bebezinha sorriu. Foi rápido e quase impercetível, mas sorriu. Uma certa luz acendeu dentro de tanta tristeza, me fazendo sorrir de volta para ela. Quando saímos, Alison pediu para cuidar dos detalhes do velório e eu não soube ao certo como agradecer. Apenas entreguei o número da minha mãe para ela e fui conversar com o pediatra responsável da Elizabeth. A conversa foi extensa, ele explicou que as poucas chances de vida dela depende de uma boa doadora para o leite. Explicou que Elizabeth já pegou duas infecções, mesmo com pouco tempo de vida e isso me deixou atordoado.

Pov Alison

O que encontrei nos olhos do Noel quando cheguei no hospital, foi bem-parecido com o que já vi em meus olhos. Entendo muito bem a dor que está alojada no coração dele, e peço discernimento a Deus para ajudá-lo. Assim que ele me entregou o número da mãe dele, fui para uma salinha ligar sem que ele escute. Começou a explica-la quem sou e porque de estar ligando. Recebi autorização para lidar com isso, enquanto Noel lida com a menininha que está entre a vida e a morte. A senhora Kahn fez um depósito na minha conta, me pedindo para cuidar da cerimônia e todos os pormenores e assim fui fazendo.

Conforme os dias passaram, tudo estava do jeito que os Kahn precisavam em seu momento de dor ríspida. Noel foi para o velório, sem terno, sem cor, sem vida. Já faz três dias que ele não dorme cuidando de Elizabeth, fazendo o impossível para manter seu coração batendo. Elizabeth está com pneumonia, infecção no estômago e como se não fosse ruim o bastante, sopro no coração. A história dela vem comovendo os médicos e isso faz dela, uma paciente especial. Eu não fui para o velório, a pedido do Noel, continuei no hospital observando Eliza. Ela cresceu mais um pouco, mas é impressionante como ela está entubada e indefesa, difícil para qualquer um olhar a sua situação.  

Depois de quase dez horas, finalmente conheci os pais do Noel, que vieram com ele para o hospital conhecer Elizabeth. A senhora Kahn não ficou muito tempo, sua pressão baixou, suas forças chegaram a zero, dá para vê que ela está incapacitada para qualquer coisa. Me ofereci para levá-la para o hotel e cuidar dela, fazendo o Noel prometer que quando voltarmos ele descansará. Fui com ela de táxi até o hotel que está hospedada e lhe preparei chá de camomila, tentando contá-la sem muitos detalhes como foram os últimos dias. Após beber o chá, convenci ela a tomar um banho e tentar dormir, ficando feliz ao vê-la atender os meus pedidos.

Me encostei no sofá, mandando mensagens para o Noel e entre uma coisa e outra, cochilando. A luz do sol entrou no quarto e eu despertei, vendo-a deitada. Desci até a recepção pedindo para que eles a levem o café da manhã, indo imediatamente para o hospital. Ao chegar deparei-me com um Noel sorridente. É uma visão confusa, mas aparentemente ele obteve uma notícia boa. Me aproximei dele, ouvindo a novidade que de fato é motivo para sorrisos; Elizabeth encontrou uma doadora para o leite materno. Sei que normalmente há leite de doadoras, mas no caso da Eliza, precisava ser mais específico e finalmente encontramos essa mulher que ajudará.

Entramos na sala de amamentação, vendo Elizabeth sendo alimentada pela doadora e eu confesso, é tão lindo esse momento, lindo o bastante para me fazer chorar. Lágrimas que não possuem nenhum tipo de tristeza, apenas contentamento e felicidade. Noel me puxou para debaixo do seu braço e juntos ficamos observando a amamentação até o fim. Voltaram a por Elizabeth na incubadora. Como o Noel prometeu, foi para o hotel dormir um pouco e voltar com a sua mãe que com certeza ao receber essa notícia, ficará pelo menos, animada. Fiquei com o senhor Kahn no hospital, ouvindo perguntas engraçadas como: Você é namorada do meu filho? Respondi meio sem jeito negativamente, porém, falando de como seu filho é importante para mim. Na hora do jantar, descemos até o refeitório, onde nos encontramos com o Noel e sua mãe.

– Mas mãe, eu quero. – Noel preferiu.

– Noel, você não conseguirá ser pai e estudante de medicina. Deixe que eu e o seu pai fazemos isso.

– Você não entende que eu preciso cuidar dela? Ouve o que eu estou falando mãe.

– O que está acontecendo? – Perguntou o senhor Kahn.

– Seu filho está me pedindo para registrar a menina como sua filha. – Ela responde.

– Noel, qual garantia você nos dá que isso não vai atrapalhar seus estudos? – Ele pergunta.

– Eu posso falar uma coisa? – Me intrometo, vendo todos assentindo. – Sei que eu e o Noel estudamos, mas posso ajudá-lo. Desde o colegial Noel mostra ser um homem responsável, mesmo sempre tendo a chance de ser só mais um cara bonitinho. Eu estudo na Légor e tem uma escola aqui, posso pedir transferência.

– Alison, você não precisa fazer isso… – Noel diz, com os olhos lacrimejados.

– Eu sei que não, mas eu quero. – Respondo direta. – Eu nunca fui mãe. O Noel nunca foi pai. Mas juntos podemos fazer dar certo.

– Isso é loucura! – Exclama a Sra. Kahn.

– Eu amo essa menina mãe, eu amo ela desde que a vi sorrindo para mim. Eu vou até o fim por ela. Eu só preciso que vocês deixem.

Os pais deles se entreolharam, como se a decisão fosse tomada apenas nesse olhar. Eu e o Noel aguardamos pacientes os dois minutos que eles levaram para decidir o futuro do bebê e quando ouvimos um sim, Noel sorriu abraçando eles. Eu não sei o que me levou a tomar essa responsabilidade com o Noel, vir para Inglaterra é uma mudança significativa, porém, a vida que levo em Paris não é a mais feliz do mundo. Me levantei da cadeira, quando Noel se aproximou, recebendo outro abraço dele, que dessa vez, teve um aconchego diferente. Já decididos, Noel, eu e seus pais fomos registrar Elizabeth. A senhora dos registros pediu os documentos do Noel e perguntou qual será o nome da criança. Ele estava prestes a responder quando Andrew, um dos pediatras que cuida de Elizabeth apareceu, avisando-o que Eliza correspondeu ao leite materno e está sendo mais forte que a pneumonia. Noel deu as costas para ele e voltou a olhar para a senhora dos registros.

– O nome dela é, Victória.

Acredito que posso falar por todos quando digo que Noel surpreendeu, afinal, ele passou por cima do desejo de sua irmã. Eu compreendo o porque desse nome, nada mais justo e apropriado para ela, um bebê prematuro de sete meses, que desde o momento que veio ao mundo, luta para sobreviver e digo que essa seja a razão por ninguém questioná-lo. Victória, nome adequado para essa sobrevivente.  

Dois anos depois…

Desde que vim morar com o Noel e Victória me sinto menos solitária. O sorriso da Victória sempre faz a minha vida corrida e do Noel ter um sentido bonito. Victória já fala algumas palavras, aprendeu a andar e é muito inteligente, dotada para a sua idade. Minha vinda para Inglaterra também me rendeu um amigo; Toby Cavanaugh. Ele estuda comigo na Légor inglesa. Toby é o melhor cozinheiro que já conheci entre os alunos, especialmente quando o assunto é doces e sobremesas. A minha história com o Toby carrega uma parte triste e ao mesmo tempo de superação. Quando conheci ele, lembrei muito da Emily, um sorriso triste, um homem calado, isolado de todos… esse era Toby antes de mim.

Em uma das aulas, nosso professor de doces nos colocou em dupla. Ele tentou não se misturar comigo, mas é aquilo que sempre digo; tentar não significa ter êxito. Lembro que consegui fazê-lo rir umas três vezes em uma única aula e quando me dei conta, ele já estava me contando sua história. Tudo começou quando ele tinha apenas 16 anos. Toby conheceu James e com ele, descobriu que era homossexual. Quando completou dezoito anos, Toby resolveu contar para o seu pai sobre sua orientação sexual, e o que ele pensou que seria uma conversa, foi o início do seu pesadelo.

O seu pai começou a criar ódio pelo Toby, não apenas ódio como nojo. Sua mãe ficava entre eles, tentando sempre amenizar a situação entre os dois. Quando Toby completou vinte anos, descobriu que James tinha leucemia. Toby me contou que deixou o orgulho morrer implorando ajuda financeira para tentar salvar James, mas invés de ajudar a relação de pai e filho, só piorou. Em um ano Toby vendeu tudo que tinha; carro, apartamento, eletrônicos. Tudo que ele tinha para manter os medicamentos do James, mas o seu grande amor não suportou e acabou falecendo. O médico de James alertou o Toby, dizendo-lhe que uma cirurgia poderia ter no mínimo amenizado a dor que James sentiu nesse um ano que lutou contra a doença. Toby chegou a questionar porque essa cirurgia não foi feita e o médico explicou que a tal cirurgia tinha custos enormes.

Desde então Toby vive em um quarto com banheiro, na zona mais humilde de Oxfordshire. Deixou para trás sua família e veio para Légor buscar uma chance de ser o que sempre sonhou; um chefe. É nítida a dor em seus olhos quando ele conta essa história, e o mesmo diz que só contou isso para quem ele confiava. Eu me ponho em seu lugar, se eu tivesse perdido a Emily dessa forma, não sei se teria a força dele. Eu sei que não estamos mais juntas, mas ela está lá vivendo sua vida. Quando você se depara com esse tipo de história entende que amar é sempre querer ver o outro bem, mesmo que esse bem não seja graças a você. Amar exige muitos sacrifícios, e eu convivo com o meu.

Nos resta dois meses de curso, para sermos oficialmente chefes da Légor. Tem sido um pesadelo essa última fase, mas pelo menos, Toby está comigo. Estamos estagiando em um hotel cinco estrelas do centro da cidade, e isso vem exigindo muito de nós dois. Uma coisa que aprendi com o Toby é a concentração. Eu sempre fui um tanto brincalhona, levando as coisas pro lado divertido, porém, assim que conheci ele aprendi mais sobre focar mais na minha carreira. Hoje em dia, eu, Noel e Toby somos inseparáveis. Já aconteceu de pormos Victória na cama e bebermos até ficarmos bêbados, pelo menos os dois, pois meu trauma com a bebida sempre me acompanha.

Cheguei em casa, vendo Noel dando a sopa da Victória enquanto Toby pegou uma maçã no cesto de frutas. Sentei no sofá assim que beijei a testa da Victória. Entre a conversa, Noel entregou a colherzinha da Minnie para o Toby continuar dando a sopa e foi até o seu quarto pegar uma correspondência chegou para mim. Achei estranho, porque geralmente resolvo tudo por email, pelo menos até agora era assim. Noel me pediu para ler em meu quarto, então o fiz. Fui para o meu quarto, abrindo a carta e entrei uma carta. Olhei para o remetente e acabei sentando na cama, porque perdi completamente as forças da minha perna. A carta é de Rosewood, enviada pela Pam.

“Olá querida.
Há muitos anos, você seguiu sua vida e minha filha a dela, isso de fato foi um choque para mim e sua mãe. Contudo, quero lhe informar que sinto saudade, não só eu como Wayne. Os anos foram cruéis, é difícil estar longe da Emily e acredito, que para a sua mãe seja assim também. Para mim, você sempre fará parte da minha família. Você deve está se perguntando o porque de está lhe enviando essa carta e não mandando um Email, pois bem, vou explicar: Quando Emily voltou para casa, sentamos e conversamos sobre a futura chefe, no caso você. Entre a conversa, Emily nos contou a duração do seu curso, e nas minhas contas, já está terminando. Daqui dois meses são exatos cinco anos que você saiu de Rosewood e eu realmente não sei quais são os seus planos para o futuro porém, nós os Fields guardamos um presente para você. Emily compartilhou sua experiência quando esteve em coma, ela nos contou uma parte que comoveu Wayne e eu, por isso, espero que o seu sonho seja ter um restaurante. Espero que entre os seus planos, um deles seja voltar para Rosewood. Alison DiLaurentis, se você nos der uma chance, volte para Rosewood, eu prometo que isso será bom para todos. Embora você e a minha filha não estejam juntas, de você só levo coisas boas, por isso, volte minha querida e me dê a chance de tornar um dos seus sonhos possíveis.
Com carinho, Pam.”

Eu li tudo com um sorriso no rosto e um tanto confusa. São cinco anos longe de Rosewood e voltar para lá só vai despertar o meu passado, tanto pelo meu pai, quanto pela Emily. Será que vale a pena? Sei que Pam tem as melhores intenções, longe de mim duvidar disso, porém, não sei se estou pronta para isso. Me levanto do sofá e olho para o Noel, Victória e Toby, me pergunto se vale a pena deixá-los. Entrego a carta para o Noel ler, enquanto limpo a Victória e vejo-o olhar para mim risonho, questionando isso.

– Porque sorrir desse jeito? – Pergunto.

– Porque isso é perfeito, Ali! – Exclama.

– Não, eu não posso deixá-lo com a Victória, eu prometi. – Ele segurou meus braços, olhando bem para mim.

– Você já fez muito por mim, pela Vic. Tá na hora de fazer por você! – Ele sorrir sereno. – Por favor, permita que isso seja possível Alison, permita que seus sonhos se tornem realidade. Você fez por isso caramba! – Ele olha pro Toby. – Você e o Toby, podem fazer qualquer restaurante ser o melhor.

– Do que exatamente vocês estão falando? – Pergunta Toby, arqueando as sobrancelhas.

– Lembra da Emily? – Pergunta o Noel.

– Sim! – Ele rir de lado.

– A mãe dela quer dá um restaurante para a Alison. Ela tá pensando em rejeitar.

Toby levantou do sofá pegando a carta da mão do Noel, perguntando se sou alguma louca. Foi ai que percebi, eu criei verdadeiros laços de amizade. Olhei para eles em meio a um suspiro forte, voltando meu olhar para a carta. Noel tem razão, por outro lado, existe os meus sentimentos. Eu não sei qual será a minha reação ao ver a Emily, se por um acaso isso acontecer. Não trata-se apenas de um sonho, como também sobre àquela que sempre amei e amo. Sei que não devo privar os meus sonhos por causa dela, afinal, Emily está muito bem sem mim, vivendo a sua vida, com seus novos amigos e namorada. Sim, faz exatamente um ano quando bloqueei ela em meu facebook. Eu não suportei ver ela publicar que está em um relacionamento, isso doeu muito em mim. Se alguém me perguntar se deixei de amá-la por conta disso, e eu responder que sim, vou está mentindo, porém, tudo tem um limite.

Eu tenho fé que um dia deixarei os meus sentimentos por ela para trás, mas por enquanto não dá. Já tive algumas chances de conhecer outras pessoas e dar lugar para essas pessoas mas, escolhi não fazer isso, não matar o meu amor por Emily, não ainda. Eu sempre fixei a ideia que cumprindo a minha promessa, vou ter a chance de fazê-la ver que eu fiquei em Paris, mas nunca deixei de amá-la, porque no fundo, bem lá no fundo, há esperanças que isso de certa forma renda pelo menos um abraço como os que ela sempre me deu.

Três meses depois…

Como definir um momento tão nostálgico quanto o de agora? Pisar em Rosewood, com parte dos meus sonhos concluídos, olhar para tantas que agora estão diferentes e três malas de um lado e Toby do outro. Ser recebida com festejo e alegria por Pam e minha mãe. Apresentei o Toby para elas e expliquei por alto quem é ele na minha vida. Não vou negar que mal cheguei e estou morrendo de saudade do Noel e Victória, de certa forma eles são minha família. Fomos para a casa da Pam. Não é exagero quando digo que dentro de mim, tudo está quebrado. Vê esse chafariz e o som que ele faz. Essas flores, que me encantaram assim que as vi. A bela casa dos Fields.

Esse cheiro, me lembra tanto os abraços da Emily. Céus. Eu sabia que iria me sentir desse jeito, quando chegasse aqui. Depois de beber um chá, Pam me chamou para seu escritório e me entregou uma folha dobrada, muito amarelada e uma pasta branca. Ela saiu e me deixou a sós, pedindo para que independentemente de tudo, eu não desista de estar aqui. Fui desdobrando a folha, até ouvir a porta bater. Respiro fundo, tentando não chorar, porém ao ver a data, não aguento.


Olá loirinha.
Provavelmente quando você ler essa carta, não estaremos juntas e não se culpe por isso, pois a culpa é somente minha. Quando prometi não me esforçar para lhe esquecer, não foi de coração. Não fique com raiva de mim por isso, posso explicar. Quando entrei naquele avião sabia que as chances de ficarmos juntas era zero, eu não sei da sua parte, mas a minha tinha que aprender a viver sem você. Eu não sei ainda como posso viver sem você e quando para imaginar isso, bom, você pode notar que já borrei a tinta da caneta no papel com as lágrimas, me perdoe por isso. O ponto é que: Imaginar minha vida sem você é como imaginar uma rosa sem oxigênio. Um perfume sem essência. O céu sem sol. O mar sem ondas. Uma vida inteira vazia.  

Contudo, eu quero dizer que realmente sempre estarei na torcida por você. Hoje, conversei com os meus pais e chegamos a uma decisão. Provavelmente a minha mãe já lhe entregou o contrato da Jimmys Dinner. Lembra aquela noite? Quando você queria apenas vender suas flores de papel e aquele segurança lançou você para fora, sem pensar o que levou você a entrar e vender as suas flores. Hoje em suas mãos é o transpasso do restaurante para você. Apenas uma assinatura e você já tem o restaurante tão merecido, o mesmo que um dia, lhe expulsaram. Alison Dilaurentis, não tome esse restaurante como um pedido de desculpa por todas as coisas que eu fizer e poderão vir a te magoar no futuro. Tome esse presente como um agradecimento, por todas as coisas boas que você já fez em sua vida, não só por mim, mas como por todos mesmo. Quero reforçar que a primeira reforma será patrocinada por nós, os Fields. Escolha como será ele, tudo em sintonia aquilo que almejou até hoje.  

Eu tenho certeza que você hoje, ao ler essa carta cumpriu a promessa que me fez. Eu tenho certeza que você é a melhor chefe que Rosewood terá. Obrigada por cumprir. Alison, obrigada por ter deixado seu rastro de luz dentro de mim, graças à isso hoje, consigo dá mais que arrogâncias as pessoas. Obrigada por seu amor, que hoje acredito já não existir e lembre-se, seu amor despertou tudo que há de mais lindo dentro de mim.

P.s. Seja como for, aonde for, viva por seus sonhos.
Eu te amo, Emily.”


Notas Finais


"Há, eu não acredito que você fez pov do Noel e não dá Emily."
Gente, eu contei a parte da ALison. Ele foi o melhor amigo dela durante esses anos é normal. Victória também precisava acontecer e a amizade Noelison e Toby. Então sim, eu fiz pov dele. TAMBÉM FOI ELE QUEM GANHOU A MAIORIA DOS VOTOS. Fiquem tranquilos, eu terminei nos cinco anos, mas o próximo vem com o sexto e todos (quase todos) personagens.

Por enquanto é isso, espero que tenham gostado dessa primeira parte :*
Até o próximo capítulo amoras <333.


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