História Os Filhos dos 4 Elementos - Capítulo 2


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 10 ANOS
Gêneros: Aventura, Colegial, Comédia, Fantasia, Ficção, Magia, Mistério
Avisos: Homossexualidade, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 2 - "Vem Yakisoba, vamos dar uma volta"


- Anna? Senhorita Hall?

A voz da minha professora pré histórica de química chamando meu nome me faz acordar do meu maravilhoso cochilo. Levantei a cabeça limpando disfarçadamente a baba. Todos os alunos estavam com a cabeça virada para o fundo da sala, especificamente para mim. Ótimo. Eles me observavam com olhos curiosos, esperando possivelmente uma resposta.

- Sim? – Falei, mas minha voz saiu parecida com a de um ganso por conta do sono. Escutei uma risada do meu lado esquerdo, Samanta a verdadeira patricinha dos filmes americanos. Ela era loira, incrivelmente rica, não podemos esquecer da magreza anêmica e claro todo mundo daquela escola pagava o maior pau pra ela. Viva os padrões de beleza. E sim, ela me odiava.

- Poderia me responder qual é o catalisador dessa reação? – Senhora Marta deu uma tossida capaz de expelir seu pulmão arcaico para fora. Olhei para mesa a procura do exercício mas nem a apostila eu tinha aberto.

- Além de órfã é burra – Samanta parou de lixar suas unhas de gato e olhou para mim fazendo seus capachos rirem.

- Talvez você Samanta queira responder essa pergunta – Senhora Marta disse cruzando os braços finos e enrugados.

- Desculpa professora mas os últimos neurônios ela queimou na chapinha – Falei e sala inteira explodiu em gargalhadas. Dei um sorriso cínico para loira do meu lado, como resposta ela fez uma careta e continuou a afiar suas garras.

Marta desistiu de arrancar alguma reposta e voltou para o quadro. Afundei na cadeira, ainda eram oito e quinze da manhã de segunda feira, voltei a dormir.

Dessa vez o que me despertou do meu cochilo foi o sinal avisando a troca de aula. Levantei sonolenta mas antes que eu pudesse sair Sra. Marta me chama para sua mesa para seu discurso semanal. Estava ansiosa em saber qual seria o tema dessa vez já que o da semana passada foi sobre a puberdade e meus hormônios a flor da pele.

- Sente-se Anna – Ela apontou para a cadeira na frente de sua mesa, fiz o que ela pediu – Querida, não se engane desse jeito. Eu sei que a senhorita é uma menina muito inteligente, mas você acaba se enganando.

Uma pausa para mais uma tossida. Sinceramente eu aposto de daqui a pouco vai sair uma mosca ou uma aranha daquele pulmão.

- Nosso diretor está te dando uma chance de estudar em uma escola boa como essa. Ele sabe que apesar de todas as encrencas você é uma menina muito inteligente mas se faz de burra por isso concorda em deixar você aqui sem nenhuma despesa, mas toda paciência tem um limite, não desperdice a dele.

- Obrigada Senhora Marta pelo conselho, mas agora tenho que ir ou vou me atrasar para próxima aula.

- Pode ir menina – Ela sorriu para mim com os dentes amarelados por conta das cinco décadas tomando café.

  Fui me arrastando pelo corredor em rumo para a outra sala enquanto isso, Melissa, a unica pessoa que eu posso considerar uma amiga, tagarelava sem parar sobre como tinha sido almoçar pela primeira vez na casa do novo namorado. Não tinha sido a primeira vez que ela ia conhecer os pais de um menino, já que ela troca de namorado mais rápido como quem troca de meias, seria o primeiro almoço na casa desse garoto. Minha função basicamente nessas conversas era balançar a cabeça e dizer: Aham, sério? Jura? Nossa.

Samanta surge na minha frente me obrigando a parar. Reviro os olhos irritada.

- Que foi água de salsicha? Quebrou uma unha? – Cruzei os braços. Vejo Melissa se encolher ao meu lado, ela dizia que admirava minha coragem porque só eu tinha peito para enfrentar Samanta já que ela reinava naquele lugar, até o diretor da escola sucumbia as suas vontades.

- Pode me insultar o quanto quiser, eu sempre serei mil vezes melhor que você mesmo – Ela empinou mais o nariz e o seu fiel grupinho riu.

- Ah! Por favor Loira do banheiro aposto que nem amarrar seus próprios cadarços você faz sozinha – Virei as costas e continuei andando mas a Barbie falsa insistia em aparecer na minha frente.

- Exatamente! Nunca vou precisar fazer nada e enquanto eu vou estar andando em um carro de ultimo modelo você vai estar andando no metro sempre lotado aqui de São Paulo.

Nota mental: Pesquisar quanto tempo levaria em uma penitenciaria por matar essa garota. Valeria cada dia, tenho certeza.

- Querida, pegue seu dinheiro e enfia no seu...

- Hall, poderia me acompanhar? – O diretor parado ao meu lado como um armário me faz cortar a frase no meio. Eba! Não eram nem dez horas da manhã ainda e já iria passar pela minha segunda lição de moral e a semana só tinha começado. Marcos deus as costas e começou a andar, segui o diretor que parava a cada cinco passos para dar uma bronca em alguém ou reclamar do uniforme incompleto . Na minha cabeça eu passava todas coisas que eu havia feito na semana anterior: Briguei com a Samanta, dormi na aula de matemática, briguei com a Samanta, dormi na aula de espanhol, discuti com a professora de história, dormi na aula de matemática.

-Entre – A voz do diretor me tirou dos devaneios.

Entrei em sua sala. Havia uma menina lá, ela estava sentada no sofá com uma postura de dar inveja. A garota tinha cabelos pretos e escorridos até a altura do ombro, magra e branca como uma boneca de porcelana, seus olhos eram puxados e pretos como a cor de seu cabelo.

 - Essa é Naomy, ela é nova no colégio e gostaria que vocês duas se conhecessem – Marcos sentou em sua cadeira e coçou a enorme barriga.

- Por que?

-Bom, Naomy tem uma situação parecida com a sua.

- Você também é órfã? – Perguntei, mas o diretor não deu nem a chance da garota responder.

- Sim, então eu queria que você, Anna, ajudasse ela. Leve Naomy para conhecer a escola, pegue os matérias, mostre os horários, enfim. Esta livre das aulas hoje. Mas nem pense em fugir da escola ou ficar atoa, estarei te observando.

Pensei um pouco, assistir uma aula de física ou levar a garota para dar uma volta?

- Vem yakisoba, vamos dar uma volta.

Andamos a escola toda, mostrei onde ficava tudo. Expliquei como funcionava os horários e o sistema de boletins. Contei como era cada professor. Contei também os macetes essenciais par viver e conviver em sociedade naquela escola. Fiz de tudo mas ela não disse nenhuma palavra, só me observava com olhos atentos, parecia que Naomy de alguma forma me estuda e analisava cada gesto meu.

- Então, me conte sua história – Perguntei a ela, estávamos sentadas de frente para a outra em uma das mesas do refeitório.  O lugar calmo e silencioso devido a todos os alunos estarem no horário de aula.

- Que história? – Ela se espantou com a minha pergunta mas apesar do susto sua voz era baixa e delicada.

- Marcos disse que você é órfã, me fale sobre sua orfanidade.

- Orfanidade? – Naomy fez uma careta ao pronunciar a palavra.

- Orfanidade é o nome dado as pessoas órfãs, segundo Aristóteles.

Até sua risada era suave.

- Tipo um super poder?

- Exatamente.

Apoiei o queixo nos meus braços e olhei para cima esperando a história.

- Bom, fui deixada dentro de uma caixa de papelão em frente a um orfanato. Esse orfanato depois de um tempo não conseguia mais cuidar das crianças então fomos mandados para outros lugares.

- Como conseguiu seu sobrenome?

- Estava escrito na caixa, o meu nome e o sobrenome –Ela deu de ombros – E você?

Senti uma pontada no coração mesmo sem saber Naomy colocou o dedo em minha ferida ainda aberta, aquele era um assunto delicado. Mexi no cabelo desconfortável com a pergunta.

- É uma longa história – Desviei os olhos dela e mudei de assunto.

  

 

 

 



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