História Os Marotos - A História não contada - Capítulo 23


Escrita por: ~

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Categorias Harry Potter
Tags Amor, Black, Evans, Harry, James, Lilian, Lupin, Malfoy, Marotos, Peter, Potter, Remo, Sirius, Snape, Vida
Exibições 32
Palavras 2.681
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Aventura, Fantasia, Romance e Novela, Saga
Avisos: Insinuação de sexo, Spoilers
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 23 - Sirius - Lua Cheia


Fanfic / Fanfiction Os Marotos - A História não contada - Capítulo 23 - Sirius - Lua Cheia

                No Salão, esperando as pessoas se recolherem às camas, fico olhando o mínimo que posso para as mesas do outro lado. É impressionante para mim o magnetismo que me atraia a olhar os cabelos negros de Martha, seus lábios ao se mexerem.... E novamente estou encarando. Pisco com irritação, e encaro a lareira. O fogo queima a madeira com a mesma intensidade que sinto em meu peito. Eu acho que estou ficando um pouco poético demais para mim.
                -Ei, tudo bem aí, Sirius? – Pedro me dá um tapinha no ombro, entregando uma caneca com chocolate quente e canela. – Para enquanto esperamos.
                -Obrigado. – Apanho a caneca escaldante, apoiando-a em uma mesinha logo ao meu lado, junto de alguns livros que Thiago trouxera da biblioteca. Apanho um volume, olhando o título e folheando algumas páginas iniciais. Era vermelho e com longos detalhes dourados na capa e ao redor. O autor quase se apagava na lateral.
                - Olhando minhas pesquisas? – Thiago desde as escadas com o volume usual pode debaixo do casaco, sua Capa de Invisibilidade. Sempre amei essa coisa. Queria muito saber como a família Potter conseguiu uma. Era extremamente útil.
                -Estava. Para que são essas pesquisas? – Devolvo o livro para a mesinha, apanhando a caneca e bebericando um pouco do líquido efervescente.
                -N.O.M.s. Não quero deixar para última hora. – Ele se senta em uma poltrona logo em frente a mim, e me olha envergonhado. – Acha idiota da minha parte?
                -Não. Definitivamente não. – Remo desce as escadas em dois pulos, o casaco puído casual ao redor dos ombros, o rosto suando mesmo no frescor do castelo.
                -Ia dizer quase o mesmo, só para deixar mais alguns meses para frente. – Sorrio, revirando os olhos ironicamente para Remo, que se senta ao meu lado. – Você está tremendo. Tem certeza que está bem? – Sussurro.
                -Vou me transformar em algumas horas, uma situação um bocado ruim. É doloroso, instantâneo e me deixa em orbita por horas. Acho que estou aguentando bem. – Remo sussurra de volta, com um sorriso azedo.
                -Adoro as piadas de lobo, Aluado. – Sorrio de volta, bebericando um pouco mais de meu chocolate. Ofereço a caneca à Remo, que recusa com um aceno de mão.
                -As meninas devem subir logo. – Pedro cochicha, se esticando em um sofá afastado da lareira. Fico tentando a olha-lo, já que em sua direção eu conseguiria visualizar Martha com a visão periférica.
                Isso está indo longe demais.
                -Ei, posso falar com você um instante? – Erguemos os olhos com curiosidade, encontrando Martha apoiada na poltrona de Thiago, me olhando com acanhamento. – Sirius?
                -Ah! Claro. – Deixo a caneca para trás, e sigo-a até o pé da escada, longe o suficiente para que ninguém nos escutasse. Meu coração palpita quando paramos, e ela me olha com um sorriso embaraçado. – Tudo bem?
                -Claro. Queria te pedir desculpas. Por.... Você sabe. Meio que te evitar a semana toda. – Ela olha para os próprios sapatos, mexendo no cabelo algumas vezes. Fico quieto, olhando-a com sua delicadeza própria passar os dedos nas mechas e prende-las atrás da orelha, de onde escorrem logo em seguida. Seus olhos sobem dos sapatos ao meu rosto muito rápido. – Por favor, fale alguma coisa.
                -Desculpas aceitas. – Solto uma risadinha desconfortável, pensando o quão revelador seria se eu corasse como Lilian ou Thiago. Eu seria um livro aberto para essa garota.
                -Não era bem isso que eu esperava ouvir. – Ela sorri, revirando os olhos.
                -Acho que entre nós, não ouvimos muito o que esperávamos ouvir. – Digo. Ah, que porcaria de fala sem filtros! Fico tão irritado quando isso acontece. E principalmente perto dela.
                -Não é mesmo? – Ela solta uma risadinha, se aproximando um passo. Bato a cabeça em um degrau da escada em espiral, fazendo-a soltar uma risada mais alta.
                -E isso foi só uma amostra das coisas que eu posso fazer. – Sorrio, acariciando minha cabeça com uma das mãos.
                -Você não pode usar minhas piadas contra mim. – Ela pisca com um dos olhos, sorrindo com um dos lábios entre uma mordida. Desvio os olhos o quão rápido consigo, antes que eu me traia e faça alguma besteira. De novo. – Eu estava pensando em.... Humm, você quer ficar um pouco mais comigo? Mais tarde, depois que as meninas subirem.
                -Eu... – Fico sem reação por vario segundos. Estava querendo essa oportunidade tinha muito tempo. Mas não imaginei que viria logo assim. Ela percebe minha hesitação, e fica aflita, sorrindo e acenado negativamente.
                -Não quis te assustar nem nada. É só para conversarmos.
                -Eu.... Eu quero. Muito mesmo, Martha. Mas não hoje. – Olho para seu rosto a tempo de ver o desapontamento em seus olhos, e sua rapidez em esconde-lo logo em seguida.
                -Tudo bem. – Ela fecha a expressão em sua face, fazendo um biquinho irônico, e revirando os olhos com irritação.
                -Martha, eu...
                -Está tudo bem, Sirius. – Ela acena, e começa a subir as escadas. – Outro dia.
                -Martha! – Eu piso nos primeiros degraus, somente para que eles virem de uma escada a um escorrega, me derrubando. Ela me olha, dois degraus inalcançáveis acima, e sorri.
                -Não tem problema. – E assim ela corre escadas acima, e eu fico sentando no primeiro degrau como um idiota. Novamente.
                -Então.... Deu tudo certo, hein? – Thiago se aproxima, minha caneca de chocolate nas mãos, já pela metade com suas degustações constantes.
                -Claro. – Concordo, recebendo a caneca e bebericando um gole. Pelo menos eu tinha alguma. Mesmo que fosse um chocolate quente escaldante. – Sabe, eu não entendo. Uma hora ela está o ser mais gentil e amigável que se tem notícia, e logo depois se fecha e sai correndo como se eu fosse um monstro.
                -Se você gosta dela mesmo, você deveria falar com ela, Sirius. – Ele sorri com receio, me olhando com cautela de pé em frente a mim.
                -Eu sei. Ah! Isso é tão confuso. – Tiro o cabelo dos olhos, e penso no que seria de mim se todas meninas mexessem comigo como ela mexe.
                -Nem me fale. Ela é bem controversa. – Nossos olhos se cruzam, e Thiago cora por meio instante. Reviro os olhos, apoiando a caneca ao meu lado na escada.
                -Thiago, pelos calções de Merlin. Por favor. Você não contou nenhuma besteira para ela, contou?
                -Eu?! – Ele se admira, não me olhando ao fingir uma surpresa que, eu já sabia, o entregava. – Claro que não.
                -Espero que você não tenha feito besteira. – Me levanto, seguindo em direção à Pedro e Remo, que conversavam no sofá. Thiago me segue, a caneca entre as mãos.
                -Você está irritado comigo sem razão. Não falei nada. – Ele bebe um gole, sorrindo.
                -Não estou irritado com você. Pare de contar minhas coisas para Martha. E pare de beber meu chocolate quente. – Me viro com um sorriso irônico, e puxo a caneca de volta. Ele faz uma careta triste, e me joga no sofá ao lado de Pedro.
                -Vamos? – Digo, olhando ao redor. Lilian e Alice recolhem as coisas, e se despedem silenciosamente de nós, subindo as escadas.
                Todos acenam calmamente. Estávamos acostumados com a operação Lua Cheia. Todo mês, desde que descobrimos sobre as transformações de Remo, no segundo ano, damos cobertura para que ele passasse sem desconfiança pelos monitores. Depois de alguns meses, começamos a segui-lo. No início, ele foi de uma forte aposição, com medo que nos machucasse durante a transformação. Mas fomos mesmo assim. A primeira vez foi bem assustadora. Ele gritava de dor quando o efeito começava, e se jogava no chão. A transformação era dolorosa até mesmo para mim, que apenas assistia. Tudo era muito rápido, e durava até os primeiros raios de sol se apresentarem no horizonte. E era uma vez por mês, no mínimo. Toda Lua Cheia.
                E nós o seguimos. No terceiro ano, bolamos a ideia de tentarmos virar Animagos. Normalmente, as poucas pessoas com esse dom se transformam quando querem em um animal específico. Mas existem pessoas que obtiveram sucesso com treino árduo.  E nós seriamos três dessas pessoas. Por semanas e meses nosso sucesso se limitava à algum membro do corpo, quando muito. Rimos toda vez que lembrávamos de Thiago com chifres e nenhum sinal do resto do animal. Mas finalmente, conseguimos.
                As férias foram um ótimo treino. Eu finalmente conseguira me transformar completamente. Admito que minha forma animal era maravilhosa e libertadora. Um enorme cachorro negro, veloz e ágil. Eu amaria as Luas Cheias. Seria um momento de realização.
                Pedro fora, surpreendentemente, o primeiro a conseguir uma transmutação completa. Um pequeno rato cinzento, que gania muito. E Thiago, um cervo com chifres enormes, que constantemente se prendia nos galhos das árvores.
                -Estão tão silenciosos hoje. – Remo sussurra por debaixo da capa. Nossos pés não se cobrem mais desde o segundo ano. Éramos grandes demais, e quatro pessoas. Mas era noite, e com muita sorte, não nos perceberiam.
                -Temos uma surpresa. – Digo, sorrindo. Ele me olha com suspeita, e se aproxima no final do corredor, olhando para frente novamente.
                -Espero que não envolva eu me transformando no meio do castelo e assustando um enorme grupo de alunos. – Ele solta um ganido de dor, e suspira fundo. – Essa Lua está muito forte. Vamos logo.
                Conforme chegávamos à Estátua que guardava a passagem, a Velha, como a chamávamos, a capa era dobrada novamente, a passagem era aberta, e nos esgueirávamos para dentro. Thiago fecha a passagem, e enrola sua capa logo ao lado, deixando-a escondida entre as pedras soltas. Era alto o suficiente para que andássemos agachados, quase de pé. Talvez Remo encontrasse um pouco de dificuldade, por ser o mais alto. Caminhamos por longos minutos sob a luz das varinhas, até chegarmos no Salgueiro Lutador.
                -Esse treco fica maior a cada ano. Vai acabar matando alguém que estiver voando com uma vassoura por perto. – Thiago sussurra. O vento nos perturba, frio e invasivo por debaixo dos casacos.
                -Quem vai jogar a pedra? – Remo pergunta, se agachando para apanhar um pedregulho. Para conseguirmos passar pelo Salgueiro, já que ele era um bocado agressivo, Professor Dumbleodore havia posto um feitiço em forma de botão no pé da árvore. Basta acertar uma pedra ou....
                -Dessa vez, ninguém. Pedro vai fazer as honras. – Sorrio. Pedro suspira fundo, olha para Remo com um polegar para cima, e se transforma. Suas roupas se espalham pelo chão, e de dentro dela, um pequeno rato corre até o botão da árvore, apertando-o. O salgueiro se paralisa. Nos olhamos, soltando risadas satisfeitas.
                -Completa! Por Merlin! – Remo sorri, caminhando até o rato enquanto Thiago recolhia as roupas de Pedro e as carregava. – Parabéns! – Ele apanha o ratinho, colocando-o no ombro.
                -Todos nós conseguimos agora. – Digo, enquanto entramos na passagem do Salgueiro. Remo para por alguns segundos, nos olhando. – Sério. Não estou mentindo.
                -Vocês são os melhores amigos que um lobisomem poderia ter. Até abraçaria vocês agora, se essa passagem não fosse minúscula, e eu não estivesse quase no auge da Lua. – Ele sorri, afetado. Por algum tempo, penso ter visto ele enxugando os olhos, mas ignoro.  Ele sempre se sentia feliz com nossos sucessos, esse molenga.
                Dentro da Casa dos Gritos, nosso esconderijo da Lua Cheia, nos entreolhamos e nos preparamos para mostrar à Remo nosso progresso. Ele suava com a aproximação da hora da transformação, e nós tentávamos o distrair. Thiago se transforma primeiro, virando o cervo com chifres enormes pela primeira vez em frente a todos nós.
                - Thiago! – Remo ergue umas das mãos, segurando um dos chifres de nosso amigo, e acariciando sua cabeça com delicadeza. – Isso foi magnifico.
                -Espero que esteja pronto para esses chifres, ou vou arranca-los de você. – Digo, arregalando os olhos para lembra-lo de nosso pequeno incidente nas férias. Remo se faz desentendido, pedindo explicações. – Uma das vezes durante as férias em que eu estava na casa de Thiago, ele estava quase conseguindo se transformar por completo. Mas suas pernas não cooperaram, e ele caiu em cima de mim, meio humano, meio cervo.
                -O que?! – Remo ri, se apoiando em uma parede, ainda acariciando Thiago, como se não acreditasse. O cervo bufa, revirando os olhos com uma semelhança incrível a de Thiago. Se não presenciássemos a cena da transformação, acho que eu ainda seria capaz de reconhece-lo.
                -O pior nem foi isso. Essas malditas pontas desses chifres me cortaram quando ele caiu. Ainda tenho uma cicatriz no braço. – Ergo a camiseta, mostrando a linha branca do talho que ele fizera na lateral de meu tórax. Thiago se aproxima de mim, e me lambe o rosto. Afasto-o com um grito de nojo. – Eca! Sai daqui! Olha esses chifres perto de mim!
                -Thiago! – Remo gargalhava, afastando a cabeça de nosso amigo de mim, dando um tapinha em suas costas peludas. – Ele tem medo das suas pontas, deixe ele quieto.
                -Pontas. Ótimo apelido para esse monstro de chifres. – Sorrio, secando meu rosto no pescoço peludo de Thiago. Ele bate no chão com os cascos, e bufa, como se risse. – Acho que ele aprovou.
                -E você, Sirius? – Remo me olha com expectativa, secando o suor do rosto.
                -Prepare-se. – Sorrio, me afastando dois passos deles.
                A transformação era um momento complicado no início. A ideia fixa de mudar de forma deve dominar sua mente, e todo seu poder mágico deve se desviar para a exclusiva tarefa de mutação. Quando as primeiras partes começaram a mudar, a animação fazia a transformação parar. Fora complicado, mas quando consegui uma transmutação completa pela primeira vez, a sensação foi inacreditável. Eu podia sentir minha mente tumultuada, e cada membro de meu corpo canino peludo. Voltar a corpo humano fora como sair de uma casca quentinha no meio do inverno.
                Meus pensamentos se focam no corpo que eu queria assumir, e com facilidade me vem a sensação de como é. Minha mente se realiza sozinha, me permitindo arcar com o corpo animal. E eu era o cachorro mais feliz do momento em dois tempos.
                -Vocês fizeram um progresso impressionante. Não sei o que eu seria sem vocês, seus malucos. – Remo sorri, se agachando em frente a mim. Lato algumas vezes, correndo pela sala, por entre as pernas de Thiago, até voltar a Remo e me jogar nele. Ele se desequilibra, e cai sentado no chão, rindo. Eu avanço até seu rosto, lambendo suas bochechas. – Que nojo, Sirius, para! – Ele ria, me empurrando. – Que patinhas fofas, cara. Suas almofadinhas são tão pretas, espero que não seja sujeira.
                Thiago bate os cascos no chão com uma das patas da frente, bufando e sacudindo a cabeça. Me viro, com a língua de fora, e lato duas vezes.
                -Vocês gostaram do apelido de vocês? Pontas e Almofadinhas. Assim ninguém pode zoar ninguém, fofuras. – Remo acaricia minha cabeça, se colocando de pé. Pedro se remexe no chão onde Remo o havia deixado ao cair, guinchando. Lato para o rato cinzento, e começo a correr atrás dele pela sala. Pedro se esconde debaixo de Thiago, e eu me enfio por entre as pernas esguias do cervo, ainda latindo. – Ei, vamos parar com isso! Deixe Pedro! – Remo sorri, correndo atrás de nós. - Thiago se assusta, pisando com os cascos em protesto, para que saíssemos de lá. Em uma dessas pisadas mais fortes, ele arranca sem querer um pedaço do rabo de Pedro, que agora se jogara de barriga para cima, como se chorasse. Remo o apanha com uma das mãos, e me olha com cara feia. – Arrancou um pedaço do rabo dele. Satisfeito?
                Lato várias vezes, rodando e ficando com minha barriga para cima, em rendição. Thiago dá três passos em minha direção, tentando me cutucar com os chifres.
                -Ei, vamos parar. – Remo se contorce por um instante, respirando fundo. Paro de latir para Thiago, e o olho com apreensão. – Você fica muito jeitoso de cachorro. – Ele sorri. Com um feitiço de sua varinha, o rabo de Pedro para de se contorcer, e ele para de guinchar. – Muito bem, melhor agora. Perdeu um rabicho de seu rabo, mas não faz mal.
                A Lua invade o recinto pela enorme janela suja da sala, e Remo acidentalmente derruba Pedro de suas mãos, quando segura sua barriga. Pedro corre até nós, subindo em minhas costas. Thiago se senta como um cervo o faria, as quatro patas dobradas, como se esperasse algo. O imito, ficando quieto.
                A transformação iria acontecer a qualquer instante agora.



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