História Os Marotos: Geração Coca Cola - Capítulo 17


Escrita por: ~

Postado
Categorias Harry Potter
Personagens Lílian Evans, Remo Lupin, Sirius Black, Tiago Potter
Tags Harry Potter, James Potter, Os Marotos, Sirius Black, Tiago Potter
Exibições 51
Palavras 4.749
Terminada Não
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Aventura, Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Ficção, Romance e Novela

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 17 - Eu não o deixarei só


Fanfic / Fanfiction Os Marotos: Geração Coca Cola - Capítulo 17 - Eu não o deixarei só

                                                             E se o amanha nunca chegar, ele saberá o quanto eu o amava?                                       

 

― Pelo amor de Deus, alguém me diz o que esta acontecendo aqui? O que aconteceu com o Remo? Porque ele já passou por isso antes? E o que é essa indo não sei o que? E como meu pai conhece o pai do Remo? Porque meu pai ficou tão furioso quando descobriu que o Remo se chamava Lupin? Pelo amor de Deus, eu preciso saber o que esta acontecendo!

Era frustrante ter tantas perguntas e nenhuma resposta, porque ninguém dizia nada? Porque eles não falavam alguma coisa ao invés de só olharem para ela com cara de dó, com cara de quem sabe de tudo e não quer dizer nada? Ela precisava de respostas, estava ficando louca com aquilo.

Não conseguindo ficar ali parada sem saber de nada, dentro daquela sala que a medida que passava parecia ficar cada vez menor, cada vez mais sufocante, ela saiu em direção aos corredores, tentando respirar e se acalmar.

Onde será que Remo estava? Será que se ela andasse por aqueles corredores espreitando tudo ela conseguia encontrá-lo? Será que se ela conseguisse persuadir alguma enfermeira ela conseguiria descobrir o que acontecia com o Remo? O que ele tinha afinal de contas? Ela queria poder entender alguma coisa daquelas palavras estranhas que o medico disse, mas a única coisa que ela reconhecera de tudo aquilo era hemorragia e aorta, será que Remo estava com hemorragia no coração? E se o coração dele parasse? E se ele...

Patsy parou levando as mãos ao rosto. “Para, para, não vai ajudar nada você ficar imaginando essas coisas.” Ela disse a si mesma, antes de ir até o bebedor, um pouco de água talvez a ajudasse a se acalmar e raciocinar mais claramente.

― Vamos embora.

Patsy engasgou com o copo de água nos lábios e virou rapidamente para ver seu próprio pai parado a olhando estranhamente.

― O que...?

― Anda logo, Sissy, vamos sair daqui antes que eu encontre com aquele...

Não! Eu não vou a lugar nenhum com você, papai. Eu vou ficar aqui, eu preciso saber o que o Remo tem, eu preciso ter certeza que ele esta bem, eu preciso...

― Você precisa se afastar dessa gentinha, minha filha, antes que ele destrua sua vida como fez com a minha.

― O que você esta dizendo papai? Isso é um absurdo!

― Eu não vou discutir com você, Sissy, vamos embora. Anda logo.

― Querido, por favor, se ela quer ficar, deixe ela ficar.

Patsy que ainda segurava o copo de água, ainda cheio para mais da metade nas mãos, agora incapaz de bebê-la, como se nem se lembrasse de que segurava o copo nas mãos, viu a mãe se aproximando, se ela bem conhecia a mãe, estava tensa, mais do que o normal, mas também, numa situação daquelas, quem não estava tenso?

― Eu não quero ela perto dessa gente.

Sem esperar que Patsy ou a mãe dissesse alguma coisa, Thomas segurou o braço de Patsy fazendo-a deixar cair o copo de água no chão e ser arrastada em direção ao elevador.

Não! Eu não vou papai, me solta. Me solta.

― Querido, por favor, isso não vai ajudar em nada. Thomas!

Karen segurou no braço do marido no momento em que ele parava e encarava com extremo ódio no olhar um homem parado logo atrás da esposa.

― Thomas.

Esquecendo-se completamente da filha e da esposa, Thomas soltou o braço de Patsy que correu até a mãe a abraçando forte e sentindo mais lágrimas rolarem por seu rosto, caminhando até ficar cara a cara com o homem.

― Gregório.

― Sempre causando.

Thomas Kensit riu ironicamente.

― E você sempre se metendo no que não é da sua conta.

― Sua filha namora meu filho, então é da minha conta.

― Não namora mais, seu filho só vai namorar minha filha quando eu estiver morto, Gregório.

Parecia uma briga cordial de leões, numa arena, onde naquela altura do campeonato, varias pessoas já assistiam.

A Sra. Lupin estava parada logo atrás do marido, os olhos inchados e vermelhos, uma das mãos cobrindo o rosto, agora levemente nervosa por aquela situação.

Thiago e Sirius logo atrás dela, sem entender absolutamente nada, assim como as meninas, que estavam próximas a porta, assustadas e confusas, agora sem entender mais nada mesmo.

― Esta cometendo um enorme erro, Tom.

 ― Como cometi naquela noite?

― Você sabe que não foi minha culpa, Tom.

― Assim como não foi sua culpa o que você fez uma semana depois?

― Tom, a raiva te deixou cego.

― Não, Gregório, a raiva me fez abrir os olhos para o tipo de pessoa que você é.

― E agora a raiva e esse ódio sem motivo esta fazendo você fazer sua filha sofrer e quase matar meu filho.

Greg! – Exclamou horrorizada Ana Lupin.

―Ódio sem motivo? Então que seu filho morra para você saber como é o ódio sem motivo que eu sinto, Gregório.

PAPAI, Não!

Tanto Ana Lupin, como Patsy, Karen Kensit e as meninas levaram a mão à boca, horrorizadas com o que o Sr. Thomas Kensit acabava de dizer. Era um absurdo ele dizer aquilo, desejar a morte a alguém era uma coisa horrível, tanto quanto matar alguém.

― Vamos, Sissy.

Thomas Kensit se virou e caminhou poucos passos em direção ao elevador, mas Patsy abraçada a mãe não se moveu um milímetro sequer, nem ela, nem a mãe.

― Eu não vou!

― Anda.

Não.

― Querido, eu fico com ela.

― Eu disse vamos.

Thomas Kensit se virou para encarar a esposa e a filha, com o mesmo ódio que olhara para Gregório Lupin.

― Deixe a menina, Tom. Ela não tem nada a ver com isso.

― Não? E o que você pretende com isso? Fazendo seu filho namorar minha filha? Quer matar minha filha também?

Mais uma vez Patsy, sua mãe, Ana Lupin e as meninas levaram a mão à boca, horrorizadas, e dessa vez até os meninos abriram a boca sobressaltados com aquilo.

― Tom... Quantas vezes eu vou ter que dizer que não...

― Tem culpa? Felizmente Gregório, suas mentiras caíram na pior noite da minha vida.

Sem chamar pela esposa e pela filha, Thomas Kensit se virou e saiu em direção ao elevador no qual ele entrou e foi embora.

Sem ter coragem de perguntarem o que acontecera afinal de contas entre o Sr. Thomas Kensit e Gregório Lupin, todos voltaram dessa vez mais perdidos ainda para a sala de espera onde a hora voltou a se arrastar e as perguntas se tornavam cada vez maiores e mais sem respostas. Nem mesmo Patsy, quando indagou a mãe, baixinho sobre tudo aquilo, não obtera respostas.

E as horas foram se passando, os minutos no ponteiro se arrastavam lentamente marcando quase três horas da manha. As meninas cochilavam, quase dormindo sentadas, assim como os meninos que agora estavam sentados, cochilando, quase escorregando de suas cadeiras, mas o Sr. e a Sra. Lupin, assim como a mãe de Patsy continuavam acordados, hora ou outra um levantava pegava água, café e conversavam baixinho para não caírem no sono.

Mais uma vez a espera estava os deixando angustiados, cansados, exaustos. Tão exaustos que mal ouviram quando passos adentraram na sala de espera e a Sra. Lupin se levantou num pulo correndo até o medico.

― Então Doutor?

― Ele saiu da emergência.

― Graças a Deus.

O Sr. Lupin se levantou e abraçou a mulher, que respirou mais aliviada. Os meninos e meninas acordaram e se aprumaram na cadeira, os meninos se levantaram se espreguiçando, enquanto permaneciam em silencio ouvindo o que o medico tinha a dizer.

― Ele foi levado para o quarto, onde ainda esta inconsciente e assim que acordar, já será iniciado o tratamento do PCA.

― Indometacina?

― Sim e os procedimentos de costume. E talvez seja necessário ele usar o Cateter direito no pulmonar durante um tempo.

― Será mesmo necessário Doutor?

― Creio que sim.

― Mas é sempre tão doloroso, ele sofre tanto com isso, Doutor.

― Entendo a sua preocupação, Mãe, mas é necessário, temos que tentar o fechamento o quanto antes ou ele não vai conseguir ter uma vida normal sempre, se o tratamento não é feito ou se é feito pela metade, a cura vem pela metade, isso significa que ele retornara ao hospital mais vezes e cada vez mais grave.

― O Doutor tem razão querida, vai ser muito mais doloroso para ele passar por isso várias vezes do que uma só.

― Se essa pelo menos fosse a primeira.

― Eu sei, querida, eu sei, mas ele vai ficar bom, você vai ver e depois podemos fazer a cirurgia, não podemos, Doutor?

― Se o tratamento ajudar como esperamos, sim, podemos marcar a cirurgia, e ele terá um acompanhamento médico até a cirurgia para que tudo corra bem.

― Mas o que afinal de contas ele tem? – Tanto o medico como os pais de Remo se viraram para ver Patsy em pé próxima a mãe, prestando total atenção às palavras ditas anteriormente pelo médico. – É problema do coração?

― Cardiopatia Congênita PCA. – disse o medico depois de olhar para a Sra. Lupin que não fez objeção alguma.

― O que significa isso?

― É o não-fechamento do canal arterial. Quando o feto é formado, o canal arterial, ou seja, um pequeno canal que liga a artéria aorta a artéria pulmonar se forma aberto e se fecha após o nascimento, devido à taxa de oxigênio no sangue. A cardiopatia congênita PCA acontece então quando o feto nasce e não ocorre o fechamento desse canal, que deveria ser fechado. Com isso o sangue da artéria aorta começa a passar pela artéria pulmonar, com essa passagem de sangue pela artéria pulmonar se tem um aumento de sangue no coração direito, causando taquicardia e até taquipnéia.

― E o tratamento faz o que exatamente?

― O tratamento ideal é a correção do defeito estrutural, no caso a cirurgia, mas quando se acumula sangue demais no coração direito, é arriscado demais fazer a cirurgia, por isso dá-se a indometacina, que auxilia no fechamento do canal arterial.

― E porque é cruel? – Indagou Patsy olhando pra Ana Lupin. Ela se lembrava de ter ouvido a mãe do namorado dizer algumas vezes que o tratamento era cruel.

― Ele passa muito mal, é como se fosse uma quimioterapia, tudo que ele come ele vomita, fica sem forças, sem fome, e sem contar com o cateter, aquele negocio furando ele.

Ana Lupin, levou as mãos a boca e o marido a abraçando pelo ombro, virou-se para o médico.

― Nós podemos vê-lo, Doutor?

― Claro, mas ele ainda esta inconsciente.

O Sr. com a Sra. Lupin seguiram atrás do doutor, enquanto Patsy permaneceu parada em pé olhando pra porta onde o Doutor com os pais de Remo saíram.

― Como vocês não me disseram nada?

Patsy virou-se para as meninas e os meninos, os braços cruzados, exasperada.

― A gente não sabia. – Disseram rapidamente Lilian e Lia.

Então Patsy se virou para Thiago e Sirius que deram de ombros.

― Não podíamos.

― Porque não? O Remo estava doente esse tempo todo e vocês não me disseram nada? Nem que podia acontecer dele cair duro no chão da sala?

― Pat, escuta...

― Não, escuta vocês, se vocês sabiam que a gente tava namorando, vocês deviam ter me contado. Ele devia ter me contado, droga.

― Ele não queria que contássemos, Pat.

― É, ele nos fez prometer que não contaríamos a ninguém. Ninguém. Sem exceção, entende? 

― E porque ele não me contou? Por quê? - Patsy sentia os olhos começarem a arder novamente cheio de lágrimas.- Eu não era importante o suficiente para ele me contar?

Os meninos se entreolharam.

― Não é isso, Pat. – Começou Thiago. – É que o Remo não gosta que as pessoas saibam.

― É, as pessoas costumam tratar ele que nem os pais dele depois que sabem.

― Com cuidado demais sabe...

― É, qualquer coisa já acham que ele ta tendo alguma coisa, já ligam para os pais dele...

― Ou pior, pra ambulância.

― Ele odeia isso.

― É, ele quer ser tratado normal, e ele achava que você ia tratar ele como os outros se soubesse.

― E ele não queria preocupar você. – Concluiu Sirius e Thiago concordou.

― Ah ótimo, nem me preocupou ver ele caindo desmaiado no chão do nada né.

 Os meninos deram de ombros e Patsy saiu em direção ao corredor. Se entreolhando temerosos os meninos e as meninas se levantaram e seguiram também em direção ao corredor para beber uma água e esticar o corpo.

Todos estavam extremamente cansados, e agora que Remo parecia melhor, pelo menos melhor do que quando chegou ao hospital, tudo que eles queriam era ver ele e depois ir pra casa dormir.

― Você está bem?

Lilian que havia pegado um copo de água e se encostara a parede próxima se sobressaltou encarando o maroto próximo de si, levemente assustada.

― Desculpa, não queria assustá-la.

― Tudo bem.

― Então, você ta bem?

Lilian acenou um sim e abaixou a cabeça, sem jeito. Desde a briga os dois não tinham conversado, e diante de todo aquele acontecimento nem tinha como falarem de uma coisa tão banal.

― Olha, Lilly, desculpa por eu... – Começou Thiago parando de repente, sem conseguir terminar a frase.

― Tudo bem, Thiago. Eu que peço desculpas.

― Não, não, você não...

Lilian colocou a mão levemente no ombro de Thiago e sorriu sem jeito.

― Ta tudo bem. Mesmo.

― Você tem...?

― Ahan.

Thiago sorriu sem jeito dando de ombros, vendo a ruiva voltando pra sala de espera junto com as meninas.

― Ta tudo bem, Pontas? – Perguntou Sirius se aproximando do maroto.

― É, acho que sim.

― Porque você e a ruivinha brigaram?

― Sei lá cara, por causa da Mayara.

― Duas minas brigando por sua causa?

Thiago não aguentou ver a cara de fingida surpresa de Sirius e riu, dando um tapa de leve na nuca do amigo.

― Deixa de ser tapado. Ae, a Dona Ana ta vindo, vamo lá ver o Aluado?

Apressados os meninos voltaram e se sentiram mais aliviados de ver os pais de Remo com melhor feição.

― Ele esta acordado, meninos, se vocês quiserem ver ele.

As meninas que estavam paradas próximas a porta da sala de espera se animaram com a ideia de ver como Remo estava depois de uma noite inteira de espera angustiante.

Os meninos, as meninas e Patsy seguiram em direção ao quarto que os pais de Remo indicaram para eles e silenciosamente entraram.

Remo estava deitado na cama, vários aparelhos estavam ligados a ele próximo ao coração, sua aparência era de quem estava a dias no hospital. Ele estava pálido e mais magro do que há varias horas atrás.

Os amigos se aproximaram sorrindo e Remo tentou se sentar, mas Patsy apoiou a mão delicadamente no ombro dele impedindo-o de se mexer.

― É melhor você ficar quietinho, amor.

― É Aluado, não banca o Superman não cara.

Remo riu fracamente pra Thiago e Patsy sentiu um aperto no peito a sufocar por dentro. Era horrível ver ele daquele jeito.

― É, até porque essa criptonita ai te derrubou legal cara.

― Eu to... bem. – Disse Remo com a voz fraca e baixa.

― Claro que ta cara. – Sirius que se aproximara da cama, sorrindo para o amigo. – E ó, não é porque você ta ai que eu vou esquecer que você ta me devendo uma revanche no F1 heim.

As meninas riram e Remo sorriu fracamente.

Agora elas entendiam porque os meninos estavam falando daquele jeito, não queriam fazer Remo se sentir como se tivesse morrendo, mesmo que talvez estivesse.

― Você... sempre... pede revanche. – disse Remo roucamente fraco e Sirius riu.

― É cara, eu admito que você é melhor que eu, mas só no F1, no CS eu sou melhor.

Eles riram.

― Vê se melhora logo Aluado, não to a fim de ficar aguentando o Almofadinhas sozinho não, cara, ele me enche demais.

― Ah tomar no cu, Pontas, você não vive sem mim. Admita.

Thiago riu ironicamente e Remo riu dessa vez um pouco mais alto, vendo, em seguida, as meninas próximas ao pé da cama, quietas.

― Eu atrapalhei a noite de vocês, foi mal.

― Que isso, Remo. – Disseram quase em uníssono Lia e Lilian.

― Que isso? Que isso porra nenhuma, fique sabendo que você atrapalhou meus pegas Aluado e isso não vai ficar assim.

Sirius!

Todo mundo riu e Lia sentiu o rosto corar furiosamente.

― É melhor a gente ir e deixar o Remo e a Pat sozinhos.

― Que sozinhos o que? Ele atrapalhou meus pegas agora eu vou atrapalhar os deles. HAHA.

Todo mundo riu e Thiago deu um tapa na cabeça de Sirius.

― Anda logo, seu viadinho.

Rindo as meninas saíram em direção à porta, enquanto Thiago arrastava Sirius atrás de si.

― Nem sei como um viadinho que nem você pega as minas. Mór broxa.

― Broxa o caralho, fica de quatro ai pra você ver o broxa.

Thiago mais uma vez deu um tapa na cabeça de Sirius

― Viu como é viadinho.

Patsy e Remo riram, vendo os meninos fecharem a porta depois de saírem. Um silêncio absoluto tomou conta do quarto, Remo olhou pra Patsy que se sentou na beira da cama de Remo devagar, com medo de mexer sem querer em alguma coisa e acabar machucando-o.

― Remo... – Ela começou, mas Remo ergueu levemente a mão, numa tentativa de tentar calá-la, ele gostaria de levar o dedo até os lábios dela e depois acariciar-lhe o rosto, mas o fio de soro em sua mão não permitia isso, então ele simplesmente sussurrou.

― Me desculpe.

― Porque você não me contou?

Remo molhou os lábios levemente, não conseguia ter muita saliva na boca, ele podia sentir nos próprios lábios o gosto do remédio que circulava por suas veias junto com o soro e não era um gosto muito agradável, mas ele já conhecia todo aquele procedimento. Primeiro soro com medicamentos, cateter, exames, exames e exames, depois remédios, remédios e remédios e depois ânsias, vômitos, dores, por dias. Sem forças, sem saliva e às vezes sem nem conseguir sentir o gosto das coisas, isso quando conseguia comer alguma coisa. Não eram certamente os melhores dias de sua vida quando passava por isso, mas infelizmente era necessário para que continuasse vivendo.

Se desviando de seus pensamentos ele voltou-se a pergunta de Patsy. Porque não contara a ela? Pelo modo como ela o olhava agora. Aquele olhar de pena, de dó, aquele olhar de “coitadinho”, e era um olhar que ele não suportava ver, era um olhar que ele sempre pediu aos amigos para nunca lhe lançarem e pelo menos eles não demoraram a entender isso. Mas ela, ele sabia que talvez ela não conseguisse se desfazer daquele olhar, como dizia a mãe dele, era o olhar de quem amava, olhar de preocupação, talvez poderia até ser, mas ele sabia que não gostava disso, ele queria que eles vissem ele e aquilo tudo como uma coisa normal, mesmo não sendo.

― Eu não queria preocupá-la. – Ele queria que ela entendesse tudo isso, mas foi tudo que ele conseguiu dizer.

― Remo me preocupou muito mais ver você caído desmaiado sem nem saber o que você tinha...

― Eu sei, mas... Não era pra aquilo ter acontecido...

― Mas aconteceu, Remo. E você devia ter me contado, devia ter me precavido, pelo menos eu saberia o que fazer.

Ela sentiu as lágrimas, mais uma vez, rolarem por seu rosto. E dessa vez, Remo não conseguiu responder.

Talvez ela estivesse certa, talvez se ele tivesse contado, ela já saberia o que fazer, mas o que se podia fazer? Chamar a ambulância e ligar para sua mãe. Era tudo que ela podia fazer e ela não fez nada diferente disso.

― Ia ser pior se você soubesse.

― Por quê?

― Por que... – ele parou, não conseguiu dizer mais uma vez. Não conseguiu dizer que ela talvez o trataria como sua mãe o tratava. Com cuidados às vezes exagerados. Ou talvez não, talvez ela não o tratasse assim, mas era um risco que ele não conseguiria correr, ele sabia como as coisas aconteciam normalmente.

― É melhor você ir pra casa, esta cansada.

― Remo.

Mas ele não respondeu, desviou o olhar e encarou a janela fechada do quarto. Era horário de verão, ele sabia que mesmo que fosse perto das cinco da manha, ele não veria a luz do sol batendo na janela tão cedo, nessas horas ele não gostava muito do horário de verão, não havia nada mais lindo que ver o sol nascer e naquele dia, ele não poderia nem sequer ver as luzes amareladas do sol batendo na janela do quarto e entrando sorrateiramente pelas frestas.

― Remo porque você não me contou antes? Porque ia ser pior eu saber? Porque escondeu isso de mim?

Mais uma vez Patsy se via diante de perguntas sem respostas, e Remo mais uma vez molhou os lábios com a pouca saliva seca que restava em sua boca, o que ele não daria agora por uma boa Coca-Cola bem geladinha?

― Remo... você pode... você...- Ela respirou fundo e desviou os olhos dele olhando para as mãos sobre a beirada da cama. –  pode... morrer?

Dessa vez, Remo desviou os olhos da janela e observou Patsy, agora levantando o olhar para olhá-lo. Ele, pela primeira vez desde que ela chegara, reparou nela. Estava diferente de horas atrás, o cabelo estava mais bagunçado, amarrado de qualquer jeito, o rosto parecia mais pálido, mais cansado, havia olheiras em baixo dos olhos dela, que estavam vermelhos, inchados, o nariz também parecia levemente mais vermelho, parecia que ela havia chorado muito, será que por ele, ou por causa do pai dela?

― Seu pai deixou você vir?

Patsy franziu a testa levemente surpresa, não esperava que ele falasse sobre aquilo, naquele momento.

― Você é mais importante.

― Porque ele proibiu o namoro?

― Eu não sei, mas acho que ele e seu pai tem algum passado sombrio.

Remo balançou levemente a cabeça e voltou a olhar para a janela, ainda esperando que a qualquer momento o sol aparecesse.

― Quantas vezes você já passou por isso?

― Algumas.

― Algumas poucas ou algumas varias?

― Algumas. – Remo suspirou, engolindo em seco a pouca saliva. Estava começando a ficar com sede e aquele gosto de remédio com soro não ajudava muito.

― Remo porque você não me conta tudo, pelo amor de Deus?

Mas mais uma vez Remo não respondeu, ergueu a mão tentando apertar o botãozinho da enfermeira, mas não conseguiu. Patsy vendo o esforço do namorado levantou-se e apertou o botão, encarando-o em seguida, esperando a resposta.

― Remo?

― Água.

Patsy se sobressaltou e virou-se para ver uma enfermeira parada a porta. Nossa, como elas eram rápidas, pensou Patsy.

― Porque você não me pediu?

Mas Remo não respondeu, apenas observou a enfermeira entrar no quarto, pegar um copinho de plástico com água e levar até ele, encostando o copo nos lábios de Remo e o ajudando a erguer levemente o corpo para que pudesse beber um pouco da água.

Remo fechou os olhos, não queria que Patsy o visse assim, jamais queria que a menina que ele amasse o visse naquele estado.

Quando a enfermeira o ajudou a se deitar mais confortavelmente e saiu em seguida, ele respirou fundo, tinha que fazer aquilo.

― É melhor você ir embora.

― Não até você responder as minhas perguntas.

― Se eu responder você vai embora?

― Vou, mas... – Patsy parou, sentindo o sangue congelar na veia. – Não, Remo, você não pode...

― É o melhor.

Não! Eu enfrentei o meu pai pra ficar com você, Remo...

― Mas agora você esta vendo como seu pai tinha razão.

Não! Pelo amor de Deus, meu pai não tem razão. Eu amo você e é com você que eu quero ficar.

― Pra que, Pat? Pra me ver morrer?

Patsy abriu a boca, mas fechou em seguida, não esperava aquelas palavras, não esperava ouvir aquilo, foi como se uma faca penetrasse de repente seu coração.

― Você não... você não vai... morrer. – Ela disse baixinho, a voz embargada pelas lagrimas que começavam a rolar por seu rosto.

― Quem garante isso?

Remo...

― Quem garante que o sangue não vai se infiltrar de vez no meu pulmão e eu morrer? Ou que meu coração não suporte mais uma hemorragia e pare de vez?

― Remo, por favor...

― Ou que meu corpo não aguente todas essas sessões de remédios e remédios e vômitos e ânsias e sem comida, e sem conseguir comer?

― Remo... – a voz de Patsy mau saia, as lágrimas embargadas misturando-se aos lábios, ao colo, rolando fartas e incontroláveis pelo rosto, o nó na garganta se apertando, o coração sendo açoitada a cada palavra, que geravam visões que ela não conseguia sequer suportar imaginar.

― Ou que meu coração acelere tanto na próxima dose da indometacina que pare de uma vez? Quem garante que...

― PARA! Pelo amor de Deus, Remo, para!

― Eu estou morrendo, Pat.

Não.

― E eu não quero que você fique aqui assistindo isso, pelo amor de deus, foi um grande erro achar que dessa vez podia ter uma vida normal e um namoro normal..

― Não. Por favor, não diga que nosso namoro é um erro, Remo.

― Você não entende Pat. Eu estou morrendo, eu não posso ficar com ninguém.

Patsy engoliu o nó da garganta, respirando fundo e se sentando novamente na beirada da cama, o rosto ensopado por lagrimas que ela nem sequer tentava mais secá-las e levou os dedos aos lábios dele, tocando-os delicadamente, fazendo Remo calar-se.

― Você que não entende Remo Lupin, não há nada nem ninguém nesse mundo que me afastaria de você.

― E por quê?

― Porque, Remo? E você ainda pergunta?

Remo balançou levemente a cabeça e voltou os olhos para a janela.

― Eu não quero ver você me olhando com os mesmos olhos da minha mãe, Pat. Já é doloroso demais ver ela me vendo morrer sem poder fazer nada...

― Você não vai morrer.

― E eu não quero que você veja isso também.

― Remo, me escuta...

― Por favor, não volte mais aqui.

― Remo não me peça isso...

― Eu não quero que você me veja assim, Pat.

― Remo, você não pode me pedir isso...

― Olha o estado em que eu estou e vou ficar pior, acredite, vou ficar muito pior e eu não quero que você me veja assim.

― Eu não me importo, Remo, eu amo você. E eu estarei do seu lado, aconteça o que for, não importa nada, eu não vou te abandonar agora, não por isso, entendeu?

Remo fechou os olhos, sentindo as lágrimas rolarem por seu rosto, dessa vez foi impossível conte-las, era impossível não sentir nada naquela situação, diante daquela garota, Deus como ele a amava, como ele queria ser um garoto normal e estar com ela agora, em algum lugar, rindo porque fugiram do pai dela, e poder enfrentar o pai dela de igual pra igual e dizer que a ama e que vai estar com ela pelo resto da vida, custasse o que fosse, mas a verdade é que ele não estaria ali pro resto da vida, é que ele poderia não estar ali amanha e aquilo era terrível. Era terrível mostrar que estava bem, que estava confiante, que aquele tratamento dessa vez ia dar certo e depois, como disseram os pais dele, ele ia fazer a cirurgia e ficar bem. Mas no fundo, no fundo ele sabia que podia não ficar bem e ele não sabia mais por quanto tempo aguentaria aquilo, aquelas torturas, aquele sofrimento, aquele hospital, e remédio, e vômitos, e dores. Será que morrer era mesmo tão terrível que era necessário ele sofrer tanto para evitá-la?

Ele sentiu a mão de Patsy em seu rosto enxugando-lhe as lágrimas, e ele tentou erguer os braços, já levemente fracos, para abraçá-la, mas ela o abraçou antes, chorando, soluçando em seu ouvido. Como sua mãe fizera.

Deus será que seria pecado ele desistir?



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