História Os Segredos do Universo - Capítulo 32


Escrita por: ~

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Categorias Got7
Tags Got7, Jackbum, Jackson, Jaebum, Jaeson
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Palavras 1.376
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Poesias, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Hoho oi

Perdoem os erros, dêem suporte a fic e boa leitura 💙

Capítulo 32 - .03


Fanfic / Fanfiction Os Segredos do Universo - Capítulo 32 - .03

SÓ NOTEI O SANGUE NAS MINHAS MÃOS E MINHA camiseta quando cheguei em casa.

Cheguei e sentei.

Eu não sabia o que fazer. Então só fiquei lá, sentado. Podia ficar ali para sempre — esse era o meu plano.

Não sei quanto tempo fiquei lá. Comecei a tremer. Sabia que tinha enlouquecido, mas era incapaz de explicar até para mim mesmo. Talvez seja isso o que acontece quando você enlouquece. Não dá para explicar. Nem para si mesmo. Nem para ninguém. E a pior parte de enlouquecer é que, depois que a loucura passa, você não sabe o que pensar de si mesmo.

Meu pai apareceu e ficou de pé, na varanda, me observando. Não gostei da expressão dele.

— Preciso falar com você — ele disse.

Meu pai jamais dissera isso. Jamais. Não assim. Sua voz me assustava.

Ele sentou ao meu lado.

— Acabei de falar com o sr. Ting ao telefone.

Permaneci calado.

— O que aconteceu, Jaebum?

— Não sei — respondi. — Nada.

— Nada?

Pude sentir a raiva na voz de meu pai.

Olhei minha camiseta ensanguentada.

— Vou tomar banho — falei.

Meu pai me seguiu para dentro de casa.

— Jaebum!

Minha mãe estava no corredor. Não suportei o modo como me olhava. Parei e baixei os olhos.

Não conseguia parar de tremer. Meu corpo inteiro tremia.

Vi minhas mãos. Os tremores não paravam de jeito nenhum.

Meu pai me pegou pelo braço. Sem força nem maldade, mas também sem suavidade. Meu pai era forte. Ele me levou até a sala de estar e me fez sentar no sofá. Minha mãe sentou ao meu lado.

Ele, na poltrona. Eu estava anestesiado e sem palavras.

— Fale — meu pai disse.

— Precisava machucá-lo.

— Jaebum? — minha mãe apenas me olhou. Odiei seu olhar de descrença. Por que ela não conseguia crer que eu precisava machucar alguém?

Devolvi o olhar e disse a ela:

Precisava machucá-lo.

— Seu irmão machucou alguém uma vez — ela balbuciou. E então começou a soluçar.

Não aguentei. Odiei a mim mesmo mais do que nunca. Apenas a via chorar e, por fim, pedi:

— Não chore, omma. Por favor, não chore.

— Por que, Jaebum? Por quê? Você quebrou o nariz do rapaz, Jaebum. E o único motivo para não estar delegacia é que Lay Ting é amigo de infância do seu appa. Vamos ter que pagar a conta do hospital, Jaebum. Você vai ter que pagar.

Fiquei calado. Sabia o que estavam pensando.

Primeiro seu irmão, agora você.

— Sinto muito — minha voz soou vacilante, mesmo para mim. Só que parte de mim não sentia muito. Parte de mim estava contente por ter quebrado o nariz de Gu Wei. Só fiquei mal por ter magoado minha mãe.

— “Sinto muito”, Jaebum? — perguntou meu pai; seu rosto parecia de aço.

Eu também podia ser de aço.

— Não sou meu irmão — falei. — Odeio quando vocês pensam isso. Odeio viver na p… — me segurei para não usar a palavra na frente de minha mãe. — Odeio viver à sombra dele. Odeio. Odeio ter que ser o bom menino só para agradar vocês.

Nenhum dos dois disse qualquer palavra.

— Não sei se sinto muito — finalizei.

— Vou vender sua caminhonete — meu pai ameaçou, me encarando.

— Ótimo. Pode vender.

Minha mãe tinha parado de chorar. Seu rosto carregava uma expressão estranha. Não era suave nem tensa. Apenas estranha.

— Você precisa me dizer por quê, Jaebum — suplicou.

Respirei fundo e concordei.

— Tudo bem, mas vocês vão escutar?

— Por que não escutaríamos? — meu pai disse, com a voz firme.

Olhei para ele.

Depois, para minha mãe.

Depois, para o chão.

— Eles machucaram Jackson — falei, baixinho. — Vocês não imaginam como ele está. Deviam ver a cara  dele. Quebraram as costelas. Deixaram Jackson caído em um beco. Como se não fosse nada. Como se fosse um saco de lixo. Como se fosse merda. Como se não fosse nada. Se ele tivesse morrido, não dariam a mínima.

Comecei a chorar.

— Vocês querem que eu fale? Vou falar. Vocês querem que eu conte? Vou contar. Jackson estava beijando um garoto.

Não sei por quê, mas não conseguia parar de chorar. E quando parei, senti muita raiva. Mais raiva que nunca.

— Eram quatro. O outro garoto fugiu. Mas Jackson não. Porque Jackson é assim, não foge.

Olhei para o meu pai.

Ele não falou nada.

Minha mãe chegou mais perto de mim. Ela não parava de passar a mão na minha cabeça.

— Estou com tanta vergonha — balbuciei. — Queria machucá-los também.

— Jaebum? — a voz de meu pai saiu mansa. — Jae, Jae, Jae. Você está lutando essa guerra da pior maneira possível.

— Não sei lutar essa guerra, appa.

— Você devia ter pedido ajuda — ele disse.

— Também não sei fazer isso.



Quando saí do banho, meu pai não estava mais.

Minha mãe estava na cozinha. O envelope pardo com o nome de meu irmão estava sobre a mesa. Minha mãe tomava uma taça de vinho.

Sentei de frente para ela.

— Eu bebo cerveja de vez em quando — falei.

Ela fez que sim com a cabeça.

— Não sou um anjo, omma. Não sou santo. Sou só o Jaebum. O torto do Jaebum.

— Nunca diga isso.

— É verdade.

— Não, não é — sua voz soou forte e segura. — Você não é torto de jeito nenhum. Você é doce, bom, honesto — ela concluiu, para depois tomar um gole de vinho.

— Eu machuquei Gu Wei — disse.

— Não foi muito esperto.

— Nem legal.

— Não, nem um pouco legal — ela disse, quase rindo, enquanto passava as mãos sobre o envelope.

Depois de uma pausa, ela abriu o envelope e tirou uma foto.

— Sinto muito… Este é você. Você e Bambam.

Ela me entregou a foto. Eu era criancinha, e meu irmão me carregava no colo. Sorrindo. Ele estava bonito e sorridente, e eu, rindo.

— Você o amava tanto — minha mãe disse. — E peço desculpas. É como eu disse, Jaebum, nem sempre acertamos, sabe? Nem sempre dizemos as coisas certas. Às vezes, é como se você ficasse machucado apenas ao olhar alguma coisa. Então você não olha. Mas a coisa não vai embora, Jaebum.

Ela me entregou o envelope.

— Está tudo aí — continuou, sem chorar. — Ele matou uma pessoa, Jaebum. Matou uma pessoa com as próprias mãos. — Minha mãe quase sorriu, mas seria o sorriso mais triste que já vira na vida. — Nunca tinha dito isso antes — concluiu, em voz baixa.

— Ainda dói muito?

— Muito, Jaebum. Mesmo depois de tantos anos.

— Sempre vai doer?

— Sempre.

— Como você aguenta?

— Não sei. Cada um tem seu fardo. Todos têm. Seu appa tem que aguentar a guerra e o que o Vietnã fez com ele. Você tem que aguentar as dores de se tornar homem. E como deve doer, não é, Jaebum?

— É — respondi.

— E eu tenho que carregar o fardo do seu irmão, do que ele fez, a vergonha, a ausência.

— Não é culpa sua, omma.

— Não sei. Acho que as mães sempre se culpam. Os pais também.

— Omma?

Tive vontade de estender a mão e fazer um carinho, mas permaneci imóvel. Apenas olhava e tentava sorrir.

— Eu não sabia que podia amar tanto você — falei.

E então seu sorriso não era mais triste.

Filho de minha vida, vou contar um segredo. É você que me ajuda a aguentar. Você me ajuda a aguentar todas as perdas. Você, Jaebum.

— Não diga isso, omma. Só vou decepcionar você.

— Não, amor. Nunca.

— O que eu fiz hoje. Magoei vocês.

— Não — ela disse. — Até entendo.

A forma como ela falou. Era como se tivesse me vendo de uma forma diferente. Sempre tive a sensação de que cada olhar seu era uma tentativa de me decifrar, de descobrir quem eu era. E, naquele momento, ela pareceu me ver, me conhecer. E isso me deixou confuso.

— Entende o quê, omma?

Ela empurrou o envelope para mim.

— Não vai olhar?

Fiz que sim com a cabeça e respondi:

— Vou. Mas não agora.

— Está com medo?

— Não. Sim. Não sei.

Contornei o nome de meu irmão com o dedo. Minha mãe e eu permanecemos ali, quietos, pelo que me pareceu um longo tempo. Ela continuou a beber o vinho, enquanto eu olhava as fotos do meu irmão.

Meu irmão quando bebê, meu irmão no colo do meu pai, meu irmão com os gêmeos. 

Meu irmão sentado nos degraus da varanda. Meu irmão, criança, saudando meu pai de uniforme.

Meu irmão, meu irmão.

Minha mãe apenas olhava. Era verdade. Nunca a amara tanto.


Notas Finais




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