História Os Segredos do Universo - Capítulo 4


Escrita por: ~

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Categorias Got7
Tags Got7, Jackbum, Jackson, Jaebum, Jaeson
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Palavras 2.278
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Poesias, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Perdoem os erros, dêem suporte a fic e boa leitura ❤️

Capítulo 4 - .04


Fanfic / Fanfiction Os Segredos do Universo - Capítulo 4 - .04


EU PRECISAVA TOMAR UMA DUCHA ANTES DE ENTRAR na piscina. Era uma das regras.

Pois é, regras. Odiava tomar banho com um bando de estranhos. Não sei por quê, simplesmente não gostava.

É aquilo, alguns caras falam sem parar, como se fosse normal entrar no chuveiro com um monte de gente e contar da professora que você odeia, do último filme que você viu ou da garota de quem você está a fim. Eu não gostava; não tinha nada para falar. Caras no chuveiro. Não era minha praia.

Caminhei até a piscina, sentei na beirada da parte rasa e botei os pés na água. O que você faz numa piscina quando não sabe nadar? Aprende. Acho que essa era a resposta.

Eu tinha  ensinado  meu  corpo  a  boiar na  água.  Sem  perceber,  aplicara  um  dos  princípios  da  física.  E  o melhor é que tinha feito a descoberta por mim mesmo.

Por mim mesmo.

Estava apaixonado por essa expressão. Eu não era muito bom em pedir ajuda, um mau hábito herdado do meu pai. E, além disso, os instrutores de natação que se consideravam salva-vidas  eram  uma  droga. Não  tinham  o  menor  interesse  em  ensinar um  pivete  raquítico  de dezesseis anos  a nadar. Estavam  mais  interessados  nas garotas  que  começavam  a  ter  peitos. Eram obcecados por peitos. Essa era a verdade. 

Ouvi um dos salva-vidas conversar com outro enquanto deveria estar de olho num grupo de crianças pequenas.

— Uma garota é como uma árvore. Dá vontade de escalar e arrancar todas as folhas.

O outro salva-vidas riu.

— Você é um babaca — disse.

— Não, sou um poeta — reagiu o primeiro. — Um poeta do corpo.

E os dois caíram na gargalhada.

Sim, claro, aqueles dois eram os novos Walt Whitman. Pois é, meu problema com garotos é que eu não fazia a menor questão de ficar perto deles.

Quer dizer, me causavam desconforto. Não sei por quê, exatamente. É que… Sei lá, eu não fazia parte daquele mundo. Acho que o fato de eu ser um deles me deixava absurdamente envergonhado. E a possibilidade de crescer e virar um daqueles babacas  me  deprimia.

Uma garota é como uma árvore? Sim, e um cara é tão inteligente quanto um toco de madeira infestado de cupins.

Minha mãe diria que era apenas uma fase. Logo teriam seus cérebros de volta. Ah, claro. Talvez a vida fosse mesmo só uma série de fases — uma depois da outra. Talvez em alguns anos eu passaria pela mesma fase em que os salva-vidas de vinte anos estavam. Não que eu acreditasse na teoria da minha mãe sobre fases. Aquilo não parecia ser uma explicação — estava mais para uma desculpa qualquer. Acho que minha mãe não entendia a fundo os garotos. Nem eu. E eu era um.

Tinha  a  sensação  de  que  havia  algo de  errado  comigo.  Acho  que  eu  era  um mistério  até  para mim mesmo. Que saco. Eu tinha sérios problemas.

Uma coisa era certa: pedir para um daqueles idiotas me ensinar a nadar estava fora de questão.

Melhor sofrer sozinho. Melhor morrer afogado. Então fiquei boiando no canto. Não que fosse muito divertido.

Foi então que ouvi uma voz meio esganiçada.

— Posso ensinar você a nadar.

Fui até a lateral da piscina e fiquei de pé, os olhos quase fechados por causa do sol. Ele estava sentado na beirada. Encarei-o com desconfiança. Um cara que se oferece para ensinar alguém a nadar com certeza não tem nada melhor para fazer da vida. Dois caras sem nada para fazer da vida? Quão divertido poderia ser?

Eu tinha uma regra: melhor se entediar sozinho do que acompanhado. E quase sempre seguia essa ideia. Talvez por isso não tivesse amigos.

Ele me encarava. Esperando. Então, repetiu:

— Posso ensinar você a nadar, se quiser.

Por algum motivo, gostei da voz dele. Soava como se estivesse gripado, meio rouco.

— Você fala de um jeito esquisito — comentei.

— É alergia — ele disse.

— Alergia a quê?

— Ao ar — respondeu.

A resposta me fez rir.

— Meu nome é Jackson — ele disse.

Na mesma hora um grupo de garotas — muito mais novas, sorriram acenando para aquele a minha frente que chamaram de Dante. 

Depois de sorrir fraco para elas e voltar seu olhar para mim como se nada tivesse acontecido tombei a cabeça num gesto de confusão.

— Último nome — pareceu desconfortável.

Me fez rir ainda mais.

— Desculpe — eu disse.

— Tudo bem. As pessoas costumam rir do meu nome.

— Não, não — acrescentei. — É que o meu é Aristóteles, o último.

Seus olhos brilharam. Tipo, o cara estava disposto a escutar cada palavra que eu dissesse.

— Im Jaebum Aristóteles — repeti.

Então ambos perdemos o controle. De tanto rir.

— Meu pai é professor de inglês em uma faculdade — ele disse.

— Pelo menos o seu nome tem uma explicação. Meu pai é carteiro. Aristóteles é o primeiro nome do meu avô.

E então pronunciei o nome do meu vô, caprichando no sotaque de Daegu, onde nascerá.

— Aristotiles. E, na verdade, meu primeiro nome era para ser Angel. — Emendei com o sotaque: — Angel.

— Seu nome seria Angel Aristóteles?

— Sim. Esse é o meu nome de verdade.

Rimos de novo. Não conseguíamos parar. Perguntava a mim mesmo do que estávamos rindo. Era só dos nomes? Ou ríamos por estarmos aliviados? Felizes? O riso era outro mistério da vida.

— Eu costumava dizer às pessoas que meu nome era Dan. Sabe só tirando duas letras. Afinal ter o terceiro nome era pedir para que todos te chamasse por ele. Mas parei de fazer isso. Não era verdade. E, no fim das contas, fui descoberto. Me senti um mentiroso idiota. Tive vergonha de mim mesmo por ter tido vergonha de mim mesmo. Não gostei de me sentir assim — explicou, dando de ombros.

— Todo mundo que fisura no terceiro nome me chama de Ari.

— Prazer, Ari.

Gostei do jeito como disse “Prazer, Ari”. As palavras soaram sinceras.

— Tudo bem — eu disse —, me ensine a nadar.

Acho  que  pronunciei  as  palavras  como  se  estivesse  fazendo  um  favor  a ele.  Mas  ele  não percebeu ou não se importou.

Jackson era um professor detalhista. Sabia nadar muito bem, entendia tudo sobre o movimento dos  braços  e  das  pernas  e  a respiração.

Entendia como o corpo funcionava  na  água. Ele amava e respeitava a água. Compreendia suas belezas e perigos. Falava de nadar como um estilo de vida. Ele tinha dezessete anos e ainda sim me chamar de hyung. Quem era aquele cara? Parecia meio frágil, mas não era. Era disciplinado, rígido e inteligente; e não fingia ser burro e comum. Não era nem um nem outro.

Era  engraçado,  focado  e  impetuoso. Quer  dizer,  podia  ser  impetuoso.  E  não tinha  nenhuma maldade. Eu não entendia como alguém podia viver em um mundo mau e não absorver um pouco dessa maldade. Como um cara era capaz de viver sem um pouco de maldade?

Jackson se tornou mais um mistério em um mundo cheio de mistérios.

Durante  todo  aquele  verão,  nadamos, lemos  quadrinhos  e  livros  e  conversamos sobre  eles. Jackson tinha revistas  do  Super-Homem  que  eram  de  seu  pai.  Ele  adorava. Também  gostava  de Archie & Veronica. Eu odiava aquela merda.

— Não é merda nenhuma — ele reclamava.

Já eu gostava de Batman, Homem-Aranha e Hulk.

— Sombrio demais — Jackson disse.

— Falou o cara que gosta de Coração das trevas, do Conrad.

— É diferente — ele rebateu. — Conrad escreveu literatura.

Eu sempre defendia que histórias em quadrinhos também eram literatura. Só que literatura era coisa  séria  para  alguém  como o Wang.

Não  me  lembro  de  ter  ganhado uma discussão  com  ele.  Ele argumentava melhor. E lia melhor. Li o livro do Conrad por causa dele. Quando terminei, disse que tinha odiado.

— Apesar de que é verdade. — comentei. — O mundo é um lugar sombrio. Nisso Conrad tem razão.

— Talvez o seu mundo, hyung. O meu não.

— Pois é — eu disse.

— Pois é — ele disse.

A verdade é que eu tinha mentido para Jackson. Amei o livro. Achei a coisa mais linda que já tinha lido. Quando  meu  pai  viu o que  eu  estava  lendo,  me  contou  que  era um  de  seus  livros prediletos. Tive vontade de perguntar se ele tinha lido antes ou depois do Vietnã. Mas não adiantava fazer perguntas ao meu pai. Ele nunca respondia.

Assumi que Jackson lia porque gostava. Já eu lia porque não tinha nada melhor para fazer. Ele analisava as coisas. Eu apenas lia. Acho que precisava procurar mais palavras no dicionário do que ele. Eu era mais escuro do que ele. E não falo apenas da cor da pele. Ele disse uma vez que eu tinha uma visão trágica da vida.

— É por isso que você gosta do Homem-Aranha.

— É que eu sou muito coreano. O povo coreano é trágico, doramas e todo o resto.

— Pode ser — ele falou.

— Você é o chinês otimista.

— Isso é uma ofensa?

— Talvez — respondi.

Rimos. Sempre ríamos.

Jackson  e  eu  não  éramos  parecidos. Mas  tínhamos  algumas  coisas  em  comum. 

Para  começar, nenhum de nós tinha autorização para assistir TV durante o dia. Nossos pais não gostavam do que a TV fazia com a cabeça dos garotos. Ambos crescemos com discursos mais ou menos assim: “Você é um menino! Saia daí e vá fazer alguma coisa! Tem um mundo inteiro lá fora à sua espera…”.

Jackson e eu fomos os últimos garotos da Coreia a crescer sem TV. Um dia, ele me perguntou:

— Você acha que nossos pais estão certos? Que tem um mundo inteiro lá fora à nossa espera?

— Dúvido — foi minha resposta.

Ele riu.

Então tive uma ideia.

— Vamos pegar um ônibus e ver o que tem lá fora.

Jackson  sorriu.  Nós  dois  adorávamos  andar  de  ônibus.  Às  vezes,  passávamos  a  tarde  inteira fazendo isso.

— Gente rica não anda de ônibus — falei para Jackson.

— É por isso que a gente gosta.

— Talvez — eu disse. — A gente é pobre?

— Não — ele respondeu, abrindo um sorriso. — Mas, se fugíssemos de casa, nós dois seríamos pobres.

Achei a idéia muito instigante.

— Você teria coragem? — questionei. — Teria coragem de fugir de casa?

— Não.

— Por que não?

— Quer ouvir um segredo?

— Claro.

— Sou louco pela minha mãe e pelo meu pai.

Abri um sorriso sincero. Nunca tinha ouvido alguém falar assim dos pais. Quer dizer, ninguém era louco pelos pais. Exceto Jackson.

Então ele cochichou no meu ouvido:

— Acho que aquela mulher dois bancos à frente está tendo um caso.

— Como você sabe? — cochichei de volta.

— Ela tirou a aliança assim que entrou no ônibus.

Concordei com a cabeça e sorri.

Nós inventávamos histórias sobre os outros passageiros. Quem sabe eles não imaginavam histórias para nós.

Nunca fui muito próximo de ninguém. Eu era um solitário. Tinha jogado basquete, beisebol e passado  pelos  lobinhos  e tentado  ser  escoteiro.  Sempre  mantendo distância  dos  outros  garotos. Nunca, jamais me sentira parte daquele universo.

Garotos. Observava-os. Estudava-os.

No fim das contas, sempre achei a maioria dos caras desinteressante. Na verdade, os desprezava.

Talvez me sentisse um pouco superior. Não sei se “superior” era a palavra. Só não sabia como falar com eles, como ser eu mesmo perto deles. Andar com outros caras não me dava a sensação de ser mais inteligente. Andar com outros caras me dava a sensação de ser burro e deslocado. Era como se todos fizessem parte de um clube do qual eu não era sócio.

Quando  cheguei  à  idade  de  entrar  para  os  escoteiros,  disse  a  meu  pai  que  não  queria.  Não aguentava mais.

— Tente por um ano — meu pai falou.

Meu pai sabia que eu era meio briguento. Sempre me passava sermões sobre violência física. Ele queria me manter longe das gangues. Queria evitar que eu fosse como meu irmão e acabasse na cadeia. Assim, por causa do meu irmão, de cuja existência ninguém parecia se lembrar, eu precisava ser  um  bom  escoteiro.  Que  saco. 

Por  que  precisava  ser  um  bom  menino  só por  ter  um  irmão maloqueiro? Eu odiava essa lógica dos meus pais.

Fiz a vontade do meu pai. Tentei por um ano. Odiei tudo, com exceção das aulas de primeiros-socorros. Quer dizer, eu não gostava nem um pouco da ideia de assoprar dentro da boca de alguém. Me dava desespero. Por algum motivo, porém, aquilo tudo me fascinava. Aprender como fazer o coração de alguém voltar a bater. Eu não entendia muito como era possível. Assim que ganhei uma insígnia por saber reanimar alguém, desisti. Voltei para casa e entreguei a insígnia para o meu pai.

— Acho que você está cometendo um erro — foi tudo o que ele disse.

Não vou acabar atrás das grades. Era isso que eu queria dizer. No entanto, apenas falei:

— Se você me obrigar a voltar lá, juro que começo a fumar maconha.

Meu pai me lançou um olhar estranho.

— A vida é sua — disse.

Como se fosse verdade. Outra característica do meu pai: ele nunca dava sermões. Não sermões de verdade. E isso me deixava louco. Ele não era mau. Também não era estourado.

Soltava frases curtas: “A vida é sua”; “Tente”; “Tem certeza de que é isso que você quer?”. Por que não podíamos simplesmente conversar? Como eu o conheceria, se ele não deixava? Eu odiava isso.

Sobrevivi bem. Tinha colegas na escola. Mais ou menos. Não era popular. Como poderia ser?

Para ser conhecido, era preciso fazer as pessoas acreditarem que você era divertido e interessante. E eu simplesmente não era um bom fingidor.

Havia dois garotos com quem eu costumava andar, os irmãos Park — Jimin e Taehyung. Só que eles se mudaram. E duas garotas, Gina Navarro e Susie Byrd, tinham como passatempo infernizar minha vida. Garotas. Também eram um mistério. Tudo era um mistério.

Mas não sofri tanto. Talvez não fosse amado por todos, mas tampouco era um daqueles garotos que todos odiavam. Eu era bom de briga. Por isso as pessoas me deixavam em paz. Eu era praticamente invisível. Acho que gostava de ser assim.

Até que surgiu Jackson.


Notas Finais


O que estão achando?
Até a próxima 😚


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