História Os sentimentos do ceifador - Capítulo 1


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Categorias Naruto
Personagens Ino Yamanaka, Kakashi Hatake, Personagens Originais, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha
Tags Amor, Anjo, Anjo Caído, Brigas, Ceifa, Ceifador, Ceifeiro, Céu, Demônio, Deus, Diabo, Inferno, Kakasaku, Sakukashi, Sakusasu, Sasusaku, Sexo
Exibições 62
Palavras 2.492
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Ecchi, Fantasia, Ficção, Harem, Hentai, Josei, Lemon, Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Canibalismo, Heterossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Eu sou apaixonada por histórias com anjos e demônios <3
Boa leitura.

Capítulo 1 - Pecado


Fanfic / Fanfiction Os sentimentos do ceifador - Capítulo 1 - Pecado

O cheiro de podridão era espalhado pela neblina densa que dividia o solo morto do céu cinzento. Um estrondoso trovão estremeceu a terra e afugentou a neblina que se espalhara pelo ar. O ceifador polia sua gadanha com parte do tecido da túnica negra que trajava, retirando os resquícios de sangue de sua última vítima. O timbre da voz desesperada ainda banhava os seus ouvidos afiados, relembrando-o do rosto empalidecido do jovem que suplicou até o último instante por piedade.

Ser o responsável pelo equilíbrio entre vida e a morte era trabalhoso e extremamente fatídico. Não existiam recompensas ou motivos que o fizessem querer continuar, contudo, o ceifeiro não obtivera a opção de escolher o seu próprio destino, restando a ele decidir apenas em relação aos outros. Essa era uma ironia de extremo mau gosto que o perseguia por anos. Durante sua vida imortal, o ceifador já perdera as costas de quantas vezes separou uma alma do corpo, entretanto, lembrava-se nitidamente da última expressão que cada ser humano condenado fazia antes de desistir de lutar. Ele não se melancolizava por isso, afinal, além da imortalidade e solidão, o ceifador estava condenado a não ter sentimentos ou emoções, agindo sempre impassível e neutro.

Sua missão era clara; não trabalhava para Deus ou Diabo, apenas se encarregava de lhes devolver almas doentes. Um clarão de um raio cortou o céu inóspito, iluminando as írises foscas do ceifeiro. Seu olhar era tão profundo quanto o espaço, e tão negro quanto um buraco de minhoca. Lendas diziam que quem ousasse fita-las por muito tempo, apaixonar-se-ia pela própria morte.

Tudo ao redor do ceifeiro se calou. Uma meada de palavras foi carregada pelo vento. O ser sombrio fechou os olhos e concentrou sua mente para desvendar o significado e sentido da frase. Um ser humano nunca seria capaz de compreendê-las ou ouvi-las; aquele modo de comunicação era destinado exclusivamente para a Morte. Era assim que o destino lhe informava seus próximos passos. Ele era uma marionete oca, presa em cabos invisíveis que controlavam os seus movimentos para satisfazer os desejos do Bem e Mal.

É câncer terminal... dissera a voz, ele não tem mais tanto tempo.

O ceifeiro se pusera de pé para abrir suas asas. Penas cinzas e negras se espalharam com o movimento, dançando pelo ar mórbido até cobrirem o chão como um tapete de plumas. Um corvo sobrevoou o céu acima, preenchendo o ambiente com uma crocita que ecoou por longos segundos até se calar. Com um mergulho depressa, o pequeno animal pousou na lâmina da gadanha, sacolejando o corpo antes de fixar seu olhar no ceifeiro. Os dois conversaram em silêncio, compartilhando a melancolia da solidão que lhes fora destinada.

A mão magra e quase esquelética do ceifador agarrou o capuz da túnica e lhe cobriu a cabeça. Era hora de partir. De novo. Um clarão âmbar estourou em volta do ceifeiro, arrancando um corvejo do corvo que voou para longe. Tão rápido quanto um piscar de olhos, a Morte se desmaterializou, restando apenas fumaça onde estivera segundos atrás.

O transporte pelo espaço de modo instantâneo era o seu meio de locomoção mais eficiente, onde não existiam limites em seu alcance. Em um quarto de hospital, o ceifeiro se materializou, inspirando profundamente enquanto apreciava o calor transpassado pelo oxigênio da Terra. Aquilo aquecia o seu peito inútil que não abrigava pulmões como o corpo humano, relembrando-o de uma sensação semelhante à da vida.

De soslaio, o espectro encarou o cajado da gadanha, notando-o apodrecer vagarosamente. Aquele era o preço de se visitar a Terra; o ar era como ácido que queimava criaturas do plano astral a fim de repeli-las. Isso evitava interferências espirituais divinas, como a de Deus ou Diabo. Um homem fraco descansava sobre uma das macas espalhadas pelo quarto. A sua vida estava presa a alguns cabos ligados em máquinas que controlavam sua respiração e pulsação. O ceifeiro flutuou até ele com a típica monotonia metódica, até colocar-se ao seu lado.

Ele olhou para a própria mão em decomposição, assistindo uma pequena marca, que consistia em três círculos ovais aglutinados de modo a formar o desenho de uma flor negra, surgir em sua pele cinzenta. O ceifeiro depositou a mão no braço do enfermo e, em questão de segundos, a marca fora dividida em duas; metade para a Morte, metade para a sua vítima. O homem gritou de dor. Aquela singela marca queimava tanto quanto fogo, ardendo não só o seu corpo, mas também a sua alma.

A marca da morte.

- Terás quatro dias. – pronunciou o ceifeiro.

O timbre grave fizera o enfermo calar-se de imediato para ouvi-las. Seus olhos formigaram por um instante, o suficiente para possibilitá-lo de enxergar a besta que se escondia em sua túnica larga. Neste instante, todo o tempo parou. O ponteiro dos relógios, o vento, a Terra. Tudo se ausentou em um silêncio perturbador. Quando o ceifeiro marcava sua vítima e a possibilitava vê-lo, o mundo parava, assim como o tempo.

- No quarto dia tomarei vossa alma e a aprisionarei em minha ceifa. Julgar-vos-ei e vos condenarei. Tu estás marcado por minha maldição. Não comerás ou beberás o suficiente para matar vossa fome e sede, não se esconderás onde eu não possa vos encontrar, nãos farás nada capaz de me enganar. Tornar-me-ei dono de tua alma e deixarei que a terra consuma teu corpo vazio.

A expressão daquele que o ouvia resumia-se a medo e pavor. A frase do ceifeiro era a mesma há milênios. Sempre sua misericórdia era de quatro dias. Nesse meio tempo, a vítima marcada sentir-se-ia depressiva. Teria insônia e calafrios, tristeza e ardência na localidade da Marca da Morte.

Estes dias de misericórdia serviriam para que a pessoa tivesse a oportunidade de se arrepender, assim com a possibilidade de concertar o que lhe era mais importante. Despedidas, pedidos de desculpas e explicações costumavam ocorrer àqueles marcados pelo ceifeiro e, assim, partiriam em paz, não restando nada mais que os prendesse na Terra. Por mais que o ceifador fosse o responsável pela morte dos que carregavam a sua marca, ele nunca ousou interferir no plano astral dos vivos, não os matando diretamente. Ele fazia isso de modo indireto, interferindo no destino da vida, induzindo-o à morte. Ao final, apenas restava cravar sua gadanha no corpo e arrancar a alma para levar consigo.

Quando o ceifador se desmaterializou, o mundo se descongelou e um bipe alto ecoou das máquinas que mantinham o senhor vivo. Um alvoroço nasceu no hospital e os passos apressados foram as únicas coisas que o homem marcado ouvira antes de desmaiar.

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As rosas vermelhas decoravam a igreja em vasos de porcelana. As cortinas aveludadas ocultavam os raios do sol poente que perdia proporções por detrás das montanhas. Tudo estava maravilhoso e belo como sempre desejara. Sakura dava os últimos retoques em frente ao espelho, preocupada em não estar perfeita para o noivo que a aguardava no altar. A barriga murmurava alto, não de fome, mas de ansiedade. Todos estavam apenas aguardando-a atravessar as portas para iniciar a cerimônia, mas isso tornava-se impossível por conta do penteado no alto da cabeça que era lentamente desmanchado por alguns teimosos fios róseos que insistiam em se despregar da tiara do véu.

A luta com a sua própria aparência estava travada em uma desvantagem que a apavorava. Quanto mais mexia nos fios escorridos, mais insegura se sentia. Não queria que, no dia mais importante de sua vida, vissem-na desarrumada. Não queria dar motivos para o noivo sentir-se arrependido, sentir-se como se estivesse prestes a cometer um erro ao decidir se casar com uma mulher deselegante e feia.

- Estou um desastre! – queixou-se com aflição, quase desistindo da ideia de se casar.

Ino, sua madrinha de casamento, que aguardava impaciente do outro lado da sala, bufou irritadiça, preocupada com as inúmeras mensagens que chegavam em seu celular à procura da noiva atrasada.

- Não fala besteira, amiga, você é a noiva mais linda que eu já vi em toda a minha vida. – tentou convencê-la disso, mas Sakura não conseguia ouvir nada além do próprio desespero que banhava os seus ouvidos. – Está um arraso, eu garanto. Depois que entrar na igreja, não vai ter um homem sequer que conseguirá desviar a atenção de você. Com exceção do Sai, se aquele canalha fizer isso, eu juro que corto a garganta dele.

- Eu estou morrendo de medo! – falou temerosa, retirando o véu e o lançando ao chão. Ino suspirou antes de catar a tiara branca que custara uma fortuna. – E se ele falar “não”? E se eu tropeçar no vestido? E se o meu salto quebrar? – as perguntas se seguiram por longos minutos. Sakura listou coisas que Ino nunca imaginou que uma noiva cogitaria, desde um palhaço sanguinário que invadiria a igreja, mataria o noivo e sequestraria a noiva à uma invasão alienígena. Coisas absurdas que apenas desesperavam Sakura mais e mais.

- Olha, - falou assim que Sakura fizera uma pausa para retomar o fôlego – eu sei que você está assustada. É normal ficar assim, mas... as pessoas que estão te esperando amam você e vieram aqui só para te ver. Mesmo que você entrasse lá descalça, careca e de camisola, todos ainda a achariam linda, principalmente o Kakashi. Ele não vai casar com você por causa da sua aparência ou dinheiro, vai casar porque você é uma pessoa incrível. E tem mais uma coisa, eu não malhei com você por seis meses para você dar para trás agora! Perdi quatro quilos para entrar na droga deste vestido, estou morta de fome e se você não vir comigo agora até aquele altar agora, eu juro que te esgano.

As duas sorriram para a situação. Sakura sabia que a amiga estava certa e sentia-se feliz por tê-la ao seu lado. Ela então finalmente puxou o ar, estufou o peito e encontrou a coragem que procurava desde que o dia do seu casamento chegara. De mãos dadas, as duas entraram na igreja. Tudo estava lindo, como se tivessem pego uma cena de contos de fadas e a trazido para o mundo real. A pianista da cerimônia tocou a música tema; Moonlight Sonata, como decidira o casal felizardo.

Todos se puseram de pé para vê-la. Os olhos das moças encantadas se encharcavam em lágrimas enquanto os rapazes suspiravam para a beleza daquela noiva. Sakura caminhou com ternura, com o coração pulsando depressa. Kakashi esperava ansioso no altar, tão elegante quanto a primeira vez que se encontraram. Formavam um belo casal e Ino adorava contar para todo mundo que fora ela a apresentar os dois. Todos já sabiam a história de cor, mas adoravam ouvi-la por mais uma vez. E mais outra. E outra. Eram perfeitos um para o outro e ninguém se cansava de repetir isso.

Ao se colocar ao lado dele, Kakashi retirou o véu para compartilhar do mesmo sorriso singelo que iluminava a face dela. A padre anuiu e todos se sentaram.

- Você está linda. – cochichou o jovem apaixonado, tomando cautela para não interromper o padre que já discursava. Sakura riu com timidez, tentada a esconder o rosto de volta no véu. Entretanto, algo fizera seu sorriso desaparecer de imediato.

A jovem olhou depressa para os lados, vasculhando tudo ao seu redor.

- Onde está papai? – perguntou apreensiva. Kakashi ergueu o olhar e fitou a todos dentro da igreja, surpreso ao não o encontrar.

- Eu o vi aqui minutos atrás, ele disse que precisava de um pouco de ar e saiu. Pensei que já tivesse voltado.

- Será que podem fazer silêncio? – repreendeu o padre.

- Não, por favor, espere. Não podemos iniciar a cerimônia ainda. – respondeu-lhe Sakura, já sentindo a respiração se entrecortar. – Não sem o meu pai aqui.

Os murmúrios dos convidados preencheram a igreja. As conversas paralelas eram como intermináveis telefones sem fios, notícias iam de um jeito e voltavam de outras. Especulações sem fim que chegaram até a premeditar a morte do pai da noiva. Ino agarrou o telefone e discou para alguns números e, depois de poucas tentativas, ela finalmente se manifestou:

- Sakura! – chamou alto, o que roubou toda a atenção dos convidados. – Precisamos ir agora para o hospital.

O coração da noiva se descompassou e por muito pouco não chegou a parar. A imagem do dia perfeito ia se desmanchando lentamente em sua mente enquanto ela corria desesperada para o carro do noivo. Kakashi levou-a até o Hospital Konoh, no centro da cidade. Quando entrou desesperada pedindo informação, as pessoas ficavam confusas com o vestido de noiva que parecia um grande bolo branco. Demorou bastante até que a descrição do quarto lhe fosse passada.

- Kizashi!

O pai debilitado na maca fora o suficiente para fazê-la desabar de joelhos. O choro que se seguiu foi tão fugaz que nem mesmo suas mãos trêmulas foram capazes de impedi-lo manchar seu rosto com a maquiagem que escorreu. Kakashi tentou reconforta-la, mas, em sua posição, não sabia o que fazer. As máquinas que bipavam mantinham uma constante sequência que simbolizava as pulsações do senhor desacordado.

- Peço desculpas, - falou um médico assim que adentrou o quarto – ele entrou na emergência alegando dores na cabeça e se recusou a nos informar o nome e o telefone de qualquer parente ou conhecido. Só nos disse o nome e idade.

- O que ele tem? – perguntou fanhosa, fungando e soluçando para a cena que ficaria marcada em sua mente.

- Fizemos alguns exames. A ressonância magnética nos alertou de um tumor no cérebro. – a notícia dada daquela forma fora tão dolorosa quanto uma esfaqueada no peito. Sem ar, Sakura perpetuou-se em uma tremedeira e agonia que quase fizeram-na desmaiar.

- Não pode ser! – falou Kakashi em negação. – Meu sogro é um homem saudável, nunca se queixou de dor alguma!

- Sinto muito. – prosseguiu o médico.

O homem de jaleco retirou-se da sala para deixá-los mais à vontade. O câncer já estava em estado terminal, o que restava para eles apenas a opção de orar e implorar por um milagre. Sakura correu até o pai e debruçou-se sobre ele em um abraço apertado que acelerou os bipes da máquina cardiovascular. Ela não estava pronta para perde-lo. Foi então que parte da mão de Sakura esbarrou na marca invisível da morte. Um brilho intenso foi expelido pela parte demarcada, seguido de uma dor ofuscante que fizera Kizashi gritar como um louco, assustando tanto a filha, como o genro. Sakura tentou inutilmente acalmá-lo enquanto ele esfregava a marca que era o único capaz de a ver. O tempo dele estava acabando.

Enquanto isso, no Lugar mais sombrio do plano astral, o meio entre a vida e a morte, o ceifador assistia o sofrimento de Kizashi pela lâmina da gadanha. Não sentia nada pela cena, nem comoção, nem pena; ele era apenas mais uma vítima do destino controlado por aquele espectro sombrio. Contudo, algo surpreendera a visão daquela criatura melancólica. Uma mulher tão linda quanto uma rosa e tão encantadora quanto a vida.


Notas Finais


Acham que devo prosseguir? :3


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