História Os Tigres de Arkan - Capítulo 10


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Drama, Máfia, Romance, Tigres De Arkan
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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Famí­lia, Policial, Romance e Novela, Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Insinuação de sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 10 - Um Tira a menos


Fanfic / Fanfiction Os Tigres de Arkan - Capítulo 10 - Um Tira a menos

  Havia uma pequena garoa de forma que o céu estava quase completamente escurecido mesmo sendo de manhã cedo. O homem tossiu profundamente após dar uma extensa tragada em seu cigarro. O ambiente era frio e seco, embora houvesse mofo nas paredes levemente umedecidas. A iluminação? Vinha de uma lâmpada no teto; fraca, ameaçando queimar constantemente. Eles estavam em uma espécie de quartinho que havia no estacionamento, nos fundos da loja do Sr. Tobby. Era comum que Noah e Paul fumassem juntos do lado de fora do quartinho, onde deveria se armazenar os carros. Podia até ser que esporadicamente outro ser passasse por lá, todavia era praticamente utopia imaginar que alguém, com exceção de Arkan e James, entrasse naquele quarto. Não que fosse proibido, só era desnecessário e desagradável estar ali. O cheiro conseguia ser mais forte do que no porão da loja, na toca propriamente dita e o clima causava tosses e escarros; especialmente aos fumantes.

—Devia parar de fumar. —Mencionou Jay com uma informalidade pouco cordial aos outros Tigres— Se não forem os tiras, isso ainda vai te matar.

—Fico feliz em saber que meus destinos são coloridos e deslumbrantes a seu ver, mas recuso seus conselhos. —Ironizou pausando para tragar novamente, com mais intensidade— Vamos direto ao ponto, que tal?

 Um trovão cruzou o céu como prova de que uma tempestade começaria a seguir. Aquilo fez nascer um sorriso pouco visível e raramente dado por Arkan.

—Vamos lá. —Respondeu tentando demonstrar animação, sem êxito.

—Você conseguiu alguma informação? Algum resultado sobre o William nesse tempo que passou com ele?

—Não. —Foi frio ao ter dito, embora certo receio tenha percorrido sua espinha— Estou somente há um dia com ele. Ou menos. Só sei que ele estava fazendo alguma coisa quando lhe chamei, por isso se atrasou na entrega. É tudo que sei.

—Droga! —Gritou um pouco esbaforido e batendo sua palma da mão em uma mesa que havia ali perto, soltando o cigarro com a outra.

 Gavetas, armários enferrujados, mesas cheias parcialmente ruídas pelos cupins, uma lampada quase queimada, uma janela fechada com a tranca emperrada, bitucas de cigarros velhos e dois homens. Era basicamente o quê se havia lá dentro.

—E por que você me chamou aqui, idiota? —Não, Arkan não estava tão bravo assim. Nem tudo era o quê se parecia com ele e disso Ack sabia.

—É para perguntar se tem mais algo que eu preciso saber. —Era tão informal que chegava a ser vulgar. Estava na presença de Arkan, além do mais— Para facilitar as coisas, sacou?

 Houve um grande suspiro. James tinha razão. Ele era como um espião para o líder. Um homem de plena confiança, disposto a matar e morrer pela facção, seria perfeito para lidera-la se não gostasse de viajar constantemente pelo mundo. E como todo bendito espião, precisava de pontos iniciais, fossem nomes ou lugares.

—Sadie. —Comentou— Parece-me que J conhece alguém com esse nome.

—O que tem a ver? —Franziu as sobrancelhas, impaciente.

—Paul é praticamente irmão de Liam. Se ele tem algum segredo, é dos dois. —Riu para si próprio— Use isso a seu favor. Pilot é mais duro que uma pedra, não vai arrancar nada dele. Enquanto Paul, é praticamente um imbecil de coração mole.

—Nossa... Pensei que você tivesse mais afinidade com J. —Riu-se abafado.

—Eu não tenho afinidade com ninguém. —Cortou saindo de perto da mesa— Talvez de você. Duvido. —James engoliu em seco, sorrindo. Arkan, Arkan. Sempre querendo dar uma de insensível, talvez fosse realmente.

—Espero que entre nós haja pelo menos confiança.

—Confiança. —Repetiu em um sussurro próximo ao ouvido do outro enquanto ia até a porta. Parou na frente da mesma e aumentou o tom — Confiança há com todos, não?

—Acho que se houvesse eu não estaria aqui, para espiona-los.

 Não houve resposta. A chuva do lado de fora já começava a engrossar e de certa forma isso incomodava ambos. Era Londres, chuva era muito comum. Era até estranho não ter chovido muito nos últimos dias, talvez fosse o aquecimento global. Arkan pigarreou. De qualquer forma, não havia tanta confiança assim, caso o contrário, qual a utilidade de colocar um espião dentre seus próprios membros? Claro que ninguém nunca desconfiaria de Jay. Ele era um jovem que sofreu preconceito dos próprios pais e foi expulso de casa. Sua única família eram os Tigres, embora fosse meio duvidoso para uma porcentagem dos membros, ninguém pensaria que o nômade era informante do próprio Arkan. Informante sim, mas de Arkan? Depois balançou a cabeça abrindo a porta e sussurrando:

—Confie, mas tenha sempre um pé atrás, James. —O outro apenas abaixou a cabeça passando para o lado de fora— Conselho de amigo. —Completou, vendo pela visão periférica um sorriso surgir nos lábios do outro.

X-X-X

 Sadie me fitava com um olhar triste, todavia era perceptível que não era somente preocupação comigo. Parecia-me que ela tinha aceitado bem a mentira de Pauly sobre minha situação ou talvez sequer tivesse pensado sobre isso. Seus olhos estavam apertados, sua mãe gelada, seus lábios inclinados para baixo suavemente.

 Fazia cerca de meia hora que ela segurava minha mão imóvel, enquanto eu tentava escolher as palavras corretas para usar. Suspirei. Embora eu estivesse me esforçando, não havia jeito de dizer que aquilo era uma conversa. Foi quando avistei uma lágrima vagarosa escorrer suave, porém maleavelmente de um dos olhos lindos de Sadie. Ela rapidamente tratou de limpa-la, era tarde, eu já havia visto.

—O que aconteceu? —Indaguei diretamente, sem vontade de enrolar — Por que você está chorando? Eu recebo alta ainda nesta noite.

—Desculpe. —Se levantou trêmula, coçando os olhos para impedir mais gotas e com a intenção de virar-se, e virou-se. Eu bem que tentei pegar sua mão, impendido a ação, todavia não fui ágil o suficiente.

—O que está fazendo?

—Acho melhor que eu saia daqui. —Respondeu titubeante, pensando se deveria mesmo sair. Aproximou-se da porta sem que eu dissesse nada, porém parou, respirou fundo e prosseguiu gaguejando. — E-eu... Eu tenho que ir...

—Espera Sad! —Pigarreei, vendo-a imóvel virada para a porta— Para onde você vai? Volta aqui! O que houve?

 Ela vacilou um bocado, no entanto virou-se para mim. Seu rosto estava encharcado, coberto de lágrimas salgadas, enquanto suas bochechas avermelhavam da mesma forma que seu nariz e olhos. Os soluços vieram tão rápidos quanto aquela “garoa” em seu rosto se transformou em uma “tempestade”. Não demorou muito para se ajoelhar na cama e começar a gemer desesperadamente. Eu não entendi nada da situação, contudo sabia que não deveria ficar olhando para o vento com expressão de taxo. Tratei de acariciar seus cabelos levemente na doce intenção de reconforta-la. Pude perceber como seus fios formavam ondulações negras perfeitas, semelhantes a uma maré de opacidade. Nunca tinha reparado naquilo com tanta profundidade, e de alguma forma, aquilo me afetou. Senti um desconforto no peito, uma coisa doída e amarga, misturada de uma preocupação surreal. Respirei fundo, enquanto pedia tentando fazer minha voz soar calma:

—M-me diz... —Balbuciei não conseguindo demonstrar tranquilidade— Me diz o que aconteceu.

—D-des... Des...

 Sadie parou para me fitar. As lágrimas caindo como um vendaval, a face completamente rubra, os lábios tremendo juntamente de seus olhos. Era uma característica da minha princesinha quando ficava triste a ponto de tanto chorar, sua boca e suas pálpebras tremiam. Não que eu já tenha dado motivos para que isso acontecesse, todavia nesses anos todos, eu já havia tido tempo de perceber certas coisas. Porém, respirou fundo e pigarreou decidida. Decidida, como sempre foi e como tinha que ser.

—Meu sobrinho, William. —Hesitou ao contar— O And... Andrew... O Andrew morreu.

—Como assim o Andrew morreu?! —Indaguei com diligência, mesmo sem nunca ter visto, conversado ou conhecido esse tal de Andrew. Ao menos, era o que eu pensava.

Infelizmente, a preocupação e a tristeza expressada na minha voz serviram para uma outra coisa fora demonstrar zelo e carinho. Serviram também para fazê-la voltar a chorar. Na verdade eu não esperava nenhuma outra reação, ninguém deveria esperar. No entanto, eu percebi que havia outra coisa que incomodava o coração da senhorita Brown mesmo antes da doce e melancólica fala dela se fazer ser ouvida.

—O Andy foi baleado, — continuou, enquanto fungava e soluçava sem trégua— e meu tio, aquele que tem uma joalheria... Ele teve uma parada cardíaca.

 Foi o estopim para uma rebelião. O primeiro trovão da verdadeira tempestade. O assassinato de Francisco Ferdinando antes da Primeira Guerra Mundial. Tudo que veio depois se resume em rios de lágrimas.

X-X-X

—Pauly Oximen. —A voz de James estava mais sombria que o normal. Talvez o fato de chover muito logo de manhã interferisse em algo.

 Paul olhou ao seu redor, jurando ter ouvido alguém lhe chamar e logo viu que estava certo; era Ack. Achou estranho, pois sequer estava na toca de tão cedo e não era comum que aquele “turista” soubesse seu nome inteiro. Engoliu em seco e respondeu, com os olhos vidrados nele:

—James?

 Sua voz era firme, embora demonstrasse desconforto e surpresa. O homem em questão se alto convidou para sentar na mesma mesa que J. Ambos estavam em um pub, mais especificamente no Fresh Food. Na caneca de Pauly havia um liquido ainda não reconhecido pelo recém-chegado que não se deu o trabalho de tentar observar discreta ou indiscretamente.

—Sou eu. —Sorriu de forma complacente. —É um imenso prazer te rever.

—Me rever? —Franziu a testa, logo se lembrou de que realmente, já haviam se visto algumas vezes, todavia nunca conversado deveras. Aquilo lhe causava mais que estranheza ou desagrado, lhe causava displicência. No entanto, tentou permanecer formal. —E há que devo sua presença?

—Pode parecer estranho, mas... Eu preciso de sua ajuda. —Oximen arregalou o olhar— Sim, não gosto de tergiversar, por isso vou direto ao ponto. Cheguei agora em Londres e preciso de uma casa onde morar ou de dinheiro, e antes que me diga para falar com Arkan fique sabendo que foi ele quem me mandou pedir ajuda para algum Tigre. Noah não quis me ajudar, então William também não vai querer. Pensei em você.

—E-eu? —Hesitou um tanto, porém obteve a confirmação no balançar da cabeça do interlocutor— Pois... Não tem outra pessoa?

—Se você não quiser não há problema...

 O homem já estava se levantando quando J pigarreou e chamou sua atenção. Mordeu o lábio inferior desconfiado. Se ele fosse realmente um informante da policia, tê-lo em sua casa seria um grande perigo. Entretanto, pensando agora, sem K para fazer sua cabeça, aprecia absurdo que Arkan confiasse tanto em um tira sem percebê-lo. Suspirou, de qualquer maneira, se o líder havia lhe dito para pedir ajuda para algum Tigre, era bom que algum Tigre o ajudasse.

—Pode ficar na minha casa, James. Mas, até quando? Sabe me dizer pelo menos?

—Só até eu encontrar uma missão fora da Inglaterra. —Riu para si próprio— Sabe, eu detesto esse lugar. Prefiro a minha Rússia. Terra boa, de gente bonita. Independente disso, —esticou a mão para cumprimentar o outro— vai ser um prazer estar com você. E pode me chamar de Jay se preferir.

—Muito prazer, Jay. —Soltou um meio sorriso— Pode me chamar de Paul.



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