História Os Tigres de Arkan - Capítulo 7


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Drama, Máfia, Romance, Tigres De Arkan
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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Famí­lia, Policial, Romance e Novela, Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Insinuação de sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 7 - Um pequeno deslize, um grande problema


Fanfic / Fanfiction Os Tigres de Arkan - Capítulo 7 - Um pequeno deslize, um grande problema

Ardila havia arrancado um gracioso e apaixonado beijo de Sadie antes dos dois terem se despedido — talvez o beijo houvesse sido a despedida. O homem com o pretexto de que precisava continuar a distribuir seus currículos e a mulher dizendo que deveria arrumar sua casa hoje.  De uma forma ou de outra, os dois estavam mentindo. Sadie apenas percebera que William queria sair para continuar suas “tarefas misteriosas”, então inventara qualquer coisa sabendo que ele se aproveitaria. Tsc, tsc, grande erro. E bem que William teve a impressão ignorada (devidamente?) de estar sendo seguido. Ele nem imaginou a cara de surpresa que sua namorada pode (ou não) ter feito ao vê-lo adentrando um prédio na área nobre de Londres com tamanha tranquilidade e naturalidade.

 O Ardila não tinha tempo para verificar se sua impressão era verídica, tampouco achou que tinha motivos para o mesmo. Entrou em seu quarto, buscou o notebook que estava exatamente da mesma forma de antes e ficou o fitando. O quê será que havia de tão importante? Para ter levado aquela bronca de Arkan e para ele quase ter levado um tiro como foi dito por Pauly vagamente durante a ligação da noite anterior, algo essencial. E a curiosidade foi tomando conta aos poucos de Pilot. Mas se ele conhecia bem aquela facção, com certeza teria uma senha dificílima no notebook e se você errasse, um sistema que tiraria uma foto do seu rosto pela câmera frontal e mandaria diretamente para os E-Mails de algumas pessoas, como por exemplo, Arkan. Então era melhor nem mexer naquilo. Sem contar o papo de “mecanismo de autodestruição” da qual ouvira uma vez, debochara e depois se perguntará se realmente era brincadeira.

 Recolheu a malinha onde ficava o tal laptop e, se dirigiu até a cozinha e comeu rapidamente em uns dez minutos alguma besteira qualquer e saiu apressado em direção à toca. Foi mais ou menos quando recebeu uma ligação de James.

 James David Arcker Knowther era um dos vários membros dos Tigres de Arkan — e quando dizem “vários membros”, realmente são vários membros. Não somente os que frequentavam a toca central, no porão da loja de Tobby, mas todos os outros membros que frequentavam (ou não) as “sub cedes” ou “sub tocas”, em vários outros lugares por todo o Reino Unido, estas que simplesmente não funcionavam sem as duas ou três dezenas de pessoas que, juntamente de Arkan, se reuniam na loja de Tobby para discutir e organizar esquemas quase que todo dia—, mas não era apenas um deles. Havia muitos boatos de que James era próximo de Arkan ao mesmo passo que havia boatos maldosos dizendo que ele era um informante da policia ou algo do tipo. James — que tinha o codinome Ack— não frequentava a toca central com frequência, passava por lá às vezes e era unicamente incomum o fato de absolutamente ninguém se por contra isso. Quando lhe convinha ia a outros esconderijos. E, na maioria das ocasiões, não ia nem para um nem para outro. Acontece que chegaram a constatar (imagine só!) que ele havia arranjado um emprego. Um emprego de verdade! E por ser quase como uma espécie de associado (se fossem uma máfia italiana) não tinha dificuldades para cuidar de sua família. Assim como também não tinha família. Na realidade, James já namorara três rapazes diferentes, um por quase dois anos inclusive, todavia nenhum dos relacionamentos havia dado certo e embora ele nunca falasse sobre isso com os outros Tigres, boatos rolavam. Entre esses boatos, alguns até afirmavam que a homossexualidade de James justificava a “proximidade” dele com Arkan. E o fato de Arkan nunca ter assumido um relacionamento sério apimentava ainda mais a mente dos membros da facção, embora todos soubessem que o líder fazia uso de prostitutas.

 Ack tinha os cabelos arruivados, verdadeiramente arruivados, pela descendência russa. O tom chegava a se assemelhar com laranja e seus fios caíam como uma luva ao redor de sua cabeça, arrumados quase que naturalmente em um corte de surfista, enquanto seus olhos eram de um castanho claríssimo, praticamente amarelo. Contava algumas sarnas na extensão de suas bochechas. Não era muito alto, embora fosse magro. Sua voz era rígida, grossa. Tinha faculdade (embora ninguém soubesse exatamente do quê) e falava fluentemente quatro idiomas e um outro com certa dificuldade. Realmente belo, deveras inteligente, porém intimidador quando queria.

 E o quê William tinha a ver com esse cara? Absolutamente nada. Não ligava se ele e Arkan mantinham um relacionamento por debaixo dos panos — embora fosse achar muito revelador da parte do líder— ou se Ack tinha mais liberdade dentro da facção que todos os outros. A única coisa que o intrigava era o motivo de, em hipótese alguma, Arkan confronta-lo. Decerto tinha algum motivo. E com certeza, não era nada amoroso.

—Jay? —Indagou em um tom tanto confuso quanto falsamente amigável— Digo, Ack?

—Olá Pilot! —Do outro lado da linha a voz também masculina se encontrava incomumente animada— Pode me fornecer uma ajudinha?

—Ah... —Liam olhou para os lados enquanto atravessava a rua, teve a sublime impressão de ver um vulto familiar, manteve o celular equilibrado entre a cabeça e o ombro enquanto arrumava os fios de cabelo que caíram sobre seus olhos no mesmo instante e logo tornou a se concentrar tanto na ligação quanto em segurar devidamente o aparelho móvel (e o notebook) — Depende, do quê você precisa?

—Eu estou meio perdido. Voltei da França recentemente e... É... Onde fica mesmo a toca?

 Ardila revirou os olhos enquanto se perguntava duas coisas. A primeira, o quê o homem do outro lado da linha estava fazendo na maldita França? E a segunda, como ele conseguira seu número de telefone? Na verdade, essa do número de telefone nem era tão absurda, todo mundo tinha o número de telefone dos outros de sua determinada toca e, como Ack era de todas as tocas, devia ter a facção inteira em seus contatos. Não obstante, por que ligar justamente para si? Ele bufou de raiva, esquecendo que o outro poderia ouvir (ou ignorando) e voltou a falar:

—Claro. —Seu tom era de desanimo puro— Eu estou indo para lá agora mesmo. Não tem a loja do Tobby? Então, é no porão.

—Ah, a loja do Tobby... Onde fica mesmo? E quê desgraça de nome é esse? “Tobby”? Parece cachorro.

 Aquilo sim o fez revirar os olhos. Até porque Tobby não era um nome tão ruim. E Wiby era nome de cachorro, não Tobby.  De qualquer forma, William precisava deixar o notebook o mais rápido possível na toca e embora já estivesse atrasado, talvez pudesse usar James como pretexto, assim ninguém teria que ouvir sermão, já que James era V.I.P. Isso amenizou a raiva que ganhara ao ter que falar com esse tal de James. Quem era ele, afinal? Um rapaz da facção que não fazia absolutamente nada e tinha mais reconhecimento que todos os outros juntos? Um cara chato que podia fazer o que bem entendesse e tratava isso como se fosse normal, tal como todo mundo? “É, talvez Arkan esteja deitando com ele realmente.”, pensou consigo.

—Onde você está, mano? —Perguntou fingindo preocupação, porém com a intenção de se aproveitar dele.

—Estou em... Um tal de pub chamado Savor Sweet (Cheiro Suave). Eu vim de táxi até aqui. Era o único lugar que me lembrava. Sabe, quando você fica muito tempo em outro país, acaba esquecendo as raízes. Por isso eu voltei, dessa vez é para ficar. Para ficar até dar vontade de ir embora. —Gargalhou sozinho.

—Fica aí que eu estou indo.

 Obviamente, William disse isso enquanto mentalizava “Savor Sweet? Mas que desgraça é isso?”. Tanto fazia. O importante era ter uma boa desculpa para quando chegasse à toca.

X-X-X

 A noite haveria um grande tiroteio e por isso os Tigres estavam rodando aquela fábrica abandonada. Rodando o matagal. Cerca de vinte homens ao lado de Arkan, o quê pode parecer pouco, mas não é quando se trata dos melhores T. A. Os demais — que eram, juntamente de Tobby, cinco pessoas— iria permanecer na toca.

 Com exceção de Arkan e Pauly, todos os outros que participariam do tiroteio e sabiam que participariam (tal não era o caso de William) estavam se ajeitando por àquelas redondezas. Cerca de três homens ficariam dentro da fábrica, como Atiradores de Escol (Snipers). Um outro que também ficaria estaria lá como guarda costas dos três atiradores para evitar surpresas desagradáveis. Se a situação ficasse tensa os quatro deveriam descer da laje que havia e sair pelas portas dos fundos, dando entrada diretamente no mato e de lá seria fácil despistar quem quer que fosse e voltar para a toca. Dez homens ficariam espalhados pela quase floresta, seriam sem dúvidas os mais protegidos tendo em vista o dia inteiro que tiveram para conhecer as trilhas mais fáceis e seguras do lugar (ou as mais difíceis, que seriam as verdadeiras mais seguras justamente por serem difíceis). Enquanto aos seis restantes fariam a tarefa mais arriscada. Trocariam os tiros quase que abertamente, escondidos atrás dos carros em que vieram. Pauly podia ser um pouco medroso quando se tratava de conversar com Noah ou com Liam, porém costumava demonstrar grande coragem em missões. Especialmente as suicidas, tal podia ser o caso.

 Talvez Arkan não batesse muito bem das ideias. Ao menos era o que pensava os outros. Todavia, ele havia planejado tudo. E não havia feito isso somente para se vingar do susto que levara no pub há algum tempo. Mas também porque, aquilo que acontecera só significava que não havia mais aliança ou qualquer respeito entre os tiras corruptos e os Tigres de Arkan. Era bem claro que aquela proposta anterior fora uma emboscada. Então surpreenda para não ser surpreendido. Era simples. E se os policiais corruptos chamassem os tiras de verdade como reforço? Bom, então a estratégia era outra. Para falar a verdade, havia duas hipóteses.

 A hipótese A era bem simples. Eles se escondiam com no máximo um pente a mais de munição reserva, um colete, um fuzil, submetralhadora ou rifle e uma pistola ou revólver, e obviamente, uma arma branca sendo esta de preferência uma faca. Os outros chegariam, achando que alguém cairia numa emboscada como a deles. E assim que os mesmo chegassem, os Tigres dentro da fábrica abandonada (grupo Celta) avisariam que o grupo de Pauly (Alfa) podia entrar em ação. Eles fingiriam ter chegado agora (estariam, anteriormente, dentro da mata, em uma parte plana entre algumas árvores com o carro, ao lado de um enorme barranco) e estacionariam estrategicamente para se proteger durante o eventual tiroteio. Assim que saíssem do carro, iriam para trás do mesmo, seria quando o grupo na mata (Beta) poderia começar com o tiroteio. Os policias ficariam desorientados, pois os tiros vinham do matagal e seria fácil tanto para os atiradores de escol como para os Alfas. Matariam todos os outros e saíram como se nada tivesse acontecido, com direito de pegar coisas como celular, munição, armas, carro, etc.

 A hipótese B era o plano de fuga caso os corruptos chamassem reforços de verdade e se passassem por bons policiais. Eles matariam o máximo de tiras traidores até os reforços dos mesmos chegarem e depois cada um sairia por um jeito diferente. Os Celtas deveriam sair sem nem olhar para trás, enquanto os Betas teriam que dar cobertura até os Alfas alcançarem a mata, depois cada um correria o máximo pelos matos até estarem seguros e poderiam voltar à toca. Para quem tivesse rodado por pelo menos quinze minutos pela floresta era quase impossível se perder, pois perceberia que as trilhas davam quase sempre no mesmo lugar.

 Enfim, nada poderia dar errado. Ou quase nada. Pelo menos era como pensava Arkan. Mas, por via das dúvidas, todos deveriam usar máscaras.

Y-Y-Y

 Após quase uma hora rondando pelos pubs perto de um aeroporto — que eu julguei ser o quê ele havia desembarcado— James me ligou avisando que o nome do pub não era Savor Sweet, e sim, Sweet Flavor (Sabor Doce), o quê faz toda a diferença. Eu sabia onde ficava o Sweet Flavor, mas provavelmente nunca acharia a outra opção, já que talvez ela nem exista de verdade.

 Enfim, com mais quinze minutos eu cheguei à rua do pub e o fitei. O letreiro era grande o suficiente — e claro o suficiente— para que até um disléxico como eu, pudesse enxergar e ler com perfeição. Eu bufei sem vontade alguma de entrar naquele estabelecimento —havia conhecidas minhas que eu preferia esquecer— e buzinei o carro algumas vezes, fazendo questão de levantar o vidro antes e durante toda essa ação, não consegui parar de me perguntar se havia sido de proposito o pequeno “engano” com relação ao nome do pub. De qualquer forma, não demorou para que Jay viesse até mim. Fazia tempo que eu não o via, parecia mais jovem, mais bonito e mais forte. Todavia, mais bobalhão também. Talvez eu estivesse enganado. Destravei a porta ao meu lado e ele entrou. E assim, sem trocar uma palavra, partimos. Após o primeiro semáforo ele abriu a boca.

—Valeu pela carona, mano. —Disse fitando o volante do carro.

 Eu não respondi nada, só meneei a cabeça positivamente enquanto suspirava. Foi quando me lembrei de que tinha que usá-lo.

—Está vendo essa coisa no banco de trás? —Indaguei sem receio algum, tal como sem interesse.

—Estou sim. —Confirmou após olha-la— Quê que tem?

—Então, eu tinha que entregar para o Arkan hoje de manhã. Mas, você me fez ficar rodando igual um imbecil atrás de um lugar inexistente e agora eu vou ter que ouvir um monte de bodega dele.

—Ah, relaxa. —Ajeitou-se no assento do passageiro, sem saber que eu já estava relaxado— Arkan é um cara legal. Ele não vai brigar com você por ter se atrasado. —Eu revirei os olhos indignadamente.

—Em que mundo você vive? — Perguntei demonstrando minha repulsa por essa conformidade toda que só James David Arcker Knowther tem.

—Planeta Terra eu acho. —Ironizou com certa graça— Enquanto a você, deve viver em Vênus.

—Bem que eu gostaria.

 Suspirei sem mais refletir sobre isso. E deixei que o silêncio tomasse conta do ambiente de forma até natural. Porém, não demorou para que Jay quebrasse o silêncio com um papo estranho.

—Sabia que Vênus é a Deusa romana do amor? —Indagou olhando para a janela— É como Afrodite para os gregos. Também é a Deusa da beleza feminina, representa a fertilidade e é mãe do Deus Cupido. —Eu o olhei pelo canto do olho com uma expressão de estranheza e dei de ombros. O quê isso tinha a ver com tudo?

—Não fazia nem ideia... —Respondi ainda com aquela expressão de esquisitice— E não sei como isso pode influenciar na minha vida.

—Você não acha que pode haver um motivo para se identificar com Vênus?

 Eu franzi ainda mais a face. Quê? Identificar-me com Vênus? Esse cara já estava viajando. Isso me faz rir sarcasticamente.

—Fica quieto. —Pedi entre risadas irônicas e ele apenas deu de ombros— Okay?



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