História Os Tigres de Arkan - Capítulo 9


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Drama, Máfia, Romance, Tigres De Arkan
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Palavras 1.710
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Famí­lia, Policial, Romance e Novela, Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Insinuação de sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 9 - Um Tigre a menos


Fanfic / Fanfiction Os Tigres de Arkan - Capítulo 9 - Um Tigre a menos

 Minhas pálpebras doíam enquanto minha cabeça latejava irritantemente. Era como uma agulha fazendo furinhos constantes. Com relação à fome e à sede, isso era o quê menos causava incomodo (embora causasse bastante do mesmo). Meu pé continuava dolorido, os dedos já haviam parado de dar “pequenas formigadas”, embora eu ainda sentisse como se houvesse alguma coisa invadindo a minha carne, como se algo estivesse fincado entre o osso navicular e a tuberosidade do osso navicular. Era mil vezes pior do que quando um resto de comida fica preso entre dois dentes e teima em não sair. Era a pior sensação física que eu já tinha sentido. De qualquer forma, meus olhos começaram a arder por causa da luz do Sol que me acordara. Eu tinha prometido que não dormiria, mas afinal dormi. E pareceu-me que isso não despertou vontades homicidas em Noah, que bom.

 O mesmo estava coçando os olhos no exato momento em que despertei, e curiosamente, estava de frente para mim. Na noite anterior, estávamos um ao lado do outro e de frente havia Pauly. Pauly? Este nem estava mais dentro da gruta. E isso me despertou certa curiosidade. Onde ele estava? E aquele guarda que eu havia visto anteriormente tinha sido sonho ou havia adormecido após aquilo? Permaneci quieto, alternando entre fitar Noah e meu ferimento com expressão facial de interrogação.

—Ele foi ver se está seguro. —Respondeu uma eventual pergunta que ainda não havia sido lançada ao ar. Como eu apenas confirmei com a cabeça o silêncio ia se instalar novamente, todavia antes que fosse possível, prosseguiu interrompendo-o— Faz alguns minutos.

 Não era como se Noah quisesse me comunicar disso. Ele apenas queria falar alguma coisa. Não por querer falar comigo, para passar a imagem de líder. Ele sempre gostou disso, sempre quis. Quando erámos menores, digo entre oito, nove, dez anos, sempre que nosso pai nos batia, ainda que soubéssemos que não tínhamos culpa, que Tommas estava errado, era só tocar no assunto e ele disparava a defendê-lo. Achava que isso ia fazê-lo mais responsável, mais líder. E talvez estivesse com a razão.

—Como está o seu pé? —Indagou, novamente sem interesse real nenhum na resposta, como eu sabia disso não quis responder, então dei de ombros enquanto sussurrava qualquer coisa e ouvia a risadinha forçada logo em seguida (a risada só podia ser forçada, a situação simplesmente impedia que alguém achasse algo engraçado de verdade).

—Melhor do que o meu estômago.

 E foi nessa situação — com Noah ainda disfarçando a risada— que Paul adentrou a gruta e nos viu. Pelo sorriso que surgiu, certamente ele pensou que estávamos em um “momento de irmãos”. Às vezes ele se esquecia de que nós simplesmente não tínhamos esses momentos, porque não nos considerávamos irmãos.

—Er... —Começou sem jeito por pensar estar interrompendo algo— Está livre, podemos sair.

X-X-X

 William devia se preocupar, principalmente, por estar em uma cama de hospital com o pé baleado. Os médicos tinham parabenizando quem quer que fosse a pessoa que o levara até o local (no caso, Pauly) por ter feito um bom trabalho com o ferimento — estancando o mesmo, pressionado para impedir o fluxo constante do sangue para fora do corpo com a intenção de impedir uma hemorragia, feito um curativo às pressas, porém um curativo prestativo—, a única coisa que Paul não conseguiria explicar era por que demorar tanto para trazê-lo até o pronto socorro. Ou pelo menos era o quê pensava Liam, todavia Paul explicou que o amigo foi pego por uma bala perdida enquanto ambos visitavam uma antiga fábrica, onde o pai de um conhecido havia trabalhado e como estava acontecendo um tiroteio ambos resolveram ficar espremidos em um lugar da fábrica, até amanhecer e depois voltar cuidadosamente. Era o mais seguro. O médico acabou acreditando.

 Todavia, o quê mais preocupava o Ardila era Sadie. A história de Paul não era tão ruim assim. Podiam substituir o “pai que trabalhava na fábrica” por um “ouvi dizer que a fábrica vai ser reativada e fui ver se podia trabalhar lá, foi Paul quem me contou”. Mas, será que ela ia acreditar? Por que ir sem o celular? Ainda que estivesse descarregado, a história toda era muito suspeita. Onde J ouviu isso? Era um absurdo. Estava desativada há anos. Ninguém dava a mínima para aquele terreno.

—Por que você está me olhando assim?

 A qualidade do hospital era mediana. Liam não queria que fosse muito boa, pois Sadie poderia querer ir visita-lo. Porém, Paul não permitira que fosse um lugar ruim. Então era realmente mediano. As paredes tinham uma coloração branca carregada de melancolia pelas pequenas manchas nas mesmas, o piso liso era de um tom bem fraco de bege e havia uma televisão que chiaria bastante se estivesse ligada. A cama era confortável, tal como a poltrona na qual o acompanhante estava. Realmente, o paciente fitava Pauly com uma expressão estranha, como se estivesse em um transe. Estava distante dali, só mantinha o pensamento em sua namorada e em como explicar as coisas, por isso nem percebera que o observava de maneira anormal. Tinha pensado até mesmo em se entregar para a mulher, dizer toda a verdade, desde que quem era e o quê fazia. Pedir perdão. Fugir com a filha dos tiras. Contudo não foi preciso pensar seriamente sobre isso para que parecesse bobagem. Aliás, fazê-lo seria o mesmo que se entregar para a polícia e implorar por perdão mútuo; decerto a pior ideia que já passara por sua mente.

—Quê que você está olhando, mano? —Perguntou da maneira mais informal, suave e rude que podia; a fórmula perfeita para tirar alguém do transe.

—Eu te juro que da próxima vez que a gente estiver em um tiroteio — respondeu após uns segundos de baque, o suficiente para desviar os pensamentos e encontrar uma justificativa a altura— e você ficar gritando para eu atirar, eu vou atirar na sua cabeça, seu doente.

 Ao contrário do que parecera, nem soara tão bruto assim. Pauly já estava acostumado com o jeito ousado de fazer pequenas e divertidas ameaças. Ele sabia que isso era um puxão de orelha pelo hábito, todavia de forma engraçada. Soltou algumas risadas, antes de ironizar.

—E da próxima vez que você não atirar, adivinhe só! Você morre. —E gargalhou mais um tanto. — Ou ainda, da próxima vez que você for baleado...

—Já deu Pauly. —Cortou revirando os olhos e o decepcionando um pouco.

 O silêncio foi ponderado sem muita dificuldade depois disso. Oximen se distraiu com algumas mensagens que começara a receber no seu celular, fruto de um roubo bem sucedido. Enquanto o Ardila continuou se distraindo com pensamentos agoniantes sobre como aquela ideia de se entregar seria trágica, ao menos, se virasse realidade.

—Cara, sabe o quê o Arkan acabou de me contar? —Indagou J depois de vários minutos quieto. Após visualizar William balançando a cabeça negativamente com uma expressão de “Como eu vou saber?”, prosseguiu— O KR cara! Ele foi morto!

—O Kurt?! —Questionou realmente surpreso— Como isso?

 

 K era o “guarda costas” dos Atiradores de Escol, por isso ficava no grupo Celta. Quando a coisa esquentou para Noah, Liam e os demais, em vez de saírem imediatamente como havia sido planejado anteriormente, eles preferiram ficar para dar cobertura, o quê resultou em complicações na hora de fugir. E uma morte.

 Paul fechou os olhos como em respeito, todos os Tigres faziam isso ao descobrir da morte de um deles. Liam odiava essas reverências — “pilho”, abaixar a cabeça, fechar os olhos, cerimônias e ritos—, mas também o fez como respeito a Pauly que era um pouco próximo de Kurt.

—Eles ficaram para nos dar cobertura, porém ficaram demais. —Suspirou— O Richard foi pego, reagiu e meterem bala nele. A polícia ainda não entregou o corpo ou algo do tipo, mas o resto do grupo Celta viu a ação. Eles fizeram bem em ter fugido, segundo Arkan, pois caso o contrário teríamos perdido os atiradores também.

—Arkan... —Repetiu com certo ódio e depois tentou parecer sensibilizado— Que droga cara. Sinto muito.

—Todos nós sentimos. —Forçou um pouco o olhar, ainda mirando no visor do celular— A gente vai fazer uma cerimônia para ele. Amanhã à noite. Ele acha que vai ser melhor porque você já ter recebido alta.

 William xingou o líder mentalmente e quase deixou escapar uma palavra feia. Simplesmente detestava cerimônias. Até uma simples reverência era repudiada por Pilot. Porém, nada no mundo podia deixa-lo mais entediado do que um rito de enterro. Talvez por isso, Tommas não o houvesse elegido Arkan, decerto que não faria nenhuma dessas coisas todas, especialmente quando alguém morresse. Todos se vestiam de branco, exceto o líder que se vestia de preto, e algo simbolizava o companheiro perdido. Às vezes uma pedra, outras uma folha e de vez em quando algo mais pessoal, como um celular ou um fio de cabelo. Era colocado em um saco e um monte de coisas chatas eram ditas e feitas; feitas e ditas.

 E a repulsa do Ardila por aquelas atividades era conhecida pro qualquer um, ainda que de longe. Decerto que a decisão de espera-lo melhorar para fazer tal coisa, foi intencionalmente pensando nesse enojamento — que maneira melhor de repreendê-lo, por não ter feito a entrega como o planejado?

 A conversa de William e de Paul não se prolongou muito mais que isso, tampouco deveria ter se prolongado. Quanto ao estado de saúde do ferido, não era grave, apesar de tudo. Quando estava anoitecendo, Pauly inventou (ou não) qualquer coisa que justificasse sua necessidade de sair, e tendo em vista que Liam receberia alta em poucas horas, provavelmente já ao amanhecer, não seria muito necessário permanecer como acompanhante. No entanto, deixou claro que Sadie havia lhe questionado o paradeiro do namorado e que tinha lhe contado algo coincidentemente parecido com o imaginado por Pilot, embora de forma muito mais viva e convincente. Ao menos foi o quê a mulher deixou transparecer para Paul.

 Depois que a noite caiu, suave e fria, William se viu sozinho no quarto. O clima pesado, o rosto pálido. Ele sentiu que algo ruim estava para acontecer. Foi como um Déjà Vu. Teve a estranha e remota sensação de que tudo aquilo já havia acontecido e que, daquele instante em diante, as coisas só iriam piorar.



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