História Os Últimos Filhos - Capítulo 13


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Categorias Originais
Tags Fantasia, Guildas, Revolução, Universo Alternativo, Urbano
Visualizações 22
Palavras 1.311
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Escolar, Fantasia, Ficção, Ficção Científica, Hentai, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Policial, Romance e Novela, Saga, Sobrenatural, Steampunk, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Mutilação, Sadomasoquismo, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Peço desculpas caso o capítulo tenha ficado maçante ou fraco. Tenho andado um tanto quanto ocupado e preocupado com coisas mais urgentes, sabe como é, né?

Capítulo 13 - Inferno Astral


Fanfic / Fanfiction Os Últimos Filhos - Capítulo 13 - Inferno Astral


~Konrad

Não havia a menor condição de eu conseguir dormir naquela noite.

A perplexidade, a dor, o desejo de vingança e os efeitos do álcool haviam subido à minha cabeça, e, sinceramente, tudo o que eu mais precisava era sair e matar alguém. Eu já estava farto de ter que ficar rolando de um lado para outro, então me levantei da cama em um salto. Senti uma dor aguda passando pelo meu flanco ferido; percebi que mal conseguia ficar em pé. Eu precisava de outro anestésico. Talvez eu apenas devesse me deitar e deixar fluir o caos na minha mente. Talvez, mas eu nunca resolvi as coisas dessa forma. Arrastei-me escada abaixo, esforçando-me para não cair nem fazer muito barulho; Jaime e Leif já estavam roncando no quarto ao lado e 'Noite parecia dormir serenamente lá embaixo. Minha respiração estava pesada e meus pés manter-me de pé estava tornando-se um esforço insustentável.  Acabei fazendo mais barulho do que gostaria.

- Hey, Potássio - 'Noite sussurrou, sonolenta - O que foi? Está tudo bem?
 
Eu tentei responder-lhe, mas não consegui articular nenhuma palavra, soltando um ruído ininteligível. Devo ter parecido completamente estúpido.

- É, não está - ela resmungou, se levantando da cama - Vem, senta aqui.

'Noite levantou-se da cama em um salto me ajudou a sentar no sofá, afastando meus pertences que ainda estavam jogados por lá. Ela me trouxe um remédio e recostou minha cabeça em uma almofada, e sentou-se em sua cama, ao lado do sofá, de pernas cruzadas. 'Noite não é o tipo de pessoa que eu caracterizaria como afetuosa. Nunca gostou de muita melação ou contato físico: você pode irritá-la se lhe der um abraço em um momento que ela não considerar adequado. Ela sempre foi uma garota durona, orgulhosa, responsável, madura e eficiente em seu trabalho; é difícil acreditar que ela seja um pouco mais nova do que Helena. Mesmo com seu gênio difícil, ela sempre foi muito próxima a mim, como uma irmã mais nova: andava sempre montada nas minhas costas, puxando meu cabelo e me pedindo doces. Talvez ela seja a pessoa de quem mais me orgulho no mundo. 'Noite trabalhou duramente em seu Sentido Sensor, explorando ao máximo seu potencial; ela tornou-se muito mais eficaz do que eu, com meu Sensor Térmico, ou Sidarta Jansen, o cara do Terceiro Olho. 'Noite pode detectar sanguerreais a distâncias absurdas, além de poder enxergar com clareza a aura de um indivíduo (segundo ela, a minha brilha em uma cor vermelho-sangue), sua afinidade elemental e, pasmem, as suas emoções. A respeito de seu apelido, este teve origem em uma daquelas noites de bebedeira, quando ela disse algo sobre ser a "sombra que espreita na escuridão da noite". E aí, pegou. Sempre achei que esse apelido é bem a cara dela. Aliás, talvez eu não tenha falado sobre sua aparência: 'Noite é uma garota de estatura mediana, com cabelos cacheados longos, raspados do lado esquerdo. Seus olhos são verdes, sua pele de um tom moreno-claro, o rosto salpicado de sardas, o nariz quebrado algumas vezes, uma permanente expressão feroz estampada em sua face. Jaime costuma dizer que 'Noite daria uma boa caminhoneira; acho que nada a deixa mais irritada que isso.

- Cara, eu não preciso nem olhar pra saber que tá afim de matar alguém - ela começou - só que vai ter que dar um jeito de se acalmar. Ficar estressado vai só piorar essa merda. já tá com um pé na cova, Potássio! Esse ferimento seu aí é grave e sua energia tá muito instável, então ficar estressadinho só vai fazer você morrer mais rápido! E nada de Valhalla pra você, meu caro.

- Eu estaria mais feliz se estivesse morto - resmunguei.

'Noite deu um pulo da cama, pegou a minha espada e me deu um murro na cara. É, um murro.

- Olhe para esta merda aqui, Konrad - ela disse, desembainhando a espada - Seu pai a carregou por muito tempo, e seu avô, antes dele, também. O próprio Skald lutou com essa porra aqui. Veja! Cria vergonha nessa cara, garoto! Quer ser a desgraça da Falange, Konrad? Werner não tem nenhum direito a ser Konúngr, ele só está lá porque seu pai confiou nele! Ele traiu seu pai, ele traiu sua família, ele traiu a Falange! Nós estamos confiando em você, Konrad! Viemos te buscar, te ajudar na sua vingança, a consertar as coisas, e você fala em morrer? Pelos deuses! Que vergonha!

'Noite atirou a espada no meu colo e deitou-se, furiosa, em sua cama. Eu deixei escapar uma risada, carregada de desgosto. Golpeei o ar com a espada, testando sua leveza e balanço. Deslizei o dedo pela lâmina, analisando-o cuidadosamente. Seu dono original fora Skald von Sunna, meu bisavô e fundador da Falange. O pai me disse uma vez que ela se chamava Solringen, que significa "Anel do Sol". Nunca entendi o que tinha a ver um anel com uma espada, mas, de qualquer forma, ela era uma boa arma: uma espada nórdica tradicional, classificada como Type X na tipologia Oakeshott* e pertencente à série Ulfberht**; sua lâmina negra fora forjada em um tipo muito especial de aço damasco*, por nós conhecido pelo nome de "Aço Aesir", que oferecia flexibilidade e resistência superiores. A espada media 110cm e pesava cerca de 1,2kg. Gravada no fuller***, em letras rúnicas, estava a seguinte inscrição: "Sola gjekk í ringen, sumaren sende", que significa "O sol girou em seu anel, trazendo-nos o verão". Era, definitivamente, uma excelente arma. Mas a responsabilidade de portá-la parecia demais para mim.

- Eu não disse que não me importo - suspirei - Mas é um fardo pesado demais para eu carregar sozinho, e eu temo falhar nessa empreitada.

- Você não está sozinho, Potássio - ela resmungou, ainda mal-humorada - Mas você precisa de foco. Recupere-se, treine e lute. Vença. É o único jeito de você conquistar essa vida mais pacífica que você tanto deseja. É o único jeito de você poder ficar com sua namoradinha, como é o nome dela? ...Helena?

- Não seja idiota, ela não é minha namorada - revirei os olhos - Ela nem mesmo...

- Ah, por favor! - ela exclamou - Falta pouco para a garota enlouquecer por sua causa! E você também, Potássio.

- Eu não...

- Tente enganar o Leif ou o Jaime, não a mim. Não sei como você conseguiu se apegar tanto a uma garota que você conheceu há pouco tempo!

Não adiantava argumentar, até por que nem eu mesmo sabia. 

- Se importa se eu colocar uma música? - desconversei.

- Se for do gosto do Jaime, me importo sim - ela respondeu.

Eu sorri, e liguei o notebook de 'Noite. Escolhi Kauna, do Wardruna. Minha música-tema. É uma música curta e repetitiva, mas que eu considero gostosa de se ouvir. Fechei os olhos, concentrando-me na melodia, na letra, no meu eu interior. Eu precisava de forças para prosseguir. Forças para lutar. O caminho à frente era perigoso e mortal. Eu tinha que derrubar e matar um dos mais poderosos líderes de guilda do país. Eu tinha contas para acertar. Reinhard Werner não era só o comandante omisso e perspicaz que fora obrigado a me proscrever por desobediência; ele era meu maior inimigo, o homem que matou meu pai, o homem que queria destruir minha família e o homem que me mataria assim que eu desse o primeiro passo em falso.

Meu sangue fervia com o desejo de despachá-lo para o Inferno.                                                                                                                                                                                 
O Inferno de Kauna.

Passei o dedo pela lâmina de Solringen mais uma vez. 'Noite virou-se na cama. A música preenchia o silêncio da madrugada.

"Kauna rasga os ventos da noite
Não esmorece em sua respiração
Derrete o gelo com sua luz
Kauna mostra fracas faixas
Kauna adentra, secretamente 
Ilumina os olhos
Fogo que purifica a mente
Kauna! As queimaduras!"

 


Notas Finais


* tipologia Oakeshott: método de classificação criado por Ewart Oakeshott que revolucionou o estudo de armas e armaduras antigas.
** série Ulfberht: originalmente, um conjunto de 170 espadas encontradas na Europa, em uso do século IX ao século XI, todas com a inscrição +VLFBERHT+ em suas lâminas. Solringen é uma réplica contemporânea desse tipo de espada.
*** Fuller: é o canal/vala que percorre o centro da espada e serve para diminuir o peso e aumentar a capacidade de corte.

* Potássio: o apelido dado à K por 'Noite faz referência ao elemento químico homônimo, cuja letra-símbolo é K.


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