História Os Últimos Filhos - Capítulo 14


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Categorias Originais
Tags Fantasia, Guildas, Revolução, Universo Alternativo, Urbano
Exibições 9
Palavras 1.130
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Escolar, Fantasia, Ficção, Ficção Científica, Hentai, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Policial, Romance e Novela, Saga, Sobrenatural, Steampunk, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Mutilação, Sadomasoquismo, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 14 - Abandonada


Fanfic / Fanfiction Os Últimos Filhos - Capítulo 14 - Abandonada


~Helena

Eu estava encrencada.

Já passava de meia-noite quando fui deixada na porta de casa pelos amigos estranhos de Ed. Me questionei se eu realmente devia entrar. Àquela altura, minha mãe com certeza já teria chegado em casa, e estaria disfarçando seu desespero sob uma máscara de ódio. Ou talvez o contrário. De qualquer forma, eu estava realmente encrencada. Eu nunca me senti como se eu realmente tivesse uma mãe: nunca recebi nenhum tipo de carinho ou afeto genuíno da mulher que me dera a luz. O amor infinito que ela tanto dizia ter, era, na verdade, cruel obsessão. Simplesmente isso. Respirei fundo e adentrei o prédio. Eu vivo em um modesto apartamento com meu irmão menor e essa mulher. Não é nada muito grande ou impressionante: eu o mantenho limpo e organizado, já que a mulher trabalha fora durante o dia inteiro e não tem tempo para essas coisas. Ela costuma dizer que meu pai é muito, muito rico, e vive em uma grande mansão, com piscinas, cômodos luxuosos, quadras esportivas e um batalhão de empregados. Eu vi meu pai apenas três vezes em toda a minha vida, e nunca um único centavo seu. Meus irmãos mais velhos, Guilherme e Natália, vivem com ele. Não me lembro de conhecer Guilherme pessoalmente, mas sempre que ele pode, ele me manda um par de sapatos ou um vestido caro. A mulher sempre os jogava fora. E para Natália, simplesmente é como se eu nem ao menos existisse.

Parecia não haver ninguém em casa. As luzes estavam todas apagadas e a televisão, desligada. Não havia o menor ruído em casa. Talvez a mulher tivesse se cansado de esperar por mim e resolvido ir dormir. Me dirigi até meu quarto, procurando não fazer nenhum ruído. Meu estômago roncava, mas decidi não ir até a cozinha: eu poderia acabar acordando a mulher. Eu não a percebi no corredor escuro até que ela me acertasse uma bofetada no rosto

- Sua piranha vagabunda - ela grunhiu, me levantando pelo cabelo - Onde estava até essa hora, desgraçada? Fazendo programa, é? Vendendo esse seu corpinho, não é? Não é?

- Mãe, pára! - eu gritei, aos prantos.

Ela me arrastou pelos cabelos até meu quarto e me atirou violentamente na cama. Ela caiu sobre mim e começou a me esbofetear e a rasgar meu vestido. Tentei em vão me defender: a mulher era forte demais. Ela arrancou minhas roupas íntimas e me deixou completamente nua. Eu tentei me cobrir com as mãos, mas ela afastou meus braços e me socou no estômago. O ar escapou dos meus pulmões e eu escorreguei, caindo da cama.

- Vagabunda, vagabunda, vagabunda! - a mulher repetia - Para de esconder essa buceta! Pra macho você não esconde, né? Desgraçada, piranha, prostituta!

Ela pegou um cabo de vassoura e me forçou a ficar de quatro na cama, sempre puxando-me pelos cabelos. Implorei por piedade, mas o cabo de vassoura desceu com força, acertando minhas costas. Gritei de dor, e continuei gritando, a cada vez que o cabo me acertava. Até que ele se quebrou contra as minhas costas. Ela então começou a estapear minhas nádegas com força e torcer meus mamilos entre os dedos. Eu não tinha mais forças para gritar, ou mesmo chorar. Não sei por quanto tempo suportei a tortura, mas cada minuto parecia uma hora. Eu fiquei ali, atirada na cama, nua, ensanguentada e tremendo de frio. A mulher saiu e trancou a porta: provavelmente ela só abriria na noite seguinte, toda melosa, dizendo que tudo isso era para o meu próprio bem.

Dizendo que isso era amor.

Eu comecei a chamar bem baixinho por Ed. Seu nome era tudo que me vinha aos lábios. Eu o chamei por repetidas vezes, na esperança de que ele viesse. Ele era o único que podia me salvar, que podia me tirar dali e cuidar de mim. O único que se importava. Eu chamei por ele até que meus lábios ficassem completamente secos. Em algum ponto da noite eu acabei dormindo, ou talvez desmaiando. Comecei a sonhar. Em meus sonhos, havia alguém me abraçando, limpando minhas feridas e dizendo o quanto me amava. Eu não podia ver quem era, mas eu sabia que era Ed. Senti seus lábios tocando os meus. E foi então que pude ver quem era. Um homem, que vestia trajes de guerra, com seus cabelos negros amarrados em um coque e uma espessa barba cobrindo seu rosto. Não era Ed: era K, o temível guerreiro de quem todos falavam. Não havia nenhum Ed. Ele era uma mentira. Mas será que seus sentimentos por mim também o eram?

Não tive mais nenhum sonho naquela noite.

Acordei com o sol da manhã brilhando sobre mim. A janela escancarada mostrava uma linda manhã, o relógio de cabeceira marcando 10:37. Uma bela terça-feira, véspera de meu aniversário. Talvez este viesse a ser o pior de minha vida: trancafiada, machucada, com fome. Completamente distante do abraço carinhoso e consolador do garoto por quem eu havia me apaixonado. Lembrei-me do sonho que tive com ele - seria mesmo ele? - e meu coração disparou. Ele sempre disparava quando eu o via. E então eu chorava, e gaguejava, e ele me abraçava, sorrindo. A realidade era mais dolorosa do que minhas feridas: ele não existia, e minha possível última esperança era um misterioso guerreiro cuja verdadeira natureza eu desconhecia. Esforcei-me para sentar na cama; minhas costas estavam completamente destruídas. E foi então que eu notei um pequeno pedaço de papel colorido junto a porta. Com dificuldade, levantei-me da cama e peguei-o. Era um bilhete, letras escritas em uma caligrafia infantil apressada. Meu irmãozinho.

"Lena, mamãe já saiu para trabalhar, então peguei escondido a chave do seu quarto e destranquei a porta para você. Pega as suas coisas e foge, para o mais longe que você puder. Quando você ler isso, provavelmente eu já terei ido para escola. Não se preocupe, eu comi direitinho e estou levando biscoitos. Sentirei saudades. Te adoro, irmã."

Refleti durante alguns momentos sobre o bilhete. Decidi que eu tinha o melhor irmão do mundo e que eu não podia perder tempo. Coloquei um vestidinho azul-escuro, sem sequer me lembrar de colocar um sutiã ou uma calcinha, coloquei um tênis all-star, enfiei algumas mudas de roupas e comida numa mochila e peguei todo o dinheiro que consegui encontrar. Peguei minhas chaves e saí apressadamente do prédio, fazendo o possível para ignorar a dor. Corri de forma descuidada pelas ruas, desrespeitando sinais e trombando em pedestres. E foi então que pensei: para onde eu vou?

Não era como se eu fosse ser levada a outra parte do mundo, simplesmente por esse ser meu desejo.

Não havia ninguém para me acolher. Não havia lugar para ir.

Eu era só mais uma garota abandonada.





 



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