História Otherside - Capítulo 18


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Henry Cavill
Visualizações 35
Palavras 1.294
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Ficção, Lemon, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência, Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 18 - Décimo Oitavo


Fanfic / Fanfiction Otherside - Capítulo 18 - Décimo Oitavo

Robert 

Meu rosto ainda estava vermelho e quente devido ao tapa que Nico me desferiu. A cabeça rodopiava mais ainda depois de ouvir aquilo. Com a bebida, tudo parecia algo saído de um sonho ruim.  

— Robert — Nico, agora na minha frente aparecia triplicado. — Ouviu o que eu disse? 

Eu só tive tempo de correr para um dos vasos sanitários e vomitar tudo. A violência com o qual meu estômago colocava tudo para fora era comparável com a violência na qual tudo estava acontecendo agora. Aquilo não poderia ser real, poderia?  

— Tá tudo bem com você?! Robert...  

Eu estava zonzo. Aquelas ideias não processavam direito. Liam... Nunca confiei nele. Mas... Ele ser um estuprador? Não sabia se poderia suportar o peso de tantas coisas horríveis ao meu redor. Mas eu nunca fui amigo dele. Acho que não sou amigo de ninguém.  

Abri os olhos. Fechei meus punhos. Talvez eu ainda estivesse no controle. Ainda parecia um sonho quando notei que estava sentado no chão com os joelhos esticados e a face estática. A batida grave de uma música que eu não conhecia retumbava em meus tímpanos. 

Nico dizia várias palavras, mas elas soavam indescritíveis, um eco ronronando suave, depois violentamente dentro de mim. Eu queria falar, mas nada saía. É como se eu não tivesse palavras, mas eu sabia, sabia que estava tendo uma crise de pânico. Era como se Liam tivesse sido uma espécie de gatilho. 

E, de repente as palavras  então escaparam: 

— Nico, precisamos ter uma conversa séria. É agora ou nunca. 

— O quê?! — foi a única coisa em que prestei atenção. Minhas crises de pânico, não raras, me faziam fugir, e não se esconder. Lembro de certa vez, ter acordado e corrido pelo Hyde Park às três da manhã. 

Eu não sabia que uma crise de pânico seria o divisor de águas daquela situação em que vivíamos até agora. Daquele ponto, nada mais seria como antes. Não que o antes estivesse bom, porém ele nos levaria a extremos dessa vez. 

Nós deixávamos o baile. Todas as pessoas pareciam vultos diante de mim, e a única coisa real era minha mão segurando a mão de Nico. E então vejo Andrew e Liam conversando. Os dois parecem não compreender o que eu estou fazendo, mas sei que Liam entendeu meu olhar repulsivo contra ele. Minha vontade era de matá-lo imediatamente, porque no fundo eu sabia que aquilo era verdade. 

Paramos em frente ao meu carro. A luz amarela de um dos postes ao redor do Campus refletia no rosto de Nico, que estava estagnado, confuso. E eu lembro bem daquele momento. Os olhos, escuros como uma penumbra, em contraste com a pele. Isso se registrou na minha mente como uma fotografia. E mais uma vez eu sentia que estava sonhando. Aquele era o momento certo. Eu estava entregue aos meus instintos, e Deus me perdoe, o resto não me importava. Iria contar toda a verdade, a minha verdade, e por que todas coisas ruins aconteciam ao meu redor e a razão de eu ser uma pessoa tão confusa. Talvez ele me abandonasse, talvez aquilo até mesmo explicasse Liam, embora não tendo sentido, mas eu precisava me livrar daquele fardo. 

Porém, não poderia ser naquele lugar. 

— Nico, entra no carro. — ordenei. abrindo a porta do carona. E não havia brechas para um não. 

— Robert — ele parou bem na minha frente, me interrompendo quando eu ia entrar. — O que está acontecendo ? Eu tô muito assustado com você. 

Eu suspirei profundo, e procurei manter a calma. 

— Nós precisamos conversar Nico, De verdade. 

— Você tá bem? — indagou ele, me abraçando. Por ser menor, sua cabeça encostava em meu peito. Sei que ele pode ouvir o quanto meu coração está acelerado e apertado agora. Acho que deixei cair algumas lágrimas. E ele ouviu. 

Provavelmente nunca houve tanta crise em um relacionamento que mal havia começado. 

— Eu te amo tanto — falei. — Mas estou começando a achar que eu sou a pessoa errada para você.  

— Ei — ele toca em minha face, e eu me permito beijá-lo. Deus, eu jamais queria perder esse garoto, entretanto, viver todos os dias o enganando, aquilo não dava mais. — Por que isso agora? Nós estamos bem, ok? Desculpa se essa história do Liam te abalou e... Droga, eu não devia ter te contado. 

— Não, não é isso — neguei, balançando a cabeça. — Olha, eu preciso muito te contar uma coisa. Mas não pode ser aqui. Eu sei, não faz muito sentido, mas você vai ter que confiar em mim. 

Nico suspirou, e olhou para os céus como se soubesse que estaria tomando uma terrível decisão. 

— Então vamos. 

*** 

Estávamos saindo de Londres. Eu dirigia há mais de quarenta minutos e eu não dizia uma única palavra. Não sabia como responder há aquela situação até chegarmos lá, e não, não era um plano de fuga ou algo do tipo. O lugar onde estávamos indo tinha um significado. Era como uma memória, ou nos piores dias, uma cicatriz grosseira. 

O silêncio dele também me incomodava. Por vezes, pensei até em ligar o rádio para tornar aquela mudez menos constrangedora entre nós. Mas daquele jeito estava bom. Assim eu poderia formular meus pensamentos, e pensar em formas de contá-lo tudo.  

Era um risco. Eu sabia disso. Afetaria muito mais do que eu pensava.  Por que era algo maior que nós dois. 

A derradeira prova disso foi quando estávamos próximos da praia onde eu o levaria. Eu dirigia por entre a estrada, próximo de uma ponte. Foi quando o primeiro veículo durante toda a viagem surgiu atrás de nós. A luz dos faróis deixaram Nico em alerta, e eu também, porque já suspeitava de algo. 

Eu acelerava aos poucos, testando a reação de meu perseguidor. Este também acelerou, o que confirmou o que eu suspeitava. 

Precisava fazer algo. 

Nós passávamos por cima de uma ponte e pelo risco de algo acontecer, eu pisei no acelerador de uma vez. 

— Robert, o que tá acontecendo?! — Nico saltou, assustado, mas eu não conseguia respondê-lo. Nós precisávamos escapar. 

O outro veículo cantou os pneus atrás. Pelo retrovisor, dava para ver. Era o mesmo carro que ficava sempre à me espreitar. 

— Robert! — Nico novamente gritou. Evidente que ele estava desesperado, assim como eu estava, e juro, eu estava tentando escapar daquela situação, mas cada vez que eu tentava, mais imerso eu estava naquela situação. 

Aquilo havia se tornado uma corrida. O veículo tentava nos alcançar de qualquer jeito, e eu tentava despistá-lo, mas não haviam ruas por ali. Só a estrada. 

— Desde quando você é um fugitivo?! — questionou Nico. 

— Há muito tempo — falei. Percebendo que estava prestes a ser alcançado, eu decidi que teria que tomar uma medida desesperada.  

— Nico — ordenei. — Vá para o banco de trás. Agora!  

— Eu não vou para lugar nenhum! Você que me deve explicações!  

E então eu reparei no mais absoluto silêncio.  

O veículo havia desaparecido. Meu coração parou de bater por um segundo. Eu sabia que algo horrível iria acontecer. 

— E-eu sinto muito, Nico. 

Meus olhos marejavam e eu precisava parar o carro. 

De fato, nós paramos. 

Os dois homens que nos seguiam reapareceram sabe-se lá como no mesmo sentido da rodovia, atrás de nós e disparando até as balas acabarem. Eles estavam ali para me matar e quem quer que estivesse no meu caminho. Digo que foram dois homens porque consegui ver seus rostos e sei quem são.  

Sou atingido várias vezes. Sinto minhas forças se perdendo até eu não conseguir me segurar.  A última cena diante dos meus olhos antes de tudo ficar preto foi Nico tomando um tiro em algum lugar perto da nuca, e meu carro perdendo o controle, quebrando a mureta da ponte e nos fazendo cair lá embaixo.  

E depois disso, eu perdi a consciência completamente. 

                                                                                                                               Out of the blue, into the black.



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