História Otherside - Capítulo 20


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Henry Cavill
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Palavras 1.226
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Ficção, Lemon, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência, Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Gente, me perdoem mesmo a demora nas atualizações. A faculdade toma o meu tempo mas eu prometo que não vou abandoná-los e que logo vocês terão além desse, mais um capítulo novo.
Amo vocês.
P.S.: creio eu que a história já está na metade com esse capítulo 20.

Capítulo 20 - Vigésimo


Fanfic / Fanfiction Otherside - Capítulo 20 - Vigésimo

Nico 

Xeque mate. Andrew havia me colocado numa posição tal qual eu não teria para onde escapar. Ele saberia que eu estaria mentindo se dissesse que nada havia acontecido, e que tudo foi um simples acidente. Entretanto, eu não poderia contar a verdade, mesmo que eu quisesse, e muito. Queria proteger Robert. Tenho um pressentimento horrível de que algo muito pior poderia ocorrer se eu contasse a verdade. Mas que verdade? Do que eu estava protegendo, afinal? Eu precisava dizer qualquer coisa que viesse a minha mente: 

— Olha, eu não sei direito o que aconteceu, ok? Foi tudo muito rápido, de repente nós capotamos. É isso. 

— Mas, você disse- 

— Não, Andrew — cortei-o, imediatamente. — Eu não disse nada. Você que está pondo palavras na minha boca. Já não basta Robert estar desacordado. 

Ele se cala. Seus lábios se reprimem numa face de reprovação. Seus olhos estão semicerrados diante de mim, como se me julgassem. Ele está me analisando. Sabe que estou mentindo, mas não sabe que estou tão desesperado por respostas quanto ele. 

— Tudo bem então — ele sai andando por um instante, mas logo volta. — Quer alguma coisa? 

— Não precisa. Eu vou pegar uma água e- 

Eu tento me levantar, mas sinto uma fisgada no ombro até a clavícula, fazendo-me contorcer de dor e quase cair de cara no chão. Andrew me segura, e eu me apoio em seus braços. 

— Deixe que eu vou pegar — diz. — Você está se recuperando. Não se esforce. 

Andrew se mostra prestativo, mesmo não tendo afinidade nenhuma com ele. Começo a me sentir mal por ter dado uma resposta tão rude. Sinto que lhe devo contar o que houve exatamente. Mas não posso. Ainda. 

— Ei, Andrew. 

— Sim. 

Paro por um segundo antes de falar. 

— Obrigado. 

Ele dá um sorriso discreto, acenando com a cabeça.  

É uma boa pessoa. 

                                                                                                    *** 

— Acho que ele já passou da fase de observação. — diz o médico, constatando-me. — Está liberado.  

Respiro, talvez um pouco aliviado. Mas é um sentimento temporário. Logo o medo vem à tona mais uma vez. 

Ainda sinto algumas pontadas no meu ombro quando caminho. Disseram que eu devo parar de sentir tais dores logo. Assim que deixo o leito, sou recebido por Vanessa: 

— Meu Deus, você me deu um susto tão grande.  

Vanessa me abraça, aconchegante. Acho que já a contaram sobre o tiro. Na verdade, não sei nem como ela descobriu que estou por aqui. Sua feição parece incrédula, mas ao mesmo tempo, me sinto acolhido ao vê-la. Há uma sensação de que estou em casa, mesmo tão longe. 

— Eu estou bem — digo, mesmo essa sendo a coisa mais idiota que eu possa falar. — Foi só um susto. 

— Mas como foi isso? O que aconteceu? — indaga ela. 

— Eu te conto no caminho. 

Na verdade, eu estava ganhando tempo. Precisava bolar uma mentira. E logo. Merda. Com Vanessa por perto, não posso visitar Robert. Estou preocupado. Aflito. Estou com uma sensação horrível correndo por dentro de mim. como se uma bomba estivesse prestes a explodir. 

Estávamos saindo do hospital. O dia amanhecendo caía nas graças de uma chuva que ameaçava no céu, e junto com ela, Vanessa e eu nos deparamos com ninguém menos que Victoria Clarke. 

— Meu Deus, o que essa mulher está fazendo aqui?! — sussurro para Vanessa. 

— Tá brincando? — diz Vanessa. — Esse hospital tá parecendo um congresso de jornalistas... 

Victoria conversava com Andrew. Assim que me vê, lança um olhar recriminador, como se pudesse me estrangular só com os olhos. 

Penso em parar. Entretanto, algo dentro de mim me encoraja a continuar andando.  

Foi inevitável não ser abordado por Clarke: 

— Você está envolvido nisso também? — pergunta ela. — Eu deveria saber. Você estava com ele. Eu te avisei que ele era problema. 

— Alguém já lhe disse que você não dá a chance de ninguém responder? 

Victoria respira, observa o aglomerado de pessoas ao redor, e então me diz: 

— Sabe que pode perder a sua vaga por isso, não é? 

Minhas mãos tremem. Não sei se era um calafrio pelo ar condicionado ou pela frieza daquela mulher, mas eu me controlo. Não respondo e vou embora. 

— Do que aquela mulher está falando, Nico? 

Antes que eu possa abrir a boca para pronunciar algo, Andrew também me aborda, perguntando se eu não queria uma carona até a República. Eu pensei até em dizer sim, mas ao ver Liam, decidi que voltaria de metrô mesmo. 

— Descanse — disse ele. — Eu vou ficar por aqui, cuidando dele. Te aviso quando houver novidades. 

Vanessa, claro, ficou intrigada com todas aquelas pessoas e o que eu tinha feito de grave para ser ameaçado por Victoria. Eu tentei elaborar respostas, alternativas de contornar a verdade, porém, assim que chegamos na República, não houve jeito: 

— Nico, agora você pode me contar tudo. 

— Vanessa, eu... — sinto-me péssimo por aquilo. Era o meu segredo. Meu e dele. Nosso lance secreto. — ... Eu estou tendo um caso com o Robert. 

"Um caso." Que nojento. Era bem mais do que isso. 

Vanessa escancarou a face. 

— Meu Deus. — ela correu para se aproximar de mim, olhando para as paredes. —Não fale isso alto! Jesus. Isso é verdade?! Mais alguém sabe disso?!  

— Victoria e Andrew também. 

— Mas é claro! — afirma ela. — Agora tudo faz sentido. Todo mundo ficou sabendo que o professor de Cambridge havia se acidentado. Você e ele sofreram o acidente, juntos. Por isso aqueles jornalistas. E Victoria daquele jeito. Nico, você é doido, garoto. 

— Vanessa, por favor, não conte a ninguém. 

— Claro que não. Mas como foi isso? Como vocês dois... Ele é seu professor e eu pensei que ele fosse hétero. Isso é loucura. 

— Fugiu do controle, eu juro.  

— Mas e o acidente? 

Essa parte eu não pude revelar. 

— Ele bebeu, Nós bebemos na verdade. Ele não se segurou no volante. Foi irresponsabilidade. 

Vanessa acreditou. Parecia estúpido, mas era o suficiente. Foi incrível como eu menti sem remorso. Bem, eu contei a verdade. Omiti uma parte dela. Não poderia contar o que aconteceu, até porque não sei o que foi aquilo. 

Não conseguia parar de pensar nele. O que estaria passando naquele hospital? Quais seriam os seus pensamentos, tão distantes da lucidez? E depois daqueles tiros, a última coisa que ele estaria era em segurança. 

Naquele dia, eu não descansei pela noite. Fiquei esperando por uma ligação durante a madrugada. Seria impossível para mim dormir em paz com meus pensamentos em guerra. E eu então percebi que eu estava imerso naquela situação, não vivendo para mais nada a não ser Robert. Seus problemas, seus mistérios, seu mundo. Tudo tão complexo e acima de mim que não havia espaço para mais nada, a não ser ele mesmo. Mas então, onde eu me encaixo, afinal?  

Robert em tão pouco tempo havia se tornado uma parte de mim. Algo que não me deixava em paz, que perturbava a minha calma. Que eu mergulhava com a paixão de quem navega nas águas de alguém amado. 

Eu não sabia que essas águas seriam minha tormenta. E que ninguém vive de mar, muito menos que água salgada não é para se beber. 

Na manhã do dia seguinte, eu ouvi batidas na porta do quarto, bem cedo. Era Lauren. Perguntou se poderíamos conversar. 

Estava deprimida. Um pouco cansada e sentia dor. Eu lhe perguntei o que havia acontecido. 

Lauren havia sofrido um aborto. 

E eu percebi que haviam questões mais sérias do que eu. Mais sérias do que meus estúpidos sentimentos.



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