História Our lives, our love - Capítulo 48


Escrita por: ~

Postado
Categorias Fifth Harmony
Personagens Ally Brooke, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton
Tags Camren
Exibições 194
Palavras 8.197
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Homossexualidade, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


E a história chega ao seu merecido fim. :'(
Vou me estender nas notas finais. Deixei o link de uma música lá caso queiram ouvi-lá no momento em que a Lauren começa a cantar para a Camz.

Qualquer erro, conserto depois.
Boa leitura!

Capítulo 48 - You are my life


POV Camila

 

- You are the sun, you make me shine – Estava indo em direção ao quarto com um sorriso no rosto ao ouvir a canção reproduzida pela voz de Lauren. – Or mor like the stars, that twinkle at night – Assim que parei na porta entreaberta, me deparei com a cena mais do que conhecida por meus olhos. – You are the moon, that glows in my heart – Lauren segurava Lorenzo e balançava-o bem devagar, a essa altura, o sono já havia chegado para o pequeno. – You’re my daytime, my nightime, my world. You’re my life. – E com todo cuidado, colocou-o no berço. Cheguei mais perto e abracei-a por trás, prontamente senti seus braços pousarem sobre os meus.

- Incrível como ele não enjoa dessa música. Se fosse eu, já estaria chorando. – Disse em tom brincalhão e recebi um leve tapa em resposta.

- Acho que tem alguém com inveja porque não tem música de ninar – Ela disse e foi minha vez de lhe devolver o tapa. – Tá vendo, eu sabia! Com ciúmes do próprio filho. – Segurou o riso para não acordar Lorenzo.

- Idiota – Disse me desvencilhando do contato e andei até a porta. – Mas uma música de vez em quando não mata ninguém – Seguidamente, percebi seus braços girarem meu corpo e em seguida me pegarem no colo... Como um bebê. – Ei!

- Não se preocupe, criancinha mais linda – Começou a caminhar comigo pela casa. – Também cantarei músicas para você dormir tranquilamente – Distribuiu selinhos por todas as partes possíveis do meu rosto e me pôs no chão. – Amor, vou para o estúdio, volto daqui a duas horas, ok? – Pegou o celular e as chaves, me deu um beijo e colou nossas testas. – Eu te amo.

- Também te amo. – Acariciei seu rosto e ela deixou um beijinho em minha mão e saiu logo depois.

 

Perfeita ainda seria pouco para descrever minha vida com Lauren agora, tanto ela quanto eu apenas sabemos sorrir. Estamos felizes por tudo estar encaminhando-se em harmonia, esposa e filho lindos, o que mais eu posso querer?

E falando em filho, Lorenzo vem crescendo a cada dia. Ok, ele ainda está com quatro meses, mas para mães babonas como Lauren e eu, cada descoberta é uma festa. Lembrei o dia em que ele arriscou a dar seus primeiros passinhos, não foram muitos, uns dois ou três. Foi uma alegria total. E isso é quando meus pais ou sogros, ou nossos amigos não estão aqui, todos o mimam e até já falam seus planos para ele no futuro. Dinah diz que além de ser lindo, será estiloso como ela, meu pai e Michael dizem que ele tem alta tendência aos esportes e por aí vai... E Lauren e eu apenas dizemos que ele vai ser o que quiser. Exatamente isso, nós duas o deixaremos livre para fazer suas próprias escolhas.

Encontrava-me no escritório, aproveitei o breve descanso de meu filho para por alguns trabalhos e assuntos em ordem. Logo, um email deu entrada em meu computador. Não continha nada que poderia identificar o remetente, achei estranho e resolvi abrir para ver do que se tratava.

 

Deve estar com 100% de certeza de que sua vidinha se ajustou maravilhosamente, não é? Pena que não será mais assim. Me aguarde, em breve destruirei tudo o que você tem, pedacinho por pedacinho.

 

Meu corpo travou ao ler o conteúdo. O que era aquilo? Ou melhor, quem estaria por trás? Instantaneamente, um frio subiu por mim ao pensar do que poderia acontecer se tal ameaça fosse mesmo verdade. Algo ocorreria comigo, com Lauren e pior... Lorenzo!

“Não, não. Se acalma Camila! Deve ser apenas uma brincadeira e de muito mau gosto.” Dizia para mim mesma tentando me acalmar, balancei a cabeça com os olhos fechados e imediatamente fechei a janela da mensagem. Fui até onde meu filho se encontrava, ainda dormindo, tive um alívio momentâneo ao ver que ele mantinha-se bem. “Nada vai te acontecer mi pequeño.”

 

...

 

O bom e ruim de possuir alguém que te conhece tão bem é que não adianta o quanto você disfarçar, ela sempre irá reparar que algo está se passando. E era desse jeito com Lauren e eu. Estou tentando não me manter aflita por conta do acontecido hoje à tarde, mas quem disse que consigo?

Já estava deitada, ela veio, fez o mesmo e fitou-me.

 

- O que você tem? – Suas íris verdes e apreensivas não deixavam meu rosto. – Desde que cheguei está diferente, distraída, parece preocupada com alguma coisa – Vi que não poderia esconder isso dela, então decidi contar sobre o email. No começo, assustou-se também, mas se recuperou rapidamente. – Se recebermos mais mensagens como essa, levaremos isso às autoridades.

- Espero que essa seja a primeira e última.

- Eu também – Deu uma pausa. – Mas fica tranquila, enquanto eu estiver aqui, ninguém vai se atrever a fazer algo – Aninhou-me em seus braços. – Eu vou nos proteger, Camz – Vamos dormir? – Indagou.

- Vai cantar pra mim? – Fiz bico, ela deu um selinho.

- Claro. – Sorriu e não pude deixar de sorrir junto.

- Boa noite meu amor, te amo.

- Boa noite, Lolo. Eu também te amo.

- Give me Love like her...

 

E por incrível que pareça, dormi serena sentindo os braços e a voz incomparável da mulher que tanto amo me dando proteção. Encaro esse dia apenas como um pesadelo que não se repetirá.

 

...

 

10 meses depois

 

POV Veronica

 

- É mocinha... – A agente penitenciária disse com desdém. – O juiz te liberou um ano mais cedo – Aquilo era música para meus ouvidos. – Espero não te ver por aqui de novo. – Falava enquanto abria o portão da cela para mim. Parei bem perto da mulher antes de sair.

- Quem sabe? – Disse e deis três tapinhas em seu rosto e imediatamente seus olhos e nariz inflaram de raiva. Era visível o nervosismo tomando conta dela. – Você não é de se jogar fora, não me importaria de te fazer uma visita íntima qualquer dia desses. – Quase lhe roubei um beijo, porém ela foi mais rápida e me empurrou forte.

- Vai embora antes que eu me arrependa e te coloque ali dentro de volta.

 

Seis anos, seis anos dentro desse lugar imundo. Minha vida totalmente arruinada... Mas não tem problema, agora que estou livre, vou destruir tudo e todos que me derrubaram. Principalmente, duas pessoas:

 

Camila Cabello e Lauren Jauregui.

 

Simples, Camila me colocou nesta situação e tirou Lauren de mim, e essa, preferiu Camila. Só de pensar no casalzinho meloso me da raiva.

 

- Vai ficar aí vegetando ou vai entrar? – A voz que eu tanto conhecia me chamava.

- Sempre pontual. – Disse indo em direção ao carro que me esperava.

- Pontual é meu segundo nome, querida. – Sarcástica como sempre.

- Pensei que teu segundo nome fosse Vives. – Disse e ela revirou os olhos.

- Vamos embora antes que esse lugar te afete ainda mais.

 

Durante o trajeto, perguntei à Lucy a que ponto meu plano estava. Sim, durante todo tempo pelo qual fiquei trancafiada, elaborei várias mensagens de ameaça, escrevia-as num papel e entregava à Lucy nas vezes em que ela me visitava. A parte dela era fazer isso chegar à Camila e Lauren de todas as maneiras possíveis. Pagaria para ver a cara assustada de Camila lendo tudo... E presentemente, é hora de apresentar o segundo ato.

 

- É o que procurávamos – Comentei com Lucy sobre a casa em que estávamos. – Para um bebê, não vai fazer diferença.

- E acha que vai dar certo? – Indagou aproximando-se.

- Acho não, tenho certeza. Amanhã tiraremos o dia para reunir tudo o que precisamos e repassar cada parte – Dei uma pausa. – E tudo vai ser colocado em ação na quarta.

- E hoje? O que quer fazer?

- Descansarei. – Deitei na cama e ela logo se atirou em cima de mim.

- Certeza de que quer descansar? – Disse sedutoramente. – Sabe? Senti sua falta. – Deu um leve chupão em meu pescoço.

- Não perde tempo, não é? – Sorri maliciosamente e ataquei seus lábios.

 

...

 

POV Lauren

 

Engraçado como a vida é, um ano praticamente se passou e as ameaças continuam chegando como água corrente. E de vários jeitos, emails, cartas... Sempre sem remetente e cada vez mais perigosas. Com isso, tivemos que contatarmos a polícia e uma equipe de seguranças, Camila quase não sai de casa e quando sai, é acompanhada por três ou quatro guarda-costas. Eu acabei dando um recesso na preparação do meu novo álbum, sem previsão para retornar ao estúdio. Também estou ficando a maior parte do tempo em casa, nossa preocupação maior é Lorenzo, não sabemos quando o responsável por trás disso pode aparecer. E se aparecer, poderá fazer algo com nosso filho.

 

- Lauren! – Ouvi Camila gritar por mim. Imediatamente fui correndo até a sala e a encontrei desesperada. – Olha. – Entregou-me seu celular e eu li o que aparecia na tela.

 

Devem estar bastante amedrontadas com todos esses avisos que venho mandando a vocês. Mas não se preocupem, estou bem perto e logo saberão quem eu sou. Por enquanto, fiquem cientes: Quando eu aparecer, as consequências não serão boas... Pelo menos para as mamães e o filinho amado.”

 

Não conseguia formular uma frase sequer no momento, apertei o aparelho em minha mão tão forte de tanta raiva que sentia. Minha esposa me olhava, e meu nervosismo aumentava ao ver seu lindo rosto triste e aflito, se a pessoa por trás disso aparecesse agora acabaria com ela na hora.

 

- O que vamos fazer? – A voz de Camila tirou-me do transe.

- Vamos ficar preparadas para o que pode acontecer – Segurei seu rosto. – Camz, eu não vou deixar quem quer que seja encostar um dedo em você e no nosso filho.

- Só não faz besteira – Me abraçou forte e senti suas finas lágrimas molharem minha roupa. – Estou com medo, Laur.

- Vai ficar tudo bem, meu amor, prometo.

 

Imediatamente, comuniquei às autoridades que cuidavam do caso e dei instruções a todos os funcionários da casa – especialmente aos seguranças – para ficarem atentos a qualquer movimentação de pessoas estranhas aos arredores.

Pensava em uma possibilidade de proteção à minha família. Achava que seria seguro esconder Camila e Lorenzo na casa de campo que tinha mais afastada da cidade, falei com os policiais e os mesmos pediram para averiguar o local e confirmar se era uma decisão certa a ser tomada. Entreguei as chaves a um deles e parte da equipe foi até à área enquanto a outra continuou por aqui.

Se isso der certo, terei outro desafio: convencer Camila a ficar por lá. Não seria uma tarefa fácil, mas era para seu próprio bem.

 

POV Veronica

 

- Porque viemos aqui? – Lucy indagou.

- Apenas aguarde.

- Estou aguardando a uma hora.

 

Faltava apenas um dia para eu dar as caras, então resolvi brincar mais um pouco. Estávamos dentro do carro bem próximo a casa que Lauren tem no interior de Los Angeles, tinha cem por cento de certeza de que ela iria estar por aqui ou mandar alguém para vigiar ou até mesmo se esconder. Por isso fiz as honras de deixar mais um presentinho na porta.

 

- Vamos embora – Disse Lucy entediada. – Não aparecerá ninguém nesse fim de mundo.

- Será mesmo? – Ironizei apontando para a viatura que encostava perto da casa.

 

Como eu pensava, Lauren tinha planos naquele lugar, porém é uma pena colocar uma pedra sobre suas ideias, não acham? Ri ao ver um dos agentes encontrando o que eu deixei, já estava feito. Ali as Jauregui não pisam mais.

 

- Agora sim, podemos ir. – Dei partida no carro e rumei dali. Liquidando mais uma saída para a família perfeita.

 

 

POV Lauren

 

A noite já caia quando uma pequena movimentação se fez fora de casa. O grupo de policiais que havia saído mais cedo acabara de retornar. Felizmente, Camila estava no quarto com Lorenzo e para não alarma-la ainda mais, conduzi o grupo para o escritório.

 

- Então, o que acharam? É um bom lugar? – Perguntei esperançosa.

- Seria se não fosse por isso. – Um dos oficiais me entregou um envelope e prontamente abri... Ótimo, tudo o que eu menos precisava naquele momento.

 

Não adianta se esconderem, sei de cada passo, cada lugar em que vão. Por isso, nada de truques.

- Merda – Amassei e joguei o papel longe. – Como sabem daquele local? Quase ninguém sabe. – Bufei derrotada.

- Aqui não tem lugar mais seguro do que sua própria casa, senhora Jauregui.

- Deve haver outra saída – Antes de concluir meu pensamento, meu celular vibrou indicando uma mensagem de Alejandro, e na hora... – Sim! Temos outra.

 

Mandar minha esposa e meu filho para o Brasil.

 

POV Camila

 

Desde ontem a noite não consegui dormi pensando em tudo que acontecia e também pela proposta de Lauren: Mandar Lorenzo e eu para a casa de meus pais no Brasil. Ainda estou relutante sem saber em que momento aceitei isso, mesmo sabendo que era para nossa segurança. Até porque ela continuaria aqui em Los Angeles, correndo riscos, o que me deixa aflita.

Neste instante, Lauren me ajuda a fazer as malas. Vez ou outra trocamos olhares e ela tenta me acalmar com seu rosto visivelmente terno, mas sabia que por dentro ela encontrava-se tão desesperada quanto eu e preferia manter o controle e não demonstrar nervosismo.

Depois disto, Lauren não se distanciou de Lorenzo. Por toda manhã, ela permaneceu bastante calada preferindo apenas por palavras importantes e necessárias, mostrava-se pensativa também e até mesmo quando nosso filho adormeceu, não o tirou de seus braços. Acompanhou-me até o exterior da casa, era chegado o momento. Peguei em seu rosto, olhei no fundo de seus olhos e pela primeira vez, aqueles verdes que tanto amava deixaram a tristeza aparecer.

 

- Vai ficar bem, não vai?

- Vou. – Ela disse depois de demorados segundos.

- Promete?

- Prometo – Pegou minha mão e depositou um beijo. – E você também me promete que vai ficar bem?

- Prometo. – Disse e ela deu um fino sorriso com o canto da boca e entregou-me Lorenzo.

- Se cuida meu pequeno – Deu um beijo em sua testa e voltou-se para mim. – Eu amo vocês.

- Nós também te amamos. – E sem mais, levou-me para seu beijo. Calmo, cheio de ternura, apaixonado, protetor. Sem busca por domínio, apenas um beijo demonstrando todos seus sentimentos vivos por mim. Um beijo que eu ficaria dependente por alguns dias.

 

- Precisam ir – Depois que finalizou, deixou mais um beijo em minha testa. – Me liga quando estiver no aeroporto e assim que estiver com seus pais, ok?

- Ok meu amor. – Disse e ela me levou até o carro, onde selou novamente meus lábios e deixou-me seguir.

 

Parte de mim sabia que ela estava fazendo isso porque esgotou suas forças e não tinha mais solução. – E era o certo. – Porém outra insistia para que eu descesse daquele automóvel e voltasse correndo até minha mulher. Não queria deixá-la ali vulnerável, segurando tudo sozinha sem aguentar, e quanto mais distante do meu campo de visão a casa ficava, a convicção de que já era tarde para voltar se fazia presente.

 

POV Veronica

 

Finalmente o grande dia chegou. O espetáculo está prestes a começar, me sentia maldosamente feliz, mesmo acordando tão cedo. Se não fosse por informantes, não saberia que Camila estaria indo para o aeroporto e nem teria bolado uma tática de interceptação.

Enquanto me arrumava, deixei que minha mente divagasse para a futura cena de Camila completamente ajoelhada pedindo-me o pivetinho de volta. Se não fizesse parte desta trama, eu assistiria tudo em seus mínimos detalhes.

 

- Já está pronta? – Lucy surgiu e olhei-a pelo espelho. – Fui avisada de que Camila saiu a poucos minutos e com forte esquema de segurança.

- Pena que será um jogo desigual – Peguei o grande armamento em cima da cama. – Já que temos cartas melhores.

- Realmente, não tem nada da Veronica que conheci antes desta ir para prisão. – Disse oferecendo-me uma máscara.

- Quando se está enjaulada, aprende-se e muito – Cobri meu rosto. – Agora vamos.

 

Seria rápido e ao meu ver, simples. Pegamos um atalho, o que nos deixa relativamente na frente. O aeroporto já estava próximo, então começamos a nos preparar, a saída do caminho que percorríamos desemboca na principal estrada rumo ao aeroporto, e automaticamente cruzaríamos com Camila... Agora.

Lucy atravessou o carro no meio da estrada forçando todos a pararem, logo saí do mesmo atirando em direção aos alvos que me interessavam, com cautela para não ferir ninguém antes da hora. E como previsto, jogo desigual. Quatro guarda-costas desceram e iniciaram, falhamente, a atirar com suas pequenas armas. Lucy surgiu me dando cobertura enquanto fui até onde Camila estava.

 

- Me dá a criança! – Ordenei já me aproximando para pegá-lo.

- Por favor – Ela o afastou. – Eu te dou o que quiser, até vou com você se for preciso, mas não o leve.

- Faça logo o que estou mandando antes que eu mate os dois – Retirei o bebê bruscamente de suas mãos. – Não pensem em fazer nenhuma gracinha – Voltei correndo até Lucy e rumamos dali. – Dados do serviço?

- Apenas um ferido e um bebê raptado.

- É um número aceitável. Agora vamos para o próximo passo.

 

POV Camila

 

Faltava apenas um minuto até o aeroporto quando de repente um grande carro preto surgiu e parou atravessado na estrada, fazendo com que freássemos perigosamente. Em seguida, suas pessoas, as quais não consegui identificar por causa das máscaras e vestimentas pretas, começaram a disparar vários tiros em nossa direção. Não pensei em mais nada a não ser proteger meu filho, o cobri entre meus braços e abaixei-me ficando entre os bancos. Os seguranças desceram e junto com outros dois começaram a atirar, mas em vão, tanto que um acabou sendo atingido no braço.

Senti um solavanco ao ver a porta de trás sendo aberta rapidamente, enrijeci ao ver um dos atiradores na minha frente, a arma quase apontada para mim.

 

- Me dá a criança! – Sua voz abafada, porém estridente tomou o ambiente e sua mão aproximou-se de Lorenzo.

- Por favor – Supliquei em meio às lágrimas. – Eu te dou o que quiser, até vou junto com você se for preciso, mas não o leve.

- Faça logo o que estou mandando antes que eu mate os dois – Ali eu me vi de mãos atadas e sem escolhas, entreguei Lorenzo contra minha vontade. – Não pensem em fazer nenhuma gracinha. – Disse e saiu levando meu filho.

 

Imediatamente, a dor invadiu meu peito, paralisei e entrei em estado de choque, desnorteada e quando me dei por conta já haviam me colocado em outro veículo dizendo que me levariam de volta para casa.

 

Meu filho... Meu filho... Meu filho...

 

POV Lauren

 

Olhei para o relógio, a esta hora Camila acabara de chegar AM LAX, já segurava o celular esperando sua ligação. No entanto, um tumulto estranho começou na entrada da casa, vários veículos policiais chegaram. Um deles abriu as portas revelando Camila correndo até mim e abraçando-me. Perguntava a ela o que aconteceu, entretanto, não conseguia dizer uma só palavra.

 

- Senhora Jauregui – Um dos guarda-costas que a acompanharam iniciou. – Estávamos próximo ao destino quando fomos surpreendidos por uma emboscada.

- Como?

- Um carro com dois atiradores nos interceptou na estrada. Tentamos revidar, mas estavam fortemente armados – Deu uma pausa. – Mas isso não foi o pior.

- Pior? Houve mais alguma coisa?

- Levaram Lorenzo – Camila disse em meio aos prantos. O mundo parou para mim assim que ouvi aquilo. Meu filho fora raptado e quem sabe aonde ele possa estar. – Implorei para não levá-lo, mas ameaçaram nós dois... É tudo culpa minha.

- Não, não, meu amor – A apertei forte contra mim sentindo as lágrimas queimarem meu rosto. A culpa caía sobre mim, minha culpa, não deveria ter tirado os dois desta casa, eles estavam mais seguros aqui o tempo todo. – O que podemos fazer agora? – Perguntei aos outros que se encontravam ali.

- Com certeza entrarão em contato buscando por resgate – Um dos oficiais falou. – Então, o que nos resta agora é esperar ligações.

 

Assenti e levei Camila para dentro, desvencilhei-me rapidamente de seu contato para assegurar de que ela não havia se machucado. Mirei em seu rosto abatido, a vulnerabilidade tomava conta de mim ao ver minha esposa naquele estado e eu não podia fazer absolutamente nada para mudar isto. Sentamos-nos no sofá e permanecemos abraçadas, avisei o ocorrido a meus pais e pedi para que avisassem aos de Camila. Suspirei pesadamente, quem eram aqueles monstros? Por que fizeram essa atrocidade? Anseio que não demorem a nos contatar e que Lorenzo esteja bem.

 

...

 

A noite já havia chegado, assim como meus pais que pegaram um voo de última hora para cá. Alejandro e Sinu nos ligavam a cada cinco minutos buscando por notícias. Eu andava de um lado para o outro extremamente nervosa, minha mãe revezava os cuidados entre mim e Camila que permanecia do mesmo jeito em que se encontrava como quando voltou, perplexa. Seus castanhos observavam atentamente minhas ações, assim como eu não desviava meu olhar dela. Encaramo-nos com semelhante intensidade, como se uma tentasse buscar na outra a chave para solucionar toda essa tormenta, então decidi regressar para perto dela. Abaixei-me diante de Camila e disse-lhe baixinho, apenas para ela ouvir, que iria dar tudo certo. Nesse mesmo instante, o telefone toca.

Foi um sinal para deixar-nos alertas. Fui em direção ao aparelho absorvendo todas as instruções que o agente me deu caso fossem os sequestradores. Suspirei e levei o gancho ao ouvido.

 

- Alô.

- Oi minha querida Lauren. – Não acreditava que estava ouvindo aquela voz novamente.

- Veronica. – Disse e Camila aproximou-se intrigada.

- A própria.

- O que quer? Não tenho tempo para bobagens.

- Então seu filho é uma bobagem? – Fiquei atônita ao escutar o que acabara de dizer. Percebeu meu silêncio, soltou uma risada e prosseguiu. – Sim, querida, estou com seu lindo bebê.

- Prove.

- Ok – Assim que falou, meu celular apontou uma nova mensagem. Fiz sinal para que Camila o pegasse, levou uma das mãos ao rosto, o pânico tomou conta de sua expressão. Na tela, uma foto de Veronica segurando meu filho. – Agora acredita?

- Sua desgraçada! – Disse alterada. – Devolva meu filho já!

- Acha mesmo que planejei isso tudo para depois entregar o moleque de bandeja? Vocês o terão de volta... Se fizerem o que eu mandar, claro – Deu uma pausa. – Antes que me pergunte, lhe direi as condições... Quero um milhão de dólares e... Você. – Terminou e bati na mesa com força.

- Só faço isso por se tratar de meu filho. – Rosnei.

- Ótimo negociar contigo, Jauregui. – E antes que pudesse formular alguma outra coisa, ela desligou.

 

A última gota de sanidade e paciência que eu tinha caiu, aquela filha da puta outra vez querendo acabar com minha vida. Juro que quando encontrá-la a mato. Bati o gancho com força no aparelho, todos a minha volta, curiosos para saber o que ela queria e o que iria ser feito.

 

- E então? – Camila perguntou pousando a mão em meu ombro. – Ela está mesmo com ele, não é? – Assenti. – E o que ela quer?

- Um milhão de dólares.

- Algo mais?

- Não. – Disse olhando para os lados.

- Certeza? – Pressionou seu toque em mim.

- Sim – Disse voltando-me aos policiais. – Conseguem rastrear chamada?

- Em alguns minutos teremos a localização exata.

- Ótimo... Pai, vem comigo.

- Aonde vai? – Camila segurou meu braço.

- Reunir a quantia para termos nosso filho de volta. – Dei um rápido beijo nela e saí acompanhada por meu pai.

 

POV Camila

 

Veronica estava com Lorenzo. Maldita Veronica, depois de anos sem notícias suas ela volta do nada para nos atormentar. Minha vontade era de sair atrás dela e quando a encontrasse estapeá-la, jogá-la de um precipício, enfim... O que fosse possível para fazer com que ela pagasse por tudo.

O que me incomodava a esta altura é Lauren ter agido de um modo estranho, frio ao encerrar a conversa com Veronica. Suspeitava de algo o qual ela possivelmente estaria escondendo. Clara também desconfiou da atitude da filha, e assim como eu esperava sua chegada para esclarecer isso.

Alguns minutos depois e os agentes já localizaram o paradeiro de Veronica, não muito longe daqui. Acionaram equipes e partiram com antecedência para prepararem o terreno e as negociações.

 

POV Veronica

 

- Bem, Lucy, foi ótimo trabalhar com você.

- Como assim? – Disse enquanto deixava o menino na cama. – Porque diz isso?

- Agora que praticamente consegui o que quero, já não preciso mais de seus serviços – Falei enquanto observava o horizonte pela janela. – Mas não se preocupe, terá sua parte por ter colaborado.

- Escuta aqui! – Segurou meu braço com força e virou-me para encará-la. – Se acha que pode se livrar de mim facilmente está enganada. Não sou seu brinquedo, entendeu? – Me aniquilava com os olhos.

- Escuta aqui você – Desvencilhei-me de seu contado. – Você acreditou mesmo que depois iríamos desaparecer daqui? – Dizia dando voltas entre ela. – Que eu estava caindo de amores por você? Quanta ilusão. Pensei que fosse mais esperta – Senti o baque se sua mão fechada contra meu rosto, logo passei a mão no canto dos lábios e senti o sangue. – Como se atreve? Saia daqui!

- Não acabou por aqui, Iglesias – Reuniu suas coisas preparando-se para ir. – Eu voltarei, e aí sim, isso terminará. Porque se eu cair... Você cai junto.

 

Antes tarde do que nunca. É a vida, quando você não precisa mais do objeto ele é descartado. E Lucy, por mais atraente e inteligente que fosse, não era por ela que eu estava apaixonada, ou melhor, ainda estava.

Em breve, Lauren seria minha novamente e desta vez para sempre, conhecendo ela o suficiente sabia que faria de tudo pelo filho. A única maneira que encontrei para ela voltar, aquela mulher sempre foi minha única paixão e estou disposta ao que for para recuperá-la.

De repente, ouvi carros se aproximando, arrisquei uma olhada. Como previsto, a polícia já dava as caras por aqui.

 

- Veronica Iglesias, sabemos que está aí – Uma voz aliada a um alto falante anunciou. – Apresente-se. – Vamos jogar o jogo, me dirigi até a varanda e apareci para o povo.

- Estou aqui. – Disse com um sorriso no rosto.

- Quero avisá-la de que está cercada, sem saída – O policial continuou. – Portanto, o melhor a se fazer é render-se e libertar o refém.

- Sairei daqui apenas com a presença da família Jauregui. Com licença – Voltei para o interior da casa. Olhei para o garoto que dormia. – Nem para você ser filho meu e da Lauren, criança.

 

POV Lauren

 

Saí do escritório naquela noite, ou madrugada, por se tratar de uma questão de extrema urgência consegui a quantia necessária. Meu pai era o único ao qual eu contei o real acontecimento, ele disse que era uma loucura, - o óbvio – porém, como ele sabia que não iria voltar atrás, apenas me deixou seguir sem comentar nada com minha mãe e Camila, por enquanto.

Assim que chegamos em casa, fomos avisados de que Veronica fora encontrada e exigia nossa presença, então nos reunimos e fomos até o local indicado

 

...

 

Encontrávamos-nos no destino, uma aglomeração de jornalistas e fotógrafos se fez diante de nós. Com muito custo, paramos bem próximo a casa, Veronica já estava de prontidão nos esperando, ou melhor, me esperando. Olhava-me com um sínico sorriso, se toda raiva que eu tinha ali agora fosse capaz de liquidá-la, ela já estaria no chão. Camila percebeu a tensão em mim e notou que Veronica não cessava seu olhar em minha direção. Encarou-a e pude ouvi-la cerrar um vadia entre os dentes.

 

- Ok – Sua voz cortou aquele momento. – Vamos direto ao que interessa.

- Não tem como terminar de outro jeito? – Indaguei.

- Absolutamente não – Voltou para dentro da casa. Meus punhos já se comprimiam e meu corpo tremia, de repente, ela surge com Lorenzo em suas mãos, Camila deu um passo a frente e foi parada com um aceno. – Espere, senhora Jauregui – Disse com desgosto. – Tudo do jeito certo – Fitou-me novamente. – Sabe o que fazer, Lauren.

- Aconteça o que acontecer – Fiquei de frente para Camila. – Eu amo você mais do que tudo nessa vida.

- Por que fala desse jeito? – Ela colocou as mãos em meus ombros – Vai ficar tudo bem, é só entregar o que ela quer e voltaremos para casa com nosso filho. – Disse e eu me limitei a dar um beijo em sua testa.

- Vem – Nos dirigimos até Veronica. Ela já estendia Lorenzo para as mãos de Camila e assim que o soltou, retirou a maleta a qual eu carregava, logo em seguida agarrou-se em meu braço. Camila observou, confusa, o ato. – Posso falar com ela pelo menos? – Questionei recebendo um sinal positivo de Veronica. Livrei-me bruscamente de seu contato.

- Lauren, o que acontece? Era apenas deixar a maleta com ela. – Camila falou já aflita.

- Não é bem assim – Suspirei. – Ao telefone, ela disse que apenas devolveria Lorenzo se eu ficasse no lugar dele.

- Por que não me disse isso antes? – Uma lágrima caiu em seu rosto. – Você não vai!

- Por isso mesmo que não falei nada antes... Porque sabia que você iria entrar em desespero e não me deixaria tomar essa decisão.

- Tem que ter outra maneira – Disse cabisbaixa. – E se ela fizer algo com você? – Segurei seu rosto, levantando-o de volta.

- Antes eu do que vocês – Selei seus lábios longamente. – Te amo muito tá?

- Também te amo muito. - Fez um carinho em meu rosto. Em seguida, retornei até Veronica.

- Entenda Camilinha – Dirigiu-se a minha esposa. – Lauren é e sempre será minha... Já te vi – Disse olhando para sua esquerda encontrando um snipper escondido entre arbustos. – Não tomem atitudes precipitadas, caso contrário, teremos um final trágico  - Sacou uma arma, pousando a mesma em minha cabeça e adentrou comigo para dentro da casa. Dei uma última olhada para Camila e sibilei um eu te amo fraco. – Finalmente!

- Finalmente o que?

- Tenho você de novo! – Veronica dizia freneticamente. – Vamos ser felizes juntas novamente, você vai ver, melhor do que éramos antes. – Se aproximou tentando arrancar-me um beijo, mas a empurrei.

- Ainda pensa nisso? – Disse e ela voltou a manter-me em sua mira. – Você armou todo esse plano, colocou a vida da minha mulher e do meu filho em risco por conta de uma coisa que já teve seu fim? – Com raiva, tentava avançar, no entanto, ela ameaçava com o revólver.

- Eu fiz isso porque amo você! – Gritou em total descontrole. – Sei que foi errado. Não digo apenas por hoje, mas sim por todas as vezes que te fiz sofrer. E você não sai daqui sem mim.

- Qual é! Inúmeros policiais estão lá fora esperando o momento certo para agirem – Consegui me aproximar e abaixei levemente sua mão que segurava a arma. – Ainda tem tempo de voltar atrás e colocar um ponto final nisso.

- Lauren, eu preciso de você. – Passou a mão livre em meu rosto e logo quebrei o contato.

- Eu precisei de você incontáveis vezes quando estávamos juntas, porém você não ficou comigo – Dei uma pausa. – Então, agora entenda que não preciso mais de você.

- Já que não posso te ter, Camila também não vai! – Jogou-me no chão e dirigia-se para fora tentando atirar, mas a arma falhou. Aproveitei para ir ao seu encontro e tentar tirar o objeto dela, entramos em um combate corporal e de repente, o ambiente é tomado por um... Dois estampidos.

 

Veronica caiu ao meu lado, havia sido atingida, assim como eu. Passei a mão em meu tórax e senti o líquido escorrer, minha audição já era nula e minha visão embaçava-se. Tudo o que eu enxergava agora eram apenas dois vultos me rondando.

 

POV Veronica

 

Entrei em completo desespero quando vi Lauren perdendo os sentidos até apagar, queria fazer algo, mas a dor em meu braço tirava parte de minha capacidade. A silueta parada na porta do quarto observava tudo com frieza, rodando tranquilamente a pistola no dedo.

 

- Vives. – Rosnei o sobrenome.

- Iglesias. – Disse o meu com certa calma.

- Qual é seu problema? Por que fez isso com ela?

- Eu não – Agachou-se atrás de mim. – Dois tiros, eu te acertei e você atirou na sua querida Lauren. – Ela disse e eu levei as mãos ao rosto lembrando o momento em que puxei o gatilho automaticamente quando senti a fisgada do disparo de Lucy em meu braço.

- Sua vadia! – Tentei me virar, mas ela era mais forte que eu naquele instante e conseguiu me imobilizar.

- Te disse que isso apenas acabaria quando eu voltasse – Juntou meus braços atrás das minhas costas. – E se eu cair, você vai cair junto. – Apontou a arma para mim, olhei para Lauren estirada no solo, perdendo sangue cada vez mais. Não, não era assim que teria que acabar. E com toda resistência que ainda me restara, pendi fortemente a cabeça para trás, possivelmente quebrando o nariz da latina logo atrás, peguei minha arma no chão e mirei em Lucy.

 - É uma pena, não acha? – Disse com sua pistola em punho diante de mim. – A Lauren em breve acordará, mas você não estará aqui para ver. – Sorriu.

- Você também não. – Imitei seu gesto com a boca.

 

Andávamos em círculos pelo local, sem perder o foco uma da outra, analisando cada movimento. Naquela altura, nada mais me importava, poderia morrer ali mesmo, não via sentido em continuar. Penso até que tudo poderia ter sido evitado se eu não tivesse agido como uma idiota, babaca, filha da puta que traiu o grande amor da sua vida. Quem sabe agora Lauren e eu não poderíamos estar em Amsterdã, sempre quis ir até lá, mas só iria com Lea. E por conta de nossos compromissos diferentes naquela época, nunca tivemos tempo.

 

- No três. – A voz de Lucy tirou-me dos devaneios.

- Um.

- Dois.

- Três. – E assim dois disparos se transformaram em um. Atiramos ao mesmo tempo. Lucy, já no chão, deu um sorriso leve.

- Te espero lá, Veronica. – Disse com dificuldade e pendeu a cabeça de lado. Ela já foi.

 

Tudo o que me restou foi andar até minha única amada, bati os joelhos no chão e caí sobre seu corpo. Respirava com dificuldade, sentindo o que em breve aconteceria, e desajeitadamente a abracei.

 

- Você pode estar... Me odiando a-agora... Mas eu s-sempre te te amei L-Lauren... E sem-pre vou te amar. E-espero que possa me me perdo-ar um dia...

 

POV Camila

 

Muitos que ali estavam aconselhavam-me a ir para casa com meu filho, mas como poderia? Tendo ciência de que minha esposa encontrava-se dentro daquele lugar com uma louca capaz de fazer qualquer coisa. Não! Só sairia dali com minha família completa.

Já me sentia inquieta pelo fato de ninguém tomar uma atitude, questionei os policiais o porquê de nada acontecer, porém, nossa atenção foi desviada a uma mulher que apareceu repentinamente na varanda da casa. Havia consigo uma arma e adentrou velozmente no interior do imóvel.

E de repente, dois estampidos tomaram o lugar, logo levei a mão ao lado esquerdo prevendo o pior naquele recinto. Em seguida, os agentes começaram a entrar na casa e, num pequeno intervalo de tempo, ouve-se um disparo mais alto. Um soldado apareceu solicitando, em voz estridente, por serviços médicos, prontamente enfermeiros, macas e etc. correram ao socorro.

A angústia em mim deu lugar a um choque ao ver a seguinte cena: Lauren inconsciente saindo daquele lugar. Entreguei Lorenzo à Michael, que presenciava-se menos tenso do que Clara e eu, e entrei na ambulância que partira com minha mulher até o hospital.

 

...

 

No centro médico, Lauren foi levada diretamente à uma sala cirúrgica. A bala que a acertou ficou alojada entre duas de suas costelas, e quanto antes esse procedimento fosse feito, melhor para ela.

 

- Senhora Jauregui. – Um policial veio até mim.

- Sim.

- A sequestradora, Veronica Iglesias está aqui e deseja falar com a senhora.

- Não tenho nada a tratar com ela. – Me virei para a grande janela do corredor.

- Ela insiste – Pigarreou atrás de mim. – Entendo o que sente neste momento mas, faça isso antes dela partir.

- Partir? – Encarei o homem.

- O caso dela já não tem solução. Agora o que resta é esperar.

- Qual o quarto dela?

- 203, andar de baixo.

 

E cá estou eu mantendo-me diante da porta 203. Suspirei pesadamente e girei a gélida maçaneta, foi me revelada uma pálida Veronica, triste, totalmente diferente da mulher de pose ameaçadora e perigosa de umas horas atrás.

 

- Você veio – Pendeu a cabeça até onde eu estava. – Pode entrar – Engoli em seco e me movimentei para perto da cama. – Como Lauren está? – Sua voz saia baixa e fraca.

- No momento está em cirurgia – Deixei as emoções um pouco de lado e continuei. – O que aconteceu lá, Veronica?

- Eu não quis fazer isto – Murmurou em choro. – Lauren tentou tirar a arma de mim e acabei disparando acidentalmente quando Lucy atirou em mim – Desviei meu olhar do dela ao ouvir aquilo. – E então, nós duas atiramos novamente, um na outra. Ela morreu na hora. – Meu corpo se arrepiou e cruzei os braços como forma de interromper os calafrios.

- E Lauren no meio disso tudo. – Balancei a cabeça negativamente.

- Camila – Chamou-me e voltei a olhá-la. – Sei que deseja o pior a mim agora, e acredite, está vindo, mas eu ainda queria Lauren por perto – Respirou fundo. – Fui a pior pessoa em toda sua vida e estava disposta a me redimir, sempre a amei – Pausou. – Isso acabou me cegando e não aceitava o fato dela estar feliz com você... Mas agora compreendo que não se pode mudar o destino. – Minha reação era de espanto, essa mulher era irreconhecível.

- Pena que descobriu isso tarde.

- Sim – Elevou o olhar para cima reprimindo lágrimas. – Por isso peço que me perdoe, em seu nome e no de Lauren. Por favor.

 

O que mais ela tinha a perder? Nada. A raiva cessou sua circulação em meu corpo e um fluido de lástima iniciava-se a prosseguir, como se todas as coisas que ela tinha feito a mim fossem lavadas. Era estranho, mas ao mesmo tempo, bom. É difícil, mas tem que ser feito.

 

- Se isso te deixa em paz, tudo bem – Suspirei. – Nós a perdoamos – E pela primeira vez, vi um verdadeiro sorriso em seu rosto. – Eu, preciso ir agora. – Disse já em direção à porta.

- Obrigada, Camila.

 

Fora do quarto, deparei-me com um casal de senhores pouco mais velhos. Apresentaram-se para mim como os pais de Veronica, pedindo desculpas incessantemente pelas atitudes da filha. Deixei-me colocar em seus lugares, poderiam ser meus pais, e por mais que não tenham nada a ver com a historia aceitei suas súplicas de indulto e os deixei, voltando para onde se localizava minha mulher.

 

Quarenta e cinco minutos depois, Veronica Iglesias havia falecido.

 

Quando retornei ao andar de Lauren, encontrei Dinah, Normani e Michael, Ally e Troy estavam em minha casa cuidando de Clara e Lorenzo. Minutos depois, um dos médicos nos disse que a cirurgia acabou e havia sido um sucesso, Lauren acabara de ser transferida a outro leito. Esperamos umas horas até que a anestesia cessasse para podermos vê-la.

 

...

 

Ouvi os resmungos que tanto conhecia, os olhos se abrindo lentamente, desviando da luz. As íris verdes me localizaram e sorri de tamanha felicidade indo para perto do meu amor. Dizia meu nome enquanto eu dava beijos por todo seu rosto, e aos poucos foi recobrando a consciência, reconhecendo os outros que ali permaneciam e a felicitavam, lembrou-se também do motivo que a fez parar naquela cama de hospital. Contou desde o momento em que foi mantida refém até o desfecho. Recordei do que ela havia feito, iria lhe dar uma bronca se a compreensão não falasse mais alto, foi tudo por mim e Lorenzo, por nos amar. E enquanto ela relatava, a alegria e admiração por aquela mulher cresciam cada vez mais, ela percebeu minha fixação e desordenadamente me puxou para um beijo cheio de amor e saudade, e o que mais desejávamos agora era ir para casa e ficar juntinhas do nosso pequeno.

Ela nos questionou sobre o que ocorrera depois que perdeu a consciência e surpreendeu-se ao saber da morte de Veronica, ficou um pouco triste ao saber que a vida tratara de cobrar caro dela da pior maneira.

 

...

 

- Muitas felicidades, muitos anos de vida! – Cantávamos animadamente, era o primeiro aninho de Lorenzo. E por pensarmos tão igualmente, Lauren e eu decidimos comemorar apenas com um bolo e chamamos apenas nossos amigos mais próximos. Quando nosso filho crescesse um pouco mais, teria uma linda festa da qual ele realmente poderia aproveitar.

- Cuidado pequeno. – Lauren dizia em tom brincalhão enquanto tirava a vela e Lorenzo afundava as mãos na cobertura do bolo.

- Já não quero mais. – Dinah disse fingindo cara de desgosto ao ver o ato.

- Ah, Dinah! As mãos do meu filho são capazes de serem mais limpas do que as suas. – Comentei tirando risos de alguns por ali.

- Para de graça e me dá logo um pedaço. – Bufou tentando trancar a expressão cômica de seu rosto.

Depois que todos foram embora, ajeitei a pequena bagunça que se formou na cozinha. Assim que terminei, retornei a sala e meus olhos sorriam, assim como eu ao ver uma das coisas mais lindas. Lauren, vencida pelo cansaço, dormindo desajeitadamente no sofá com Lorenzo, também descansando, deitado em seu peito. Alguém iria reclamar de dores no corpo, então antes de acordá-la, peguei a câmera e tirei uma foto das duas preciosidades da minha vida.

 

- Amor? – Agachei ficando mais perto.

- Hm.

- Levanta e vai pra cama – Dizia enquanto afagava seus cabelos. – Você tá de mau jeito aí. – Ela abriu os olhos e levantou a cabeça, logo sentindo uma fisgada pela posição. Riu ao ver como estava.

- Pega ele pra eu poder levantar? – Pediu em meio a um bocejo. – Não quero acordá-lo. – Peguei o pedacinho de gente e ela levantou-se em seguida. O deixamos no berço, trocamos de roupa e nos deitamos na cama. Lauren me abraçou, como de costume, e enterrei meu rosto em seu pescoço.

- Canta uma música pra mim? – Minha voz saiu abafada e quente, podia sentir o corpo dela responder a esse simples gesto.

- Alguma em especial? – Acariciava minhas costas.

- You Are My Life. – Disse e pude identificar seu rosto se contraindo em um silencioso sorriso ao escutar o nome da canção. E sem mais, aquela voz rouca que eu tanto apreciava ecoou por aquele cômodo.

 

Once all alone

I was lost in a world of strangers

No one no trust

On my own, I was lonely

 

Quando as primeiras frases foram entoadas, memórias entraram em minha mente. Começando com o nosso acidente, revelando-me naquele dia a Lauren Jauregui dos chiliques e ataques de estrelismo.

 

You suddenly appeard

It was cloudy before but now it’s all clear

You took away the fear

And you brought me back to the light

 

Nessa parte, lembrei-me do que ela havia me dito há tempos atrás... Você é a única que pode me salvar disso, de mim mesma. Trazer a verdadeira Lauren de volta... Perdida, eu a definira assim naquele momento, e aceitar aquele desafio foi uma das melhores decisões que tomei. Abrimos espaços uma para outra em nossas vidas.

 

You are the sun

You make me shine

Or more like the stars

That twinkle at night

You are the moon

That glows in my heart

You’re my daytime, my night time

My world

You’re my life

 

A primeira vez em que nos beijamos, senti como se o mundo todo desaparecesse. A segunda vez, já ansiava por mais. E quando começamos a namorar, um brilho diferente era encontrado em meus olhos, o mesmo brilho que os castanhos achavam nos verdes. Como foi dito uma vez, somos o sol e a lua, nós fazemos o eclipse perfeito.

 

Now I wake up everyday

With this smile upon my face

No more tears, no more pain

Cause you love me

 

Quando passamos a morar juntas, confiei toda minha segurança àquela mulher, que até hoje me abraça com um misto de delicadeza e força. Arrisco a dizer que isso é uma forma silenciosa de proferir “eu te amo e vou te proteger de tudo sempre”, e não havia preço nenhum que cobrasse isto.

 

You help me understand

That love is the answer to all that I am

And I’m a better man

Since you taught me by sharing your love

 

Lauren também me salvou ao me mostrar um amor puro, verdadeiro, um amor que só cresce com o passar do tempo. Não existe ela sem eu e eu sem ela, nossas vidas se fundiram em uma e criaram Camren... Espero que mais pessoas possam viver histórias como a nossa no futuro.

Meus pensamentos deram uma pausa e deixaram-me viajar na voz de Lauren cantando o refrão novamente, fazendo-me cair de amores mais uma vez.

 

You gave me strength

When I wasn’t strong

You gave me hope when all hope was lost

You opened my eyes when I couldn’t see

Love was always here waiting for me

 

Claro que tudo nem sempre foi um mundo doce e colorido para nós. Assim como todos, tivemos nossos problemas, nossos desentendimentos, ficamos afastadas. Sim. Mas isso é o que faz sermos fortes, às vezes é como se fossemos testadas para ver até onde aguentamos. E com amor, driblamos esses e driblaremos qualquer obstáculo que vier sobre nós. O amor dá vida!

 

You are the sun

You make me shine

Or more like the stars

That twinkle at night

You are the moon

That glows in my heart

You’re my daytime, my night time

My world

 

A vida é feita de escolhas, disso não restam dúvidas. Existem as certas, as que nos trazem arrependimentos e as que deixamos de fazer por puro medo e insegurança. Essas são as piores, pois nos privam, muitas vezes, de momentos maravilhosos. Tento imaginar como seria se eu não tivesse escolhido Lauren, com certeza não estaríamos aqui agora, provavelmente não estaria casada, ou poderia, porém não seria com Lauren. Se não fosse por me permitir amá-la, diria que seria fácil, contudo agora, não enxergo meu mundo sem ela.

E num gesto singelo de carinho, cantei a última frase da música junto com ela...

 

You are my life

 

- Eu te amo, Camz. Nessa e em outras vidas que virão.

- Eu também te amo, Lolo – Sorri ao fantasiar outras vidas amando a mulher da minha vida. – Nessa e em outras vidas que virão.

 

POV Lauren

 

Uma vez li em um lugar que o amor não tem bula e os efeitos não são mapeados, porém, tem receita e remédio. E o meu sem dúvida era Camila Cabello, a latina de traços delicados com a perdição chamada de olhos castanhos. A mulher que em maior parte do tempo é menina, sonhadora, que faz eu me apaixonar por um simples sorriso com a língua entre os dentes.

Para ela, pouco importa se sou famosa ou não, apenas me quer por perto sem exceções. Com ela é sim sim, não não, vive cada dia como se fosse o último... E ao mesmo tempo, é a mulher na qual eu acho meu ponto de paz e equilíbrio.

Todos nós viemos ao mundo com um propósito, talvez o meu seja amar Camila até a eternidade.

Com o tempo, você percebe que para ser feliz com outro alguém, precisa-se, em primeiro lugar, não precisar desse alguém. Percebe-se também que aquele que você ama e não quer nada contigo, não é o alguém da sua vida. Com Veronica foi exatamente deste jeito, eu não precisava dela, ela precisava de mim.

Então passei a me dedicar, cuidar de mim, sem correr atrás de ninguém. Acho que levei isso tão a sério que nada a minha volta era importante pra mim. Uma hoje, outra amanhã, bebe pra comemorar, bebe pra chorar, desconta a frustração nos outros... E no final das contas, quando não estava procurando, fui encontrada. E um novo ciclo se iniciou, hoje vivo para mim e mais duas pessoas lindas das quais o meu amor não tem tamanho. Poderia passar horas aqui, falando sobre minha mulher e meu filho, mas ainda assim não será o bastante.

Não importa onde você parou, em que momento da vida você cansou, o que importa é recomeçar, é necessário recomeçar! Você estará dando uma nova chance a si, renovando as esperanças na vida e o mais importante: estará acreditando em você outra vez, mostrando ao mundo do que é capaz.

Somos apaixonáveis, sempre capazes de amar muitas e muitas vezes, pois somos o amor.

E eu, sempre amarei Camila muitas vezes mais, existe um fio invisível, porém forte, que liga nossas vidas. Não importa o tempo, a idade, a posição social ou qualquer outra coisa. O destino sempre dá um jeito de nos manter unidas.

Por isso, não desista da sua felicidade, por mais que agora seja árduo e pesado. Não tenha medo, espante toda a insegurança, não abaixe a cabeça. No final vai valer a pena.

 


Notas Finais


Bem pessoal, o que acharam? Kkkk

Primeiramente, quero agradecer a todos os pacientes que esperaram a cada atualização. Confesso que em alguns momentos fiquei sem ideias, em outros tinha que escreve longe da minha mãe, pois desde que me abri (se podemos dizer desse jeito), ela reprova tudo o que eu faço.
Eu espero que vocês realmente tenham gostado desta história, desde o início. Ela é um pouco do que eu sou, é minha realidade alternativa, um mundo sem muitas dificuldades, com um final feliz. Foi exatamente por isso que a fiz, por também estar na busca de um final feliz.
Obrigada por cada um que a favoritou, comentou... Enfim, isso me deixou extremamente animada a continuar escrevendo.
E pra concluir, quero deixar um agradecimento especial a pessoa que me inspirou muitas vezes. Se estiver lendo isso, vai saber que é ela. Dedico esta história a você, anjo que ainda é meu, que só precisa achar o caminho de volta. Não esqueça de que me deves um beijo nessa e em outras vidas. Amo você.

É isso pessoal... Em breve, novidades por aqui.
ILY <3


Música: You Are My Life - https://www.youtube.com/watch?v=2lnqRpK08do


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