História Our Love Is Madness - Capítulo 6


Escrita por: ~

Postado
Categorias Naruto
Personagens Fugaku Uchiha, Gaara do Deserto (Sabaku no Gaara), Hinata Hyuuga, Ino Yamanaka, Itachi Uchiha, Mikoto Uchiha, Naruto Uzumaki, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha
Tags Drama, Mafias, Naruto, Rivalidade, Romance, Sasusaku, Suspense
Exibições 359
Palavras 6.951
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Hentai, Luta, Mistério, Policial, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Estupro, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


✿ VOCABULÁRIO:

Schatz - tesouro.

Tut mir leid¹ - sinto muito.


Ich liebe dich² - Eu te amo.

Idiotisch³ - idiota.

Scheiße⁴ - merda.

Fürst - príncipe.

hase⁶ - lebre.

schwanz - porra.

Nesthäkchen⁸ - caçula.

Wie der vater, so der sohn⁹ - tal pai, tal filho.

Ps: Não estranhem se algum personagem chamar o Fugaku de Vincenzo (Vicente) e Obito de Marcello ( Marcelo). Considerem os nomes japoneses dos personagems como alemão e sobrenome Uchiha italiano.

Capítulo 6 - Shades Of Cool


Fanfic / Fanfiction Our Love Is Madness - Capítulo 6 - Shades Of Cool

C A P Í T U L O 03: 

Shades Of Cool


 “Se der certo ou não, não importa, o que importa é que eu tentei e fui o mais longe que pude”


— Supernatural

 


Quotidiana, assim foi a manhã de um sábado. Um chuvoso dia de setembro. Porém não para Haruno Sakura; ela sabia que aquele dia não seria um dia comum. Estava pronta e decidida a procurar um emprego. A garota foi para a cozinha tomar o seu café preparado por sua mãe que naquele momento, não se encontrava em casa.


Encontrou um bilhete deixado por Kushina:

" Filha sai cedo para levar seu irmão ao treino final. Você sabe como ele está empolgado.


Sua irmã foi para faculdade terminar o restante do trabalho.


E seu pai foi trabalhar.

PS: Deixei o café pronto. Por favor, limpe tudo quanto terminar.
Te amo, mamãe. "



Aquela mensagem deixou Sakura muito feliz, visto que ela teria mais tempo para alcançar seu objetivo: emprego.


Como todos os dias, ela se deliciou com o suco de laranja caseiro de Kushina que Gaara costumava dizer ser o melhor. Passou geleia de morango nas torradas, colocou num prato, e foi para sala ligando a televisão.



A Haruno tinha um corpo perfeito. Ele era mantido sem nenhum esforço, o que causava inveja em Ino que frequentava diariamente a academia para se manter em forma.



Após tomar seu café lentamente, a garota ouviu o celular tocar. Rapidamente, ela deixou seu copo na mesa e correu para o segundo andar da casa, entrando desesperadamente em seu quarto. Porem, quando o pegou, ele havia parado de tocar. Olhou no visor - era ninguém menos do que sua melhor amiga.
Apertando a discagem rápida, a rosada retornou a ligação.


Em apenas em um toque Ino atendeu ao telefone e disse com todas palavras em alto e bom som para a amiga nem precisasse colocar o telefone perto da orelha:

— SAKURA!


— Bom dia, Porquinha. Dormiu bem? O que faz você ligar tão cedo para mim? — respondeu a rosada com a voz sonolenta e ao mesmo tempo carinhosa.


— Cedo? — repetiu a Yamanaka com certa ironia. — São quase onze horas da manhã e a senhorita combinou de me encontrar em frente ao shopping, esqueceu?


A Haruno que ainda não estava bem acordada, não conseguia entender como a amiga estava tão animada falando ao telefone aquela hora da manhã.
Atordoada com a ligação,a rosada respondeu sem pensar :

— Como você disse, ainda são onze horas da manhã. Ou seja, eu não estou atrasada. Aguarde um momento que logo chegarei aí. — Então olhou no espelho, e apesar de não ser o tipo de garota vaidosa sabia que pelo menos precisava tomar um banho para melhorar a expressão. — Preciso de um banho não estou boa para sair na rua. Sei que eu vou me atrasar só mais um pouquinho, mas eu sou bem rápida pra me arrumar. Você sabe.


— Como se você desse bola para sua aparência Testuda. — debochou a amiga. — Só saio com você mediante a uma pré-avaliação.


— Eu juro Porquinha. Em dez minutos estarei pronta. — suplicou. A rosada sabia que aquela promessa era impossível de ser cumprida pois a sua casa ficava longe do centro da cidade de York.


Rapidamente a Yamanaka respondeu :

— Considerando que eu te conheço a quase meio ano e que pontualidade não é o seu forte, aqui estou eu.


Naquele momento a campainha da casa da Haruno tocou insistentemente e a garota foi à porta para que Ino entrasse. Ao abrir a porta a única imagem que Sakura conseguiu perceber foi da melhor amiga vestida de um modo que fez com que seus olhos brilhassem.


A loira trajava uma blusa lilás com um decote discreto, calça skinny preta que se ajustava perfeitamente no seu corpo e botas de salto alto, todos devidamente com sua marca de alto padrão: Gucci.  Em uma de suas mãos estava a bolsa branca da Prada; na outra mão, um pequeno guarda-chuva cor de rosa. Apesar da chuva estar bem calma, Ino não poderia estragar seu penteado que acabara de fazer em um dos salões mais chiques de York.


Olhando aquela cena a rosada se apressou em dizer:

— Porquinha como você consegue acordar cedo para ir ao salão? — perguntou com um toque de preguiça estalando os dedos. — Eu deveria acordar mais cedo para procurar um emprego e nem isso consegui.


— Procurar um o quê? Está maluca Sakura? — perguntou a Yamanaka incrédula.


A rosada riu da expressão de espanto da amiga.


— Isso mesmo que você ouviu. — Sakura confirmou. — Estou passando por uma situação financeira muito delicada Porquinha. E se não procurar um emprego para ajudar nas dispersas, nos próximos três meses estou voltando para Escócia.


— Céus! Sua mãe te disse isso? — indagou a Yamanaka mais assustada. — Você não é muito nova? Vai largar a escola?



— Calma. Uma pergunta de cada vez. — riu enquanto abria a geladeira para pegar uma jarra de suco de laranja. — Sim. Tivemos essa conversinha na semana passada quando eu resolvi enfrentar a ira do seu amigo. — Sakura tomou um gole do suco oferecendo um copo a amiga. E continuou: —  Ino não vou largar a escola. Vou procurar por algum emprego que seja meio período.


A Yamanaka olhou para Haruno como se alguma coisa tivesse iluminado seus pensamentos.


— Testuda posso pedir para meu pai arrumar alguma coisa para você. — sorriu. — Ele sempre está precisando de alguma funcionária.


Sir Yamanaka não era nada mais do que o maior estilista de moda. Sua franquia Victorias Valentina era seu grande império em toda Europa.  
Por está razão, Ino vive dizendo ao seu pai que não poderia sair pelas ruas de York vestida de qualquer maneira. Por isso sempre conseguia dinheiro para comprar o que bem entendia. Dessa forma, todos os dias ela era vista usando as roupas da última moda, de diversas marcas famosas. Despertando a inveja em todas as garotas da região. Sakura também sentia uma pequena pontada de inveja mas durava pouco, pois Ino era muito generosa e não negava nada a ela.


— Obrigada Porquinha, mas não quero abusar da sua boa vontade. Eu realmente quero procurar alguma coisa por minha conta própria.



— Você é quem sabe. — insistiu a loira de olhos lápis lazúli. — Se eu souber de alguma coisa eu te dou um toque. Agora vá logo tomar um banho porque você está precisando de um urgentemente.


A Haruno saiu andando em direção às escadas para que pudesse tomar seu banho enquanto Ino a esperava na cozinha. Ela se deliciava com suco de Kushina. Depois de terminar a bebida, a loira subiu as escadas. 


A rosada já estava tomando banho. Nesse ponto a garota realmente era bem diferente das outras garotas;não demorava nem um pouco. Se houvesse briga naquela casa por conta do chuveiro, Sakura não seria culpada. Muitas vezes, a bronca ia para seu irmão gêmeo.


— Você viu quem está na capa do jornal da cidade? — perguntou a Yamanaka fazendo uma voz de suspense do lado de fora do banheiro.


— Não. Quem? —  a Haruno perguntou fingindo estar curiosa sendo que já sabia a resposta.


— Eu naturalmente. — respondeu dirigindo-se para o espelho do corredor a fim de arrumar toda aquela cabeleira loira e linda que Deus tinha dado naturalmente àquela garota.



— Nossa até parece que isso é novidade. — Sakura riu desligando chuveiro.



— Preciso estar na mídia. — Ino seguiu falando diretamente para o quarto da melhor amiga. — Afinal esta cidade não pode me esquecer. JAMAIS!



— Eu ainda não consigo entender como duas pessoas tão diferentes como nós mantemos a amizade tão forte, Porquinha.



— Olha, às vezes eu faço a mesma pergunta Testuda. Acho que com você sendo assim... — disse abrindo o guarda-roupa da rosada fazendo uma careta de desgosto por achar as roupas dela básicas demais. — As chances de nós brigarmos pra ver quem se veste melhor são nulas. — a loira rodou para que a amiga pudesse novamente ver como ela estava vestida.


Sakura riu.


Ino decidiu descer as escadas dando privacidade para a amiga. E resolveu esperá-la na sala.


— Se quiser ligar a tv fique à vontade. — gritou a dona da casa. Ela se enrolou numa toalha e saiu indo direto para o quarto trocar de roupa.


A Haruno era bem prática, pois ao mesmo tempo em que se vestia, arrumava o cabelo com o secador e passava sua maquiagem bem de leve.
Aquele era o momento em que somente uma mulher conseguia desenvolver tantas habilidades ao mesmo tempo. Até mesmo sua irmã mais velha se surpreendia com sua rapidez.


Sakura gostava de simplicidade; e era exatamente dessa forma que ela se sentia bem. Depois de mais uma olhada no espelho, estava certa que podia seguir a amiga. Desceu as escadas -  e como sempre suas roupas básicas não despertaram Ino. 


A rosada estava vestindo um vestido florido curto até as coxas, sapatilhas vermelhas e uma tiara preta por cima da cabeça. Os cabelos rosados estavam soltos, dando a ela um ar angelical.



— Santa mãe da simplicidade! Mesmo assim sem graça, você continua linda Testuda.


Sem dar bola para o comentário da loira decidiram sair de casa em direção ao shopping. Na porta estava um dos carros do pai de Ino junto com o motorista. 
As garotas entraram no carro e disseram em uníssono :


— Shopping.


[…]


Sir Yamanaka parou até a porta e tocou a campainha, antes de arregaçar as mangas de sua camisa branca. O som de salto alto ecoou dentro do hall antes que a porta se abrisse. Uma mulher parou de pé à sua frente com um sorriso enorme em seus lábios vermelhos e brilhantes.


— Olá Inoichi. Quanto tempo, não é mesmo? Senti sua falta. — disse a bela morena dando um selinho no homem.


Isabella era sua secretária de longa data. Ela acompanhou de perto o drama da família Yamanaka. A morte de Victoria. O nascimento de Ino. A queda e loucura de Inoichi. Seus acessos de fúria em relação a filha que a cada dia que passa, se parece com a falecida esposa. Ela sempre esteva lá; o tempo todo ao lado dele, desejando que Inoichi a enxergasse. Mergulhado em suas trevas, e a culpa que ele carregava por não ter salvo a esposa era demais.


Não havia espaço para um recomeço.


Para Inoichi - não tinha um só dia que ele não desejasse voltar no tempo e nunca ter Victoria. Assim, ela estaria viva. E Ino nunca teria nascido.
Sabia que era injusto culpar sua filha de dezessete anos por isso. Mas não tinha como ele evitar o sentimento de repulsa e culpa. Ainda mais, à medida que ela foi crescendo, sua aparência e personalidade se igualam a falecida esposa.


Ino seria seu tormento, o fantasma de sua amada falecida esposa.


Isabella logo saiu do caminho para permitir sua entrada. Sem dizer uma única palavra ele seguiu até a sala de estar e sentou-se em um sofá de couro preto. A mulher se juntou a ele, segurando uma taça de vinho tinto. Ele a pegou e levou próximo ao nariz, inalando o perfume, sentindo o aroma. Victoria costumava adorar vinho tinto.


— Então... Quanto tempo pretende ficar aqui? — ela perguntou tomando um gole de sua bebida, enquanto ele apenas segurava a dele. Yamanaka não bebia mais, desde o dia que sua filha nasceu.


— Você sabe... Até aniversário dela.


Isabella sabia que ele se referia a sua única filha que estava prestes a completar dezoito anos. 
 


— Esta com fome? — ela perguntou de modo sensual fazendo uma conotação que seu chefe entendeu bem.


Inoichi olhou para ela e seus olhos azuis percorreram seu corpo, admirando seu vestido preto justo e suas meias sensuais que constatava com sua pele alva e cabelos ondulados escuros como a noite. Seus olhos azuis pareciam safiras que brilhavam de desejo. Aquele azul o fazia lembrar dos olhos que tanto amara por vários anos.



Desviou o olhar e respondeu com um sorriso sacana.


— Sim.
 


Os dois jantaram enquanto ela falava e terminava com a garrafa de vinho. Inoichi só ouvia e acenava com a cabeça nos momentos certos. Depois do jantar, ele foi até a varanda e ficou olhando a vizinhança enquanto Isabella organizava tudo. À luz da lua e das estrelas iluminava o jardim dos fundos.
 


Mais uma vez ele ouviu o barulho dos saltos. Ela parou bem atrás dele, passando as mãos em suas costas, massageando seus ombros.


Ela sorriu de modo provocativo.
 


— Você sempre está tenso Inoichi.


Ele suspirou.


— Bella você sabe do que eu preciso.


Ela apenas assentiu com a cabeça e enfiou as mãos sob a camisa dele, arranhando levemente sua pele com as unhas longas e bem feitas. Victoria também estava sempre com as unhas pintadas de azul turquesa, sua cor favorita.
 


Isabella desabotoou a camisa e pressionou levemente os lábios contra o pescoço dele. A respiração daquela mulher era quente como de Victoria, porém, seu beijo era mais selvagem. Diferente dos de sua falecida esposa que eram sutis, calmos, e exploravam cada canto de sua boca sem pressa.


Ela sabia que nunca teria o coração dele, mas pelo menos, naqueles poucos momentos roubados, sua carne, seu desejo, o tinha.
 


Sem dizer uma só palavra, Inoichi voltou a se vestir cerca de duas horas depois. Era em momentos como esse em que supostamente deveria relaxar, que ele sentia sobre peito todo o peso do mundo em que vivia. Se pudesse voltar no passado, tantas coisas seriam diferentes. Porém, tudo que podia fazer agora era seguir em frente quando na verdade, o que mais desejava era abandonar tudo.


" Cuide de nossa princesa Inoichi. Ino vai precisar de você mais do que tudo e todos. Afinal você é o pai dela."


Ele se lembrou das últimas palavras ditas por Victoria. E não havia cumprido a única coisa que ela havia pedido. Sentiu as lágrimas inundarem sua vista. Em menos de uma semana Ino faria dezoito anos. Quanto tempo. Dezoito anos que Victoria o deixou. Um vazio e um aperto seu coração que nunca se cicatrizaria.

[…]


— Galera valeu por hoje. Eu senti a garra e a determinação de todos vocês e principalmente o espírito de equipe. Se vocês levarem tudo isso para o campo amanhã, nós com toda certeza, vamos ganhar de lavada daqueles Ravens!



Todos assobiavam, gritavam e aplaudiam Naruto. Desde quando ele se tornou o capitão do time, a escola tem ganhado vários campeonatos, patrocínios e principalmente alunos.



O loiro tem o dom com esporte tanto quanto com as palavras. Seu poder de conseguir persuadir as pessoas é algo para poucos. De sol a sol, o Uzumaki dedica todo esse esforço para tentar convencer seu pai de que aquele é seu sonho e o caminho certo para sua vida. Sentia que se conseguisse fazer seu nome em Konoha School, conseguiria sua passagem para Universidade de Cambridge e por fim, se tornaria um jogador famoso.


— Já pensou em ser palestrante? Você tem jeito com as palavras. — debochou o Haruno.
 


— Até que não é uma má ideia... Assim eu aumento meu repertório com as gatinhas.



— Caramba! Por quê você tem que associar tudo com um rabo de saia? Será que é só isso que funciona na sua cabeça? — resmungou Lee irritado.



— Sobrancelhudo por acaso tu é gay? Tudo numa boa, eu não tenho preconceito não, desde que você não venha oferecer seu...
 


Lee ignorou o comentário do amigo e se apressou em dizer :

— Eu já fui e ainda sou a fim de uma garota.



— Quem? — perguntaram os dois garotos. — É da escola?


— Não. — respondeu rapidamente estalando os dedos. Mania que adquiriu quando ficava nervoso ou receoso. — Mas eu acho que você lembra dela Naruto. A minha vizinha Ten Ten.


O loiro colocou sua mão no queixo de modo pensativo.


"Ten Ten... Esse nome não me é estranho," pensou.


Puxou algo em sua memória; de quando tinha dez anos e quando morava na Califórnia.


— Ah! Aquela garota que vivia com dois coque que nem Chun Li?


— É ela. — o moreno riu do comentário do amigo. Mas logo desmanchou o sorriso ao se lembrar da bela morena oriental. — Ela e o Neji vão se casar...



— Neji? O Hyuuga? — Naruto encarou amigo com um brilho no olhar.


Neji era seu antigo vizinho nos Estados Unidos. Desde de sempre, obtiveram uma rivalidade muito grande, especialmente no quesito romântico.

" Pelo visto ele não se contentou com a Gabby," Naruto pensava consigo.


— Não fala assim cara, ele é meu amigo. E também nunca daria certo...Ela sempre foi apaixonada por ele desde sempre.


Naruto segurou Lee pelo colarinho e trincou os dentes. Os olhos azuis do Uzumaki pareciam ter escurecido, assim como o sangue que borbulhava em suas veias. Gaara esfregou a testa e murmurou algo como ''isso vai dar merda.''



— Como você pode ser tão trouxa a ponto de entregar a garota que você gosta para outro, hein? Por medo dela te rejeitar? Mas e dai? Pelo menos ela saberia que tinha uma opção muito melhor do que aquele verme. E você não ficaria com essa cara de cachorro arrependido! — vociferou o loiro despejando palavras duras e ferinas.



— Naruto não decida as coisas por mim tá? Foi muito difícil para mim. — rebateu o amigo com um olhar duro. — Queria ver se fosse você e o Sasuke interessados pela irmã do nosso amigo Fósforo.


— Você gosta da minha irmã? — perguntou o ruivo segurando o riso.


— É apenas uma suposição Gaara. — respondeu Lee com as sobrancelhas grossas arqueadas para Naruto.


O loiro entendeu o recado; soltou o moreno e recompôs sua compostura.



— Como eu te disse, não voltou com as minhas palavras e faço todas as minhas escolhas sem arrependimentos. Mesmo o Sasuke sendo meu melhor amigo, e se por um acaso eu gostasse dela, lutaria com todas as minhas armas para conquista-la. E se mesmo assim ela o escolhesse, eu entenderia... Não sairia com sentimento de derrota mas de que eu fiz o meu melhor! —Naruto rebateu o Rock orgulhoso pela resposta.


— Olha o papo está bom mas eu preciso ir... Tô sentindo o olhar da minha mãe me cozinhando a dez metros.



— Falou Fósforo. Relaxe sua mente... Vê uns Red Tube, joga um pouco de Call of Duty e goza bastante. E venha com toda garra e disposição amanhã!



— Sim capitão, seu desejo é uma ordem. — Gaara bateu continência para o loiro que ria com a expressão durona do amigo. Em seguida sussurrou para Lee algo como '' fica bem, o que já passou não tem volta. Viva o presente.''



O moreno esboçou um sorriso e o ruivo deu alguns tapas nas costas dele e seguiu correndo pelo gramado ouvindo os berros raivosos de Kushina que estava com pressa e precisava passar no super mercado.


— Foi mal cara. Eu não falei por mal. Você sabe, tenho esse hábito de falar o que eu penso sem medir as coisas. — disse arrependido, colocando o braço em volta do amigo. — Tá cheio de gatas por aqui. Se quiser,eu te passo a minha agenda telefônica.



Por serem amigos de longa data, ambos não conseguiam ficar muito tempo remoendo mágoas ou discussões bobas. Até porque o Uzumaki era uma boa pessoa e seu coração é muito generoso.



Os dois garotos caíram na gargalhada.



— Eu dispenso esse tipo de garota. — disse Lee recuperando o fôlego com um sorriso largo. — QUER SABER...TOMARA QUE VOCÊ SE APAIXONE!


— VIRA ESSA BOCA PRA LÁ! QUERO ESSE VÍRUS DEMONÍACO BEEEEM LONGE DE MIM. — Naruto tampou o nariz causando gargalhadas histéricas no Rock.
 

[...]



— Milady a senhora tem certeza? Sabe que Lord Sasuke não vai aprovar, não é? — perguntou a governanta colocando os pratos na mesa.


— O que eu não vou aprovar Charlie? — Sasuke pode ouvir o rosnado em sua própria voz e se arrependeu da grosseria.



Mikoto respirou fundo massageando a têmpora.



— Tô na área, se derrubar é pênalti. — disse Naruto colocando o braço em volta do pescoço do melhor amigo.


Ao ver o Uzumaki, Mikoto tratou logo de salda-lo para fugir do assunto.



— Naruto querido, como está o treino? Acha que vão conseguir ganhar o jogo amanhã ?



— Rapadura é doce mas não é mole não. — riu com próprio comentário. — Se depender de mim tia, a taça, a bolsa de Cambridge e o que for necessário será nosso.


Irritado o moreno encarou a mãe esperando alguma resposta. Vendo que a mesma evitava-o, teve que apelar:

— Charlie. — chamou-a com a voz cortante e dirigiu a governanta um olhar ameaçador.



Mikoto tomou partido e disse:

— Seu pai e eu decidimos você sabe…Desligar as máquinas.


— CASO VOCÊS NÃO SAIBAM, MAS SÃO AQUELAS PORRAS DE MÁQUINAS QUE MATEM O BRÜDER VIVO!  VIVO! — cuspiu as palavras de modo assassino.

Sua visão turvou-se de raiva. Era como se uma fumaça negra estivesse em volta de si,expelindo ódio. O cérebro derretia e o sangue borbulhava dentro de si.


— Você acha que eu não sei meu filho? Você acha que eu queria seu irmão naquele estado? Acha mesmo que eu quero que ele morra por considera-lo um fardo? — gritou Mikoto segurando as lágrimas.



Naruto e Charlotte eram espectadores daquela tragédia; assistiam a tudo calados.


Assim que levantou-se da cadeira, Mikoto se pôs de pé de frente para o filho onde carregava um olhar cheio de magoa e assim prosseguiu:

— Me perdoe meu Schatz por me preocupar com vocês. Por ser mãe. Eu juro que tentei de tudo!


Para Naruto - ouvir aquele desabafo foi como se descosturasse feridas que ele achava que estavam permanentemente cicatrizada.


"Tsunade," lembrou-se da mãe que conhecia muito bem pelas fotografias que ficavam espalhadas em sua casa, fazendo questão de lembra-lo de sua ausência.


Novamente o sentimento de inveja se manifestou sobre si — desejava tanto que aquela mulher de cabelos negros a sua frente fosse sua mãe. Queria um alguém que o amasse e o protegesse assim como Mikoto estava fazendo naquele momento. Na verdade, desde que conhecera Sasuke ela sempre foi assim; mãe. Seu instinto maternal é tão grande que ela mesmo o considerava como um filho, um membro da família Uchiha.



Ele fechou os olhos com força, tentando projetar a imagem das fotografias de Tsunade em sua mente. Não sabia como era tocar nos cabelos loiros ou olhar nos olhos azuis celestes dela. Tão pouco, não sabia como era seu abraço ou sua voz. Será que ela lhe iria lhe repreender se chegasse em casa todo sujo após o treino de futebol? Ou pelo seu mau comportamento na escola?
Ele não pode deixar de esboçar um pequeno sorriso.



E quando ele ficasse triste? Cogitou a ideia. Será que ela faria cafuné nele e diria palavras que o incentivasse? Ela ficaria feliz se ele fizesse um gol em homenagem à ela? No dia das mães - ela gostaria de receber: café da manhã preparado por ele, flores, ou as duas opções?


Será que ela faria um bom copo de chocolate quente e lhe daria um beijo de boa noite?


Nunca saberia.

 
Apesar de sempre ter convivido quase toda sua infância com os Uchihas, e cercado de empregadas para suprir a ausência de sua mãe, elas nunca poderiam reclamar quando ele quebrasse algum vaso ou por correr pela casa.

 

O sentimento de vazio sempre lhe acompanhou desde que nasceu. Talvez, estivesse destinado a ser amaldiçoado e fazer as pessoas ao seu redor infeliz — como seu pai. Esse era seu pensamento.


Mesmo querendo que Mikoto preenchesse o vazio que sentia,ela nunca faria pois não era sua mãe.


Talvez a única pessoa que compreendesse o que ele sentia era Ino. Pois ela também sofre do mesmo mau. E em ambos os casos, seus pais lhes culpavam involuntariamente pelas mortes de suas mães.


Sentiu vontade de chorar e esmurrar Sasuke por ter falado aquelas besteiras para Mikoto como se ele fosse o único a sofrer por Itachi. Mas se conteve, ficou ali ao lado do melhor amigo.



— SCHATZ você e seu irmão são parte essencial do meu ser. Eu sei que é difícil aceitar. Já está sendo horrível para mim perder seu irmão. É como se arrancasse uma parte de mim. Entende isso? — ela falava gentilmente e olhava o filho com um olhar firme e decidido. — Quem sabe essa não é a melhor forma? Seu irmão pode estar sofrendo. Não podemos ser egoístas e permitir que ele viva daquela maneira. Tenho certeza que Deus tem preparado uma coisa muito melhor para ele.



O olhar sem vida de sua mãe lhe calava toda vez que ele o encarava.
Era engraçado e ao mesmo tempo trágico o modo com o qual Sasuke não sabia como agir ou sentir, pela primeira vez. Talvez não tão engraçado assim em razão do motivo, que lhe fazia ter a boca amarga quase todo o tempo, porém ainda mais patético porque ele nem ao menos sabia o que dizer à mãe.


De todos, Mikoto era quem estava sofrendo mais. Como mãe, foi ela que aguentou nove meses ansiosamente para trazê-los ao mundo. Sempre colocando tanto ele como seu irmão em primeiro plano. Ela não era a mãe perfeita; mas era a mãe que dava sempre o seu melhor. Oferecendo : amor, carinho e proteção.



— Sasuke meu schatz. – Mikoto ofegou seu nome num tom choroso, o que fez Sasuke parar antes de pôr a mão na maçaneta da porta.



Todas aquelas palavras o atingiram por completo. Fazendo-o se sentir um completo idiota e totalmente egoísta. Mas ele estava decidido a não perder o irmão. Não podia perdê-lo em hipótese alguma!



Virou-se alarmado e foi até Mikoto. O branco dos olhos de sua mãe haviam se tingido de vermelho e ela chorava a partir deles com uma expressão de pura angústia. Ela abraçava Sasuke como se fosse perdê-lo novamente, e soluçava. Ele por sua vez, ficou alarmado e um tanto em choque.



— Tut mir leid¹.



Sasuke beijou o topo da sua cabeça de Mikoto de modo muito gentil. O estado da mãe lhe afligia tanto que ele não sabia o que fazer além daquilo.



—Ich liebe dich² Mama. — ele tentou fazer com que ela parasse,mas de nada adiantou, Mikoto continuava chorando enquanto segurava sua mão. — Ele deu uma última olhada para ela, então se afastou. 

 
Colocou a mão na maçaneta girando-a. Saiu daquela casa onde estava impregnado de "fantasmas" de sua infância com seu irmão. Assombrando e atormentando sua mente.



— Tia não liga pra ele...Você sabe como o Teme é esquentado como tio Fugaku. — Naruto tentou reconforta-la e deu um beijo na bochecha de Mikoto.



— Por favor Naruto querido, não deixe meu Schatz fazer nenhuma besteira. EU NÃO QUERO PERDÊ-LO NOVAMENTE! – mesmo entrecortando parte da frase, o rapaz pode sentir o genuíno medo e a tristeza em suas palavras. Torceu os lábios, abraçando-a.



— Eu prometo tia. — respondeu ele desfazendo do abraço e indo na mesma direção do Uchiha caçula.



Sasuke tirou do bolso da jaqueta um molho de chaves onde acionou o botão onde a porta da garagem se abria por si só. Entrou em seu Lamborghini Veneno.



Naruto bateu no vidro do motorista obrigando o amigo abaixar o vidro para escuta-lo:

— Espere aí Teme, não vou deixar você dirigir nesse estado. — ordenou o Uzumaki. — Quem vai brincar com essa beleza aqui sou eu.


— Se você vai junto não me faça perguntas. Estamos entendidos? Ou vai ser preciso arrancar sua língua fora? — ameaçou o Uchiha com seu humor ácido.



— Desde que você não arranque meu pau como fizeram com o Theon Greyjoy do Game of Thrones. — brincou enquanto dava a partida. — Pra onde vamos? Eu preciso saber pelo menos isso.



— Para a Uchiha Corporation. Meu pai e eu temos contas a acertar!

 

[…]


— Idiotisch³. Você vai morrer!

 


Aquelas palavras interromperam o silêncio que reinava na sala. Fugaku controlou seu desejo de responder, mantendo-se calmo. De fato aquilo não era algo em que ele próprio não tivesse pensado dezenas de vezes, mas ouvir aquelas palavras pronunciadas num tom de voz mais frio e sem qualquer pingo de emoção tornava as coisas mais reais.



Ele se virou em direção da voz que conhecia muito bem e deparou-se com os olhos cautelosos de seu irmão mais velho, tão negros que era praticamente impossível distinguir entre as pupilas e as íris. Com os cabelos negros e lisos até o comprimento do ombro. Obito herdou os traços alemão de sua mãe Uchiha Mito. Diferente do irmão caçula, não seguiu os mesmos passos de seu pai. Nunca se interessou pela máfia. Seu histórico militar levou a ele um cargo na CIA.


— Eu sei Marcello. Não estou preocupado comigo. Só não quero perder Mikoto e Sasuke.



— Deixa eu ver se entendi seu raciocínio Vincenzo. Então você vai iniciar uma guerra novamente para limpar a verdammte Scheiße⁴ de trinta anos atrás? — perguntou o irmão metendo nos lábios um maço de cigarro e acendendo logo em seguida. — Posso entender o motivo de você ter passado boa parte dos seus poderes para Nagato, mas não pode evitar o que foi destinado a você. Nosso pai o escolheu. Você é o Fürst⁵ mafia.


— Eu jurei para Miko que não voltaria a ser quem eu fui.. Eu..



Obito o interrompeu.


— Você amoleceu muito desde que se casou com aquela hase⁶. Não gosto disso. Você vem com esse chorume, diz que não quer me envolver, mas o fez desde o primeiro dia ao enfiar Rin nessa história.
 


—  Você nunca vai compreender a razão para eu ter feito o que fiz, certo? — Fugaku perguntou.



—  Não estaríamos aqui sentados se pelo menos uma parte de mim não entendesse. — respondeu Obito desviando o olhar por um momento.


— Eu juro que não pretendia. Você melhor do que ninguém sabe que eu faria schwanz⁷ para manter fora disso… Mas se não estivesse scheisse⁶ juro que não iria meter mais ninguém nisso se não precisasse de ajuda.  — continuou o Uchiha caçula meio aflito. — E você não pode me negar… Você sabe bem disso… É sobre ela. 


— Nesthäkchen⁸, sabia que é tão chantagista e filho da puta como nosso pai. Sabe que é jogo sujo usa-la. — retrucou irritado. — Olha, tenho certeza que não pretendia mas achei hure scheisse⁷ dentre todas as pessoas do mundo você fosse o primeiro a entender, afinal Itachi esta entrevando numa cama de hospital por causa das scheisse do passado. E agora esta me colocando na mesma situação.  — Obitou o encarou com seriedade.


Fugaku fechou os olhos respirando fundo.


— Tenho que ajuda-lo mesmo esse ato sendo contrário a tudo aquilo que jurei em minha vida. Até porque, essa é a única maneira de proteger minha mulher. Então, somente dessa vez vou encobrir os dados do governo e trabalhar para acoberta-lo. Sabe que se não fosse meu irmão já estaria atras das grades esperando pela sua sentença de morte. — falou de forma convincente e firme. Os olhos de Obito pareciam perfurar o irmão que estava sentado a sua frente. — É bom que essa vingança valha a pena. Já temos inocentes demais envolvidos nisso.


O caçula esfregou com força o rosto nas mãos.


— Mulheres. O que não fazemos por elas? — disse o primogênito num tom brincalhão ainda que sua expressão mantivesse sem emoção alguma. — É bom que perceba para seu plano dar certo vai ter que matar novamente.


— Obrigado. — disse Fugaku enquanto Obito se preparava para sair.


— Não me agradeça. Você ainda pode morrer.

 
Do lado de fora da sala do sir Uchiha, uma moça que aparenta ter seus vinte e seis anos prendeu a respiração ao ver um Sasuke transtornado sair do elevador. O moreno mal pareceu reparar na presença dela e perguntou, não parando de caminhar em direção a porta da sala presidencial.


— Ele está aqui? Hein? — perguntou o rapaz furioso apontando em direção a porta. Ele sequer esperou por uma resposta da secretária e foi longo abrindo a porta, sumindo por essa que se fechou brutalmente.


A moça de cabelos castanhos amarrados em um coque alto deu até pulou no lugar com o baque. Ela olhou para o Uzumaki procurando explicações.


— Mas o que... — ela tentou dizer. Sasuke estava realmente furioso. Viu os olhos negros dele brilharem como nunca, repletos de uma raiva enlouquecedora.



Naruto suspirou massageando as têmporas com as mãos, os cotovelos apoiados na mesa e olhando a secretária do sir Uchiha com olhos cansados e disse :

— Vai ser um longo dia, Ellie.


Fugaku estava digitando um e-mail quando ouviu a porta se escancarar.


Sasuke entrou no escritório.


Era um rapaz rebelde e impetuoso, do tipo que carrega muitos segredos e tem medo de se envolver com as pessoas - muito parecido consigo, nesse aspecto. Aquele pensamento o fez sentir como se tivesse recebido um forte golpe no estômago.


Dentro da sala, o rapaz logo percebeu a presença do tio. Obito olhou para ele observando-o da cabeça aos pés, como sempre fazia.Com as costas encostada na porta, Sasuke desviou o olhar do tio para seu pai, encarando-o em plena fúria. Ele sabia que encarava o reflexo de si mesmo, porém mais velho, sentado a cadeira atrás da mesma. 


O reflexo o encarava com a mesma seriedade e frieza com a qual estava habituado, não apenas a ser olhado por ele, como também a olhar para os outros.


O homem sentado na cadeira usava um terno Armani preto, os olhos eram tão belos como o do rapaz encostado a porta de semblante furioso. Os cabelos tão negros e compridos que estavam um pouco abaixo dos ombros. O homem sentado, olhava para o filho de maneira indiferente, parecia de fato um Sasuke dali a alguns anos; um Sasuke mais velho.


— Você não fez isso! — disse o rapaz marchando até a mesa do pai que o fitava como que não sabendo do que o filho falava.


— Ele alguma fez bate na porta? — perguntou Obito com sorriso de escárnio.


Sasuke fez um estalo com a língua em sinal de descaso pouco se importando com comentário do tio.


— Não vim aqui para ouvir lição de etiqueta.


—  É importante ter boas maneiras moleque. — retrucou Obito. — Isso me faz lembrar quando minha mãe nos perguntava se havíamos crescido em um estábulo quando esquecíamos nosso lugar.


— Então sua mãe devia ser uma vaca. — respondeu o garoto com cinismo não registrando as palavras que saíram de forma natural. Ele não percebeu que havia ofendido sua falecida avó.


Antes que Sasuke pudesse verbalizar alguma justificativa para seu comentário, Fugaku o pegou pelo colarinho e o empurrou violentamente contra a parede. O rapaz perdeu a respiração no momento em que o pai enfiou uma arma em cima de sua testa.


— Não vou tolerar mais esse tipo de atitude. É da minha mãe, sua avó que estamos falando. — gritou o sir Uchiha com os olhos faiscando ódio. Sasuke havia pisado no calo de seu pai. A melhor maneira de ver grande Fugaku descontrolado era citar o nome de Mito em vão.


O coração do rapaz batia aceleradamente. Por um segundo, não duvidou que seu pai puxasse o gatilho.


O Príncipe o encarou com um olhar tão demoníaco que Sasuke começou a suar. Nunca tinha visto aquele olhar. Parecia que aqueles olhos, os mesmos que ele herdou, refletiam a morte. E sentiu na pele o que as vítimas de seu pai sentiam. Ou pelo menos um pouco.


Obito apenas sorriu se divertindo com aquela situação. O garoto queria retrucar, dizer ao tio que não havia nada de engraçado naquilo, mas não ousou a abrir a boca, pois se já era assustador ter o revolver de seu pai apontado para si, não seria louco de atrair a ira de seu tio também.


— Uchiha Vincenzo Fugaku solte o garoto. O susto já foi o suficiente. — disse o irmão com os olhos fixos no sobrinho. — Como estava dizendo quando você me interrompeu com esse comentário desnecessário sobre minha mãe. É importante ter boas maneiras. E existe duas maneiras de se conseguir o respeito. Admiração ou quando impõe medo. Mas no seu caso… — concluiu com a voz afiada. — Só quando ameaçam sua vida. 


— Vai se ferrar! — gritou o garoto tentando controlar seus batimentos. — Não sou um babaca fraco. Eu sou um Uchiha tanto quanto vocês. Essa não é a primeira vez que tenho uma arma apontada na testa.


— Wie der vater, so der sohn. — comentou o irmão mais velho dirigindo o olhar para Fugaku que rolou os olhos voltando a se sentar em sua cadeira.


Obito sorriu de lado com a situação formada. Sasuke tinha mais de Fugaku do que imaginava.


— Até agora não entendi sua reclamação. — disse o pai mais controlado, encarando o caçula com as sobrancelhas arqueadas. Seu tom de voz era frio, cortante. Talvez, fosse mesmo dali que Sasuke herdara seu jeito arrogante e indiferente.



— Não se faça de cínico. — o rapaz quase gritou espalmando as mãos sob a mesa. Fugaku sequer se mexeu, apenas ergueu uma sobrancelha para o filho, se perguntando como aquele moleque ousava ter tamanha ousadia com ele. Até cinco minutos atras ele estava tremendo, e agora, voltou a desafia-lo. Realmente aquele garoto tinha o sangue italiano em suas veias. Era o sangue impulsivo de Madara que o impulsionava. 


— Eu sei o que pretende fazer com brüder.



— Pelo visto você tem algum informante lá dentro do hospital. — respondeu o pai com leve admiração. Sim, admiração. Homens ricos e poderosos como ele, admiravam quando os filhos se mostravam ardilosos e espertos, ainda que contra eles. — Quem é? Alguma enfermeira com a qual você dormiu?



— Não sou tão baixo a ponto de dormir com a primeira que me oferecer uma boceta. — Sasuke respondeu com tanta propriedade estufando o peito, encarando o pai com fúria, cada palavra contendo o mais alto teor de cinismo assim como raiva. — Quer saber mesmo? Não devia contar as coisas para minha mãe, sabe que ela não consegue mentir. Especialmente pra mim.


Obito balançou a cabeça tentando conter o riso. Aquele moleque tinha uma audácia que era para poucos. Nem mesmo mesmo ele próprio ousava desafiar o irmão caçula daquela maneira. 


Ambos se encaravam. Ônix contra ônix. Pareciam até dois imponentes leões prontos para atacarem um ao outro. Sequer pareciam pai e filho, não, de jeito nenhum. Nem parecia que até semana passada ambos estavam se dando muito bem. Sasuke tinha visto um lado mais sentimental de seu pai, mas logo foi apagado pelas atitudes mesquinhas do mesmo.



— Eu não acredito que você está pensando em matá-lo?


Os dois homem olharam para ele. Obito parecia atônito quanto Fugaku que permaneceu em silêncio por alguns segundos antes de falar com a voz cansada:

— Hund já vai fazer quatro anos...


"Quem sabe essa não é a melhor forma? Seu irmão pode estar sofrendo. Não podemos ser egoístas e permitir que ele viva daquela maneira.Tenho certeza que Deus tem preparado uma coisa muito melhor," imediatamente as palavras de sua mãe ecoavam em sua mente. Aquela verdade doía tanto, ainda não estivesse preparado para aceitar aquela condição. Na verdade, nunca estaria.


Enquanto Itachi respirasse e seu coração continuasse a bater ; ele seria um bastardo egoísta, pois nunca desistiria da vida de seu irmão.


Talvez se Sasuke pudesse viver; perdoar e se perdoar, as coisas seriam muito diferentes. Pra melhor. Mas precisava do irmão, principalmente do perdão dele.



— Nem que fossem mil anos! — o Uchiha caçula gritou.



Fugaku em sua cadeira suspirou.


Sasuke inclinou o corpo mais pra frente, de modo que pudesse encarar os olhos do pai bem de perto, para que este visse que ele não estaria blefando com suas próximas palavras. 


— Não se atreva a fazer isso ou eu...



— Você o quê? — desafiou Fugaku agora muito sério, impondo-se como se estivesse falando com algum de seus subordinados, mostrando que o título de Príncipe da máfia não era apenas uma mera coisa. Ele fazia jus ao nome que carregava. — Veja bem como fala comigo seu hund, não sou um dos seus colegas de escola que você pode ditar ou não o que fazer.



Sasuke sorriu, e aquilo, ao mesmo tempo em que enchia de orgulho, irritava e muito Fugaku. Era uma relação meio louca para se ter com o filho. 
Homens poderosos sempre esperavam que seus filhos fossem superiores aos outros, agissem dessa forma mas apenas com os outros, não com eles próprios.


Bom, o sir Uchiha deveria se orgulhar então; criou tão bem a cópia perfeita de sua própria arrogância e prepotência no filho caçula que esse já o havia superado há muito tempo. Ao contrário do primogênito que era a cópia da mãe - refletindo bondade e generosidade com todos, mas sem perder o ar de imponência dos Uchihas.



— Se você assinar aqueles malditos papéis... Eu espero que você esteja pronto para ver sua companhia ir à falência quando passá-la pra mim. — Sasuke dizia sério, mas o sorriso vitorioso no canto de seus lábios era nítido. — Afinal, eu sou seu tão estimado herdeiro não é mesmo? Sou eu que vou cuidar de todo esse império quando você for pra baixo da terra. — seu sorriso se tornou letal. Não se importava, iria até as ultimas consequências para conseguir o que queria. Era isso que haviam ensinado a ele, fora isso que aprendeu, então não era de todo, somente sua culpa. — Posso muito bem me recusar a fazê-lo ou dar um jeito de levar tudo isso pro buraco em uma semana, e então, você vai ter que passar tudo isso aqui pra alguém que não carrega o nome Uchiha. O quão humilhante isso seria não é mesmo?



No final de suas palavras, Sasuke sequer fazia questão de esconder seu ar de vitória, sua arrogância e tampouco sorriso largo, vitorioso, muito bem estampado em seus lábios. Ao contrário, deixava tudo isso muito explicito; apenas para sentir o prazer de pelo menos por enquanto, ter vencido seu pai. Aquilo era uma glória e tanto! Vencer Uchiha Fugaku num dialogo? Era inédito, algo a ser aproveitado até os últimos minutos.



— Quem ri por ultimo ri melhor! — provocou Fugaku.


Sasuke encarou o pai por alguns breves segundos e então saiu fechando a porta com força.


Obito não pode evitar as gargalhadas.


— Nossa mãe tinha razão. Você só esta colhendo o que plantou Vincenzo. — disse o irmão mais velho se referindo ao temperamento do irmão caçula quando eram adolescentes.


Notas Finais


✿ Comentários e explicações e afins na segunda parte do capítulo.


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