História Our Love Is Madness - Capítulo 7


Escrita por: ~

Postado
Categorias Naruto
Personagens Fugaku Uchiha, Gaara do Deserto (Sabaku no Gaara), Hinata Hyuuga, Ino Yamanaka, Itachi Uchiha, Mikoto Uchiha, Naruto Uzumaki, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha
Tags Drama, Mafias, Naruto, Rivalidade, Romance, Sasusaku, Suspense
Exibições 343
Palavras 4.445
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Hentai, Luta, Mistério, Policial, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Estupro, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Segunda parte do cap 3.

✿ Como não é permitido colocar link aqui do YouTube no capítulo - se vocês quiserem posso postar aqui nas notas a playlist com as músicas dos personagens conforme o capítulo. Quem quiser deixe um comentário que posto sem problemas :)

Boa leitura.

Capítulo 7 - Shades Of Cool - Parte 2


Fanfic / Fanfiction Our Love Is Madness - Capítulo 7 - Shades Of Cool - Parte 2

C A P Í T U L O 03:

Shades Of Cool - Parte 2.

 

 

— O que você acha dessa blusa vai ficar perfeita em mim não acha Testuda? — perguntou Ino em frente ao espelho.



— Porquinha, com o preço dessa blusa você poderia comprar muitas outras. — retrucou a amiga.



— Até parece que eu vou usar alguma roupa ralé e dar o gostinho para algumas dessas mulambentas da cidade. Principalmente para Karin. — Sakura não se sentiu ofendida pelo comentário da Yamanaka, afinal, se não fosse ela, mais ninguém conseguiria colocar a prima de Naruto no lugar dela.



Após as compras que duraram duas horas, Ino estava praticamente de mãos vazias. Era sempre assim: viam muitas roupas e ela não gostava de nenhuma. Como Sakura não tinha muitas atividades para preencher o seu final de semana, não se importava de seguir a melhor amiga nessas aventuras. Foi então que a fome decidiu incomodar as duas.



— Porquinha estou com fome. Que tal comermos um lanche? — sugeriu a rosada.



— Lanche? Você só pode estar louca. — a amiga parecia incomodada com a sugestão. — Depois eu preciso ficar na academia me matando para perder todas as calorias ingeridas nesse "lanche". Eu preciso de salada e grelhados.



— Tudo bem eu te acompanho, já que é você quem vai pagar mesmo. Afinal, pra que serve as amigas quando uma delas precisa de um emprego e a mãe resolve cortar algumas despesas extras?



— Não se preocupe Testuda, o convite foi meu e o almoço fica por minha conta. — Ino ria da situação formada. — Você se importa de esperar mais uns dez minutos?



— Porque? — indagou a Haruno.



— Naruto disse estar vindo pra cá. Detalhe: com Sasuke. — disse com sorriso zombeteiro entre os lábios pintados com batom pink. Viu a amiga corar levemente e estreitar os olhos apenas por ouvir no nome do amigo de infância.



— Va-Vamos procurar um lugar pra sentarmos? Eles vão querer um lugar guardado. — a garota gaguejou se xingando mentalmente por ser tão transparente.



Ambas decidiram seguir com a ideia do almoço.



Na praça de alimentação que já estava bem cheia, a rosada procurou um lugar para se sentar em um dos restaurantes que levavam o prato até a mesa. Ino não era do tipo de pessoa que gostava de carregar uma bandeja nas mãos. Mas, apesar de todas essas coisas, não era uma má pessoa. Sakura achava a garota engraçada e gostava da companhia dela. Quando as duas estavam juntas não tinha tempo ruim.



— Amiga é meu pai. Ele deve estar me ligando para avisar que horas ele vai chegar. Ai! Não vejo a hora de ir para Paris. — Ino saiu correndo as pressas deixando Sakura na mesa sem ao menos ouvir sua resposta.

[…]


Com suas torres pontudas e a fachada de tijolos escuro, a igreja Católica de Saint Mary parecia um castelo medieval em pleno coração de York. O gramado que circundava estava seco, o piso todo da calçada todo trincado, mas ainda assim - a igreja se mostrava imaculada. Arcos enormes e paredes brancas com detalhes em dourado davam um toque especial a decoração em madeira branca. O piso interino de mármore na cor marfim brilhava sob a luz que invadia o local pelos vitrais. Mikoto tinha um apresso pela instituição religiosa, afinal fora ali que se tornou a mrs Uchiha.


Ela caminhava entre os bancos vazios daquele local sagrado, sentia-se tão leve. Seus passos ecoaram no recinto e alertaram o padre Augustus de sua chegada. Ele estava sentado no confessionário, e a Uchiha foi em direção ao altar fazendo o sinal da cruz; em suas mãos havia um rosário preto.


A mulher ajoelhou-se diante do altar onde continha a belíssima imagem da Virgem Maria, com o rosário entre as mãos ela fechou os olhos e começou a rezar.  


Todos os dias às três horas da tarde; ela estava naquele local rogando pela vida de seu filho mais velho. Sabia que cedo ou tarde a Santa iria atender seu pedido, pois a mesma sempre a protegeu.


De repente havia se perdido em seu passado. E uma memória doce invadiu sua mente de forma sutil.

 

Ela se lembrava claramente daquela noite.


Os dois estavam pegando suas bebidas quando alguém decidiu aumentar o volume do som da sala. Ao som de TAKE ON ME da banda norueguesa A-ha; Fugaku pegou a mão de Mikoto para girá-la. Ela riu e perdeu o equilíbrio.
Ele a segurou firme e a puxou para mais perto de si. Já um pouco alterado por causa da cerveja, o rapaz só queria senti-la o mais próximo possível. Segurou os quadris da morena e guiou seu corpo tenso ao ritmo da música.


'' Relaxe, vita mia.'' — ele falou com sotaque sulista da Sicília.


A ansiedade na expressão da jovem havia sumido.


'' O que significa isso que disse?'' — perguntou curiosa, colocando suas mãos ao redor da nuca do rapaz.


'' Vita mia significa vida minha. É a palavra perfeita para representar você.'' — ele sussurrou ao pé da orelha de Mikoto que estremeceu ficando corada e sem graça, desviando o olhar com um sorriso. Fugaku por sua vez, aproveitou a oportunidade para pressionar suas costas. As pontas dos narizes se tocaram e ele ficou congelado no momento que a morena inclinou a cabeça para o lado e encostou suavemente seus lábios nos dele. Era um simples toque que para ambos, tinha um significado especial.

Amor.

Percebendo que ela iria fugir, o rapaz a puxou com força mas sem machucá-la e aprofundou o beijo.


Sentiu as lágrimas escorrem pela face pálida. Mesmo contra gosto - mais lembranças invadiram sua mente de forma aleatória.

 
A imagem de uma garota de quinze anos formou em sua mente. No dia do massacre - a tal garota levara dois tiros.


''Anna vai ficar tudo bem. Não importa o que aconteça, eu vou protege-la.''

 
Seu coração estava inquieto. Palpitava em seu peito e estava prestes a explodir a qualquer instante.


'' Você achou que ia escapar de mim? Pode ter me enganado uma vez sua puta de sangue sujo, mas agora não vai conseguir ser mais esperta do que eu.  Estou vacinado contra essa sua imitação barata.'' — a voz saíra o mais fria possível, assustando-a cada vez mais, fazendo o corpo da jovem todo tremer. Ela tentara parecer forte mas era inútil.


O mesmo homem que havia roubado seu coração era o mesmo que tentou tirar-lhe a vida.


Ela se lembrava claramente do cano do revolver apontado contra sua garganta. Aos poucos aquele objeto percorrera pela sua pele suavemente até chegar em seu coração que parecia que saltaria da sua boca a qualquer instante. Ela não conseguia respirar ou falar, mas sentira tudo sufocar e rodar ao seu redor.


'' Será que devo testa-lo?''


Mais lágrimas grossas desceram a face, sentindo as bochechas encharcadas. O nariz já se encontrava entupido e vermelho, um nó havia se formado em sua garganta impedido de emitir qualquer som. E seus joelhos e suas mãos tremiam freneticamente.


Agora a imagem de uma bela mulher ruiva de pele muito clara e olhos negros como a noite passou a ser o centro de seus pensamentos.


'' A morte é liberdade que tanto almejamos em vida. Por isso não lamente por mim Mikoto. '' 


Medo.


Aquelas eram as lembranças que a Uchiha desejava esquecer e enterrar a sete palmos, mas não podia. Elas eram como fantasmas que lhe assombravam sempre que podia.


Respirou fundo.

 
Assim que terminou de rezar, ela levantou o véu branco de sua face delicada e foi em direção ao confessionário. O padre afastou a cortina que os separava e foi se confessar. Confessar todo o vazio que sentia em seu coração.


Por ela ignorar tudo que havia acontecido e também, acreditava ser uma pessoa indigna por seguir seu coração e ter se casado com um mafioso -  Deus estava punindo Itachi por conta de seus erros, de seu passado.


Precisava afligir a dor em seu coração a todo custo. Pois a culpa que sentia em seu peito pesava demais. Não tinha um dia sequer que ela não pense num milagre para salvar a alma de seu filho mais velho. Mikoto precisava se apegar em algo, pois - só a esperança que nos mantém de pé.
 

[…]


— Oi dad. — saudou a loira animada. — Mal posso esperar pra te ver no próximo final de semana e...



— Ino aconteceu um imprevisto. Infelizmente eu não vou poder voltar pra Inglaterra na semana que vem, espero que não se importe.



— QUÊ? — a garota gritou cerrando os olhos com força. — Mas pai é meu aniversário. Você entende isso? O aniversário de dezoito anos da sua única filha; a qual você não vê a mais de, sei lá quantos meses...Além disso, eu reservei o hotel, pesquisei todos os locais que eu queria conhecer e até liguei para vovó avisando que íamos visita-la. Puxa vida você me prometeu!



— Eu sei princesa, mas... A quem estamos querendo enganar? — o homem do outro lado soltou uma risada divertida, como que para tentar amenizar a situação. Situação, não culpa, pois isso ele não sentia. — Você não precisa de mim, nunca precisou. Sempre foi tão independente de si.



— Sim, eu precisei. — Ino o interrompeu, a voz demonstrava toda sua mágoa, assim como toda sua irritação e frustração. — Eu precisei pai, precisei muito. Mas você nunca estava lá. Veja só, era sempre a tia Miko e o tio Fugaku que estavam presentes. Seja nas minhas apresentações da escola ou do balé, nas minhas festas de aniversário e principalmente quando eu precisava de um ombro. E você? — ela deu uma pausa criando coragem. Diria tudo que estava entalado na sua garganta. — A cada dia que passa, parece que eu não sei nada sobre você, pai. A cada dia que passa, você vem se tornando um estranho. Um estranho tanto quanto o homem que entrega o jornal em casa.



O homem do outro lado da linha suspirou, um suspiro cansado. Ino revirou com os olhos, apenas falar com ela parecia cansá-lo. A própria filha. A única filha. Como se ela fosse um estorvo. Quem sabe? Talvez fosse. Pelo menos, era assim que sentia.



— Ino não faça drama tá? Sabe que sou um homem ocupado e... Você tem Naruto e Sasuke para lhe fazer companhia.



— Ocupado? Há Há essa é boa. — a loira falou em tom de deboche revirando os olhos, quase que rindo ironicamente. — Me diga uma coisa pai, por que não pode vir? Que vagabunda vai levar para passar uma temporada na França no meu lugar? É aquela sua secretaria de quinta categoria não é?



Novamente ela obteve como resposta apenas um suspiro. O maldito suspiro cansado. Como aquilo a irritava.



— Sinceramente se você for continuar a se portar feito uma criança de dez anos, acho melhor encerarmos essa conversa por aqui. — retrucou o sir Yamanaka. Ino revirou os olhos bufando. — Eu mandarei um presente de Paris para você. Até mais princesa e...



E ela sequer deixou terminá-lo e desligou o telefone antes; respirando fundo. Porque escutar até o fim? Ela já sabia o que ele iria dizer. Iria dizer que sentia muito não poder estar com ela, quando aquilo não passava de mais uma grande mentira.



— Dane-se. — murmurou Ino fazendo pouco caso. Se aprendeu algo pelo tempo que esteve com Sasuke e Naruto, era fazer pouco caso de situações que a incomodassem. Apenas esquecê-las. Claro, não era tão boa quanto os dois garotos em fazer isso, não mesmo, ambos eram gênios, peritos no assunto, mas ela estava a bons passos já.


A Yamanaka suspirou, ajeitando os cabelos. Sorrio. Não era de o seu feitio ficar se lamentando pelas coisas, ao contrário, Ino sabia sair por cima das situações com grande estilo. E daí que seu pai não passaria o aniversário com ela?
Como ele mesmo disse,ela tem aos amigos que a essa hora deveriam estar querendo decapitar sua cabeça por estarem morrendo de fome, especialmente Sakura.

[…]


— Olha Aquele Toyota. — a voz parecia casual mas Deidara conhecia Kakuzu bem o suficiente para saber que ele estava em alerta. O loiro esperou alguns segundos antes de se virar e observar um veículo na cor prata, estacionado próximo à Igreja onde a mrs Uchiha estava a meio quarteirão de distância.


Os vidros escuros impediam a visão do interior, mas o hacker tinha alguns palpites.

— Acha que é a Interpol? Não parece da região.

— Qualquer coisa é possível. — respondeu o colega o mais alerta possível. — FBI, Departamento de justiça, CIA.


Deidara fez um movimento negativo com a cabeça.


— O que aprontou para fazer a CIA trabalhar em pleno sábado? — perguntou num tom brincalhão tirando a franja loira do olho.


— Nunca se sabe. — debochou Kakuzu curvando o lábio para o lado. — Talvez eles estejam querendo me recrutar.


Deidara riu, embora não duvidasse da possibilidade. Não teria sido a primeira vez que alguém da CIA tentava trocar informações.


— Já faz meia hora que eles estão estacionados.


— Só agora você me dá essa informação? — reclamou Kakuzu dando um murro na cabeça do amigo loiro.


— Você mesmo devia ter percebido isso seu trouxa. — o hacker mostrou o dedo médio, tirando um drone de um dos bolsos e programando-o.


— Russo. — soprou Kakuzu segurando o binóculo. — Tenho quase certeza.


— Por que acha que são eles? — Deidara arqueou a sobrancelha. — Pode ser os irlandeses ou até mesmo os chineses.


— Definitivamente você é muito lerdo. — retrucou o amigo mantendo a maior descrição possível. — Você disse que esse carro está a meia hora parado perto de uma Igreja Católica que por coincidência a esposa do nosso Príncipe está lá dentro.


 — Isso significa que...


— Talvez a garotinha tenha assumido seu posto. — disse Kakuzu por fim.

[…]


Dois rapazes entraram no local e chamaram a atenção de Sakura e de todas as garotas ali presentes. Um deles era de estatura mediana, usava calça jeans clara e uma camiseta vermelha com desenho de um dragão em dourado em que era possível ver cada músculo do seu corpo. Seu cabelo era curto e loiro ; seus olhos azuis como safiras, aparentava ser uma pessoa mais tranquila. 
 


O outro garoto era alto, usava calça jeans escura e uma camisa polo branca. Seus cabelos negros continuavam arrepiados e mais rebeldes do que nunca. Seus olhos eram cobertos pelo óculos ray ban. A expressão facial era neutra, não dava para definir o que ele realmente estava pensando.


O que despertava ainda mais a curiosidade de Sakura.



— Cadê a Ino? — perguntou Naruto se sentando de frente onde seria o lugar da Yamanaka ao lado da Haruno.



— Celular. — respondeu Sakura sem animo, pois estava morta de fome.



— Shh... Até aquela tagarela terminar de falar vou estar velho, careca, barrigudo e fazendo exame de próstata. — disse Naruto divertido.



Sasuke colocou o óculos na mesa e sentou-se ao lado do Uzumaki de frente para a Haruno, o qual , ele dirigia à ela um olhar com um brilho que Sakura não sabia definir.



Enquanto Ino demorava, Naruto tagarelava com Sakura. Ora falando sobre o jogo, ora comentando alguma coisa engraçada. Sasuke observava os dois garotos com olhos atentos. Às vezes respondia perguntas quando eram dirigidas à ele.



— Oi meninos. — cumprimentou os garotos com um beijo no rosto. — Desculpem a demora. Era só o meu pai cancelando a viagem. Nada de mais. Então o que vão pedir?



Sakura não soube disfarçar sua preocupação e disse :

— Ino não precisa fingir, não esta no colégio. Você está entre amigos. Não precisa bancar a miss simpatia.



— Não. Estou ótima Testuda. Sabe que não me importo mais. — disse indiferente.



— Mentirosa. — retrucou Sasuke.



Todos riram na mesa.



— Ino vamos dar uma volta? — sugeriu Naruto.



— Tudo bem Testuda?



— Vai lá Porquinha, não tenha pressa. — disse Sakura gentilmente dando um abraço bem forte na amiga.



— Vamos? — Naruto pegou na mão da amiga e beijou de leve. Assim, eles saíram abraçados.


Vendo os amigos se afastarem, Sakura comentou:

— Se o Naruto não fosse tão mulherengo e a Porquinha não tivesse uma queda pelo meu irmão, até que eles formariam um belo casal. Não acha Sasuke?



— Ino e Dobe? Até parece. — riu com gosto. Seu sorriso se tornou evidente o que deixou Sakura mais contente, já que estava conseguindo fazer com que ele despertasse outros sentimentos além da raiva.



Ela engoliu em seco quando o rapaz acariciou de leve a mão dela.



— Gatinha... — disse ele pensativo. — Tem algo que eu preciso te dar.



Os olhos dele pousaram sob ela. Ficaram em profundo silêncio por alguns instantes. Ela mordeu o lábio inferior, os olhos verdes vacilantes entre o chão e o rosto de Sasuke que não desviava os olhos da face harmoniosa da garota a sua frente.



O Uchiha suspirou, passando as mãos pelo cabelo e tal gesto conseguiu prender em total a atenção da Haruno sob sua face. Ele então colocou uma maleta preta na mesa – que só então Sakura reparou estar ali – em seguida, a empurrou gentilmente para a rosada, que, mesmo sem entender, e estreitar os olhos por isso, aceitou a maleta envolvendo-a nos braços; como se a abraçasse.



Confusa, olhou diretamente nos ônix que reluziam, fazendo a pergunta silenciosa sobre do que se tratava aquilo.



— Abra. — ele disse seriamente.



Sakura franziu o cenho, ainda mais confusa. Ela olhou para a maleta em seus braços e então para Sasuke, e diante da hesitação nos olhos dela, o moreno disse:


— Relaxe. Não é uma bomba.



Ele sorriu de lado, e Sakura rolou os olhos, acabando por sorrir também.  
Ela sabia que não era uma bomba. Bom, pelo menos esperava que não fosse; e ainda meio hesitante ela segurou a maleta por uma das alças com uma mão, bem próxima ao peito, e com a mão livre puxou a tranca.



O queixo caiu, os olhos se arregalaram e por um segundo seu coração parou de bater ao ver o conteúdo que havia dentro da maleta.



— M-Mas... Pe-Pelas Barbas Deee… Merlin...O-Que...O-Que... é isso, Sasuke? — ela perguntou gaguejando engolindo as palavras assustada, intercalando seu olhar entre o conteúdo da maleta agora aberta e a face tranquila e ao mesmo tempo séria de Sasuke.



— Gatinha você é capaz de diferenciar uma anáfase de uma meiose e de uma mitose, mas não sabe o que é isso? — sibilou ele, estalando rapidamente os ossos do pescoço. — Eu te apresento. Sakura. Dinheiro. Dinheiro. Sakura. Nunca viu não é? — debochou.



Sim era dinheiro o que havia dentro da maleta. Porém, nunca em sua vida havia visto tanto dinheiro junto. Nunca. Jamais. Em nenhuma circunstância havia visto tantas notas juntas, ali divididas em pequenos maços, presos por um elástico cada.



— JURA? — ela respondeu com sarcasmo e irritação, e Sasuke riu do nervosismo dela. A Haruno respirou fundo gritando a si mesma para se acalmar, mas era difícil sua mente ouvir alguma coisa, pois essa estava uma grande bagunça no momento. — Por que está...Isso...Oh! Por Loki...



— Respire Gatinha antes que você sofra de um AVC.



Sakura respirou. Respirou fundo como Sasuke disse para fazer. Não porque seguia ordens dele, de jeito nenhum, mas respirar fundo era o único meio de se acalmar e de assim dizer algo coerente.



— Porque está me dando isso? — ela finalmente conseguiu perguntar, as mãos tremiam sob a maleta, afinal, jamais havia segurado tanto dinheiro junto nas mãos. Aquilo era aterrorizador.



Sasuke suspirou com seus olhos cravados no rosto delicado, naquele momento, confuso e cheio de outras emoções dela. Sakura esperava ansiosa, nervosa para que ele lhe respondesse, já quase gritando pela demora, que não passava de poucos segundos.



— Aí tem dinheiro mais que suficiente para pagar o aluguel pelos próximos seis meses. Além de comprar materiais escolares pra você e seus irmãos e claro, dá pra dar uma repaginada na decoração da sua casa. — falou Sasuke com simplicidade, e Sakura foi tomada pelo choque, enquanto seus olhos se arregalavam ainda mais. Ele estava dando a ela todo aquele dinheiro?



— Porque está tentando me ajudar? — a Haruno quis saber após um minuto em silêncio. Assim que o Uchiha deixou claro o propósito do dinheiro ela decidiu que não iria aceitá-lo, mas ainda sim, queria saber o porque dele a estar tentando ajudar daquele jeito.



— Ajudar? — Sasuke repetiu com estranheza, erguendo uma sobrancelha para ela. — Não se engane com isso, Gatinha. Não é uma ajuda. Não estou lhe prestando um favor.



— Então o que você?



— Isso é uma troca.



— Uma... Troca? — confusa ela perguntou, enquanto Sasuke puxava o celular do bolso para ver que horas eram.


O moreno assentiu e respondeu:


— O quê? Achou mesmo que eu ia te ajudar assim de bom grado? Eu lá tenho cara de Robin Hood? — ele riu descrente balançando a cabeça negativamente. — A única caridade que faço é para um hospital de crianças com câncer e orfanatos. E você não se encaixa em nenhuma dessas descrições, espero.



— Eu não entendo. — murmurou a garota sem entender nada. 
 


Sakura estava completamente confusa. Uma troca? Do que ele falava afinal?
Sasuke suspirou pesadamente como que já exausto por ter que explicar a ela do que falava. 


— A imprensa não sabe sobre a situação do meu irmão, e meu pai e eu queremos que continue dessa maneira. — começou ele, e os olhos da Haruno se estreitaram com suas palavras. — A salvação do pescoço dos seus pais pelo silêncio sobre a situação em que se encontra meu irmão. É uma troca justa não acha?



Sakura estava chocada. Não via aquilo como uma troca, de jeito nenhum. Aquilo que ele a estava propondo era ofensivo, ultrajante. Como se ela estivesse a venda; ele estava comprando o silêncio dela, sendo que, jamais passou pela cabeça dela dizer qualquer coisa a qualquer um sobre o estado de Itachi. Não era aquele tipo de pessoa. Não comentou nem com sua mãe que era sua fiel confidente.



Sasuke não escondeu a surpresa em seus olhos quando Sakura lhe jogou com força a maleta, que quase ele não consegue segurar pelo ato inesperado. Estava prestes a indagá-la do motivo daquilo, porém a rosada fora mais rápida, não dando tempo para ele falar qualquer coisa que fosse.



— Eu não pretendo contar nada a ninguém sobre seu irmão. Você pode estar acostumado com pessoas que fazem coisas desse tipo ao seu redor, mas eu não sou uma dessas pessoas. — as palavras da garota estavam carregadas de raiva, e em seus olhos era nítido que ela havia se ofendido. — Pode ficar com o seu dinheiro, não sou interesseira. Só porque venho de uma família pobre não significa que meus pais não tenham me ensinado a ter caráter.



O garoto estava confuso. Não fizera aquilo para ofendê-la de maneira nenhuma, muito embora não fosse surpresa se o fizesse. Não quis ofendê-la, apenas ajudá-la sem demonstrar interesse. Seria um bom plano, se a garota a quem queria ajudar não fosse honesta demais. É aquilo era estranho para ele. Não estava acostumado a pessoas honestas e de caráter ao seu redor; e seu erro foi ter pensado que Sakura era como as outras. Mas de qualquer maneira, estava feliz. Feliz por ela não ser como as outras.



— Espere. — ele pediu segurando-a pelo braço gentilmente quando ela fez menção de sair da mesa. A Haruno suspirou, os olhos baixos voltaram-se furiosos para a face do moreno, que soltou seu braço imediatamente.



— O que você quer? — vociferou ela, os olhos estreitos, os lábios prensados numa linha única e com os braços cruzados. Estava realmente furiosa. Não, pior que furiosa; estava ofendida. Magoada. E ainda tinha aquela vontade louca de trancar-se num banheiro e chorar, assombrando sua mente. Amaldiçoou-se por isso. Se fosse outro alguém, outra pessoa, mesmo ficando ofendida não a teria ferido tanto quanto a ofensa partida daquele moreno bastardo. Ele a estava afetando como ninguém jamais a afetou física e emocionalmente.


O Uchiha suspirou deixando a maleta na mesa e passando as mãos nervosamente pelo cabelo. Deus como aquilo podia ser tão difícil?

 
Respirou fundo, cerrando os olhos com força rapidamente.


Sakura esperou pacientemente com os braços cruzados e batendo um dos pés no piso, mas, nem em um milhão de anos ela sonharia em ouvir o que ele disse.


— Desculpa.


Os olhos da garota se abriram um pouco mais, tomados pela surpresa.

 

Estava pedindo desculpas? Sim, ele estava. E pela estranheza com a qual as palavras escapuliram de sua boca, a garota soube que pedir perdão não era uma coisa com a qual a natureza orgulhosa de Sasuke estava acostumada.
E vê-lo ali, obrigando-se a fazer algo que parecia não apenas não estar habituado, como também não gostar de fazer para si, foi algo que fez o coração da rosada bater frenético em seu peito, as veias pulsando debaixo de sua pele. Mas ainda assim ela manteve-se séria, ignorando por completo a sensação estranha de alegria que surgia em seu interior.



— Não tive intenção de te ofender. — Sasuke tornou a dizer-lhe, aproximando-se e tomando a mão direita de Sakura na sua, o que fez a Haruno prender a respiração por um instante. Ele estava tão perto.



Ela suspirou longamente, fechou os olhos por segundos e assim, tornou a encarar os ônix a sua frente.



— Espero que isso nunca mais se repita. — Sakura tentava se manter indiferente, engolindo em seco no processo. — Ontem lá no hospital quando eu me abri com você, fui sincera. E... Eu realmente quero ser sua amiga. — ela apertou gentilmente a mão do rapaz evitando os sentimentos que gritavam em sua mente. — Como eu disse, seu segredo sobre seu irmão está guardado e enterrado comigo a sete chaves. Ok?



Sasuke olhou para Sakura com uma expressão levemente triste no rosto quase imperceptível. Como se tivesse perdido alguma coisa preciosa. E esse era o Sasuke que conheceu na noite anterior, apesar dela não conseguir explicar como e onde... Esse era o Sasuke que fazia ela ter borboletas no estômago, corar, e até mesmo se apaixonar.


Apaixonar? Deus ela estava se apaixonando por ele. E por mais que não quisesse Sakura não pode lugar contra seus sentimentos.


Encaravam-se olho no olho; esmeralda contra ônix. E assim por um impulso Sasuke afastou-se dela e se levantou.



— Aonde você vai? — perguntou a garota se levantando da cadeira.



— Tenho que ir. — respondeu ele de costas pra ela.



— Espera. — sussurrou a rosada mas ele pareceu não escutar.



O quanto Sasuke precisava se afastar dela?



Sakura observou sentindo um misto de confusão e vergonha, e uma tentação maior ainda enquanto ele olhou de volta para ela no meio do caminho e acenou um adeus definitivo.



— Ué, cadê o Teme? — perguntou Naruto atrás de Sakura. Ele colocou a mão no ombro direito dela fazendo com que a garota despertasse de seus pensamentos.



— Oi? O que disse? — indagou a Haruno olhando para os dois amigos.



— Hello! Planeta Terra chamando! Onde está o Sasuke? — perguntou Ino de modo sarcástico.



— Ele foi embora. — respondeu. — E… eu preciso ir também. Tchau. Vejo vocês amanhã. E boa sorte Naruto!


Os amigos se entreolharam mas não manifestaram nenhum comentário.


Notas Finais


✿ Explicações & Comentários da autora :

01º: Só por motivo de curiosidade - a música que eu escolhi da banda A-ha fora lançada no mesmo ano em que FugaMiko namoravam (1985). ♥

02º: Minato foi casado com a Tsunade. Por isso, esqueçam MinaKushi e JiraTsu ou DanTsu. Eu sei que é bem difícil e essa construção de família é bem diferente, mas sei que vocês se acostumam.
Sobre o Narutinho - ele perdeu a mãe no parto, por isso, se sente culpado pela morte da mesma. E por ter crescido praticamente na casa dos Uchiha, ele se sente parte da família :)

03º: Coitada da Ino. Não deve ser fácil ter um pai ausente e ainda por cima, que a culpa pela morte da mãe. É bem complexa essa questão. Pelo lado dela - ela só nasceu. E não tem como culpa-la já que ela era apenas um bebê.
Por outro lado, é difícil perder a pessoa que você mais ama no mundo. Para extravasar a raiva, precisamos procurar algo ou alguém para culpar. Inoichi se culpa, e culpa Ino por isso. * Fica uma reflexão para vocês sobre essa relação.

04º: Muito mistério sobre o passado de Mikoto. E aguardem, sujeira vai rolar por debaixo desse tapete.

05º: Sasuke está procurando uma maneira de se aproximar de Sakura. Sabemos que ele é orgulhoso e tal. Em sua maneira, aquilo foi uma ajuda sim. Embora ele não sabia se expressar direito e acabe levando tudo a ferro e fogo.


Bom, espero não ter bugado a mente de vocês :p Dúvidas e sujestões mande um comentário que eu respondo com muito carinho. E não tenham medo, juro que não mordo. Nhac.

Obrigada por tudo e até o próximo capítulo. ♥


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