História Our Worlds Collide - Capítulo 11


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags 12 Antes De Você, Collide, Destinado, Destino, Relogio, Romance
Exibições 9
Palavras 4.496
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 10 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 11 - Capítulo 10 (Parte 1)


 

 

“Não, eu não preciso chamá-la de "querida" e eu não preciso chamá-la de "minha" .Eu não tenho de tomar o seu coração, eu só quero tomar o seu tempo.” Take your time, Sam Hunt.

 

O primeiro ônibus que eu costumava pegar para voltar para casa estava cheio naquela sexta-feira. Acabei por ficar em pé, pois cedi meu lugar para uma senhora grávida, entretanto, não reclamei em nenhum momento ou lamentei por não ter um carro e viver tão longe do centro. Sorri para um desconhecido que sentou perto de mim no metrô e cumprimentei o motorista do último transporte público que peguei. Mesmo quando cheguei em minha rua e a chuva de outono caía, não me importei com o molhar das roupas que vestia.

 

A esperança era uma felicidade insegura e cheia de expectativas que me dominava como nunca antes. Um sentimento novo e tão brando que chegava a me fazer temer suas consequências. Apenas percebi que estava rindo sozinha quando, ao chegar em casa, Jean me lançou um olhar avaliativo.

 

— O que diabos aconteceu com você? Parece que viu um passarinho verde.

 

— Acho que vi um sim, minha amiga.

 

Respondi me sentando deliberadamente no sofá e abrindo minha bolsa.

 

— Explica isso direito. — exigiu a menina.

 

Segurei o extrato que tirei no banco, um pouco antes de voltar para casa, com um número com mais zeros do que eu poderia ganhar em três anos trabalhando na Coral.

 

— Mamãe vai ter um quarto novo.

 

Grey pega o papel de minha mão sem delicadeza e arregala os olhos quando ver o que nele está escrito.

 

— De onde você tirou esse dinheiro todo?

 

— Bondade ainda existe, amiga. — soltei um suspiro — E meu destinado tem de sobra.

 

O rosto de Jean se iluminou como uma árvore de natal, mas ela suavizou rapidamente e cerrou os olhos cética.

 

— Não acredito que você, a pessoa mais orgulhosa que conheço, esteja aceitando dinheiro de alguém que nem gostava. — ela pôs as mãos na cintura — Até onde eu sei, né?

 

— Ele me convenceu. — balanço a mão em desdém — Coisa de advogado.

 

Minha amiga se aproximou como um gato.

 

— Ah, então ele é advogado, hm?

 

Sorri misteriosa.

 

— E isso é tudo que você vai arrancar de mim.

 

Mesmo sabendo que não havia motivo para não contar a Jean, adorava apenas dá informações evasivas que a deixavam mais curiosa.

Me julguem.

 

— Vou precisar sair amanhã de manhã cedo para resolver o que posso para reformar o cômodo.  — olhei com ela com a melhor face de piedade — Pode quebrar esse galho pra mim?

 

Ela deu os ombros e assentiu.

 

— Não é melhor levá-la para alguma clínica? Você visita ela nos finais de semana e não precisa mais se preocupar com isso.

 

Sei que Jean fala aquilo querendo me ajudar, mas não consigo não me sentir ofendida com suas palavras, como se eu estivesse doida para livrar-me da mamãe e seguir com a minha vida. Não sei como há filhos ingratos que fazem isso sem arrependimentos e conseguem dormir à noite, conscientes que sua progenitora está esperando a morte sozinha.

 

Nego seu conselho e faço as perguntas corriqueiras sobre como foi seu dia com minha mãe. Ela fala que teve muito mais dificuldade para dar comida a mamãe assim como dá banho. Falou que ela estava acordada e que acabara de trocar suas fraldas.

 

Me disperso de Jean e entro no quarto sentindo uma leveza indescritível ao ver que, por hora, nossos problemas serão resolvidos.

 

Na cama de casal, o corpo pequeno de Letícia está miúdo e coberto por lençóis limpos como todos dias. O quarto é bem ventilado e o cheiro bom de limpeza me envolve. Aquele cômodo era um total contraste com as paredes mofadas da sala e a bagunça da cozinha que divide a lavanderia.

 

— Conseguimos, mãe. — falo para ela emocionada, feliz como nunca antes, pois verdadeiramente algo na minha vida tinha dado certo no final.

 

(...)

 

Antes de dormir, decidi dá uma olhada no contrato que Thomas fizera comigo. Como um homem da lei, a transação do dinheiro deveria ser totalmente regulado e legal, por isso, sentamos junto com Carter e a advogada da empresa, chamada por meu chefe, e fizemos um acordo às pressas. Por ser sua área, Hoyer parecia quase majestoso organizando a papelada. Ele fizera um rascunho do tratado — que foi praticamente inalterado — e entendi que Thomas foi falar comigo certo que eu não negaria sua ajuda.

 

Me senti estranha no meio daquelas pessoas discutindo sobre o negócio. Meu conhecimento jurídico era extremamente reduzido e comecei a agradecer por não ter seguido aquela área.

 

Só aquela conversa me deixava exausta, entretanto, o sentimento de esperança que me despertava era doce e convidativo.

 

Lembro de sorrir para Thomas ao apertar sua mão e senhor Carter brincou:

 

— Do jeito que você se preocupa com Blackwell, estou começando a achar que quer roubar minha secretária. — e ele riu com gosto. — Se ele aparecer com qualquer proposta boa me diga; com certeza eu dobrarei.

 

Ri junto com Albert e dei uma espiada em Thomas. Ele me olhava de lado como de quem escondia um segredo que só ele sabia.

 

Antes de ir embora para casa, Hoyer falou sobre algumas enfermeiras de confiança que conhecia e que poderiam fazer um preço bom para mim. Marcamos para nos encontrarmos no sábado em uma cafeteria no centro da cidade para que ele me passasse as informações que conseguiu.

 

No fundo não precisávamos nos encontrar, pois ele podia enviar tudo para meu celular, porém eu tinha o objetivo de me desculpar com Hoyer e definir de vez o que diabos está se passando entre nós. Desde o começo eu o pré julgara mal e em nenhum momento ele fora desrespeitoso comigo e respeitou minha situação amorosa.

 

Seria aquela uma boa oportunidade de confessar que eu estava solteira outra vez?

 

Por um lado a ideia era cheia de boas intenções, mas não sei como ele entenderia esse comentário. Logo após dá uma quantia gorda de dinheiro para Lydia, ela chega solteira?, Thomas pensaria. Deixaria para outro dia, portanto. Nem sei como ele vai aceitar meu pedido de perdão!

 

Começo a me sentir aborrecida em ter aceitado aquele dinheiro. Será que ele vai desconfiar da honestidade de minhas atitudes a partir de agora?

 

Meu coração se acelera quando um barulho ensurdecedor atravessa pela sala. Com a mão no peito, cambaleio até a porta onde alguém bate e grita meu nome. Estava tão imersa em meus pensamentos que não percebi que me chamavam. Ainda agitada pelo susto, franzo a testa tentando adivinhar porque alguém viria em casa a essa hora.

 

Quando abro a porta e me deparo com Caio sinto que vou enfartar a qualquer momento. Percebo que o que eu sentia por ele não era tão passageiro quando me pego reparando em seus lábios macios e os olhos…

 

Tem que ser muito otária mesmo! O cara quebrou seu coração sem dó e você ainda anda de quatro para ele?, escuto a consciência gritar comigo.

 

— Desculpe te incomodar tão tarde. — ele disse parecendo ressentido — Não posso passar mais uma noite sem falar com você. Posso entrar?

 

De primeiro sinto uma vontade imensa de fechar a porta em sua cara. Seria uma vingança maravilhosa, mas, primeiro: eu não sou criança e isso seria extremamente imaturo — tenho 26 anos na cara, pelo amor de Deus! E segundo: não ia conseguir dormir sem saber o que ele queria conversar comigo.

 

Por essas e outras, deixei-o entrar em casa.

 

Cruzo os braços e continuo no corredor, não o chamando para a sala. Ele demora alguns segundos para olhar diretamente em meus olhos e solta a respiração que Grey segurava antes de falar.

 

— Estou nervoso. — ele pôe as mãos no bolso da calça surrada de tinta — Quero pedir desculpas pela forma em que tratei no outro dia. O que a gente teve foi maravilhoso, Lydia, foram meses especiais demais para mim. Eu fui um filho da puta em não ter reconhecido isso.  

 

Fico calada tentando processar o que Caio estava dizendo. Aquilo era exatamente o que eu desejava que ele fizesse, porém por que sinto que essas palavras são tão… vazias?

 

— Não quero perder sua amizade. Me perdoa, por favor. — explica ele.

 

Então, entendo o motivo de não estar nas nuvens com suas palavras.

 

Eu desejava que ele dissesse que me amava. Que ele se arrependera de tudo o que fez e que queria voltar. Que ele não sentia nada pea Gia.

 

Ao constatar isso percebo que mereço o prêmio de otária do ano.

 

— Tudo bem. — murmuro e ensaio meu olhar de desprezo — Era só isso?

 

— Era. — ele responde envergonhado — Então, estamos bem?

 

Concordo com a cabeça mesmo não tendo certeza disso.

 

— Se você precisar de qualquer ajuda, é só me pedir. — Caio pisca e sorri pra mim.

 

Assim que fecho a porta e fico sozinha no corredor começo a bater a cabeça contra a parede.

 

Burra. Burra. Burra. Mil vezes burra.

 

Dei meu coração para um idiota e não faço ideia de como resgatá-lo de volta.

 

Voltei ao sofá e balancei a cabeça para me concentrar nas coisas que eu faria no sábado. Em pedaço de papel, escrevo o nome dos aparelhos que teria que comprar e seus respectivos fabricantes. Mandei uma mensagem para o médico da minha mãe apenas para conferi, e listei alguns remédios que estavam acabando.

 

Massageei meu pescoço e bocejei de sono. Peguei meu celular para checar o email e vi que Thomas havia me mandado um sms.

 

“Confirmado para amanhã? 11h00 está bom para você? - Hoyer”

 

Sorri ao conferi a hora e balancei a cabeça ao pensar que ninguém dormia cedo nesta cidade.

 

“Com certeza :) - Blackwell”

 

(...)

 

A bem iluminada cafeteria estava quase vazia naquele final de manhã. Quando dou uma olhada rápida e vejo que Thomas não chegou ainda, corro em direção ao banheiro. Tento me convencer que estou checando minha maquiagem e que o desodorante não passou da validade por puro capricho e não porque eu quero está apresentável para Hoyer.

 

E, é claro, falho miseravelmente.

 

A verdade é que quando eu acordei cedo naquele dia, procurei vestir a roupa mais nova que Ivanna fez para mim: uma saia azul de bolinha e cintura alta e uma camisa branca social.

 

Sinto minha barriga gelada desde que saí de casa e mesmo andando para cima e para baixo para resolver as coisas para mamãe, não consigo parar de imaginar como encararei Thomas.

 

Só Deus sabe o porquê do meu nervosismo, porque eu não faço a mínima ideia.

 

Eram 11h05 quando pedi meu café e sentei em uma mesa perto da janela.

 

Cinco minutos depois vejo Thomas acompanhado por uma mulher na casa dos 40 e um homem alto e de traços latinos bem atrás deles.

 

Meu destinado veste uma camisa social azul claro e uma calça jeans escura. Seus cabelos parecem úmidos e o cheiro forte de colônia masculina sugere que saira apressado de casa.

 

— Desculpe o atraso. — diz quando eu me levantei para cumprimentá-los — Lydia, essa é a mulher que eu lhe falei.

 

Ela estendeu a mão com um grande sorriso exibindo o aparelho rosa que ela usava.

 

— É um prazer conhecê-la. Sou Hope Steel. — se apresentou.

 

Thomas teve um ataque de tosse que podia ser deduzido como uma tentativa de esconder sua risada.

 

— O prazer é todo meu. — respondi sem entender a graça.

 

— Ah, e esse é meu segurança e motorista, Carlos. — apresentou o homem. — Você provavelmente o viu, mas não percebeu a sua presença. Ele tem essa habilidade de ficar invisível.

 

Estiquei um pouco o pescoço para olhar para seu rosto e duvidei muito que alguém poderia não notá-lo.

 

Sentamos na mesa e, sem enrolação, Hope começou a explicar seu “currículo”. Ela trabalhou por sete anos com um idoso que tinha Mal de Alzheimer e três anos com uma senhora que já estava em fase terminal da doença. Ela explicou que nos últimos anos trabalhara com crianças com câncer, mas sentia falta de trabalhar em casa familiar e etc. Assim como eu, Thomas assentia calado, apenas escutando Steel falar. Minhas perguntas se variavam entre sua experiência e se ela entendia as condições de minha mãe.

 

— Você sabe que eu moro na Ala O e não tenho certeza se haverá espaço para que você more lá. — explico a situação — Há algum problema se você tiver que pegar ônibus?

 

— Ah, não, não tem problema. Eu vou com a minha moto. — ela disse e eu arqueei a sobrancelha instintivamente tentando imaginá-la em cima de uma moto.

 

— Posso pagar parte da gasolina se preferi. — ofereço olhando para meus dedos e falhando miseravelmente em conter o sorriso no meu rosto com a imagem dela dirigindo.

 

A conversa passou mais rápido do que esperava e logo eu tinha marcado para dá uma resposta no final da tarde de domingo. Hope saiu antes de pedi seu café, pois teria que almoçar com seus filhos. Achei sua saída bastante conveniente para a conversa que eu gostaria de ter com Thomas.

 

— Está quase na hora do almoço. — comentou ele.

 

— Verdade.

 

Ele hesitou.

 

— Quer ir em outro lugar para almoçar? — disse inseguro — Tem um restaurante muito bom pelas redondezas…

 

— Não precisa! Marquei de comer em casa hoje.

 

Uma desculpa descabida, eu sei, mas não queria abusar da sua generosidade.  

 

— Tudo bem. — ele deu os ombros, apesar de parecer desapontado.

 

— Então… Essa enfermeira é confiável? — pergunto casualmente bebericando o café intocado e frio na mesa.

 

E com muita força tentando não fazer careta.

 

— Não se preocupe, ela está limpa. — ele respondeu em prontidão. — Não há casos de maus tratos à envolvendo e quem me indicou garantiu que Hope é boa no que faz. — Thomas sorriu para algum ponto invisível atrás da minha cabeça — Ela é meio doidinha, mas acredito que não tem nada para tratar, psicologicamente falando.

 

— Por que você estava rindo dela quando Hope se apresentou? — Perguntei, não segurando minha curiosidade.

 

Ele voltou seu olhar para mim, demorando um pouco para entender, mas logo estalou a língua e riu.

 

— Hope está no meio de uma crise de meia idade, então, ela faz coisas que supostamente avós não fazem. É engraçado vê-la dirigindo uma Honda rosa.

 

Quase engasguei com a imagem que veio em minha cabeça e a gargalhada que saiu da garganta foi simplesmente hilária.

 

Com certeza eu iria direto para o inferno por caçoar de alguém desse jeito.

 

E não ia sozinha, já que Hoyer parecia se divertir com isso também.

 

— A gente rir, mas é fofo ver as fotos dela com a netinha mais nova. Chamam ela de vovó estilosa, mas Hope odeia esse apelido.

 

— Certeza que vou me divertir muito com ela! — digo sincera. — Muito obrigada. Por tudo. Você não precisava fazer isso é mesmo assim foi bastante generoso comigo. Eu não fui a pessoa mais simpática do universo com você. Se pudéssemos voltar no tempo...

 

— Podemos começar de novo se quiser. — ele sugeriu com um sorriso de lado, me fazendo ficar assustada com sua ideia.

 

Thomas estendeu a mão em minha direção com um sorriso contagiante.

 

— Oi, sou Thomas Hoyer, desembargador e filantropo nas horas vagas.

 

Ri e apertei a sua mão.

 

— Olá, sou Lydia Blackwell, filha dedicada integralmente e secretária de um dos CEO da Coral, quando tenho tempo. É um prazer conhecê-lo.

 

Algo fez o ar pesar e o mundo parou ao nosso redor. Entrei em uma sensação de dejavu do dia que conheci Thomas. Seu toque em minha mão era convidativo, macio e quente. Ser mirada por seus faróis negros me fazia entrar em uma bolha imaginária; era como ser avaliada de fora para dentro, como se ele pudesse ver o mais fundo da alma.

 

E eu sabia que ele via o melhor de mim naquele momento.

 

— O prazer é todo meu, Lydia.

 

Sua voz soa mais rouca que o normal, vibrando cada canto do meu corpo. O charme que o envolvia me deixou extasiada.

 

— Aqui está a conta, senhor.

 

Quando o atendente nos interrompeu, pareceu fazer-nos voltar a realidade.

 

Cocei a garganta tentando disfarçar o silêncio que se seguiu.

 

— Você tem um irmão mais velho, não é?

 

Thomas levanta o olhar para cima, pensando na resposta.

 

— É tipo isso. — ele suspirou — Mas não tenho muito contato com ele. Passei boa parte da infância morando com minha avó, na Alemanha.

 

— Ah, seus pais são separados? Por isso teve que morar com a avó?

 

— Não, eles estão juntos ainda. — respondeu simplesmente — E você? Tem irmãos?

 

Balanço a cabeça em negação.

 

— Por mais que fosse o desejo de meu pai, ele esperava que a gente melhorasse financeiramente para ter um novo bebê. — sorri nostálgica. — Eles me deram uma vida confortável, sabe? Mesmo morando na Ala O.

 

Ele assentia, prestando atenção em cada detalhe, e me senti animada para continuar a falar.

 

— Sus pais eram destinados um do outro? — indagou interessado.

 

— Sim! A história deles é bonita, mas um pouco triste também.

 

— Como é?

 

Sua vontade de conhecer parte da história dos meus pais me fez voltar a época de quando eu era mais nova e minha mãe começara a esquecer das coisas. Foi na primeira vez que ela não me reconheceu e contou para mim o que eu não sabia sobre os Blackwell.

 

— Parece novela mexicana, para ser sincera. — adverti antes de começar a narrar. — Minha mãe me contou que ela era da Ala G e foi criada para ser a esposa perfeita. Ela era bonita desde criança, então, meus avós tinham certeza que ela se casaria com alguém muito rico ou influente. De preferência os dois.

 

Thomas levantou a sobrancelha, cético.

 

— Eu sei! Louco não? Mas eles eram advogados que não conseguiram entrar em ascensão, o que me leva a crer que talvez quisessem ganhar algo em cima dela.

 

“Imagina só a reação deles ao descobrir que o destinado dela era um “faz tudo” da Ala O? Foi um choque. Como eles eram advogados, não era difícil para que minha mãe pudesse permanecer na cidade. Entretanto, ninguém imaginava que Letícia ia se apaixonar por ele; o que resultou muitas brigas entre a família. Enfim, minha avó ameaçou deserdá-la. Apesar de amar minha mãe, o destinado dela não tinha certeza se trazê-la para uma Ala tão inferior era bom para ela. Bem, minha mãe não se importou com nenhum daqueles problemas e fugiu com meu pai para casar com ele.”

 

— Foi desse amor que nasceu euzinha. — conclui de forma infantil, evitando contar a parte triste da história, e Thomas gargalhou da minha besteira.

 

— É uma bonita história. — comentou com um sorriso — Você deve ter vivido em um lar muito amoroso.

 

Balanço a cabeça, afirmando, sentindo que nossa conversa acabava ali. Fiquei pensando naquela facilidade estranha que tive para contar algo do meu passado que influenciava diretamente no que eu vivia agora. Thomas aparentava ser bastante confiável, contudo.

 

Quando vejo que a hora passou voando e minha barriga reclamava, comentei.

 

— É melhor eu ir andando…

 

— Quer uma carona? — perguntou quase automaticamente.

 

— Não quero incomodar...

 

— Não será nenhum incômodo. Mesmo!

 

Aceitei a carona parte por educação e parte por ainda queria continuar a conversar com Thomas.

 

—  Então, tudo bem. —  ele se levantou esfregando as mãos — Só vou ao banheiro rapidinho.

 

Assenti em concordância vendo-o se afastar, ficando feliz por poder ter tempo para colocar minha cabeça em ordem.

 

Observo a movimentação da rua e os carros passando deliberadamente pela avenida. Reparo o relógio dos pulsos das pessoas e a aliança dourada daqueles que não o tem.

 

Fico melancólica de repente e penso de como seria se eu tivesse me apaixonado por Thomas e ele por mim. O que teria acontecido se eu não estivesse namorando na época em que nos conhecemos? Quem sabe o destino realmente estivesse ali colidindo os nossos mundos mesmo se os relógios não existissem?

 

Serei para sempre grata a ele pelo que fez por mim e pela minha mãe e com certeza darei a amizade e lealdade que Thomas merece. Mas aquele negócio de destinados nunca iria funcionar.

 

Quem sabe em outro universo, em outro planeta, ou talvez em outra vida.

 

— Você sempre quis trabalhar nessa área? — perguntei quando estávamos já na calçada em direção ao seu carro.

 

— Não, claro que não. — respondeu como se eu fosse louca — Se na minha adolescência alguém dissesse que eu iria estudar direito, provavelmente eu riria dele como se fosse a piada mais engraçada do mundo.

 

Franzi o cenho.

 

— Então, como você chegou aqui?

 

Ele sorriu olhando para o horizonte com um sorriso nostálgico.

 

— Por ser da Ala A desde criança, não tinha muita pressão em cima de mim para escolher minha profissão. Meu pai queria que eu seguisse o rumo dos negócios que nem ele. — Thomas revirou os olhos de tédio — Mas como somos ricos e temos uma família cheia de gente com o sobrenome Hoyer, não é um problema ter alguma empresa caindo nas mãos dos meus primos, logo, ninguém cobrou mais do que o necessário de mim: uma faculdade. Quando saí do exército…

 

Arregalei os olhos, assustada.

 

— Você participou do exército?

 

Ele coçou a nuca, constrangido. A sua face começou a ficar vermelha e eu o vi se transformar um menino de tão fofo que ele ficara.

 

— É… por seis meses só. — desconversou — Enfim, pedi pra saí antes mesmo de começar. Sempre tive vontade de mudar o mundo e no início achei que estudar direito era uma forma de fazê-lo. — ele deu os ombros — Quis usar minha sede de justiça para algo bom.

 

—  Espera aí.  — parei em frente ao seu carro fitando Carlos entrar no banco motorista —  Você disse “no início”?

 

— Caraca, você não deixa passar nenhum detalhe! — disse em tom de admiração.

 

Me senti constrangida, mas nada disse, esperando que ele continuasse.

 

—  A verdade… —  ele chamou-me com a mão para o lado do carro e abriu a porta para mim —  ...é que ser advogado e ser justo não é constantemente… Como eu posso dizer? — coçou o queixo, pensando — Não andam constantemente junto se você quer ganhar dinheiro.

 

Agradeci a sua gentileza ao abrir a porta do carro e me acomodei no banco de trás de seu carro de luxo, logo depois de falar o meu endereço ao Carlos.

 

— E ser desembargador? É a mesma coisa?

 

— Não. — respondeu, colocando o cinto — Mas é bem mais difícil não deixar o poder subir a sua cabeça.

 

Olhei para ele tentando decifrá-lo. Eu desejava conhecê-lo muito mais do que eu admitiria.

 

Você me intriga.

 

— Senhor, irei fechar a janela. Acredito que vocês dois precisam de privacidade. — falou Carlos em espanhol, totalmente alheio ao meu conhecimento sobre a língua.

 

Meu destinado ficou vermelho com insinuação do motorista enquanto eu fingia olhar alguma coisa pela janela e focava em não ruborizar.

 

— Sheisse, que constrangedor, Carlos! Não tenho mais 16 anos, por favor. — respondeu em espanhol e, rindo, o latino fechou a janela da parede que separava os bancos de trás com os da frente.

 

Franzi o cenho tentando entender o que significava  “chaissa” e me acomodei no carro antes de partir.

 

— E agora? Como vai ser sua situação na Coral? — perguntou segundos depois.

 

Sorri entusiasmada.

 

— Não faço a mínima ideia.

 

Aquela cena foi particularmente engraçada para Thomas, pois ele gargalhou me contagiando.

 

— Albert falou que na segunda ele começaria a me treinar. Só Deus sabe para que, mas estou animada com a possibilidade. — expliquei.

 

— Eu ofereceria minha ajuda, mas provavelmente lhe atrapalharia. — ele comentou — Se for algo em relação a novos investimentos, me avise. Estou precisando de uma segunda opinião, além do meu contador.

 

— Sim, senhor. — brinquei.

 

O silêncio confortável se instalou no recinto e me vi tentada a perguntar sobre o que acontecia entre nós. Um péssimo timing, eu sei, mas a curiosidade quase me consumia.

 

Aperto os lábios tentando pensar em uma boa abordagem. Em outra situação, eu simplesmente deduziria que éramos amigos, mas havia um elementar que não poderia ser de esquecida: Thomas era meu destinado. De acordo com os videntes, erámos a alma gêmea um do outro. Portanto, não queria passar a impressão errada a ele, nem desejava que Hoyer tivesse falsas esperanças.

Por algum motivo, não suportava a ideia de machucá-lo desse jeito.

— Thomas, eu sei que você já me falou que quer ser meu amigo e acredito em você. — cruzo minhas mãos no colo nervosamente quando tenho sua total atenção. — Mas ao mesmo tempo você disse que não desistiria de mim. Quero entender de vez o que está acontecendo entre a gente. — é difícil mirá-lo nos olhos, mas eu o faço mesmo assim. — O que você espera de mim?

Thomas fica em silêncio, mas eu quase posso ouvir as engrenagens de seu cérebro maquinando uma resposta. Depois de um tempo ele me responde.

— Eu não quero roubar seu coração. Não quero mudar sua vida ou o que você pensa em relação ao destino. — ele sorriu tranquilo — Eu só quero estar com você.

 

Suas palavras me envolvem quase magicamente. Sinto as entrando nos meus poros e fazer com que cada célula de meu corpo relaxasse em sua presença. Meu corpo se arrepia. Como ele sabe exatamente o que me dizer desse jeito?

 

— Por que você é assim? — sussurro tão baixo que duvidei que ele tenha escutado, entretanto, pelo peso de seu olhar, sei que ele me ouvira bem.

 

Estamos perto de entrarmos de novo naquela bolha quando paramos de repente e percebo que estamos em frente da minha casa. Definitivamente esta foi a viagem mais rápida do centro para meu bairro que tive.

 

— Muito obrigada pela carona.  — agradeço quando, com o sotaque carregado, Carlos avisa que chegamos.

 

— Por nada. — sorriu enquanto eu abria a porta.

 

Antes de me despedir de vez e fechar o automóvel, por puro impulso, digo a ele:

 

— Também gosto de estar com você. Adoro sua companhia.

 

Thomas ri divertido e estende minha bolsa que fora totalmente esquecida por mim.

 

— Que bom, pois achei que estava louca para sair por não gostar da companhia e por isso esqueceu suas coisas.

 

Por mais que aquilo pudesse ser algo um tanto ofensivo, Hoyer parece lidar muito bem com meu esquecimento, então, sorri amarelo para ele.

 

A verdade é que eu estava feliz de está do lado de fora, principalmente porque agora eu conseguia respirar.

 

Por que eu não respirava direito antes? Não sei.

 

— Obrigada, de novo.

 

Ele balançou a mão em desdém como se ele costumasse ajudar jovens solteira indefesas toda sexta-feira com doações extravagantes.

 

— Me mantenha informado de qualquer problema. Estou aqui para ajudar.

 

— Qualquer um? — levantei as sobrancelhas — Não sei se vai conseguir aguentar…

 

— Não me subestime, Blackwell. — ele piscou — Até mais.

 

— Até, Thomas.

 

Quando o carro dobra uma das esquinas, olho para frente de casa e vejo Caio com um olhar de poucos amigos para mim. Grey balança a cabeça ultrajado e eu franzo o cenho sem entender. Antes que eu pergunte algo, ele entra em seu lar e fecha a porta com um pouco mais de força do que o necessário.

 

Que diabos..?


 

n/a: Muito obrigada pelos comentários maravilhosos que vocês têm deixado! É tão bom saber que todo mundo tá gostando! Estamos no começo da parte em que pp muda de vida, mas será que as coisas aconteceram como a gente espera?



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