História Padre - Capítulo 2


Escrita por: ~

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Categorias Supernatural
Tags Destiel, Supernatural
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Palavras 3.603
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Fantasia, Lemon, Magia, Mistério, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


“Doença psicossomática é a presença de alterações clínicas detectáveis por exames de laboratório, ou seja, o corpo da pessoa apresenta danos físicos. É uma doença orgânica, mas com causa psicológica. Em situações de forte estresse emocional o corpo reage como que “informando” que algo não está bem”.

Ou seja, é uma doença causada por seu psicológico, sua mente o faz assim.

Boa leitura!

Capítulo 2 - 02


 

02

Uma vida nova a proteger.

Alma é um termo derivado do hebraico nephesh, que significa vida ou criatura, e também do latim animu, que significa o que anima. Os seres de natureza maléfica possuem diferentes nomes em diferentes culturas ou crenças. Variados nomes, diversas funções; somente um desejo. 

•••

Nem sempre a vida é um mar de rosas, ele costumava escutar de seu pai de consideração Robert, que o criou e soube o ajudar quando foi preciso. Compreendia a frase de uma maneira singular, já que sempre a ouvira nos piores de seus momentos; Assim como todos os conselhos fraternais do outro. 

Dean chegou na residência do velho Singer dentre minutos, parando numa mercearia mal movimentada para comprar o whisky do mais velho, tendo em sua consciência o quanto o outro gostava da bebida amarga, a forma com que o líquido descia rasgando sobre sua garganta. Não concordava com tamanha despreocupação do velho, entretanto, o homem era um verdadeiro amante da bebida, e não costumava esconder o seu amor prejudicial. 

A casa de Robert não era tão distante de sua residência, mas este passou a ser um dos motivos para ele não juntar seus pertences com o sábio senhor. Não que já não tenha o feito antes, muito pelo contrário, passara boa parte de sua vida com o homem, sobretudo, gostava do aconchego que a frase ter um lar lhe proporcionava, já que não a aproveitara tanto assim quando ainda miúdo. Somente o Singer mostrara-te o verdadeiro significado daquilo. Sempre o ajudara em tudo necessário, o erguendo em suas batalhas, lhe ensinando os valores da vida, lhe ensinando a ser o que era hoje. Trabalhou bravamente até conseguir a sua própria, não preferindo ficar com o pai de criação, não pretendendo matar o velho de tanto estresse ou preocupação. 

Aturdido com o respectivo devaneio, tão já o Campbell atravessou a porta do grande casarão, dando de cara com Ashton, um dos integrantes do grupo de exorcistas. 

— Dean Campbell. — cumprimentou-o com um certo divertimento em sua voz. Era comum do rapazote um humor sempre puro e deveras positivo. 

— Ash. — repetiu o ato. 

— Apresse os passos andarilho. Já estão todos te esperando. — anunciou gentil.

— Atração principal, sim? 

— Você chupa — revirou os olhos, ainda sorrindo, no entanto — Não diga essas porcarias perto da Celly. 

— Não exagere. — o encarou com desdém. 

— Só não quero ter de separar outra briga de vocês. Aquelas unhas me deixaram marcas por dias. — alisou os próprios braços, lembrando-se de suas feridas doloridas. 

— Bem, ela não costuma brincar a serviço — brincou divertido — Só precisa de pulso firme, entende? 

— Teve pulso firme até perder uma aposta, certo Campbell? — alfinetou o loiro que deu de ombros, sorrindo serelepe — Quantas garotas a mais ela consquistou? Três? Quatro? E que tal cinco? 

— Nah, ela tem bom papo. 

— E língua. A Bradbury lucrou em cima de você — zombou — uma vez mais. 

Dean esbarrou o ombro no do mais baixo fazendo o mesmo apertar o passo de forma agitada, e assim puderam partir para o salão principal do casarão, sobre piadas sujas e assuntos corriqueiros. Ao adentrar, notou que todos presentes na sala estavam a fazer algo interessante, de certa maneira, estavam focados em cada afazer. 

— Família, cheguei! — Anunciou irônico. 

— Quase não notamos, Barbie girl. — Celeste retrucou com um sorriso malicioso nos lábios. Incitar o Campbell era o seu melhor trabalho. 

Dean somente retrucou a ofensa cômica erguendo em sua direção o dedo médio, logo partindo a cumprimentar o restante presente no casarão, não esquecendo-se de dar ao mais velho da casa a sua bebida. Não muito tarde após, Garth aproximou-se do loiro, entregando-lhe uma pasta vermelha, composta pela ficha do novo caso apanhado. Singer não o alertara, mas deveriam partir ainda naquele dia, no final da tarde. O restante do grupo já havia preparado o arsenal a qual iriam devidamente usar, assim como suas malas para a tão distante viagem, pois seria um percurso demasiado grande. Deveriam estar preparados o quanto antes. 

— Kansas, realmente? — Dean indagou com a feição séria. 

— Exatamente. — Robert retrucou indiferente. 

— Não havia lugar melhor? Quem arrumou isso? 

— Trabalho é trabalho Dean. — Charlie, que ainda muito quieta e concentrada encontrava-se, alertou. 

— Engraçado, me soa muito à uma piada sem graça. 

— Qual o problema filho? Por que está chorando tanto? — Bobby indagou olhando friamente para o loiro. 

Problemas pessoas jamais deveriam intervir num trabalho, esta é a regra básica de um exorcista. Dean poderia não estar contente com o destino final, no entanto, a vida de um rapaz valia muito mais que um chiar descontente. O Campbell somente revirou os olhos e voltou a atenção no emaranhado de papéis informativos. 

— São sete horas de viagem, quem garante que chegaremos na hora marcada? Mas que infernos? 

— Vamos partir ainda hoje, boneca. — a ruiva voltou a proferir. 

— O que? 

— Bolls, garoto! Se quiser ficar somente para reclamar não será bem-vindo. 

— Qual é Bobby, por quê não me disse? Eu não preparei nada. — Ignorou o afronto e respondeu indignado. 

— É por esse exato motivo que cada um aqui têm um quarto mobiliado, inclusive a porcaria de um guarda-roupa com seus pertences. — Continuou ele. — Não há problema, se quiser deixar o caso tire o traseiro gordo dessa sala. 

— À merda! Sabe que não recuso trabalho. 

— Então o que está esperando para se aprontar, filho? Caímos na estrada no final da tarde. 

— Certo certo, que seja. 

— Sei que era seu dia de folga, mas nosso trabalho não tem dessas garoto. 

Robert possuía seus momentos de fúria, mas sabia reconhecer o esforco de seus filhos, sendo eles de sangue ou não. Essa era a vida a qual levavam, sempre tudo tão repentino, imprevisível. Não havia uma maneira exclusiva de saber quando o caso seria apanhado ou não. Pode certamente ocorrer escolhas, decidir qual irão trabalhar ou somente passar para outro exorcista, mas no atual momento o Singer não foi provido de uma escolha, Rowena, assim chamada, clamava de forma histérica por sua ajuda, por tempo encontrou-se incapacitado de ignorar devida situação. Não havia uma maneira sensata ou educada de negar ajuda à mulher, seu desespero despertava sensações no velho, e para uma ainda melhora, desta vez haveria uma recompensa financeira. Um trato justo de ajuda compartilhada. 

Dean seguiu para seu quarto pronto para arrumar seus pertences. Estava irritado pela falta de comunicação sobre o caso. Não gostava de ser o último a saber dos importantes assuntos, e ainda mais furioso por não alertarem o Estado a qual teriam de viajar. Deixando de lado um devaneio incomum, o Campbell repara num quadro acima do armário de gavetas, deixando a raiva dissipar lentamente. Na imagem habitava seu irmão, Samuel, que havia partido para faculdade em alguns anos a mando de seu pai. Os rapazes não obtiam qualquer contato, pois o patriarca não permitia, deixando-os separados durante anos. Dean fez sua preferência; ficou com Robert e deu adeus à aquele de seu sangue, embora sofra por este mesmo o separar de seu irmão caçula, ele não pensava em voltar atrás. 

Sam, como gostava de ser chamado, teve de ir com o pai por ser menor de idade, sendo usado pela justiça cega. Tudo que o primogênito sabia, era que o caçula cursava direito e já possuía um apartamento. Era longe, decerto, mas Dean não poderia ter mais orgulho do rapazote, que se tornava um homem mais rápido que o previsto. Certamente sentiam falta um do outro, não importasse atuais circunstâncias, eles ainda eram uma família, mas já não poderiam lamentar por algo já feito. Não havia mais volta. 

Dean jamais esqueceu a morte da mãe, que veio a óbito após um incêndio na antiga casa que moravam no Kansas, tampouco esqueceu os rostos cansados dos bombeiros, que indicavam um acidente doméstico. Pensava nunca poder perdoar o patriarca, que acabou com a própria vida ao caçar um possível culpado. 

Os rapazes passaram a viver sozinhos devido às viagens do pai, sempre buscando novos detetives e especialistas em incêndio. A flama que engoliu sua mulher, queimava bruxuleante agora em seu coração, trazendo rancor, tristeza e fúria incontornável. O primogênito cuidava do irmão, esforçava-se para ser um bom filho, mas o homem não o reconhecia, privando ambas as crianças de receber amor e compaixão que precisavam após uma perda tamanha como aquela. Aprendeu a caçar e atirar com Robert, mas nem mesmo o feito foi o suficiente para sugar a atenção do homem agora tão acabado. Nada era o suficiente, não importava se tirava um A na prova em que fazia, ou se cuidava de Sam após uma temporada de gripe. O garoto tão pequeno acabava ficando sobrecarregado, e sentia-se terrivelmente mal quando John chegava em casa, rabugento como sempre acontecia, o julgando e alegando-o ser um filho terrível. 

Foram certamente anos terríveis até o loiro não suportar mais, jogando abertamente com o pai, mostrando toda a sua frustração, o mandando para o meio do inferno, causando a separação definitiva dos irmãos. 

Sam nunca fora a favor da decisão de John, no entanto, o rapazote merecia uma segunda chance, e faria de tudo para o fazer por merecer, ir embora foi sua única saída. Esquecer do irmão nunca fora cogitado, e certamente nunca viria a acontecer; o caçula somente acreditava que se partisse com o senhor seu pai, talvez ele construísse uma carreira boa o suficiente para uma boa casa, e em seus pensamentos, ele tinha Dean como sua meta. Se tudo desse certo desta vez, ele voltaria a viver com o irmão e fugiria das garras de John de uma vez por todas, não precisando de seu dinheiro ou moradia. 

O irmão, após uma devastadora discussão com o progenitor, passou a viver com Robert, provindo a paz que merecia. Como estavam proibidos de ver um ao outro, a saudade era o que restava, assim como o resquício de esperança guardado a sete chaves. 

Sorrindo por pensar no irmão, o rapaz ajeita seus devidos pertences, jogando-se na cama logo após, disposto a esperar as horas passarem para então caírem na estrada. Nem mesmo se Robert oferecesse uma passagem de avião aceitaria. Dean possuí um medo tremendo do meio de transporte, e se não o ocorrer em casos extremos e demasiado necessário, ele não entra em um. 

Gozado é quando um exorcista em atividade teme uma aeronave, mas enfrenta de peito estufado entidades malignas. 

Por outra via, o Campbell adorava as viagens terrestres. Sentir a brisa serena em seu rosto acalmava os seus ânimos, e quando na estrada, o loiro facilmente se comparava à um livre pássaro. Era somente ele e a máquina, trazendo adrenalina nas veias enquanto fitas antigas eram tocadas. Além, claro, de sua exagerada apreciação, pois um Chevrolet Impala 1967, segundo ele, merece devida e tamanha atenção. 

Não muito tarde ele teria um rumo, um trabalho novo. Uma nova chance de salvar o desconhecido. Não era fácil, nunca é, mas estava satisfeito com a vida que obtinha. 

•••

Castiel estava em seu quarto, sozinho novamente. A matriarca lhe trouxera mantimentos, mas tudo o que ele tentava colocar no estômago voltava, ou se tentava, refluxos o golpeavam severamente. Ainda sentia o gosto da bile em sua boca quando as devastadoras pontadas na barriga ressurgiram. Suas costelas pareciam estar sendo impiedosamente esmagadas, e com sua imensa dor, o rapaz não enxergava outra forma de expressão a não ser usar a voz potente a qual provinha. 

Os gritos guturais do garoto ecoavam por todo o casarão. Rowena chorava baixinho num canto de seu quarto, sozinha e tristemente desesperada. A ruiva compreendia que não deveria em hipótese alguma entrar no quarto do rapazote, assim como os outros residentes também estavam proibidos de o fazer. 

Ezequiel e Hannah ficaram em seus devidos aposentos, somente escutando os gritos sôfregos do primo. Não entendiam o que estava a acontecer, mas não iriam desacatar a tia com seu pedido desesperado de jamais intromissão. Precisavam a qualquer custo respeitar sua decisão, caso contrário, a ingratidão não vos permitiria descanso. 

O Novak possuía um tom gutural em seus gritos, quais pareciam rasgar sua garganta judiada. Seu pulmão ardia, a sensação era que logo os órgãos não aguentariam tamanho esforço, mas não muito ele poderia fazer. O moreno sequer continha escolhas. Sua dor era estupendamente avassaladora, e seu corpo já dolorido retraía-se em espasmos. Suas mãos tremiam com constância e os dedos de seus pés contorciam-se. Seus braços fortes apertavam-lhe no abdômen, em busca de um alívio que nunca chegava. Em posição fetal ele engatou-se a chorar pela já incontável vez no dia. 

Rowena nunca temeu tanto quanto o fazia no momento. O garoto poderia querer agir sem sensatez para aliviar-se da dor, entretanto, não poderia cogitar novamente a ideia de o amarrar na cama. Sua alma maternal não permitiria, e sua agora tão frágil mente, não poderia suportar sequer imaginar ver o seu filho de tal maneira, era demasiado horrendo. 

O Novak fora capaz de gritar durante horas seguidas. Era impressionante a força e a voz potente a qual ele provinha. O dia se arrastava inundando a residência em agonia e desespero. A ignorância era a maior inimiga da família, que não sabia, entendia, e era obrigada a conviver com tamanha inconveniência. Quando tudo pareceu ceder por um breve instante, a matriarca pôde aproximar-se do quarto, e tão já fora capaz de escutar o filho. 

— Mamãe? — ele dizia manhoso. — Está aqui? 

Sua voz já não estava gutural, o que fora uma mudança brusca. Saia doce, manhosa, carente, diferente de horas atrás. Rowena escorregou sobre a madeira, deixando o traseiro ir de encontro com o chão gélido. Ao escutar aquele que saiu de seu ventre proferir tais palavras, uma lágrima solitária deslizou em seu delicado rosto. 

— Mãe? — houve uma pausa. — Que acha de pedir ajuda agora? O doutor que citou, lembra-se? Lembra-se do que disse, mamãe? — provinha um desespero em sua voz. 

A mulher não respondeu. Solicitara a ajuda de Singer, mas não poderia dar falsas esperanças ao moreno que ainda não o conhecia. Quando o rapaz notou que a mulher o ignorara, sua voz mudou novamente, saindo extremamente rancorosa. 

— Abra a porta, sei que trancou por fora Rowena! 

A ruiva colocou a cabeça entre os joelhos e se permitiu chorar silenciosamente, ignorando agora a frase do filho. Ele estava certo, ela havia o feito, sobretudo, o jovem não teria como o saber, não quando não poderia sequer sair de sua cama. Deixou de lado o fato, a culpa e a solidão sugava sua consciência para baixo, trazendo dor e uma estranha confusão. Era como se sua cabeça desse piruetas, desnorteando-a sem piedade alguma. 

— Não vou tentar nada. Por favor mãe, eu não consigo, nada nada nada! 

A matriarca ergueu o rosto delicado e molhado de lágrimas por um instante, prestando atenção nas palavras do moreno. Seu único e tão amado filho. Doía em seu peito fazer parte de tamanho transtorno. Doía em seu peito ver aquele quem deveria proteger se afundar tão severamente sem um motivo aparente. 

— Me tire daqui. Mãe! Você pode me ajudar? Sei que está aqui. — um ruído foi ouvido de dentro do quarto — Não seja ingrata, mamãe estou te implorando! 

As palavras eram cuspidas de maneira quase violenta, mas havia um fio de esperança, a voz aveludada sugava sua atenção como nenhuma outra coisa conseguia, era como entrar em transe. 

— Não posso fazer isso meu amor. — vacilou na voz embargada. 

— Por quê não? O que eu fiz pra você mamãe? Por quê têm medo de mim? 

— Temo por você, Castiel. 

— Por quê? 

— Eu... Eu não sei, filho. 

O silêncio reinou por um breve momento. 

— Mamãe, o meu corpo... Ele-ele está tão marcado. — apelou. 

— Fez algo que deva saber, meu amor? — elevou o tom de voz, expondo tamanha preocupação. 

— Eu? Não não! Mas urgh... Isto tudo dói pra caralho! Não tem noção mamãe, não tem noção... 

— Castiel! — Repreendeu o seu linguajar.

— Eu preciso de ajuda, Rowena. Por quê ninguém me ajuda? Tenho sido um garoto mal? 

— Não, meu anjo, não tem sido mal. — sua garganta ardia por tais palavras. — Eu vou fazer o possível, eu prometo- 

— Disse isso à uma semana atrás lembra-se? Estou tão exausto... 

— Eu sei meu amor. 

— Rowena, dorme comigo hoje? Eu prometo não fazer nada que possa te assustar. 

— Posso pensar? 

— Faça o que quiser.

A progenitora esperou alguns minutos do lado de fora, pensando no que poderia enxergar através daquela porta, indagando-se se o filho poderia mesmo cumprir com atos violentos contra si próprio. Contudo, seu coração bom não deixou-a pensar em detalhes coerentes, portanto, pouco se importou se agia com sensatez ou não. Ao tirar a chave mestra do bolso de seu roupão de seda, a mulher destranca a porta lentamente. Quando entrou, pôde avistar Castiel em posição fetal, abraçava o abdômen de maneira tão dolorosa que a mesma pôde compreender uma quantia de sua dor. O corpo do rapaz, no entanto, não se comparava a sua força. 

Quem o visse no atual estado, certamente alegaria um possível espancamento. Havia marcas por todas as partes, diversas delas, em tons de roxo, amarelo e alguns ferimentos que nem a propia mulher soube reconhecer. O tecido de suas vestimentas cobriam muito pouco de seu corpo, e todos os vergões singulares e inusitadas marcas presente estavam totalmente visíveis. 

— Meu filho... — ela choraminga, levando as mãos até sua boca, demostrando sua surpresa. 

— Não olhe para mim mamãe. Deite aqui e me abrace. Finja que não há nada aqui, finja que está tudo bem. 

Em passos lentos e vigorosos, Rowena caminha até a cama do primogênito, engatinhando sobre o colchão até ficar próxima o suficiente do moreno. Seu corpo tremia com constância e suas marcas certamente lhe causava terríveis dores. Somente então compreendeu todas as suas lamúrias, toda a gritaria. Sem hesitar, a ruiva pousa um braço sobre o corpo doente do filho, o abraçando da melhor forma que pôde. O Novak não conseguia locomover-se, tampouco provinha tal opção. Somente aceitou o abraço da matriarca e chorou. 

Chorou como uma criança pura e indefesa, como uma que acabara de cair de um balanço. Sua mãe não conseguia reprimir as lástimas, preocupada o suficiente para ter um ataque de nervos. Indagava-se sobre o possível motivo até então desconhecido, querendo entender a razão para todo aquele pesadelo estar a acontecer. Era Castiel, o seu garoto ali, ferido e assustado. Ela temia por sua vida. 

— Shh. Estou aqui amor... Estou aqui agora.

— Não me deixe mamãe, por favor. 

— Não vou, Castiel. 

•••

Dean somente saiu do quarto ao ouvir o velho Singer berrar na ponta da escadaria. Era hora de partir. Um caso novo caía em suas mãos e seu final de semana prometia ser inusitado.

— Vamos! Coloquem a bunda para trabalhar. — dizia de forna divertida. 

— Está animado pra caramba, não é mesmo velhote? — Ash ousou brincar. 

— Cale a boca idiota! Já estão todos prontos? 

Responderam todos em uníssono e rumaram até a sala principal da casa. Robert solicitou Dean e Benny para uma última revisão no arsenal, apetrechos religiosos, água benta, livros de rituais e tudo o que necessitavam o uso. Ao terminarem, concluíram que poderiam partir a qualquer instante, rumo à Kansas City. O Singer, no entanto, chamou o Campbell num canto para uma breve conversa. 

— Escute, filho. Sei que a cidade não lhe trás boas lembranças, mas entende que tem trabalho a fazer, não é mesmo? — indagou ele com cautela devida. 

— Não tem com o que se preocupar velho. Estou indo para fazer meu trabalho. Prometo não chorar como uma garotinha feito o Garth! — tentou descontrair. Conversas com demasiado sentimentalismo nunca fora o seu ponto forte. 

— Estou falando sério, Dean. Esqueça John, e também a sua antiga casa. Foi um acidente, sim? Permita que o fogo apague tudo isso rapaz, tudo vira cinzas. Não deixe isso te abalar ouviu bem? Não é sadio para você e tampouco para o caso. 

— Estou bem, Singer. Não precisa esquentar com isso. 

— Certo certo. Agora, trate de colar esse traseiro gordo no banco e dirija rápido. Seu lesma. — brincou e saiu andando. 

— Vou te fazer comer poeira, seu velho bundão! — retrucou rindo alto o suficiente para todos ouvirem. 

Não muito tarde após, a dupla dinâmica seguiu para frente dos carros, esperando o restante do grupo se aproximarem então. Quando o fizeram, um círculo fora concluído entre eles, enquanto Dean e Bobby preparavam às bênçãos necessárias. 

— Prestem atenção garotos. Iremos vistar um novo caso agora, e só temos a agradecer a oportunidade de salvar mais uma vida. Sei que ainda tem todo o processo de estudo pela frente, mas o tratem com muita importancia. 

— Certo — todos respondiam. 

— Vamos fazer uma oração rápida e logo pegamos estrada. Não quero nenhum rastro sombrio no nosso rabo quando chegarmos lá. Só Deus sabe o que raios tem acontecido com o garoto. 

— Pai nosso que estais no céu... — Ao darem as mãos, todos no círculo passaram a rezar. — ...E livrai-nos do mal, amém. 

Tirando um pequenino frasco de uma maleta decorada, o loiro aprendiz voltou-se novamente ao círculo. Assentindo cúmplice ao mais velho presente, uma segunda reza se iniciou. 

— Senhor, abençoe este corpo e esta alma. Livre-a da maldade. Proteja-a das trevas. — Singer e Campbell proferiam alto e em uníssono, com a ponta do dedão banhado de oliva, cumpriram com movimentos de cruz na testa de cada um. — Cuide de seu filho. Resguarde o seu maior tesouro. Não permita que as forças do mau o prejudique. Acompanhe os anjos protetores de sua criação. Amém. 

Benny, que já havia cumprido com seu ritual de proteção em todo o grupo, sentiu-se mais aliviado. Não demorou muito para partirem com seus carros nas extensas estradas. Robert ia junto de Garth e Ash em seu Chevelle 1971, enquanto Dean partia na companhia de Benny, Charlie e Celeste na Impala. Seriam longas horas de viagem.


Notas Finais


Obrigada pela leitura!

digam-me se gostaram, eu particularmente, prefiro a nova versão

só por curiosidades:

Cas não é criança/adolescente, eu precisei coloca-lo vulnerável e manhoso, mas não vai ficar assim o tempo todo.

Até a próxima!


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