História Paixão Inevitável - Capítulo 48


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Categorias Originais
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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Famí­lia, Romance e Novela
Avisos: Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 48 - Formatura


Os três meses que restavam pro fim do ano, voaram. Dezembro chegou, e bem que tentei de alguma forma incentivar Diana a fazer um cursinho pré vestibular ou algo parecido.. mas a menina não aceitava, não tinha acordo. 

-- Não fica forçando, Jade. - Bruna me aconselhava - Quando ela quiser, ela faz.

-- Ela nunca vai querer. Não sei..

-- Um dia a vontade chega. E o intercâmbio..?

-- Acho que vai sair algo oficial no começo de janeiro. - suspirei.

-- Hm.. seu egoísmo passou?

Não respondi, fiz careta.. ela riu e continuou falando:

-- Às vezes entendo você. Porque eu também tô meio chateada com a viagem de formatura delas. A Diana vai..?

-- Sim.. vai ser uma droga.

-- Vai sim.

-- O fim de semana inteiro.

-- Uhum, achei desnecessário. - que bom que ela concordava comigo.

-- E sabe a pior parte?

-- Ainda tem mais essa de 'pior parte'..? - a ruiva bufou.

-- Sempre tem como ficar pior.. mas então, lá no acampamento não existe sinal de telefone nem porra alguma.

-- Não acredito! - ela arregalou os olhos, colocando as duas mãos na cabeça.

-- Tive essa mesma reação quando Diana me contou.. ainda tive que vê-la gargalhando do meu desespero.

-- Gente, que merda.. essas meninas só fodem com a gente.

-- Só.

-- Mas claro que elas têm o direito de passearem sozinhas, né..

-- Sim, claro.. um saco.

Rimos. Estávamos em uma loja de roupas, esperando Diana e Talita escolherem algumas peças..

-- Quem vai ser o par da sua sobrinha no baile?

-- Sei lá.. ela ainda não comentou sobre.

-- Mas a festa é depois de amanhã!

-- Então, e eu fiquei sabendo hoje.

-- Vocês duas não se comunicam mais não..? - ela me olhava surpresa.

-- Sim.. acho que Diana até falou algo sobre esse baile, mas não devo ter prestado atenção antes.

-- Tem que existir diálogo, voc..

-- Eu sei, eu sei. - cortei - E Talita, vai dançar com você?

-- Não, com Miguel.

-- Miguel.. - fiquei tentando lembrar.

-- Meu primo, um dos irmãos de Lara.

-- Ah, aquele mais delicadinho?

-- Sim, o gay.

-- Eu me lembro dele, daquela vez que vocês foram lá em casa. - de repente me dei conta - Espera, a Lara vai vir também..?

-- Vai.. se prepara, coroa.

-- Que porra..

-- Cuidado pra ela não se oferecer como par da sua sobrinha.

-- Você não tá ajudando, sabia? - respirei fundo.

Realmente eu não fazia idéia de quem Diana chamaria. Com certeza não seria eu, senão ela já teria me avisado.. achei melhor largar aquilo de lado e mudei de assunto:

-- Talita vai prestar vestibular? - perguntei, observando as meninas ao longe.

-- Sim, disse que quer ser advogada que nem eu.

-- Que bom.. só a Diana que não se interessa por nada.

-- Uma hora ela se interessa, já disse.

Fiquei quieta, Bruna falou mais umas besteirinhas e acabamos nos distraindo por ali. Na hora de passar no caixa, minha sobrinha me chamou de canto.

-- Amor, eu vi uma jaquetinha tão linda.. queria comprar, mas é um pouquinho cara.

-- Você veio aqui comprar um vestido, não foi?

-- Sim, já escolhi. Mas..

-- Então nada de jaquetas.

-- Poxa, tia.. - ela emburrou, me fazendo rir.

-- Tô brincando, pode pegar.

-- Posso mesmo? Porque é bem cara e..

-- Vai pegar logo porque eu quero ir pra casa..! - já tava cansada de ficar naquela loja.

-- Não precisa gritar comigo!

Ela se afastou, indo em busca da bendita jaqueta. Fiquei ali segurando o vestido, que aliás era super sexy e bonito. Ficaria uma coisa de louco no corpo dela..

-- Ei, cadê a Diana? - Talita voltou até onde eu tava.

-- Foi buscar uma jaqueta.

-- Ah.. ela disse mesmo que compraria.

-- Disse?

-- Sim, pra usar na viagem semana que vem.

-- Argh..

-- Bem, a gente já vai.. Bruna tá com pressa. - se despediu de mim e saiu.

Logo minha sobrinha apareceu, com a peça de roupa na mão, me mostrando.

-- Não é linda..?

-- É sim. - forcei um sorriso.

-- Não gostou?

-- Claro que gostei.. vem, vamos lá pagar.

Realmente era linda. E cara, tanto que me arrependi de ter deixado Diana comprar. Voltamos pra casa e ficamos conversando assuntos leves, em que não discordávamos. Mas..

-- Adivinha quem vai ser meu par no baile?

-- Bem.. já que não sou eu, nem quero adivinhar.

Ela gargalhou, me dando um empurrãozinho.

-- Bernardo.

-- O que tem ele..?

-- Vai ser o meu par.

-- Tá brincando com a minha cara, né? - franzi a testa.

-- Não, tô falando sério. Tá super na moda levar os animais de estimação no baile de formatura, não sabia..?

-- Vou nem dizer nada pra você. - sim, achei um absurdo.. mas preferi ficar calada.

Mais tarde pesquisei sobre, e realmente aquilo acontecia! Absurdo.

*****

Na sexta logo pela manhã, Diana já tava eufórica. Foi até a casa de Talita combinar não sei o que e voltou, empolgada com algo que fariam no cabelo mais tarde. Achei graça de seu entusiasmo..

-- Você tá parecendo aquelas noivas ansiosas, no dia do casamento. - brinquei e ela riu.

-- Acho que no meu casamento, eu vou estar bem tranquila. - ela mexia em uma sacola em cima da cômoda, lendo um papel ou algo parecido.

-- Sim, até porque ansiedade demais sempre atrapalha.

-- Mas às vezes a pessoa não consegue controlar..

-- É, tem isso também. O ideal seria os dois ficarem calminhos no dia.

-- Uhum.. mas acho que isso só acontece quando existe um amor verdadeiro entre os dois. - olhou pra mim.

-- Como assim?

-- Tipo, um passa tranquilidade pro outro..

-- Ah, entendi. Só que nem sempre é assim.

-- Pois é.. ainda bem que nisso a gente combina.

Sorri, largando a peça de roupa que eu dobrava e me aproximei por trás dela.

-- Quer mesmo se casar comigo..? - enlacei sua cintura.

-- Não acredito que você ainda tem essa dúvida. - riu, me olhando pelo reflexo do espelho - Sabe que sou louca por você..

-- Louca por mim? - dei um beijinho delicado em seu pescoço.

-- Muito.

-- Mesmo eu sendo..

-- Coroa? - me interrompeu.

-- Coroa é a sua vó. - fiz menção de soltá-la mas ela segurou minhas mãos.

-- Falando nela, daqui a pouco ela chega..

-- E o chato do seu pai também. - suspirei - Sabe, vai ser engraçado vê-lo de social.

-- Por que, nunca viu?

-- Não. Ao contrário desse rapazinho aqui.. - apontei Bernardo, que adentrava o quarto.

Diana tinha comprado uma gravata borboleta e colocado no bichinho.

-- Ele não ficou lindo? - abaixou, o pegando no colo.

-- Sim.. um gato.

Minha sobrinha riu, como se tivesse ouvido a piada mais engraçada do mundo.

-- Só você pra me fazer rir dessas coisas bestas. - voltou a colocar o gatinho no chão e me abraçou - Sabe, eu ia esperar até de tardezinha pra te falar, mas..

-- Falar o que..? - a interrompi, acariciando suas costas.

-- Uma coisa que vai te deixar maluca.

-- Amor, você já me deixou maluca umas três vezes essa semana. - eu ri, nervosa.

-- Na verdade, não seria maluca a palavra certa. Enfim, hoje à noite.. - parou de falar, me encarando.

-- Hm..

-- É o baile.

-- Uhum.. e daí?

-- E daí que.. - prendeu os lábios, em um sorrisinho - Ai, não sei se falo agora ou mais tarde.

Antes que eu pudesse exclamar um palavrão por aquele rodeio todo, o telefone de casa tocou.

-- Deixa que eu vejo. Deve ser meu pai. - saiu do quarto rindo mas voltou rapidamente, pegando a sacola em cima da cômoda e levando junto.

Não estranhei, porque aquela sacola Diana tinha trazido da casa de Talita. Por certo era uma lingerie, talvez.. sorri com a possibilidade.
Minutos depois, a menina voltou. Era meu irmão, dizendo que já estavam na metade do caminho.

-- Perguntou pra ele quem tá dirigindo? - eu quis saber.

-- Não.

-- Com certeza é sua avó.

-- Capaz. Ah, eles pediram pra avisar que já almoçaram.

-- Ok.. - cruzei os braços - Então, o que você ia me dizer?

-- Sobre hoje à noite.

Ergui uma sobrancelha, esperando a continuação da frase.. mas parou por aí de novo. Será que ela queria me dizer algo sobre Lara que estaria presente? Ou algo parecido..

-- O que tem hoje à noite.. - resolvi tentar ser paciente.

-- O baile.

-- Eu sei disso, Diana! - fechei os olhos - Por que não diz logo de uma vez?

-- Calma..

-- Lara se ofereceu pra ser seu par? - cogitei o fato, com um apertinho no peito.

-- É quase relacionado a isso.

-- Escuta.. - perdi a paciência - Ou você fala logo ou eu nem vou nessa porcaria de formatura!

-- Como não vai..? Você é minha namorada, sua obrigação é me acompanhar.

Engoli uma resposta malcriada e passei a mão nos cabelos, respirando fundo. Ela me irritava de propósito.. como não detestá-la nessas horas? Saí do quarto, com raiva.

Passando pela sala, vi a sacolinha em um canto do sofá e fiquei curiosa.. sim, eu mexeria só pra deixar Diana bravinha também. Abri. Dentro dela tinha outro embrulho macio, que provavelmente era roupa. Mas por que ela não queria que eu visse..? Tirei a fitinha e puxei lá de dentro um vestido, que por sinal era lindo. Estranho.. não era o tamanho da minha sobrinha.

Antes que eu cogitasse outra coisa, ouvi sua voz, no pé da escada.

-- Gostou?

-- Sim, mas.. - eu tava confusa - É pra mim?

-- É, pra você usar hoje.

-- Mas amor.. não preciso ir de vestido, eu já tinha separado uma calça e uma camisa.

Diana se aproximou, com uma expressão neutra.

-- Você precisa sim..

-- Me obrigue.

-- Amor, eu comprei pra você usar!

-- Você sabe que não gosto que comprem roupas pra mim, Diana. Eu quem gosto de escolher e..

-- Sua chata! - ela tava gritando comigo..? - Nunca mais compro nada pra você.

-- Gente, não precisa ficar assim.. eu guardo e uso outro dia.

-- Você nem tá desconfiada, não é? - tomou o vestido da minha mão, com raiva.

-- Do que?

-- O que você acha que eu ia te falar lá em cima?

-- Não sei, que comprou um vestido pra mim sabendo que eu não usaria?

-- Tia, você só me decepciona!

-- Meu amor, eu não sou obrigada a..

-- O meu par no baile não é o Bernardo, é você..! - me interrompeu, visivelmente magoada e voltou pro quarto, depois de arremessar o vestido quase em minha cara.

Fiquei ali, muda.. e subi devagar atrás dela, me punindo mentalmente por ter sido tão idiota.

-- Diana, amor.. - me aproximei, receosa - Desculpa.

Ela não respondeu, nem me olhou. Mexia no celular quando entrei e continuou mexendo, como se eu nem estivesse ali.

-- Ei.. olha pra mim. - mexi em seus cabelos e ela deu um suspiro, levantando a cabeça - Me desculpa? Eu sou imbecil, você sempre soube disso.

-- Super imbecil mesmo. - virou de costas.

-- Poxa, me perdoa.. como eu saberia que seria seu par? Achei que era o gatinho, você até comprou uma gravata pra ele.

-- Sim, pra disfarçar e você não desconfiar.. só queria te fazer uma surpresa.

-- Eu tô surpresa. - a puxei pelo braço - E feliz também.. não fica brava assim comigo.

Minha sobrinha sorriu, balançando a cabeça negativamente e me dando um soquinho no ombro.

-- Tem hora que dá vontade de te bater, sabia? - me abraçou, pro meu alívio.

-- Sabia.

-- Sua idiota.

Eu ri, apertando o corpo dela contra o meu.

-- A idiota quer um beijo seu.. - sussurrei em seu ouvido.

-- Você não merece meus beijos.

-- Claro que mereço. - a ergui pela cintura e a coloquei sentada em cima da cômoda - Seus beijos, você inteira.. só pra mim.

-- Uau, que força é essa? - riu, divertida e me rodeou com as duas pernas - Me quer inteira, é?

-- É pedir muito?

-- E precisa pedir, tia Jade..?

Sorri. Fazia tanto tempo que eu não ouvia aquele "tia Jade".. achei fofo e me derreti, absurdo.

-- Vem cá.. - entrelaçou os dedos nos meus - Faz amor comigo.

Estremeci e não respondi, até porque não era uma pergunta.. mordisquei seu queixo e logo tomei seus lábios, com carinho. Mas percebi o exato momento em que ela exigiu que aquele carinho se tornasse algo mais preciso, quase selvagem.

Ergui sua camiseta e arranquei a peça, jogando no chão. Acertando Bernardo, inclusive.

-- Vem pra cama. - a tirei de cima da cômoda e a coloquei no colchão, devagar.

-- Quanto cuidadinho comigo.. - sorriu.

-- Você pediu pra fazer amor e não sexo..

-- Pode ser misturado. - me puxou pela gola da blusa e grudou a boca na minha outra vez, dando uma mordida dolorida.

Gemi, reclamando.. e em um gesto rápido, Diana me deixou nua da cintura pra cima, abocanhando com força um de meus seios. Arfei, surpresa.. ainda mais quando ela desceu meu zíper, embrenhando a mão por dentro da minha calcinha, afoita.

-- Calma, meu amor.. - murmurei.

-- Eu tô calma. - me empurrou e me fez deitar deitar de lado, sorrindo pra mim.

Um sorriso bem malicioso, por sinal.. e logo descobri o porque, ao ser penetrada de uma vez só pela menina.

-- Diana, aii.. - fechei os olhos, gemendo dolorosamente.

-- Eu sei que você aguenta.. - sussurrou, empurrando mais fundo - São só três dedos.

Sorri com a petulância dela. Claro que eu não acharia ruim daquela amostra de selvageria. E resolvi agir da mesma forma, mas não de imediato.

Desci minha mão esquerda, por dentro de seu short e dei início a uma masturbação lenta, carinhosa. Bem diferente do que ela fazia comigo.

-- Não pensa que fazendo assim, eu vou ser delicada com você.. - minha sobrinha avisou.

-- Não quero que seja delicada. - mordi a boca segurando um gemido, já quase louca com os movimentos que ela fazia dentro de mim.

Busquei seus lábios, eu tinha tanta sede dela.. que acabei permitindo algo que nunca tinha feito antes.

-- Coloca mais um.. - pedi, segurando seu punho.

-- Ah, então você gosta..

Não, eu não gostava. Mas com Diana, eu parecia não me importar tanto com a quantidade de dedos que..

-- Ai..!

-- Machucou? - perguntou, cessando a investida.

-- Continua.. - gemi, a incentivando.

Doeu, ardeu.. voltei a tocá-la intimamente e deslizei dois dedos até aquela abertura molhada, enfiando devagar mas em um só movimento. Diana se retesou, soltando um murmúrio baixinho, manhoso.. e, sorrindo entre seus lábios, ameacei colocar um terceiro dedo.

-- Amor.. - afastou a boca, bem como saiu de dentro de mim, lentamente - Não.

-- Não..? - mordi seu queixo, e repeti a frase dita por ela momentos atrás - Eu sei que você aguenta..

Diana não respondeu nada, o que me fez prosseguir com o gesto. Mas a menina apertou meu ombro com uma força e fez uma careta de dor tão intensa, que eu quase desisti da brincadeira. Quase.. convicta, continuei.

-- Isso d-dói.. - murmurou, enquanto eu empurrava devagar.

-- Dói.. mas é gostoso, não acha? - observei suas expressões.

Ela fechou os olhos com força, gemendo várias vezes. Mordia os lábios, tão linda.. olhou pra mim com aquela feição de dor misturada com prazer que me enlouquecia.. e eu a penetrei de uma vez, fundo. A preenchendo por inteira, ao mesmo tempo em que abafei um gemido mais alto seu, colando meus lábios nos dela.

Foi uma sensação plena, porque eu sabia que a minha sobrinha não aguentava três dedos assim. Passei a mexê-los devagar, entrando e saindo delicadamente em um movimento meio rotacionado, sentindo-a por dentro de um jeito completamente diferente das outras vezes.

-- Acho.. - respondeu, por fim.

-- O que..

-- Gostoso. - desceu a boca pelo meu rosto e quando alcançou meu pescoço, o mordeu, com violência.

Segurei um possível grito, trincando os dentes. Diana às vezes judiava muito, mas sempre era uma coisa única. Sempre.. subi com o corpo em cima do seu, aumentando a pressão do ato mas congelei ao ouvir baterem na porta lá embaixo.

-- Amor.. eles não estavam na metade do caminho ainda? - perguntei, confusa.

-- Sim! Foi o que eu entendi..

-- Mas que merda.. - lamentei, tirando meus dedos devagar de dentro dela - Eu vou matar esses dois!

-- Calma.. mais tarde a gente continua. - sorriu, se erguendo na cama e alcançando a camiseta caída no chão.

Eu tava totalmente frustrada, sem acreditar naquela má sorte nossa. Vesti minha blusa, ajeitei os cabelos.. e ouvi um berro do meu irmão, seguido de batidas fortes na porta.

-- Gente, pra que isso? - me irritei, descendo as escadas com Diana em meu encalço.

-- Tá brava? - ela quis saber.

-- Irritada.

-- Não fica.. - segurou meu braço, parando na minha frente - Vou te falar uma coisinha engraçada.

-- Fala..

-- Tô com dificuldades pra andar.

Me preocupei ao ouvir aquilo e fiquei sem ação por um segundo.

-- Mas.. eu te machuquei? Isso não é engraç..

-- Jade, abre essa porra de porta!

Me assustei, porque tinha quase me esquecido dos dois ali fora, de tanta preocupação com minha sobrinha.

-- Calma, saco.

Abri, resignada e eles entraram, felizes ao ver Diana "toda crescidinha", como minha mãe mesmo disse.

-- Mas você evoluiu muito rápido, como pode.. Jade te deu fermento?

A menina riu e quase soltou uma besteira, como já era de praxe:

-- Não só fermento.. me deu outras coisas também.

-- Vê se não começa. - Gabriel a repreendeu, com a cara não muito boa.

-- Eu tô na minha casa, eu falo o que eu quiser. - sim, minha namorada continuava bocuda como nunca.

-- Nossa, é assim que você me recebe?

-- É. - ela deu de ombros - Você mentiu pra mim quando disse que tava na metade do caminho.

-- Queria te fazer uma surpresa..

-- Mas acabou me atrapalhando.

-- Em que..?

-- Quer mesmo saber?

-- Não!

Não aguentei e gargalhei com o diálogo e a careta que Gabriel fez. Mamãe só observava, com um ar de riso discreto.. logo subiu, alegando cansaço.

Até que não foi tão ruim ter os dois ali. O dia passou rápido e logo começamos a nos arrumar, pra tão esperada festa. Diana foi pra casa de Talita, pra arrumarem o cabelo e combinamos que Bruna levaria as meninas de lá mesmo. Embora eu tenha ficado um pouco aborrecida por saber que Lara estaria junto.. concordei.

Já no salão onde seria a formatura, fiquei deslumbrada ao ver minha sobrinha. Com certeza era a mais linda de todas ali.. momentos mais tarde, me emocionei ao vê-la receber o canudo das mãos do diretor da escola e acenar pra mim, sorrindo.

-- Ela cresceu tão rápido.. - divaguei, sozinha.

-- E eu não pude acompanhar.

Olhei pro meu irmão. Sua feição parecia tão amargurada, que esqueci aquele restinho de estranheza que ainda existia entre nós e o abracei, com força.

-- Eu acompanhei por você.

-- Sim, e mais do que devia. - resmungou.

-- Sinto muito. - eu ri - Aliás, não sinto. Diana é a minha vida..

Percebi que mamãe escutou a frase e me encarava, silenciosa. Por não ter coragem de olhar pra ela, continuei assistindo a entrega dos diplomas dos outros alunos, eram duas turmas da mesma escola.. demorou um pouco, mas terminou. E Diana logo se aproximou correndo, pra me abraçar.

-- Tia! - pulou em meu pescoço - Vem tirar foto comigo.. vocês dois e a vó.

-- Argh, fotos.. - fiz careta, arrancando um risinho de Gabriel.

-- Não curtimos fotos, mas.. - ele deu de ombros - Vamos lá.

Junto da menina, tudo era perfeito. Com certeza as fotos ficariam lindas.. a única que não ficaria, era a que Diana tirava naquele exato momento, ao lado de Lara. A ruiva tinha feito o pedido, com o celular na mão.. com qual finalidade eu não sabia.

-- Tá com essa cara porque..? - meu irmão quis saber.

-- Não é nada.

-- Por acaso é porque aquela ruiva gosta da minha filha também?

-- Aquela ruiva é minha ex. E sim, ela gosta de Diana.

-- Uau.. então você tá com ciúmes.

-- Não enche. - me afastei, a procura de Bruna.

Fui encontrá-la no corredor dos banheiros, em um amasso nada discreto com Talita.

-- Ei..! Dá pra vocês duas segurarem esse fogo pelo menos por uns minutos?

-- É só um beijinho, boba. - minha amiga me olhou, rindo - Por que não está fazendo o mesmo com sua namoradinha?

-- Porque sei me segurar.. e minha namoradinha tá ocupada com a grudenta da sua prima.

-- Vai lá e desgruda, oras. Daqui a pouco é o baile.

-- Eu sei, vou usar o banheiro primeiro.

Dei mais alguns passos e entrei no reservado. Fiquei ali sentada uns minutinhos.. pensando em nada. Percebi quando a porta fez barulho, indicando que alguém havia entrado. Usou um dos reservados ao lado do meu e logo saiu, abrindo a torneira da pia. Outro barulhinho na porta e..

-- Ah, então é aqui que você tá escondida. - a voz era de ninguém menos que Lara.

-- Não me escondi, eu só vim usar o banheiro.

Me surpreendi com a voz de.. Diana?

-- E por que tive a impressão de que você fugiu de mim?

-- Não fugi.

-- Cadê sua tia?

-- Acho que tá no jardim, ela não gosta muito de festas..

-- Hm.. e quem é o seu par no baile?

-- Minha tia.

-- Legal. Eu.. posso dançar com você depois?

-- Claro que pode. - ouvi um barulhinho que não soube identificar - Vou indo, ainda tenho que falar com uns colegas.

-- Espera.

-- O que você q-quer..? - estranhei a voz gaguejada de minha sobrinha.

-- Um beijo. - meus batimentos cardíacos aceleraram ao ouvir o pedido da ruiva.

-- Não! - a menina negou, com veemência.

-- Diana, é só um beijo..

-- Eu não quero. Não faz sentido.. achei sinceramente que você tinha virado minha amiga.

-- Sou sua amiga e..

-- Sabe que namoro minha tia. E não quero beijar outra pessoa.

Ouvi seus passos e uma movimentação do outro lado, que julguei ser Lara a impedindo de sair pela porta.

-- Você não vai sair, enquanto não fizer o que te pedi.

-- Quer parar? Se você tá com vontade de beijar, procura a Camila. Porque ela tá louca pra conquistar você..

-- Não quero a Camila.

-- Lara, sai!

O mais incrível daquilo tudo, é que eu tava estática dentro do reservado. Tava sem ação, ao invés de reagir àquela palhaçada que acontecia do lado de fora..

-- Por favor, Diana.. um beijinho só não mata.

-- Para! Que merda. - ouvi que abriu a porta e em seguida o barulho da mesma sendo fechada, mas não do jeito que imaginei.

-- Vem aqui, princesa.

-- Eu não quero.. me solta! - diante da voz assustada da minha sobrinha, eu finalmente reagi.

Mexi no trinco, tentando abrir mas deu uma emperrada a princípio. Forcei, até que abrisse e antes mesmo de olhar pra fora, percebi que a menina tinha saído do banheiro. Talvez aproveitou o susto que a ruiva levou, quando percebeu outra pessoa ali dentro..

-- J-jade..?

É, realmente ela tava assustadíssima. Aproveitei o fato e me aproximei rápida, agarrando um de seus braços e lhe dando um tranco.

-- O que você ia fazer com a minha sobrinha?

-- Eu não fiz nada com ela, juro que não fiz!

-- Nunca pensei que você se prestaria a esse papel, Lara.. forçar uma menina a te beijar? Por puro capricho?

-- Eu não forcei!

-- Sua vagabunda..! - a empurrei, com violência contra a porta.

Que aliás se abriu num rompante, inclusive batendo em suas costas. Era Diana.

-- Tia..? - parecia muito surpresa ao me ver ali - Aonde você tava?

-- Aqui dentro. Por que voltou..?

-- Meu celular. - apontou pra pia, de cabeça baixa.

-- Escuta.. - segurei seu braço - O que Lara fez com você?

-- Tentou me beijar.

-- Isso eu percebi. - resmunguei, olhando pra ruiva com ódio - Quero saber até onde ela obteve sucesso com essa porra de tentativa.

-- Jade, foi só isso.. uma tentativa. - Lara ainda queria se defender..? - Eu não fiz exatamente nada com a menina, eu..

-- Escuta aqui, Lara.. - me aproximei, a fazendo recuar - Da próxima vez que você chegar perto de Diana, eu te arrebento!

Ela olhou pro chão parecendo envergonhada. Ou arrependida, não sei. Saiu dali, nos deixando sozinhas.

-- Amor.. - minha sobrinha se aproximou, receosa - Eu não tive culpa.

-- Sei que não.

-- Me abraça..?

Sorri, ainda que sem muita vontade.. e a puxei pra mim, carinhosamente.

-- Eu te amo, sabia? - acariciei suas costas.

-- Também amo você.

-- Vamos voltar pra lá? - sugeri, já indo em direção a saída do banheiro.

-- Uhum.. ei, o que você tava fazendo trancada ali dentro?

-- Refletindo sozinha.

-- Mas.. por que não abriu a porta assim que percebeu o que Lara queria comigo?

-- Eu não consegui. Não sei explicar.

-- Hm.. tá bom. - foi saindo.

-- Diana.. - segurei sua mão, delicada - Não pense que eu tava testando você e não abri a porta de propósito.

-- Não tô pensando isso..

-- Ótimo.

Voltamos pro salão, Gabriel e mamãe já estavam com a cara feia pela demora. Logo teve o baile e vários coleguinhas de Diana se surpreenderam ao vê-la comigo.

-- Suas amigas nunca viram um casal de mulheres dançando? - me incomodei.

-- Acho que não. - riu, deitando a cabeça em meu ombro - Amor, nem acredito que me formei..

-- Pois é, chega de escola.

-- Chega de levantar cedo também.

-- Exato.

-- Ei, agora posso passar o dia todinho no seu pé.. você vai enjoar de mim.

Eu ri, a apertando nos braços.

-- Ou na cama, junto comigo.. eu nunca enjôo de você, meu amor.

-- Vamos sair daqui?

-- Pra onde..?

-- Pra qualquer lugar.. - me olhou, sapeca - Quero ficar sozinha com você.

-- Mas.. você não tem que ficar aqui até acabar o negócio?

-- Tia, você quer ou não..?

-- Claro que quero.

-- Então chama um táxi, enquanto eu me despeço das minhas colegas.

Bem, nessas horas que eu me arrependia de ainda não ter comprado outro carro..

Não disse nada pra Gabriel, até porque ele ficaria irritadinho. Mas fiz Diana entregar a chave pra minha mãe, sem que ele visse. Tudo bem que a velha se irritou com o fato..

-- A vó ficou brava.

-- Eu sei. Depois converso com ela.

O táxi chegou e dei o endereço de um hotel, que ficava nos arredores da cidade.

-- Amor, achei que a gente ia pra algum motel.. - Diana disse, baixinho.

-- Mas você só tem dezessete, meu anjo. Acho que não entra..

-- Sério?

-- Sim.

-- Argh.

-- Não fica assim.. - afaguei seu rosto - O hotel que escolhi, é super luxuoso.

-- Tá bom.

Assim que chegamos, ela sentou em um dos puffs que tinha na recepção enquanto eu pegava a chave do quarto com um dos funcionários. Logo fomos pro elevador..

-- A gente vai passar a noite aqui? - me questionou.

-- Pretendo.

-- E será que meu pai sabe cuidar de Bernardo..?

-- Amor.. - sorri, a puxando pela mão em direção à porta do quarto - Ele sabe sim.

Entramos, tranquei.. e desliguei o celular, porque não queria ninguém atrás de mim. Olhei pra Diana, que no momento observava a luminária do teto.

-- Quer tomar um banho? - sugeri.

-- Não..

-- Hm.. - sentei em uma poltrona ao lado da cama e peguei o controle que ligava o ar condicionado.

-- Tá com calor? - ela me perguntou.

-- Pouquinho. - observei suas pernas, distraída - Essa meia calça não tá te pinicando?

-- Não muito.

-- Podia tirar, pra não te incomodar.. sei lá.

Diana riu e se aproximou de mim, devagar.

-- Jura que você não percebeu?

-- Não percebeu o que..? - fiquei confusa.

-- Não é meia calça.. - ergueu a beirada do vestido, me surpreendendo.

Claro que perdi a voz. Minha sobrinha usava uma cinta liga! Ainda por cima, preta.. que era a cor mais sexy que existia pra mim. Fiquei estática ao vê-la terminar de puxar o vestido pra cima e tirar, de um jeito sensual demais..

-- Posso dançar pra você? - me perguntou, provocante.

-- C-claro.. - a visão daquela lingerie no corpo dela, tava me enlouquecendo, e não era pouco.

Percebendo meu nervosismo, ela sorriu, se aproximando um pouco mais.. e me beijou, com gosto. Me perdi naquele gesto e quando dei por mim, a menina já tinha sentado em meu colo, de frente, como se fosse fazer.. eu não tava acreditando!

-- Amor, você..

-- Shii.. - me interrompeu, como se tivesse o controle da situação toda.

E realmente, tinha. Na verdade, Diana me tinha nas mãos.. como sempre.



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