História Paixão sem limites - Capítulo 11


Escrita por: ~

Postado
Categorias Flavia Pavanelli, Jack & Jack, Magcon
Personagens Cameron Dallas, Flavia Pavanelli
Tags Cameron Dallas, Flavia Pavanelli
Exibições 154
Palavras 4.076
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Famí­lia, Festa
Avisos: Álcool, Drogas, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 11 - Capítulo 10



Darla não tinha ficado contente com a minha mudança para o salão de jantar. Queria que eu
continuasse no campo. Também queria que eu supervisionasse Boo. Segundo a própria, Jace e ela
não estavam mais saindo. Ela o havia encontrado para um café porque ele lhe telefonara vinte vezes
naquela tarde. Dissera-lhe que, se ela fosse ser o seu segredinho safado, estava tudo acabado. Ele
implorou e suplicou, mas continuava se recusando a assumi-la no seu círculo de amigos, então ela
lhe dera um pé na bunda. Eu estava muito orgulhosa.
O dia seguinte era a minha folga e Boo já tinha me procurado para confirmar se o bar de
country ainda estava de pé. É claro que estava. Eu precisava de um homem para tirar Cameronda
cabeça.
Passei o dia inteiro seguindo Jimmy. Ele estava me treinando. Era bonito, carismático e supergay.
Só que os sócios do clube não sabiam. Ele paquerava as mulheres descaradamente; e elas
acreditavam. Quando uma delas sussurrava alguma safadeza no seu ouvido, ele olhava para mim e
piscava o olho. Era um verdadeiro playboy e tinha talento para a coisa.
Quando o turno dele terminou, voltamos para a sala dos funcionários e penduramos os aventais
pretos compridos que tínhamos que usar por cima do uniforme.
– Flavia, você vai ser incrível. Os homens a adoram e as mulheres ficam impressionadas com você.
Sem querer ofender, meu doce, mas meninas de cabelos louros platinados como os seus em geral
não conseguem sequer andar em linha reta sem rir.
Sorri para ele.
– Ah, é? Esse comentário me ofende.
Jimmy revirou os olhos e estendeu a mão para acariciar minha cabeça.
– Ofende, nada. Você sabe que é uma gata loura muito da esperta.
– E aí, Jimmy, já está dando em cima da nova garçonete? – perguntou uma voz conhecida.
– Você sabe que não. Eu tenho um gosto específico – respondeu ele com um sorriso confiante,
deixando a voz se transformar em um sussurro sensual enquanto descia os olhos pelo corpo de
Woods.
Tornei a olhar para Woods, que exibia uma careta de desconforto, e não pude evitar uma risada.
Jimmy riu junto comigo.
– Adoro deixar os héteros encabulados – sussurrou ele no meu ouvido.
Em seguida, me deu um tapa na bunda e saiu pela porta.
Woods revirou os olhos e se aproximou depois de Jimmy ir embora. Parecia saber sobre as
preferências sexuais de Jimmy.
– Seu dia foi bom? – perguntou, educado.
Meu dia tinha sido bom. Ótimo, na verdade. O trabalho era bem mais fácil do que ficar suando
naquele calor e passar o dia inteiro lidando com velhotes babões.
– Foi, foi ótimo. Obrigada pela chance aqui dentro.
– De nada. Agora, que tal sairmos para comemorar a sua promoção no melhor restaurante
mexicano do litoral?
Lá estava ele me chamando para sair outra vez. Eu deveria aceitar. Seria uma distração. Ele não era
exatamente o tipo de homem da classe trabalhadora que eu estava procurando, mas quem disse que
eu iria me casar com ele e ser mãe dos seus filhos?
Uma imagem de Cameronme passou pela cabeça: a expressão atormentada que ele exibira na véspera.
Eu não conseguia me forçar a sair com um conhecido seu. Se ele realmente tivesse falado sério,
então eu precisava manter o seu mundo, ao qual eu não pertencia, bem longe de mim.
– Pode ser outro dia? Não dormi bem ontem à noite e estou pregada.
A expressão de Woods desmoronou, mas eu sabia que ele não teria dificuldade nenhuma em
encontrar alguém para preencher o meu lugar.
– Hoje à noite tem festa na casa do Cameron, mas imagino que você já soubesse – disse ele, observando
atentamente a minha reação.
Eu não sabia sobre a festa, mas Cameronnunca me avisava mesmo.
– Posso dormir com festa e tudo. Já me acostumei.
Era mentira. Eu só iria dormir depois de ouvir os passos da última pessoa subindo a escada.
– E se eu for junto? Você poderia passar um tempinho comigo antes de ir para a cama?
Woods era determinado. Isso eu tinha que admitir. Estava prestes a responder que não quando me
ocorreu que Cameron estaria comendo alguma mulher nessa noite. Iria levá-la para a cama e fazê-la
sentir as coisas que jamais me permitiria sentir. Eu precisava me distrair. Com certeza já estaria com
a tal mulher no colo quando eu chegasse em casa.
– Você e Cameronnão parecem muito próximos. Talvez a gente pudesse passar um tempinho lá fora,
na praia, que tal? Não sei se é uma boa ideia você estar dentro da casa, onde ele possa vê-lo.
Woods concordou.
– Por mim, tudo bem. Mas tenho uma pergunta, Flavia – disse ele, observando-me com atenção.
Aguardei. – Por quê? Até a outra noite, na casa dele, Camerone eu éramos amigos. Crescemos juntos,
frequentamos as mesmas rodas. Nunca tivemos problema nenhum. O que o fez mudar de ideia? Tem
alguma coisa acontecendo entre vocês dois?
Como responder a essa pergunta? Não, porque ele não permite e porque é mais seguro para o meu
coração se formos apenas amigos.
– Nós somos amigos. Ele é protetor.
Woods balançou a cabeça devagar, mas pude ver que ele não tinha acreditado.
– Não ligo para competição. Só gosto de saber quem estou enfrentando.
Ele não estava enfrentando nada, porque tudo o que haveria entre nós era amizade. Eu não estava
procurando um cara do círculo de Cameron.
– Eu não faço nem nunca farei parte da sua turma. Não pretendo namorar a sério com ninguém
que faça parte da elite.
Não esperei que ele argumentasse. Em vez disso, rodeei-o e saí pela porta. Precisava chegar em
casa antes de a festa ficar selvagem demais. Não queria ver Cameronenganchado com alguma garota.
Não era uma festa de arromba, eram só umas vinte pessoas. Passei por várias delas a caminho da
despensa. Havia uma dupla na cozinha preparando bebidas e sorri para eles antes de entrar na
despensa e no meu quartinho.
Se os amigos dele até então ignoravam que eu dormia debaixo da escada, agora sabiam. Tirei o
uniforme e peguei um vestido sem mangas azul-gelo para vestir. Como estava com os pés doloridos
de tanto ficar em pé, fiquei descalça. Enfiei a mala de novo debaixo da cama e, quando saí da
despensa, dei de cara com Cameron. Ele estava encostado no batente da cozinha com os braços cruzados
em frente ao peito e o cenho franzido.
– Cameron? O que houve? – perguntei quando ele não disse nada.
– O Woods está aqui – respondeu ele.
– Que eu saiba, ele é seu amigo.
Cameronfez que não com a cabeça e passou os olhos rapidamente pelo meu corpo.
– Não. Ele não veio por mim. Veio encontrar outra pessoa.
Cruzei os braços sob os seios e assumi a mesma postura defensiva.
– Talvez tenha vindo mesmo. Algum problema os seus amigos se interessarem por mim?
– Ele não é bom o suficiente. É um babaca. Não deveria ter o direito de tocar em você – disse ele
num tom duro e zangado.
Talvez Woods fosse mesmo todas essas coisas. Eu duvidava, mas talvez fosse. Pouco importava. Eu
não o deixaria tocar em mim. A proximidade dele não me revirava o estômago nem me provocava
aquela aflição entre as pernas.
– Não estou interessada em Woods desse jeito. Ele é meu chefe e, talvez, um amigo. Só isso.
Cameronpassou a mão na cabeça e o anel chato de prata no seu polegar chamou a minha atenção. Era
a primeira vez que o via usando aquilo. Quem lhe dera aquele anel?
– Não consigo dormir com tanta gente subindo e descendo a escada. Fico acordada. Em vez de
ficar no quarto sozinha me perguntando quem você está comendo hoje lá em cima, pensei em
conversar com Woods na praia. Bater um papo com alguém. Eu preciso de amigos.
Cameronse retraiu como se eu tivesse lhe batido.
– Eu não quero você conversando com Woods lá fora.
Aquilo era ridículo.
– Bom, talvez eu não queira você comendo uma garota qualquer, mas você vai comer.
Cameronse afastou da porta e veio na minha direção, fazendo-me recuar para dentro do meu
quartinho até estarmos os dois lá dentro. Mais uns dois centímetros e eu cairia na cama.
– Não quero trepar com ninguém hoje. – Ele fez uma pausa e me deu um sorriso irônico. – Não é
bem verdade. Deixe eu esclarecer: não quero trepar com ninguém fora deste quarto. Fique aqui e
converse comigo. Juro que também sei conversar. Eu disse que podíamos ser amigos. Você não
precisa de Woods.
Pus as duas mãos no seu peito para empurrá-lo, mas não consegui me obrigar a fazer isso depois
de tocá-lo.
– Você nunca conversa comigo. Eu faço a pergunta errada e você vai embora puto.
Cameron balançou a cabeça.
– Agora não. Nós somos amigos. Eu vou falar e não vou embora. Mas, por favor, fique aqui.
Olhei para o ambiente em volta que mal tinha espaço para a minha cama.
– Não tem muito espaço aqui dentro – falei, olhando para ele e forçando as mãos a ficarem
espalmadas sobre o seu peito, tentando não agarrar a sua camisa justa e puxá-lo mais para perto.
– Podemos sentar na cama. Não vamos nos tocar, só conversar. Como amigos – garantiu.
Suspirei e concordei. Não conseguiria dizer não. Além do mais, havia muitas coisas sobre ele que
eu queria saber.
Afundei na cama apoiada na cabeceira. Recostei-me e cruzei as pernas.
– Então vamos conversar – falei, com um sorriso.
Cameronse sentou na cama e também se recostou na parede. E eu vi um sorriso de verdade se abrir no
seu rosto.
– Não consigo acreditar que acabo de implorar a uma mulher para se sentar e conversar comigo.
Sinceramente, eu também não conseguia.
– Sobre o que nós vamos falar? – perguntei, querendo que ele começasse. Não queria que sentisse
que aquilo era uma inquisição.
Eu tinha tantas perguntas rodopiando na cabeça que sabia que poderia atropelá-lo com a minha
curiosidade.
– Que tal: por que raio você ainda é virgem aos 19 anos? – perguntou ele, virando aquelas duas
piscinas prateadas na minha direção.
Eu nunca tinha dito a ele que era virgem. Na outra noite, ele me chamara de inocente. Seria tão
óbvio assim?
– Quem disse que eu sou virgem? – perguntei, com o tom mais irritado de que fui capaz.
Cameron sorriu.
– Eu sei identificar uma virgem quando a beijo.
Eu não queria nem discutir sobre isso, pois só iria tornar mais óbvio ainda o fato de que era
mesmo virgem.
– Eu já me apaixonei. O nome dele é Cain. Ele foi o meu primeiro namorado, primeiro beijo,
primeiro amasso, por mais recatado que tenha sido. Dizia que me amava e afirmava que eu era a
mulher da sua vida. Mas a minha mãe adoeceu. Passei a não ter mais tempo para sair e me dedicar a
Cain nos fins de semana. Ele precisava se libertar. Precisava de liberdade para conseguir esse tipo de
relacionamento com outra pessoa. Então eu o deixei ir embora. Depois dele, não tive tempo para
sair com mais ninguém.
Cameronfranziu o cenho.
– Ele não ficou do seu lado quando a sua mãe adoeceu?
Aquela conversa não me agradava. Se alguma outra pessoa apontasse o dedo para o que eu já sabia,
ficaria difícil não sentir raiva de Cain. Eu o tinha perdoado muito tempo antes. Havia aceitado. Não
precisava me sentir amargurada com ele a essa altura do campeonato. De que iria adiantar?
– A gente era jovem. Ele não me amava, só achou que amasse. Simples assim.
Cameronsuspirou.
– Você ainda é jovem.
Não tive certeza se gostei do tom de voz dele ao dizer isso.
– Tenho 19 anos, Cameron. Cuidei da minha mãe por três anos e a enterrei sem ajuda nenhuma do
meu pai. Pode acreditar, na maior parte dos dias eu me sinto com 40.
Cameronestendeu a mão por cima da cama e cobriu a minha.
– Não deveria ter passado por tudo isso sozinha.
Não, não deveria, mas não tive alternativa. Eu amava a minha mãe. Ela merecia muito mais do que
recebeu. A única coisa que aliviava a dor era lembrar que mamãe e Valerie agora estavam juntas.
Elas tinham uma à outra. Eu não queria mais falar sobre a minha história. Queria saber algo sobre
Cameron.
– Você tem um emprego? – perguntei.
Camerondeu uma risadinha e apertou a minha mão, mas não soltou.
– Você acha que todo mundo tem que arrumar um emprego quando sai da faculdade?
Dei de ombros. Sempre achara que as pessoas trabalhassem com alguma coisa. Ele devia ter algum
objetivo na vida, mesmo que não precisasse do dinheiro.
– Quando me formei na faculdade, tinha dinheiro suficiente no banco para passar o resto da vida
sem trabalhar, graças ao meu pai. – Ele me olhou com aqueles olhos sensuais encimados por grossos
cílios pretos. – Depois de algumas semanas sem fazer nada a não ser festas, percebi que precisava de
uma vida. Então comecei a brincar no mercado financeiro. Acabei descobrindo que tenho muito
talento para a coisa. Sempre fui bom com números. Também dou apoio financeiro ao programa
Habitat para a Humanidade. Durante uns dois meses por ano, meto a mão na massa e vou trabalhar
in loco. No verão, me afasto de tudo o que posso e venho para cá relaxar.
Eu não imaginava isso.
– A surpresa na sua expressão é um pouco ofensiva – disse ele com um traço de provocação na voz.
– É que eu não esperava essa resposta – respondi, sincera.
Ele deu de ombros e tornou a pousar a mão do seu lado da cama. Quis estender a minha e pegá-la,
mas não o fiz. Ele não queria mais me tocar.
– Quantos anos você tem? – perguntei.
Cameronsorriu.
– Sou velho demais para estar neste quarto com você e, com certeza, velho demais para o jeito
como penso em você.
Ele devia ter 20 e poucos anos. Com certeza. Não parecia mais velho do que isso.
– Lembre-se de que eu tenho 19 anos. Vou fazer 20 daqui a seis meses. Não sou um bebê.
– Não, doce Flavia, você com certeza não é nenhum bebê. Eu tenho 24 anos e estou cansado. Não
tive uma vida normal e, por causa disso, tenho algumas questões bem bizarras. Já lhe disse que tem
coisas que você não sabe. Não posso me permitir tocar em você. Seria errado.
Ele tinha só cinco anos a mais do que eu. Não era tão ruim assim. Doava dinheiro para a Habitat
para a Humanidade e fazia até trabalhos in loco! Como podia ser um cara tão ruim? Ele tinha bom
coração. Tinha me deixado morar ali quando tudo o que queria era me mandar embora.
– Acho que você está se subestimando. Eu vejo algo de especial em você.
Cameroncontraiu os lábios com força, então balançou a cabeça.
– Você não está vendo quem sou de verdade. Não sabe tudo que eu fiz.
– Pode ser – respondi, inclinando-me para a frente. – Mas o pouco que eu vi não é de todo mau.
Estou começando a pensar que talvez você tenha outra camada.
Cameronergueu os olhos e me encarou. Minha vontade era me enroscar naquele colo e passar horas
só fitando aqueles olhos. Ele abriu a boca para dizer alguma coisa, depois fechou... mas não antes de
eu ver algo prateado lá dentro.
Fiquei de joelhos na cama e cheguei mais perto dele.
– O que é isso na sua boca? – perguntei, olhando para os seus lábios e esperando que ele tornasse a
abri-los.
Ele abriu a boca e esticou a língua para fora devagar. Havia um piercing de prata na ponta.
– Dói? – perguntei, estudando a sua língua de perto. Nunca tinha visto ninguém com piercing na
língua.
Ele tornou a pôr a língua para dentro e sorriu.
– Não.
Eu me lembrei das tatuagens nas suas costas da noite em que ele estava transando com aquela
garota.
– Que tatuagens são essas nas suas costas?
– Uma águia de asas abertas na base das costas e o símbolo do Slacker Demon. Quando eu tinha 17
anos, meu pai me levou para assistir a um show em Los Angeles e depois fiz a minha primeira
tatuagem. Queria a marca dele gravada no meu corpo. Todos os integrantes do Slacker Demon têm
a mesma tatuagem no mesmo lugar. Logo atrás do ombro esquerdo. Papai estava doidaço nessa
noite, mas mesmo assim é uma ótima lembrança. Não tive muita oportunidade de conviver com ele
quando era pequeno. Mas sempre que o via ele acrescentava mais uma tatuagem ou mais um
piercing ao meu corpo.
Ele tinha outros piercings? Estudei o seu rosto e baixei os olhos para o seu peito. Uma risadinha
discreta me espantou, e percebi que ele tinha me visto olhar.
– Nenhum piercing aí, doce Flavia. Os outros são nas orelhas. Eu dei um tempo nos piercings e nas
tatuagens quando fiz 19.
O pai dele era coberto de tatuagens e piercings como todos os outros integrantes do Slacker
Demon. Será que aquilo era algo que Cameronnão quisera fazer? Será que seu pai o havia forçado?
– O que foi que eu disse para deixar você com a testa franzida? – perguntou ele, pondo um dedo
sob o meu queixo e movendo a minha cabeça até eu encará-lo.
Eu não queria responder a verdade. Estava gostando daquele nosso tempo juntos. Sabia que, se
fosse fundo demais e depressa demais, ele sairia correndo.
– Quando você me beijou ontem à noite, eu não senti esse negocinho de prata.
Cameronbaixou as pálpebras e inclinou o corpo para a frente.
– É que eu não estava usando.
Mas agora estava.
– E quando você, hã, beija alguém, dá para sentir?
Cameronsorveu uma inspiração rápida e aproximou a sua boca da minha ainda mais.
– Flavia, me diga para ir embora. Por favor.
Se ele estava a ponto de me beijar, eu não iria lhe dizer nada desse tipo. Queria que ele ficasse ali.
Também queria beijá-lo com aquele negócio na boca.
– Você teria sentido. Em todos os lugares que eu quisesse beijá-la, você sentiria. E adoraria –
sussurrou ele no meu ouvido antes de me beijar no ombro e inspirar fundo. Será que ele estava me
cheirando?
– Você... você vai me beijar outra vez? – perguntei quase sem ar, enquanto ele afundava o nariz no
meu pescoço e inspirava.
– Eu quero. Quero muito, mas estou tentando ser legal – murmurou ele contra a minha pele.
– Daria para não ser legal só por um beijo? Por favor? – pedi, chegando mais perto. Faltava pouco
para subir no seu colo.
– Flavia, como você é doce – disse ele e os seus lábios tocaram a curva do meu pescoço e ombro. Se
ele continuasse com aquilo, eu iria começar a implorar.
Ele pôs a língua para fora e deu uma lambida rápida na pele macia do meu pescoço, depois seguiu
beijando a linha do meu maxilar até ficar com a boca bem por cima da minha. Comecei a pedir
outra vez, mas ele me deu um selinho de leve e me impediu. Então recuou, mas só uns poucos
centímetros. Ainda podia sentir nos lábios o seu hálito quente.
– Flavia, eu não sou um cara romântico. Não beijo e fico abraçadinho. Para mim, tudo que
importa é o sexo. Você merece alguém que beije e fique abraçadinho. Não eu. Eu só trepo, gata.
Você não foi feita para alguém como eu. Eu nunca neguei a mim mesmo nada que quisesse, mas
você é doce demais. Desta vez tenho que dizer não a mim mesmo.
À medida que ia registrando o que ele dizia, comecei a gemer de tão eróticas que soavam aquelas
palavras que se derramavam da sua língua. Foi só quando ele se levantou e segurou a maçaneta que
entendi que ele iria me deixar ali. De novo. Iria me deixar ali daquele jeito.
– Não posso mais conversar. Hoje não. Não sozinho aqui com você.
A tristeza na voz dele deixou o meu coração um pouco apertado. Então ele saiu e fechou a porta.
Recostei-me na cabeceira e grunhi de tanta frustração. Por que o deixara entrar ali no quarto?
Aquele joguinho de quente e frio que ele estava fazendo era demais para mim. Perguntei-me para
onde ele iria agora. Havia muitas mulheres lá fora que ele poderia beijar. Mulheres que ele não via
problema em beijar caso lhe suplicassem.
Os passos de pessoas subindo a escada soavam acima da minha cabeça. Eu não iria dormir tão
cedo. Não queria ficar ali e Woods estava me esperando. Não havia motivo nenhum para lhe dar um
bolo. Eu não estava com disposição para conversar com ele, mas poderia pelo menos lhe dizer que
tinha mudado de ideia.
Saí para a cozinha. Grant estava de costas para mim e imprensava uma menina contra a bancada.
As mãos dela se emaranhavam nos seus cachos castanhos revoltos. Os dois pareciam bem entretidos.
Saí discretamente pela porta dos fundos, torcendo para não dar de cara com mais uma sessão de
amassos.
– Achei que você não fosse aparecer – disse Woods; sua voz vindo da escuridão.
Eu me virei e o vi apoiado no guarda-corpo, olhando para mim. Senti-me culpada por não ter ido
logo lá e avisado que não viria encontrá-lo. Não conseguia tomar nenhuma decisão sensata quando
Cameron estava envolvido.
– Desculpe. Surgiu um imprevisto.
Estava sem vontade de explicar.
– Vi Cameronsair do cubículo em que deixa você dormir, lá atrás – retrucou ele.
Mordi o lábio. Tinha sido desmascarada. Melhor admitir logo.
– Ele não ficou muito tempo. Foi uma visita amigável ou estava expulsando você?
É... tinha sido uma visita amigável. Nós conversamos, de fato. Até eu pedir para ele me beijar, fora
divertido. Eu gostei de sua companhia.
– Foi só uma conversa entre amigos – expliquei.
Woods soltou uma gargalhada sem humor e balançou a cabeça.
– Por que será que eu não acredito?
Porque ele era esperto. Dei de ombros.
– Nosso passeio na praia ainda está de pé?
Fiz que não.
– Não, estou cansada. Vim respirar um pouco de ar fresco e estava torcendo para encontrar você e
poder explicar.
Ele me deu um sorriso desapontado e se afastou do guarda-corpo.
– Bom, tudo bem. Não vou implorar.
– Não imaginava que fosse – respondi.
Ele tornou a andar em direção às portas. Esperei ele entrar na casa antes de soltar um suspiro de
alívio. Não tinha sido tão ruim. Talvez agora ele me desse um pouco de espaço. Até eu entender o
que fazer com aquela atração que sentia por Cameron, não precisava de ninguém para me confundir
mais ainda.
Esperei alguns minutos, então me virei e entrei na casa atrás de Woods. Grant não estava mais no
balcão com a garota. Aparentemente, os dois tinham se recolhido a um lugar mais reservado.
Comecei a andar em direção à porta da despensa quando Cameronsaiu da cozinha seguido por uma
morena aos risos. Pendurada no braço dele, ela estava fingindo que não conseguia andar direito.
Das duas uma: ou tinha bebido ou então era por causa dos 15 centímetros de salto.
– Mas você falou – disse ela com a voz arrastada, beijando o braço que segurava.
É: ela estava bêbada.
Cameron olhou para mim. Ele a beijaria nessa noite. Ela nem sequer teria que implorar. E também
estaria com gosto de cerveja. Será que ele ficava excitado com isso?
– Eu tiro a calcinha aqui embaixo, se você quiser – disse ela, sem nem ao menos reparar que os
dois não estavam sozinhos.
– Babs, já falei que não. Não estou interessado – respondeu ele, sem tirar os olhos de mim.
Estava dispensando a menina. E queria que eu soubesse.
– Vai ser bem safado – disse ela em voz alta antes de explodir em mais um acesso de riso.
– Não, vai ser chato. Você está bêbada e a sua voz esganiçada está me deixando com dor de cabeça
– retrucou ele.
Continuava com os olhos pregados nos meus.
Olhei para baixo e comecei a andar em direção à porta da despensa quando Babs finalmente notou
a minha presença.
– Ei, aquela menina vai roubar a sua comida – sussurrou ela bem alto.
Meu rosto corou. Que droga. Por que é que esse comentário me deixava envergonhada? Eu estava
sendo idiota. A menina estava caindo de bêbada. Que importância tinha o que ela achava?
– Ela mora aqui, pode comer o que quiser – retrucou Cameron.
Tornei a erguer o rosto e ele ainda estava me encarando.
– Ela mora aqui? – repetiu a menina.
Cameronnão respondeu. Franzi o cenho para ele e pensei que a única testemunha que tínhamos não se
lembraria daquela conversa no dia seguinte.
– Não deixe ele mentir para você. Eu sou a hóspede indesejada que mora debaixo da escada. Já quis
algumas coisas, mas ele só me diz não.
Não esperei a resposta dele. Abri a porta e entrei na despensa. Um ponto para mim.
 



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