História Paixão sem limites - Capítulo 22


Escrita por: ~

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Categorias Flavia Pavanelli, Jack & Jack, Magcon
Personagens Cameron Dallas, Flavia Pavanelli
Tags Cameron Dallas, Flavia Pavanelli
Exibições 127
Palavras 3.825
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Famí­lia, Festa
Avisos: Álcool, Drogas, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 22 - 21



Deixar Cameron na cama de manhã foi bem difícil. Ele dormia tão profundamente que não quis
acordá-lo e me segurei para não beijar o seu rosto antes de ir embora. Adormecido, ele parecia livre
de qualquer preocupação. Só percebi como ele era angustiado e desconfiado quando o vi assim,
dormindo, totalmente em paz.
Abri a porta da sala dos funcionários e fui recebida pelo cheiro de rosquinhas recém-saídas do
forno e por um Jimmy sorridente.
– Bom dia, flor do dia – disse ele, animado como sempre.
– Não sei se é tão bom assim... você vai dividir essas rosquinhas ou não?
Ele me estendeu a caixa.
– Comprei duas a mais só para você, boneca. Sabia que a minha gata loura viria trabalhar hoje e
não queria ser pego com as mãos abanando.
Eu me sentei em frente a ele e peguei a minha rosquinha.
– Eu até que lhe daria um beijo, se achasse que você fosse gostar – provoquei.
Jimmy bateu os cílios.
– Quem sabe, neném? Um rostinho como o seu pode desvirtuar qualquer um.
Rindo, dei uma mordida na deliciosa rosquinha, fofa e quentinha. Não era uma comida muito
saudável, mas era deliciosa.
– Coma direitinho, porque hoje o nosso dia vai ser longo. À noite tem o Baile das Debutantes e
não vamos servir no salão de jantar: seremos todos mandados para o salão nobre e obrigados a ficar
zanzando com bandejas de canapés, servindo os convidados durante um jantar.
Baile das Debutantes? O que era aquilo?
– Por isso tantas caminhonetes lá fora com flores e enfeites?
Ele assentiu e esticou a mão para pegar outra rosquinha coberta de chocolate.
– É. O baile acontece todo ano nesta semana. As mamães podres de ricas ficam exibindo as
filhinhas e as apresentam aos membros da alta-roda. Depois de hoje, as meninas são consideradas
mulheres e tratadas como sócias adultas do clube. Podem participar de comitês e coisas assim. Uma
bobajada sem fim, para ser sincero. Sobretudo considerando que Sie já fez 21 anos há algumas
semanas. Ou seja, ela já pode muito bem entrar para a porra da vida adulta.
Sie era uma das debutantes. Que interessante. Sua mãe não estava na cidade. Será que isso
significava que ela iria voltar? Meu coração acelerou... Eu teria que ir embora em breve. Cameron não
dissera nada em relação à minha partida. Quando eu fosse embora, será que ele continuaria a sair
comigo?
– Respire, Flavia. É só uma porcaria de um baile – disse Jimmy.
Respirei fundo. Não havia percebido que começara a entrar em pânico. Foi por isso mesmo que eu
quis manter distância. Sabia que esse dia chegaria. Será que o meu pai iria voltar hoje?
– A que horas começa o baile? – consegui perguntar sem deixar a voz falhar.
– Às sete, mas eles vão encerrar o jantar no salão às cinco para podermos nos preparar.
Larguei o resto da rosquinha em cima da mesa; não consegui terminar de comer. Aquele seria um
dia de espera. Senti o peso do celular no bolso, mas não podia mandar um torpedo para Cameron. Não
queria que ele me desse nenhuma notícia ruim por torpedo. Preferia aguardar.
– Flavia, preciso falar com você na minha sala um instante. – A voz de Woods interrompeu os
meus pensamentos.
Olhei para Jimmy e vi que ele estava com os olhos arregalados de preocupação. Merda. O que será
que eu fiz?
Eu me levantei e me virei para Woods. Ele não parecia zangado. Chegou até a sorrir, o que me deu
a coragem de que eu precisava para andar na sua direção. Ele segurou a porta para eu passar e saí
para o corredor.
– Relaxe, Flavia, você não fez nada de errado. A gente só precisa conversar sobre hoje à noite.
Ah. Ufa. Respirei fundo e o segui até uma porta no final do corredor.
– Minha sala não tem nenhum glamour. Papai acredita que é com trabalho que se chega ao topo.
Mesmo que eu vá herdar o clube um dia.
Ele revirou os olhos enquanto abria a porta da sala e acenava para eu entrar. O cômodo era tão
grande quanto o meu quarto na casa de Cameron e tinha duas amplas janelas quadradas com vista para
o buraco 18.
Em vez de se sentar atrás da escrivaninha, Woods se sentou na borda. Fiquei agradecida por ele
tentar não tornar aquela conversa excessivamente formal. Isso sim me deixaria nervosa.
– Hoje à noite vai ter o Baile das Debutantes. É um evento anual aqui do clube. Nós ajudamos
umas piranhazinhas ricas e mimadas a virar adultas. É uma idiotice e um pé no saco que rende ao
clube mais de 50 milhões de dólares em lucros com taxas de inscrição, doações e coisas desse tipo.
Então não podemos acabar com essa bobagem. Não que a minha mãe fosse fazer isso mesmo se
pudesse. Ela própria já debutou. Quem a ouve contar a história acha que ela foi coroada rainha da
Inglaterra.
Aquela conversa não estava me deixando mais tranquila em relação ao baile. Pelo contrário: a
explicação só aumentava a minha aflição.
– Sie está com 21 anos, então vai debutar hoje à noite. Dei uma olhada na lista e vi que o
acompanhante dela vai ser o Cameron. É tradição a moça ser acompanhada pelo pai ou pelo irmão mais
velho. O acompanhante também tem que ser sócio do clube. Não sei o que está acontecendo entre
você e Cameron, mas sei que Sie a odeia. Você não precisa de nenhum drama hoje à noite. Mas eu, por
outro lado, preciso de você, uma das nossas melhores funcionárias. A pergunta é: vai conseguir
trabalhar hoje sem se engalfinhar? Porque Sie vai fazer o possível para provocá-la, e caberá a você
ignorá-la. Você pode estar saindo com um sócio, mas é uma funcionária aqui. Uma coisa não muda
a outra. O sócio tem sempre razão. Se houver uma briga, o clube vai ser obrigado a tomar o partido
de Sie.
O que ele estava pensando? Aquilo ali não era o ensino médio; éramos todos adultos. Eu poderia
ignorar Sie e Cameron a noite inteira se fosse preciso.
– Eu consigo. Sem problemas.
Woods deu um meneio de cabeça rápido.
– Ótimo, porque o cachê é excelente e você precisa dessa experiência.
– Eu consigo – repeti.
Ele se levantou.
– Estou confiando em você. Agora pode ir ajudar Jimmy com o café da manhã. Ele deve estar
falando mal da gente nesse momento.
O resto do dia passou voando; de tão ocupada com os preparativos, não tive tempo para pensar
em Sie ou na volta do meu pai. Ou em Cameron. Agora estava em pé na cozinha com todos os outros
garçons e garçonetes da equipe, usando um uniforme branco e preto e com os cabelos presos em
um coque. Estava começando a sentir um frio na barriga.
Aquela era a primeira vez em que teria que encarar as diferenças que me separavam de Cameron. Nessa
noite, o mundo dele e o meu iriam colidir. Estava preparada para qualquer comentário que Sie
pudesse fazer a meu respeito. Tinha inclusive falado com Jimmy e pedido que ele servisse de
anteparo para evitar que eu tivesse de me aproximar dela. Queria ver Cameron e até falar com ele, mas
tinha a sensação de que isso seria malvisto.
– Chegou a hora. Pessoal dos canapés e das bebidas, vocês sabem o que fazer. Vamos lá.
Nessa noite quem comandava o espetáculo nas coxias era Darla. Peguei a minha bandeja de
martínis e fui para a fila na porta. Saímos todos depressa para o salão e seguimos por caminhos
diferentes no meio dos convidados. O meu era um semicírculo no sentido horário. A não ser que eu
visse Sie; nesse caso, inverteria para o sentido anti-horário e Jimmy assumiria o sentido horário.
Era um bom plano; só estava torcendo para dar certo.
O primeiro casal de que me aproximei nem sequer notou minha presença, apenas continuou a
conversar enquanto pegava uma bebida na bandeja. Foi bem fácil. Passei por vários outros grupos.
Reconheci alguns dos frequentadores e frequentadoras do campo de golfe. Eles sempre sorriam e
meneavam a cabeça ao me ver, mas só.
Na metade do salão, minha bandeja ficou vazia e anotei mentalmente o ponto em que havia
parado. Voltei depressa à cozinha para buscar mais bebidas. Darla estava à minha espera. Empurrou
uma bandeja de martínis para minhas mãos e me enxotou dali.
Voltei para o ponto em que havia interrompido o meu percurso e só tive que parar duas vezes no
caminho para que alguém pegasse uma bebida. O Sr. Jenkins chamou o meu nome e acenei para ele,
retribuindo o seu sorriso. Ele jogava 18 buracos toda sexta e sábado; impressionava-me o fato de um
senhor de 90 anos se locomover tão bem. Ele também tomava o desjejum no clube de segunda a
sexta: café preto e dois ovos poché.
Quando me virei, ainda sorrindo, meu olhar cruzou com o de Cameron. Mesmo sabendo que ele estava
na festa, tinha me esforçado muito para não procurá-lo. Essa era a grande noite de Sie; Cameron não
iria perdê-la, nem deveria. Ela podia ser má, mas era irmã dele. Era a mim que ela detestava, não a
ele.
Ele estava com uma expressão angustiada e o seu pequeno sorriso foi forçado. Sorri de volta para
ele, embora me esforçasse ao máximo para não pensar nesse cumprimento bizarro. Pelo menos ele
tinha me olhado. Eu não sabia o que esperar.
O Dr. Wallace e a sua esposa me cumprimentaram e disseram que estavam sentindo a minha falta
no campo de golfe. Menti e falei que também sentia falta de lá. Então voltei à cozinha para mais
uma bandeja.
Darla me empurrou uma abarrotada de taças de champanhe.
– Vá, vá, rápido – insistiu.
Saí o mais depressa que pude com uma bandeja cheia de flûtes de champanhe nas mãos. No salão,
recomecei o mesmo percurso, cruzando com sócios mais entretidos ainda nas suas conversas e para
quem eu não passava de uma bandeja circulante. Eu preferia assim; não me sentia tão na berlinda.
A risadinha conhecida de Boo chamou a minha atenção e me virei na sua direção. Não a tinha
visto na cozinha mais cedo. Imaginei que Darla não queria a sobrinha fazendo aquele trabalho. Ou
então o pai de Woods...
Mas Boo não estava vestida como nós. Usava um vestido de chiffon preto grudado no corpo e os
seus longos cabelos castanhos estavam presos bem no alto da cabeça com pequenos cachos soltos em
volta do rosto. Ela virou a cabeça, olhou para mim e abriu um sorrisão. Fiquei observando
enquanto ela andava depressa na minha direção. O fato de estar de salto agulha não diminuiu em
nada o ritmo dos seus passos.
– Você acredita que estou aqui como convidada? – falou, olhando em volta com assombro e, em
seguida, tornando a me encarar. Fiz que não com a cabeça, pois não conseguia acreditar mesmo. –
Ontem à noite, quando o Jace apareceu no meu apartamento e me implorou de joelhos, falei que, se
ele me quisesse, teria que me assumir como namorada em público. Ele aceitou e, bom, o resto você
pode imaginar. O troço pegou fogo lá em casa. Mas, enfim, aqui estou – disse ela de um só fôlego.
Jace tinha agido como homem; que bom. Olhei por cima do ombro dela e vi que ele nos observava.
Sorri e meneei a cabeça com um gesto aprovador. Ele me lançou um sorriso torto e deu de ombros.
– Que bom que ele ouviu a voz da razão – falei.
Boo apertou o meu braço.
– Obrigada – sussurrou.
Ela não tinha por que me agradecer, mas sorri.
– Vá lá se divertir. Tenho que servir todos esses copos antes da sua tia aparecer e me pegar de
papo.
– Está bem. Vou me divertir, sim, mas queria que você pudesse se divertir comigo.
Ela olhou por cima do meu ombro. Sabia que o alvo do seu olhar era Cameron. Ele estava na festa, me
ignorando na frente de todas aquelas pessoas. Estava agindo assim por causa de Sie, mas será que
isso melhorava a situação?
Aos poucos entendi o que havia acontecido: eu tinha me transformado em Boo.
– Preciso do dinheiro para poder morar sozinha – falei, com um sorriso forçado. – Vá lá se
enturmar – incentivei, afastando-me em direção ao grupo de convidados seguinte.
Os olhos que me seguiam fizeram um calor subir pelo meu pescoço; eu sabia que Cameron estava me
observando. Não precisava me virar e vê-lo para confirmar isso. Será que ele acabara de entender a
mesma coisa que eu? Muito me espantaria. Ele era homem. Eu acabei me mostrando disponível e
fácil. Era também a maior hipócrita do planeta, pois agora tinha feito justamente o que repreendera
Boo por fazer, o que me levara a sentir pena dela.
A última flûte de champanhe foi retirada da minha bandeja e fiz o caminho inverso pelo meio dos
convidados tomando cuidado para não chegar perto de Cameron nem de Sie. Nem sequer olhei na sua
direção; ainda tinha algum orgulho. Só tive que parar três vezes para as pessoas depositarem as suas
flûtes vazias na minha bandeja antes de me recolher apressada à segurança da cozinha.
– Ah, que bom que você voltou. Pegue esta bandeja aqui. Precisamos servir alguma comida antes
de todos beberem demais e isto aqui virar um porre coletivo de grã-finos – disse Darla, passandome
uma bandeja de canapés que não reconheci e que tinham um cheiro meio ruim.
Torci o nariz e afastei a bandeja do rosto. Darla deu uma sonora gargalhada.
– É escargot. Caramujo. Um nojo, mas essa gente acha um manjar. Ignore o cheiro e circule.
Senti o estômago embrulhar; não precisava daquele esclarecimento. Escargot teria bastado como
descrição.
Quando cheguei à porta do salão, eu me equilibrei e tentei não pensar nos caramujos que iria
servir para as pessoas comerem nem no fato de que Cameron estava na festa fingindo que não me
conhecia. Isso depois de eu ter passado as duas últimas noites na sua cama.
– Tudo bem? – indagou Woods quando entrei no salão.
Ele tinha surgido ao meu lado com um ar preocupado.
– Tudo. Tirando o fato de que estou servindo caramujos para as pessoas – respondi.
Ele deu uma risadinha, pegou um escargot da bandeja e pôs na boca.
– Pois deveria experimentar. É uma delícia. Principalmente com bastante manteiga e alho.
Meu estômago embrulhou outra vez e fiz que não com a cabeça. Dessa vez ele riu bem alto.
– Ah, Flavia, você sempre torna tudo mais interessante – falou, inclinando-se para junto do meu
ouvido. – Eu sinto muito pelo Cameron. Só para constar, se você tivesse escolhido a mim, não estaria
trabalhando hoje. Estaria na festa de braços dados comigo.
Senti o rosto corar. Já era o suficiente saber que eu era um segredinho sacana, mas o fato de outras
pessoas perceberem isso era humilhante. Mas eu queria ficar com Cameron. Queria muito. Bem, tinha
conseguido o que queria.
– Eu preciso do dinheiro. Estou muito perto de poder alugar a minha própria casa – informei-lhe
com voz neutra.
Woods assentiu com um meneio curto da cabeça e deu um sorriso compreensivo antes de se virar
para cumprimentar uma senhora idosa que passava. Aproveitei a deixa para me afastar. Tinha
caramujos a servir.
Jimmy cruzou olhares comigo e me deu uma piscadela para me reconfortar. Eu havia completado
com louvor o serviço no lado do salão em que Cameron estava; não chegara perto dele. Boo me abriu
um sorriso radiante quando cheguei ao seu grupo, mas o seu sorriso sumiu quando ela olhou para o
que eu trazia na bandeja.
– Que raios é isso? – perguntou, horrorizada.
– Você não vai querer saber – respondi, arrancando risadas de Jace e de outro cara que eu não
conhecia.
– Acho que é melhor você deixar esse passar – disse Jace a Boo, segurando-a pela cintura e
puxando-a afetuosamente para junto de si.
Ela ergueu para ele um olhar aceso de felicidade e aquilo foi o máximo de romance fofinho que
consegui suportar. Passei depressa ao grupo seguinte. A cabeleira ruiva encaracolada me pareceu
conhecida. Levei um segundo para entender quem era aquela menina; seu sorriso mau e venenoso
me lembrou exatamente onde eu a tinha visto antes. Ela estava procurando Woods na casa de Cameron
na noite da festa de Sie. Graças a Woods, eu não tinha conquistado uma fã naquela noite.
– Ah, que engraçado – disse ela, desviando a atenção do casal com quem estava conversando para
se concentrar em mim. – Woods deve ter decidido que você é mais adequada para ser sua
funcionária do que sua namorada. – Ela deu uma risadinha que fez os cachos ruivos balançarem. –
Ganhei a noite, sério.
Ela ergueu a mão e virou a minha bandeja.
Escargots escorreram pela frente da minha blusa e a bandeja caiu no chão com alarde. De tão
pasma, não consegui me mexer nem dizer coisa alguma.
– Nossa, como ela é desastrada... Woods deveria ser mais rigoroso na escolha dos empregados –
sibilou ela com ódio.
– Meu Deus! Tudo bem, Flavia? – A voz de Boo atrás de mim me despertou do estado de choque.
Consegui remover os caramujos ainda presos à minha roupa.
– Saiam da frente – ordenou uma voz grave que reconheci na hora.
Levantei a cabeça depressa e vi Cameron abrindo caminho, passando pelo casal que acompanhava a
ruiva, que parecia estar rindo da minha situação. Não havia como negar: ele estava uma fera. Ele me
segurou pela cintura e examinou o meu rosto por um instante. Não tive certeza para quê.
– Tudo bem com você? – perguntou baixinho.
Respondi que sim, ainda sem saber ao certo como reagir.
As veias do pescoço dele estavam novamente saltadas e ele engoliu em seco. Mal virou a cabeça
para olhar na direção da ruiva.
– Nunca mais chegue perto dela nem de mim, entendeu? – falou com uma calma assustadora.
A menina arregalou os olhos.
– Por que você está bravo comigo? A desastrada foi ela, que derrubou a bandeja inteira em cima de
si mesma.
As mãos de Cameron apertaram com força o meu quadril.
– Se disser mais uma palavra, eu ameaço remover todas as minhas contribuições para este clube até
você ser expulsa. Permanentemente.
A menina arquejou.
– Mas, Cameron, eu sou amiga da Sie. A amiga mais antiga dela. Você não faria isso comigo.
Sobretudo não por causa de uma empregadinha.
O tom infantil da sua voz era estranho para uma mulher de 21 anos.
– Pode pagar para ver – retrucou Cameron.
Então tornou a baixar os olhos para mim:
– Venha comigo.
Não tive tempo de reagir antes de ele virar a cabeça e olhar por cima do meu ombro.
– Eu estou com ela, Boo. Está tudo bem. Pode voltar para o Jace. – Cameron me enlaçou pela
cintura. – Cuidado para não escorregar nos escargots.
Dois auxiliares de garçom entraram correndo no salão trazendo apetrechos para limpar a sujeira.
A música não havia parado, mas o silêncio era total. Aos poucos, os convidados voltaram a
conversar. Cravei os olhos na porta, esperando sair do salão para poder me desvencilhar de Cameron.
Se alguém ali ainda não sabia que estávamos transando, agora tinha ficado bem claro. Ele acabara
de mostrar a todo mundo que se importava comigo até certo ponto, mas nem por isso queria que
andássemos por aí de braços dados. Senti um aperto no peito. Precisava me distanciar dele. Já estava
na hora de eu aprender a rastejar de volta para o meu mundinho, onde não dependia de ninguém a
não ser de mim mesma. De mais ninguém. Quando saímos do salão e nos afastamos dos olhos
curiosos, desvencilhei-me de Cameron e abri um espaço entre nós dois. Cruzei os braços na frente do
peito e encarei os meus pés. Não sabia se olhar para ele seria a melhor coisa nesse momento. Não
tinha reparado em como ele estava gato com aquele smoking preto; tive que me esforçar ao máximo
para não ficar secando. Agora que ele estava ali bem na minha frente vestido daquele jeito e eu de
uniforme de garçonete e toda suja de escargot, a imensa diferença entre os nossos mundos ficou
patente.
– Flavia, eu sinto muito. Não imaginava que algo desse tipo fosse acontecer. Eu nem sabia que
aquela menina tinha problemas com você. Vou conversar com a Sie sobre isso. Tenho a sensação
de que ela teve alguma participação...
– A ruiva me odeia porque o Woods se interessa por mim. Sie não teve nada a ver com essa
história, nem você.
Ele não reagiu de imediato. Fiquei indecisa se deveria simplesmente dar meia-volta e retornar
para a cozinha.
– O Woods continua dando em cima de você?
Ele tinha mesmo me perguntado isso? Eu estava ali, coberta de escargot e manteiga, e ele vinha me
perguntar se outro cara estava dando em cima de mim? Eu nem sequer sabia se ainda tinha um
emprego. Era isso... eu havia chegado ao meu limite. Girei nos calcanhares e parti em direção à
cozinha. Só que Cameron não me deixou ir muito longe: estendeu a mão depressa e me agarrou pelo
braço.
– Espera, Flavia. Desculpe, eu não deveria ter perguntado isso. A questão agora não é essa. Só
queria me certificar de que você estava bem e ajudá-la a se limpar.
A voz dele soou triste ao pronunciar a última parte.
Suspirei e tornei a me virar. Dessa vez, olhei nos olhos dele.
– Eu estou bem. Só preciso ir à cozinha e ver se ainda tenho um emprego. Hoje de manhã Woods
me avisou que algo desse tipo talvez fosse acontecer e que seria culpa minha. Neste exato momento,
tenho problemas mais graves do que a sua necessidade repentina de se mostrar possessivo. O que é
ridículo, aliás. Porque até esse incidente acontecer você estava se esforçando ao máximo para me
ignorar. Cameron, ou você me conhece ou não conhece. Não dá para ficar em cima do muro.
Não foi fácil disfarçar a mágoa na minha voz. Tirei a mão dele do meu braço com um safanão e
segui novamente na direção da cozinha a passos largos.
– Você estava trabalhando. O que queria que eu fizesse? – perguntou ele, o que me fez parar. – Se
tivesse cumprimentado você, teria dado motivo a Sie para agredi-la. Eu estava protegendo você.
O simples fato de ele admitir isso me revelava a verdade: Sie vinha em primeiro lugar. Ele estava
me ignorando para mantê-la feliz. É claro que eu já imaginava isso. Eu era só a comida fácil; Sie
era a sua irmã. Ele estava certo de escolher a ela e não a mim. Como poderia me considerar para
qualquer outra coisa, visto a facilidade com que eu tinha ido para a cama com ele?
– Tem razão, Cameron. O fato de você me ignorar impediria Sie de me agredir. Eu sou só a menina
que você comeu nas duas últimas noites. Pensando bem, não sou tão especial assim. Só uma entre
muitas.
Não esperei ele dizer mais nada. Corri para as portas da cozinha e me joguei em cima delas antes
de as lágrimas que marejavam os meus olhos começarem a rolar.
 



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