História Paixão sem limites - Capítulo 24


Escrita por: ~

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Categorias Flavia Pavanelli, Jack & Jack, Magcon
Personagens Cameron Dallas, Flavia Pavanelli
Tags Cameron Dallas, Flavia Pavanelli
Exibições 133
Palavras 2.459
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Famí­lia, Festa
Avisos: Álcool, Drogas, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


QUE VACILO CAMERON!

Capítulo 24 - 23



Eu estava sozinha. Protegi os olhos da claridade da manhã e olhei para o quarto à minha volta.
Cameron não estava ali. Que estranho. Eu me sentei na cama e olhei para o relógio: já passava das dez.
Não era de se espantar que ele não estivesse no quarto. Eu havia dormido a manhã quase toda. Nesse
dia iríamos conversar. Ele iria me revelar os seus segredos. Na noite passada tivéramos uma transa
incrível, mas agora eu precisava de respostas.
Eu me levantei e achei o meu short ao pé da cama. Cameron devia ter trazido a roupa ali para cima,
porque eu me lembrava de termos deixado tudo jogado na escada na noite anterior. Vesti o short e
olhei em volta à procura da blusa. Dobrada debaixo do short havia uma das camisetas de Cameron,
então eu a vesti e desci. Estava pronta para encontrá-lo.
As portas dos quartos da família do outro lado do corredor estavam Flaviortas. Gelei. O que
significava isso? Aquelas portas viviam fechadas. Foi então que ouvi as vozes. Andei até o segundo
lance de escada e agucei os ouvidos. A voz conhecida do meu pai subiu da sala de estar. Ele tinha
voltado.
Dei o primeiro passo e parei. Será que era capaz de encará-lo? Será que ele iria me mandar
embora? Será que sFlavioria que eu tinha transado com Cameron? Será que Sie faria a mãe me detestar
também? Eu não tinha tempo para refletir sobre tudo isso.
Meu pai pronunciou o meu nome e entendi que precisaria ir lá encarar a situação, fosse ela qual
fosse. Eu me forcei a descer cada degrau. Atravessei o hall e, quando consegui ouvi-los com clareza,
parei. Precisava sFlavior em que estava me metendo.
– Não acredito, Cameron! Onde você estava com a cFlavioça? SFlavio quem ela é? O que ela significa para
esta família?
Era a sua mãe quem estava falando. Apesar de nunca a ter encontrado, tive certeza.
– Você não pode pôr a responsabilidade nela. Ela nem tinha nascido. Você não faz ideia do que ela
sofreu. Do que ELE a fez sofrer.
Cameron estava com raiva.
Comecei a avançar em direção à porta, mas parei. O que eu significava para aquela família? Que
papo era aquele?
– Não comece a se comportar como um cavalheiro ofendido. Foi você quem o encontrou para
mim. Sendo assim, por mais que ele a tenha feito sofrer, quem começou tudo foi você – cuspiu ela. –
E aí você vai e transa com ela? Pelo amor de Deus, Cameron! Onde você estava com a cFlavioça? É
igualzinho ao seu pai.
Estendi a mão para me segurar no batente da porta. Não sabia o que iria ouvir em seguida, mas
estava ficando sem ar. Pude sentir o pânico invadir o meu peito.
– Mãe, lembre-se de quem é o dono desta casa. – O alerta de Cameron foi claro.
Sua mãe deu uma risada alta que pareceu um cacarejo.
– Dá para acreditar? Ele está se virando contra mim por causa de uma menina que acabou de
conhecer. Flavio, você tem que fazer alguma coisa!
Silêncio. Então o meu pai pigarreou.
– Georgie, esta casa é dele. Não posso forçá-lo a fazer nada. Deveria ter imaginado que isso iria
acontecer. Ela é igualzinha à mãe.
– Como assim? – rugiu Gina.
Meu pai suspirou.
– Já falamos sobre isso. Eu deixei você porque ela exercia sobre mim uma atração... eu não
conseguia me afastar dela.
– EU SEI disso. Não quero ouvir outra vez. Você a desejava tanto que me largou grávida com um
monte de convites de casamento para cancelar.
– Amor, calma. Eu amo você. Estava só explicando que Flavia tem o mesmo carisma da mãe. É
impossível não ficar atraído por ela. E ela é tão cega em relação a isso quanto a mãe era; não pode
fazer nada a respeito.
– Aaahh! Será que essa mulher nunca vai me deixar em paz? Será que vai estragar a minha vida
para sempre? Ela morreu, caramba! Eu recuperei o homem que amo e a nossa filha enfim tem um
pai. E agora isso. Aí vem você e transa com essa.. com essa menina!
Meu corpo estava anestesiado. Eu não conseguia me mover. Não conseguia respirar fundo. Ainda
estava sonhando... só podia ser isso. Ainda não tinha acordado. Apertei bem os olhos para tentar
despertar daquele pesadelo doente e pervertido.
– Se disser mais uma palavra contra ela, eu expulso você desta casa. – O tom de Cameron foi frio e
duro.
– Georgie, meu amor, calma. Por favor. Flavia é uma boa menina. O fato de ela estar aqui não é o
fim do mundo. Ela precisa de um lugar para ficar, eu já lhe expliquei isso. Sei que você odeia a
Rebecca, mas ela era a sua melhor amiga. Vocês eram amigas desde crianças; eram praticamente
irmãs até eu aparecer e estragar tudo. Flavia é filha dela. Tenha um pouco de compaixão.
Não. NÃO. Não, não, não. Eu não tinha escutado aquelas palavras. Aquilo não era real. Minha mãe
jamais teria estragado o casamento de outra pessoa. Nunca teria feito o meu pai abandonar uma
mulher grávida de um filho seu. Minha mãe era uma mulher doce, generosa. Nunca, jamais teria
deixado isso acontecer. Eu não podia ficar ali parada ouvindo aquelas pessoas falarem sobre ela
daquele jeito. Eles não tinham entendido nada. Não conheciam a minha mãe. Meu pai tinha passado
tanto tempo afastado que acabara esquecendo o que realmente acontecera.
Soltei o batente que segurava com força e entrei a passos largos na sala em que eles estavam
caluniando a minha mãe.
– NÃO! Calem a boca, todos vocês – berrei.
A sala silenciou. Olhei para o meu pai e o encarei com um olhar irado. Ninguém mais importava
nesse instante. Nem a mulher que continuava a cuspir mentiras sobre a minha mãe, nem o homem
que eu pensava amar. O homem a quem eu tinha entregado o meu corpo. O homem que tinha
mentido para mim.
– Flavia – a voz de Cameron soou distante.
Estendi a mão para detê-lo. Não o queria perto de mim.
– Você – falei, apontando para o meu pai. – Você está deixando que eles mintam sobre a minha
mãe – gritei.
Pouco me importava parecer louca. Nesse momento, eu detestava todos eles.
– Flavia, me deixe explicar...
– CALE ESSA BOCA! – vociferei. – Minha irmã morreu, minha outra metade. Ela morreu, pai. Em
um acidente de carro a caminho do mercado com VOCÊ. Foi como se a minha alma tivesse sido
arrancada de dentro de mim e rasgada ao meio. Perder a Valerie foi insuportável. Tive que ver a
minha mãe chorar e uivar de dor, depois tive que ver o meu pai ir embora para nunca mais voltar.
Enquanto a sua filha e a sua mulher tentavam colar os caquinhos do mundo sem Valerie. Aí a minha
mãe ficou doente. Eu liguei, mas você não atendeu. Então arrumei um emprego depois da escola e
comecei a pagar as despesas médicas. Não fazia nada a não ser cuidar dela e estudar. Só que no meu
último ano ela piorou tanto que eu tive que largar a escola. Fiz a prova de conclusão do ensino
médio e parei de estudar, porque a única pessoa no planeta que me amava estava morrendo
enquanto eu assistia sem poder fazer nada. Segurei a sua mão quando ela deu o último suspiro,
organizei o enterro, vi quando eles baixaram o caixão na cova. Você não ligou nem uma vez sequer!
Nenhuma! Aí tive que vender a casa que a vovó nos deixou e todos os objetos de valor que havia lá
dentro só para pagar as despesas médicas.
Parei, respirei com vontade e um soluço escapou da minha garganta.
Dois braços me envolveram e dei um grito, debatendo-me e me desvencilhando.
– NÃO TOQUE EM MIM!
Não queria que Cameron me tocasse. Ele tinha mentido para mim. Sabia de tudo aquilo e tinha
mentido para mim.
– E agora estou sendo obrigada a ouvir vocês falarem sobre a minha mãe, que era uma santa. Estão
me ouvindo? Ela era uma santa! Vocês são todos uns mentirosos. Se tem alguém culpado nessa
merda toda que estou ouvindo sair das suas bocas é esse homem aí. – Apontei para o meu pai. Não
podia mais chamá-lo assim, não agora. – O mentiroso é ele. Ele não vale o chão que eu piso. Se Sie
é filha dele, se você estava grávida...
Eu me virei na direção da mulher para a qual ainda não tinha olhado e as palavras congelaram na
minha boca. Eu me lembrava dela. Cambaleei para trás e balancei a cFlavioça. Não. Aquilo não era o
que parecia.
– Quem é você? – perguntei enquanto começava a me lembrar lentamente daquele rosto.
– Cuidado como vai responder – disse Cameron atrás de mim com uma voz tensa.
Ele continuava perto de mim.
Gina desviou os olhos de mim, olhou para o meu pai, depois tornou a me encarar.
– Você sabe quem eu sou, Flavia. Nós já nos encontramos.
– Você foi à minha casa. Você... você fez a minha mãe chorar.
Gina revirou os olhos.
– Mãe, último aviso – falou Cameron.
– Sie queria conhecer o pai, então levei ela até lá. Assim ela pôde ver a linda familiazinha dele, as
duas lindas filhinhas gêmeas e louras que ele amava e a esposa igualmente perfeita. Eu estava
cansada de ter que dizer à minha filha que ela não tinha pai, porque ela sabia que tinha. Então
mostrei a ela o que o seu pai tinha escolhido no seu lugar. Ela só voltou a perguntar sobre ele anos
mais tarde.
A menininha da minha idade que segurava a mão da mãe com força e me observava da porta.
Aquela menina era Sie. Senti um nó na garganta. O que o meu pai tinha feito?
– Flavia, por favor, olhe para mim.
Ouvi a voz desesperada de Cameron atrás de mim, mas não consegui prestar atenção nele. Ele sabia
aquilo tudo: esse era o grande segredo de Sie e ele o havia protegido para ela. Será que não
entendia que o segredo era meu também? Aquele era o meu pai e eu não sabia de nada. As palavras
de Woods ecoaram na minha mente: “Quando chegar a hora de escolher, Cameron vai optar por ela.”
Woods já sabia que Cameron tinha escolhido Sie. Todo mundo naquela cidade conhecia o segredo,
menos eu. Todos sabiam quem eu era, mas eu não.
– Eu estava de casamento marcado com Gina, que estava grávida de Sie. Sua mãe foi visitá-
la. Ela era diferente de todas as outras mulheres que eu conhecera; sua mãe era viciante. Não
consegui ficar longe dela. Gina ainda estava a fim do Dean e Cameron ainda visitava o pai a cada
quinze dias. Para mim, no mesmo segundo em que Dean decidisse sossegar o facho, Georgie ficaria
com ele. Eu nem tinha certeza de que Sie era a minha filha. A sua mãe era inocente e divertida.
Não gostava de roqueiros e me fazia rir. Quando dei em cima dela, ela me ignorou. Não sei como,
mas consegui convencê-la a fugir comigo. A jogar fora aquela amizade de uma vida inteira.
Pressionei as mãos sobre as orelhas para não ouvir o que o meu pai estava dizendo. Não conseguia
escutar aquilo. Era tudo mentira. Aquele mundo doente em que eles viviam não era o meu. Eu
queria voltar para casa, para o Alabama. Voltar para um lugar que compreendia, onde o dinheiro e
os astros do rock não tivessem importância.
– Chega. Não quero ouvir isso. Só quero as minhas coisas, quero ir embora daqui.
Não pude conter o soluço que dei a seguir. O meu mundo como eu o conhecia acabara de
explodir em mil pedaços. Eu precisava ir me sentar junto ao túmulo da minha mãe e conversar com
ela. Queria voltar para casa.
– Gata, fale comigo, por favor. Por favor.
Cameron tinha se posicionado novamente atrás de mim e eu estava cansada demais para empurrá-lo
para longe. Em vez disso, me afastei. Não consegui encará-lo.
– Não consigo olhar para você. Não quero falar com você. Eu só quero as minhas coisas. Quero
voltar para casa.
– Flavia, querida, você não tem casa.
A voz do meu pai me irritou. Ergui os olhos e o encarei com fúria. Toda a dor e a amargura que
conseguira reprimir quando ele havia nos abandonado me consumiam agora.
– Minha casa são os túmulos da minha mãe e da minha irmã. Quero ficar perto delas. Fiquei aqui
parada ouvindo vocês dizerem que a minha mãe era alguém que eu sei que não era. Ela jamais teria
feito isso de que a estão acusando. Pode ficar aqui com a sua família, Flavio. Tenho certeza de que ela
vai amá-lo tanto quanto a sua antiga o amava. Só tente não matar ninguém desta vez – cuspi.
O arquejo audível de Gina foi a última coisa que escutei antes de sair da sala. Queria ir
embora, mas tinha que pegar a minha bolsa e a chave do carro. Subi correndo a escada, joguei tudo
o que consegui de volta na mala e a fechei com violência. Pendurei no ombro a alça da bolsa e,
quando me virei para a porta, vi Cameron ali parado, olhando para mim.
Ele estava pálido, com os olhos fundos. Fechei os meus. Pouco me importava que ele estivesse
chateado. Deveria estar mesmo. Tinha mentido para mim. Havia me traído.
– Você não pode me abandonar – disse ele com um sussurro rouco.
– Não só posso como vou – retruquei, fria e sem emoção.
– Flavia, você não me deixou explicar. Eu ia lhe contar tudo hoje. Aí eles chegaram ontem à noite
e eu entrei em pânico. Tinha que lhe contar primeiro. – Ele deu um soco no batente da porta. – Não
era para você descobrir assim. Não assim. Meu Deus, não assim. – Ele parecia mesmo abalado.
Eu não podia me deixar afetar pela moleza que aquela expressão do seu rosto provocava no meu
coração. Seria uma idiota se deixasse isso acontecer. Além do mais, a sua irmã... Sie era sua irmã.
Não era de se espantar que ele a tivesse protegido desde a infância. Ela era a menina sem pai. Engoli
a bile que me subia pela garganta. Meu pai era um homem horrível.
– Não posso ficar aqui. Não posso ver você. Você representa dor e traição não só em relação a
mim, mas a minha mãe também. – Balancei a cabeça. – O que nós tivemos acabou. Morreu no
mesmo instante em que eu desci a escada e entendi que o mundo que conheci a vida inteira era uma
mentira.
Cameron tirou as mãos do batente, encolheu os ombros e baixou a cabeça. Não disse nada, apenas
recuou para eu poder sair. O pouco de coração que me restava intacto se estilhaçou diante daquela
expressão derrotada. Mas não havia outro jeito. O que existia entre nós estava contaminado.
 



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