História Paixão sem limites - Capítulo 25


Escrita por: ~

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Categorias Flavia Pavanelli, Jack & Jack, Magcon
Personagens Cameron Dallas, Flavia Pavanelli
Tags Cameron Dallas, Flavia Pavanelli
Exibições 115
Palavras 1.612
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Famí­lia, Festa
Avisos: Álcool, Drogas, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 25 - 24



Não olhei para trás e ele não tornou a chamar o meu nome. Desci a escada com a minha mala na
mão. Quando cheguei ao último degrau, meu pai saiu da sala e entrou no hall. Tinha o cenho
franzido e parecia quinze anos mais velho do que da última vez em que eu o vira. Os últimos cinco
anos não tinham sido piedosos com ele.
– Flavia, não vá embora. Vamos conversar. Dê um tempo a si mesma para refletir sobre as coisas.
Ele queria que eu ficasse. Por quê? Para poder se sentir melhor com o fato de ter estragado a
minha vida? De ter estragado a vida de Sie?
Tirei do bolso o celular que ele quisera me dar e lhe estendi.
– Tome. Eu não quero isso – falei.
Ele encarou o telefone, depois tornou a olhar para mim.
– Por que eu iria ficar com o seu celular?
– Porque eu não quero nada de você – respondi.
Continuava com raiva, mas estava cansada. Só queria sair dali.
– Mas eu não dei esse telefone a você – disse ele, ainda com um ar de incompreensão.
– Fique com o celular, Flavia. Se quer mesmo ir embora, não posso impedir, mas, por favor, leve o
celular.
Cameron estava em pé no alto da escada. Ele tinha comprado o telefone para mim. Meu pai nunca lhe
dissera para me dar um celular. Eu estava começando a ficar anestesiada; não conseguia mais sentir
dor nenhuma, nem tristeza pelo que talvez pudéssemos ter tido.
Caminhei até ele e pousei o celular na mesa ao lado da escada.
– Não dá – foi a minha única resposta.
Não olhei para trás em direção a nenhum deles, embora tenha ouvido os saltos de Gina
estalarem no piso de mármore, deixando claro que ela havia entrado no hall.
Segurei a maçaneta da porta e puxei. Nunca mais veria nenhuma daquelas pessoas, mas só choraria
a perda de uma delas.
– Você é igualzinha a ela.
A voz de Gina ecoou no hall silencioso. Entendi que ela estava falando da minha mãe. Só
que ela não tinha sequer o direito de lembrar a minha mãe, muito menos de falar nela. Ela mentira
a seu respeito. Fizera a única mulher que eu admirava mais do que qualquer outra pessoa no mundo
parecer egoísta e cruel.
– Só espero que eu consiga ser metade da mulher que ela foi – retruquei em voz alta e nítida.
Queria que todos eles me escutassem, pois precisavam saber que eu não tinha nenhuma dúvida
quanto à inocência da minha mãe.
Saí e fechei a porta da casa com firmeza. Um carro esportivo prateado chegava à entrada da
garagem na mesma hora em que eu andava até a picape. Sabia que era Sie, mas não consegui olhar
para ela. Não nesse momento.
A porta do carro bateu, mas eu não hesitei. Joguei a mala na traseira da picape e abri a porta do
motorista. Não tinha mais nada a fazer ali.
– Sabe de uma coisa? – começou ela, em tom de quem está achando graça. Eu não iria falar com
ela; não ouviria mais mentiras sobre a minha mãe saírem da sua boca. – Como está se sentindo?
Sabendo que o seu próprio pai a trocou por outra pessoa?
Eu estava anestesiada. Aquela era a menor das minhas dores. Fazia cinco anos que o meu pai nos
abandonara. Eu tinha tocado a minha vida.
– Não está se sentindo tão superior agora, está? A sua mãe era uma jeca ordinária que mereceu
tudo o que aconteceu com ela.
A calma que havia se apoderado de mim desapareceu. Ninguém iria falar mais nada sobre a minha
mãe. Ninguém. Levei a mão até debaixo do banco e peguei a pistola. Virei-me e mirei bem naquela
sua boca vermelha mentirosa.
– Se disser mais uma palavra sobre a minha mãe eu abro um buraco a mais no seu corpo – falei
com a voz dura e sem emoção.
Sie deu um grito e levantou as mãos para o alto. Não abaixei a pistola. Não tinha a intenção de
matá-la, só iria lhe dar um tiro no braço se ela tornasse a abrir a boca. Minha mira estava perfeita.
– Flavia! Abaixe essa arma. Sie, não se mexa. Ela sabe usar esse troço melhor do que a maioria dos
homens.
A voz do meu pai fez as minhas mãos tremerem. Ele a estava protegendo de mim. Protegendo a sua
filha, a que ele queria. A filha por quem ele nos deixara. A filha que havia abandonado durante a
maior parte da vida. Eu não sabia o que sentir.
Ouvi a voz apavorada de Gina.
– O que ela está fazendo com essa arma? A lei por acaso permite isso?
– Ela tem porte de arma e sabe o que está fazendo – respondeu o meu pai. – Fique calma.
Abaixei a pistola.
– Vou subir nesta picape e sumir das suas vidas. Para sempre. Mas cale a boca em relação à minha
mãe. Não quero ouvir isso outra vez – avisei antes de virar as costas e subir na picape.
Tornei a guardar a pistola debaixo do banco e saí de marcha a ré. Não olhei para ver se eles
estavam todos reunidos em volta da pobre Sierra; estava pouco ligando para isso. Talvez agora
ela fosse pensar duas vezes antes de caluniar a mãe de alguém. Porque, juro por Deus, era melhor
ela nunca mais falar mal da minha.
Fui até o country clube. Tinha que avisar que iria embora. Darla merecia saber que não poderia
contar comigo. Woods também, aliás. Eu não queria explicar, mas imagino que eles já soubessem.
Todo mundo sabia, menos eu, e todos estavam só esperando eu descobrir. O que eu não entendia
era por que ninguém pôde me contar a verdade.
A vida de Sie, afinal, não seria alterada por causa daquilo. Tudo o que ela conhecia não acabara
de voar pelos ares. A vida que tinha virado de cabeça para baixo era a minha. Aquela história não
tinha a ver com Sie, tinha a ver comigo. Comigo, merda. Por que eles precisavam protegê-la? Do
que ela precisava ser protegida?
Estacionei a picape em frente ao escritório e Darla veio até a porta me receber.
– Esqueceu de olhar a escala, menina? Você está de folga hoje.
Ela estava sorrindo, mas o sorriso desapareceu quando olhou para mim. Ela parou e segurou o
corrimão dos degraus que levavam ao escritório. Então balançou a cabeça.
– Você ficou sabendo, não é?
Até Darla sabia. Só fiz que sim com a cabeça. Ela soltou um longo suspiro.
– Eu tinha ouvido boatos como a maioria das pessoas, mas nunca cheguei a saber toda a verdade.
Não quero que me conte porque não é assunto meu, mas, se for algo próximo do que ouvi, sei que
deve estar doendo.
Ela desceu devagar os últimos degraus. Nada restava da espoleta mandona que eu conhecia: ao
chegar no fim da escada, ela abriu os braços e corri para me aninhar neles. Nem pensei antes de
agir; precisava que alguém me abraçasse. Desatei a soluçar no mesmo instante em que ela me
enlaçou.
– Eu sei que é uma droga, meu bem. Queria que alguém tivesse lhe contado antes.
Não consegui dizer nada, apenas chorei e me agarrei a ela, que me abraçava forte.
– Flavia? O que houve? – A voz de Bruna soou preocupada. Ergui os olhos e a vi descer correndo
na nossa direção. – Ai, merda. Você ficou sabendo – disse ela e estacou. – Eu deveria ter contado,
mas fiquei com medo. Não conhecia todos os fatos. Só sabia o que Jace tinha entreouvido a Sie
dizer. Não queria contar a coisa errada. Estava torcendo para o Cameron conversar com você. Ele
contou, não foi? Depois do jeito como vi ele olhando para você ontem à noite, tive certeza de que
iria contar.
Eu me afastei do abraço de Darla e enxuguei o rosto.
– Não, ele não me contou. Eu mesma escutei. Meu pai e Gina voltaram para casa.
– Que merda – falou Bruna com um suspiro de frustração. – Você vai embora?
A expressão de dor dos seus olhos me fez ver que ela já sabia a resposta.
Assenti.
– Para onde? – quis saber Darla.
– Vou voltar para o Alabama. Para casa. Agora tenho algum dinheiro guardado. Vou poder
arrumar um emprego e tenho amigos lá. Os túmulos da minha mãe e da minha irmã estão lá.
Não pude dizer mais nada. Não conseguiria falar sem tornar a irromper em prantos.
– Vamos sentir a sua falta por aqui – disse Darla com um sorriso triste.
Eu também sentiria falta delas. De todos eles, até mesmo de Woods.
– Eu também.
Deixando escapar um soluço bem alto, Bruna correu até mim e me enlaçou pelo pescoço.
– Nunca tive uma amiga como você antes. Não quero que vá embora.
Meus olhos ficaram marejados outra vez. Eu tinha feito alguns amigos ali. Nem todo mundo havia
me traído.
– Você pode me visitar no Alabama um dia, não é? – sussurrei, engolindo um soluço.
Ela se afastou de mim e fungou.
– Posso mesmo?
– Claro – respondi.
– Que bom. Semana que vem já posso ir?
Se eu conseguisse reunir energia suficiente para sorrir, teria sorrido. Mas duvidava que algum dia
fosse voltar a fazer isso.
– Quando você quiser.
Ela assentiu e esfregou o nariz vermelho com o braço.
– Vou avisar ao Woods. Ele vai entender – disse Darla atrás de nós.
– Obrigada.
– Tome cuidado. E dê notícias.
– Vou dar, sim – respondi, pensando se isso seria mentira.
Será que eu algum dia tornaria a falar com elas?
Darla deu um passo para trás e, com um gesto, chamou Bruna para ir ficar ao seu lado. Acenei
para as duas, abri a porta da picape e entrei. Já estava na hora de deixar aquele lugar para trás.
 



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