História Paixão sem limites - Capítulo 26


Escrita por: ~

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Categorias Flavia Pavanelli, Jack & Jack, Magcon
Personagens Cameron Dallas, Flavia Pavanelli
Tags Cameron Dallas, Flavia Pavanelli
Exibições 109
Palavras 2.254
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Famí­lia, Festa
Avisos: Álcool, Drogas, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 26 - 25



O suspiro de alívio que eu esperava dar ao passar sob o primeiro dos três únicos sinais de trânsito
de Sumit, Alabama, não aconteceu. Eu estivera completamente anestesiada durante o trajeto de sete
horas até ali. As palavras que eu ouvira o meu pai dizer sobre a minha mãe não paravam de se
repetir na minha cabeça, até eu não conseguir mais sentir nada por ninguém.
Dobrei à esquerda no segundo sinal e segui em direção ao cemitério. Precisava conversar com
mamãe antes de fazer o check-in no único hotel de beira de estrada da cidade. Queria dizer a ela
que não acreditava em nada daquilo. Eu sabia o tipo de mulher que ela era, o tipo de mãe que ela
era. Ninguém chegava nem sequer aos seus pés. Mesmo à beira da morte, minha mãe tinha sido a
minha fortaleza. Eu jamais temera que ela fosse me abandonar.
O estacionamento de cascalho estava vazio. Na última vez em que eu estivera ali, a maior parte dos
moradores da cidade comparecera para prestar as últimas homenagens à minha mãe. Nessa tarde, o
sol vespertino já estava indo embora e a minha única companhia eram as sombras.
Desci da picape e engoli em seco com o fato de voltar àquele lugar e sFlavior que ela estava ali, mas
ao mesmo tempo não estava. Desci o caminho até o seu túmulo perguntando-me se alguém a
visitara durante a minha ausência. Minha mãe tinha amigos. Com certeza alguém havia passado ali
para repor as flores. Senti os olhos arderem. Não gostava de pensar que ela tinha passado tanto
tempo sozinha. Estava contente por ter mandado enterrá-la ao lado de Valerie; isso tornara mais
fácil ir embora.
O túmulo estava coberto de grama agora. O Sr. Murphy tinha me dito que o cobriria de graça, já
que eu eu não podia pagar nenhum extra. Ver a grama verde me deu a sensação de que ela estava
adequadamente coberta, por mais bobo que parecesse. Seu túmulo agora estava igualzinho ao de
Valerie. A lápide não era tão elegante quanto à da minha irmã; era simples, a única que eu tivera
dinheiro para comprar. Eu passara muitas horas decidindo exatamente o que queria que estivesse
escrito nela.
Luciana Martinez Pavanelli
19 de abril de 1967 – 2 de junho de 2012
O amor que ela deixou servirá de motivação para alcançar os sonhos. Ela era a rocha em um mundo
que ruía. Sua força ficará, pois mora nos nossos corações.
A família que me amava não existia mais. Parada ali, olhando para os seus túmulos, entendi o quão
sozinha de fato estava. Não tinha mais nenhum parente. Depois desse dia, jamais reconheceria a
existência do meu pai.
– Não imaginava que você fosse voltar tão cedo.
Eu tinha ouvido o cascalho estalar atrás de mim e já sabia quem era antes mesmo de me virar. Não
olhei para ele; ainda não estava pronta. Ele veria na hora o que eu estava sentindo. Cain era meu
amigo desde o jardim de infância. Quando nos tornamos algo mais, fora apenas o curso natural das
coisas; já fazia muitos anos que eu era apaixonada por ele.
– Minha vida está aqui – respondi.
– Eu tentei lhe mostrar isso há algumas semanas.
O toque de humor na sua voz não passou despercebido. Ele gostava de ter razão. Sempre gostou.
– Achei que precisasse da ajuda do meu pai, mas estava enganada.
O cascalho estalou mais um pouco quando ele se aproximou.
– Ele continua um babaca?
Respondi que sim. Ainda não estava pronta para dizer a Cain o quão babaca o meu pai realmente
era. Não seria capaz de falar sobre aquilo. De certa forma, pronunciar as palavras tornava o fato
mais real e eu queria acreditar que era um sonho.
– Não gostou da nova família dele? – perguntou Cain.
Ele não desistia. Iria me fazer perguntas até eu ceder e contar tudo.
– Como você soube que eu tinha voltado? – perguntei, mudando de assunto.
Aquilo só o enganaria por alguns instantes, mas eu não pretendia ficar tanto tempo assim ali no
cemitério.
– Você não imaginava mesmo que, com essa sua picape, fosse chegar sem virar a principal notícia
em cinco minutos, imaginava? Até parece que não conhece esta cidade, Fla.
Fla. Ele me chamava de Fla desde que tínhamos 5 anos e chamava Valerie de Ree. Apelidos,
lembranças. Aquilo era seguro; aquela cidade era um lugar seguro.
– Já faz cinco minutos que eu cheguei? – perguntei.
Ainda olhava para o túmulo à minha frente. Para o nome da minha mãe gravado em pedra.
– Não, acho que não. Eu estava sentado em frente à mercearia esperando Callie sair do trabalho –
disse ele, sem completar a frase.
Pelo visto, estava namorando Callie outra vez. Não era de se espantar. Ela parecia ser a garota de
quem ele não conseguia se desvencilhar.
Respirei fundo, então finalmente virei a cabeça e fitei os seus olhos azuis. A emoção conseguiu
atravessar a barreira de entorpecimento que me envolvia como se fosse uma capa. Aquilo ali era a
minha casa. Um lugar seguro. E isso era tudo que eu sabia.
– Eu vou ficar – falei.
Um sorriso repuxou os seus lábios e ele assentiu.
– Que bom. Você deixou saudades. O seu lugar é aqui, Fla.
Algumas semanas antes, eu pensara que, sem a minha mãe, poderia me encaixar em qualquer lugar.
Talvez estivesse enganada. Era ali que estava o meu passado.
– Não quero falar sobre o Flavio – avisei e tornei a dirigir os olhos para o túmulo da minha mãe.
– Combinado. Nunca mais vou tocar nesse nome.
Não precisei dizer mais nada. Fechei os olhos e rezei para que a minha mãe e a minha irmã
estivessem juntas e felizes. Cain não se mexeu. Ficamos ali, sem dizer nada, enquanto o sol se punha.
Quando a escuridão finalmente tomou conta do cemitério, ele me deu a mão.
– Vamos, Fla. Vamos arrumar um lugar para você ficar.
Deixei ele me conduzir de volta pelo caminho até a picape.
– Posso levar você para a casa da vovó? Ela tem um quarto de hóspedes e vai amar recebê-la. Mora
sozinha naquela casa. Quem sFlavio ela me telefona menos se tiver companhia...
Vovó Q era mãe da mãe de Cain. Fora a minha professora de catecismo durante todo o ensino
fundamental. Também havia nos mandado comida uma vez por semana depois da minha mãe
adoecer.
– Eu tenho um dinheirinho. Estava pensando em ficar em um hotel. Não quero atrapalhar a sua
avó.
Cain riu bem alto.
– Se ela descobrir que você está em um hotel, vai aparecer lá e armar uma confusão. Quando você
se der conta, já vai estar na casa dela. É mais fácil ir para lá logo em vez de provocar uma cena.
Além do mais, Fla, esta cidade só tem um hotel. Tanto você quanto eu sFlaviomos quantas noites de
pegação terminaram lá. No quesito nojinho, é imbatível.
Ele tinha razão.
– Não precisa me levar. Eu posso ir sozinha. A Callie deve estar esperando você – lembrei a ele.
Cain revirou os olhos.
– Não comece, Fla. Você sFlavio como a banda toca. É só estalar os dedos, gata. É só você estalar os
dedos, não precisa nada mais.
Há anos ele me dizia isso. Já era quase uma piada, pelo menos para mim. Meu coração pertencia a
outra pessoa. Dois olhos cor de prata cintilaram na minha memória e a dor irrompeu através do
entorpecimento. Eu sabia a quem o meu coração pertencia e não tinha nem ideia de se um dia
tornaria a vê-lo. Não se quisesse sobreviver.
Vovó Q não me deixaria ficar sentada quietinha, não me deixaria relaxar. Nessa noite eu precisava
de paz, de solidão.
– Cain, eu preciso ficar sozinha hoje à noite. Ela não me deixaria tranquila. Hoje eu preciso
dormir no hotel. Por favor, entenda e ajude a vovó a entender. Só por uma noite.
Exibindo uma careta de frustração, Cain deixou o olhar se perder acima da minha cFlavioça. Sabia
que ele queria fazer perguntas, mas estava sendo cuidadoso.
– Fla, isso está me matando. Eu sei que você está sofrendo, está estampado na sua cara. Vi você
sofrer por muitos anos e isso agora está me devorando aos poucos. Pode se abrir comigo, Fla.
Precisa conversar com alguém.
Ele tinha razão. Eu precisava mesmo conversar com alguém, mas nesse momento a minha maior
preocupação era processar o que havia acontecido. Algum dia eu contaria sobre Rosemary Beach
para ele, pois precisava contar para alguém e Cain era o meu amigo mais próximo.
– Só me dê um pouco de tempo – pedi, erguendo os olhos para ele.
– Tempo. – Ele assentiu. – Faz três anos que eu estou lhe dando tempo. Um pouco mais não vai
fazer mal.
Abri a porta da picape e subi. No dia seguinte estaria pronta para encarar a verdade, os fatos. Eu
iria conseguir... no dia seguinte.
– Você não tem mais celular? Liguei para o número antigo um dia depois de você ir embora e me
deixar aqui, mas estava desativado.
Cameron. Sua expressão ao me implorar para ficar com o telefone sobre o qual ele havia mentido me
atravessou a mente. A dor se tornou um pouco mais profunda.
Fiz que não com a cFlavioça.
– Não, não tenho celular.
A careta de Cain se intensificou.
– Que merda, Fla. Você não deveria ficar sem telefone.
– Mas tenho uma pistola – lembrei a ele.
– Mesmo assim você precisa de um celular. Duvido que algum dia já tenha apontado esse troço
para alguém.
Nisso ele estava enganado. Dei de ombros.
– Arrume um amanhã – ordenou ele.
Embora não tivesse qualquer intenção de arrumar um celular, concordei e fechei a porta da
picape.
Tornei a entrar na estrada de pista única. Percorri quase um quilômetro até o primeiro sinal e
dobrei à direita. O hotel era o segundo prédio à esquerda. Eu nunca tinha me hospedado ali.
Algumas amigas tinham ido para lá depois da festa de formatura, mas essa era uma parte do ensino
médio da qual eu apenas ouvira falar nos corredores.
Pagar pelo quarto foi bem fácil. A moça que atendia no balcão me pareceu conhecida, mas era
mais jovem do que eu. Ainda devia estar no colégio. Peguei a chave e tornei a sair.
O lustroso Range Rover preto estacionado ao lado da minha picape me pareceu totalmente fora
de contexto ali. O coração que eu julgava anestesiado bateu com força dentro do meu peito assim
que deparei com Cameron. Ele estava parado na frente do carro, com as mãos enterradas nos bolsos, me
esperando chegar.
Não imaginava que fosse revê-lo, pelo menos não tão cedo. Tinha deixado bem claro como estava
me sentindo. Como ele chegou até ali? Eu nunca mencionei para ele o nome da minha cidade. Será
que tinha sido o meu pai? Por acaso eles não entendiam que eu queria ficar sozinha?
A porta de um carro bateu, minha atenção foi desviada de Cameron e vi Cain descer da caminhonete
vermelha da Ford que tinha ganhado de formatura.
– Tomara que saiba quem é esse cara, porque ele seguiu você do cemitério até aqui. Reparei que
ele estava no acostamento observando a gente de uma certa distância, mas não falei nada – disse
Cain, aproximando-se depressa e se posicionando ligeiramente na minha frente.
– Eu o conheço – falei, enquanto sentia minha garganta se fechar.
Cain olhou para mim.
– Foi por causa dele que você voltou correndo para casa?
Não. Na verdade, não foi Cameron quem me fez fugir. Foi ele quem me fez querer ficar. Mesmo
sFlaviondo que seria impossível existir algo entre nós a partir de então.
– Não – falei, balançando a cFlavioça e olhando para Cameron. Mesmo sob o luar a sua expressão era de
dor. – O que você está fazendo aqui? – perguntei, mantendo distância.
Ao perceber que eu não iria chegar perto de Cameron, Cain saiu um pouco da minha frente.
– Eu vim porque é aqui que você está – respondeu ele.
Meu Deus, como eu conseguiria passar por aquilo outra vez? Vê-lo e sFlavior que não poderia tê-lo.
SFlavior que o que ele representava sempre iria contaminar qualquer coisa que eu sentisse por ele.
– Cameron, não dá.
Ele deu um passo à frente.
– Blaire, por favor, fale comigo. Tenho tanta coisa para explicar...
Balancei a cFlavioça e dei um passo para trás.
– Não, não dá.
Cameron disse um palavrão e mudou o foco de mim para Cain.
– Pode nos deixar um minuto sozinhos? – pediu.
Cain cruzou os braços na frente do peito e deu mais um passo até ficar na minha frente.
– Não vai dar. Parece que ela não quer conversar. Não sou eu quem vai obrigá-la. Nem você.
Não precisei ver Cameron para sFlavior que Cain acabara de deixá-lo muito puto da vida. Se eu não
interviesse, aquilo iria acabar mal. Passei por Cain e caminhei em direção a Cameron e ao quarto que
havia alugado. Se íamos mesmo conversar, não seria diante de uma plateia.
– Está tudo bem, Cain. Este é o meu irmão postiço, Cameron Dallas. Ele já sFlavio quem você é. Se ele
quer conversar comigo, a gente vai conversar. Pode ir embora. Eu vou ficar bem – falei por cima do
ombro antes de me virar para destrancar a porta do quarto 4A.
– Irmão postiço? Mas espere um instante... Cameron Dallas? O filho único do Dean Finlay? Caraca,
Fla, você é parente de um astro do rock!
Eu tinha me esquecido o quanto Cain era fã de bandas de rock. É claro que ele sabia quem era o
filho único do baterista do Slacker Demon.
– Pode ir, Cain – repeti.
Abri a porta e entrei no quarto.
 



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