História Paixão sem limites - Capítulo 27


Escrita por: ~

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Categorias Flavia Pavanelli, Jack & Jack, Magcon
Personagens Cameron Dallas, Flavia Pavanelli
Tags Cameron Dallas, Flavia Pavanelli
Exibições 114
Palavras 1.847
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Famí­lia, Festa
Avisos: Álcool, Drogas, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 27 - 26



Dentro do quarto, afastei-me de Cameron o máximo que consegui. Só parei quando cheguei à parede
do outro lado.
Ele entrou atrás de mim e fechou a porta. Parecia estar me devorando com os olhos.
– Pode falar. Ande logo. Quero você fora daqui – falei.
Minhas palavras o fizeram se retrair. Eu não iria me permitir sentir pena dele. Não podia fazer
isso.
– Eu te amo.
Não. Ele não estava dizendo isso. Balancei a cabeça. Não, eu não estava escutando aquilo. Ele não
me amava. Não podia me amar. Quem amava não mentia.
– Sei que as minhas ações não parecem confirmar isso, mas você tem que me deixar explicar. Gata,
pelo amor de Deus, eu não aguento ver você sofrendo tanto.
Ele não fazia ideia do tamanho da minha dor. Sabia o quanto eu amava a minha mãe, o quanto ela
era importante para mim e tudo que eu havia sacrificado. Sabia de tudo isso, mas mesmo assim não
me contara o que a sua família pensava sobre ela. O que ele pensava sobre ela. Eu não podia amar
isso. Não podia amar Cameron. Eu jamais poderia amar alguém que zombasse da lembrança da minha
mãe. Nunca.
– Nada do que você possa dizer vai consertar o que aconteceu. Ela era a minha mãe, Cameron. A única
lembrança na minha vida que contém algo de bom. Ela é o centro de todos os instantes felizes que
eu tive na infância. E você... – Fechei os olhos, sem conseguir olhar para ele. – Você e... e eles... vocês
desgraçaram a minha mãe com aquelas mentiras horríveis que disseram como se fossem a verdade.
– Eu sinto muito que você tenha ficado sabendo desse jeito. Queria ter contado. No começo, você
era só alguém com potencial para magoar Sie. Pensei que fosse causar mais dor para ela. O
problema foi que você me deixou fascinado. Confesso que senti uma atração imediata, porque você
é linda. Sua beleza é de tirar o fôlego e eu a odiei por isso. Não queria sentir atração por você, mas
senti. Já na primeira noite fiquei louco por você. O simples fato de estar perto de você, meu Deus...
eu inventava motivos para procurá-la. Aí... aí conheci você melhor. Fiquei hipnotizado pela sua
risada. Era o som mais incrível que eu já tinha escutado. E você era tão honesta, tão determinada...
não ficava choramingando nem reclamando. Pegava o que a vida lhe dava e fazia o melhor possível.
Eu não estava acostumado com isso. Sempre que a observava, sempre que chegava perto de você, me
apaixonava mais um pouco.
Ele deu um passo na minha direção e eu ergui as duas mãos para detê-lo. Estava respirando fundo,
não queria chorar outra vez. Mas se ele precisava me dizer tudo aquilo e me deixar ainda mais
arrasada, iria escutar. Iria conceder a ele aquele instante de conclusão, pois sabia que jamais teria o
meu.
– Aí teve aquela noite no bar country. Depois daquilo, eu passei a ser completamente seu. Talvez
você não tenha percebido, mas fui fisgado; para mim não tinha mais volta. Eu tinha muitas coisas
pelas quais precisava me redimir. Tinha transformado a sua vida em um inferno desde a sua chegada
e me odiei por isso. Eu quis lhe dar o mundo inteiro, mas sabia... sabia quem você era. Quando me
permitia recordar exatamente quem você era, eu recuava. Como podia estar tão completamente
envolvido com a garota que personificava a dor da minha irmã?
Tapei os ouvidos.
– Não. Eu não quero escutar isso. Saia daqui, Cameron. Agora! – berrei.
Não queria ouvir falar em Sie. As palavras imundas que ela tinha dito sobre a minha mãe
ecoavam na minha mente. Senti no peito uma ânsia de gritar, qualquer coisa para abafá-las.
– No dia em que a minha mãe chegou do hospital com ela, eu tinha 3 anos, mas me lembro bem.
Ela era tão pequenininha. Eu tinha receio de que alguma coisa acontecesse com ela. Mamãe chorava
muito e Sie também. Eu cresci depressa. Quando Sie fez 3 anos, eu já fazia tudo para ela. Desde
preparar o café da manhã até colocá-la para dormir. Nossa mãe a essa altura havia se casado de
novo e agora tínhamos Grant. Nunca houve estabilidade nenhuma. Na verdade, eu ansiava pelas
vezes em que o meu pai vinha me buscar, porque assim passava alguns dias sem ficar responsável por
Sie. Podia tirar uma folga. Aí ela começou a perguntar por que eu tinha pai e ela não.
– Chega! – alertei, afastando-me ainda mais dele.
Por que Cameron estava fazendo aquilo comigo?
– Flavia, eu preciso que você me escute. É o único jeito de você entender. – Sua voz estava
embargada. – Mamãe respondia que Sie não tinha pai porque era uma menina especial, mas isso
não funcionou por muito tempo. Exigi que ela me dissesse quem era o pai de Sie. Queria que fosse
o mesmo que o meu, pois sabia que o meu pai a levaria para passear, mas ela me disse que o pai de
Sie tinha outra família, que tinha duas filhinhas que amava mais do que a Sie. Ele queria essas
meninas, mas não queria Sie. Eu não conseguia entender como alguém podia não querer Sie.
Afinal, ela era a minha irmãzinha. É claro que havia momentos em que eu queria matá-la, mas a
amava loucamente. Aí chegou o dia em que mamãe a levou para visitar a família que o seu pai tinha
escolhido. Depois da visita, ela passou meses chorando.
Cameron se calou e eu me deixei cair sentada em cima da cama. Ele iria me obrigar a escutar aquilo.
Eu não conseguia fazê-lo parar.
– Eu odiei aquelas meninas. Odiei essa família que o pai de Sie tinha escolhido no seu lugar. Jurei
que um dia o faria pagar. Sie vivia dizendo que um dia ele talvez fosse visitá-la. Ficava sonhando
que ele iria querer vê-la. Passei anos ouvindo esses sonhos. Quando fiz 19 anos, fui atrás dele. Sabia
como ele se chamava e o encontrei. Deixei para ele uma foto de Sie com o nosso endereço escrito
atrás. Disse que ele tinha outra filha que era especial e que ela só queria conhecê-lo. Conversar com
ele.
Isso acontecera havia cinco anos. Senti um nó na barriga e fiquei enjoada. Cinco anos atrás, eu
havia perdido Valerie. Cinco anos atrás, o meu pai tinha ido embora de casa.
– Eu fiz isso porque amava a minha irmã. Não tinha a menor ideia do que a outra família dele
estava enfrentando e, para ser bem sincero, não estava nem aí. Minha única preocupação era Sie.
Vocês eram o inimigo. Aí você surgiu na minha casa e virou o meu mundo de pernas para o ar.
Sempre jurei que nunca me sentiria culpado por separar aquela família. Afinal de contas, ela tinha
separado Sie do pai. A cada instante que eu passava com você, a culpa pelo que tinha feito
começou a me devorar vivo. Quando vi a expressão nos seus olhos na noite em que você me contou
sobre a sua irmã e a sua mãe... meu Deus, Flavia, eu juro que nessa noite você arrancou o meu
coração. Eu nunca vou me esquecer.
Ele andou até mim e não consegui me mexer.
Eu entendia, entendia mesmo. Mas a compreensão vinha junto com um desânimo sem fim. Era
tudo mentira, minha vida inteira era uma mentira. Todas aquelas lembranças, os natais em que
mamãe fazia biscoitos e papai segurava Valerie e eu no colo para podermos decorar o topo da
árvore... tudo isso era falso. Não podia ser real. Eu acreditava em Cameron, mas isso não mudava a
maneira como via a minha mãe. Ela não estava ali para contar sua versão da história. Eu sabia o
suficiente para ter certeza da sua inocência. Ela não podia ser nada além de inocente. O único
responsável por aquilo tudo era o meu pai.
– Eu juro que, por mais que ame a minha irmã, se pudesse voltar atrás e mudar as coisas, eu o faria.
Eu nunca teria ido falar com o seu pai. Nunca. Flavia, eu sinto muito. Porra, eu sinto muito.
A voz dele falhou e, quando ergui os olhos, vi que os seus estavam marejados, embora as lágrimas
ainda não tivessem começado a escorrer.
Se ele não tivesse procurado o meu pai, as coisas teriam sido muito diferentes. Só que, por mais
que quiséssemos, nenhum de nós dois podia mudar o passado. Nenhum de nós dois podia consertar
aquilo. Sie agora tinha o seu pai, tinha o que sempre quisera ter. Georgianna também.
Já eu só tinha a mim mesma.
– Eu não posso dizer que o perdoo – falei, porque de fato não podia. – Só posso dizer que entendo
por que você fez o que fez. Mas o que fez transformou o meu mundo e nada vai mudar isso. Nunca.
Uma lágrima solitária escorreu pelo rosto de Cameron. Eu não podia estender a mão para enxugá-la,
da mesma forma que já não tinha mais lágrimas para chorar.
– Eu não quero perder você. Estou apaixonado por você, Flavia. Nunca quis nada nem ninguém
como quero você. Não consigo imaginar o meu mundo sem a sua presença.
Eu sempre teria apenas a mim. Porque aquele homem tinha pegado o meu coração e destruído,
mesmo sem querer. Eu jamais teria confiança suficiente para amar outra vez.
– Cameron, eu não posso te amar.
Um soluço engasgado sacudiu o seu corpo e ele deitou a cabeça no meu colo. Não o consolei; não
podia fazê-lo. Como aliviar a sua dor quando a minha era um buraco imenso, grande o suficiente
para comportar nós dois?
– Você não precisa me amar. Só não me deixe – disse ele, enlaçando minha perna.
Será que a minha vida seria sempre cheia de perdas? Eu não pude dizer adeus à minha irmã
quando ela foi embora naquele dia para nunca mais voltar. Eu me recusei a dizer adeus à minha mãe
na manhã em que ela me disse que estava quase na hora, fechou os olhos e nunca mais os abriu.
Sabia que, quando Cameron saísse daquele quarto, seria a última vez que o veria. Seria o nosso último
adeus. Eu não conseguiria seguir com a minha vida caso Cameron fizesse parte dela, pois ele sempre iria
prejudicar a minha recuperação.
Só que dessa vez eu queria o meu adeus. Aquele era o meu derradeiro adeus, e dessa vez eu queria
uma chance de fazer as coisas direito. Não consegui pronunciar as palavras porque elas se
recusaram a sair da minha boca. A necessidade de proteger o nome da minha mãe era um obstáculo
entre mim e as palavras que eu sabia que Cameron precisava escutar. Eu não podia dizer a ele que o
perdoava sabendo que ele era o motivo pelo qual o meu pai tinha desaparecido para sempre.
Naquele dia, mesmo sem saber o estrago que aquela foto iria causar, ele tinha levado o meu pai
embora.
Nada disso mudava o que eu sentia por Cameron antes de ele fazer o meu mundo explodir em um
milhão de pedacinhos. E dessa vez eu iria ter a minha despedida.
 


Notas Finais


estamos no penultimo capitulo.


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