História Palavras nunca ditas - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias Fairy Tail
Exibições 28
Palavras 1.289
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Heterossexualidade
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Oi, pessoas! Aqui está o primeiro capítulo da fic, espero que gostem e boa leitura!

Capítulo 2 - Devastada


Fanfic / Fanfiction Palavras nunca ditas - Capítulo 2 - Devastada

Eu tinha a impressão de que havia levado um tiro bem em meu coração, mas ainda sentia meus batimentos cardíacos acelerados. Ainda não havia conseguido associar a informação de que Natsu estava morto. Se não havia conseguido mesmo depois de uma semana de sua morte, penso que nunca conseguiria. 

A memória de eu segurando seu cadáver frio com os olhos entreabertos, dava-me pesadelos. Ele não era meu marido. Ele não era o homem com quem me casei. O homem com quem me casei tinha vida, aquele não tinha. Parecia até um boneco de tão inexpressivo, mas agora era um boneco enterrado. 

Nem no último instante, quando me ajoelhei com dificuldade em frente ao seu caixão para lhe dar um beijo na testa antes de o enterrarem, eu não conseguia reconhecê-lo. Era frustrante demais. Eu até cogitei a ideia de dizer que haviam confundido Natsu com alguma outra pessoa, mas permaneci calada para que minhas amigas não pensassem que eu estava ficando louca. 

Bom, talvez eu já estivesse e não sabia.

Minha companhia nos dias seguintes ao enterro foram: a cama de casal e o teto do quarto. Se não fosse pelo bebê que não parava de se remexer dentro de mim, o único pedaço vivo que eu ainda tinha de meu marido, eu não comeria. Eu desistiria de tudo e esperaria a morte confortavelmente. Porém, eu prometi a mim mesma que cuidaria de minha criança, não importando o que houvesse.

Eu havia dormido em meio a tais pensamentos e acordei, mais ou menos, às 19h00. Meu estômago roncou e eu quase virei para o lado e dormi novamente, ignorando o fato, mas recebi um leve chute em meu ventre que me obrigou a levantar. 

Dirigi-me à cozinha e, como um robô, automaticamente abri o freezer e peguei a última lasanha congelada que havia. Coloquei no microondas para descongelar e fui ao banheiro, tentando não desviar meus olhos para o espelho. 

Achei meu celular em cima da pia ao lado do sabonete, peguei-o e vi as mensagens que minhas amigas me mandavam. Eu respondia todas com um "ainda estou viva" e voltava para a cama, mas creio que isso as deixavam mais preocupadas.

Lavei o rosto e inconsequentemente vi meu reflexo no espelho, completamente pálido e cheio de olheiras, com os olhos castanhos sem vida e parecendo ter emagrecido um pouco e ter estagnado numa quantidade de massa corporal adequada à situação. Meus olhos ainda estavam inchados de tanto chorar, mas eu sempre me perguntava do que chorar adiantaria. 

— O que está fazendo com você, Lucy...? — sussurrei para ninguém além de mim mesma e senti novas lágrimas correndo por minha face. — Eu que estou irreconhecível agora. — solucei e depositei uma mão sobre meu ventre. — Desculpe estar fazendo isso com você. Eu sinto muito mesmo. — sussurrei ao bebê que se manteve quieto desde minha ida à cozinha. 

Enxuguei as lágrimas insistentes e ouvi o apitar do microondas, indicando que meu jantar estava pronto. Coloquei um pedaço da lasanha em um prato, peguei um garfo e fui para a varanda. Sentei-me no banco de madeira que costumava ficar eu e Natsu todas as noites possíveis, observando as estrelas. 

Aqueles astros antes tão iluminados, desde aquele dia, não brilhavam mais como quando estávamos juntos. Eram simplesmente pontos luminosos no céu. Sem nenhum valor ou curiosidade. 

Apenas estrelas

Cansada de olhar aquele céu nada atraente, voltei para dentro assim que acabei de comer. Tampei o restante da lasanha que serviria como almoço no dia seguinte e fui até o banheiro tomar um banho, pois ao menos isso eu tinha de fazer.

As lágrimas se misturavam com a água quente do chuveiro, fazendo parecer que meu choro nada mais era que gotas de águas insignificantes. Eu queria que ele fosse isso, mas o sentimento por trás daquelas lágrimas não permitiria, certo? 

Assim que saí do banho, enrolada na toalha, ouvi o telefone tocar. Meu coração deu um pulo e um pânico familiar me invadiu, tomando conta do meu peito e o apertando em angústia. Tive de ir atender, pois no meio daquele pânico ainda existia esperança. 

— Alô? — sussurrei insegura. 

— Lucy! — a voz aliviada de Levy soou em meus ouvidos. As batidas de meu coração se acalmaram e eu respirei fundo. 

— Sim, eu ainda não morri. — "ainda não", pensei comigo mesma. Eu queria tanto assim deixar esse lugar? 

— Fico feliz por isso. Quer vir dormir aqui em casa? Eu te busco de carro. — suspirei. Sentia-me razoavelmente amada, mas era tão difícil entender que eu queria estar sozinha? 

— Ainda não estou pronta pra isso, Levy. 

— Hoje é o quarto dia que ligo aí e ofereço algo de diferente, mas você sempre responde a mesma coisa. — suspirou preocupada. 

— Desculpe. Mas preciso apenas de mais um tempo. Obrigada por preocupar. — fui direta, querendo desligar. 

— Passarei aí amanhã às 17h00. Esteja pronta porque iremos sair. — desligou antes que eu pudesse responder, fazendo com que um suspiro cansado escapasse de minha garganta. Porém, não pude deixar de sorrir de canto. O primeiro sorriso que dei nos últimos dias, realmente revigorante. 

Vesti uma camiseta antiga de Natsu e um short de cetim por cima da calcinha que eu havia colocado momentos atrás. Fui até o guarda-roupa e procurei por alguma coisa que eu não havia visto de meu marido. Toda noite eu gostava de ver seus pertences, como uma forma de me reconectar a ele. 

— O que será isso? — sussurrei curiosa ao ver uma caixa atrás de inúmeras roupas. Com cuidado, tirei-a de lá e a coloquei em cima da cama. 

Ao abrir a tampa da caixa sem nenhuma expectativa, deparei-me com inúmeras cartas organizadas em pilhas. O interior do objeto era maior do que aparentava ser exteriormente, o que explicava o fato de várias cartas estarem lá. 

— "Para: A loirinha do mercado, De: Natsu Dragneel"? — meus olhos se arregalaram ao ver a data daquela carta. Era o mesmo dia em que minha mãe havia ido parar no hospital depois de ter dado uma leve desidratação. Como ela queria chocolate, fui até o mercado que ficava mais próximo do hospital. Abri a carta num ruído silencioso e comecei a lê-la. Tudo escrito nos mais mínimos detalhes, com a caligrafia péssima de Natsu. 

"Cara loirinha, 

Eu me pergunto por que você estava tão interessada em mim hoje lá no mercado. Sabe, eu fui até lá por ordem do meu pai para comprar algumas frutas, mas se eu soubesse de que estaria lá, teria ido mais cedo. 

Assim que entrou no estabelecimento, você me chamou a atenção por dois motivos: trajava um uniforme da escola da qual eu queria fazer parte — a Fairy Tail — e por ser loira. Seus fios dourados eram realmente chamativos, ainda mais com um laço rosa choque os prendendo — não pense que eu achei feio, pois você estava linda. 

Quando percebeu que tinha alguém olhando para você, suas orbes castanhas caíram sobre mim, deixando-me envergonhado, por isso desviei o olhar, mas logo tornei a olhá-la. Percebi que, após me fitar dos pés a cabeça, você se sentiu mais interessada em meu cabelo cor de rosa e segurou uma risada. Na hora, fiquei bem sem graça, mas depois percebi que seu sorriso era tão lindo que não importava meu cabelo ser horroroso, pois, afinal, o motivo de sua risada era ele. 

Escrevo a carta com interesse de dá-la a você algum dia, mas não espere muito de mim. Sou bem lerdo... Mas tomara que isso não a incomode. 

Abraços do seu futuro colega de classe (estou me esforçando para isso), 

Natsu Dragneel."

Lendo aquela carta, memórias daquele mercado voltaram à minha mente. Com um sorriso verdadeiro em meus lábios, percebi que estava conectada a ele novamente e de que não precisava mais ter medo, pois ele estava ali, ao meu lado.


Notas Finais


Obrigada por lerem! ^^


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