História Paleta de Flores - Capítulo 13


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, Kai, Lay, Lu Han, Sehun, Suho, Xiumin
Tags Baekyeol, Chanbaek
Visualizações 777
Palavras 4.617
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Lemon, Romance e Novela, Shonen-Ai, Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yaoi
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá, amorecos!

Faz tempo que PDF não ganha atualização porque andei correndo com algumas coisas, principalmente essa segunda remessa do livro de Rosa Azul.

Mas, enfim, esse capítulo é de extrema importância, porque aqui Baekhyun decide que vai voltar a viver, percebe que ainda tem pessoas ao seu redor que o amam (de diferentes formas), e que não quer que o relacionamento passado coloque um ponto final na sua vida, porque ele quer ir em frente, e vai. Não é do dia para noite que vai ficar tudo bem, e também não existe esse papo mirrado de que amor cura qualquer dor, porque se amor não cura câncer, amor não cura trauma. Tem coisas que só com ajuda psicológica sim, e apoio, e compreensão, e isso tudo só para começar. A grande maior parte do capítulo é sobre os amigos de Baekhyun, porque o apoio é uma das partes mais importantes da superação. E também, porque entre os beijos e as risadas, é saudável escolher pelas risadas em alguns pontos.

Ah. A amiga do Baekhyun é a Joy do Red Velvet sim por motivos de: minha bias. Ok? Ok!

Eu já falei demais. MIL PERDÕES! Nos vamos nas notas finais!

Capítulo 13 - As Risadas


Era uma tarde morna, sem nada a mais a acrescentar ou possível de ser notado.

Era tempo de ouvir cantigas melancólicas, beber cappuccino e observar os carros passando, como em todos os outros dias. Era o período taciturno que se repetia sempre, porém, aquele sábado era um marco histórico na cronologia vivida pelo rapaz de cabelos negros e sorriso sumido. Em alguns dias, voltaria a estudar. Na mesa mais reclusa de uma padaria qualquer, Byun Baekhyun acenava em concordância ao fim da história que Kim Jongin contou.

Seus amigos, Kim Minseok, Kim Joonmyeon, Zhang Yixing e Park Sooyoung, revezavam entre atentamente encarar Jongin que falava, e boquiabertos observarem Baekhyun que concordava.

Quando Jongin finalmente acabava de falar, era a vez de Baekhyun respirar fundo e tentar, nem que fosse lentamente, adicionar à história mais detalhes e um realismo extremamente doloroso: Era a primeira vez que colocava em palavras tudo o que lhe havia acontecido.

Não havia contado nem completamente a Chanyeol — pois lhe fazia mal a forma compadecida que lhe olhava —, tampouco a Jongin — que lhe pressionava tanto a buscar ajuda, que se soubesse de tudo, enlouqueceria. Ia, realmente, deixar que o amigo contasse o que sabia da história e deixariam por isso mesmo, mas em dado momento se sentiu tão diminuído que precisou falar. Não queria ser o martírio emoldurado. A vítima desamparada. Não podia deixar somente Jongin dar voz ao que passou. Os quatro fiéis escudeiros — que morriam de saudade de Baekhyun — estavam quase tão chocados quanto Sehun, que mal respirava, pálido, no cantinho daquele canto alemão.

Contou-lhes sobre as traições, os detalhes das agressões físicas, dos abusos sexuais, mas, agora, deu maior importância a algo que não havia percebido antes: contou-lhes, principalmente, sobre os abusos morais e psicológicos, e sobre como tentava contornar a situação jogando a culpa em suas costas. Disfarçando para que não encarasse a realidade de que Lu Han havia se tornado um monstro.

Mesmo que ele e seus amigos tivessem chorado, ali naquela mesa, que houvesse comoção e dor e angústia, Baekhyun chegou a se surpreender pelo que saía de sua boca. Era quase inaceitável de se ouvir. Mas era completamente diferente de se viver.

Qualquer um diria, logo na primeira vez em que seu agressor gritou enciumado: se separe desse maluco! Baekhyun também diria a si mesmo, assim, se fosse visto de fora, que é do lado mais fácil de se opinar. Mas numa relação de verdade, há muito além do que podem ver os olhos. O dano psicológico é absurdamente maior do que o dano físico. O medo, as dores, a angústia, geram um indivíduo quase incapaz de pedir ajuda. Porque, geralmente, o agressor faz parecer que é algo banal, e que é culpa da vítima que desencadeou tudo.

Ele o destruía, e depois vinha como uma serpente, se enrolando em suas pernas. Lentamente, querendo dar o bote, mas fingindo que só queria um abraço.

Eu estou sofrendo também, ele dizia.

Eu te amo tanto, você não entende?

Se você me amasse mais você ia perceber.

Você é um ingrato.

Eu amo você.

Você não está se esforçando por nós dois.

Eu te amo.

Eu poderia estar com qualquer um, mas escolhi você.

Naquela noite eu errei, parecia um monstro, mas é porque me joguei de cabeça nessa paixão, é culpa minha.

Eu preciso de você.

Se você soubesse o quanto eu te amo, você não me trataria assim.

Eu não posso te perder.

E, assim, aquela boca maldita fazia parecer que não era ele o culpado. Que era amor. Que se o outro se esforçasse mais por ele, que se o amasse mais, tudo ficaria bem. Assim iria, até que lhe tirasse a vida. Pois seria somente aquele o ponto final com aquele tipo asqueroso de monstro: o monstro que sorri, que abraça, que brilha os olhos ao dizer que ama, mas só devasta. Despedaça, pedaço por pedaço, até sobrar somente a carcaça.

— Mas como que você conseguia ficar do lado dele sabendo que ele te traía 3 por 4? Dizia que te amava e ia lá te trair e depois voltava e só te machucava e... nossa, eu teria matado aquele desgraçado — Sooyoung estava tão nervosa e enjoada que tremia.

— Eu dava graças a Deus que ele me traía pra não ficar em cima de mim tentando tirar a minha roupa — respondeu, meio sorrindo da própria desgraça.

Sehun se remexeu no canto. Desconfortável. Desconfortável.

— Você já pegou ele alguma vez com outra pessoa? — Minseok quase subia na mesa.

— Nossa, várias vezes. Tinha dias que eu ia atrás dele porque achava que ele tinha ficado bêbado e se metido em confusão, mas aí quando chegava ele estava sempre com alguém. É que o maldito é bonito, né? Sozinho ele não fica, o doente. E o pior é que o babaca ainda saiu inventando história para parecer que o problema sou eu e ele é o santo — replicou e ficou contente. Era a primeira vez que realmente o xingava, que aprendia que poderia, sim, odiá-lo. Oh Sehun nem respirava, Kim Jongin não sabia o que dizer. Então Baekhyun quis dar fim àquele assunto. — Então, foi por isso que eu sumi. Desculpem não dizer nada, mas agora passou. Tô bem.

— Ca-ra-lho — foi o que Sooyoung conseguiu balbuciar, abaixando a cabeça, deixando que seus cabelos avermelhados caíssem sobre seu rosto como cai uma cortina a tapar uma janela.

— Eu ia dizer que os lanches esfriaram mas não foram só os lanches, eu também tô gelado de tão apavorado. Imagina, isso tudo acontecendo e a gente xingando o Baek por ele ter deixado a gente de lado? Eu tô gelado. Eu tô simplesmente gelado — Joonmyeon dizia com a boca mole, pálido, desolado. Ajeitava para trás seu cabelo em tom chocolate, afrouxava os botões de sua camisa social branca.

— Eu perdi o apetite — Minseok se jogava de costas no acento vermelho almofadado, cruzando os braços. Levou uma mão sobre a testa, afastando os cabelos pretos, escondendo o rosto. Depois a mão descia à boca, para então cruzar os braços novamente e repetir várias vezes o processo de confusão em que não sabia com que pose deveria ficar, pois tudo o que lhe restava era asco. E raiva. Muita raiva.

— Me dá isso aqui que eu preciso comer — Yixing juntava todas as comidas na mesa em uma pilha, levando tudo à boca e engolindo quase sem mastigar.

— E agora? Como vai ser? — Minseok perguntava, irritado.

— O Baekhyun já sabe o que tem que fazer, agora é ir no tempo dele, né — Jongin apoiava os cotovelos à mesa, olhando no fundo dos olhos de Minseok. — Porque, olha, botar ele na cadeia não vai ser difícil, mas acho que a gente tem que se preocupar mais com o bem-estar do Baekhyun primeiro, que isso fez e ainda tá fazendo um mal desgraçado pro psicológico dele.

— Sim, eu vou conversar com um psicólogo e tudo mais. Mas só... não agora. Mais pra frente — respondeu, passando o olhar sobre todos eles, se demorando um pouco em Sehun que ainda parecia não respirar.

Minseok bufou. Tentou se controlar, e com a falha, deu um tapa na mesa.

— Cadê esse desgraçado? Na aula ele não vai faz um tempão, trancou a matrícula mês passado. Eu quero saber é onde é que ele tá.

— Reabilitação — Sehun conseguiu responder.

É o quê? — Yixing perguntou com a boca cheia.

— Reabilitação. Ele é alcóolatra, lembra? — Joonmyeon dizia ao amigo. — Mas onde, exatamente, ele está?

Todos se viravam para Sehun, que não somente se sentiu contra a parede pelos olhares, mas por perceber, ali, naquele instante, que talvez estivesse sendo feito de idiota.

— Eu também não sei, ele só disse que ia pra reabilitação — crispou as sobrancelhas. Naquele momento, aquela informação lhe parecia completamente estranha, e também era algo conveniente para Lu Han lhe dizer, agora que Sehun sabia da verdade.

— Foi é o cacete, aposto que tá em casa assistindo televisão como se nada tivesse acontecido — Sooyoung estalava a língua, balançando a cabeça.

— Você fala com ele? — Joonmyeon perguntava.

— Infelizmente, falo. Alguém precisa convencer ele a se tratar, pra ele ver logo o quão doentio ele foi e ainda pode ser, e pra ele ir pra cadeia de uma vez.

— Que bom que você é quem tá tentando convencer ele, porque eu não teria estômago pra isso — Jongin resmungou.

— Eu posso ir atrás dele e quebrar ele na porrada? — Minseok, agora, cuidava de seu tom, dirigindo-se a Baekhyun.

Eu também vou — Yixing engolia forçado para dizer.

— Eu com certeza estarei lá — Joonmyeon acrescentava.

— Tô dentro — Sooyoung dizia.

— Eu tô mais do que dentro, eu já tô lá — Jongin o encarava.

— Ninguém vai quebrar ninguém na porrada aqui — Baekhyun quase perdia a paciência. — Eu... eu tô tentando ir com calma pra não mexer tanto nisso, porque me faz muito mal — sua respiração tremeu, e houve o completo silêncio. Os quatro nunca o haviam visto naquele estado. Baekhyun não estava chorando mas parecia completamente quebrado. Em respeito, e vendo as lágrimas que voltavam a cair lentamente, ficaram quietos e o ouviram falar. — Eu não quero ver ele, não quero falar nem ouvir o nome dele, eu não quero saber dele. Vocês irem lá bater nele, ou seja lá o que vocês planejam, não vai adiantar nada e não vai mudar nada. Eu ainda vou ter que ir pro psicólogo mais tarde, e ainda vai ficar sob minha responsabilidade denunciar e enfrentar um processo judicial e tudo mais. Só que isso não vai ser hoje, porque, realmente, não me faz bem nada disso, ok? Eu não consigo agora. Eu não tô pronto. O que aconteceu já aconteceu e não é vocês indo atrás dele que vai resolver qualquer coisa.

Minseok foi o primeiro a se levantar e ir abraçá-lo, seguido pelos outros, com exceção de Sehun, que parecia sufocado demais. Ali, enquanto ninguém de fora podia ver o seu rosto, Baekhyun chorou, chorou de verdade uma outra vez. E Minseok, Joonmyeon, Yixing, Sooyoung e Jongin choraram com ele, porque era uma lástima. Era terrível que uma pessoa tivesse destruído outra de tal forma, como se lhe roubasse sua alma, personalidade, sorrisos, tudo.

Jongin queria ter conhecido Baekhyun, Byun Baekhyun antes de ser devastado por Lu Han. Antes de ter medo de sair em público. Antes de ficar sensível ao ponto de chorar em qualquer lugar quando não aguentava mais fingir. Antes de tremer de medo por qualquer coisa. Antes de entrar em pânico por causa de um nome. Antes de começar a falar menos. Antes de começar a se isolar. Antes de ser destruído.

Anterior a entrarem no assunto, ainda naquela tarde, os amigos de faculdade haviam dito como ele estava diferente. Ele era alguém com luz própria, agora parecia não muito mais do que uma chama de vela se apagando. Dava para ver a diferença até no seu jeito de falar. Antes, todos gostavam dele, riam com ele, o queriam por perto. Chamava atenção onde passasse, não exatamente pela sua beleza, mas por ter algo que magnetizava as pessoas ao seu redor. Baekhyun era alguém cheio de vida. Era interessante, divertido, afetivo, dedicado. Agora era fagulha quase morta, pisoteada.

Minseok, Joonmyeon, Yixing e Sooyoung choravam, mas não pelo monstro que nem chegaram a presenciar. Choravam porque ele havia lhes tirado um melhor amigo, que agora era somente um punhado de estilhaços. Jongin já não chorava mais de raiva. Agora se lamentava por não ter chegado mais cedo, antes dele ter sido quebrado.

Baekhyun contou, em meio àquele amontoado de pessoas a lhe abraçar, todos os seus traumas e efeitos colaterais.

Tudo o que lhe fazia entrar em pânico; a certeza de estar sempre sendo observado; o medo de estar em público, o pavor sempre que encostavam em seu corpo; o nojo por entretenimento que contivesse amor, beijos e qualquer sinal de sexualidade; a dificuldade que teve em aceitar um novo amor e deixar que lhe tocasse; o medo de ficar sozinho; a autoestima completamente apagada; a insegurança inteiramente aflorada; contou tudo, todas as mil coisas que seu psicológico o obrigava a ter como certo, pois a meses já funcionava do jeito errado.

— Eu não aguento isso — Sehun dizia, com os olhos transbordando em lágrimas, saindo de perto deles. A dor que sentiam, doía de forma diferente nele. A dor da culpa. Sehun se sentia horrível. Usado. Culpado.

— Onde você vai? — Jongin o tocava com carinho, ainda choramingando.

— Eu vou fumar — falou assim que parou, olhando-o desolado.

— Mas você parou tem 3 anos — suplicou.

— Eu preciso — e se virou, pois as lágrimas eclodiram com tanta força que sentiu vergonha.

— Desculpa ter causado isso, eu — Baekhyun começou, e Jongin ergueu a voz.

— Ei! Para de pensar que é culpa sua. Tá todo mundo mal porque se importa com você, mas a culpa não é sua se aquele babaca foi um merda e fez o que fez. O Sehun tá aguentando uma barra faz um tempão, e... Droga, ele... Eu vou lá falar com ele. Ele nunca fala o que tá sentindo — contou nervoso, indo atrás do outro rapaz.

— Que droga, a gente não se vê faz um tempão, e quando a gente se encontra só ficamos chorando por causa de um cara escroto desses — Joonmyeon falou, e então todos riram. Ele nunca gostou de Lu Han, nem mesmo quando ele era apenas um colega de classe, antes de se aproximar de Baekhyun. O ódio à primeira vista de Joonmyeon para com Lu Han era uma longa história.

— Vocês desconfiavam que eu gosto de caras ou...? — Byun perguntava, já um pouco mais aliviado daquele peso. Voltaram para os lugares originais, limpando as lágrimas.

— Rá! Você acha que não? A gente sempre soube — Minseok respondeu convencido.

Todos se esforçavam, a todo custo, a sustentar uma conversa saudável, mesmo que fosse difícil. Fariam de tudo porque não aguentavam mais. Precisavam ver Baekhyun sorrindo. Fariam do possível ao reverso para que ele pudesse ficar bem. Naquele instante, todos os quatro transbordavam em rancores, e o desejo operante era poder aniquilar a existência de Lu Han. Mas, como a afeição por Baekhyun era muito maior, engoliram tudo o que tinham e se empenharam em fazê-lo sorrir.

Sempre soube — Yixing confirmava, comendo o X-Burger que outrora foi de Sooyoung.

— Na verdade a gente só desconfiava, seu bando de mentirosos — ela corrigia.

— Assim, a gente não suspeitava de nada, não. Mas aí chegou aquele FILHO DE UMA PUTA — Joonmyeon se deu o trabalho se separar em sílabas para não ter que repetir o nome dele — e foi se aproximando e tudo mais. E até aí tudo bem, mas aí vocês começaram a andar juntos demais e aí a gente começou a ligar um ponto no outro.

— Até porque você podia escolher a dedo com quem você queria sair que toda menina da nossa sala, e do bloco todo, e de todas as festas que a gente ia, todas elas só tinham olhos pra você e você nem aí — Yixing engolia forçado outra vez. — Você sabe como é difícil ser hétero e ser seu amigo!? Porque eu vejo mil a fim de ti, e você nem puft, e eu ali, e elas nem me olham! A única menina que me olha é a Sooyoung, mas ela não me olha daquele jeito.

Baekhyun gargalhou junto deles. Yixing reclamando com a boca cheia de comida era uma das coisas que mais sentia falta.

— De que jeito que eu não te olho? — Sooyoung instigou, porque todos adoravam ouvir Yixing dizendo aquelas bobeiras sem fim, então sempre davam corda.

— Do jeito que você olha pro Minseok — respondeu depois de outra mordida.

— Uooooou — Joonmyeon e Baekhyun se encararam boquiabertos como crianças do ensino fundamental olham entusiasmadas uma imperdível briga de escola.

— Yixing, você sabe o que significa o termo “deitar na bicuda”, meu amigo querido e amado? — Minseok rugia, tentando fingir calma, se adiantando para que Sooyoung não tivesse que se dar ao trabalho de ficar com vergonha ou tentar responder o chinês.

— Sei não — respondia.

— É o que eu vou fazer com você, seu palhaço, sem noção — o puxava pelo pescoço. Mas eles todos somente riram.

— Mas, então, Baekhyun — Joonmyeon fugiu do tópico — por que seu namorado não veio?

— Ah. Ele tinha uns negócios do banco pra resolver, daí nem conseguiu vir. Eu acho que ele já deve estar em casa agora, mas provavelmente está cansado ou estressado — replicou vendo as horas no display do celular. — Se vocês quiserem, podemos marcar um dia pra conhecerem ele.

— Acho a ideia maravilhosa — Sooyoung respondeu contente, enquanto Sehun e Jongin voltavam quietos para junto deles.

— E como é esse tal cara? — Minseok inquiriu um pouco áspero, preocupado com o amigo.

— Hm, Park Chanyeol... — começou, sorrindo, ao pensar no que dizer dele. — Ele é a pessoa mais delicada, fofa e atenciosa que eu já conheci. Pensa num mousse de morango bem doce. É o Chanyeol.

Sooyoung abriu um sorriso enorme ao ver o amigo sorrindo maravilhado daquele jeito, os olhos brilhando ao mencionar seu nome.

Meu Deus, que exemplo horrível — Yixing dizia enquanto mastigava.

— Fecha essa boca pra comer, pelo amor de Deus — Joonmyeon ralhava. — E o que mais você tem a dizer sobre ele? — Perguntou a Baekhyun.

— Chanyeol é simplesmente um mousse de morango — Jongin concordou. — Ele é super calminho e emocional e bonitinho. Tem quase um metro e noventa de altura, mas é um bebezão. Ele, realmente, é um mousse de morango.

— E ele é rico e muito fácil de enganar. Inocente demais. Meio burro, de tão inocente. É do tipo de pessoa que chora se você compra uma bala e diz que lembrou dele — Sehun completou, ainda um pouco tímido e com a voz turva. Havia chorado ao lado de fora da padaria. — Chanyeol é meio mousse de morango e meio bolo arco-íris.

— É isso — Baekhyun concluiu. — O cara mais amável do mundo é ele.

— Quero conhecer ele — Minseok pontuou.

— Quero comer mousse de morango e bolo de chocolate — Yixing relatou num muxoxo.

— Vamos marcar na próxima e aí comemos até crepe. Acho melhor a gente já ir pra casa porque está ficando tarde. Alguém quer carona — Jongin perguntava em tom de conclusão. Olharam-se, perdidos, sem entender. Baekhyun gargalhou.

— Foi uma pergunta — Sehun disse sorrindo, segurando o braço do namorado.

— Mas... meu Deus! — Fez careta, mas sorriu escondendo o rosto quando Sehun o contou o quão fofo ele era.

— Então, vamos marcar sábado que vem? — Minseok propôs.

— Mousse de morango, bolo arco-íris e crepe? Rola assistir as versões estendidas de Hobbit? Se sim, estou mais do que dentro desse encontro perfeito — Sooyoung abria o mais sincero de seus sorrisos.

Me ganhou no mousse. Que rolê — Yixing confirmou.

— Vai ser esse sábado aquela rodada de banco imobiliário, então? — Joonmyeon quis saber.

— Ai, sai fora com esse jogo chato do cacete — Minseok nem deu tempo para que alguém concordasse.

— Então não vou.

— Vai sim! Pensa, Juma — Baekhyun segurou na mão do amigo para consolá-lo. — Que outra oportunidade você teria de conhecer meu Power Ranger vermelho? Hm? Vamos, vai ser legal!

Sehun e Jongin riram a ponto de bater na mesa — tinham o humor equilibrado daquela forma. Não costumam achar graça de muita coisa, mas quando achavam, achavam muita graça e achavam juntos.

Isso é alguma gíria pra “pinto”? — Yixing perguntou, terminando as batatas que eram de alguém, mas agora, tudo o que estava sobre a mesa era dele.

O casal de namorados riu ainda mais.

— Sim, um pintinho bem pequeno! — Sehun gargalhava como se não houvesse amanhã.

— Não é tão pequeno assim, vocês é que são uns insuportáveis que só pegam no pé dele — Baekhyun falou, sorrindo contra a própria vontade.

— A gente viu ele pelado uma vez. Era uma verruga — Jongin contava gargalhando tanto que perdia o ar.

— Vou insistir uma última vez que vocês estão errados e vou mudar de assunto — limpou a garganta, se concentrando em não rir com eles, e nem com os amigos que se rendiam às risadas. — Sábado. Vamos marcar o lugar. Vou tentar reativar minhas redes sociais pra facilitar, mas vocês têm meu número de qualquer forma.

— Tá, mas a pergunta que não quer calar, como fica? — Minseok inquiriu.

— Que pergunta?              

— A gente entendeu como vai ser pra você voltar pra faculdade sem perder o ano e tudo mais, até porque felizmente toda essa merda aconteceu nas férias e no final você perdeu não muito mais do que um mês de aula. Agora você vai voltar… mas e a turma? — Minseok mirava profundamente dentro do olhar de Baekhyun. — Vai ficar na nossa turma ou na turma do seu namorado?

Byun travou, teve um calafrio. Não havia pensado nisso até então. Chanyeol gostaria que estudasse consigo, na turma da manhã. Seus amigos, queriam que ficasse onde pertencia, na turma da noite. Mas e quanto o que Baekhyun queria? E o que queria, era o que precisava? Respirou fundo.

Não podia deixar que sua vida se resumisse a Park Chanyeol. Precisava de amparo, precisava de amigos, precisava ter sua vida novamente. Amava o namorado em proporções absurdas. Sentia tanta saudade e só agora percebia como seus amigos eram seu melhor tesouro. Aquilo se tratava de dar prioridade de um tipo de amor sobre outro. As amizades ou o romance. As risadas ou os beijos. Tinha que pensar em cada um dos lados.

Mas se havia algo que tinha aprendido com todo aquele caos chamado de vida, era que precisava amar mais a si mesmo antes de despejar todo seu amor aos outros.

— Vocês me garantem que ele não está mais assistindo às aulas com vocês?

— Sim. Trancou, trancado — Yixing confirmou.

Ele ainda calculava. Park Chanyeol queria passar mais tempo com seu namorado. Minseok, Yixing, Sooyoung e Joonmyeon queriam a presença do amigo.

Mas Byun Baekhyun queria apenas viver.

— Eu vou voltar com vocês — falou.

E todos, sem exceção, comemoraram.

— Nossa, só agora eu lembrei que o dia que a gente viu o Chanyeol pelado foi o dia que ele caiu na piscina, e estava, realmente, muito frio. — Sehun, que estava meio disperso até então, falou. Olhou nos olhos de Jongin: — Quer dizer que talvez o pintinho do nosso melhor amigo não seja tão ‘inho assim.

— Precisamos checar. Agora virou uma questão muito séria. Nossa amizade está correndo perigo — Jongin propunha, austero, apertando a mão do outro como se fechassem um grande acordo.

— Eu não acredito que vocês ainda estão falando disso!

 

❁▸❀▹   —   ◃❀◂❁

 

— Cheguei! — Baekhyun dizia colocando seus pertences sobre a mesa perto da porta. A casa toda destrancada dava a certeza de que havia alguém ali, mas não via ou ouvia a pessoa mais barulhenta que conhecia. — Alô? Tem alguém aqui?

Ouviu passos apressados na lavanderia, junto de algo que caía ao chão. Caminhou lentamente até lá, sem saber o que esperar. Chanyeol sempre o surpreendia com seu jeito atrapalhado — como da vez em que Byun acordara no domingo e Park havia explodido o forno micro-ondas, simplesmente porque esqueceu de tirar a colher de dentro da xícara de chocolate quente quando resolveu esquentá-lo.

Ao chegar na lavanderia, temendo algum desastre semelhante ter acontecido, entrava devagar pela porta. Viu ali seu namorado, as costas se alargando em uma camiseta rosa claro, empurrando um bolo de roupas para dentro da máquina-de-lavar da forma mais desastrosa possível. Jogou quantia de sabão em pó (que Baekhyun sabia, só de olhar, que era sabão demais). Bateu a porta e suspirou satisfeito com os braços esticados sobre o vidro fechado, vendo as roupas ali dentro.

— Oi — Byun falou. Chanyeol deu um pulo, ficando de costas para a máquina, os olhos estalados e a pele pálida pelo susto.

— Q-q-q-quando você chegou? — Perguntou desolado, sem se desencostar da máquina, como se quisesse esconder o que havia dentro dela.

— Acabei de chegar — se aproximava, vendo-o o ficar ainda mais nervoso. Baekhyun parou ao perceber que Chanyeol recuava. — Deixa eu adivinhar, roupas sujas de tinta?

— Sim... eu... achei elas por aí — murmurou. Baekhyun riu antes de se aproximar e deixar em sua boca um beijo curto.

— Você chegou faz muito tempo? Meus amigos estão querendo muito te conhecer.

— Ah, desculpa não ter ido. Vou na próxima, com certeza. Vou sim — falava rapidamente, mas estava tão nervoso que era como se suasse frio. Baekhyun fechou o cenho.

— Você está estranho.

— Eu? Não estou. Não estou, não. De jeito nenhum.

— Está — concluiu, encarando-o. Pensou. — Deixa eu ver essas roupas — afastava o gerente de frente da máquina.

— Não precisa, eu— parou ao perceber que Baekhyun já pegava os tecidos molhados em suas mãos. Esticou o tecido em frente aos seus olhos, vendo uma enorme mancha escura, próxima ao bordô. A tinta ainda estava fresca. Olhou para Chanyeol, esperando que se explicasse. — Tudo bem, eu estava pintando agora, mil perdões, não queria que você pensasse que sou um idiota por não ter ido conhecer seus amigos, eu só estava estressado demais e eu precisava pintar um pouco, desculpa, desculpa, desculpa!

Byun devolveu o tecido ao lugar de origem. Suspirou, porque Park suplicava de tal forma, que era tão infantil, que era impossível repudiá-lo. Suspirou, porque Park, com as mãos unidas em frente à boca se desculpando era adorável demais. Suspirou, principalmente, porque estava apaixonado demais por aquele homem.

— Não gosto que minta para mim — falou, na faísca de tentar se opor àquele par de olhos.

— Eu não queria te decepcionar, eu sinto muito, muito mesmo, é só que... eu estou uma pilha de nervos — contou, abandonando a posição de súplica para estreitar a postura, mostrando um semblante mais maduro e sincero. — Eles iriam me odiar e eu estragaria toda a tarde de vocês, e eu não queria isso. Desculpa.

— Você poderia ter me dito que não queria ir. Eu não ficaria bravo. De verdade.

— Desculpa — abaixou o olhar.

Baekhyun estava realmente preocupado. Chanyeol andava muito estranho nos últimos dias. Talvez porque na segunda-feira seguinte, dali a dois dias, Baekhyun voltaria a estudar, e então trabalhar, para logo ir morar em um lugar só seu. Traçaria suas próprias linhas. Mas isso implicava, diretamente, em se verem menos.

— E eu lá consigo não desculpar essa carinha? — Perguntava sorrindo, baixinho, pois queria ver Park sorrindo. O outro tentou se conter, mas não conseguiu. Foi se encolher nos carinhos do rapaz menor com risos bobos e saudosos.

— Eu não queria ter mentido, eu juro, não faço mais.

— Tudo bem, amor. Me conta como foi seu dia. Estou com saudade de você.

— Eu tive que ir numa reunião chatíssima e uma cliente do banco, sabe aquela do poodle branco? Então, não parava de me ligar. Aí eu não conseguia nem me concentrar na reunião direito, nem resolver o que ela queria. Depois, quando a reunião acabou, liguei para ela e ela ficou gritando sem parar e me xingando. Mas, bem, pelo menos deu tudo certo no final. A não ser que eu estou morrendo de saudade do meu namorado que passou o dia se divertindo enquanto eu me ferrava, e aliás, esse meu namorado volta pra faculdade semana que vem e eu estou apreensivo — disse, e Baekhyun riu envolvendo o corpo maior entre seus braços. — E como foi o seu dia?

— Fiquei muito feliz em rever meus amigos. Eles continuam incríveis. Eles me falaram sobre os últimos dias, eu me abri com eles sobre tudo — olhou rapidamente no olhar do mais alto para voltar a desviar o olhar em seguida. — Eu senti muito a sua falta. E eu fiz uma decisão importante.

— O que você decidiu? — Segurava a cintura dele, com todo o cuidado do mundo, acariciando com os polegares as laterais do seu corpo, um sorriso bobo que nunca ia embora.

— Que eu acho que vou voltar para a turma deles ao invés de ir estudar com você — contou incerto, vendo o sorriso que amava sumir aos poucos até sobrar somente o silêncio.

Dos pés à cabeça, Chanyeol ficou completamente surpreso, sem reação. 


Notas Finais


Por hoje é só, meus amadinhos, nos veremos em breve, certo?
Qualquer coisinha estou no https://curiouscat.me/jayuussi e é só gritarem que apareço, ok?
E, também, para quem não viu, postei um jornal sobre o livro de Rosa Azul que ainda vai sair: https://spiritfanfics.com/jornais/atualizacoes-da-2a-edicao-do-livro-de-rosa-azul-9917778
Nos vemos em breve, se cuidem! ♡


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...