História Panorama da Vida, do Desejo e do Acaso - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Exibições 3
Palavras 2.171
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Heterossexualidade
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 1 - Primeiro Capítulo


 

Pressupostos de alguma verdade. Ela acha que quase tudo na vida de certa maneira, pode levar a tal coisa. 

Catharina não espera muita coisa de ninguém, e não sabe dizer se isso advém do pseudo que a vida lhe deu, "born with gold spoon". Talvez sim, talvez não. 

A jovem de fato não podia negar: era uma criança pretensiosa cheia de dúvidas.

Mas também de não muita coisa...

- Saia da frente, se não vai ajudar! - a irmã falou de maneira ríspida enquanto que a mesma moveu-se como uma pluma, acompanhada por um ritmo invisível de despreocupação que escondia uma certa preguiça. O braço, que segurava o celular, apenas ergueu-se e voltou próximo novamente a face, para continuar lendo o que lhe enviaram. 

Humph!, foi tudo o que gesticulou em silêncio perpétuo. 

A não ser a mais caótica de todas as dúvidas e preocupações humanas: vida. E que ironia, uma moça nascida em família exótica, versátil, porque sabia como manter os bons costumes de saber as estratégias certas a se ter para ter dinheiro, para manter o poder. Mas

Catharina se limitava ao já muito que podia aproveitar, apesar de que pensar sobre o futuro a assustava. 

- Essa idiota realmente acha que ele a ama? - se perguntou, seguindo a irmã, que ora bufava, ora olhava feio para ela, na esperança de que a sensação pesasse e a mesma visse. Bobagem. Catharina simplesmente a cutucava no ombro.

- Você... Não está cooperando - suspirou - e está me tirando do sério--

- Faz parte da sua carreira lidar com pessoas que não possuem muito ânimo para fazer as coisas. 

- Se for mimada como você...

Catharina sorriu.

- Está bem, está bem. Vamos parar com essa falsa modéstia porque antes de eu nascer, esse cargo foi muito bem ocupado por você. - olhou ao redor. - Aliás, ainda é. - e cutucou-lhe a ponta do nariz com o indicador. 

Encarou-a com severidade, e se perguntou se errou em algum ponto que nem mesmo valia a pena esperar dos pais, sendo ela, a pessoa com quem mais a caçula podia contar, lhe coube ter em ter sido sua quase educadora. 

- Veja isso. - Catharina jogou seu longo, fino e elegante braço sobre seu ombro, fixando a tela com cauteloso brilho sobre a sua face. 

- Aumente esse brilho. - falou fria. E a irmã o fez.

Nunca se lembrava de mudar o brilho, porque já se acostumara até mesmo em casa com a visão quase borrada que o celular fazia. Puxava o óculos do rosto fazendo careta, se perguntando se teria de ir ao oftalmologista novamente, mas não era nada de errado com ela, se não tentar enxergar algo no escuro que pouco podia se ver. Mas se acostumou para não ter nem um resquício que pudesse lhe passar pela mente de que, esquecesse e simplesmente deixasse ele brilhante demais para as pessoas em sua sala observarem o que fazia. 

Não sabia se podia confiar plenamente em alguém mediante o laço de amizade, mas de certas coisas pelas quais foi informada por seus bajuladores, disso ela se contentava em ter notado. A falta de atenção em simplesmente mexer no que quer que fosse, e ainda o menor dos males ou atos sociais que cometesse, era mais que o suficiente para praticamente, sair no jornal escolar. Afinal, coluna de fofoca não pode simplesmente desaparecer do estado de informação do ser humano. Que outra utilidade basicamente o falar teria para as pessoas?

Sua irmã murmurou, em silêncio, com os olhos semicerrados, enquanto lia.

- Quantos anos você tem mesmo? - ela perguntou e Catharina se sentiu ofendida, encarando-a como se agora, a repreensão visual lhe tivesse alcançado. 

- Dezoito. - foi a única coisa que conseguiu falar. 

- Então eu suponho que ela também tenha...? 

Catharina meneou a cabeça, confirmando. 

- Diga para ela parar com essa estupidez. De achar que um rapaz que nem mesmo foi para o serviço militar, trabalha, e provavelmente limpa o próprio quarto... Ama ela. - comentou se desvincilhando de Catharina, voltando a andar, voltando a ser seguida. 

- Eu mesma não. Há pessoas que aprendem as coisas nas piores maneiras. E se for para ser assim com ela... - colocou o celular sobre a bancada de mármore, sentando-se no banco. - Que seja. - ergueu a face e olhou para a irmã. - Pouco me interessa, Sophia. 

- Você é um exemplo solidário de amiga. - ironizou-a.

Catharina franziu o rosto, dando um tapa no ar com a mão, cruzando os braços.

- Esqueça. É um suportar mesmo o que acontece aqui. O tanto de desculpa que eu já ouvi por cada coisa... Isso não é amiga. Não mesmo. 

- Ou quem não é seria você? 

- Talvez. - deu de ombros. - Com essa gente, eu pouco me interesso em fazer amizade. É bom suportar suas bajulações que vão além do conhecimento leigo que essa gente tem, a não ser festas, pressupostos de carreira e sociedade virtual. - o celular vibrou e a notificação lhe chamou a atenção. - Não sabem o que é um livro? O que é o ato de ler casualmente? 

- Jovens elitistas que possuem tudo ao seu alcance sem nem mesmo falarem? - pensou teatralmente. - Eu duvido muito. Eu poderia dizer que você é uma exceção... Mas é fraca demais para eu falar, de fato. 

Catharina a encarou, de pernas cruzadas, balançando a esquerda, impaciente, querendo se retirar. Suspirou fundo ao dizer: - Vou para o meu quarto. 

- Melhor mesmo. Afinal, pelo menos uma coisa você entende bem, e segue muito bem, minha querida irmãzinha: você sabe que é inútil questionar e discordar da verdade...

- ... Acaba sendo a única coisa que há. - Catharina complementou. - Não me esqueço jamais, "mamãe". - e sorriu ao sair pela grande sala de recepção.

Ela nunca conseguia entender a razão de logo o sorriso dissipar de sua face quando uma mensagem sua chegava. Mensagem de fato, porque ambos não gostavam de se comunicar por nada que não fosse um bom clássico telefonema para ouvir a voz um do outro. Mas no momento, diante das ocupações, com certa ansiedade, esperou quase toda a manhã por sua mensagem. 

"Desculpe demorar em responder. Fui chamado pelo meu superior e o celular ficou no armário do depósito. Saí agora, mas querem que eu pegue o plantão de hoje à noite." 

Simplesmente segurou o celular sem saber o que dizer. De certa forma, sentiu-se levemente arrasada, ainda que tenham sido poucas palavras que poderiam torna a situação prevista para algo completamente inesperado. Comum até, apenas um convite para a festa de noivado da sua irmã. Mas faziam meses que não se viam.  

"É realmente necessário você tomá-lo? Não há nenhum outro substituto? Você foi obrigado?"

E achou que questionou demais, escreveu demais, até. Cutucou a tale com o polegar enquanto caminhava pelo o corredor, adentrava a porta aberta do quarto, caindo de costas sobre a fronha da cama. Balançou um pouco pela a maciez, mas ainda sim, fixa na tela, à espera da mensagem. Mandaria instantaneamente? Foi tempo de se perguntar e a tela deixar a escuridão de lado. 

"Aqui não. Eles podem chamar alguém da firma. E era isso o que estavam discutindo comigo."

E ela sentiu uma parte que faltava da mensagem. Os dedos foram rápidos.

"Mas..."

Se estavam se comunicando tão bem pelo o silêncio, pressupondo um ao outro, seria melhor ouvir a voz um do outro. Mas ela não queria, apesar de ele ter indicado. Não enquanto não o visse pessoalmente e pudesse pular no seu pescoço, se agarrando a ele, abraçada, sabendo que era forte o suficiente para andar com ela assim, ainda que não lhe tocasse. 

"É que vai pagar um extra. E um dinheiro a mais é sempre bem vindo."

Ela nunca entendeu ao certo essa frase, e sempre achou sensato jamais discordar ou questionar um por que de não entender o sentido. Mas sabia muito bem que aquilo era verdade. Não quis deixá-lo envergonhado, oprimido de seu orgulho natural como um rapaz, maduro demais e ela se contentava, para a sua idade, em seu mundo de homens e suas leis. Em querer bancar a conta hospitalar que teve de seu acidente. 

Suspirou, ainda que com uma leve dor no peito. Quando o veria? Não eram mais estudantes do ensino médio, já era difícil na época escolar. E com o serviço militar se aproximando... Catharina se sentiu triste. 

Porque essas não eram as únicas razões para um distanciamento persistir. Eram tantas coisas a se pensar, sempre foram, que deixar de lado e se verem, conversar  e fitar o seu sorriso e como ele bagunçava a franja que não existia, só fiapos sobre a testa, felizmente conseguia deixar todas as preocupações de lado, para que apenas aquilo, aquilo o que não sabiam descrever, existisse. 

"Aceite. Faltam poucas parcelas da sua dívida, não? Isso pode ser uma grande ajuda, que pode até colocar um fim à isso que o incomoda."

Girou para o outro lado, para a janela, fitando além e fixando-se na  pista improvisada de madeira que colocaram sobre o gramado liso, para ter mesas e um espaço para dançar no momento oportuno. Não seria naquela noite que dançarina, e pôs-se a tentar confortar com algo.

"Com certeza coloca. Só falta uma para eu me livrar. Sobraria até demais."

"Isso é bom. Se vai sobrar até demais, você pode me levar naquele rodízio de sushi que lhe falei. E em outro dia, no de comida italiana. Com pizza incluso, é claro!"

Ela tentou sorrir ao enviar a mensagem, mas foi um movimento tão pesado e triste do rosto, que optou por simplesmente, inexpressiva, esperar por sua resposta e se despedir. Queria estar só. Só porque, apesar de estar trocando mensagens, ainda que fosse um ato simplório, era com ele. Não estava só. 

"Eu ri."

"Eu sei que você riu." Respondeu logo em seguida, sorrindo de fato, confortada. 

"Catharina, me desculpe."

"Não. Eu não o desculpo. Diante da situação, é bom saber que algo assim apareceu para você. Eu estava preocupada, mas agora eu posso ficar tranquila quanto a isso."

Ela se sentou, sentindo uma energia repentina tomar posse do seu corpo, e agradeceu-se. 

"Vou tomar um banho, comer algo e retornar."

"É a sua primeira refeição do dia? A essa hora? Sebastian..."

Ela terminou a mensagem de tal maneira de propósito, franzindo o cenho.

"Eu comi aqui. Pouco e miserável, mas eu me alimentei antes, senhorita. Nada de bico! Eu vou para casa, aproveitar que o trânsito deve estar tranquilo e retorno. Aproveite a noite. Eu tenho certeza de que você"

E a mensagem foi enviada sem ponto final, vírgula, nada que indicasse ter sido acabada. Ela estranhou.

"De que você...?" Ela arriscou enviar.

E certos segundos, minutos?, se passaram. Catharina realmente pensou que a mensagem soou estranha. Ou do conhecimento de anos, que foi algo involuntário. 

"De que você vai estar linda."

Deixou-se cair, de lado, na cama. Ainda que com as pernas para fora, simplesmente ficou assim por um momento. Nada de "tchau", "se cuida", "até mais" ou um simples "até". Geralmente, as mensagens entre ambos terminavam assim, à maneira silenciosa e de poucas palavras que eram os dois. Até mesmo pessoalmente, lado a lado, pegados de surpresa quando muito concentrados nos seus próprios pensamentos, acabavam encostando o braço um no outro, e se fitavam e desculpavam. 

Mas naquela noite, aquela noite ela poderia revê-lo depois de meses! Se jogar em seus braços e se debruçar sobre seus lábios, pele, traços, todo aquele rapaz que era importante demais para ela ao ponto de agirem tão íntimos, que parecia um momento falso, teatral, quem eram e o que faziam? 

Sempre sentiu um desejo de descobrir, mas também um medo, de que tudo acabaria, chegando a um fim típico sem despedidas. Ainda que houvessem algumas, um fim não era o que queria. 
 

O que é isso e o que temos? Ela se perguntava pela... Que vez? E até quando se perguntaria?

E o que mais temia casualmente aconteceu e estava pensando demais. Precisava maneirar. Saiu do quarto, desceu os degraus da escadaria e se misturou ao povo de seu mundo. Elegante, sofisticado, seguro e falso de seu mundo. Sempre havia expectativas em um evento social de alta classe. O quão opressor você estaria ou não, ainda que essa não fosse sua intenção. Mas apenas de ser rico, isso já era o suficiente para despertar nada saudável em todos, ou em ninguém. Será que ele sempre seria esse único e por isso gostava dele? Também não conseguia dizer. Mas estava convicta de que naquela noite, sugaria a inveja das pessoas para um prazer pessoal que precisava ter naquela sociedade decadente de ricos em matérias inanimados e monetários, porém também genuíno e sincero em querer que somente ele a visse, e suas palavras ainda que desajeitadas e simplórias, fossem as únicas a ouvir naquela noite. E ainda que somente fosse um desejo e sonho, Catharina os manteria para si. 
 



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