História Papercut - Capítulo 2


Escrita por: ~

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Categorias Seventeen
Personagens Jeon Wonwoo, Kim Mingyu
Tags Drama, Jeongcheol, Meanie, Mingyu, Seventeen, Wonwoo
Exibições 67
Palavras 2.384
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Festa, Lemon, Romance e Novela, Violência, Yaoi
Avisos: Álcool, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


don't stop this healing

Capítulo 2 - Chapter Two


 

— Eu juro por Deus, meu filho, se você parar com estas besteiras será a última vez que pisa aqui. Eu juro. 

Eu tento entender o lado de minha mãe, eu tento mesmo, mas não consigo. Tudo bem que ela já sofreu na vida – nós dois, na verdade – mas me mandar para um grupo de apoio é loucura. Eu tenho plena consciência de que o que eu faço é errado, e estou tentando melhorar. Não por mim, por ela. Mas as vezes, quando me sinto sufocado, sem ter nenhuma solução, essas coisas me parecem uma boa opção.

— Eu sei, mãe. Eu sei — digo, suspirando. — Vou tentar dessa vez, pra valer. 

Minha mãe sorri, algo que me pega de surpresa, pois nesses últimos tempos ela vive fechada, calada, triste. Não imaginei que seria eu a pessoa a fazer minha mãe sorrir. E isso de uma certa maneira me faz feliz também.

— Esse é o meu garoto. 

Assim que minha mãe vai embora, me encosto na parede do prédio e espero. Vários adolescentes problemáticos começam a surgir, e fico um pouco constrangido de estar ali, pois já tenho meus vinte e poucos anos nas costas. Essas pessoas aqui devem ter no máximo uns dezessete. Tento não ficar com pena delas, tão jovens e tão perdidos, com inúmeros problemas que na visão deles não existe solução. Mas por acaso eu não sou um deles? Eu estou aqui, eu preciso de ajuda, eu quero ajuda.

Enquanto observo aquelas pessoas — meus companheiros do grupo — uma movimentação logo a minha frente me chama a atenção. Um carro preto para, e de lá desce um garoto, os cabelos castanhos balançando no vento. Está totalmente vestido de preto, com uma pequena mancha na bochecha e um cigarro nos lábios. Jeon Wonwoo não deve ligar para as regras, ou para os bons exemplos, pois ele fuma ao lado do pai. Quando as pessoas o veem, ficam chocadas. Algumas pedem autógrafos para seu pai, e ele os dá de bom grado, o que faz o garoto revirar os olhos. Não sei porque as pessoas reagiram assim, Wonwoo tem mais surtos psicóticos do que todos nós reunidos. Sempre aparece uma nota em um jornal ou uma pequena reportagem na TV mostrando seus inúmeros surtos e tentativas de suicídio. Não gosto do garoto, para mim ele está querendo apenas chamar a atenção e não viu outra forma para isso.

Tento ignorar o fato de que todos aqueles loucos estão se rastejando para aqueles atores e ligo para Seungcheol. Era para ele estar aqui comigo, junto de Jeonghan e Jisoo. Esse foi o acordo que fizemos com o juíz, era o grupo ou a cadeia, e obviamente que escolhemos o grupo. Mas se você parar para pensar bem, os dois são a mesma coisa. A ligação cai na caixa postal, e sei que ele deve estar se drogando ou transando com alguma garota chapada. Na maioria das vezes é sempre isso. 

O pai de Jeon Wonwoo vai embora, então a multidão de pessoas se dispersa também. Ele continua a fumar seu cigarro, e olha o lugar com um certo desprezo. Não consigo identificar se ele está achando o prédio feio demais para ter a dignidade de recebê-lo ali, ou se detesta o grupo de apoio. Aposto mais na primeira opção. Percebo que estou olhando demais para ele, mas é tarde demais. Wonwoo me encara, e desvio os olhos, não por vergonha, mas por que olhar ele fumando me deixa com uma súbita vontade de fumar, mas por fim, cedo ao meu vício. Comecei a fumar com quinze anos, e desde então nunca mais parei, e não pretendo parar nunca. Ele me acalma, me traz uma sensação relaxante, sem falar que misturado com sexo é uma verdadeira maravilha. 

Estou quase acabando o maço de cigarros em meu bolso quando finalmente abrem as portas do prédio. Por dentro, ele parece mais novo do que é por fora, cheio de quadros e cartazes dizendo "Você consegue tudo!" ou "Todos somos campeões!" e coisas do tipo. A sala de reunião do grupo é grande e cheira a limão, o piso de madeira é limpo e lustroso, as paredes são de um tom estranho de amarelo e as janelas são quadradas e enormes. De um lado tem um quadro negro, no meio tem um círculo de cadeiras, e no fundo tem uma mesa com biscoitos e limonada. Decido me sentar logo, sem enrolações, e de preferência longe do orientador ou sei lá qual nome que dão pras pessoas que lideram esses grupos. Não quero de jeito nenhum ser o primeiro a falar, contar meus problemas para um bando de estranhos. Prefiro conhecê-las melhor, para me sentir mais a vontade com elas e elas comigo, para não ser o sujeito estranho de quem ninguém sabe nada .

Aos poucos, as pessoas vão se sentando, e por mais estranho que pareça, alguém quis sentar do meu lado. O cheiro de cigarro é perceptível até da lua, então sei que Wonwoo acaba de sentar do meu lado, com um suspiro teatral. Fico um pouco incomodado, mas tento não demonstrar, até que por fim, um cara alto e forte entra, e acaba por se sentar bem do meu lado. 

Merda. 

— Olá a todos — diz ele. — Meu nome é Richard, mas podem me chamar de Rick. Vamos estar juntos durante todo esse período aqui nesta sala, compartilhando nossas experiências, aprendendo mais o porquê da vida ser essa montanha russa de emoções, mas que vale tanto a pena. Aqui é o lugar em que não somos apenas pessoas com problemas, somos apenas pessoas. Então, que tal começarmos com este belo jovem que se chama... 

Todos ficam em silêncio, esperando pela tal resposta do jovem, que percebo ser eu. 

— Ah, desculpe. Mingyu. 

— Muito bem Mingyu, diga seu nome, sua idade, o motivo de você estar aqui e como você se sente hoje em dia. 

— Hum, meu nome é Mingyu, tenho 20 anos, e estou bem. 

— Só isso? Qual o seu motivo de estar aqui? — pergunta Rick. 

— E precisa? Se estamos aqui é pelo mesmo motivo, não é? Estamos na merda total porque nos pegaram bem na hora de partimos dessa pra melhor, ou sei lá o que mais. Aposto que todos aqui odeiam a vida, assim como eu. 

— E porque você odeia sua vida? 

— Não tem motivo específico. A vida foi feita para ser odiada. Ela te fode de todas as maneiras possíveis pra que você tenha motivos para odiá-la, daí você tenta se matar para que isso acabe, mas então um idiota que se acha um super herói vem e te tira da sua salvação, e te manda pra um lugar como esse pra dizer tudo o que estou dizendo agora. É o ciclo, e não se pode quebrar um ciclo. 

Ao meu lado, Wonwoo ri, assentindo com a cabeça. O resto das pessoas também concorda, menos Rick, que fica em silêncio olhando para mim. Não posso fazer nada, apenas disse a verdade. É o que eu sinto.

— Já pensou ver um outro lado disso? — pergunta Rick. — Um lado mais positivo, talvez. 

— Não, esse é o único jeito que enxergo a vida. Ou você pretende mudar a minha opinião sobre a vida?

— Pois é esse tipo de pensamento que tentamos tirar de vocês. Sua vida é tão ruim para que você queira acabar com ela tão cedo? Como ela é? 

Minha pose de pensador contemporâneo acaba, e abaixo a cabeça. Se soubesse que isso seria mais um diário oral e público eu teria ido pra cadeia.

— Mingyu? 

— Eu não posso.

— Tudo bem, é difícil no começo mesmo, com o tempo sua timidez acaba. Wonwoo, sua vez. 

— Estava demorando — diz ele. — Todo mundo sabe que sou maluco, não vou me apresentar. 

— Wonwoo, por favor — pede Rick. 

Wonwoo bufa como uma criança mimada que ele provavelmente é, e diz: 

— Meu nome é Wonwoo, tenho 20 anos e estou super bem. Todo mundo sabe que sou suicida, por isso estou aqui. 

— Soube que você tem uma relação complicada com seu pai, não é? 

— Meu pai é um idiota, nunca deu a mínima para mim. Só pensa em prêmios e dinheiro, pode parecer adorável na televisão, mas é um estúpido. Mas isso não importa.

Wonwoo fala de seu pai com um ódio que me impressiona. Sempre vi os filmes que ele estrelou, sendo bastante gentil e amigável com os fãs. Não pensei que ele fossem tão frio com o filho. 

— Não importa? E porquê não importa?

— Porque ele sempre foi assim, não posso mudar a cabeça dele. Eu tenho sim pessoas que me importo e que amo, de um certo modo, gosto de viver, não por mim, mas por elas. Eu só tento... esquecer. Só esquecer e apagar todas as coisas ruins da minha mente, mas eu não posso, eu não posso. Então eu tento me entupir de pílulas e bebidas para tentar apagar, mas eu falho, e tento pular de um prédio ou sei lá, mas lembro das pessoas que eu me importo, e uma delas vem me salvar, mesmo que indiretamente. É só isso que eu faço. Tento apagar.

Todos ficam chocados com a declaração de Wonwoo, inclusive eu. Ele está se segurando para não desabar, o olhar fixado em Rick, com lágrimas tentando escapar. Ele limpa a garganta, e diz: 

— Nunca poderemos imaginar o que você passa, Wonwoo. E saiba que estamos todos com vocês, repitam: estamos com você, Wonwoo. 

As pessoas repetem o "estamos com você, Wonwoo", mas permaneço calado. Não abro a boca até Rick fazer com que todos deem as mãos e se levantem para uma oração final. 

Quando toco em Wonwoo, me sinto relaxado. Sua mão é fria e macia, o que é um contraste estranho com a minha. Tento fechar os olhos enquanto Rick cita sua prece, mas Wonwoo me encara com tanta intensidade que sou quase hipnotizado, e o encaro de volta. Ele parece querer me dizer algo, mas se queria dizer não consegui captar sua mensagem. A oração acaba, Rick diz que nos espera na próxima reunião, e saio quase correndo da sala. 

Já está quase anoitecendo, o que significa que perdi duas horas trancado lá dentro. Ligo novamente para Seungcheol, mas continua caindo na caixa postal. Me sento no meio fio para esperar por minha mãe, e acendo meu último cigarro. Vejo várias pessoas irem embora, contando a seus pais como o bonitão do Kim Mingyu disse tudo o que eles não tem coragem de dizer na cara dura. Não sou convencido, apenas digo aquilo o que as pessoas querem ouvir, e então passam a me idolatrar. É a vida. 

Ok, talvez eu seja um pouco convencido.

Tateio meu bolso em busca de mais um cigarro, e lembro que fumei meu último a poucos minutos. Uma sombra surge atrás de mim, dizendo: 

— Quer um emprestado? 

Wonwoo se senta ao meu lado, me oferendo um de seus cigarros. O pego de sua mão, e agradeço, enquanto ele acende um para si. Ficamos um bom tempo em silêncio, olhando os carros passarem e fumando nossos cigarros como se não tivéssemos acabado de sair de um lugar onde o consumo de drogas não é encorajado. Tento ignorar a sensação de desconforto que ele me causa, e tudo o mais.

— Parece que sua mãe não vem buscar você — diz Wonwoo, apagando seu cigarro na calçada. — E nem o meu. 

— Acho que confiam em nós o suficiente para nos deixar ir pra casa sozinhos — digo. 

— O meu pai não confia, só esqueceu mesmo. Tem dinheiro? Preciso de mais cigarros. 

Acabo achando vinte dólares em minha carteira, e ofereço a ele, que recusa. 

— Não. Você vai comprar pra nós dois. Agora vamos, tem um mercadinho a uma cinco quadras daqui. 

O caminho todo foi em silêncio absoluto, o que agradeci internamente. Sobre o quê poderíamos conversar? Sobre o quanto nossas vidas são patéticas? Sobre morte ou marcas de caixões? Simplesmente não temos assunto, nossos mundos são bem diferentes. 

Wonwoo espera do lado de fora enquanto vou e compro mais duas carteiras de cigarros, e como acaba sobrando dinheiro, compro dois pacotes de chicletes também, para ser um pouco gentil. Quando ofereço um dos pacotes, ele se surpreende, e sorri. 

— Como você sabe que gosto de mastigar chicletes depois de fumar? — pergunta ele. 

— Tenho meus truques — digo, piscando, e ele ri. 

Ele me leva para uma pracinha, onde ficamos fumando, observando as crianças brincarem no playground, e é assim que meu desconforto em relação à Wonwoo desaparece, e no lugar dela vem o prazer. Nunca pensei que fosse tão bom ficar assim, compartilhando cigarros e chicletes com um garoto bonito, sem qualquer nenhuma preocupação. Deve ser isso que as pessoas dizem ser a famosa vontade de viver. Mas o que mais me surpreende, é o fato do garoto bonito ser Jeon Wonwoo. 

Talvez ele não seja tão metido e fútil como pensei. Acho que estava muito enganado a seu respeito, e estou começando a me arrepender disso.

— Gostei do que você disse no grupo — diz Wonwoo, mastigando um chiclete de menta. — Eu iria dizer aquilo, mas você foi mais esperto. Tenho que ser o primeiro a falar na próxima semana. 

— Confesso que fiquei orgulhoso das minhas próprias palavras, mas disse apenas a verdade. Sabe quando você sente que precisa dizer a verdade? Foi isso.

 

— Nunca vi verdade mais verdadeira, meu amigo suicida. Tirou as palavras da minha boca. 

Wonwoo subitamente se levanta e sobe no banco, e então grita para as crianças: 

— Ei, crianças! Saibam que um dia vão odiar suas vidas miseráveis, então aproveitem suas bonecas e carrinhos agora enquanto a vida ainda é só borboletas e arco íris. Só não deixem de fumar, porque isso junto com sexo é coisa de outro mundo, podem perguntar para as suas mães!

As mães das crianças nos olham com raiva, enquanto levam as crianças embora, e algumas até ameaçam chamar a polícia. Começo a dar risada, tampando a boca com as mãos. 

— Aquelas tias não gostaram nada do que você disse. 

— Só estava recitando o que aprendi com meu pastor Mingyu — responde ele, se sentando novamente. 

— Não disse nada sobre transar fumando. 

— Acrescentei umas coisinhas, e eu tenho certeza que você adora fumar enquanto fode com alguma loira de farmácia gostosona. 

Sorrio de orelha a orelha, e estendo a mão. 

— Acho que isso é o começo de uma bela amizade.


Notas Finais


now dive in dive in dive in dive in ooh


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