História Paraíso Destrutivo - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Tags Amor, Chantagem, Drama, Poder
Exibições 2
Palavras 5.269
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Festa, Ficção, Ficção Científica, Hentai, Magia, Mistério, Misticismo, Policial, Romance e Novela, Saga, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Violência, Visual Novel
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Oi, pessoal! Estou explorando novas áreas e resolvi sair um pouco da ideia de colegial e escreverei algo mais adulto e mais profundo também. Espero que gostem, eu aceito críticas e ideias, não deixem de comentar o que acharam. Eu preciso saber se estão gostando ou não do rumo que a história está tomando. Gostaria de dizer também que imaginei essa história como um filme e por isso eu atribui cada personagem a um ator/atriz, vou deixar o link do final de quem é quem.
Por fim, o primeiro capítulo está um pouco grande, mas bem recheado e intrigante.
Boa leitura!

Capítulo 1 - Cidade de Espinhos - Parte 1


Cecily Taylor olhou fixamente para o testamento na sua frente. Com quase setenta anos, descobriu recentemente que um câncer de mama a consumia por dentro. Ela não tinha filhos, todos haviam morrido, só tinha lhe restado uma neta, para quem deixaria tudo.

Há apenas alguns dias, Cecily mandou seus detetives investigarem tudo sobre Margarett Taylor. Bom, pode-se dizer que ela era uma mulher bem-sucedida, com uma boa casa, bom emprego e um noivo. Frequentemente aparecia em manchetes de jornais e em capas de revista. Ela havia até sido escolhida como a Mulher Poderosa do ano.

Cecily sorriu, pensando no quanto a neta parecia com ela quando estava no auge da carreira. E agora estava deixando tudo o que possuía para ela. Margarett era uma mulher independente, havia construído suas próprias riquezas e cedo foi embora de casa.

Elas não se entendiam muito bem, viviam brigando. Cecily era a diretora e fundadora do colégio Blessing e esse era seu maior bem. Lá, ela se apegara aos professores, coordenadores e alunos, sentiria falta de deixar os professores irritados com suas reuniões demoradas ou de intimidar os alunos pelos corredores e mandá-los pra detenção. Tudo isso fazia parte dela e ela esperava que sua neta desse continuidade ao legado que ela construíra na família.

Mas… Cecily era esperta, conhecia a neta e sabia muito bem as razões pelas quais ela fora embora tão cedo: queria ser independente e sentia que a avó a sufocava.

Então, sabia perfeitamente que quando falecesse, Margarett tentaria mexer no testamento, de modo que não aceitaria nada. Isso era péssimo pros seus planos.

Mas, não era hora de pensar nessas coisas. Tudo o que precisava agora era assinar o papel que mudaria a vida da neta para sempre, selando seu destino.

Com a mão tremendo levemente, Cecily assinou devagar, não havia pressa naquele momento. Seu advogado, detetives e pessoas de confiança estavam presentes na sala. Então, assim que assinou, ela encarou seus detetives e deu um sorriso de lado.

- Está feito. - disse.

Jack Miler, o advogado, suspirou, parecendo tenso.

- Tem certeza? Não quer mudar de ideia?

Seu sorriso de deboche permaneceu.

- Não. - então, ela olhou para todos ali presentes. - Já sabem o que fazer.

Todos assentiram. Cecily havia simplesmente armado o plano perfeito para obrigar sua neta a aceitar tudo o que estava proposto no testamento.

O engraçado de tudo é que… No mesmo dia, Cecily faleceu.

***

Holly James olhou novamente pela minúscula janela de sua casinha no Broklyn. Era véspera do ano novo e tudo o que estava fazendo era observar a neve caindo lá fora e já imaginava sua casa desabando. Todo ano era assim desde que se mudara para Nova York. As pessoas costumavam dizer que era a cidade dos sonhos, todo mundo queria viver lá. Esse era o pensamento dela também.

Havia apenas dois anos que terminara a faculdade de Artes e resolvera lecionar. Foi muito difícil achar um emprego em sua área só pelo fato de sua matéria ser opcional. Os alunos não queriam ter aula de Artes!

Então, em um belo dia, estava cansada de procurar, sentou-se nas escadas de um colégio para adolescentes, sem nem perceber onde estava. Lembrava de naquele dia chover bastante e ela não tinha guarda-chuva, estava encharcada. Ouviu passos e uma mulher com um guarda-chuva se aproximou dela e disse:

- Oh, querida… O que faz aí nessa chuva? Venha comigo, vamos entrar. Não quero que pegue um resfriado na frente da minha escola. - ela sorriu amavelmente e lhe estendeu a mão.

Meio receosa, Holly segurou a mão dela. Então ambas entraram colégio, foram direto pra sala daquela senhora. Ela pediu que sua assistente, Harriet Gould, pegasse um café. Depois de alguns minutos conversando, a mulher disse que precisava de uma professora de Artes naquela escola, os alunos eram muito rebeldes e ela precisava de alguém que os ensinasse a canalizar a raiva deles para algo artístico.

Então, pela primeira vez, a sorte havia lhe sorrido. Holly aceitara o emprego, seu primeiro emprego de verdade como uma professora. Seus pais ficaram orgulhosos quando ligara pra lhes contar.

Holly passara metade da vida na Flórida, mas resolveu se mudar ao ser aprovada para a Columbia, uma das melhores universidades de Nova York. Ela era bolsista e passou um bom tempo trabalhando como empregada doméstica pra conseguir pagar.

Chegara aqui na ilusão de que sua vida seria perfeita, mas se enganara. Claro, os melhores anos foram na faculdade, convivendo com uma ótima colega de quarto, chamada Lauren Karentt, e eram melhores amigas até hoje.

Claro que, mais pra frente, Lauren escolheu a área das ciências e tiveram que se separar, mas a amizade permaneceu inabalável, principalmente depois de descobrir que elas davam aula na mesma escola. Sempre depois do primeiro período, elas almoçavam no Rosvand, um restaurante frânces, que Holly não tinha condições de pagar, mas Lauren sempre fazia questão. Aquele era o lugar favorito delas.

Depois de terminar a faculdade, Holly teve muita dificuldade em achar um lugar pra morar e simplesmente achou um quartinho vazio, todo feito de madeira, que mais parecia uma caverna. Quando vinham as grandes tempestades, tudo alagava e com a ajuda dos vizinhos, ela dava um jeito e assim ia levando a vida.

Mas nesses últimos dias, Holly se sentia muito solitária.

Estava tudo muito bem entre ela e Lauren, até que… Ela conheceu alguém que mudou sua vida nas férias de verão, quando viajou para o Havaí. E eles se apaixonaram perdidamente, Holly nunca o conheceu, ele morava do outro lado do mundo e eles mantinham um relacionamento à distância. Ela admirava isso, não sabia se conseguiria.

E há alguns meses, Lauren simplesmente apareceu com um imenso sorriso estampado na cara, dizendo:

- Nós vamos nos casar! - então ela ergueu a mão, apontou pro seu anel de noivado feito com diamantes verdadeiros, que custara uma fortuna. E deu pulinhos de alegria na cadeira.

Holly ficou pasma, nem conhecia o homem!

- Como assim? Lauren, isso é irracional! Vocês mal se conhecem. - disse.

Lauren revirou os olhos.

- Holly, tenho certeza que ele é o grande amor da minha vida. Eu nunca senti isso por ninguém.

Ela bufou e se recostou na cadeira do Rosvand.

- Certeza? - ergueu uma fina sobrancelha. - Você disse isso sobre todos os seus relacionamentos anteriores.

- Mas dessa vez é diferente, Holly. Eu o amo. - falou, com tom sonhador, típico de uma adolescente apaixonada.

Holly suspirou, com medo pela amiga. Lauren sempre foi frágil com relacionamentos, se apaixonava muito fácil e sempre lhe partiam o coração.

Como era possível que uma mulher de 23 anos fosse mais madura do que uma de 28? Se bem que… Holly também não poderia se gabar, nunca namorara a sério. Ela teve só um namorado e teve que deixá-lo para vir pra Nova York e tentar ter uma vida longe da família. Eles nunca passaram de beijos, porque ela não quis. Tinha uma ideologia de que deveria perder a virgindade somente depois do casamento.

Porém, Lauren teve relações com todos os seus namorados, justamente por achar que os amava e que seria pra sempre. Mas… casamento? Ela nunca havia mencionado isso antes, por isso Holly desconfiava de que dessa vez era sério.

- Certo. E quando pretendem se casar? - perguntou.

- Vamos nos casar em dezembro, na festa de fim de ano. Vai ser lindo, Holly! A neve caindo, os fogos no céu… E vamos passar a lua-de-mel nas praias do Caribe. É um sonho , já está tudo decidido. Ah… E eu te escolhi como madrinha.

Holly ficou surpresa.

- Madrinha? Mas eu nem conheço o noivo!

Ela lhe tocou a mão gentilmente.

- Não se preocupe, amiga. Logo logo você vai conhecê-lo!

Mas não foi isso que aconteceu. Os meses passaram e Holly não conhecera o noivo, apenas ouvira falar dele. Nunca surgia uma oportunidade.

E amanhã partiria logo cedo para o final de semana no sítio dos pais de Lauren. Andara pesquisando e soube de uma pousada ali perto.

Lauren afirmara que como madrinha, Holly tinha que acompanhar tudo de perto, por isso deveria ser a primeira a chegar. Ela não tinha ideia de quem seria o padrinho que entraria com ela na igreja.

No dia seguinte, ela acordou bem cedo, tomou um banho e um café para partir pra Portland, no Oregon. Ela nunca fora nesse lugar, mas pesquisara o endereço. Era muito ecológico, típico de Lauren. Ela já estava com a passagem comprada.

Pegou o primeiro voo e dormiu o trajeto inteirinho.

Só foi capaz de chegar no Oregon na sexta-feira à noite. Pegou um táxi, informando o endereço que estava em suas mãos.

Mas não era seu dia de sorte, a nevasca estava muito intensa. Ela viu numa televisão que hoje haveria uma tempestade de neve na maior parte dos Estados Unidos e que o melhor era que todos ficassem em suas casas. Só que Holly ignorou os avisos, não poderia deixar Lauren na mão.

Então, o táxi em que estava parou de funcionar, os pneus afundaram na neve. O taxista pisou fundo, mas o taxi não saiu do lugar.

Então ele olhou pra ela.

- Sinto muito, senhorita. Não dá pra passar daqui.

Holly suspirou, meio tensa.

- Certo, eu posso continuar sozinha daqui. - disse, cheia de coragem, com os lábios vermelhos pelo frio, a pele mais branca que o normal, os olhos cheios de intensidade.

O taxista olhou pra rua a sua frente, percebendo que era uma estrada com uma floresta do lado e duas direções. Ele sabia que a garota podia se perder, essa era uma área extremamente de risco, onde sempre havia deslizamentos, avalanches, ondas de assalto e mortes.

- Eu não aconselho. - disse. - Espere um pouco, vou ligar para um mecânico. Ou a senhorita me ajuda a empurrar o táxi.

Ela arregalou os olhos.

- Não, obrigada. Eu vou descer aqui. Quanto foi a corrida?

- Duzentos dólares.

Holly revirou os olhos, mas sabia que taxistas sempre cobravam caro.

- Certo. - então ela abriu a bolsa pra pegar sua carteira com seu dinheiro e não achou a carteira. E nem o dinheiro. O desespero começou a tomar conta, ela virou a bolsa no banco do táxi, começou a mexer em tudo e percebeu que estava sem dinheiro algum. Devia ter perdido no aeroporto ou esquecido em casa, nem lembrava.

- Droga. - resmungou e deu um sorriso sem graça e tenso pro taxista. - Eu posso pagar depois? - perguntou timidamente, se encolhendo um pouco no banco.

- O quê? Escuta aqui, garotinha… Se você não me pagar eu vou ser obrigado a chamar a polícia.

Ela arregalou os olhos, com medo. Isso nunca havia lhe acontecido. Sempre soube que era desastrada, mas agora passara dos limites.

- Eu estava com o dinheiro! - tentou argumentar.

Ele riu.

- Isso é o que todos falam. Você acha que pode me enganar só por que tem a cara de um anjo inocente?

Ela engoliu em seco, não tinha nada de valor…

- Eu… Não sei como posso pagar. - seu coração estava acelerado e ela ainda tentava manter a calma.

- E esse colar no seu pescoço? - perguntou.

Ela segurou a pedra do amuleto que sempre usava, que na verdade tinha um valor sentimental pra ela. A pedra era um rubi verdadeiro, que seu avô dera pra sua avô quando se casaram. Segundo as ideologias de seu avô, quem usasse esse amuleto, encontraria o amor verdadeiro. Porque ele dizia que o amuleto o levara até a mulher da vida dele. E isso só tinha sido verdade. Esse amuleto já foi de sua mãe e por causa dele ela conheceu seu pai. Depois ficou com dois dos seus irmãos e deu certo.

Tinha que funcionar com ela também, ainda que fosse uma coisa idiota. Mas… se desfazer disso? E se ela nunca encontrasse sua alma gêmea? Estava sendo tão superficial…

Engoliu em seco.

- É um amuleto.

- O rubi é verdadeiro. Isso deve valer uma fortuna.

Holly suspirou e tirou o amuleto.

- Pode ficar com ele, então. - disse, entregando-o nas mãos no taxista. Os olhos dele brilharam e ele sorriu encarando a jóia.

- Pode sair do meu taxi agora. - disse de um jeito brusco.

Ele também saiu, abriu o porta-malas e jogou a mochila dela no chão. Logo em seguida, ela colocou a mochila nas costas, o taxi deu ré, fez a curva e foi embora.

Ela o observou partir, depois voltou o olhar pra rua à sua frente. Havia dois caminhos e ela ficou confusa sobre qual era o correto.

E começou a caminhar na direção direita, onde estava descendo uma ladeira pequena, mas com cuidado pra não deslizar. Só que não adiantou.

Ela escorregou e foi descendo ladeira abaixo com a mochila. Ainda bem que não era um abismo. Quando parou, percebeu que estava perto de uma floresta, ou melhor, o caminho era dentro da floresta. Havia uma trilha. Ela olhou pra trás, mas não conseguiria voltar. Como ela iria escalar uma ladeira de neve? Provavelmente cairia milhares de vezes.

Então orou baixinho para que Deus a protegesse e entrou na trilha. Estava escuro e ela andou devagar. E subitamente se sentia em Nárnia. Mas riu de si mesma por ser tão tola.

O vento estava muito forte e fazia barulho. Ela sentiu que estava sendo observada e resolveu apertar o passo. Tudo parecia o cenário ideal para um filme de terror. Ela olhou pro céu e notou que era lua cheia. Certo, até isso estava colaborando.

Então, ela ouviu um uivo e começou a correr, sem nem se importar se ia escorregar novamente.

Holly estava conseguindo ver o fim daquela floresta e quase podia sorrir de alívio, só não esperava escorregar drasticamente ao chegar no fim e não cair no chão.

Muito pelo contrário. Ela caiu num par de braços fortes, que a seguravam. E ele a encarava e aquele momento parecia uma eternidade.

Holly percebeu o quanto aquele homem era bonito, ficou encantada e até teria corado se tivesse algum calor no meio daquele frio todo.

Ele usava um gorro na cabeça, tinha a pele bronzeada, olhos azuis, lábios finos… Oh, Holly, pare! Ordenou a si mesma por pensamento. E por que ele estava olhando pra ela desse jeito que… ela nem sabia decifrar?

E subitamente, lhe ocorreu que ela deveria falar alguma coisa!

- É… Eu… - e começou a gaguejar. E o inevitável aconteceu. Holly começou a passar mal. O rosto do homem estava ficando embaçado.

Por que estava tonta? Será que era por causa do susto que levara? Ou seria o frio congelante? Ela nem sequer se agasalhara direito…

De qualquer forma, não pôde descobrir naquele momento, porque desmaiou.

Momentos mais tarde, ela acordou, abriu os olhos devagar. Percebeu que estava numa cama macia, com um travesseiro macio. E estava ouvindo o barulho de um chuveiro derramando água. Sentou na cama rapidamente.

- Mas que lugar é esse? - sussurrou para si mesma, olhando em volta.

Era um quarto espaçoso, com uma mini sala e uma lareira, onde crepitada o fogo. Olhou pras poltronas e viu um paletó.

Seu coração bateu mais forte e ela pulou da cama, afastou um pouco a cortina da janela e pôde ver a tempestade de neve caindo lá fora. E ficou muito pior depois. Parecia que o mundo estava desabando em neve…

Ela ouviu um o ranger de uma porta e se virou. Viu aquele mesmo homem que a salvara saindo de lá, usando um hobbie estofado azul-marinho.

- Vejo que acordou. - disse.

Holly colocou a mão na nuca, como fazia toda vez que estava constrangida ou com medo. Ela se encolheu, só desejava agora poder quebrar a janela e fugir pra longe, nem que morresse de hipotermia lá fora ou se uma avalanche a pegasse.

- Onde estou? - perguntou, meio hesitante.

Ele sorriu.

- Olha só… você sabe falar. - então ele olhou pros seus pés. - Você está descalça. Não quer pegar um resfriado.

Ela olhou pros próprios pés.

- Quero ir embora. - disse, com medo. - Você me sequestrou, não é?

Ele a encarou primeiramente sério, e depois caiu na gargalhada. E era lamentável perceber que ele ficava ainda mais bonito rindo.

- E o que eu faria com você? - perguntou, cruzando os braços. - Já chequei suas coisas, nem seus documentos estão aqui. Como uma pessoa sai de casa sem a identidade e sem dinheiro?

- Eu… - desviei os olhos pro lado. - Perdi. - falei baixinho, desejando que ele não ouvisse.

- E onde estão seus pais? Sabe o número deles pelo menos?

Ela fez uma careta.

- Meus pais moram na Flórida.

- Meu Deus! E como eles deixam uma criança viajar sozinha desse jeito? - ele realmente estava perplexo. Quantos anos ela deveria ter? 15? 17?

Ela ficou chocada.

- Tenho 23 anos! - falou num tom alto e claro. - Eu sei cuidar de mim mesma! - ela estava irritada agora. Só Deus sabia o quanto Holly odiava quando a comparavam com uma criança só porque ela aparentava ser uma.

- O quê? Não… Não é possível! Como você se chama?

- Holly James.

- Certo, srta James. Estamos numa suite, numa pousada.

- O quê? Mas por quê? Não posso ficar aqui.

Ele suspirou.

- Eu vim de Boston, cheguei hoje em Portland, na verdade. Também não queria ficar aqui, mas a tempestade me pegou no meio do caminho. E resolvi ficar nessa pousada. Só que quando a tempestade parou, eu saí pra explorar o lugar onde eu estava. Encontrei um ótimo lugar pra patinação no gelo e estava voltando pra cá quando você apareceu e escorregou, então eu te segurei. Você desmaiou, eu te trouxe pra dentro da pousada e aleguei pro dono que você era minha noiva.

Ela arregalou os olhos.

- O quê? Por que fez isso?

- Os quartos estavam todos lotados, muita gente foi pega de surpresa pela tempestade. É final de ano, as pessoas viagem muito. E não havia mais quarto algum em que você pudesse ficar. Você estava sem dinheiro e sem documentos. E obviamente não deixariam você ficar na minha suíte se eu dissesse que não te conheço. Eu não estava sequestrando você, estava ajudando. - ele se aproximou dela e colocou as mãos em seus ombros. - Agora tome um banho, a água do chuveiro é mais quente que a da banheira. E vista algo mais quente. Eu pedi que trouxessem uma garrafa de gim.

Ela cruzou os braços.

- E você seria capaz de dar gim para uma criança?

- Não é pra você. Eu pedi pra mim. Pra você pedi um chocolate quente. - ele coçou a cabeça.

Ela suspirou.

- Não posso passar a noite aqui, é sério. Preciso ir embora. E além do mais, onde vou dormir?

- Não se preocupe, eu durmo na poltrona e você pode ficar com a cama. É só uma noite, srta James.

- Você não entende? Você é um estranho, nem sequer me disse seu nome? Como vou saber que não vai fazer nada comigo?

- Vai ter que confiar em mim. Além do mais, eu me chamo Karl.

Momentos depois, um garçom bateu na porta, com uma cesta, entregou nas mãos de Karl e foi embora.

- O que tem ai dentro? - Holly perguntou, curiosa.

Ele gesticulou com a cabeça em direção à lareira.

- Vem, vamos nos aquecer um pouco.

Meio relutante, ela caminhou até a lareira e se sentou perto. Karl fez o mesmo.

A cesta estava coberta com um pano vermelho e era grande. Karl tirou o pano vermelho e lá dentro havia uma garrafa de gim, uma de chocolate quente e uma caixa de manjar turco em formas de quadradinho, como aqueles que Edmundo comeu em Nárnia.

Holly amava aqueles doces, mas como aquele estranho sabia?

- Como foi que adivinhou? Eu amo esses doces! - ela tirou a caixinha de lá com empolgação e a abriu.

Karl observava cada movimento seu. Ela pegou um bloquinho de manjar turco e mordeu um pedaço, sujando os dedos com o pó branco que aquilo soltava.

Ela era delicada demais, por isso parecia uma criança. Mas Karl não podia deixar de notar sua beleza, talvez era a moça mais linda que ele veria. Ela tinha os cabelos curtos e enrolados, totalmente negros, mas agora estavam totalmente desgrenhados. Ela tinha o rosto pálido, olhos grandes e bem azuis. Seus lábios eram avermelhados, ou estavam mesmo assim por conta do frio. Ela era muito baixinha, facilmente comparável a uma adolescente.

E agora ela estava mordendo aquilo e lambendo os dedos e ele não sabia se era de propósito isso ou ela era muito inocente mesmo.

Karl não podia nem pensar em sexo, principalmente às vésperas do seu casamento. Se bem que casar por conveniência era uma droga.

Não sentia nada pela mulher que ia casar, mas precisava fingir que sentia. Tudo porque seus pais eram pessoas envolvidas no governo e tinham controle da sua vida, decidindo até a pessoa com quem ele casaria. Sua noiva era rica e a família dele estava indo à falência. Era só juntar tudo…

E ele não podia estragar os planos dos pais. Pior era que sua noiva realmente o amava.

Mas ele faria esse casamento dar certo, poderia aprender a amá-la com o tempo.

- Karl? - Holly o chamou e o tirou do seu transe.

- Oi… - disse ele, já percebendo que ela estava até bebendo o chocolate quente.

- Você estava tão longe…

- Eu estava pensando, apenas. Eu…- ele ficou de pé, não dava pra suportar olhar pra ela. Era linda demais e ele estava com medo de fazer alguma bobagem.

Ela ficou de pé também. Ambos se encontravam agora frente a frente.

Ele colocou as mãos nos ombros dela. O jeito como ele a olhava a incomodava e fazia seu estômago ganhar vida.

- Por que você me olha desse jeito? Depois ainda espera que eu confie em você? - ela estreitou o olhar.

- Desculpe, mas… Você é muito linda. - ele começou a lhe acariciar o rosto e passou o dedo pelos seus lábios tentadores.

Ela estava ofegante.

- Karl… - sussurrou.

Ele resolveu se afastar, precisava ter controle. Então pegou a garrafa de gim e um copo e despejou. Bebeu num gole só e começou a andar em direçao ao banheiro.

- É melhor eu ir dormir no banheiro. - disse.

Holly achou um absurdo.

- O quê? A intrusa aqui sou eu! Por que não conversamos? Divide o gim comigo… - sugeriu.

Ele hesitou.

- Holly, estou com medo. - disse ele, ofegante.

Ela se aproximou, tirou a garrafa de suas mãos e o copo.

- Não precisa ter medo. É só uma tempestade. - ela deu um leve sorriso de lado e o olhou de um jeito profundo, depois se sentou no chão, perto da lareira e colocou o gim perto dela e pegou outro copo.

- De que tempestade está falando? - ele perguntou, ao se sentar do seu lado.

- Você sabe… A nevasca lá fora. - ela riu um pouco.

E ele pensou no quanto ela era inocente, sentou-se ao seu lado e colocou mais gim pra si mesmo.

- Não acho que deva beber. Por que não fica com seu chocolate quente? - ele sugeriu.

- Eu vou aos pubs todo final de semana, Karl. Mas bebo apenas uma cerveja, é o que as pessoas do Brooklyn fazem. - ela sorriu.

- Então você é do Brooklyn… - ele deduziu. - Mas nasceu na Flórida?

- Sim.

- Por que saiu de lá?

- Queria mudar de vida, conquistar minha independência. Fui aprovada na Columbia e fiz faculdade de Artes.

- Parece interessante. Os meus pais são ricos e eu sou filho único, eles vivem querendo controlar minha vida.

Então, ela colocou uma dose de gim pra si mesma e bebeu. Fez uma careta e em seguida riu.

- Nossa, não estou acostumada.

- Não acho uma boa ideia nós dois bebermos. Um de nós tem que ficar sóbrio. - disse Karl, sorrindo.

- E por que tem que ser eu?

Ele ficou sério.

- Holly, eu estou gostando muito da sua companhia, mas… Não quero estragar isso. Esse gim pode ser doce e parecer um mel, mas também tem alcool, assim como vodca e uisque. Se você exagerar na dose, eu terei que te dar um banho de agua fria pra te deixar sobria. E se eu exagerar na dose, peço que você me tranque no banheiro e só abra a porta amanhã. Mas se nós dois exagerarmos na dose… - ele engoliu em seco. - Isso não vai acabar bem. Por isso, eu acho melhor você ir pro banheiro agora, tomar um banho e vestir outra roupa. E enquanto isso eu fico aqui bebendo. - fez uma pausa e pegou um manjar turco. - E comendo isso aqui. Tem gosto do paraíso. - disse ao provar.

Holly riu.

- Até parece que vou te deixar aqui sozinho com a comida. - então ela colocou mais uma dose de gim. Estava apreciando o sabor, era de um vermelho vivo e tinha um gosto divino. E também estava gostando da companhia de Karl.

Bebi a segunda dose de gim e quando estava indo pra terceira, Karl tirou a garrafa de perto dela.

- Já chega por hoje. - disse, mais próximo. Só havia a caixinha de manjar turco entre eles e ambos estavam comendo, rindo e conversando.

- Ah, só mais uma dose. Eu amei! - ela argumentou, louca pra beber mais gim.

Mas Karl já estava ficando preocupado.

- Não. Olha só como você já está ficando. Seu rosto até ganhou cor!

- Karl, eu não estou bêbada. - então, ela resolveu pegar mais um manjar turco, só que havia apenas um e ela pegou ao mesmo tempo que Karl estava pegando.

Então, ele mordeu um pedaço e colocou o outro pedaço na boca dela e ficou acariciando sua nuca enquanto ela mastigava.

Ela engoliu e sentiu seu corpo se aquecer.

- Eu quero te beijar. - disse por impulso, sem nem perceber o que estava dizendo. Normalmente ela não era assim…

- Eu sei, eu também. - ele disse roucamente e a beijou.

Holly se sentia nas nuvens, seu beijo tinha um gosto doce por conta do manjar e ao mesmo tempo podia sentir o alcool em seu hálito. Sua língua penetrou-lhe a boca e e era como se ele estivesse lhe fazendo uma massagem por dentro. depois Karl deslizou os lábios pro pescoço fino e delicado dela.

E os planos de perder a virgindade só depois do casamento? Não importavam mais. Aquele homem mexeu com ela de um jeito como nunca se sentira antes. Claro, era cedo pra dizer se sentia algo por ele além da atração. Mas… Holly sempre fora uma pessoa decente, conservadora e doce. Sexo casual nunca estivera em seus planos, mas… Era difícil resistir quando o homem maravilhoso á sua frente estava desabotoando suas blusas e tirando-as pelos ombros.

Ela colocou a mãozinha delicada em seu peito e percebeu que seu coração estava batendo muito acelerado. Ele lhe segurou a mão e depois a tirou dali.

Depois, ele acariciou seu rosto com as mãos.

- Não precisamos fazer nada, se você não quiser. - disse, roucamente.

Mas para Holly era tarde demais. Não se deixava uma mulher excitada e depois caía fora antes de o desejo ser satisfeito!

- Não, eu quero. - deu um sussurro fraco, depois ficou de pé na frente dele. Ele a encarou, com as mãos apoiadas no tapete vermelho que estava posto no chão daquela salinha, estava levemente inclinado pra trás, com os olhos brilhando de desejo, respiração ofegante e lábios entreabertos.

Holly abriu o zíper da própria calça e a tirou sem muito esforço. Em seguida, cheia de coragem, abriu o fecho do sutiã e o jogou no chão, depois tirou a calcinha.

Karl a olhava como se estivesse hipnotizado. Com certeza essa seria a melhor transa de sua vida, podia sentir isso. E decidiu que teria sua última noite no paraíso, para depois entrar em um inferno chamado: casamento com alguém por quem não sentia nada.

E essa mulher na sua frente era fantástica. Rapidamente, ele ficou de pé para contemplá-la melhor. Ela tinha uma clavícula bem definida, só aparecia em algumas pessoas. Seus seios eram empinados, pequenos e tinham mamilos rosados, com a ponta durinha. Sua cintura era fina, perfeitamente proporcional ao corpo.

De um jeito um tanto tímido, ela se aproximou dele, passando a mão por seu cabelo escuro e macio. A cada carícia, fechava os olhos pra apreciar a sensação. Então, ele abriu o hobbie e o tirou, jogando -o no chão. Ele usava uma cueca boxe vermelha, mas Holly não deixou de notar o volume no meio de suas pernas. Parecia tão excitado quanto ela.

E ela não sabia o que fazer agora, estava com medo de fazer algo errado. Mas, ele parecia entender seu olhar perdido, pegou-a no colo e a levou até a cama.

Lá, ele se deitou por cima dela e lhe deu um beijo profundo, fazendo-a soltar um gemido. Em seguida, ele deslizou os lábios para o seu pescoço e começou a deixar uma trilha de beijos em todo lugar do corpo dela. Ao passar pelos seios, ele os sugou gentilmente e os lambeu, para depois continuar com sua viagem ao paraíso.

Ela era linda demais e ele sentia que não ia conseguir se conter por muito tempo, o que era raro, pois ele sempre conseguia se controlar. Depois de beijar-lhe todo o corpo, ele voltou-se para ela e a encarou profundamente.

Seu corpo estava corado agora, seus lábios avermelhados e inchados, seus olhos estavam num azul tão profundo quanto um oceano, regado por longos e grossos cílios. Seus cabelos negros espalhados pelo travesseiro branco, ela parecia uma deusa. Ele precisava ter essa imagem na memória todos os dias.

- O que foi? - Holly perguntou, ao notar que ele a encarava totalmente fascinado.

- Estou tirando uma foto sua com os olhos, para guardar na memória todos os dias, srta James. Quero lembrar de cada pedacinho seu. - ele afastou seu cabelo da testa gentilmente. - Nunca, me senti assim. - confessou. Então, ele lhe afastou as pernas com a mão e colocou um dedo em sua intimidade. Que droga, ela estava quente e molhada, muito molhada! - Droga, Holly! - sussurrou, ardendo de desejo ao ouvi-la gemer.

Então, rapidamente, ele ficou de joelhos, tirou a cueca, esticou a mão até a cabeceira da cama, pegou sua carteira e tirou um preservativo de lá.

Holly estava ansiosa, um pouco tensa. Não sabia se deveria contar a ele que era virgem, mas era melhor não. Talvez se contasse agora, ele poderia mudar de ideia e ela se sentiria humilhada. Então, ela o observou enquanto colocava o preservativo por toda a extenção do seu membro ereto.

Rapidamente, ele tornou a se deitar por cima dela, dando-lhe mais um beijo intenso, antes de penetrá-la totalmente.

Holly fechou os olhos com força, esperando pela dor… que não veio. O quê? Ela não sentiu nenhuma barreira sendo rasgada, nem dor! Só… o mais intenso prazer.

Assim que entrou nela e a sentiu tão apertada e quente, Karl soltou um gemido alto e a olhou nos olhos.

- Estou apaixonado por você. - sussurrou. Ela não respondeu, só o puxou pela nuca e o beijou.

 

 

 

 


Notas Finais




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