História Paraíso Destrutivo - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Tags Amor, Chantagem, Drama, Poder
Exibições 1
Palavras 4.807
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Festa, Ficção, Ficção Científica, Hentai, Magia, Mistério, Misticismo, Policial, Romance e Novela, Saga, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Violência, Visual Novel
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Espero que não estejam pensando que essa é mais uma fanfic clichê, pois vocês irão se surpreender muito ainda haha, principalmente com esse capítulo!
Boa leitura

Capítulo 2 - Cidade de Espinhos - Parte 2


Na manhã seguinte, Holly abriu os olhos devagar, olhou em volta. Ela percebeu que estava sozinha naquela cama enorme e espaçosa, enrolada num lençol fino de seda branca. Se sentou na cama, estava ouvindo o som de um chuveiro ligado e deduziu que Karl estava no banho. Olhou em direção à lareira, viu suas roupas jogadas em frente ao fogo, os copos, a caixa com o manjar, a garrafa de gim. Ela lembrou que não era acostumada a beber e talvez tenha exagerado na noite anterior.

Holly não entendia nada sobre bebidas, isso era especialidade de Lauren e de Harriet, que amavam uma boa bebida alcoolica.

E ela lembrava de tudo, de cada detalhe do que acontecera e não se arrependia de nada, fora uma noite inesquecível com um estranho numa pousada basicamente no meio do nada. Arregalou os olhos, subitamente caindo em si. Colocou a mão na testa, tensa.

Ela realmente tivera uma noite de sexo com um estranho numa pousada! Onde estava com a cabeça? Devia estar se preparando pro casamento de sua melhor amiga. Lauren já devia estar preocupada com ela, mas como ligaria? Isso não importava agora, ela precisava ir embora, pegar a estrada rumo à Portland.

Rapidamente, começou a vestir as roupas e quando acabou, estava quase abrindo a porta pra sair, quando deu uma olhada na suíte, com um sorriso cansado.

Ela nunca esqueceria aquela noite.

Por fim, ela suspirou, abriu a porta e saiu. Quando estava prestes a deixar a pousada, uma moça na recepção a chamou.

- Sim? - disse.

- Tem uma carteira com uns documentos e um celular aqui, deve ser seu. É a moça da foto do RG. Um rapaz que trabalha no aeroporto veio trazer hoje de manhã. - ela lhe entregou a carteira preta.

Holly sorriu de alívio.

- Muito obrigada! Eu estava encrencada. - assim que pegou a carteira, saiu.

Ela não sabia como, mas o dinheiro que guardara ainda estava lá. Pegou o celular, havia mais de dez chamadas perdidas de Lauren. Hoje era sábado, o casamento era amanhã.

Holly resolveu retornar a ligação, Lauren atendeu no segundo toque.

- Holly! Você se perdeu? Era pra ter chegado ontem! Eu sei que a neve não estava colaborando muito, assisti os noticiários, mas… Não podia ter me avisado que não chegaria? Estou fincando louca com os preparativos! E pra piorar, hoje mais cedo experimentei meu vestido e não serviu mais em mim, porque engordei uns quilos, por conta da ansiedade. Sabe há quanto tempo venho sonhando com esse casamento? Se você estivesse aqui comigo isso não teria acontecido! O homem que vai trazer as flores ficou doente, a mulher da decoração ainda não chegou… Tem tanta coisa pra preparar! Eu preciso de você! Harriet já chegou com a mãe dela e parece que ajuda mais que você. - ela desabou no celular.

Holly suspirou, dava pra notar o quanto a amiga estava nervosa.

- O noivo não está aí também? - perguntou.

Lauren grunhiu.

- Nem me fale! Ele ainda não chegou, deveria ser o primeiro! Me sinto tão irritada, já devorei tanto chocolate… Por favor, chega logo! Onde você está?

Nesse momento, Holly conseguiu atravessar a floresta e achou um ponto de táxi. Logo deu com a mão ao primeiro que apareceu. Assim que entrou, colocou a mão na escuta do celular e disse ao taxista:

- Leve-me para DownTown, por favor. - sem seguida, ela tornou a falar com Lauren. - Lauren, eu sinto muito mesmo pelo meu atraso. Sabe, ontem foi um dia terrível! Mas estou bem, tenho novidades, mas vou contar só depois que passar o stress do casamento. Fica calma, já que Harriet chegou, pede ajuda pra ela, ela é muito boa em colocar ordem nas coisas. Estou no táxi agora, logo mais chego aí. Beijos. - então, ela desligou e escorou a cabeça na janela do táxi, pensando nas merdas da noite anterior. O lado bom era que nunca mais veria o estranho.

 

 

Harriet Gould bateu na porta dos aposentos onde sua mãe estava hospedada, novamente. Ela suspirou e esperou, de modo impaciente, até ouvir um suave “pode entrar”.

Regina Gould era uma mulher excêntrica, possuia muita influência na mídia e tinha um status social de prestigio a zelar, ela se preocupava demais com sua aparencia e estava sempre dando entrevistas na televisão, pois era a fundadora de uma das maiores linhas de hospitais de Nova York, recentemente até escrevera um livro, que logo se tornara um best-seller. Ela era formada em medicina avançada, fisioterapia, pediatria e enfermagem, vivia colecionando diplomas e prêmios.

Harriet não era filha única, ela tinha um irmão que estava internado numa clínica para dependencia química. Ele tinha 22 anos e ela sempre ia visitá-lo. Harriet também tivera uma irmã gêmea, cujo nome era Emma, mas esta faleceu aos quinze anos.

Quanto ao pai, também falecera, mas num terrível acidente em seu jatinho particular. Por fim, Harriet morava num apartamento luxuoso de Manhattan e sua mãe morava em Las Vegas, numa das melhores mansões da cidade, cercava por luxo e fama.

E agora, desde que chegara ao casamento de Lauren, só sentia vontade de ir embora. Lauren e ela nem eram amigas, apenas colegas de trabalho, pois eram da escola Blessing. A diferença é que Lauren era professora e Harriet era assistente de Cecily Taylor, a mulher mais bondosa e amável que ela conhecera.

Harriet crescera cercava de riquezas, seus pais sempre a mimaram muito, pelo menos até a morte trágica do pai, fora assim. O fato era que depois que Harry Gould falecera, Regina mudou. Ela passou a agir de modo frio e um tanto egoísta, passou a brigar demais com as filhas.

Emma era mais sensível, sempre entrara em pânico. Mas Harriet era forte e a enfrentava. Quando Emma morreu, Regina jogou toda a culpa sobre Harriet e as brigas ficaram insuportáveis. Então, aconteceu de Harriet conhecer um rapaz que lhe ajudou a superar a dor na escola e se apaixonou por ele.

Regina fez de tudo para separá-los, porque o rapaz era de classe inferior à delas. Então, Max também falecera e depois disso Harriet ainda descobrira que estava grávida.

Como Regina sempre zelava pela aparencia, não queria que ninguém soubesse que sua filha seria mãe solteira, então a trancou num convento, para a esconder até que a criança nascesse. Quando a criança nascera, ela fez com que Harriet a largasse num orfanato. Depois disso, ela nunca mais vira a criança, nem sequer sabia seu nome.

E agora, Regina vivia a incomodando, fazendo-a participar de seus planos malucos.
A melhor coisa que acontecera a Harriet fora ser contratada como assistente da senhora Taylor. Ela se sentira acolhida.

Mas Regina descobrira tudo e começara a bolar planos. Regina e Cecily eram velhas inimigas e ela convenceu Harriet de que deveria se tornar amiga da sra Taylor, para que lhe descobrisse os segredos e tirasse a diretoria do colégio dela, pois sabia que o colégio Blessing era seu grande feito, seu grande império.

Harriet passara muito tempo e nada descobrira sobre Cecily, mas viraram muito amigas. Inclusive, estava a ponto de contratar o melhor médico da cidade pra cuidar do cancer da senhora. Por fim, abriu a porta do aposento e entrou.

Sua mãe olhava algo pela janela. Regina era uma mulher esbelta, alta, loira e cheia de classe, possuia uma boa lábia também. E desde que chegaram à mansão dos Karent, Harriet percebeu que ela estava animada e deduziu que estava armando alguma coisa.

Percebera também que ela estava com um copo de uísque do mais caro nas mãos e sorriu ao notar sua presença.

- O que você quer? - Harriet foi direto ao ponto.

- Não seja tão aspera, querida. Está servida? - ela lhe estendeu o copo com o uisque.

- Não, eu não quero. Quero que me diga o que está acontecendo. - ela cruzou os braços. - Seja rápida, eu preciso voltar para o lado da noiva e ajudá-la, já que Holly não está aqui.

- Está bem. O casamento acontecerá hoje à noite, não é mesmo?

- É, e está um caos. As flores não chegaram ainda, a decoradora não está aqui. É muita anormalidade acontecendo ao mesmo tempo.

- Tem razão. Incrivel como um simples telefonema gera tanto atraso, não é mesmo? - ela estava sorrindo.

- Então você é responsável por esses atrasos?

- Digamos que eu tenha colaborado com algumas coisas. Esse casamento… não pode acontecer.

- E por que não? Se você não é feliz, deixe as pessoas serem. Mary Ann Karent é sua melhor amiga, por que você seria contra o casamento da única filha que ela tem?

- Negócios. Ela tens uns interesses e eu tenho outros. Mas percebi que eles vão querer se casar de qualquer jeito. Estava olhando pela janela, as flores e a decoradora acabaram de chegar. Mas… você pode dar um jeito nisso, não é mesmo?

- O quê? Não vou arruinar o casamento da Lauren!

Regina se aproximou dela, balançando seu uisque suavemente.

- Vai sim, querida. - disse, em seu tom ameaçadoramente calmo. - Porque eu tenho algo que você quer e muito.

- E o que seria? Eu não quero nada que venha de você.

Regina deu um sorriso de lado e desviou os olhos.

- Nunca se perguntou onde seu filho pudesse estar agora?

A expressão de Harriet mudou e seu rosto mudou de indiferente para preocupado.

- Como assim? Do que está falando?

- Ele foi adotado. Está com uma família, morando no Texas.

- Mentira, você está blefando.

- Bom, é uma pena que não acredite. Eu estava disposta a te dar a felicidade que você sempre quis, ao lado do seu filho, que inclusive… Está completando 10 anos hoje. Pense nisso, Harriet. Eu poderia te dar o endereço para que pudesse encontrá-lo. Ele sabe que é adotado.

Harriet suspirou, revirou os olhos e simplesmente deixou o quarto.

Quando ela saiu, batendo a porta com força, Regina pensou no quanto a filha parecia com ela na juventude. Aliás, desde que Harriet era criança, ela pôde identificar suas características nela e a amou mais do que a seus outros filhos.

Regina sempre a cobriu de mimos. Seu filho mais novo, Charles, era idêntico ao pai, um idiota bonzinho, que logo ela fez questão de largá-lo numa clínica para viciados em droga. Emma era a moralista, sempre fora a pessoa sentada e honesta, e também covarde. Mas Harriet… Ela era diferente, pensava como Regina. Uma pessoa ardilosa, gananciosa e decidida. Era disso que precisava para que seu plano desse certo e finalmente ela pudesse destruir os Taylor.

Seu marido, Harry, sempre fora um homem corajoso e bom. Ela o amava tanto. Ele era um empresário muito rico e muito amigo de Cecily Gould. Regina era uma simples empregada na casa dela e ainda era tratada como um lixo pelos filhos dela.

Então, um belo dia o empresário apareceu lá, não havia ninguém em casa e eles ficaram conversando. E eles se apaixonaram, se casaram e tudo.

Só que um dia, ela descobriu que seu marido tinha um caso com Patrice Taylor, a filha mais velha de Cecily. E ela ficou transtornada, se sentiu humilhada! E mesmo assim, nunca contou a ninguém que descobrira o caso, preferiria mil vezes enxugar as lágrimas, levantar do chão e bolar um bom plano de vingança, não só pelo marido e sim pelas inúmeras humilhações que sofrera na casa dos Taylor. Sempre foram pessoas egoístas, manipuladoras e arrogantes. Mas ela deu a volta por cima. Iria se livrar de cada um deles, até não sobrar ninguém.

Regina pulou de susto quando seu celular começou a tocar. Ela o pegou e o atendeu. Era seu amante.

Ela sorriu ao atender.

- E então? Conte-me tudo. - disse.

- Eu não pude dar andamento no plano, sinto muito.

Sua expressão se fechou rapidamente.

- Como assim? Eu fui bem clara! - ela caminhou novamente até a janela.

- Sim, mas é que… Ela está morta.

Regina quase engasgou com a própria saliva.

- O quê?

- Isso mesmo. Cheguei na casa dela e me disseram que ela havia falecido há algumas horas apenas, não me explicaram como isso aconteceu.

Regina suspirou. Que droga, isso mudava seus planos.

- Certo, alguém mais sabe disso?

- Pelo que sondei não, só os empregados dela. Nem a família dela sabe. Mas por que está irritada? Pensei que odiasse aquela mulher.

- E eu odeio. Mas tinha planos antes de querer vê-la morta. Além do mais, não sei de que família está falando. Até onde eu sei, todos morreram em um acidente na estrada há mais de quinze anos.

Ele suspirou.

- Não exatamente…

- Como assim?

- Tem uma sobrevivente. Ela também estava no acidente, mas escapou com vida, fui um milagre. Ela era um bebê na época, hoje deve ter mais ou menos a idade da sua filha.

Regina apertou o celular com força.

- E quem é ela?

- Eu não sei, madame.

- Então descubra. Investigue, preciso saber tudo sobre ela. Harriet irá me ajudar com isso, eu tenho um plano. E como você sabe, - ela deu um sorriso de lado. - eles nunca falham.

 

Assim que Holly chegou à mansão, procurou por Lauren, mas deu de cara com os pais dela e logo na entrada principal.

Mary Ann, em toda sua elegância, saiu de perto do marido e veio saudá-la. Lauren se parecia muito com a mãe na aparência física, ambas de olhos verdes, cabelos castanhos e cacheados, pele clara e altura média. Quanto à personalidade, ela era mais parecida com o pai.

Holly ficou receosa ao vê-la se aproximar, considerando que os pais da amiga a odiavam pelo simples fato de ela ser pobre.

- É um prazer vê-la, srta James. - disse ela, dando um sorriso forçado.

Holly fez uma careta.

- Eu… sou a madrinha. Sinto muito pelo atraso, onde Lauren está?

Ela colocou a mão em seu ombro.

- Ajustando o vestido, com Harriet ao seu lado. Não vamos mais precisar de uma madrinha, minha filha já conseguiu outra. - ela ainda estava sorrindo. A governanta da mansão estava passando quando Mary lhe segurou o braço, parando-a e disse a ela: - Kate, querida… Dê um uniforme a essa mocinha aqui, estamos precisando é de pessoas pra ajudar na cozinha.

- Claro, venha comigo. - disse a governanta para Holly.

- Mas… Espera… - e antes de terminar de falar, a governanta a arrastou pelo braço e começou a lhe dar tanta instrução que ela parou de relutar e decidiu aceitar ficar como empregada.

Steve, o marido dela, veio ao seu encontro, tinha observado tudo de longe.

- Poderia ter tratado aquela moça melhor. - comentou, em tom de advertência.

Mary suspirou.

- Já olhou pros trapos dela? Aquela moça não está a altura de ser madrinha da nossa filha!

- Elas são melhores amigas, Ann!

- Steve, eu não quero minha filha andando com esse tipo de gente. O que vão pensar de nós? Vão pensar que nossa mansão virou moradia para sem-tetos! Hoje à noite será perfeito para Lauren, tudo tem que estar lindo e tem que ser inesquecível! - falou, em tom sonhador. - Eu só coloquei aquela moça no lugar dela, o lugar onde realmente deveria estar, servindo as mesas na festa. Eu ainda fui generosa em deixá-la ficar.

- Lauren ficará chateada, ela não gosta muito de Harriet.

Mary deu de ombros.

- Não sei porque, Harriet é uma moça tão simpática, educada, elegante! Ela sim é a amizade correta pra minha filha.

Steve percebera que nada do que dissesse faria a esposa mudar de ideia, então apenas meneou a cabeça e ficou em silêncio.

 

 

Lauren se olhou no espelho novamente, com seu novo vestido, um pouco mais largo. Nesses últimos dias andara comendo tanto, ficara tão ansiosa com os preparativos do casamento. Ela deu graças a Deus e suspirou de alívio quando viu que a decoradora e sua equipe chegou e as flores também.

Seu vestido parecia o de uma princesa, era tomara que caia, com um corpete justo, cheio de pérolas pregadas e da cintura pra baixo era todo armado, com um forro brilhante por cima. Ela também usaria luvas brancas que iam até os cotovelos.

- Você está linda, Lauren! - disse Harriet, aparecendo no quarto.

Lauren se virou pra ela e suspirou. Harriet era uma das mulheres mais lindas que ela já vira na vida, poderia até ser modelo. Mas confessava que as vezes a achava falsa e tinha dificuldade em confiar nela.

No colégio Blessing, os alunos morriam de medo dela e ela sempre fora arrogante, olhando para os professores como inferiores a ela. E ninguém podia detê-la, pois era protegida pela Cecily Taylor. Ela nunca entendera qual a relação entre ambas, mas via que era muito mais que uma assistente com sua chefe. Havia uma ligação mais forte, um carinho maior.

E agora, ela a olhava com um sorriso enorme no rosto. Harriet poderia não ser a melhor companhia, mas pelo menos ela estava ajudando, ela estava presente.

E então pensou que seria injusto não torná-la sua madrinha.

- Harriet, obrigada por tudo o que está fazendo. Eu quero te pedir uma coisa.

- O quê?

Lauren sorriu e colocou a mão no braço dela, gentilmente.

- Eu gostaria que fosse minha madrinha de casamento.

Harriet fez cara de surpresa e riu.

- Sério? Muito obrigada! - e ela a abraçou, parecendo muito feliz.

Bom, depois explicaria para Holly, se ela aparecesse no seu casamento.

 

 

Karl Graham chegou na mansão perto das 4h da tarde. O casamento seria à 8h, então ainda tinha tempo. Ele chegara tarde, pois teve um trânsito terrível na estrada que escolhera pegar. Já estava imaginando que Lauren iria matá-lo.

Ele passara o trajeto todo pensando sobre a noite anterior, que insistia em ficar na sua mente. Ficara desapontado quando saíra do banheiro hoje mais cedo e percebera que Holly o abandonara lá, sozinho. A primeira coisa que fizera depois isso fora ligar pra Jessica, sua melhor amiga desde a infância. Ela tinha os melhores conselhos,sempre sabia o que fazer.

- Não deve se casar, Karl! Se essa garota mexeu mesmo com você, não case. Ficará preso numa união sem amor. - dissera ela.

Embora ela estivesse quase certa, ele não poderia fazer isso. Conhecera Lauren num momento muito oportuno de sua vida, sua família estava falindo e parecia não haver salvação. Até que seus pais o convenceram a seduzir a moça, para me casar com ela e ficarmos com a fortuna dela. Isso era algo terrível, mas meus pais tinham muita influencia, ameaçaram minha reputação.

Além do mais, Holly não mexeu com ele do modo como Jessica pensara. Holly era doce e atraente e essa mistura o enlouquecera. Talvez estivesse envolvido demais pelo tempo lá fora, a suíte luxuosa, o fogo aceso na lareira, altas doses de gim aromático e um manjar turco delicioso. Tudo isso lhe servira como um verdadeiro afrodisíaco. Além do mais, depois que casasse, ele seria fiel à esposa, então resolvera aproveitar sua última noite de solteiro. Encarava isso como uma despedida, na verdade.

Bom, assim que chegou na mansão, percebeu que tudo estava muito silencioso.

- Oi! Tem alguém aqui? - gritou e ouviu passos.

- Mas quem está…? - Holly perguntou, se aproximando com as mãos cheias de coisas.

Assim que o viu, toda a cor foi embora de seu rosto, suas mãos fraquejaram e tudo caiu, inclusive seu semblante.

Ela se abaixou rapidamente pra recolher tudo.

- Droga, eu sou uma idiota mesmo. - ficou se xingando e lamentando o fato de ser desastrada.

Karl engoliu em seco. Mas que diabos aquela garota estava fazendo ali? Ele não tinha ideia que ela iria trabalhar no casamento!

- Eu te ajudo. - disse indo até ela e pegando algumas coisas do chão. Depois, ambos caminharam até a cozinha e jogaram tudo fora.

Holly estava tensa. Aquelas xícaras que estivera carregando custavam milhões. Kate lhe ensinou a ser cuidadosa com tudo e não quebrar nada.

Provavelmente Karl era um dos convidados.

Assim que ela jogou tudo no lixo, estava se retirando de mansinho, quando ele lhe segurou o braço e a virou.

- O que está fazendo aqui? - sussurrou, arrastando-a para fora da cozinha, voltando para a entrada principal.

Ela se desvencilhou e cruzou os braços.

- Estou trabalhando para que o casamento da minha melhor amiga seja um sucesso. Não lembro de ter visto seu nome na lista de convidados.

Ele suspirou e colocou as mãos na cintura, depois fechou os olhos ligeiramente e coçou a cabeça. E por fim a encarou, sem saber de onde tirar coragem para o que diria a seguir.

- Não estou na lista, porque sou o noivo.

O coração dela perdeu uma batida, toda a cor sumiu novamente do seu rosto, seu queixo caiu.

- O quê?! - quase gritou.

Karl tapou sua boca.

- Shhhh, não grite! Não queremos ser ouvidos.

Ela afastou sua mão, depois do choque, estava agora revoltada tanto com ele quanto consigo mesma.

- Você… Eu… - começou a gaguejar, era o que acontecia quando ficava muito nervosa. - Disse que estava apaixonado por mim!

- Holly, estávamos transando. E eu estava à beira de um orgasmo, diria qualquer coisa. - sem poder se controlar com tanta indiferença, ela lhe deu uma bofetada. Ele esfregou o rosto, mas permaneceu calmo. - Certo, eu mereci isso.

- Você me enganou! Disse que se chamava Karl!

- E eu me chamo Karl!

- Lauren sempre me falou do noivo dela, mas nunca falou Karl. Ela sempre se referiu a ele como Graham.

- Ela sempre me chamou assim, Holly. Olha só, sei que está irritada e com raiva de mim, mas eu posso explicar. - ele estava começando a sentir uma pontada de pânico.

Mas ela estava totalmente atordoada.

- Não sei como eu fui capaz! Traí minha melhor amiga, ela nunca vai me perdoar…

Ele tentou acalma-la, colocando as mãos gentilmente em seus braços.

- Holly, ela não precisa saber, ok? Ela não vai saber de nada. O casamento tem que acontecer.

- Mas você não a ama, não é? Se você a amasse não teria ficado comigo ontem à noite.

Ele suspirou.

- Certo, te direi a verdade. Eu não sinto nada pela Lauren. Mas é conveniente que eu me case com ela. Minha família e eu estamos passando por dificuldades e a família Karent é uma ótima oportunidade…

- Você é um mercenário! Não posso deixar minha amiga cometer o maior erro da vida dela!

- Eu sei que o amor vem com o tempo. Eu sei que se eu me esforçar, posso aprender a amá-la, Holly.

Então ela se acalmou mais, só que ainda estava ofegante.

- Para amar alguém não é preciso esforço, Karl. É preciso coragem. O verdadeiro amor não acontece assim, nós não mandamos no nosso coração, não podemos escolher a quem amar. Mas podemos escolher a forma de amar. E se você entrar nesse casamento, passará a sua vida infeliz e isso trará infelicidade pra ela também. Eu amo a minha amiga e quero protegê-la. Eu tenho que contar que esse casamento não passa de uma farsa.

Então, ela começou a andar em direção à saída.

- Se contar isso a ela, eu contarei da nossa incrível noite juntos. - disse ele, tomando medidas extremas. Não ia perder tudo por causa de uma noite de sexo.

Ela estacou e se virou, mal acreditando no absurdo que estava ouvindo.

- Como?

- Isso mesmo. Eu não queria, eu odeio chantagear as pessoas, mas você não me deixa escolha. Se ousar abrir a boca, contarei sobre nós e ainda direi que você sabia quem eu era. E ela nunca vai te perdoar. Eu a conheço, é uma mulher orgulhosa.

- Mas… Eu não sabia quem você era.

- Em quem você acha que ela vai acreditar?

- Você é um monstro. - ela sussurrou, bem perto dele e com os olhos cheios de lágrimas.

Então, Holly deixou o salão, decidindo que não ficaria ali pra ver o casamento. O melhor a fazer era ir embora.

No meio do caminho, ela encontrou Harriet e limpou as lágrimas que caíam.

- O que aconteceu? - ela perguntou.

Holly sabia o quanto Harriet era venenosa e o quanto a odiava.

- Isso não te interessa, estou indo pegar minhas coisas pra ir embora. Diga à senhora Karent que ela não precisa se preocupar, não vou manchar a reputação da família.

Harriet riu.

- Mas você mal chegou. Bom, de qualquer forma, é tarde. Acho que você não mais bem-vinda, Lauren me colocou como madrinha no seu lugar e disse que duvidava da sua amizade. Agora entendo porque. Acho que a melhor opção é você pegar suas coisas e voltar pra sua vidinha no Brooklyn, lugar de onde nunca deveria ter saído. - ela sorriu e lhe deu as costas, se sentindo triunfante.

Harriet havia ouvido toda a conversa da garota com Karl e até filmara, depois simplesmente fingiu que estava indo para a entrada principal. O vídeo que fizera certamente faria com que Lauren desistisse do casamento.

E ela teria seu filho de volta.

 

 

Eram 8h já e Lauren estava nervosa, começou a descer as escadas, segurando seu vestido para não tropeçar nele. Por fim, Holly não viera mesmo. Ela ficara triste por não ver a amiga, mas ainda havia esperança.

Só que ela ficou mais preocupada quando olhou para Harriet, que tinha uma expressão nada boa no rosto.

- Você está bem? - perguntou.

Ambas estavam prestes a entrarem na limusine que as levaria até a igreja local, que ficava próxima ao Forest Park.

Harriet suspirou.

- Bom, é que eu preciso te contar uma coisa antes que se case. Você tem um minuto? Noivas sempre se atrasam mesmo.

Lauren franziu as sobrancelhas.

- Claro. Vamos ao escritório do meu pai.

- Eu não quero nem sentar, apenas te mostrar uma coisa. - Harriet pegou o celular, mexeu em algumas coisas e resolveu mostrar o video para Lauren.

Claro que ela cortara algumas partes da conversa e deixara só as que importavam.

E ela observou a reação de Lauren ao ver. Primeiro viu choque em seus olhos, depois uma careta seguida de lágrimas.

Depois do vídeo, ela estava com a respiração acelerada.

- Mas… O que é isso? - questionou, mesmo sabendo a verdade.

Graham a traíra e pior, com sua melhor amiga! Nunca imaginara esse tipo de traição.

- Onde Holly está? - perguntou.

- Ela foi embora. Tadinha, está totalmente apaixonada pelo Karl e não suportaria a dor de vê-lo se casando com você. Eu falei com ela antes que partisse. Ainda insisti para que ficasse, porque você iria querê-la do seu lado. Mas ela não me ouviu. Eu sinto muito. - Harriet lhe enxugou as lágrimas e a abraçou.

Lauren não queria sofrer, estava cansada disso. Mas Harriet lhe oferecera um ombro amigo e ela não recusou. Pensou que ela não era tão ruim quanto pensava. Ela sim era uma grande amiga.

Depois do abraço, Lauren enxugou com força as novas lágrimas. Sua dor estava se convertendo em ódio rapidamente.

- Vamos, Harriet. Temos um casamento pra ir. - disse.

Harriet fez uma careta.

- Ainda vai casar com ele mesmo depois de tudo?

Lauren não respondeu, apenas saiu do escritório.

Certo, Lauren e Harriet entraram na limusine.

Na entrada no casamento, seu pai a acompanhou, sorridente e ela também sorriu, como se nada tivesse acontecido, como se realmente fosse o dia mais felizes de sua vida. Como se seu dia não tivesse virado cinzas.

E lá perto do padre estava o canalha, todo elegante num terno feito à mão, sorridente e parecendo apaixonado. Ele era um ótimo ator, Lauren teve que admitir.

Mas ela também sabia atuar.

Quando se aproximou do altar, seu pai lhe entregou ao noivo e tomou seu lugar. A cerimônia começou com o padre falando sobre o amor e depois de fazê-los jurar amor eterno, chegou a parte que realmente lhe interessava.

- Karl Graham aceita Lauren Karentt como sua legítima esposa, para amá-la e respeitá-la até que a morte os separe?

Karl sorriu.

- Sim. - disse, sem hesitar.

- Lauren Karent, aceita Karl Graham como seu legítimo esposo, para amá-lo e respeitá-lo até que a morte os separe?

Então, naquele momento decisivo de sua vida, pensou em tudo que estava em jogo. Em seu rosto não havia mais nenhum indício de que havia chorado. Mas ela abriu um sorriso torto, sem mostrar os dentes, estava perto de Karl e podia sentir sua ansiedade, a ansiedade pela resposta que ela daria. Ela o olhou bem dentro dos olhos, ainda com aquele sorrisinho meigo e disse:

- Não.  


Notas Finais


E então? O que estão achando? Parece que as coisas vão começar a piorar
Beijinhos, até o próximo capítulo!


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