História Paraisópolis (Romance Gay) - Capítulo 10


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Categorias Originais
Tags Amor Gay, Boyxboy, Gay, Gays, Glbt, Lgbt, Lgbtq, Romance, Romance Gay, Yaoi
Exibições 97
Palavras 2.077
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Romance e Novela, Violência, Yaoi, Yuri
Avisos: Álcool, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 10 - Pós sexo


Acordo em uma cama que não é a minha. É uma cama de casal. Um lençol cobre o meu corpo. A luz que entra pela brecha da janela irrita os meus olhos. Minha cabeça dói, mas só um pouquinho. Me levanto. Piso em falso e quase caio de bunda no chão. Ao me apoiar na cama vejo meu reflexo em um espelho: estou nu. Levo um susto e puxo o lençol da cama para me cobrir novamente. E então a noite passada me vem como uma clarão na mente e preciso pensar mais um pouco nos detalhes para me tocar do que aconteceu: eu e Caio transamos. Transamos!

Olho ao redor procurando algum sinal de Caio que não está no quarto mas o lado da cama ao contrário ao que eu estava ainda está meio amassado, isso significa que dormimos na mesma cama. Isso soava meio estranho na minha cabeça. Decido procurar Caio e então saio pela porta e o encontro sentado à mesa. Ele usava uma calça de moletom e....bem, e só. Os cabelos claros estavam bagunçados e caiam sobre o seu olho (meu Deus, que cara lindo). Uma jarra de café encima da mesa. Ao me ver ele ri pelo nariz. Os olhos passeiam meu corpo.

-Qual é a graça? –pergunto fazendo ar de sério mas no fundo quero rir junto a ele.

-Pra quê isso? –ele se refere ao lençol enrolado em minha cintura.

-Eu estou completamente pelado, Caio. –digo.

-Eu sei. Foi eu quem te coloquei na cama. –ele diz calmamente tomando um gole do café preto- E era eu quem iria cair de sono, não é mesmo?! –ele ironiza- Até parece, ainda tive energia pra tomar um banho.

-Poderia ter arranjado energia para vestir minha boxer de volta. –falo apontando para minhas partes intimas- Onde estão as minhas roupas?

-Precisa mesmo delas? –Caio se faz de tolo- Gosto de te ver assim. – e então arqueia uma sobrancelha.

-Cadê as minhas roupas? –repito a pergunta.

-Se quiser eu até tiro a minha calça também, se isso te deixa mais à vontade. –Caio se levanta e ameaça tirar a calça de moletom. Pelo pouco que ele puxou posso ver que não usa nada por baixo.

-Para, Caio! –digo tampando a visão.

-Deixa de besteira. Já visse o que muita gente por aí tá afim de ver ontem à noite.

-Precisamos falar disso agora?

-Acho que sim. –ele se senta de qualquer jeito e cruza os braços sobre o peito nu- Quero esclarecer uma coisa.

-Eu só sento depois de vestir algo. –insisto.

-Eu só te dou suas roupas depois que tu sentar e conversar comigo numa boa.

Que cara teimoso! Desisto de tentar vencer essa guerra e me sento bufando.

-Bom garoto. –Caio sorri de lado.

-Fala logo. –me irrito.

-Sobre ontem à noite: você é uma delícia quando o assunto é sexo.

-Obrigado...eu acho. –olho estranho para Caio- Você também não foi mal.

Quem eu tô querendo enganar? Foi simplesmente fantástico.

-Pode dizer que adorou, amorzinho. –Caio faz biquinho e me joga um beijo.

-Convencido. –digo. Não que ele estivesse errado.

-Agora sério. Foi só sexo...só. Sem compromisso. Por isso eu te digo logo: não se apaixone por mim. –ele diz com seu olhar sério mas não me foi carrancudo.

-Eu não vou me apaixonar por você. –digo olhando em seus olhos.

-Acho bom mesmo. –Caio diz levando as mãos por trás da cabeça- Não que tu não seja um cara legal e tudo mais. Só vamos evitar que alguém se machuque, ok? –não respondo, apenas balanço a cabeça -Gosto da minha liberdade. Gosto de sair à noite pra curtir alguma festança que tá rolando. Gosto de conhecer pessoas, ficar.  Mas não passa disso. Todas as garotas com quem transei sabiam que era só uma noite de diversão e depois disso...partiu! Cada um pra suas banda.

 Fico incrédulo. Não que eu realmente achasse que tivesse chance com Caio mas ouvir que eu fui sua diversão de uma noite bateu forte. Não estava com raiva dele por pensar daquela maneira, porém, estava com um pouco de raiva de mim por te me entregado a ele ontem. Ele foi o meu primeiro.

-Ei, tá ai? –Caio estala o dedo na minha cara.

-Oi? –desperto do meu pensamento- Tô, tô.

-E aí?

-Igualmente. Quer dizer, também curto minha liberdade.

-Bom, muito bom.

-Mas agora –me levanto da cadeira e vou até a porta que leva até a sala. Caio se levanta e vem atrás de mim –preciso vestir algo e ir atrás do Tiago. Ele deve tá com uma baita ressaca por causa da bebedeira. –nesse momento sinto Caio me puxar por trás.

Meu corpo bate no seu. Ele então beijava meu pescoço e distribuía beijos na região.

-Já? –ele pergunta em meu ouvido- Saindo assim sem comer nada? Minha avó me dizia que saco vazio não para em pé.

-Eu não sinto fome pela manhã. –menti. Estou sempre com fome.

-Ah, mas eu sinto...e muita fome –as mãos que percorriam o meu corpo agora paravam em minha cintura. Caio passava sua ereção de forma descarada em meu traseiro –Que tal eu comer meu café da manhã agora, hum? – aquilo me deixou louco. A sua voz era carregada de luxúria. O hálito quente batia em meu pescoço e causava arrepios por todo meu corpo.

-Você é meio bipolar. Achei que a nossa diversão fosse só por uma noite. –digo olhando fixamente para a frente. Não me atrevia a mexer um musculo.

-É, mas você é tão gostoso que eu tô pensando em uma amizade colorida. –Caio então me vira e me prensa contra a porta. As mãos ao lado da minha cabeça- Que tal? –ele agora me olhava nos olhos, seus olhos cheios de desejo. Seu rosto agora estava cada vez mais próximo do meu.

-Eu não sei. –digo com um fio de voz. Aquela situação estava me levando a loucura.

-Mas eu sei. –dizendo isso ele puxa o lençol da minha cintura. Ele sorri ao ver que me deixou excitado.

Ele então me dá um beijo lento e carregado de desejo. Meu corpo agora estava colado ao seu. As mãos de Caio apertavam a minha bunda. Coloquei uma mão em seu ombro e com a outra afagava seus cabelos bagunçados. Dessa vez fui eu quem invadiu sua boca com a minha língua. Eu estava delirando com o gosto de Caio. Era viciante.

Eu não sei no que o beijo iria terminar e infelizmente não iria descobrir. Fomos interrompidos pelo som da porta da sala batendo. Ouço a voz de Tiago chamando o meu nome. Empurro Caio e fico desesperado. Droga! Se ele me ver assim sem roupa vai saber que houve algo entre mim e Caio!

-Cadê as minhas roupas? –pergunto baixinho.

-Eu não mexi na sala depois que transamos. Elas ainda estão lá com as minhas.

-Merda! –digo pegando lençol do chão e me cobrindo de novo- Você nem pra trancar a porta, né? Já pensou se alguém entra aqui e nos encontra dormindo na mesma cama e ainda por cima comigo nu?!

A maçaneta da porta começa a virar. Caio faz força contra a porta e faz sinal para que eu vá até o quarto. E assim o faço. Ao entrar no quarto tranco a porta. Encosto o ouvido na porta na expectativa de ouvir a conversa do lado de fora.

-Tiago. –ouço Caio saudar Tiago.

-Oi, Caio. –a voz de Tiago surge- Onde tá o Alex? Tô morrendo de dor de cabeça e quero ir pra casa.

-O Alex? Alexandre, seu amigo?

-Esse. –pela voz de Tiago ele parece estranhar aquilo vindo de Caio.

-Ele acordou meio mal também e tá tomando BANHO! –a voz de Caio se eleva na última palavra.

-Não ouço o som do chuveiro. –Tiago diz.

E aí que me toco que que há um banheiro no quarto de Caio. Corro até lá e ligo o chuveiro no máximo. Entro e me molho. Tento fazer o máximo de barulho que posso. Desligo o chuveiro e pego uma toalha que estava ali. Saio com ela enrolada na cintura e vou até a cozinha.

-Tiago? –me faço de confuso- Acordado essa hora?

-Eu dormiria mais, só que há um barulho de moto constante aqui nessa favela e sem falar que a minha cabeça tá estourando. EU NUNCA MAIS BEBO NA MINHA VIDA!

-Você disse isso da última vez que se embebedou e acordou com ressaca e isso foi tipo duas semanas atrás.

-Vai jogar meus erros na minha cara agora, é? –Tiago fecha a cara.

-Não...eu só...

Tiago ri.

-Tô brincando. Vai vestir alguma coisa e vamo arredar o pé daqui. –Tiago lança um olhar demorado para Caio – E você, Caio, devia colocar uma cueca.

Olho para Caio e vejo que o volume em sua calça ainda é notável.

-Ah, isso? –ele diz puxando a calça e olhando para dentro dela- Quem não acorda excitado? Hehe é só eu fazer uma visitinha ao banheiro e... –Caio gesticula que está se masturbando- problema resolvido!

Coloco a mão na testa. Meu Deus, me dá um lugar para enfiar a cara.

-Ah tá. Vou fingir que não vi as roupas dos dois jogadas na sala, o cheiro de sexo e testosterona exalando no ar e isso. –Tiago aponta para o pau de Caio que ainda não diminuiu de tamanho- Que caia um raio sobre a minha cabeça nesse exato momento se vocês não tavam se pegando ou mais: transando.

-Nós não estávamos transando! –digo com certa urgência na voz.

-É. –Caio me ajuda- Isso foi ontem! – ou ao menos tentou. Eu acho.

Lhe lanço um olhar fuzilador.

-Caio! –grito.

-Qual é o problema dele saber? –Caio pergunta- Foi só uma transa!

-É, Alex, qual é o problema deu saber? –Tiago me olha com um olhar orgulhoso. Os braços cruzados.

-Não tem problema nenhum. –digo bufando e passando direto por Tiago. Pego as minhas roupas na sala e volto ao quarto de Caio. Me visto rapidamente. Saio para a cozinha.

-Cadê meu celular? –pergunto a Caio.

Ele aponta para o balcão da cozinha. Pego meu celular e enfio no bolso.

-Vamos? –olho para Tiago.

-Eu acho que vou sozinho. Não queria atrapalhar o casal. –Tiago diz sorrindo.

-Não somos um casal! –digo sério para Tiago.

-Então você não se incomoda que eu fique um pouco com Caio, né? Cinco minutinhos só.

Olho para Caio que está segurando um riso frouxo. Fico sem o que dizer. Saio pela porta e vou embora com passos rápidos.

-Alex! –Tiago vem atrás de mim. Não paro- Alex, para caralho!

-Qual é o seu problema? –pergunto.

-Desculpa se fiquei entre você e Caio. –ele parece mesmo magoado.

-Você não está entre mim e Caio. –as palavras parecem sair quase que ficando pelo caminho até a boca- Não temos nada. Você ouviu ele dizendo, foi só uma transa.

-Não foi só uma transa pra você. –ele diz.

-Não fala besteira.

-Eu não tô falando besteira, só a verdade. Se não o fosse você não teria ficado com raiva de mim por fazer aquela brincadeira.

-Eu não tô com raiva por causa da sua brincadeira.

-E pelo que seria?

-Nada, só acho que você devia tentar ser menos palhaço. Eu vou pra casa agora. –volto a apertar o passo.

Dessa vez percebo que Tiago não me segue.

***

Já era tarde quando comecei a sentir sono. Já deitado em minha cama deixo meus pensamentos me dominarem. E claro, Caio estava neles. Deviam estar fazendo vinte e quatro horas que fizemos sexo. Se me esforçasse ainda podia sentir sua pele na minha. Me viro na cama tentando afastar aqueles pensamentos. Eu não podia me apaixonar por Caio. Eu não devia. Mal fazem uma semana que nos conhecíamos e já havíamos transado. Me senti submisso.

O celular toca e aquele nome de quatro letras apenas que estava me cercando se mostrava no visor.

-Eu quero dormir. –digo ao atender.

-Espero que não esteja com raiva de mim. –Caio diz.

-Por que eu teria raiva de você?

-Por ter entregado tudo ao Tiago. E por não ter dito alguma coisa quando ele me flertou.

-Caio, não temos nada, certo? Você mesmo disse. E se quiser ficar com Tiago quem sou eu para impedir que você fique com ele?

-Não se preocupe. Ficarei longe do seu amigo... não precisa ficar com ciúmes.

Não fode com a minha cabeça a essa hora da noite.

-Eu realmente quero dormir, Caio. Depois a gente se fala. – ou não.

 



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