História Paraisópolis (Romance Gay) - Capítulo 11


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Categorias Originais
Tags Amor Gay, Boyxboy, Gay, Gays, Glbt, Lgbt, Lgbtq, Romance, Romance Gay, Yaoi
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Palavras 1.301
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Romance e Novela, Violência, Yaoi, Yuri
Avisos: Álcool, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 11 - Desligando-se


Hoje fazem exatas duas semanas que não vou até Paraisópolis. Duas semanas que não vejo e que não falo com Caio. Nem mesmo por telefone. Eu estava me desligando dele e me desligando da comunidade. Caio também não me procurou mais. Só recebi três mensagens suas e ele me ligou duas vezes desde então. E só para deixar claro: eu não estava gostando de Caio. Não iria me apaixonar por alguém para ser feito de idiota. Mesmo estando longe de Paraisópolis ela ainda não saía de mim por dois motivos: eu moro ao lado dessa favela e meu pai trabalha lá. Mesmo com a proibição da minha mãe o meu pai de vez em quando me chamava para ir até lá. Em outra ocasião eu até aceitaria mas depois do que houve com Caio eu decidi me afastar até porque aconteceu tudo muito rápido. Em um dia nos conhecemos, no outro nos beijamos e logo então transamos. Droga! Eu citei isso novamente. Você está tentando esquecer, lembra Alex?
Tiago não entendia o fato de eu me afastar de Paraisópolis. Segundo ele eu deveria voltar para lá e encontrar Caio. Ele firmou isso depois que lhe falei que Caio me ofereceu uma amizade colorida. Tiago viria para a minha casa hoje para passar a tarde comigo. E sim, eu e Tiago estamos bem, obrigado. Não seria um garoto que implicaria em nossa amizade.
-Que bom que Tiago vem lhe ver. –minha mãe diz procurando algo na geladeira – Já fazem duas semanas que você não sai para lugar nenhum. Só fica dentro dessa casa vegetando. – ela se vira com um iogurte na mão –Você está mesmo bem, meu filho? Eu temo que você esteja entrando em depressão.
-Depressão, mãe? –rio pelo nariz –Eu conheço um outro nome para isso e é preguiça!
-Eu não sei como você continua mantendo esse seu corpo magro com esse sedentarismo todo.
-Será que todos os seus argumentos sobre as coisas que faço são sobre o risco de eu ficar gordo? –pergunto.
-É um risco, Alex! Você só fica aqui dentro dessa casa comendo, comendo e comendo.
-Comer é bom.
-Mas é preciso se exercitar! –ela diz –Eu já lhe chamei muitas vezes para irmos juntos a aula de Zumba!
Ouço alguém batendo na porta.
-E eu já disse que não vou! –digo indo em direção a porta. Tiago era quem batia –Você!
-Eu. –ele sorri.
-Vamos. –digo indo em direção ao meu quarto.
-Oi, Ti! –minha mãe aparece sorridente.
-Oi, do... –minha mãe olha para Tiago com indiferença ao perceber que ele a chamaria de dona – Isabel!
-Está namorando? –ela pergunta.
-Deus me livre de compromisso! –ele ri e eu o puxo pelo braço.
***
-O Fernando não posta nada no instagram além de fotos dele na academia. –Tiago diz. Ele está deitado de barriga para cima e mexendo no seu celular.
-Eu não acredito que você segue seu ex-namorado no instagram. –digo também mexendo no meu celular.
-Qual é o problema? –ele pergunta.
-Sei lá...eu só achei que vocês tivessem se estranhado depois de terem terminado.
-Se engana. –ele diz olhando para mim –Não sou como você que fica todo estranho com a pessoa.
-Você está falando exatamente do quê? –ergo uma sobrancelha.
-De você não voltar a Paraisópolis só porque transou com Caio.
-Achei que tivéssemos combinado de não falar mais sobre isso.
-Sabe que eu não consigo. –ele diz dando de ombros.
-Devia aprender. –retruco.
-Mas o cara te ofereceu uma amizade colorida! –ele quase grita – É a melhor coisa do mundo! Vocês são amigos e podem transar sem que isso ferre com a amizade de vocês. Se eu fosse você voltava lá todo dia para repetir a dose, principalmente com alguém tão atraente como Caio.
-Acontece que eu não tenho fogo no rabo como você. –viro os olhos –Fernando te deixou muito mal acostumado. Vocês por acaso transavam todo dia?
-Não, assim não tem cu que aguente, né? –ele bate no meu braço –E eu só tinha aula com ele nas terças e quintas. –ele volta a mexer no celular –E o assunto agora é você.
-Olha, eu não vou dizer que não gostei de ter ficado com Caio e ter feito aquilo com ele. –digo.
-Sexo. –Tiago me interrompe.
Sexo. –digo lhe fuzilando com os olhos –Mas foi só aquela vez. Eu não quero ficar sendo só a diversão de alguém.
-Eu não acredito que você virou daqueles que querem relacionamento. –Tiago estranha – E, repetindo: ele te ofereceu uma amizade colorida. Não precisa ser só uma noite!
-Mas mesmo assim eu só seria a diversão de Caio. Ele ainda teria um monte de gente com quem transar e eu só seria mais um.
-Você também teria um monte de gente. Para com isso! E depois diz que não tava afim do cara.
-Se tá tão interessado nesse assunto por que não vai até lá e transa você mesmo com ele? –pergunto de forma meio bruta.
-Pra você ficar mordido comigo? –ele pergunta –Não, obrigado.
-Vamos parar de falar sobre Caio, tá bom? Ele pode ser um cara legal e que tem seus dotes, mas ele pertence ao mundo, e sinto que se eu me permitisse fazer parte da sua diversão eu poderia acabar gostando mesmo dele e isso não seria bom já que ele não pensaria antes de ferir meu coração.
-Lamento te dizer que se o que te impede de ficar com alguém é medo de se ferir então você nunca vai achar uma pessoa. –Tiago diz simples.
Aquilo me fez refletir e cheguei a conclusão que Tiago estava certo sobre me ferir em um relacionamento... mas eu poderia ao menos evitar aqueles que obviamente o fariam.
***
Duas semanas em casa e a minha mãe já estava ficando louca. Ao menos três vezes ao dia eu a ouvia dizer que eu estava com depressão. Não tinha coisa pior que ouvir seu discurso sobre como ela entendia minhas complicações adolescentes. Depois que Tiago foi para sua casa passei boa parte do fim da tarde na sala assistindo as séries em que eu estava atrasado.
-Por que esse rapaz não vai atrás de uma moça? –minha mãe me perguntava quando via Loras Tyrell flertando com outros caras em Game of Thrones –Deviam haver tantas donzelas a procura de um par. 
-Ele é gay, mãe. –digo –Tem alergia a vaginas, é simples.
-Ele é gay porque ainda não achou a moça ideal.
-Você é hetero porque ainda não encontrou a sua ‘’ moça ideal’’?
Minha mãe me olha incrédula e apenas dou de ombro. Antes que possa me falar algo o seu celular toca.
-É a sua tia Amanda. –ela diz se levantando- Já volto.
-Não tenha pressa. –digo.
Fico ali assistindo. De vez em quando dava uma olhada no celular esperando alguma notificação. Que tipo de notificação?
-Ai meu Deus. –minha mãe volta para a sala –Essa família só me arranja confusão. É por isso que me desliguei desse povo.
-Qual é o problema? –pergunto olhando para a televisão.
-O tio Hugo está saindo de casa. A Amanda está inconsolável.
-E?
-Eu terei que viajar até Americana garantir que ela não faça besteira. –minha mãe vira os olhos- Dai-me paciência, senhor!
-Nossa, que bom ver que você gosta de ajudar sua irmã. –digo irônico.
-Não é isso, Alex. É que eu odeio deixar você e o seu pai sozinhos. –ela faz voz de sofrida e puxa minha cabeça para pousar no seu ombro.
-Mãe, o pai já é adulto e eu já tenho quase dezoito. –digo desconfortável.
-Mas você não deixa de ser o meu baby. São os meus bebezões.
Me solto de minha mãe.
-Bem –ela diz se levantando - acho melhor eu arrumar as minhas coisas. Prometi a Amanda que chegaria lá amanhã mesmo, então, terei que partir bem cedinho.
 


Notas Finais


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