História Paraisópolis (Romance Gay) - Capítulo 13


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Categorias Originais
Tags Amor Gay, Boyxboy, Gay, Gays, Glbt, Lgbt, Lgbtq, Romance, Romance Gay, Yaoi
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Palavras 2.802
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Romance e Novela, Violência, Yaoi, Yuri
Avisos: Álcool, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 13 - De volta à Paraisópolis


Acordei cedo no dia seguinte. Não que eu quisesse, mas sim porque minha mãe queria se despedir de mim mesmo depois de passar o jantar todo me mimando. Como não podia deixar de ser ela era exagerada em tudo. Ela iria passar somente três dias fora e estava com os olhos marejados ao ter que dizer tchau.

-Promete que não vai dormir muito tarde? Que vai se alimentar direito? –ela dizia. Meu rosto estava enfiado em suas mãos.

-Não prometo nada. –digo.

-Eu vou sentir tanta saudades do meu malcriado. –ela me abraça.

-Vamos indo? –meu pai pergunta olhando a hora no seu relógio de pulso. Ele já estava pronto para o trabalho mas antes deixaria minha mãe no aeroporto.

-Vamos. –ela diz olhando ao redor com aquele seu drama.

Quando eles passam pela porta a fecho e me escoro nela bufando. O drama da minha mãe era um terror. Voltei me arrastando para a minha cama e me joguei nela na expectativa de voltar a dormir. Fechei os olhos e dormi por alguns instantes mas o interfone tocou. Me levanto com raiva e atendo.

-Quem é? –pergunto seco.

-Isso é jeito de falar com as pessoas, Alexandre? –ouço a voz de uma idosa. Ela me é familiar –Abre esse portão.

-Ok. –digo simples e já imaginando quem possa ser.

Minutos depois a porta se abre e ao ser aberta é revelada a dona da voz.

-Vó Lu? –fico surpreso ao ver minha avó.

-Alex, meu neto! –ela me beija no rosto.

-O que faz aqui? –pergunto.

-Não vai me convidar para entrar? –ela pergunta com seu tom bravo.

-Oh, desculpe! –dou licença para que ela entre.

-Ótimo. –ela diz entrando- Pegue minha mala, sim?

Noto que ela trouxe uma mala de rodinhas junto a ela.

-Essa, essa minha filha é uma louca, sabe? –ela diz sentando no sofá- As duas: Isabel e Amanda. Não há uma que tenha nascido com juízo na cabeça. Ela me ligou ontem a noite toda preocupada em deixar você com seu pai aqui já que você ficaria sozinho por boa parte do dia.

-O pai chega meio tarde do trabalho. –concordo e me sento ao seu lado –Só que a mãe não comentou nada sobre sua vinda.

-Qual o problema? Eu decidi vir aqui ver o meu neto lindo. –ela beija minha cabeça –Como está crescido.

-Faço dezoito no mês que vem. –digo sorrindo.

-Sim, sim! Já é um rapaz. –ela diz alisando meu braço- Já tá namorando?

Precisava falar de namoro, vó?

-É complicado. –digo com vergonha –Na verdade, não.

-Complicado? –ela indaga- Complicado era na minha época. Vocês hoje em dia são tão espertos com essa era digital.

-Não é tão simples, vó. –digo rindo.

-Um menino bonito como você em breve estará com uma bela garota. –ela diz. Fico sem graça –Mas olha só pra você! Sua mãe não te dar de comer não é, menino? Olha como tá magro! Se virar de lado some!

-Vó! –rio.

-Enquanto eu estiver aqui você vai engordar ao menos cinco quilos! –ela diz levantando o dedo para fazer ênfase- Vai se arrumar, vai vai! Vamos fazer algumas compras e depois vamos almoçar.

Abro um sorriso para minha avó.

-Só espera um instante, ok? –digo pegando em sua mão.

-Ok.

Beijo seu rosto e me levanto. Tomo um banho rápido já que minha vó é meio impaciente e me visto. Volto para a sala pronto para sair.

-Vamos? –pergunto para minha vó sorrindo.

-Vamos. Só me deixe pegar minha bolsa.

***

O dia com minha avó foi maravilhoso. Ela era uma pessoa muito divertida e eu realmente gostava dela. Fomos ao supermercado já que ela insistiu de encher a geladeira. Um rapaz ficou encarregado de levar as compras até em casa. Depois almoçamos em um restaurante. A tarde ficamos andando pela cidade...sim, a pé. Vó Lu dizia que eu estava muito magro e precisava me exercitar para ganhar massa e eu não entendia como andar a pé me ajudaria nisso.

Quando já estávamos voltando para casa passamos em frente ao lugar que eu evitava a tempos: Paraisópolis. Senti uma pontada no peito ao passar por ali e ainda mais quando minha avó parou em frente.

-Não é ai que o Antônio tá trabalhando? –minha avó pergunta.

-É, vó. –digo rapidamente- Vamos? –pego em seu braço.

-Não, não! –ela se solta- Faz tempo que não vejo seu pai e quero cumprimenta-lo. O pobrezinho tem que aturar a Isabel e só Deus sabe como é difícil! –ela anda até a entrada da comunidade.

-Vó, vamos embora, por favor! –imploro –A senhora fala com ele em casa.

-Que drama é esse, menino? –ela pergunta.

-Nada. –minto -Só não gosto desse lugar.

-Ora, mas que besteira. São pessoas como nós que estão ai. –ela diz e volta a andar –Sabe onde fica o posto que seu pai está?

-Não.  –minto.

-Alexandre...eu limpei sua bunda quando era menor. –minha vó me cerra o olhar- Não minta para mim.

-Tá legal, vó. Eu sei! Mas nunca fui até lá.

-Tudo tem sua primeira vez. –ela sorri.

Fico parado observando os caras na entrada olham curiosos para a minha avó que passa tranquilamente por eles. Wesley é quem está lá e parece feliz em me ver. Ele se levanta e parece que vai me cumprimentar.  Antes que ele fale algo faço sinal para que se cale e o puxo para um canto pelo braço.

-Que foi? –ele pergunta confuso.

-Não quero que minha vó saiba que conheço a galera daqui. –digo tomando cuidado para que minha vó não me veja.

-Aquela é a sua avó? –ele aponta para ela que já tratou de arrumar conversa com uma outra senhora que estava ali perto.

-É. –digo.

Houve um momento de silêncio enquanto analisávamos minha avó rir freneticamente com a velhinha. Wesley se vira para mim e volta a falar.

-Você sumiu. –ele diz.

-Tive que me afastar. –digo olhando através de Wesley.

-Posso saber o motivo? –Wesley pergunta.

O seu chefe/amigo.

-Nada de importante. –digo.

-Quer que eu chame Caio? –ele pergunta colocando a mão do bolso e tirando o celular.

-Não! –me apresso em dizer. Wesley me olha confuso –Quer dizer, ele deve tá fazendo algo importante agora...cuidar de um lugar como esse não deve ser tarefa fácil.

-Ele deve estar com alguma garota por ai. –ele ri.

Forço um sorriso para Wesley.

-Deve ser. –digo com a voz falha –Eu vou com a minha avó ver o meu pai. A gente se fala.

-Tchau.

Vou até a minha vó e voltamos a caminhar em direção ao posto de saúde de Paraisópolis. Ao chegarmos não havia muito movimento no local e então não foi um grande problema visitarmos o meu pai...fico pensando como seria se o local estivesse movimentado mas minha avó também é meio doida e não pensaria duas vezes antes de entrar na sala do meu pai no meio de uma consulta.

-Ah Antônio, meu genro. –minha avó dizia abraçada ao meu pai –É tão bom te ver.

-Eu não sabia que viria, dona Luciana. Se não teria mandado arrumarem o quarto de hospedes. –meu pai dizia.

-Ora, mas que besteira.

-Quer um café? –meu pai oferece a minha avó.

-Vou aceitar! –ela ria se sentando em uma cadeira que meu pai puxou do canto do consultório.

-Alex, poderia ir na recepção e pegar dois copos de café? –meu pai perguntava.

Eu não estava prestando muita atenção na conversa e estava meio longe. Tive que pedir que repetissem para que eu entendesse o pedido.

-Ah, café? –pergunto- Tá bom.

-Esse meu neto é uma bênção. –ouvia minha avó dizer depois que saí da sala.

Fui até a recepção e vi a garrafa térmica em uma prateleira baixa. Peguei dois copos de plástico e os enchi de café. Ao me virar tomo um susto e quase deixo os copos fugirem de minhas mãos: Caio estava ali no posto de saúde em que meu pai trabalha. Estava conversando calmamente com a recepcionista que era uma moça jovem bem bonita. Ele estava escorado no balcão e os dois riam. Ele levantou o rosto e me viu ali parado como um tolo segurando dois copos de café. Aperto o passo de volta ao consultório do meu pai para evitar papo com ele.

‘’ Merda, merda, merda!’’ gritava em minha cabeça. Caio, o cara que eu estava evitando faz duas semanas estava bem ali no mesmo lugar que eu e sabia que eu estava ali. Ele viria atrás de mim? Espero que não. Ele parecia ter arranjado uma nova distração. Mas que droga, por que eu estava pensando naquilo? Foda-se o que Caio estava fazendo da sua vida. Isso não me interessava!

Entrego o café a meu pai e a minha avó e peço licença para ir ao banheiro. Com todo cuidado do mundo para não trombar com Caio vou a passos rápidos ao banheiro. Depois de fazer o que precisava vou a pia lavar as mãos. Aproveito e lavo o rosto. Ao abrir os olhos vejo Caio pelo espelho. Ele vem em minha direção e me puxa para uma das cabines. Ele me agarrava e me beijava. As suas mãos apertavam a minha bunda me fazendo gemer entre os beijos. Não! Ele não pode fazer isso comigo! Resisto e o empurro. Ele bate na parede.

-Porra!? –ele diz levanto a mão a cabeça. Acho que o machuquei.

-Eu é quem digo. –cruzo os braços- Que ideia foi essa de me agarrar no banheiro?

-Qual é o problema?

-Qual é o problema? –indago- O problema é que eu não quero ser beijado por você.

Eu realmente não queria. Mas sentir a boca de Caio na minha me fez lembrar de duas semanas atrás. Caio somente ri.

-Qual é a graça? –pergunto com raiva.

-Você dando uma de difícil. –ele diz com um sorriso no rosto. Droga, por que tem que ser tão sexy? –Vai me dizer que não tá morrendo de saudades do seu amiguinho aqui. –Caio tenta mais uma de suas investidas e novamente leva um empurrão.

-Para com isso! –me irrito.                                         

-Por que não voltou mais? –ele pergunta.

-Eu não quis voltar. –dou de ombros.

-Fala sério, tu tava com vergonha de voltar aqui? Que nem quando nos beij... –Caio começa a falar mas é interrompido com minha mão que cala sua boca.

-Não fala! –digo.

Caio tira minha mão da sua boca.

-Tu tem problemas. –ele diz.

-Até porque sou eu quem saio beijando as pessoas no banheiro de um posto de saúde.

-Eu não beijei qualquer pessoa. Beijei você: o riquinho do Morumbi com quem fiz sexo. –Caio diz e dou um tapa no seu braço. –Ai, caralho!

-Para de falar das coisas que fizemos! –digo lhe matando com o olhar.

-Por que não falar? Eu gostei...vai me dizer que não gostou? –Caio diz passando a mão no vermelho em seu braço –Tava até pensando em repetir.

Ouvir aquilo me fez engasgar mesmo que eu não tivesse com nada na boca.

-Eu acho que você vai ter que arrumar outra pessoa para fazer isso com você. –digo abrindo a porta da cabine mas Caio a empurra com sua mão pesada a fechando outra vez.

-Por que não voltou mais? –ele pergunta outra vez.

-Já disse que não queria voltar. –digo sério.

-E por que tá aqui?

-Vim com a minha avó ver o meu pai.

-Eu vou fingir que acredito.

-Eu tô falando sério! Não queria voltar e não queria te ver. Só tô aqui porque a minha avó insistiu de ver o meu pai! –digo com a voz firme.

Caio balança a cabeça lentamente fazendo sinal de negativo.

-Vamos lá, pequeno A. –sua voz sai com aquela rouquidão maravilhosa e me faz arrepiar no momento em que ela chega aos meus ouvidos -Acho que não é esse o motivo real.

-E qual seria o motivo? –pergunto.

Caio então me pressiona contra a parede. Tento evitar mas ele é mais rápido e mais forte que eu. Suas mãos seguram meus braços contra a parede. Ele começa a passar os lábios pelo meu pescoço. Logo ele colocava o rosto de frente ao meu e olhava nos meus olhos. Ele começou a beijar todo o meu rosto e ao passar pela minha boca apenas ameaçava me beijar, mas não o fazia. O maldito estava me provocando.

-Você pode até ter vindo com a sua vovozinha, mas no fundo tinha esperança de me achar. –ele sussurra em meu ouvido e morde meu lóbulo –Vamos lá pequeno A, assim como eu tu também quer repetir as maluquices daquela noite.

-Sonha. –digo com um fio de voz.

-É. –ele diz ainda me pressionando contra a parede –Eu sei como é difícil resistir ao meu charme. Você também é um garoto bem bonitinho e quando eu penso em ti ter de novo fico louco.

-Você não é charmoso. É só um idiota que não aguenta segurar esse pau dentro das calças. –digo tentando manter a postura séria.

-Eu sei de um lugar onde posso colocar meu pau dentro. –ele diz e me deixa duro com a ideia. Mas ele não vai me ter!

-Caio, é sério. Eu não quero mais transar com você. Olha que eu grito por ajuda! –ameaço.

-E eu te calo. –Caio volta a aproximar o seu rosto do meu.

Ele vai me beijar. Infeliz! Posso sentir o ar quente saindo de sua boca e batendo em meu rosto. Mas quando apenas um dedo separava nossos lábios Caio me solta e me olha com seus olhos que revelavam desejos explícitos.

-Continue dando uma de difícil, Alex. –ele diz –Isso só vai me deixar com mais vontade. –ele pisca para mim e sai do banheiro.

Eu fico ali sozinho repassando tudo aquilo que acabou de acontecer e começo a me sentir estranho.  Sabe quando você vai em um parque de diversões e deixa de ir em algum brinquedo por medo e no dia seguinte fica arrependido por não ter ido? Pois bem, eu estou me sentindo assim. A minha mente dizia não a ideia de transar outra vez com Caio, mas o meu corpo pedia por aquele homem e se ele me colocasse em uma situação como essa outra vez eu acabaria me rendendo a ele.

Decido voltar para a minha avó e então saio daquele banheiro mas ao sair me deparo com Caio levando um papo animado com quem? Minha avó!

-Alex, até que enfim te encontrei! –ela diz –Eu estava justamente atrás de você quando me esbarrei com o Caio aqui. –olho para Caio que está com um sorriso debochado no rosto. Lhe lanço meu melhor olhar de ‘’ Eu vou te esganar!’’ – Caio, esse é Alex o meu neto. –minha avó faz as apresentações.

-Eu já conheço o pequeno Alex. –Caio diz. Novamente o olho de forma severa.

Esse idiota tinha que dizer isso justamente para a minha avó?

-Já? –a minha avó fica surpresa –Mas como? Alex, você me disse que nunca tinha vindo para Paraisópolis!

Preciso sair daqui.

-Vó, será que podemos ir embora? Eu tô com um pouco de dor de cabeça. –invento.

-Isso é fome. Quando chegarmos em casa vou fazer uma sopa bem forte para você e seu pai. Devem só estar acostumados a comer água e pão vivendo com Isabel. –minha avó diz passando o seu braço no meu –Caio, eu adoraria que você nos fizesse uma visita para que possamos tomar um café e nos conhecer melhor. –minha avó diz graciosamente para Caio.

Eu olho para ele com os olhos cerrados, o fuzilando. Ele somente coloca seu melhor sorriso no rosto e diz um ‘’ Eu adoraria’’.

-Ótimo. –minha avó comemora –Estarei no apartamento de Alex até o sábado. Você pode ir lá amanhã, se puder.

-Eu não faltaria por nada. –Caio me olha ainda com seu sorriso debochado no rosto.

-Eu não sei explicar direito como chegar lá mas é aqui do lado. –minha avó diz coçando a cabeça –O prédio mais branco e o mais estranho.

-Eu chego lá. –Caio pisca para minha avó que dá risadinhas.

-Mas que garoto adorável. –ela diz –Até amanhã então.

-Até. –Caio faz um cumprimento com a cabeça.

Eu e minha avó começamos a andar. Antes de virar o corredor olho para trás e vejo Caio olhando para a minha bunda? Ele sorri ao olhar em meu rosto. Parece saber que eu estou com ódio dele.

-Vó, como a senhora teve coragem de chamar um cara desconhecido para dentro do apartamento em que moramos? –pergunto –Sabe lá as coisas que ele pode aprontar.

-Deixe disso, Alex! –ela me repreende –Nos poucos minutos de conversa que tivemos eu pude ver que Caio é um menino de ouro e amanhã iremos o receber muito bem!

-Droga, vó. A senhora não nega ser do mesmo sangue que minha mãe!

-Olha a boca.

 

 



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