História Paraisópolis (Romance Gay) - Capítulo 6


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Categorias Originais
Tags Amor Gay, Boyxboy, Gay, Gays, Glbt, Lgbt, Lgbtq, Romance, Romance Gay, Yaoi
Exibições 92
Palavras 2.463
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Romance e Novela, Violência, Yaoi, Yuri
Avisos: Álcool, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 6 - A festa


O caminho até Paraisópolis foi escuro e silencioso. O único barulho que ouvia era do som alto vindo de lá, e, é por meio deste que chego na comunidade. Estou um pouco nervoso, confesso. Eu não conheço ninguém naquele lugar. Ao chegar na entrada só há alguns poucos caras fazendo a vigia. Um deles era um dos rapazes que acompanhava Caio ontem. Ao me ver ele dá um salto em minha direção.

-Você é o Alex, né? - ele pergunta me olhando dos pés a cabeça com certa atenção.

-Sim, eu sou. –respondi.

-Wesley. –ele estende a mão para que eu o cumprimente –O Caio falo que você vinha. Ele já deve tá te esperando na festa. –deu um sorriso de lado.

-Tudo bem. –digo balançando a cabeça. Wesley libera minha entrada e eu entro em Paraisópolis.

Confiei na minha audição para que ela me guiasse. Segui um grupo de pessoas que pareciam ir ao mesmo lugar que eu. Por fim, cheguei em um espaço aberto e constatei que ali seria a festa. Me deparo com um amontoado de gente dançando uma música que nunca ouvi na minha vida. Adentro a multidão. Levo alguns empurrões até que consigo chegar ao outro lado onde há um grande jogo de luz iluminando o pessoal em uma espécie de camarote.

-Ei, riquinho. –ouço uma voz conhecida chamar o meu nome.

Olho para cima e encontro Caio e alguns de seus amigos nesse camarote. Ele fiz sinal para que eu subisse, apontou para uma escada do lado da estrutura.

-Tem certeza? –perguntei meio que sem confiança naquilo. O camarote não passava de um andaime daqueles tipo fachadeiro que se usam em reformas e construções.

-Larga a mão de ser frouxo.

Revirei os olhos e fui até as escadas, quando já estava chegando uma mão se ofereceu para me ajudar. Olhei para o dono da mão: Caio. Aceitei a ajuda e logo estávamos frente a frente.

-Você veio! –ele sorriu como quem duvidasse que eu realmente viesse até a festa.

-Eu disse que queria conhecer a night daqui! –respondi com um sorriso de lado. Caio deu uma risada em resposta.

-Vem, vou te apresentar ao pessoal.

Caio segura em meu pulso abrindo caminho entre algumas das pessoas que estavam ali. Algumas dançavam, outras bebiam e tinha as que estavam só se pegando. Ao encontrar seus amigos Caio me joga em sua frente. Tive que me segurar para não cair.

-Opa, cuidado ai. –Caio riu.

-Idiota. –murmurei.

-Galera, esse daí já é meio que conhecido de vocês. –ele começou a me apresentar aos seus amigos com um sorriso debochado no rosto –O Alex causou uma confusão danada ontem na entrada da favela, e, como alguns já sabem, ele é filho de um dos médicos que estão trabalhando aqui. Qual é o nome do seu pai mesmo? –ele me pergunta.

-Antônio. –respondi –Antônio Grochevits.

-É um sobrenome bem exótico. –Caio comentou.

-Ora, ora...se não é o filho do doutor Antônio. - Muralha, o grandalhão de ontem me cumprimenta.

-Conhece meu pai? –pergunto observando minha mão diminuir ao lado da sua.

-Conheço! O cara deu uma olhada no meu guri que tá com a garganta meia ruim. Legal o seu coroa, os outros que chegaram aqui eram só uns merdinhas de nariz empinado!

-Olha a boca, Muralha. Nosso amigo aqui é da classe A. –Caio repreende o grandalhão.

-Tudo bem, de vez em quando eu solto um palavrão também. –respondi me sentindo sem graça com todo aquele tratamento.

-Não precisa se preocupar, cara. Tu tá em casa. –um garoto que parecia estar na faixa de idade de Caio ri e me entrega um copo de cerveja. Peguei o copo com desconfiança.

-Fica calmo. –Caio toma o copo da minha mão e toma um gole –A gente não vai te drogar. –ele me devolve o copo.

Tomo um gole da bebida. Caio e seus amigos riem.

-Aê! Aqui a bebida faz a união. –o mesmo cara que me entregou a cerveja aperta meu ombro e me cumprimenta –Sou o JP.

-JP? –estranhei o nome.

-Na real é João Pedro, mas prefiro JP.

-JP então...

-JP é meu praticamente meu irmão. –Caio diz –Conheço esse daí desde a época em que não tínhamos cabelo no saco.

-Que lindo... –ironizei e eles riram.

-Ele e Wesley são meus parças aqui na quebrada.

-Wesley? O que me recebeu lá na entrada? –pergunto apontando para qualquer direção.

-É esse daí mesmo! –Caio diz se apoiando na grade do andaime –Coloquei ele lá por um tempo hoje. O cara deve tá puto comigo. –ele riu –Mas daqui a pouco ele aparece.

-Parece que você comanda tudo por aqui mesmo.

-Eu já te disse...esse é meu reino.

-O cara nem lava as próprias cuecas e acha que manda em cada pedacinho desse lugar. - Muralha diz rindo debochadamente.

-Ai ó, cuidado senão eu esqueço que é teu aniversário! –Caio usa um tom de reprovação, acho que ele estava brincando. Acho.

-Me desculpe, Rei. - Muralha ri e se afasta de nós –Vou dar uma espiada na galera.

Parece que as coisas por aqui são na base do respeito. Muralha é muito maior que Caio, poderia lhe dar umas porradas se quisesse, mas não o faz.

Olho para o lado e vejo Muralha cumprimentar Wesley. Este vem em nossa direção.

-E aí, cara. – Caio troca um cumprimento com Wesley- Se divertiu lá?

-Você nem imagina... mas não foi uma perda total. Pelo menos conheci teu novo amigo. Legalzinho ele, né? –Wesley me dá um sorriso.

-Te liga, rapaz. Parece até que é viado. –Caio estapeia Wesley na testa.

-Sai fora, Caio. - Wesley empurra Caio de leve.

-Responde ai então, Alex. Gosta de homem ou de mulher? - Caio me pergunta com um olhar meio...sugestivo?

-Não sei, Caio. –olhei bem nos seus olhos e com o mesmo olhar respondi. Um sorriso brotou nos meus lábios –Do que você acha que eu gosto?

Caio dá um sorriso de lado, meio malicioso.

-Caio vai se dar bem hoje a noite. –JP brinca.

-Cala a boca, JP. –Caio diz e logo depois volta seu olhar a mim –Não te culpo por não saber, Alex. Eu também não sei. Sou um bicho solto. –ele toma um gole de cerveja em uma garrafa.

-Falou o cara que come altas gurias.- JP brinca novamente. Caio lhe lança um olhar mortal.

-Não tenho culpa de ser irresistível! Concorda, Alex? –Caio pergunta. Totalmente convencido e seguro de si.

Dou de ombros.

-Tá deixando o cara constrangido. - Wesley diz. Ela puxa algo do bolso. É um maço de cigarro. -Quer um? - ele me oferece.

Aceito por educação.

-Cara, você acha isso legal? - Caio me pergunta se referindo ao cigarro em meus lábios.

-De vez em quando é bom.

-Que droga, achei que ao menos você tivesse cabeça. –ele diz com um tom de desaprovação.

-Deixa ele em paz, cara. - Wesley diz acendendo meu cigarro.

Caio bufa e vira para o outro lado. Parece decepcionado. Uma garota lá embaixo chama por Wesley. Ela logo tem sua total atenção.

-Opa, espera aqui que eu já volto.- ele diz saindo de perto de mim.

Quando perco Wesley de vista apago o cigarro e o jogo fora. Me viro para Caio que está de cara fechada ao lado de JP e uma garota com quem seu amigo conversava animadamente.

-Tá com raiva de mim? –pergunto meio acanhado.

-Não. –ele responde seriamente, claro que ele ficou com raiva de mim

-Sério, Caio? Vai ficar com raiva de mim por aceitar um cigarro? –fiquei com raiva –Eu fumo sim, mas não sou viciado. Só fumo quando tô estressado.

-Então por que aceitou quando o Wesley te ofereceu? Tá estressado por acaso? –ele pergunta.

-Sei lá...por educação?! Eu só quero me enturmar.

-Você não precisa disso para se enturmar. Tu é um carinha legal, na sua, mas legal.

-Que bom que me acha legal. –sorri.

-É? - Caio sorri- Por quê?

-Porque eu pretendo aparecer aqui de vez em quando e não seria uma boa ideia ser mal visto pelo rei da porra toda. –ri e fui acompanhado por Caio, que tombou a cabeça para trás. Ele é lindo.

- ‘’ O rei da porra toda’’? –repetiu a minha frase.

-Claro, você é da realeza de Paraisópolis.

Caio abaixa a cabeça rindo baixinho e depois olha para mim sorrindo. Ele tem um belo sorriso, daqueles que chamam a atenção, sabe? Chamou a minha atenção. Caio se aproxima de meu ouvido para falar algo.

-Quer dar uma volta?

Balanço a cabeça dizendo que sim. Ele dá um sorriso e pede para que eu o siga.

***

Caio e eu passamos um bom tempo conversando enquanto ele me mostrava alguns dos lugares em que frequentava na infância. Entre eles, o campinho de futebol onde conheceu JP e onde ele jura que pegou nos peitos de uma garota, algo que eu não precisava saber.

-E esse aqui é um negócio muito maneiro que um artista fez aqui na favela. - Caio diz parando em frente a uma casa de pedra a qual acho que já vi antes. Ela é toda revestida com algumas pedrinhas e é cheia de detalhes.

-Legal –digo observando tudo.

-Quer entrar? –Caio pergunta. 

-Podemos?

-Claro, ele deu pra gente, ué. –ele diz simples e entra comigo na casa.

A casa me lembra um labirinto ou algo do tipo. Há todo tipo de coisa pendurada em seu teto e nas paredes. Caio sobe uma escada e pede para que eu o acompanhe. 

-Contemple meu reino! - Caio diz ao se aproximar de um parapeito.

Dá para ver boa parte de Paraisópolis daqui de cima. As luzes da festa eram bem nítidas e o som continuava alto julgando o horário.

-É um belo reino. – observo as casinhas que iam até se perder de vista. O prédio onde moro também pode ser visto daqui. - E aquela torre ali é onde a Rapunzel está aprisionada. -aponto para meu apartamento. 

Caio ri por um momento. Ficamos nos olhando por um tempo e vi ele começar a se aproximar de mim. Tento recuar mas ele me prende contra a parede. E me entrega um sorriso de lado que revela suas intenções. Me surpreendo com sua atitude.

-Calma, já sei qual é a tua. Eu vou cuidar de você. –ele diz em um sussurro e com a sua voz rouca e extremamente sexy.

-Você está bêbado.

-Acredite, eu nunca estive tão sóbrio em uma festa. - Caio diz em meu ouvido, dando uma mordidinha no meu lóbulo.

-Pelo que ouvi, seu foco são as garotas. Deve ter um monte na festa te querendo. –disse tentando manter firmeza na voz, mas se Caio fosse me beijar, eu me renderia. Eu queria aquilo.

-Pode ser, mas eu estava pensando em variar um pouco o cardápio. –Caio olhou em meus olhos.

 Em circunstâncias normais eu estaria empurrando Caio para longe já que eu não costumo ficar com alguém que conheci no dia anterior, mas acontece que ele não é alguém para quem recusamos um beijo. Algo em Caio me chamou a atenção. Não sei se é o seu jeito que é bastante diferente das pessoas que estou acostumado a conhecer ou o fato dele ser um cara muito atraente. Ele é simplesmente lindo, é o tipo de cara que chama a atenção por ser simplesmente ele.

 Ao tocar de seus lábios nos meus eu senti meu corpo estremecer e um arrepio percorrer minha espinha. Se inicia um beijo lento e provocativo, mas a língua de Caio, que por sinal é muito esperta, logo arruma um jeito de invadir minha boca e se divertir junto a minha intensificando o beijo que se estala quebrando o silêncio na Casa de Pedra. Caio leva as suas mãos a minha cintura e me puxa para mais perto de seu corpo. Mantenho minhas mãos juntas a parede, mas logo elas estão deslizando pelo cabelo de Caio. É como se cada pedaço meu pedisse mais por aquele beijo. Minhas pernas decidem dá uma volta e me abandonam, e, se não fosse pelo fato de Caio estar me segurando, eu estaria no chão agora.

Depois de um bom tempo nessa brincadeira abro os olhos e olho para o lado ainda beijando Caio. Sigo as luzes da festa e logo percebo que não há mais música tocando. Vejo luzes vermelhas e azuis iguais a do carro da polícia.

-Caio. –falo entre o beijo.

-Hm...- ele murmura com a boca ainda na minha.

-Acho que a polícia baixou na festa do seu amigo.

Caio olha pela fachada e solta uma risada.

-Relaxa, os caras sabem se resolver. - Caio diz beijando meu pescoço- Não é a primeira vez que acontece. 

-Tem certeza que eles vão ficar bem? - pergunto. 

-Uhum... – Caio solta um breve murmuro e volta a me beijar.

Não dou muita atenção depois disso e volto a minha atenção a Caio que pressiona seus lábios contra os meus. As mãos de Caio começam a subir por minha cintura levantando um pouco minha blusa. Suas mãos passeiam pelo meu corpo. Quando suas mãos pousaram sobre a minha bunda, vi que ele queria levar o beijo a um nível adiante, mas eu encerrei. 

-Que foi? - Caio pergunta.

-Acho melhor eu ir para casa.

-Já? Logo agora que a gente tava começando a se divertir. 

-Eu não vou fazer isso aqui. –respondo olhando ao redor.

-Tudo bem, não vou te obrigar a fazer nada. 

-Agradeço.

Caio ri. 

-Tá legal então. Vem que eu te levo.

O caminho até onde moro foi meio silencioso. De vez em quando Caio puxava conversa e eu dava risada de alguma de suas histórias, mas fora isso um clima se formou entre nós. Não um clima legal como o que tivemos na Casa de Pedra, era um clima pesado. 

-É aqui. - digo parando em frente ao condomínio.

Caio solta um assovio. 

-É um belo lugar. - ele diz olhando para o alto impressionado com o tamanho do prédio.

-Valeu pela noite de hoje.

-Eu é quem agradeço. - ele pisca para mim. 

Mesmo com o clima entre nós, Caio não hesita em me roubar outro beijo. Daqui sobre a luz do poste posso lhe ver melhor. Ele usava uma regata azul meio cavada junto com uma calça e um par de tênis de skatista. A tatuagem que cobria todo seu braço era visível.

-Belo tênis. –digo.

-Não acho que posso dizer o mesmo do seu... –Caio parecia procurar palavras.

-Ei, eu gosto dos meus Crocs! -ri

Caio ri.

-Boa noite. - digo.

-Boa noite. - Caio se despede.

Ele sai descendo a rua de forma lenta e despreocupadamente. As mãos enfiadas nos bolsos e o olhar alto. Lhe observo sumir na escuridão. 

Adentro os portões do condomínio com um sorriso no rosto.

 


Notas Finais


Comentem!

XOXO, Ed


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