História Paraisópolis (Romance Gay) - Capítulo 7


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Categorias Originais
Tags Amor Gay, Boyxboy, Gay, Gays, Glbt, Lgbt, Lgbtq, Romance, Romance Gay, Yaoi
Exibições 83
Palavras 1.476
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Romance e Novela, Violência, Yaoi, Yuri
Avisos: Álcool, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 7 - Tiago


Quando entrei no apartamento logo percebi que o silêncio reinava no lugar. Meus pais evidentemente estão dormindo, o que é ótimo pois estava mesmo precisando ficar um pouco só. Só eu e os meus pensamentos.

Antes de tudo, vou até o banheiro e tomo um banho. Ao sair visto algo confortável e vou até a varanda – não para fumar, só para pensar um pouco. Me apoio no parapeito e observo a Paraisópolis que parece adormecida mesmo depois de um festão.

-Alex? - ouço a voz da minha mãe atrás de mim.

-Oi. - me viro e a encaro.

-Está sem sono, querido?

-Estou.

-Eu também não estou tendo uma boa noite. – minha mãe se senta em uma espreguiçadeira – Depois que você saiu esses favelados começaram a tocar música de péssima qualidade em um volume absurdo. Achei que fossem passar a noite toda farrando então liguei pra polícia.

Se estou surpreso que tenha sido a minha mãe quem chamou a polícia? Nadinha!

-Hum...

-E para onde você foi? –minha mãe pergunta, me forçando a arranjar alguma mentira.

-Fui na pizzaria com Tiago e alguns amigos da escola.

-Nossa, faz tanto tempo que não vejo o Tiago! Por que você não o chama aqui?

-Para quê, mãe? Até alguns meses atrás, segundo você, ele me era uma ''má influência'' por ser gay.

-As pessoas mudam, Alex. Façam coisas de garotos. Assistam algum filme, façam um lanchinho.

-Lanchinho? –faço careta –Mãe, não temos cinco anos de idade.

-Vocês se resolvem, ok? Pode chamar seus amigos aqui, Alex. Você não precisa ficar sozinho nesse apartamento. –minha mãe se levanta e me dá um beijo na testa.

-Tá bom, eu chamo ele.

Minha mãe me dá um sorriso. Ela dá alguns passos em direção a porta, mas para e se volta para mim.

-Ele ainda está namorando aquele rapaz mais velho? –ela pergunta.

-Não, mãe. –respondo com os olhos semicerrados –Eles já terminaram.

-Que pena! Ele era....um rapaz tão bonito e promissor. –dizendo isso ela se retirar.

Faço um barulho qualquer com a boca. Não preciso ser nenhum mutante para saber que a minha mãe está agradecida do Tiago não namorar mais, ela sempre odiou esse fato –principalmente porque ele namorava outro cara. Ainda bem que ela não sabe que o ex de Tiago já foi seu professor.

Me viro e vou até a sala procurar meu celular. O encontro encima do balcão da cozinha e ligo para o meu amigo, apesar do horário sei que ele está acordado. Tiago não dorme cedo em período de aula e, obviamente, não dormiria cedo nas férias.

-Vou para cama. –minha mãe passa por mim –Não fique acordado até muito tarde.

-Certo. –digo entrando no meu quarto.

Me jogo na cama e ligo para Tiago, que atende no terceiro toque.

-Não tem vergonha de ligar para as pessoas essa hora? –ele pergunta.

-Cala a boca. –digo –Preciso que venha até aqui amanhã.

-Posso saber o motivo de você desejar a minha ilustre presença em sua residência?

-Preciso que jogue um papinho na minha mãe de que fomos na pizzaria com a galera lá da escola. Eu vou te explicar tudo depois.

-Vai ter algo para comer?

-Você vai vim ou não?

-Vou, só que eu ainda não sei o seu novo endereço.

-Eu te passo a localização depois no WhatsApp, mas preciso que você venha.

-Eu já disse que vou!

-Ótimo. –tiro o celular do ouvido e dou uma olhada na hora –Agora tchau, eu estava em uma festa e agora estou começando a ficar com sono.

-Festa? –Tiago grita do outro lado da linha –Eu preciso saber de tudo!

-Amanhã eu te conto.

-E vai mesmo!

-Tchau.

-Tchau.

Desligo o celular e o jogo na cômoda. Me viro e vou dormir.

***

-Tiago! –minha mãe diz recebendo meu amigo com um abraço –Que bom ver você!

-É bom ver a senhora também, dona Isabel. –Tiago diz meio sem graça.

-Dispense as formalidades, meu querido! Me chame só de Isabel.

-Se insiste...

-Se divertiu muito ontem com o Alex? –minha mãe olha de mim para Tiago.

-N-nossa...pra caramba! –Tiago gagueja ao falar. Ele ri olhando para mim. Faço uma cara de reprovação.

-E como anda esse coraçãozinho? – minha mãe pousa a mão sobre o peito de Tiago- Anda beijando muito nessas férias?

-Beijar? O que é isso? Algum tipo de droga nova? –Tiago brinca.

-Mãe! –interrompo a conversa- A gente vai pro meu quarto agora, tá? – puxo Tiago pelo braço.

-Divirtam-se!

Levo Tiago até meu quarto e fecho a porta.

-Por que não me deixou conversar com sua mãe? –Tiago pergunta.

-Ela ia começar a te bombardear de perguntas sobre o Fernando e falar da opinião dela sobre os gays. Deveria me agradecer. – Fernando é o ex de Tiago.

-Ah, nesse caso... –ele se senta em minha cama. – Agora vou me sentar aqui e somente esperar.

-Esperar pelo quê?

-Bem, eu já menti para sua mãe, agora você me fala sobre a festa na qual foi ontem. –Tiago sorri.

-Ah, a festa. –digo olhando para o teto.

-Onde foi? –Tiago pergunta.

-Em Paraisópolis.

-O que é Paraisópolis? –Tiago pergunta.

Não respondo, apenas aponto para a janela. Tiago levanta da cama e dá uma olhada na vidraça, ele vira o rosto totalmente antônito.

-Você foi em uma festa na favela? –ele pergunta rindo alto.

-Fala baixo! –digo tampando sua boca com a mão.

-Foi mal! –Tiago ainda ri –É que é meio difícil de te imaginar frequentando esse tipo de festa.

-Mas eu fui.

-Conte a história, quem sabe eu acredito nela.

Reviro os olhos e me sento na cama. Tiago logo depois se senta ao meu lado.

-Como você sabe, eu só vim para o Morumbi porque meu pai está trabalhando em um projeto do governo que atua em áreas carentes.

-Sei...

-Bem, meu pai trabalha em Paraisópolis e me convidou para conhecer a comunidade, mas minha mãe deu chilique e não queria mais saber dessa história. Eu até não me importei muito com isso, mas depois eu fui pesquisar um pouco sobre a região e achei até maneirinha e decidi ir sozinho até lá. Aconteceram algumas coisas e meio que simpatizei com um cara que se diz dono da favela. –vou contando como conheci Caio e Tiago apenas balança a cabeça.

-E então ele te chamou para uma festa? –ele pergunta.

-Eu queria conhecer as pessoas de lá e então ele me convidou para o aniversário de um dos amigos ou escoltas dele, sei lá.

-E aí?

-Foi até legal, sabe? Conheci o pessoal, bebi um pouco.

-Ficou com alguém? –Tiago fez a pergunta que me fez gelar.

Não respondo. Ao mesmo tempo em que fico encarando Tiago, um filme de ontem à noite passa na minha cabeça, me arrancando arrepios. Tiago parece entender tudo apenas observando minhas feições.

-Você ficou com alguém! –ele concluiu –Conta quem foi o cara!

-Quem disse que foi um cara?

-Não dá uma de heterossexual, seu viado.

-Eu fiquei com o mesmo cara que me convidou para a festa. –por fim admiti.

-Você ficou com o dono de uma favela? Cacetada! – Tiago parece se divertir com minha história.

-Mas a minha mãe nem pode sonhar com isso! Estávamos comendo pizza, lembra?

Tiago faz o gesto de quem fechou a boca com um zíper.

-Vamos lá agora, eu quero conhecer esse cara! –ele me pede.

-Eu não vou até Paraisópolis agora! Com que cara eu vou chegar lá e encontrar Caio?

-Caio, é? –ele ri –Hm...que tal com uma cara de ‘’Me fode’’?!

-Idiota! –empurro seu ombro –Não é porque ficamos que vamos transar.

-Se vocês só ficaram não tem do quer ficar com vergonha. Até a gente já se beijo uma vez, lembra? E não nos estranhamos.

-Isso é diferente, foi só um jogo besta. Caio quis me beijar e me beijou. Eu também quis beijar ele. E se ele quiser mais? Nem sei se ele é gay mesmo, pelo que soube ele já ficou com várias garotas.

-Talvez o time dele agora seja outro e se ele quiser mais você dá mais! –fico um tempo em silêncio pensando sobre isso.

-Não, eu não estou pronto pra voltar lá.

-Deixa de besteira, Alex! –Tiago revira os olhos.

-Se quiser ir lá sozinho, vá! Mas vai ser complicado para entrar lá.

-Quando tiver pronto para ir lá e ver o boy outra vez me liga. –Tiago se levanta.

-Aonde você vai? –pergunto.

-Embora, ué. O que faríamos aqui dentro do seu quarto? Trepar? – ele ri.

-Sai fora. –mostro o dedo do meio.

-Eu já disse que quando você for até Paraisópolis eu volto e te acompanho até lá.

-Que merda! – me levanto –Quer ir até Paraisópolis? Pois bem, vamos até Paraisópolis!

-Iêê! –Tiago bate palmas como se comemorasse uma vitória.

-Só, por favor, não me faça passar vergonha!

-Tá bom! – Tiago dá um tapa em minha bunda.

-Ei!

 


Notas Finais


O que acharam de Tiago?


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