História Paralelo Líquido - Capítulo 11


Escrita por: ~

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Categorias Naruto
Personagens Boruto Uzumaki, Hinata Hyuuga, Naruto Uzumaki, Neji Hyuuga
Tags Naruhina, Novela, Revolução Naruhina, Romance
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Palavras 5.786
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Ecchi, Famí­lia, Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 11 - Irremediavelmente Atraídos


Ela entrou no camarim e sentou à frente do espelho. Com um pano, a maquiagem de seu olho esquerdo foi sendo retirada. Logo, o barulho da porta batendo pode ser ouvido. Ela sequer precisou erguer os olhos do espelho para saber de quem se tratava.

— O que significa isso?

— O que você está fazendo aqui? — ela continuou a retirar sua maquiagem.

— Hanabi disse que estaria...

— Não. Quero saber o que você está fazendo no meu camarim.

— Eu não vou sair daqui até você me dizer. Não acha que eu mereço uma explicação?

— E você? Não acha que eu também merecia uma explicação?

— Do que você está falando?

— Sabe, Naruto... eu aceitei ser sua amante. — ela riu, amarga — Eu sabia que seria difícil pra você... eu só não sabia que seria tão difícil pra mim.

— Por que? O que aconteceu?

Hinata parou o que estava fazendo e apoiou os cotovelos sobre a mesa, pressionando suas têmporas.

— Tanta coisa aconteceu.

— Então, por que não me contou? Por que não me conta?

— Não deu. Você tinha um compromisso, né?

Ele franziu o cenho.

— Você fez isso tudo, só por causa...

— Por causa de quê? — ela virou, fitando-o nos olhos — Vai, termina. Não, eu não vim tocar aqui só por que você estava desfilando por aí do lado dela. Eu vim por que eu quis. Eu tive vontade. 

— Hinata, eu... eu não tive como responder. Ela estava do meu lado. Não dava, não tente me culpar por estar brava.

— Mas eu não tô. — ela sorriu — Não culpo você. Eu sei como é... você é muito ocupado. Tenho plena certeza de que não fez isso por maldade.

Ele levantou e agachou ao seu lado.

— Então me diz. — ele sentiu seus olhos marejarem — Só me diz... me diz porquê. Por que o tempo todo...

— Eu não sabia quem você era. Até agora.

— Não tente me fazer de idiota. Isso é...

— Praticamente impossível? Sim, concordo. Mas é verdade. — ela deu de ombros — E, eu não dou a mínima se você acredita em mim, ou não. — Hinata levantou, se afastando. — Agora, eu quero que você saia.

— Mas... você disse que não estava...

— E eu não tô brava. Na verdade, nunca me senti tão leve em toda minha vida. Eu disse pra você, Naruto. Eu sabia que não seria fácil, mas ninguém me disse que seria tão difícil assim... hoje, quando eu vi você beijando ela... eu me senti tão sozinha. Eu me senti fraca. Ali, eu percebi o quanto isso tudo não faz sentido algum.

— É mentira. — ele se aproximou de novo, pegando em seu rosto — Nós fazemos sentido, sim. Eu sou apaixonado por você. Desde aquele dia, eu tô apaixonado por você. Eu tô bem aqui. Você é a mulher mais especial que já conheci.

— Se eu fosse tão especial assim, não seria sua amante.

— Hina, você está pronta? Precisamos ir. — uma voz do outro lado da porta soou.

— Me de só mais cinco minutos, Toneri. — ela sorriu — Bom, como você pode ver...

— Eu não acredito. Você... você e ele... — ele a olhou incrédulo — Hinata, você não pode fazer isso comigo.

— Eu não estou fazendo nada com você, Naruto. — ela pousou a mão sobre a dele em seu rosto.

— Eu não quero perder você. Manda ele embora, por favor. Fica comigo. Eu juro... vai ser diferente.

Hinata foi obrigada a fazer um esforço descomunal para não chorar nesse momento. Vê-lo banhado em lágrimas era a coisa mais difícil do mundo.

— Você não pode perder o que nunca foi seu.

— Hinata... — ele gritou, sentindo seu coração se apertar — Me perdoa, por favor. Eu preciso de você comigo.

— Eu jamais poderia suportar ficar com você sabendo que você está com ela. Que quando você sai da minha casa, volta exatamente pros braços dela. — ela puxou sua mão — Ao mesmo tempo, também é insuportável pra mim a ideia de ser a razão da separação de duas pessoas.

— Hinata... por favor. Eu estou pedindo. Por favor. — ele a beijou, desesperado. Sua língua invadiu a boca dela, mesmo sem ser muito bem-vinda. Hinata o correspondeu, mas não na mesma intensidade. Aquele beijo tornou tudo ainda mais doloroso. Ali, ele soube o quanto ela estava sofrendo e aquilo o fez sofrer ainda mais. 

Ela o afastou, limpando as lágrimas que teimavam em escapar de seus olhos. Aquela não era hora pra chorar.

— Nós não somos mais aqueles adolescentes, Naruto. — ela vestiu seu casaco, que estava pendurado atrás da porta — Não podemos agir assim.

— Por que? — soluçou — Por que você foi embora? Eu pedi... eu lembro... eu pedi pra você estar lá quando eu acordasse. E você foi embora. Por que você fez isso? Não significou nada? Eu não signifiquei? Fui apenas mais um? Se você tivesse ficado, nós dois...

Ela segurou a maçaneta, sentindo suas lágrimas escaparem involuntariamente.

Hinata queria tanto ter encontrado-o antes disso tudo. Ela explicaria os motivos para ter ido embora e diria o quanto aquela noite foi importante e crucial. Ele jamais seria mais um. Boruto era a prova viva disso.

Mas, naquele momento, qualquer explicação só traria ainda mais dor. Para ela, e para ele também. O destino, ou seja lá o que for, havia sido duro demais com os dois. Duro o suficiente. Não havia porquê prolongar ainda mais aquele sofrimento.

Ela secou suas lágrimas na manga do casaco, proibindo-se de olhar para trás.

— Adeus, Naruto.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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— Você está pronta? — Hanabi guardou o celular.

— Sim, por que não estaria? — ela puxou a mala até a sala.

— Viveu bons momentos aqui.

Hinata sorriu, olhando ao redor. Não havia sobrado nada ali dentro.

— Meu lar sempre será dentro de mim.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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oitenta e cinco dias depois — o amor que ainda queima de dentro das cinzas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ela abotoou o scarpin, apressada.

— Meu amor? — gritou escada acima — Você está pronto?

— Sim, mamãe!

— E o que você está esperando? Desça já!

— Estou chegando!

Ploc, ploc, ploc. Ele desceu correndo. A capa azul amarrada ao seu pescoço flutuava por detrás dele.

— Quantas vezes eu já não falei pra você não descer correndo?

— Xiu! — o loirinho lhe mostrou a língua.

— Ora se não é o meu campeão... — ele o pegou no colo, depositando um beijo em sua cabeça. 

— Ele me mostrou a língua? — ela franziu o cenho, incrédula — Quando foi que você ficou tão desbocado, Bolt?

— Mamãe, deixa ele. — ele sentou no sofá com o pequeno nos braços.

— É, mãe, você tá chata.

— Olha isso, vê se pode. — ela agachou à sua frente — Você costumava ser mais educado, sabia?

Ele fez beicinho e pulou em seu colo.

— Desculpa, mãe. 

— E cadê o beijo da mamãe? — Bolt deixou um beijo estalado em sua bochecha e sorriu. — Ai que beijo gostoso. Está com sono? 

— Não... — bocejou. — você vai demorar, mãe?

— Vou, filho. Não dê trabalho para Mirai, certo?

— Tá bom.

— E cadê o beijo do tio Toneri? — sorriu, abrindo os braços. Boruto pulou em seu colo de novo, lhe dando um beijo na bochecha. 

Mirai sorriu da porta da cozinha, trazendo uma mamadeira quente em suas mãos. O loirinho pulou do sofá, caminhando até ela.

— Se qualquer coisa acontecer, me ligue. 

— Não se preocupe, Dona Hinata. — ela acariciou os cabelos dele — O Bolt é um anjinho.

O pequeno sorria de forma maléfica. Ali, ela soube que Boruto não se portaria como um anjo, não naquela noite.

— Vem cá, grudinho.

Hinata abriu os braços, abraçando-lhe forte.

— Eu queria ir...

— Você ainda tá dodói. Não pode pegar friagem. 

— Ai, tá bom. Tchau mãe, tchau tio. — ele se desvencilhou dela, correndo até a babá — Mirai, eu quero brincar de voar!

Toneri puxou-a pela cintura, depositando um beijo em sua bochecha.

— Ele está enorme.

— Está, sim. — ela sorriu, entrelaçando os dedos nos seus — Vamos?

— Vamos.

 

Ele fechou a porta, guiando-a pelo gramado até o carro. Hinata não dispensou sua ajuda, pois seu vestido era um pouco longo demais. Logo, os dois já haviam partido para a casa de Karin.

Ele a olhou de soslaio, vendo-a adotar uma expressão séria. Ali, sua intuição já dizia que algo estava errado.

— Há algo preocupando você?

— Não. — ela negou com a cabeça — Por que?

— Você parece tensa.

— Só estou um pouco cansada.

Ele procurou por sua mão, puxando-a para um beijo. 

— Eu sei que sim. Trabalhou a semana inteira sem uma folga sequer. Você está exausta.

— É. — sorriu — Mas eu nem reparo, sabe? Amo tanto o que faço, que sequer sinto quando estou no limite.

— Quando a gente voltar, te faço uma massagem.

— Obrigada, amor.

E então, o olhar dela se perdeu na estrada novamente.

 

 

Hinata POV's on

 

Olhando-o assim, de soslaio, quase não posso acreditar no quanto minha vida havia mudado.

Há dois meses, eu havia começado a sair com Toneri. Tudo começou de forma tão natural, mas aos poucos isso foi se tornando cada vez mais intenso. Ele me trata de uma forma diferente, como eu jamais esperei que seria tratada um dia. Com carinho, sabe? A gente se dá bem. Ele se importa com o Bolt e me trata bem. Neji o aprovaria, se estivesse vivo. Eu acho.

Apesar de eu estar morando relativamente longe, não demora tanto e logo chegamos ao prédio de Karin. É a primeira vez que venho aqui, desde... bom, eu iria dizer desde que pedi demissão, mas acho que nunca vim aqui, de verdade. Só passei em frente.

Toneri abre a porta pra mim e eu puxo meu vestido para que eu não caia como uma jaca ao sair. Ele é bonito, sem muitos exageros. Longo, preto e de alcinhas. E apesar de ser um jantar de noivado, passei o mínimo de maquiagem possível. Não haverão muitas pessoas, de qualquer maneira. Só amigos.

Sim, meus caros. A ruiva babadeira vai se casar. Estou tão feliz por eles, ela merece tanto. Karin pode ser maluca e obcecada, mas tem um coração enorme. A prova disso está no jeito em que me acolheu quando fiz aquela entrevista na Senju Co.

Até mesmo quando mandei minha carta de demissão, apesar de desejar me matar, Karin me entendeu — tudo bem que eu omiti o real motivo daquilo tudo estar acontecendo, mas quem liga, não é mesmo?

E falando no real motivo...

É justamente ele que está me deixando nervosinha.

O tempo voou, admito. E, eu estaria mentindo se dissesse que não penso nele. É claro que eu penso, como não pensar?

Naruto é o pai do meu filho.

Todos os dias, essa verdade tem me corroído por dentro. Estou sendo egoísta e mentindo para o meu próprio filho. Sei no fundo do meu coração que não vou poder esconder isso pra sempre, mas não há nada que eu possa fazer agora. Não trazer Boruto para esse jantar também foi por medo — por mais que eu saiba o quanto isso é covarde e injusto, é mais forte do que eu.

E a vida é tão engraçada, sabe? Por que, por mais que eu diga para o meu filho todos os dias que Naruto não é nada dele, ele insiste em pensar exatamente ao contrário. Ninguém disse isso à ele ou o induziu à isso; ele simplesmente sente que Naruto é seu pai.

E isso me parte ao meio. Minha maior vontade é de sumir, de me mandar pra longe. Mas pra onde? Não há pra onde fugir agora.

Eu fiz de tudo. Eu juro. Eu me mudei, troquei de número. Toneri agora está do meu lado. Minha agenda está lotada e eu nunca estive lucrando tanto.

Mas eu ainda sinto a falta dele. Do cheiro dele. Do toque. É óbvio. Negar isso seria o mesmo que estar mentindo para mim mesma. Mas continuar daquele jeito, não dava mais. E, no fundo, sei que foi a decisão certa para nós dois.

Tê-lo comigo foi a maior amostra de felicidade que eu consegui em anos. Talvez, ele sequer lembre da minha existência. Mas, eu sei jamais vou conseguir apagar aquelas memórias de mim. 

Saio do elevador e puxo Toneri pela mão. Suas mãos estão úmidas. 

— Está nervoso?

— Não...

Ele sua quando está nervoso e eu acho isso tão engraçadinho. Toneri é muito tímido, apesar de nunca admitir isso em voz alta. Se eu não tivesse o beijado naquele dia, provavelmente nós nunca teríamos ficado. Sério.

Toco a campainha mas não preciso esperar muito. Logo, a porta se abre de uma vez e sou atacada por uma maluca do cabelo cor-de-rosa.

— Hinata! Deus, como senti sua falta! — ela me abraça.

— Mas a gente almoçou semana passada!

— Foda-se! — Sakura me solta, pegando nos meus cabelos e me analisando de cima à baixo. — O que está fazendo? Você está magra! E tão linda.

— Isso se chama trabalho em excesso. — Toneri toma à frente, cumprimentando-a. Eu reviro os olhos e entro, me maravilhando com o lugar.

O apartamento da Karin é lindo, tudo tem um toque de preto e vermelho. Ela mesma que decorou. É sofisticado e moderno, bem a cara dela. 

Ao chegar na sala, me deparo com Sasuke esparramado no sofá. Algo me diz que, se Karin chegar aqui agora, isso pode acabar muito ruim.

— Quantas vezes eu já não disse pra você tirar o pé de cima do meu sofá, Sasuke?! 

Opa, talvez seja tarde demais.

Tudo que consegui perceber foi a almofada voando em sua direção, acertando sua cabeça em cheio. Sasuke pendeu pro lado, quase caindo no chão.

— Mal comida. — ele murmurou.

— Você disse algo, Sasuke querido?

— N-não disse nada! — ele ralhou, em um tom mais audível. Sakura revirou os olhos.

— Vocês nunca vão tomar jeito? — eu ri, cruzando os braços. Sasuke nota a minha presença e se levanta.

— Mademoiselle... — ele puxou minha mão, depositando um beijo na mesma. — Quanto tempo, Hinatinha. 

Toneri arqueou uma sobrancelha. Foi muito rápido. Em um frame de segundos, Sasuke já estava nocauteado por um belo soco que Sakura havia lhe dado.

— Você não muda mesmo, seu idiota! — ela o puxou pela gola da camisa, arrastando-o para a cozinha. 

— É o jeito dele, tá? — eu ri, puxando Toneri para um selinho.

— Ainda não decidi se estou irritado ou assustado. — ele sorriu, acariciando meus cabelos.

— Você vai se acostumar.

— A cerimônia está marcada para o fim do ano, naturalmente. Karin já tem algo em mente?

Essa voz. Só essa voz inconfundível, já faz meus pelos se eriçarem. O cheiro dela invade minhas narinas imediatamente. É tão forte e cítrico que sinto minha visão ficar completamente turva.

— Hinata? — ele me segura pelo ombro — Você está bem?

Eu assenti, ainda sem pensar muito. Quando sinto um toque em meu ombro, viro-me imediatamente. 

— Ora se não é a Hinata! — ela sorri, depositando um beijo em cada uma de minhas bochechas. Sinto seus olhos queimarem sobre meu corpo, de cima à baixo. Seu olhar se fixa no meu, e um sentimento ruim me brota no peito na hora. Sinto um enjoo incontrolável.

— Konan. — eu sorrio, tentando controlar meu estômago à todo custo. Agora, posso perceber que Suigetsu está ao seu lado. Eu o cumprimento, mas ainda sinto minha garganta queimar. Viro-me para Toneri — Vou ao banheiro, volto em um instante.

— Ta tudo bem? Você tá branca.

— Tá tudo bem. Não se preocupa.

E então, mesmo sem saber onde fica, eu saio à procura do banheiro. Quando finalmente o encontro, tranco a porta e corro em direção à privada. Quase não tenho tempo suficiente; coloco pra fora tudo que havia ingerido naquele dia — o que não era muita coisa.

A tosse vem e eu fecho a tampa da privada. Sento-me sobre a mesma, ofegante.

Agora, que a realidade seja dita. Mesmo que eu contasse toda a verdade à Naruto, mesmo se, incrivelmente, ele e todos acreditassem em mim, eu jamais conseguiria mandar meu filho para ficar com ele sabendo que essa mulher está por perto. Nunca. Perto dela, Boruto não chega. Meu instinto de mãe diz para mantê-lo longe dela.

Vai muito além de qualquer “não gostar”. Isso já transcendeu os limites de ranço ou qualquer outra coisa. Quem dera fosse ranço. Eu realmente tenho pavor dela. Konan me assusta com um só olhar. 

A energia daquela mulher é abominável. 

Dou descarga caminho até a pia. O banheiro é grande — como qualquer outro cômodo desta casa. Abro algumas gavetas, à procura de uma escova de dentes nova. Pego uma, e estou com tanta pressa que até esqueço da pasta. Só preciso tirar esse gosto horroroso da boca. Uso a escova e guardo-a de volta na gaveta , mirando meu reflexo no espelho.

Tão branca quanto uma folha de papel. Clavículas aparentes e maxilar marcado. Deus, quando foi que emagreci tanto? Tudo graças aos antibióticos. 

— Amor? — posso ouvir uma batida na porta — Está tudo bem?

— Está, sim. Vou sair em um minuto.

Respiro fundo e seco meu rosto, saindo quase no mesmo instante.

— Você demorou. — ele me analisa — Aconteceu algo?

— Imagina. — sorri — Eu estava retocando a maquiagem. — seguro sua mão, guiando-o de volta — Vem comigo.

Quando chegamos à sala de jantar, me arrependo amargamente de ter ido ao banheiro. Todos já estão sentados, com exceção de mim e Toneri. 

Mas o que realmente me faz travar em pé é ele. Sentado, mexendo no telefone com uma cara de cansado. A barba por fazer está rala, mas já o deixa com um ar ainda mais maduro. Mesmo assim, completamente à vontade, apenas sua presença é o suficiente para fazer minhas pernas bambearem e minha mão suar.

 

 

 

Hinata POV's off

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

E ele estava mesmo completamente à vontade. Até sentir aquele perfume inconfundível. Naruto sequer se deu o trabalho de erguer os olhos de seu telefone; ele sabia que ela estava lá. Sentada exatamente à sua frente, como quem não queria nada. E, realmente, Hinata não queria.

Ele sentia uma vontade enorme de sentir raiva — mas não conseguia. Seus cabelos, seus olhos, seu cheiro. Exatamente o mesmo, exatamente igual. A mesma menina e a mesma mulher. Era difícil dizer de qual Hinata ele havia gostado mais — a menina ou a secretária? Ou a indefinida, que estava exatamente à sua frente, sorrindo e bebendo como se ele sequer estivesse ali. Ele se perguntava se, havia alguma possibilidade de aquilo tudo ser apenas fingimento ou se ela estava realmente feliz como parecia estar. Se ela havia realmente esquecido tudo que viveram, exatamente como fez com ele, naquela noite.

 

 

 

 

 

 

 

 

Naruto POV's on

 

O problema naquela noite, não está exatamente na noite em si. Foram as noites depois daquela.

Não vou ser hipócrita. Eu era um moleque inconsequente, um encrenqueiro. Eu só queria causar e ficar louco até sair daquele lugar carregado. Me lembro até hoje de quando Sasuke comprou um trailer velho e chegou na minha casa, “Quem aí está afim de um rolê?”, ele gritava. Mamãe ficou maluca, mas meu pai me incentivou. 

Então, eu fui. Com a cara e a coragem, só eu e ele. Nada de Karin, Sakura ou qualquer outra pessoa. Eu e ele precisávamos disso. Fazia tanto tempo em que eu não passava um tempo com meu melhor amigo. Nessa brincadeira, nós acabamos viajando quase pela Europa inteira. E então, um dia, acabamos parando pela Alemanha.

Quando cheguei lá, consegui as entradas pro Antaris em um cassino. Eu tinha dinheiro para comprá-las — mas conquistar é sempre mais gostoso que qualquer outra coisa.

Eu fiquei louco pra caralho e logo no primeiro dia, eu vi aquela menina. Eu estava bêbado e drogado, mas me lembro do movimento dos cabelos dela como se fosse ontem. O sorriso entorpecido e os quadris ritmados. Ela estava descalça — como todos ali — e suada.

Hinata se aproximou de mim, sinuosa. Como uma cobra, admito. Dançando perto de mim — e pra mim —, como quem queria algo. Eu sabia que ela queria algo, mas estava hipnotizado demais para fazer qualquer outra coisa além de admirá-la.

Eu a perdi de vista, mas a encontrei de novo. Eu nunca me senti tão fora de órbita como naquelas horas. Esse sentimento, até hoje não consigo transpor em palavras. Minha vontade era de mantê-la ali, para sempre. Tão linda. Naquela noite, eu me apaixonei por ela. Por uma estranha.

Quando eu acordei, quase pela uma da tarde, Sasuke estava arrancando com o trailer. Eu olhei para os lados, mas não havia restado nada dela ali. Nem um fio de cabelo sequer. Apenas seu cheiro e algumas memórias incertas. Eu mandei ele parar. Perguntei onde estava a mulher que havia dormido comigo. Mas Sasuke não sabia de nada. Apenas que a polícia havia invadido a rave, por que algum azarado havia tido uma overdose.

Eu praguejei, inconformado. Olhei para a janela, vendo aquele lugar ficar cada vez menor. E então, eu a perdi.

Depois disso, nós voltamos para Londres. Um tempo depois, eu perdi uma das pessoas mais especiais pra mim — Nagato. 

O cara errado, no lugar errado e na hora errada. Meu primo favorito, completamente esmagado dentro de um carro por que estava tão louco ao ponto de não conseguir fazer uma curva. Mas, isso é algo com o qual eu aprendi a lidar. O fato é que, depois disso e de ver mamãe sofrendo tanto, jurei para mim mesmo que jamais proporcionaria uma dor como aquela para ela novamente. Qual é, eu tinha 25 anos e era um vagabundo. Então, eu e Sasuke nos tornamos um pouco mais decentes.

E então, a vida seguiu. Conheci Konan por aí, e hoje estamos aqui. Graças aos meus contatos, hoje ela está dentro da Victoria's Secret. Konan pode ser desbocada, ciumenta e louca, mas é completamente doida por mim. Eu me apaixonei por ela, sim. Eu a amei, ou pelo menos acho que a amo. E eu acredito que ela jamais tentaria nada contra a vida de Hinata ou de qualquer outra pessoa — apesar de Sakura jurar até hoje que sim.

Mas algo é fato; o sentimento que Hinata fez nascer no meu peito é completamente diferente por seja lá o que for que sinto por ela.

Sei que, ao me deixar, ela fez a coisa certa. Eu a admiro muito por ter tomado uma atitude que eu jamais conseguiria ter tido. Vê-la sair pela porta foi tão doloroso. Eu sofri e chorei tanto, por que Hinata havia me deixado. Pela  segunda vez. 

Se não fosse por isso, nós ainda estaríamos na mesma. E, ainda assim, eu não consigo decidir se isso seria bom ou ruim.

 

 

 

 

 

Naruto POV's off

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

— E você, querida? Não pensa em casar? — Konan levou a colher à boca.

Hinata forçou um sorriso.

— Não.

— Duvido que Toneri não tenha vontade. — Karin destilou.

— A gente namora só à dois meses. — revirou os olhos.

— Então, é um namoro? — ele arqueou as sobrancelhas pra ela, rindo.

— Ei! — Hinata riu — Não força a barra. 

— Ela está corando. — Sakura tentava ignorar a presença irritante de Konan, sentada bem ao seu lado. 

— Vocês são chatos, puta que pariu. 

— E você, seu idiota? — ela virou-se para seu irmão mais velho — O gato comeu a tua língua?

— Não enche, Karin. — ele se concentrou em terminar sua taça de pavê. — Não pense que por que vai casar, você está livre dos meus cascudos. 

— Como se eu tivesse medo de você.

— Karin, da uma segurada. — Sasuke puxou o vinho para si — Você tá chatona hoje.

— Amor! — ela gritou para dentro da cozinha — Estou sendo atacada aqui. Você vai permitir?

— Você tá chata mesmo. — Suigetsu gritou.

Hinata gargalhou e seu olhar se encontrou diretamente com o de Naruto, pela primeira vez naquela noite. Ela fitou suas próprias mãos, constrangida. Mas ele não desviou o olhar. Ele continuou lá, comendo aquele bendito pavê enquanto olhava bem para sua cara.

— E o Bolt, Hina? — Sakura puxou sua mão. — Como ele está?

— Um pestinha.

— Se arrependeu de não ter usado camisinha?

Hinata ergueu a cabeça imediatamente. Karin ria enquanto Naruto estava lá, levantando uma sobrancelha pra ela. 

Ninguém entendeu o duplo sentido, mas ela sim. Para Hinata, que tinha um filho dele, aquilo foi muito pesado. Mas que diabos de pergunta era aquela? Ele estava tentando provocá-la? 

— Claro que não. — ela devolveu no mesmo tom, puxando sua taça de vinho. — Eu sei perfeitamente como educar meu filho. 

— Será que sabe? Você é tão jovem.

— As responsabilidades chegam quando menos esperamos.

Por fim, ele riu pelo nariz. Ninguém notou, todos estavam alheios à tensão que havia se instalado na mesa. Hinata estava contrariada. Ele definitivamente tentou desafiá-la. Como ele conseguia continuar sendo tão imaturo, mesmo depois de tudo que haviam passado?

Os dois se enfrentavam com os olhos, até que ela se deu por vencida.

— Amor, podemos ir? — sussurrou, virando-se para Toneri.

— Mas já? Tem certeza?

— Sim, estou preocupada com o Bolt.

— Nós podemos ligar...

— Toneri. — cortou — Vamos. Embora. Agora.

— Ok, ok. 

— Mas já vão embora? — Naruto fingiu estar decepcionado ao vê-los levantar.

— Ah não! Eu não acredito! — Karin fez beicinho.

— Bolt está meio resfriado. — Toneri bocejou.

— Você é pai dele agora? — Naruto riu.

Hinata o fuzilou com os olhos, prestes a explodir.

— Acho que não vai rolar. — Suigetsu entrou na sala de jantar, apressado. — Tá rolando uma nevasca.

— Uma nevasca? — Konan arqueou uma sobrancelha.

— Sim. Acho que vocês deveriam passar a noite aqui.

— Imagina. — a Hyūga se aproximou da janela — Deve estar caindo só um pouquinho de neve.

Mas, ao afastar as cortinas, Hinata teve uma desagradável surpresa. 

Lá embaixo, já não havia mais o contorno de ruas ou casas. Tudo estava coberto por uma espessa camada de neve, que aumentava mais a cada segundo. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

•••

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O filme não havia chegado nem na metade, e ele já havia pegado no sono.

Ela levantou sorrateiramente. Na ponta dos pés, caminhou até o banheiro. Ao fechar a porta, tentou fitar seu próprio reflexo no espelho. Seu olhar não se sustentou nem por cinco segundos. Era doloroso demais.

Ela se agachou e abriu privada, ainda mais motivada. Com a ajuda do dedo médio e indicador, ela passou a mexer dentro de sua goela. Não demorou muito e logo a comida começou a sair. Pipoca, macarrão e uma série de outras coisas não identificadas. Depois de um tempo ali, tudo havia saído de dentro de seu estômago. Ao fechar a tampa, se debruçou sob a privada, tossindo. Doía. Logo, as lágrimas começaram a sair. Ela se conteve; não poderia chorar, não agora. Não quando estava tão perto...

Depois de dar descarga e escovar os dentes, abriu a porta. O que ela não sabia, é que teria uma horrível surpresa.

— O que pensa que está fazendo?

— E-eu não tô fazendo nada.

— Não? — o cenho dele desceu, de raiva — Acha que eu não ouvi? 

— Não sei do que está falando.

— Então eu posso abrir a privada?

— Eu não acredito que você vai fazer isso. — ela sentiu seus olhos marejarem. 

— Sai da frente.

— Não. — ela tentou puxá-lo, mas foi totalmente em vão. — Não faz isso.

Ele abriu a tampa e odor sutil do vômito misturado com desinfetante subiu imediatamente. 

— Por que você fez isso?

Ela começou a chorar.

— Você não entende! 

— Eu não entendo? — ele a seguiu para fora do banheiro. — Por que está fazendo isso consigo mesma, Sakura?

Ela não deu ouvidos e abriu a porta, correndo até o elevador. Sakura apertava os botões incessantemente, desejando fugir para qualquer lugar.

— Me deixa em paz. Por favor.

— Pra onde você vai? — ele a puxou de volta.

— Me solta. — ela soluçava. Mesmo se conseguisse, não havia pra onde ir. As ruas estavam cobertas pela neve. Agora, Sakura se sentia suja e exposta. Ele havia descoberto tudo.

— Por que está fazendo isso? — ele fechou a porta, sacudindo-a pelo ombro.

— Eu nunca vou conseguir. — soluçou — Nunca.

— Conseguir o quê? Diz pra mim. Eu ajudo você.

— Você não pode. — ela se desmontou em seu peito — Eu sou horrível. Sou gorda e feia. Eu não aguento mais...

— Olha pra mim. — ele puxou seu rosto —Você é linda. Linda. A mulher mais linda que eu conheço. 

— Você está mentindo, por que gosta de mim. Você nunca me achou bonita.

— Da onde você tirou isso?

— Eu queria ser magra como a Karin e bonita como a Hinata. Você sempre teve olhos pra elas. A minha testa é enorme, e eu sou gorda e feia. Os meus peitos são retos como tábuas. Mas eu juro que vou conseguir, um dia. Eu juro, Sasuke. Eu vou ser a vadia mais linda e magra que você já conheceu...

Nem Sasuke saberia dizer como, mas naquele momento, seu único instinto foi o de beijá-la. 

Os lábios dele a tocaram, deixando-a em estado de choque. Sakura tremeu, mas correspondeu imediatamente. Seu coração batia tão rápido, que ela temia que pudesse parar a qualquer momento. Ele entrelaçou os dedos em seus cabelos, puxando-a para perto. Aos poucos, a respiração dela foi se normalizando.

— Você é perfeita. Eu amo você e a sua testa.

— Sasuke...

— Eu vou te mostrar o quanto você é linda.

Ele a pegou no colo, levando-a até o sofá, sem nunca quebrar o beijo. Sasuke envolveu seu rosto com as mãos, beijando-a com ternura. Sakura o puxou pela nuca, pedindo por mais. Ele trilhou um caminho de beijos por seu maxilar até o pescoço, puxando sua blusa sem que a mesma se desse conta. Ela tremeu.

— N-não, por favor...

— Você é linda... — ele beijou bochecha devagarinho, acalmando-a. Sasuke sabia que ela estava com muita vergonha, por inúmeros motivos. — não precisa ter vergonha, não de mim. — ele terminou de puxar sua blusa, mas ela cobriu seus seios com as mãos. — Você é linda aqui.... — ele beijou seu pulso — Aqui. — Seus lábios desceram sob a mão dela, traçando uma linha de beijos por seu braço até o ombro — Aqui. — ele beijou seu pescoço novamente, até chegar à sua testa — E aqui. — sussurrou — Você é linda, Sakura. Tão linda...

Ela ainda chorava, agarrada à ele. Ninguém, em toda sua vida, havia dito aquilo pra ela. Não por ela não ser linda, mas ninguém nunca havia visto sua alma tão nua e crua daquela maneira.

— Sasuke, você não precisa...

— Eu quero. Eu quero exatamente o que está na minha frente. Quero você.

E então, ali, naquele momento, Sakura descobriu a resposta da pergunta que Hinata havia feito à ela, à tanto tempo atrás. O porquê dela nunca ter se afastado para seguir seus próprios objetivos. O porquê dela sempre priorizar Sasuke e Naruto. Não era só pela amizade. Aquele era o porquê.

Sakura era completamente apaixonada por ele e aquilo era natural como respirar. Tão natural, que nem ela havia notado. Talvez, fundo em seu coração, ela soubesse. Mas agora, aquilo estava tão óbvio. Escancarado para ela, e para ele.

Ela sempre havia tentado seguir e agradá-lo. Sempre. Não era só por ela, era por ele também. 

— Por favor, não termine de acabar comigo.

— Eu nunca vou tentar te machucar. — ele selou seus lábios devagar, e ali, aquilo durou uma eternidade. — Me deixa cuidar de você.

Ela passou o polegar por seus lábios, sentindo-o de leve.

— Você faria isso?

— Sempre.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

•••

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ela rolou na cama, topando com ele sem querer. Toneri resmungou baixinho, sonolento. Hinata se espreguiçou e olhou para a janela. Ainda era madrugada.

Ela levantou devagar, tomando todo cuidado para não despertá-lo. Ainda meio grogue, Hinata saiu do quarto. Caminhando pelo corredor, como um verdadeiro zumbi. 

O apartamento estava silencioso. Todos estavam dormindo, mas ela, estava desperta como nunca. 

Ao chegar à cozinha, pegou um copo no escorredor e o encheu de água. Ela colocou-o dentro do microondas, para esquentá-lo. Aqueles trinta segundos se assemelharam à uma eternidade.

Hinata abraçou os próprios braços, com frio. Lá fora nevava, enquanto ela vestia apenas uma das camisolas nada decentes de Karin. Imediatamente, ela se arrependeu de estar ali. E se Suigetsu aparecesse? Onde enfiaria sua cara? 

Imediatamente, seus pensamentos voaram em direção à Naruto. Era tão difícil compreendê-lo. Hinata sabia, que muito provavelmente, ele ainda estava magoado com ela. Mas ela também sabia que não havia nada que poderia fazer. E, talvez, ela nem devesse fazer.

Quando o microondas apitou, ela deu um pulo. Mas, Hinata sequer teve tempo de buscar pelo sachê de chá.

— Também sem sono?

Assustada, ela deu um tranco, derrubando o copo sobre a pia. Não havia quebrado, mas a água quente havia caído sobre sua mão. Imediatamente, ela gemeu de dor. 

— Você está louco?

— Meu Deus. Me desculpe.

A luz se acendeu, mas ela não precisava de iluminação alguma para saber exatamente de quem se tratava. Hinata abriu a torneira, jogando a água fria sobre sua mão desesperadamente.

— Merda. Você me assustou.

— Está doendo? — ele se aproximou, puxando sua mão.

Naquele momento, a mesma corrente elétrica correu por sua mão. Hinata ergueu o olhar, trêmula. Ele olhou de sua boca para seus olhos, engolindo em seco. 

Foi impossível não sentir um grande dejavù. Olhos nos olhos. A boca dele estava tão perto. Naruto afagou seus dedos, cedendo à proximidade.

A única coisa que foi capaz de tirá-la daquele transe a tempo, foi a dor recorrente em sua mão. Hinata abaixou os olhos, notando finalmente da onde vinha aquele odor tão familiar. Ele estava sem camisa, vestindo apenas uma samba canção. Sua pele emanava aquele cheiro tão gostoso, que só ele possuía. 

Ela se afastou, entendendo bem onde aquilo iria chegar. Talvez até estaria constrangida por suas vestes, se já não houvesse estado nua para ele, inúmeras vezes.

Ele continuava lá, encostado na pia, fitando-a como quem esperava por algo. Um beijo? Um pedido de desculpas? Uma resposta? Talvez, os três. 

— Sinto muito, Naruto.

Ele riu, amargo.

— Você sente?

— Sim. — ela suspirou, guardando o copo de volta no lugar — Boa noite.

Parecia que sua mão estava em colapso. Ardia de forma insuportável, ao ponto dela não conseguir reprimir um gemido de dor.

— Vem comigo.

— Onde?

— Vou fazer um curativo em você.

Ele a guiou até o banheiro, olhando para qualquer outro lugar que não fosse seu corpo. Naruto gostaria de saber por que Karin ficava tão normal com aquela camisola, e Hinata tão irresistível. Ah, o autocontrole...

O loiro pediu para que ela sentasse sob a tampa da privada e fuçou nas gavetas, em busca de algo. Depois de um tempo, Hinata pode vislumbrar ele encontrar uma pomada de verso branco. Ele agachou à sua frente e a abriu, depositando um pouco do conteúdo em sua mão. 

— O que é isso? — O alívio foi imediato, o que fez deixar escapar um gemido de aprovação.

— Unguento. — ele espalhou com cuidado, aproveitando para analisá-la melhor.

Hinata estava linda. Ali, ele sentiu o real peso da saudade. A quanto tempo ele não a via? A quanto tempo não conversavam? A quanto tempo...

— Obrigada, Naruto.

— Não precisa agradecer... a culpa foi minha. Me desculpa.

Ela fitou seus olhos e ali, entendeu que aquele pedido de desculpas ia muito além do incidente na cozinha. 

— Tá tudo bem. 

— Sinto sua falta. 

Ela mordeu o lábio, por que sentiu sua garganta trancar imediatamente. Não. Se chorasse, ali, arruinaria tudo. 

— É melhor nós...

— Eu te amo, Hinata.

Ela se permitiu puxá-lo para um beijo, cedendo totalmente à saudade. E então, ali, Naruto também soube que havia perdido totalmente o autocontrole.


Notas Finais


• fiz essa play com todo meu coração pra fic ❤️ essas musicas me lembram muito PL https://open.spotify.com/user/ba22k/playlist/4Ip4Na2Zg4fX6JAGrGn5iI?si=ey9z5G8ZQO6dIioQmC78ew

• obrigada pelo carinho, apoio e suporte!! vocês me emocionam demais

• amei o momento SS 😻 apesar de não shippar

• o capítulo era p ser mais dramático, mas aí eu tive do de voces e dei uma suavizada kkkkkk


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