História Parceiros no Crime - Capítulo 16


Escrita por: ~

Postado
Categorias Arrow
Personagens Felicity Smoak, Oliver Queen (Arqueiro Verde), Ray Palmer
Tags Arrow, Felicity Smoak, Olicity, Oliver Queen, Ray Palmer
Exibições 68
Palavras 4.375
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Mistério, Policial, Romance e Novela
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Hello! Estou de volta com mais um capítulo.
Espero que gostem e comentem!

Capítulo 16 - Capítulo16


Capítulo 16

Eles foram de carro para Amsterdã no dia seguinte e hospedaram-se no Amstel Hotel. Gunther Hartog veio de avião Londres para encontrá-los.

Conseguiram dar um jeito de sentar juntos, como turistas casuais, numa lancha, deslizando pelo rio Amstel.

- Fico muito satisfeito por saber que vocês vão se casar- comentou Gunther. – Meus parabéns.

- Obrigada, Gunther.

Felicity sabia que ele era sincero.

- Respeito o desejo de vocês se aposentarem, mas deparei com uma situação tão singular que achei que deveria contar-lhes.Pode ser um canto do cisne dos mais gratificantes.

- Estamos escutando – disse Felicity

Gunther inclinou-se para a frente e começou a falar, em voz baixa. Ao fim, ele disse:

- Dois milhões de dólares, se encontrarem um meio de executar o golpe.

- É impossível – declarou Oliver, taxativamente. – Felicity...

Mas Felicity não escutava, absorvida em imaginar como poderia ser feito.

 

 

 

A chefatura de polícia de Amsterdã é um prédio gracioso de cinco andares, com um corredor branco comprido no térreo e uma escada de mármore levando aos andares superiores.

Uma reunião acontecia no andar de cima. Havia seis detetives holandeses e um único estrangeiro: Daniel Cooper.

O inspetor Van Duren estava se dirigindo a Toon Willens, o eficiente comissário, chefe da força policial da cidade:

- Felicity Smoak chegou a Amsterdã esta manhã, comissário. A Interpol tem certeza de que ela é a responsável pelo roubo dos diamantes das De Beers. E o Sr. Cooper aqui acha que ela voltou à Holanda para cometer outro crime.

O comissário Willens virou-se para Cooper.

- Tem alguma prova disso, Sr. Cooper?

Daniel Cooper não precisava de prova. Conhecia Felicity Smoak de corpo e alma. Claro que ela estava ali para cometer um crime, algo afrontoso, algo além da imaginação restrita daqueles homens. Ele forçou-se a permanecer calmo.

- Não há qualquer prova. Por isso é que ela deve ser apanhada em flagrante.

- E como propõe que façamos isso?

- Não perdendo a mulher de nossa vista por um momento sequer.

O uso do pronome nossa perturbou o comissário. Ele falara com o inspetor Trignant, em Paris, a respeito de Cooper. “Ele é detestável, mas sabe o que faz. Se o tivéssemos escutado, teríamos apanhado a mulher Smoak em flagrante.” Era o que Cooper acabara de dizer.

Toon Willens tomou sua decisão, baseada em parte no fracasso tão amplamente divulgado da polícia francesa em capturar os ladrões dos diamantes da De Beers. Onde a polícia francesa falhara, a polícia holandesa seria bem sucedida.

- Muito bem – disse o comissário. _ Se essa mulher veio à Holanda para testar a eficiência de nossa polícia, vamos atendê-la.

Ele virou-se para o inspetor Van Duren e acrescentou:

- Tome todas as previdências que julgar necessárias.

A cidade de Amsterdã se divide em seis distritos policiais, cada um responsável por um território específico. Por ordens do inspetor Van Duren, os limites foram ignorados e detetives de diferentes distritos foram designados para as equipes de vigilância.

- Quero que ela seja vigiada 24 horas por dia. Não a percam de vista por um só instante.

O inspetor Van Duren virou-se para Daniel Cooper.

- Está satisfeito, Sr. Cooper?

- Não enquanto não a pegarmos.

- Vamos agarrá-la – garantiu o inspetor. – Nós nos orgulhamos de ter a melhor polícia do mundo, Sr. Cooper.

Amsterdã é um paraíso dos turistas, uma cidade de moinhos de vento, represas e diques, casas de frontões se inclinando umas para as outras ao longo de canais arborizados, cheios de barcos-casas enfeitados com vasos de gerânios e outras plantas, as roupas tremulando à brisa em varais. Os holandeses eram as pessoas mais cordiais que Felicity já conhecera.

- Eles parecem muito felizes – comentou ela.

- Não se esqueça de que eles formam o povo da flor original. O povo das tulipas.

Felicity riu e passou o braço pelo de Oliver. Sentia uma alegria intensa por estar em sua companhia. “Ele é maravilhoso.Eu o amo.” E Oliver, contemplando-a, pensou: “Sou o homem mais sortudo do mundo.”

Felicity e Oliver realizaram todos os passeios que se esperava dos turistas. Vaguearam pela Albert Cuyp Straat, o mercado ao ar livre que se estende por sucessivos quarteirões, com barracas de antiguidades, frutas e hortaliças, flores e roupas. Foram à Praça da Represa, onde os jovens se reuniam para escutar os cantores itinerantes e conjuntos folks. Visitaram uma antiga e pitoresca aldeia de pescadores, assim como o parque das tulipas. Ao passarem pelo movimentado Aeroporto Schipol, Oliver comentou:

- Não faz muito tempo e toda esta terra que o aeroporto ocupa agora pertencia ao Mar do Norte. Schipol significa “cemitério de navios”.

Felicity aconchegou-se mais perto dele.

- Estou impressionada. É ótimo estar apaixonada por um homem tão inteligente.

- Ainda não ouviu nada. Saiba que 25 por cento da Holanda é formada por terras roubadas do mar. O país inteiro se encontra 5 metros abaixo do nível do mar.

- Parece assustador.

- Mas não há motivo para se assustar. Estamos absolutamente seguros enquanto o garotinho mantiver o dedo no buraco do dique.

Por toda parte a que iam, Felicity e Oliver eram seguidos pela polícia. A cada noite, Daniel Cooper estudava os relatórios escritos encaminhados ao inspetor Van Duren. Nada  havia de insólito, mas nem por isso as suspeitas de Cooper se atenuavam. “Ela está empenhada em alguma coisa”, ele dizia a si mesmo. “Alguma coisa grande. Será que ela sabe que está sendo seguida? Será que sabe que eu vou destruí-la?

Até onde os detetives podiam calcular, Felicity Smoak e Oliver Queen não passavam de meros turistas. O inspetor Van Duren disse a Cooper:

- Não é possível que tenha se enganado? Eles podem ter vindo à Holanda só para passearem.

- Não – insistiu Cooper, obstinado. – Eu não estou enganado. Continuem a vigiá-la.

Ele tinha um pressentimento ominoso de que o tempo se esgotava, que a vigilância policial poderia ser cancelada em breve, se Felicity Smoak não fizesse alguma coisa logo. Mas a vigilância devia continuar. E Cooper juntou-se aos detetives que mantinham Felicity sob observação.

Felicity e Oliver tinham quartos contíguos no Amstel.

- Em nome da respeitabilidade – explicara Oliver a Felicity.

Mas não deixarei que fique longe de mim.

- Promete?

Todas as noites, Oliver ficava com ela, fazendo amor, até o amanhecer. Ele era um amante de múltiplas faces, ora terno, ora impetuoso.

É a primeira vez que descubro para que serve meu corpo – sussurrou Felicity. – Obrigada, meu amor.

- O prazer é todo meu.

- Só a metade.

Eles vagueavam pela cidade, aparentemente a esmo. Comeram os pratos tradicionais e passearam por todos os bairros turísticos da cidade. Todas as noites, o relatório por escrito apresentado ao inspetor Van Duren terminava com o mesmo registro: “Nada de suspeito.”

“Paciência”, dizia Cooper a si mesmo. “Paciência.”

Por insistência de Cooper, o inspetor Van Duren procurou o comissário Willens, solicitando permissão para colocar escutas eletrônicas nos quartos do hotel ocupados pelos dois suspeitos. A permissão foi negada.

- Quando houver provas mais concretas por trás das suspeitas – declarou o comissário -, volte a me falar. Até lá, não posso permitir que escutem secretamente pessoas que no momento só são culpadas de visitarem a Holanda como turistas.

Essa conversa ocorreu na sexta-feira. Na manhã de segunda-feira, Felicity e Oliver foram ao centro de diamantes de Amsterdã, em Coster, a fim de visitarem a fábrica de lapidação. Daniel Cooper integrava a equipe de vigilância. A fábrica estava apinhada de turistas. Um guia falando inglês conduziu-os pela fábrica, explicando cada operação no processo de lapidação. Ao fim do passeio, ele levou o grupo para uma enorme sala de exposição, as paredes ocupadas por uma ampla variedade de diamantes à venda. É claro que esse era o motivo maior para oferecer a excursão pelas instalações. No centro da sala havia uma caixa de vidro, montada sobre um pedestal alto e preto, contendo o diamante mais espetacular que Felicity já vira. O guia anunciou, orgulhosamente:

- Eis aqui, senhoras e senhores, o famoso diamante Lucullan, sobre o qual todos já leram. Foi outrora adquirido por um autor de teatro para sua esposa, estrela do cinema. Está avaliado em dez milhões de dólares. É uma pedra perfeita, um dos melhores diamantes do mundo.

- Deve ser um alvo e tanto para ladrões de joias – comentou Oliver, em voz alta.

Daniel Cooper adiantou-se para poder ouvir melhor. O guia sorriu, indulgentemente.

- Não, senhor. – Ele acenou com a cabeça para o guarda armado parado ali perto. – Esta pedra é mais atentamente vigiada do que as joias na Torre de Londres. Não há qualquer perigo. Se alguém tocar no vidro, soa um alarme...e todas as janelas e portas nesta sala se fecham automaticamente. À noite, fachos eletrônicos são ligados. Se alguém entra na sala, soa um alarme na chefatura de polícia.

Oliver olhou para Felicity e disse:

- Acho que ninguém jamais roubará esse diamante.

Cooper trocou um olhar com um dos detetives. Naquela tarde, o inspetor Van Duren recebeu um relato da conversa.

Felicity e Oliver visitaram o museu Rijks no dia seguinte. À entrada, Oliver comprou uma planta do museu. Ele e Felicity atravessaram o saguão para a Galeria de Honra, onde haviam  Van dicks, Rubens e Tiepolos. Foram andando devagar, parando diante de cada quadro. A seguir se dirigiram para a Sala da Vigília Noturna, onde estava pendurado o mais famoso quadro de Rembrandt. Ali pararam. A policial que os seguia, Fien Hauer, pensou: “Oh, Deus, não!”

O título oficial do quadro era A companhia do capitão Frans. Com extraordinária nitidez e composição, mostrava um grupo de soldados preparando-se para entrar de vigília, sob o comando do seu capitão pitorescamente uniformizado. A área em torno do quadro estava cercada por cordas e um guarda se postava próximo.

- É difícil de acreditar – comentou Oliver para Felicity – mas Rembrandt sofreu o diabo por causa desse quadro.

- Mas por quê? É um quadro fantástico.

- Seu cliente...o capitão no quadro... não gostou da atenção que Rembrandt dispensou às outras figuras.

Oliver virou-se para o guarda e acrescentou:

- Espero que o quadro esteja bem protegido.

- Com certeza, está. Quem tentasse roubar alguma coisa deste museu teria de passar por fachos eletrônicos, câmeras de segurança e, à noite, dois guardas com cachorros.

Oliver sorriu suavemente.

- Acho que este quadro ficará aqui para sempre.

Ao fim da tarde, a conversa foi relatada a Van Duren.

- A vigília noturna! – exclamou ele. Impossível!

Daniel Cooper limitou-se a fitá-lo com seus olhos míopes.

No Centro de Convenções de Amsterdã havia uma reunião de filatelistas. Felicity e Oliver foram os primeiros a chegar. O salão estava muito bem vigiado, pois muitos dos selos eram extremamente valiosos. Cooper e um detetive holandês ficaram observando, enquanto os dois visitantes vagueavam pela coleção de selos raros. Felicity e Oliver pararam diante do Guiana Britânica, um selo hexagonal, magenta, sem nada de atraente.

- Que selo horrível! – comentou Felicity.

- Não se deixe impressionar por isso, querida. É o único selo do seu tipo no mundo.

- É valioso?

-Sim, um milhão de dólares.

O atendente balançou a cabeça.

- É verdade, senhor. A maioria das pessoas não imagina ao olhar para este selo. Mas vejo que ama os selos, senhor, tanto quanto eu. A história do mundo está neles.

Felicity e Oliver se deslocaram para o mostruário seguinte, que exibia um  invertido, com um avião voando de cabeça para baixo.

- Esse é muito interessante – disse Felicity.

O atendente ao lado do mostruário disse:

- Vale...

Oliver não o deixou completar, informando:

- Em torno de 75 mil dólares.

- Exatamente, senhor.

Eles passaram para o próximo mostruário.

- Este vale 250 mil dólares – disse Oliver a Felicity.

Cooper estava agora logo atrás deles, misturando-se com a multidão. Oliver apontou para outro selo.

- Este é muito raro. Em vez de “post paid”, porte pago, algum distraído escreveu “post office”, agência postal. Vale uma pequena fortuna hoje.

- Todos parecem muito pequenos e vulneráveis – comentou Felicity. – E fáceis de levar.

O guarda  ao lado sorriu.

- Um ladrão não iria longe, moça. Todas as caixas estão protegidas eletronicamente e guardas armados patrulham o prédio dia e noite.

- É um grande alívio saber disso – murmurou Oliver. – Nenhum cuidado é demais hoje em dia, não é mesmo?

Naquela tarde, Daniel Cooper e o inspetor Van Duren foram juntos falar com o comissário Willens. Van Duren pôs os relatórios sobre a vigilância na mesa do comissário e depois esperou.

- Não há nada de definitivo aqui – disse o comissário finalmente. – Mas admito que os suspeitos andaram farejando alvos muito lucrativos. Muito bem inspetor, pode seguir em frente. Tem permissão para instalar a escuta nos quartos do hotel.

Naquela noite, quando Felicity e Oliver deixaram o hotel para jantar, uma equipe de técnicos da polícia entrou em ação, instalando transmissores sem fios nas suítes, escondidos por trás de quadros e luminárias e embaixo de mesas.

O inspetor Van Duren requisitara a suíte do andar de cima, um técnico instalou um receptor de rádio, com uma antena e ligado a um gravador.

- É ativado pela voz – explicou o técnico. – Ninguém precisa ficar aqui para controlá-lo. Quando alguém fala, o aparelho começa a gravar automaticamente.

Mas Daniel Cooper queria estar ali. Tinha  de estar ali. Era a vontade de Deus.

Na manhã seguinte, bem cedo, Daniel Cooper, o inspetor Van Duren e seu assistente, estavam na suíte requisitada, escutando a conversa por baixo.

- Mais café?

A voz de Oliver.

- Não, obrigada, querido. – A voz de Felicity. – Experimente este queijo que nos mandaram. É uma delícia.

Um curto silêncio.

- Hum... Tem toda razão. O que gostaria de fazer hoje, Felicity? Poderíamos passear de carro até Roterdam.

- Por que simplesmente não ficamos aqui e relaxamos? – Parece uma boa ideia.

Daniel Cooper sabia muito bem o que eles estavam querendo dizer com “relaxar” e rangeu os dentes.

- A rainha vai inaugurar um novo orfanato.

- Isso é ótimo. Acho que os holandeses constituem o povo mais hospitaleiro e generoso do mundo, porém detestam regras e regulamentos.

Uma risada.

- É por isso que nós dois gostamos tanto deles!

Uma conversa matutina corriqueira entre namorados. “Eles parecem se dar maravilhosamente”, pensou Cooper. “Mas essa felicidade não vai durar por muito tempo!”

- Por falar em generoso, adivinhe quem está neste hotel? A voz de Oliver. – O esquivo Maximilian Pierpont. Senti falta dele no Queen Elizabeth II.

- E eu senti sua falta no Expresso do Oriente.

- Ele provavelmente está aqui para saquear outra companhia. Agora que o encontramos, Felicity, acho que deveríamos fazer alguma coisa em relação a ele. Já que ele se encontra por perto...

A risada de Felicity.

- Concordo plenamente, querido.

- Soube que o nosso amigo tem o hábito de andar com artefatos de valor inestimável. Tenho uma ideia que...

Outra voz de mulher.

- Com licença, gostariam que o quarto fosse arrumado agora?

Van Duren virou-se para o detetive Witkamp.

- Quero uma equipe de vigilância sobre Maximilian Pierpont. E quero ser informado no momento em que Smoak ou Queen fizerem qualquer contato com ele.

O inspetor Van Duren estava se reportando ao comissário Willens:

- Eles podem estar atrás de um entre muitos alvos, comissário. Demonstram um grande interesse por um rico americano que se encontra aqui, chamado Maximilian Pierpont, compareceram a uma convenção filatélica, visitaram o diamante Lucullan e passaram duas horas diante da Vigília Noturna...

- Eu diria que são alvos impossíveis, com exceção do rico americano.

O comissário recostou-se na cadeira, perguntando-se se não estaria irresponsavelmente desperdiçando tempo e homens valiosos. Havia especulação demais, mas não fatos suficientes.

- Portanto, no momento, você não tem ideia de qual é exatamente o alvo.

- Não, comissário. E não tenho certeza se eles já decidiram. Mas no instante em que isso acontecer, eles nos informarão.

Willens franziu o rosto.

- Eles informarão?

- Os microfones – explicou Van Duren. – Eles não sabem que estamos ouvindo tudo o que conversam.

A brecha para a polícia surgiu às nove horas da manhã seguinte. Felicity e Oliver terminavam o café da manhã, na suíte de Felicity. No posto de escuta, no andar de cima, estavam Daniel Cooper, o inspetor Van Duren e seu auxiliar. Eles ouviram o som do café sendo despejado.

- Aqui uma notícia interessante, Felicity.  Nosso amigo tinha razão. Escute só: “O Banco Amro está embarcando cinco milhões de dólares em barras de ouro para as Índias Ocidentais Holandesas.”

Na suíte de cima, o detetive Witkamp disse:

- Não há qualquer possibilidade...

- Shh!

Eles ficaram escutando.

- Quanto será que pesam cinco milhões de dólares em barras de ouro?

A voz era de Felicity.

- Posso responder com exatidão, querida. Dá exatamente 758 quilos, em torno de 57 barras de ouro. O melhor de tudo é o fato do ouro ser perfeitamente anônimo. Basta derretê-lo e pode pertencer a qualquer um. É claro que não seria fácil tirar as barras da Holanda.

- Mesmo que fosse possível, como poderíamos nos apossar das barras de ouro em primeiro lugar? Simplesmente entrando no banco e pegando-as?

- Algo assim.

- Está brincando.

- Nunca brinco com dinheiro nessas proporções. Por que não fazemos um pequeno passeio ao Banco Amro e aproveitamos para dar uma olhada?

- O que tem em mente?

- Eu lhe direi no caminho.

O som de uma porta sendo fechada e as vozes desapareceram. O inspetor Van Duren torcia nervosamente o bigode.

- Nee! Não há qualquer possibilidade de eles pegarem aquele ouro. Eu aprovei pessoalmente os dispositivos de segurança.

Daniel Cooper anunciou, incisivamente:

- Se há alguma falha no sistema de segurança do banco, Felicity Smoak a descobrirá.

O inspetor Van Duren teve de fazer um grande esforço para controlar seu temperamento explosivo. O americano esquisito era uma abominação desde a sua chegada. Era muito difícil tolerar o seu senso de superioridade divina. Mas o inspetor Van Duren era um policial acima de tudo; e recebera a ordem de cooperar com o homenzinho. Ele virou-se para Witkamp.

- Quero que aumente a equipe de vigilância. Imediatamente.

Quero que todos os contatos sejam fotografados e interrogados. Entendido?

- Entendido, inspetor.

- E muito discretamente.

- Certo, inspetor.

Van Duren olhou para Cooper.

- Pronto. Isso o faz sentir-se melhor?

Cooper não se deu ao trabalho de responder.

Durante os cinco dias seguintes, Felicity e Oliver mantiveram os homens do inspetor Van Duren bastante ocupados. Daniel Cooper examinava meticulosamente os relatórios diários. À noite, depois que os outros detetives deixavam o posto de escuta, Cooper ficava, ficava atento aos sons madrugada adentro, pensando: “Muito em breve você me pertencerá”, pensava Cooper. “Ninguém mais a terá.”

Durante o dia, Felicity e Oliver seguiam por caminhos separados, sempre vigiados por toda parte. Oliver visitou uma gráfica perto do hotel, dois detetives observaram atentamente da rua a sua conversa com o impressor. Quando  Oliver saiu, um dos detetives seguiu-o. O outro entrou na gráfica, mostrou ao impressor a sua identificação de policial e perguntou:

- O que queria o homem que acabou de sair daqui?

- Ele ficou sem cartões de visita. Quer que eu imprima mais alguns.

- Deixe-me ver o que ele deixou.

O impressor mostrou o pedido:

                    Serviços de Segurança de Amsterdã

                     Joseph Wilson, investigador-chefe

No dia seguinte, a detetive Fien Hauer ficou esperando do lado de fora quando Felicity entrou numa loja de animais domésticos. Assim que ela saiu, quinze minutos depois, Fien Hauer entrou na loja e mostrou sua identificação.

- O que queria a mulher que acabou de sair?

- Ela comprou um aquário com peixinhos dourados, dois periquitos, um canário e um pombo.

Uma estranha combinação.

- Disse um pombo? E era um pombo comum?

- Isso mesmo. Mas nenhuma loja tem pombos em estoque. Eu disse a ela que teria de providenciar em outro lugar.

- E para onde deverá mandar esses bichos?

- Para o hotel Amstel, onde ela está hospedada.

No outro lado da cidade, Oliver conversava com o vice-presidente do Banco Amro. Ficaram juntos por meia hora. Assim que Oliver se retirou, um detetive entrou no banco e foi falar com o vice-presidente:

- Por favor, pode me informar o que desejava o homem que acabou de sair daqui?

- O Sr. Wilson? Ele é investigador- chefe da seguradora que o nosso banco usa. Estão reavaliando os sistemas de segurança.

- E lhe pediu para falar sobre os atuais dispositivos de segurança?

- Exatamente.

- E lhe falou?

- Claro. Mas, naturalmente, tomei primeiro a precaução de checar por telefone suas credenciais.

- Para quem telefonou?

- Para o serviço de segurança...o telefone estava impresso em sua identificação.

Às quinze horas daquela tarde um caminhão blindado parou diante do Banco Amro. Do outro lado da rua, Oliver tirou uma foto do caminhão, enquanto um detetive o fotografava de alguns metros de distância.

Na chefatura de polícia, o inspetor Van Duren espalhou as evidências que se acumulavam rapidamente sobre a mesa do comissário Willens.

- O que significa tudo isso? – perguntou o comissário.

Daniel Cooper falou:

- Eu lhe direi o que ela está planejando. – Sua voz estava cheia de convicção. – Ela planeja roubar o carregamento de ouro.

Todos o fitavam fixamente. Foi o comissário Willens quem rompeu o silêncio:

- E devo supor que você sabe como ela pretende realizar esse milagre?

- Claro que sei.

Ele conhecia uma coisa que os outros ignoravam. Conhecia o coração, a alma e a mente de Felicity Smoak. Pusera-se dentro dela, podia assim pensar como ela, planejar como ela... e antecipar todos os seus movimentos.

- Usando um falso caminhão blindado e chegando ao banco antes do caminhão verdadeiro, partindo depois com as barras de ouro.

- Isso parece um tanto exagerado, Sr. Cooper.

O inspetor Van Duren interveio:

- Não sei qual é o plano, mas tenho certeza de que eles estão mesmo planejando alguma coisa, comissário. Temos as gravações.

-Eles descobriram a rotina de segurança do banco. Sabem a que horas os caminhões blindados aparecem...

O comissário estudava o relatório à sua frente.

- Periquitos, um pombo, peixinhos dourados, um canário...acham que alguma dessas bobagens tem algo a ver com o assalto?

- Não – respondeu Van Duren.

- Sim – respondeu Cooper.

A detetive Hauer seguiu Felicity Smoak pela Ponte Magere. Quando Felicity chegou ao outro lado do canal, Hauer ficou olhando frustrada quando ela entrou numa cabine telefônica e falou por cinco minutos.. Ela ficaria igualmente frustrada se pudesse ouvir a conversa. Gunther Hartog, em Londres, disse:

Podemos contar com Margo, mas ela precisará de tempo... pelo menos mais duas semanas.

Ele escutou por um momento e depois acrescentou:

- Compreendo. Quando tudo estiver pronto, entrarei em contato com você. Tome cuidado. E dê minhas lembranças a Oliver.

Felicity desligou e saiu da cabine. Acenou afavelmente com a cabeça para a mulher que esperava para usar o telefone.

Às onze horas da manhã seguinte, um detetive comunicou ao inspetor Van Duren:

_ Estou na companhia de aluguel de caminhões Wolters, inspetor. Oliver Queen acaba de alugar um caminhão aqui.

- Que espécie de caminhão?

- Um caminhão fechado, senhor.

- Descubra as dimensões. E me ligue de volta.

O detetive retornou a ligação poucos minutos depois.

- Já tenho tudo, inspetor. E...

O inspetor Van  Duren interrompeu-o:

- Um furgão com seis metros de comprimento, dois metros de largura, eixo duplo.

Houve uma pausa aturdida.

- Isso mesmo, inspetor. Como descobriu?

- Não tem importância. De que cor é?

- Azul.

- Quem está seguindo Queen?

- Jacobs.

- Bom. Apresente-se a mim imediatamente.

Van Duren desligou o telefone e virou-se para Cooper.

- Você estava certo. Só que o furgão era azul.

- Ele o levará a uma oficina de pintura.

A oficina era em Damrak. Dois homens pintavam o furgão com um cinza metálico, enquanto Oliver observava. No telhado da garagem, um detetive fotografava através da claraboia.

As fotografias se encontravam na mesa de Van Duren uma hora depois. Ele estendeu-as para Daniel Cooper.

Está sendo pintado numa cor idêntica ao carro de segurança genuíno. Podemos prendê-lo agora.

- Sob que acusação? Mandar imprimir falsos cartões de visita e pintar um caminhão? Só há um meio de incriminá-los irremediavelmente: agarrá-los no momento em que pegarem as barras de ouro.

“O filho da puta se comporta como se dirigisse o departamento.”

- O que acha que ele fará em seguida?

Cooper estudava atentamente as fotografias.

- Este caminhão não suportará o peso do ouro. Terão de reforçar o chão.

Era uma garagem pequena, na rua  Mulkder..

- Bom dia. Em que posso servi-lo?

- Preciso carregar uma sucata neste caminhão – explicou Oliver. – Não tenho certeza se o fundo é bastante forte para aguentar o peso. E gostaria de reforçá-lo com suportes de metal. Pode fazer isso?

O mecânico examinou o caminhão e disse:

- Sim. Não tem problema.

- Ótimo.

- Posso aprontar até sexta-feira.

- Eu contava ter tudo pronto amanhã.

- Sinto muito, não é possível...

- Pagarei em dobro.

- Poderia ser quinta-feira.

- Amanhã. Pagarei o triplo.

O mecânico coçou o queixo, pensativo.

- A que horas amanhã?

- Ao meio-dia.

- Está bem.

- Obrigado e até amanhã..bom dia.

Momentos depois que Oliver deixou a oficina, um detetive estava interrogando o mecânico.

Na mesma manhã, a equipe  de vigilância designada para Felicity seguiu-a até o Canal Oude Schans, onde ela passou meia hora conversando com o proprietário de uma barca. Assim que Felicity foi embora, um detetive subiu a bordo. Identificou-se para o proprietário perguntando:

- O que a mulher queria?

- Ela e o marido pensam em fazer uma excursão pelos canais. E ela alugou minha barca por uma semana.

- A partir de quando?

- Sexta-feira. Um lindo passeio. Se você e sua esposa estiverem interessados....

O detetive se foi.

O pombo encomendado por Felicity foi entregue no hotel dentro de uma gaiola. Daniel Cooper voltou à loja de bichos e interrogou o dono.

- Que tipo de pombo mandou para ela?

- Um pombo comum.

- Tem certeza que não era um pombo-correio?

-O homem soltou uma risada. – Claro que não. E tenho essa certeza porque o peguei ontem na praça Vondelpark.

Meia tonelada de ouro e um pombo comum? “Por quê?” especulava Daniel Cooper.


Notas Finais


Essa história está chegando ao final...haverá talvez mais um ou dois capítulos..
Mas pode haver uma continuação...enfim...


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