História Past Lives - Capítulo 12


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS), HyunA
Personagens HyunA, J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Personagens Originais, Rap Monster, Suga, V
Tags Fanfic, Jikook, Misterios, Namjin, Romance, Vhope, Yoongi
Exibições 436
Palavras 5.185
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Crossover, Escolar, Lemon, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Heey babys!!
Olha, até cheguei antes de duas semanas u.u
Preparados??
Vamos lá....

Capítulo 12 - Chapter 11


Fanfic / Fanfiction Past Lives - Capítulo 12 - Chapter 11

POV Jeon JungKook:

 

 

Verídico. Com certeza pirei. Estou louco, um completo doido sem limites, sem controle sobre os impulsos. Talvez Park tenha esse efeito sobre mim, e eu me odeio por sentir isso toda vez que ouço a sua voz. Como se estar perto dele fosse uma alavanca para a minha perdição no pecado, para eu dizer adeus a minha razão, para eu ligar meus impulsos e agir como um idiota. Confesso que quando ouvi suas palavras pelo telefone, senti meu coração falhar pelo seu tom usado, ele queria muito parecer bem, infelizmente eu tenho esse sentido se saber quando uma pessoa está mal, e ele estava. Muito por sinal.

 

Park estava no frio. Sozinho. Isso me tocou de uma forma inexplicável, já passei por isso, a ponto de estar completamente sozinho. Imaginar que ele poderia estar sentindo alguma dor, me fez querer ajuda-lo. Aquela mesma sensação que senti no colégio, me sinto alguém tão diferente perto dele. Será mesmo verdade que aquele moreno pode estar me mudando? Não, não e não. Não pode ser verdade. Já falei tantas vezes que sou alguém com um destino bizarro, que sou alguém que nasceu ferrado, que... morreria sozinho, e no meu leito de morte provavelmente nem meu primo estaria lá, até agradeceria o meu belo fim.

 

Eu o abracei. Não, não foi por ele. Ok, uma parte foi pela sua situação crítica que me comoveu, mas o envolvi pelos meus braços por mim. Por mais que seja difícil de assumir, outra vez quis sentir a sua quentura próxima a mim. Como se meu coração parece com aquela inquietação que sempre persiste quando estou ao seu lado. Park chorou na minha blusa, mas não liguei, ele precisava descarregar toda a sua dor guardada. Pela primeira vez em anos me senti na obrigação de proteger alguém, de me preocupar com seu bem, de saber se o moreno estava mesmo bem como sua máscara dizia. Agora a sua máscara caiu e eu estou vendo a fragilidade que ele pode ficar se um dia desabar de vez. Não será nada bom se isso acontecer, então...

 

– Park... acho que pensei sobre aquilo. – Falei ainda com o queixo apoiado em sua cabeça, enquanto o cheiro do seu shampoo entrava em minhas narinas, aquele típico cheiro de banho que adoro.

 

– O que? – Sua voz era chorosa, porém ele já tinha parado de chorar a alguns minutos.

 

– Sobre ser seu amigo... acho que pode ser bom para ambos. – Falei e ele se separou de mim e me fitou com os olhos arregalados, e um sorriso rapidamente cresceu em seus lábios carnudos e vermelhos. Por que reparei em seus lábios? Outra pergunta que não sou capaz de responder. Tantos questionamentos sem fundamento, mas sei que no final, não quero a resposta para nenhuma dessas perguntas, pois sei que vou me arrepender de saber.

 

– Sério? – Arqueou a sobrancelha e eu assenti coçando a nuca em um misto de desconforto e vergonha por ter aceitado ser seu amigo. Agora sim estou perdido. – Finalmente consegui a sua amizade Kookie-ah! – Exclamou todo contente, seus olhos se fecharam por segundos, acho que quando ele sorri alegremente, até seus olhos se fecham e a sua aparência se torna completamente angelical. Confesso que sorri também, parece que sua felicidade é contagiante, conseguir até deixar meu coração mais leve.

 

– É – Suspirei. – Finalmente conseguiu Jiminnie-ah. – Foi uma surpresa até para mim usar seu apelido outra vez. No fundo sei que gostei de usá-lo, o som desse simples apelido aquece meu coração e me faz lembrar daqueles sonhos serenos que tenho com o moreno a minha frente. A alguns dias não sonho com ele, e é até vergonhoso admitir que sinto falta de sonhar com Park. Mas posso culpar o meu cansaço de apenas ter aqueles pesadelos horríveis com água me afogando.

 

Então sim, peço por favor para os sonhos voltarem.

 

 

(...)

 

 

Nos sentamos em um dos bancos daquela praça vazia, a brisa era fria e eu abracei as minhas pernas para tentar me aquecer um pouco mais. Park parecia ter seus pensamentos longes daqui, mas seus olhos o entregavam facilmente. Ele estava sofrendo internamente, como eu na maioria das vezes. Agora sinto aquela sensação que Yoongi sempre descreve para mim, de querer o bem da outra pessoa, de querer que ela pare de sofrer, de apenas querer fazer a diferença na vida dela. Acho que preciso fazer o garoto de fios negros desabafar para mim. Tenho certeza que nada será pior do que a minha vida.

 

– Park, me conte o que aconteceu. Estou aqui para te ouvir, e prometo não julgar. – Disse e ele soltou um breve suspiro, me olhando de canto. Pensava se valia a pena me contar ou não. Acho que posso estar realmente mudando, já que a algumas semanas atrás, estaria pouco me importando para os seus sentimentos, ou o que ele pensava. Agora... bem, as coisas mudaram.

 

– Ver você agindo assim me dá medo. – Ri fraco e eu sorrio minimamente. – Foi basicamente o que eu te contei, problemas familiares. Já deve saber que o meu namoro com Hyuna não foi algo que eu quis, sou praticamente obrigado a namorá-la, e isso me deixa tão puto. – Bufa e eu franzo o cenho não entendendo o porque dele ser obrigado a se relacionar com alguém. Park Jimin não manda em tudo e todos? – Meus pais são pessoas arrogantes que só ligam para seus próprios interesses, e por causa de uma transição com o pai de Hyuna, meu pai e obrigou a namorar com ela, e agora... eles querem que eu case com ela. – Fala e eu abro a boca em um espanto repentino. – Fala sério, só tenho dezessete anos, logo farei dezoito, mas isso não convém. Quero curtir a vida, e mesmo que não pareça, quero achar alguém que eu ame verdadeiramente, quero parar de ser quem não sou, quero... poder me sentir livre sem regras impostar pelos meus pais. É tão difícil entender que eu estou cansado dessa merda toda? – Dito a última frase, ele passou as mãos pequenas pelos fios negros de seu cabelo que já estava bagunçado.

 

Park é apenas um garoto, com seus medos e espantos do dia a dia, como eu. Sim, já afirmei que não tinha medos, mas acho que esse meu pensamento pode estar completamente errado. Agora passei a me enxergar mais. Posso tentar me enganar que não sinto esses medos bobos, mas no fundo sinto. Não tenho medo de altura, tenho medo de cair. Não tenho medo do escuro, tenho medo do que pode estar nele. Não tenho medo da vida, tenho medo de vive-la livremente. Olhe só como a vida é uma grande ironia, Park quer tanto se soltar, e eu me reprimo, me puno por alguma coisa. Me maltrato internamente pela morte dos meus pais, sem mesmo ter culpa, isso que as pessoas falam. Mas a dor no meu coração pela perda de ambos, só me faz querer fundar cada vez mais e mais. Ah, essa dor toma conta do meu coração.

 

– Eu sei que eles são seus pais, mas não podem te controlar dessa forma. – Tentei consola-lo, mas ele encostou as costas no encosto do banco e soltou outro suspiro longo e cansado.

 

– Não é assim tão fácil JungKook. – Ele disse sério. Foram palavras sérias apenas por ele ter dito meu nome. – Minha mãe me pressionou outra vez hoje, dizendo que se eu não casasse com Hyuna, me tiraria a herança e todas as mordomias que tenho. No fim nem estou preocupado com o dinheiro que vou perder, mas sim pela falta que meus pais vão fazer. Eles são ausentes, mas pelo menos... estão ali, estão vivos e eu os amo muito. Mas parece que esse amor não é correspondido por nenhum deles. – Disse cabisbaixo e eu apoiei minha mão sobre suas costas, uma forma de dizer que tudo ficaria bem. – E quando eu disse que não ligava, ela... me expulsou de casa, falou que não precisava de um filho como eu. – Pude ver uma lágrima solitária cair de seus olhos brilhosos. Por que quando ele chora, meu coração se aperta?

 

– Ei, ei. – Virei seu rosto para mim, colocando ambas mãos em cada lado do seu rosto. – Tudo vai ficar bem. – Deu o meu melhor sorriso, pelo menos, o melhor que consegui naquele momento. – Você confia em mim, não confia? – Arqueei a sobrancelha e ele levou a mão sobre a minha. Aquele contato me causou certos arrepios estranhos, sua mão era quente e isso me deixou em um êxtase momentâneo.

 

– Eu... confio. – Falou e eu mantive meu sorriso.

 

– Vou te levar até a sua casa, você precisa dormir e pensar sobre as coisas. De manhã se não estiver preparado para uma conversa com seus pais, é só sair sem eles perceberem. Só saiba que agora vou estar com você. – Me levantei e ele me seguiu no ato.

 

– Obrigada Kookie-ah. – Ele sorriu de lado, não foi como aquele sorriso de antes, mas valeu a pena vê-lo.

 

Park, o que você está fazendo comigo?

 

 

(...)

 

 

Uma semana se passou desde aquele dia atrapalhado de sensações. Devo dizer que minha relação com o moreno continua a mesma coisa de antes. E não sei o porquê. Só sei que no dia seguinte, naquela manhã que eu acordei até feliz por pelo menos tentar ser amigo de alguém pela primeira vez e verdade, fui recebido com expressões duras dele. Como sei disso? Simples. Quando cheguei no colégio aquele dia, e olhei para ele, Park me olhou de volta, mas... não parecia ser ele ali, parecia mais ser uma pessoa que tinha cansado da vida. Acho que ele mandou tudo para os ares, como se realmente tivesse desistido de todos os seus princípios. E um boato de que ele e Hyuna estão noivos está rondando a escola. Ok, isso sim me surpreendeu, e muito. Eu sei que deveria ter me aproximado dele, ter perguntado o que tinha acontecido assim que o deixei em casa naquela noite fria, ainda me recordo do seu último sorriso, e agora... até ver o brilho dos seus olhos é difícil. Mas sempre que tento me aproximar dele, o mesmo parece perceber e se afasta. Porém ele não pode escapar de mim para sempre.

 

Hoje mesmo a professora de química disse que as duplas teriam que fazer um trabalho que valeria uma boa nota para o trimestre. Park é minha dupla. E por mais que doa desfazer as minhas palavras, nunca agradeci tanto por ser a dupla dele, como agora. Percebi que o moreno ao meu lado – que passou a semana sem nem fazer contato visual comigo – parecia desconcertado ao ouvir tais palavras da professora que sorria contente ao ver o desespero dos alunos, bom, não estou preocupado completamente com o trabalho, e sim se vou conseguir pelo menos me comunicar com a minha dupla.

 

– É, hm... – Me virei para Park que ainda tinha a visão focada em seu caderno. Acho que agora entendo a sua irritação, quando eu o ignorava. Oh, isso é realmente chato de se lidar. – Vamos fazer o trabalho, ou vai continuar me ignorando? – Perguntei e ele pareceu soltar um baixo suspiro antes de virar a cabeça para mim, enfim me olhando nos olhos. Seria estranho dizer que quase perdi o ar? É, acho que sim.

 

– Não estou te ignorando. – Disse sério e eu bufei frustrado. Park só podia estar se fazendo de cínico.

 

– Então por que sempre que vou ao seu encontro, você foge? – Indaguei e ele engoliu em seco, provavelmente não sabia o que dizer. – Fala sério Park, você ficou no meu pé por um tempo para eu ser seu amigo, e do nada, resolve me ignorar. O que aconteceu? – Confesso que a minha voz se alterou um pouco. Não sei o que acontece quando fico perto dele, parece que o departamento do impulso no meu cérebro acorda e resolve agir acima de todos os outros. Eu sei, isso é completamente estranho, e agora... realmente pareço mais um desses adolescentes com os hormônios a flor da pele, que colocam a culpa de todas as suas burradas no impulso, o calor do momento. E acho que também posso culpar isso. Mas tenho que confessar outra coisa, viver no impulso me parece uma aventura que eu adoraria viver. O perigo pode ser melhor que a solidão do meu quarto escuro.

 

– Eu queria, passado. Agora não quero mais, vi o quão isso foi ridículo da minha parte querer ter a sua amizade, já que... somos tão diferentes. – Falou e mesmo sem eu querer, senti uma pontada dolorida no meu peito. Sim, eu quis me socar por ter cedido ser seu amigo assim que o vi passar por uma situação ruim. Agora serei mais frio com ele, assim ele verá que não sou tão fácil como ele pensou. – Enfim, vamos fazer o trabalho na minha casa. – Diz não dando muita importância para o que perguntei antes, escrevendo algo em um pedaço de papel e colocando dentro do meu estojo. – Esse é o endereço da minha casa, caso não se lembre. Te espero por volta das 16:00. – Disse e eu bufei por ver que ele não estava dando a mínima para o que eu queria. Porém simplesmente assenti, não valeria de nada brigar com moreno idiota ao meu lado.

 

 

(...)

 

 

Uma coisa que percebi hoje foi que dar atenção para as pessoas só serve para ferrar com a sua vida. Posso usar o meu exemplo, já que por um milésimo de segundo acreditei que Park poderia estar se abrindo comigo, podia estar deixando a sua máscara de mesquinho de lado, e agora acho que não é uma máscara. Talvez ele seja assim mesmo. Fingi ser uma pessoa sentimental, fala aquelas coisas que me deixaram com o coração apertado e em seguida me descarta. Ou talvez eu que tenha sido muito fácil, acho que realmente ele deve estar rindo agora com os amigos, comentando a sua experiência sobre como foi ficar com o ‘’estranho’’, e isso só faz aumentar a minha raiva dele.

 

Outra coisa que percebi foi a sua aproximação repentina com Hyuna, não que eles não fossem próximos, afinal são namorados, mas de uma semana para cá, eles estão agindo como um verdadeiro casal de filme romântico. Andam abraçados por aí, ambos com sorrisos nos rostos, enquanto dominam a escola. Juro que tento não reparar, mas é algo que não posso controlar em mim. Reparo em tudo, e as vezes queria não ter esse vício. Percebo que os seus amigos não gostaram dessa reaproximação do casal, principalmente aquele que trombei no primeiro dia, de acordo com meu primo, se chama Kim Taehyung, suas expressões de nojo para Hyuna são tão visíveis que chegam a ser palpáveis. Claro que não é só ele que possui tais expressões, e sim todos que parecem se importar com ele.

 

O que está havendo com Park? Essa é uma pergunta que anda rondando muito a minha cabeça, mesmo eu querendo parecer frio a sua frente, mesmo eu querendo tirar esse sentimento de preocupação de mim... nada parece adiantar. Talvez os sonhos só compliquem tudo isso, ver essa realidade antiga nos meus sonhos faz meu peito se sentir leve, e quando acordo sou tomado por aquela sensação de realidade batendo na porta. É um saco. Por que tenho que me sentir assim? Por que tenho que sentir essas sensações humanas novamente? Chega para mim. Ser deixado de lado pelas pessoas é um porre, e eu estou cansado disso.

 

Quando a tarde chegou, lá pelas 15:30, resolvi sair de casa com a minha mochila jogado nos ombros e uma roupa casual, calça jeans clara não muito grudada ao meu corpo e uma blusa branca mais solta, junto com coturnos caramelos. Durante o meu caminho até a casa de Park, várias músicas tocavam em meus fones. Vai por mim, nada melhor do que colocar uma das suas músicas preferidas de reflexão e sair andando pelas ruas, é como uma terapia para a alma. Acho que nesse meio tempo, pensei sobre tudo da minha vida. E ainda tive tempo de olhar a minha volta, detalhando cada pessoa. Uma dessas pessoas que me chamou mais atenção, foi uma moça de cabelos compridos e negros como a noite, olhos verdes que brilhavam como esmeraldas e um belo vestido branco que a tornava uma figura angelical. Ela tinha um sorriso enorme no rosto, aquele típico sorriso de orelha a orelha, de acordo com seus olhos, eu pude dizer que ela estava apaixonada. Ela mostrava todos os sinais de uma pessoa completamente apaixonada.

 

Eu sei que a maioria fala que a paixão passa e o amor não. Mas acredito que sem paixão, não há amor. Então posso afirmar que quando amamos, estamos tão apaixonados que nada ao nosso redor tem alguma importância. Posso usar o exemplo da moça que quase foi atropelada por ficar saltitando em meio aos carros da rua. Ela nem se importou e continuo a andar. Talvez um dia eu queira saber como é a sensação de amar. Amar uma pessoa deve ser uma das melhores sensações do mundo. Falam que amar é como uma droga, você acha que pode controlar o vício, mas quando vê, já está um completo viciado a pedir por mais. Românticos dizem que todos deveriam ter um amor que durasse, pelo menos até o fim da vida. Mas não acham esse tempo muito pequeno? Quer dizer, a maioria encontra o verdadeiro amor depois dos vinte anos, e vivemos em média noventa anos, sobrando consideravelmente pouco tempo de aproveito desse amor. Já que não vivemos simplesmente para a pessoa amada, temos outras prioridades que nos tomam um valioso tempo. Me pergunto se os amores de vidas passadas se encontram novamente para poderem se amar pela segunda vez, assim seria de verdade uma bela história de amor.

 

Com todos esses meus pensamentos sobre as mais diversas coisas, cheguei em frente aos enormes portões da mansão de Park. Tirei meus fones e os guardei na mochila, suspirei e toquei a campainha, avisando a minha chegada, logo os portões foram abertos e eu entrei admirado pelo grandioso jardim que rodava a casa. Sempre fui apaixonado pelas flores, ainda mais depois que nos meus sonhos exóticos vi aqueles lindos campos floridos que pouco vejo nas cidades urbanizadas. Apressei o passo para que não ficasse ali babando pelas diversas cores e espécies de flores. A porta branca estava aberta, e uma empregada estava na porta com um sorriso no rosto, esperando que eu entrasse, logo fechando a porta atrás de nós.

 

– O senhor Park te espera no quarto dele. É só subir as escadas, é o último quarto a direta do corredor. – Explica a mulher que deveria ter no máximo sessenta anos. Assinto e subo as escadas que me cansaram um pouco. Atravessei o corredor até parar em frente a porta que ela havia me falado.

 

Dei três batidas em sua porta, esperei alguns segundos e logo ouvi a porta sendo aberta do lado de dentro. Assim que a porta se abriu, Park se encostou no batente da porta e me olhou da cabeça aos pés. E não, não entendo essa sua ação, então resolvi ignorar. Ele abriu um daqueles sorrisinhos dele antes de começar a falar.

 

– Fique à vontade. – Disse me dando espaço para entrar, de fato entrei.

 

Acho que seu quarto foi um dos maiores que já entrei em toda a minha vida. Sério. As altas paredes pintadas por uma tinta creme davam um aspecto leve ao ambiente, a cama de casal no centro possuía cobertas com estampa de listras em um tom claro, no canto uma escrivaninha com um computador em cima, e ao lado dela uma prateleira com livros, e até em uma das paredes haviam alguns pôsteres de carros. Aqueles típicos de adolescentes. O guarda roupa com altas portas e uma porta que daria para o provável banheiro. Nossa, acho que fiquei alguns minutos observando o quarto dele.

 

– Gostou? – Park arqueou a sobrancelha enquanto se jogou em um pufe branco no chão.

 

– Aham. – Murmurei e o olhei. O moreno usava uma regata preta com alguns dizeres e uma calça jeans escura com rasgados nos joelhos. – Vamos começar o trabalho? – Perguntei e ele assentiu se levantando do pufe e se sentando na cama, fazendo um sinal para que eu me sentasse também. Fiz o que pediu, me pondo a sua frente. De fato, era constrangedor ficar assim com ele, em sua cama, com um baita silêncio, e isso tudo depois de eu ser ignorado por uma semana.

 

– Qual o tema do trabalho? – Ele perguntou e eu abri a minha mochila, tirando dela um papel impresso com o nosso tema e o que íamos pesquisar.

 

– A utilidade da luz solar. – Disse. – Podemos fazer cartazes e explicar para a sala, algo simples e ao mesmo tempo interessante. Aposto que todos vão querer ouvir o que você tenha a dizer. – A segunda parte não foi intencional, meio que saiu. E aqui estou e culpando outra vez o impulso. Isso não é justo comigo, estar perto dele é algo que me descontrola, e não estar no controle... é duro e me faz perder a cabeça.

 

– Por que acha isso? – Percebo que ele sabia a resposta, mas queria ouvir a minha versão.

 

– Bem... – Suspirei levemente e o olhei. Por que olhos tão brilhantes? – Você é o mais popular daquela escola, todos têm respeito e até medo de você, mesmo que o que você fale não tenha a mínima importância para elas, com certeza, vão ouvir e comentar. É algo que deve muito acontecer com você Park. – Expliquei o que achava e ele sorriu de lado, me deixando um pouco confuso.

 

– Então acha que sou importante para aquele colégio?

 

– Para aqueles adolescentes idiotas que o veneram, sim. Para mim, não. – Foi uma meia mentira. Era verdade a parte dos adolescentes idiotas, mas eu... de certa forma sei que ele é importante par mim, afinal, se ele não fosse, por que ainda penso nele? Posso culpar os sonhos que aumentam cada vez mais, me deixando de cabeça cheia. Aumenta a quantidade absurda de pensamentos na minha cabeça.

 

– Não minta para si mesmo Kookie-ah, sei que sentiu minha falta. – Falou com aquele sorriso dele de lado que deixava a maioria das meninas suspirando, bem, esse sorriso me deixava sem palavras, e com um balanço no coração. Ainda não entendo essas sensações diferentes que acontecem comigo.

 

– Não seja idiota Park. – Bufei.

 

– Por que ainda me chama de Park? A maioria só me chama de Jimin, mesmo que nunca tenha falado comigo. – Ele tombou a cabeça para o lado querendo saber a resposta.

 

Acho que fui pego em um labirinto em meu cérebro. Chamar ele de Park é um hábito que tenho desde o primeiro dia de aula, como um vício que me apeguei. Chama-lo de Jimin parece algo banal, como se ele fosse uma pessoa sem qualquer importância... espera, então quer dizer que eu estava certo em falar que menti, afinal, se eu o chamo de Park, quer dizer que de alguma forma me importo com o moreno a minha frente que esperava uma resposta.

 

– Para mim, chamar uma pessoa pelo primeiro nome, como Jimin, é algo... sem graça. E quando eu te chamo de Park, você sabe que sou eu, claro que pela minha voz, mas também porque apenas eu te chamo assim, e os professores e adultos, mas isso não conta. – Explico e ele assente sem tirar aquele bendito sorriso do rosto. – Então posso concluir que te chamar de Park é algo que gosto, me sinto confortável assim. – Sorrio minimamente e por um segundo pude jurar que seus olhos focarem em meus lábios, mas deve ser só uma ligeira impressão.

 

– Então quando uma pessoa te chama por uma coisa que poucos chamam, quer dizer que fica mais importante? – Pergunta. Nossa, hoje ele está cheio de perguntas.

 

– É, tipo isso.

 

– Ok, vou te chamar de Kookie-ah então. – Fala com um sorriso travesso e eu reviro os olhos.

 

– Eu já te respondi muitas perguntas. Chegou a sua vez. – Falei ajeitando a minha postura naquela cama. – Está noivo da Hyuna?

 

– Ligando para boatos? – Arqueou a sobrancelha e eu dei de ombros. – Hm, pode-se dizer que sim.

 

– Como assim? – Não entendo a sua resposta.

 

– Muitas coisas aconteceram naquele dia que voltei para casa JungKook. – Suspira tristemente, aumentando a minha curiosidade.

 

– Me conte então, afinal... acho eu que ainda somos amigos. – E o meu plano de ser frio foi-se pelo ralo como a maioria dos meus pensamentos de me manter calado a sua frente.

 

– Não somos amigos JungKook. Você deveria ficar feliz, já que foi praticamente obrigado a ser meu amigo. – Foi como uma facada no meu peito.

 

– Ninguém me obrigou a nada Park, mas agora vejo que deveria ter recuado assim que você tentou se aproximar. Acho que me enganei rudemente sobre a seu respeito, agora sim posso afirmar que a sua máscara é a sua face original de todas as horas. – Joguei a mochila nos ombros e levantei da sua cama seguindo para a porta, mas sinto a sua mão quente entrar em contato com o meu pulso, me puxando para si. Por pouco não me choco a ele.

 

Agora a sua expressão era bem diferente. Olhos marejados, parecia que ele iria desabar a qualquer hora. Parecia suplicar por ajuda. E eu senti aquele aperto ainda maior no coração.

 

– Não vá embora, por favor. – Sua voz era baixa. – Preciso que fique, preciso que veja uma coisa. – Disse ao se distanciar, voltando para a sua cama e desligando a luz do quarto, eu até teria ficado perdido no escuro se não fosse pelas estrelas de plástico grudadas em todo o teto do seu quarto. Aquelas estrelas infantis. Sorri com a beleza delas, deixava o ambiente mais belo do que já era. – Deite-se aqui. – Deu leve batidinhas ao seu lado na cama. Joguei a mochila no chão e me pus ao seu lado na cama, fitando em seguida aquele teto forrado por estrelas brilhantes. Park é um admirador de estrelas, tanto que as leva até para o escuro do seu quarto.

 

– Isso é... lindo. – Concluo com um sorriso no rosto enquanto olhava elas. Como é possível que os meus mais diversos sorrisos se aflorem apenas ao seu lado?

 

– Elas estão aí desde que eu era criança, nunca tive a coragem de tira-las, acho que são elas que me ajudam a dormir à noite. – Fala. – Ah, você queria saber sobre Hyuna... bem, não estou noivo dela por vontade própria. – Diz e solta um suspiro, e um silêncio pairou entre nós, já que tantos pensamentos tomaram conta da minha mente.

 

Se ele não queria se casar com Hyuna, então por que está noivo? Para mim, casamento é um compromisso muito importante, afinal, assim que se casam, essas duas pessoas estão afirmando de amar até o fim. Sei que em muitos casos, ocorre o divórcio, e isso só implica na falta de afeto entre o casal. Mas será que o moreno sonhador ao meu lado foi obrigado? Aquele aperto no meu coração veio novamente, me tomando por dentro. Apertei os lábios antes de começar a falar.

 

– Park, você sabe que ninguém pode te obrigar a nada, já que logo você terá maioridade e poderá fazer o que quiser. – Repeti uma das frases de uma semana atrás. Park não parecia ser aquele garoto determinado a passar por quem fosse, para alcançar seus objetivos.

 

– Eu sei, eu sei de tudo isso JungKook. – De repente ele se sentou na cama e passou as mãos pelo cabelo que já estava bagunçado o suficiente. – Mas é como se... eu quisesse agradar meus pais, os deixarem felizes. Sinto como se fosse um peso para eles, como se não tivesse significância nenhuma para eles. – Sua cabeça se abaixou. – Isso machuca, machuca muito. – Sua voz era baixa e eu senti vontade de abraça-lo, mas vi que ele precisava de um tempo sozinho, talvez quisesse refletir mais sobre tudo que estava acontecendo em sua vida. Sabe, acho que encontrei alguém com a vida mais ferrada que a minha.

 

– Hm... acho melhor fazermos o trabalho outro dia, você precisa de um tempo, e eu ir embora antes que escureça. – Falei e engoli em seco deslizando pela cama.

 

A luz fazia falta naquele ambiente, por sorte encontrei minha mochila e a joguei nos ombros, indo em direção a porta. Mas a mão quente dele entra em contato com meu pulso, como em todas as vezes que ele tenta me impedir de algo, ou quer me dizer alguma coisa. Só sei que agora sua força era maior, e ao conseguir me virar, senti o impacto do seu peito no meu. Estávamos em uma proximidade absurda, a ponto de eu conseguir ouvir seu coração acelerado e tenho certeza de que ele escutou o meu. Engoli em seco antes de olhar em seus olhos, que agora, com certeza estavam mais intensos que nunca. Dizem que as mais belas frases, são ditas no silêncio de um olhar. Mas os seus estavam querendo desvendar os meus mais profundos segredos, entender a minha alma e isso com toda certeza me fez vacilar na respiração. Sua mão de repente se pôs na minha cintura, e isso me causou certos arrepios, mas eu estava congelado, sem reação, não sabia o que pensar ou fazer. A sua mão livre se pousou na minha bochecha, deixando um carinho ali com seu dedo, e pude sentir a maciez de suas mãos. Seus lábios pareciam mais vermelhos ao se contraírem em um sorriso de lado, sem mostrar os dentes. Era indecifrável.

 

– Você é lindo. – Sei que não era para ser, mas saiu como um sussurro de segredo. Fazendo meu corpo se arrepiar por inteiro, reagindo as suas singelas palavras.

 

Meu coração estava acelerado, a ponto de eu achar que a qualquer hora iria ter um ataque cardíaco. Uma sensação que nunca senti antes. O rosto do moreno estava se aproximando lentamente, e eu ainda estava na posição congelada de antes. Acho que poderia esperar de tudo ali. Mas acho que apenas a minha respiração estava descontrolada, já a sua estava suave, como uma leve brisa em meu rosto já quente pela vergonha de estar tão perto dele. Seu perfume era uma louca mistura que deu muito certo, flores do campo, aquele aroma sútil e doce, e ao mesmo tempo amadeirado e masculino, todo esse cheiro entrava em minhas narinas enquanto ele se aproximava ainda mais. Com todo cuidado do mundo, como se eu fosse uma escultura valiosa, depositou um beijo em minha testa, e eu pude sentir a textura de seus lábios cheinhos. Acho que são como pequenos pedaços de veludo, quentinhos e macios. Suspirei com tal ato, sem me preocupar com o que ele iria achar.

 

– Obrigada por estar perto, sempre que preciso. – Suas palavras foram ouvidas por mim, e eu sorri como uma criança feliz, e nem sabia porquê.

 

– Obrigada você. – Disse e ele franziu o cenho.

 

– Por que?

 

– Porque você está me mudando, e para melhor.

 

– JungKook...

 

– Hm?

 

– Você também está me mudando. E eu tenho medo de estar me apegando demais a você. – Suspirou.

 

– Não se preocupe. – Sorri. – Não irei fugir, afinal, já me apeguei demasiadamente a você.

 

Park, acho que estou enfeitiçado por você. O sentimento de amizade é assim mesmo?

 

 

 

Continua....


Notas Finais


ILUDI GERAL AHSHAHSHAHSH
Okay, chega de ser má né :D
Até mais!! <333

Playlist: https://www.youtube.com/playlist?list=PLU-1jgjQvqsn7-TRwUjMmcFFjJR0uJgsH


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