História Past Lives - Capítulo 8


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS), HyunA
Personagens HyunA, J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Personagens Originais, Rap Monster, Suga, V
Tags Fanfic, Jikook, Misterios, Namjin, Romance, Vhope, Yoongi
Exibições 886
Palavras 4.624
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Crossover, Escolar, Lemon, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Heey babys!!
Queria falar uma coisa para vocês, como devem saber, eu dou tudo de mim nessa fanfic, passo horas da madrugada (a hora que me vem a inspiração hard) escrevendo como uma louca. E eu queria pedir que todos que lessem, comentassem, nem se for uma critica construtiva, apenas comentem nem se for um ''continua'' ou ''tomate'', só quero saber que todos estão gostando :)
Vamos lá...

Capítulo 8 - Chapter 8


Fanfic / Fanfiction Past Lives - Capítulo 8 - Chapter 8

POV Jeon JungKook:

 

 

Devo dizer que me surpreendi pela sua escolha de lugar a me levar, pensei que no mínimo seria uma boate ainda mais vibrante que aquela festa da sua casa. Nunca ousei pensar que no fundo Park tivesse um lugar especial, que ia quando estava triste, ou precisasse pensar. Coisas assim são muito pessoais, e ele dividiu comigo por algum motivo inexplicável. Outra coisa que tenho que confessar, é que essa foi também a primeira vez em dois anos que andei de moto, sentir aquela forte adrenalina em minhas veias me fez sentir mais vivo, e foi incrível. Sem nem pensar agarrei sua cintura, e não consegui soltar. Foi como se seu corpo fosse um imã para o meu. Coisas estranhas andam acontecendo.

 

As estrelas. Um assunto que poucos tocam, algo intenso e único. Vários pontos de vista. E mesmo achando que ele falaria bobagens, dos seus lábios só saíram frases verdadeiras, opiniões sinceras de um grande observador da imensidão desse mar azul marinho, repleto de pequenos diamantes brilhantes. Observar as estrelas de um Obelisco é algo maravilhoso, a sensação de estar perto desses pontos vibrantes, me faz sonhar mais alto, e olha que quase não consigo sonhar acordado. Me fez querer embarcar em uma viagem por meio de cada estrela, nem se fosse apenas uma ilusão criada pela minha cabeça pensadora. Aproveitei todos os instantes naquele lugar, meus olhos presenciaram uma beleza única. Jamais esquecerei.

 

Ele pode ter pensado que sou louco, bipolar por ter agido tão estranhamente depois de tudo que falei, depois da forma tão natural que agi perto dele. A única razão que me levou a querer ir embora dali, foi a sensação de que estar com ele pode ser agradável. Isso me assustou. Não quero me sentir assim, me entregar a uma possível amizade é algo amedrontador para mim. Então preferi agir friamente. Quando ele me chamou de Kookie-ah novamente, eu... senti como se já tivesse escutado isso antes, não dos sonhos ou de alguns dias atrás, mas de muito, muito tempo atrás. E isso me deixou ainda mais assustado. E olha que quase não fico assustado. Como já disse, nada me deixa com medo.

 

Chegando novamente em sua casa, fomos abordados pelos seus amigos, felizmente Park deu uma desculpa, enquanto eu forcei a mim mesmo a ficar de cabeça abaixada. Mas como sempre, nada são flores, Hyuna aproximou-se de nós com aquele seu tom de voz irritante, só por ele eu via o quanto a loira era convencia e nariz em pé. Não me aguentei e despejei tudo que já tinha observado nessa semana, acho que ser a coruja da situação serve para alguma coisa. Todos pareciam surpresos com o tamanho da informação que eu coloquei nos ombros de Hyuna, ao ponto de eu levar um tapa na cara, mas isso eu relevei e apenas fiquei quieto. Ela gritou, e gritou, e eu andei para dentro da casa a procura do meu primo. Yoongi, surpreendentemente ainda estava com a mesma garota de antes, aos beijos – na verdade, eles pareciam que iam se engolir –, aproximei-me.

 

– Yoongi, vamos embora. – Ditei e ele fez de conta que não escutou, a minha paciência de repente foi embora rapidamente, acho que o álcool ainda está fazendo um grande efeito no meu cérebro. Digamos que as bebidas devem afetar a minha forma de agir. Talvez eu fique realmente frio e estourado quando bebo. Por isso as palavras tão duras a Hyuna. Ela mereceu de toda forma. – Yoongi, vamos agora embora. – Falei rigidamente, e outra vez ele fez de conta que não escutou, naquela hora a minha cabeça estava doendo, e a última coisa que eu queria era dar de cara com Park ou com seus amiguinhos de novo. Então tive que ser mais agressivo que todas as vezes. O puxei pelo braço, apertando seu pulso firmemente para que ele não pudesse o retirar da minha mão, e comecei a andar com passos pesado pelo jardim, com certeza alguns olhares estavam em nós, mas não me importei. Pelo menos essa característica ainda estava em mim.

 

– O que pensa estar fazendo?! – Exclama puxando seu pulso de uma vez, quebrando o contato, estávamos mais para frente, felizmente mais ninguém presenciava nós. – O que deu em você? – Arregala os olhos me analisando, apenas abaixei a cabeça e soltei um suspiro pesado. Estava fora de mim, nunca pensei que aquela história do álcool mudar uma pessoa pudesse ser verdade, e no fim, realmente acontece. Não costumo abaixar a cabeça culpado por alguma coisa, não é do meu fetio.

 

– Desculpa. Vamos para casa. – Falo de uma vez, não queria dar maiores explicações. Yoongi já deve estar acostumado com esse tipo de coisa, não me expresso com ele. E por que raios falei com Park? Minha cabeça parece um quarto bagunçado, então preciso arruma-la para tirar minhas próprias conclusões.

 

– Ok. – Suspira frustrado pegando o celular e ligando para algum táxi.

 

 

(...)

 

 

Chegamos em casa sem pronunciarmos qualquer palavra, o silêncio reinou entre nós dois. Eu não queria falar nada por estar em um péssimo estado, provavelmente o impulso também estava em mim, e se eu falasse tudo que me visse a cabeça. Seria a pior coisa desse mundo. Guardo tantas coisas na minha cabeça, que se alguma hora eu resolvesse soltar tudo, tenho certeza que todos se surpreenderiam. Não diria ser rancor, mas coisas do dia a dia que ficam guardadas, depositadas em algumas gavetas da minha cabeça, todas trancadas por sete chaves, assim não espalho tudo por aí. Isso pode ser o ruim de ser um observador do mundo. Acontecimentos de outras pessoas, não deveria ser um problema meu, e no final acaba sendo. Sem eu mesmo querer.

 

Cada um foi para o seu quarto. Apenas tirei os sapatos, apaguei a luz e me joguei na cama, minha cabeça doía e eu não estava com paciência de tomar outro banho, ou colocar outra roupa. Fitando o teto escuro do meu quarto, outras mil coisas rondavam a minha cabeça. Esse escuro me lembrou mais sedo. As estrelas. Como fui capaz de conversar com ele sobre isso? Acho que no fim, acabei surpreso por ele falar coisas tão belas sobre esses pequenos diamantes que moram a cima de nós. Já me interessei tanto sobre esse assunto, que pesquisei, e como todos sabem, o sol é uma enorme estrela, mas de qualquer modo, nunca o vi como uma verdadeira estrela. Para mim as únicas estrelas, são aquelas que iluminam a noite, que fazem companhia para a dona da noite, a lua. Digamos que eu penso, que as estrelas são as damas da corte da lua, e ela é a rainha. Um pensamento um tanto peculiar, mas é assim que vejo as coisas.

 

Um assunto tão clichê, mas que pode unir duas pessoas completamente diferentes em um único assunto em comum. Isso que ocorreu comigo e Park, no final o culpado de tudo foi o céu, e as estrelas que ele carregava naquela hora. Muitos fatores podem ter me levado a conversar com ele, a brisa que batia no meu rosto me fez ficar mais leve, parecia que todo o peso que carrego sem precisão nos ombros sumiu em questão de segundos. Ter a sensação de estar perto das estrelas me alegrou por dentro, parecia que a minha criança interna saltitava de alegria, junto com meu coração que parecia pulsar mais rápido ao estar ali naquele Obelisco. E, por mais que eu negue a mim mesmo, estar ali em cima com Park pode ter feito as palavras saírem mais rápido, não me preocupei com o que ele acharia de mim, já sei que devo ser um completo estranho, ou louco para ele mesmo. Tanto faz. Eu precisava desabafar aquelas palavras em alguém, no fim do dia o que mais quero é poder desabafar com alguém. Dizer o que penso, o que passei durante o dia, o que observei e tudo que acontece comigo. Mas não consigo. Simplesmente... não consigo de forma alguma.

 

Agir daquela forma fria também pode ter servido de escapatória para mim. Assim não terei que conversar mais com Park, dar satisfações para ele é cansativo. Hoje pode ter sido o fim desses diálogos sem futuro. De agora em diante será cada um para o seu lado. Sem conflitos com Hyuna, sem conversar com Park, sem brigas com mais nenhum aluno, vou apenas voltar ao que era antes. Ser um isolado – por vontade própria – não é ruim, é até reconfortante de certa maneira. Depois de tantos pensamentos, meus olhos começaram a pesar, o sono queria vir e eu deixei meu corpo ser levado pesadamente pelo sono profundo que me atingiu.

 

 

(...)

 

 

O final de semana passou da mesma forma de sempre. No sábado não tive a coragem de ir falar com Yoongi, e nem sei o porque de uma atitude tão babaca da minha parte. Só sei que minha cabeça estava doendo, devo culpar Park, ele quem me deu diversas bebidas alcóolicas diferentes, e eu fui burro o suficiente para aceitar aquele seu desafio idiota. Eu não tinha que provar nada a ele, mas quando ele se quer duvidou de mim, pareceu que meus neurônios entraram em conflito, uma parte deles queria que eu apenas ignorasse o moreno, e a outra maioria queria que eu sentasse em um daqueles bancos e bebesse até conseguir mostrar que eu sabia beber como um verdadeiro homem. Não sei se consegui passar essa impressão, porém, foi essa a intenção. E ninguém precisa saber.

 

No domingo, foi praticamente a mesma coisa, até que não aguentei mais aquela sensação de desespero, pensei que se continuasse assim, poderia perder meu primo. Ok, eu sei que foi um pensamento infantil, mas me ajudou a ir falar com ele. Eu disse que tinha bebido alguns copos com uma bebida estranha e fiquei um pouco alterado, e Yoongi acreditou, me falando que não tinha nada demais, e que não precisava me preocupar. Suas palavras tiraram um peso das minhas costas e consciência.

 

Na segunda feira, acordei com o vento frio que entrava pela janela. Sim, eu tinha acordado de um daqueles pesadelos que eu me afogava, era uma rotina, mas uma coisa que agora me acompanha, é a ansiedade de saber se quando fecho os olhos, vou sonhar com essa praia paradisíaca, ou com Park. Mesmo que seja errado, os sonhos de época com Park não são de todo mal, me passam sensações extremamente boas, me passam serenidade, e isso me deixa relaxado. Enquanto nos pesadelos que estou me afogando, apenas sinto medo, preocupação, e nem sei o porque. Estou sem muitas respostas ultimamente pelo jeito. Me espreguicei ainda na cama e levantei com o corpo ainda mole. Mesmo que eu acordei todas as manhãs no horário certo, a preguiça é algo que todos temos, e eu não posso negar que também tenho.

 

 Vou direto para o banheiro, dei uma rápida olhado no espelho antes de tirar a roupa e entrar no box do chuveiro. Liguei o chuveiro na temperatura mais quente, a água começou a descer pelo meu corpo e eu senti meus músculos se relaxarem no percurso que aquela água fazia. Logo após o banho, me enxuguei e enrolei a toalha na cintura, o espelho embaçado, e o vapor que enchia o banheiro me deu uma sensação de acolhimento. Talvez por estar quente. Então abri a porta e fui recebido pela brisa gelada que me causou leves arrepios. Abri o armário e peguei uma calça jeans clara, junto com uma blusa preta simples e um dos muitos moletons que uso, esse era cinza com alguns detalhes em preto. Calcei meus tênis, joguei a mochila nos ombros e sai do meu quarto, descendo as escadas e chegando a sala de jantar, meus tios e Yoongi estavam tomando o café da manhã.

 

– Bom dia JungKook. – Yoona sorri para mim, assinto em uma forma de dizer o mesmo. Pelo menos voltei a minha forma normal de ser, realmente não combino com o estereótipo impulsivo, violento ou coisa do tipo. Isso combina mais com Park, ok, agora realmente não sei porque toquei no nome dele logo de manhã. Balancei a cabeça levemente para tentar dispersas esses pensamentos da minha cabeça.

 

– Esqueci de mencionar que nosso inocente JungKook bebeu na festa. – Solta Yoongi e eu o olho de uma forma não muito amigável. Não era para ele contar, mesmo não sendo nada demais. Ninguém precisava saber, ainda mais meus tios. Suspirei e foquei em comer a panqueca presente no meu prato, mas percebi o sorriso dos meus tios, então levantei o olhar para eles e arqueei uma sobrancelha.

 

– Então quer dizer que você se soltou mais querido? – Minha tia perguntou com certa esperança. De fato, eu me soltei ao ponto de ficar dançando em uma pista de dança com outras inúmeras pessoas repletas de álcool no sangue. Mas esse fato não vou contar a Yoona, ela provavelmente pensaria que seu sobrinho longe dela apronta altas coisas. E não é verdade. Tenho que admitir que aquele clichê do álcool é verdade, ele pode transformar uma pessoa em outra completamente diferente. Suspirei outra vez e a olhei.

 

– Um pouco. – Disse simplesmente e ela pareceu satisfeita o suficiente. As vezes alimentar as esperanças da minha tia de que um dia eu possa mudar, pode ser bom. Ela pode ficar mais feliz em relação a mim, e não desistir completamente, mesmo eu achando que uma hora isso vai acontecer. Prefiro prevenir de que seja mais para frente.

 

– Ok, ok, está na hora do senhor álcool ir à escola. – Yoongi outra vez diz divertido, acho que essa foi sua forma de se vingar por sexta-feira. Apenas revirei os olhos e levantei da cadeira. – Até depois. – Acena para os pais, em seguida saímos da casa e ele logo começa a rir, provavelmente de mim. – Ficou sem graça primo?

 

– Você é um idiota. – Falo e ele apenas ri mais alto, passando um dos braços pelo meu pescoço, andamos assim por muitos metros, até chegarmos perto da escola, Yoongi retirou seu braço dali, de certo avistou uma das garotas que tinha ficado na festa.

 

– A gente se vê no recreio. – Diz e eu assinto, como pensei, Yoongi logo estava no meio de um grupinho de garotas, conversando, rindo e dando vários beijos nas bochechas delas. Definitivamente, meu primo gosta dessa atenção que ganha das meninas.

 

Comecei a andar até a entrada do colégio, passos firmes, confiantes, era assim que eu andava. Sem demonstrar qualquer coisa pelo lado de fora, mas por dentro meus neurônios trabalhavam insanamente em todas as imagens que meus olhos viam. Alunos preguiçosos, vários bocejos, bufadas, e reviras de olho. Esse era o sentimento desses adolescentes em uma segunda feira de manhã, alguns deles pareciam ter madrugado, isso explicaria as olheiras profundas em seus olhos. Até que minha visão focou no grupo de Park, o mesmo estava lá, e eu tentei abaixar a cabeça e fingir que não o tinha visto, porém foi como se eu não mandasse mais no meu corpo, ele estava agindo por conta própria. O observei por alguns segundos, seu cabelo estava aquela bagunça de sempre, acho que isso combina com ele. Park sem dúvidas é uma bagunça externa e interna. Suas vestimentas são as mesmas de sempre, uma calça jeans, com uma blusa qualquer. Suas expressões mudavam a cada palavra que ia falando. Sorrisos, risadas, arqueadas de sobrancelha, bufadas, etc. Prometi a mim mesmo que ficaria longe de Park... mas isso é apenas observação certo? Certo. Então tudo bem. Até o ponto que os olhos castanhos do moreno se encontraram com os meus escuros, sua expressão ficou neutra por alguns segundos, até que ele deu sorriso de lado. Senti meu corpo estremecer, como se estivesse saindo daquele transe momentâneo – sensação de congelamento –, então balancei a cabeça negativamente para espantar todos os possíveis pensamentos e caminhei o mais rápido que pude para dentro do colégio.

 

– Correndo de mim? – A voz de Park ecoa atrás de mim, essa área do corredor era mais vazia, próxima a porta da sala que eu entraria, infelizmente a mesma que o garoto de cabelos negros. Me viro mantendo a minha expressão neutra, ele tinha um sorrisinho de deboche nos lábios.

 

– Por que correria de você? Ah, será porque eu revelei alguns segredos a sua namorada? – As perguntas retoricas saíram da minha boca com um propósito, que era desfazer aquele sorriso dele, e deu certo. – Não se preocupe, Hyuna estava tão bêbada que nem deve se lembrar da metade da festa. – Falo e entro na sala, que por sinal estava vazia, os alunos não costumam entrar na sala antes do primeiro sinal, que provavelmente estava longe. Me sento na mesma mesa, e para o meu azar, Park era o meu parceiro na aula, sentando ao meu lado.

 

– Não estou preocupado, na verdade, seria um alivio se ela quisesse terminar comigo. – Suspira e eu não entendo. Se uma pessoa não quer mais ficar com a outra, o certo seria terminar, e tenho certeza que Park tem a coragem para isso, ou será que ele, senti dó da patricinha loira? Ficou a dúvida na minha cabeça.  – Só queria saber, como que você sabia tais coisas. – Ele parecia curioso. Viro a cabeça levemente para o olhar, soltei um leve suspiro. Lá se vai o meu juramento de não conversar mais com Park.

 

– Observo tudo a minha volta, não foi difícil saber os seus casos com as amigas dela. – Falei e ele arqueou a sobrancelha, como se perguntasse a forma que eu descobri. – Alguns sinais que eu notei foram as piscadas discretas que algumas garotas mandavam para você, e você as retribuía. Algo não tão discreto. Outro fato, são os olhares insinuantes de ambas as partes, isso entrega facilmente um caso. – Explico e ele pareceu um pouco surpreso.

 

– Você realmente observa muito. – Fala meio baixo, falando para si mesmo. – Não se cansa de apenas observar?

 

– Não. Para mim, o mundo a nossa volta fica mais intrigante se eu apenas observar, como um verdadeiro filme, com a trilha sonora que eu quiser a partir dos meus fones de ouvido. – Digo e ele assente entendo a situação.

 

– Ok senhor observador. – Ri fraco.

 

Park, você também faz parte desse filme.

 

 

POV Park Jimin:

 

 

Ouvir a forma que JungKook vê o mundo, me deixou intrigado. As vezes essa sua personalidade quieta, pode ser mais perigosa que a da própria Hyuna. Ele observa tudo a sua volta, guarda em sua cabeça, e quem sabe em um futuro próximo pode muito bem usar tais informações contra as pessoas. Ok, acho que isso seria algo que ele não faria, mas vai saber. Devo afirmar que Jeon JungKook é um jovem peculiar, um dos poucos que sorri à vontade, que não ri em público – e nem em qualquer lugar pelo jeito –, e que esconde segredos que eu adoraria desvendar. E essa sensação é tão estranha para mim.

 

As três primeiras aulas passaram até que rapidamente, a primeira delas passei rabiscando meu caderno e hora ou outra dava algumas olhadas de canto para JungKook que tinha os olhos presos na professora falante. Assim que o sinal bateu, não pensei duas vezes antes de sair daquela sala tediosa. Sai pelo jardim que passávamos o intervalo e me sentei na nossa típica mesa, meus amigos estavam ali, assim como Hyuna.

 

– Fala cara. – Namjoon dá um toque na minha mão.

 

– Oi gente. – Sorrio e todos sorriem dizendo ‘’oi’’.

 

– Oi amor. – Hyuna me dá um selinho. Com certeza ela não se lembra de nada, ou aprendeu a arte do fingimento muito bem.

 

– Hyuna. – Taehyung a chama, a mesma a olha. – Não se lembra de nada da festa? – Pergunta e eu o quis matar nessa hora. Eu posso querer largar a loira, mas se ela contar que a trai para o seu pai, ou o meu, estou completamente fodido.

 

– Praticamente nada. – Fala e eu sinto um alivio no peito. – Deveria? – Arqueia a sobrancelha.

 

– Ah, não. Nada demais aconteceu de qualquer forma. – Taehyung dá uma desculpa e me olha discretamente com um olhar de ‘’escapou por pouco’’.

 

– Pessoal, sabem o que descobri? – Jin pergunta animado pela tal novidade, todos negamos com a cabeça. – Que o menino solitário, JungKook, perdeu os pais em um acidente de carro. – Fala e eu sinto minha boca ir no chão em segundos.

 

De repente tudo começou a fazer sentido na minha cabeça. Todas as suas ações possuem um motivo, sua frieza, sua neutralidade de expressões, tudo tem a ver com a morte dos seus pais. A dor pode tê-lo feito se bloquear para o mundo, usar uma armadura contra as pessoas, usar diversas máscaras para cobrir sua dor. Agora, definitivamente, preciso conversar com ele. E não sei porque essa sensação de precisão do nada. Talvez eu devesse tentar conversar com ele sobre isso, dizer que de certa forma eu o entendia, ou apenas me propor a ouvi-lo em suas declarações. Ele pode apenas querer alguém que esteja disposto a ouvi-lo. E eu posso ser essa pessoa. Não posso?

 

– Como você sabe isso Jin? – Namjoon perguntou.

 

– Sou o representante de turma, sei de tudo Jonnie. – Fala convencido, recebendo um selinho do namorado e reclamações da melação do casal.

 

Bem na hora que eu ia procurar JungKook, o sinal bateu, alertando o fim do intervalo. Bufei levantando com todos, me direcionei a minha sala. Outros dois horários se passaram da forma mais tediosa possível. Eu já estava fitando o relógio, contando os segundos restantes para que eu finalmente pudesse falar com JungKook. Treinando possíveis formas de chegar nele e contar que sabia da morte de seus pais. Espera, por que disso tudo? JungKook provavelmente vai me mandar a merda... porém, eu preciso pelo menos tentar, tentar fazê-lo falar comigo como consegui lá em cima daquele Obelisco. Sem esse aspecto seco e grosso dele, sem seus ombros tensos, sem máscaras, sem armaduras. Apenas o verdadeiro JungKook, será que antes da morte dos seus pais ele era uma pessoa diferente? Provavelmente. Estou disposto a achar o antigo JungKook, talvez esse possa ser meu novo objetivo para esse ano.

 

O sinal bateu e eu dei graças a Deus por isso, esperei todos saírem da sala, pois sabia que JungKook sempre ficava por último. Ele notou a minha presença, mas fez de conta que não, jogando a bolsa nos ombros e saindo pelo corredor, fui atrás dele. O corredor estava vazio, era a hora perfeita para mim conversar com ele.

 

– JungKook! – Chamo seu nome, o mesmo para de andar e se vira para mim. – Quero conversar com você. – Me aproximo e ele franze o cenho sem saber do que se trata. – Soube que... – Engulo em seco ao notar aquele brilho nos seus olhos escuros. Por que esse brilho todo em um garoto como ele? Realmente não entendo. – Seus pais morreram em um acidente de carro. – Falo de uma vez e ele pareceu ficar irritado, pela veia que saltou do seu pescoço. Ele não queria que ninguém soubesse?

 

– O que isso tem a ver com você Park? – Ele estava se controlando para não me bater, senti isso no tom usado por ele.

 

– Não precisa ficar bravo Kookie-ah, só queria dizer que se precisar desabafar, pode contar comigo, sei que não somos próximos... mas estou à disposição para ouvir suas reclamações. – Falei com a boa intenção, mas ele pareceu querer rir debochadamente das minhas palavras, mas não fez. Acho que a única risada que consegui arrancar dele foi aquela na minha casa. Eu ainda lembro nitidamente dela. Ok, isso está ficando estranho.

 

– Fala sério Park, quer bancar o bom moço de repente? – Cruza os braços. – Sei que deve estar sentindo dó do garoto sem pais, e esse sentimento de pena é o que menos quero agora. Na verdade, eu não quero falar com você nem normalmente, imagina só sobre esse assunto. – Fala ríspido e me dá as costas, andando ligeiramente para fora do colégio. Ouvi barulhos do lado de fora, espera, está chovendo?

 

– JungKook! – Grito seu nome, o mesmo não me dava ouvidos, e como pensei, a chuva do lado de fora caia fortemente. – JungKook, por que você é tão duro comigo? Eu te fiz alguma coisa? – Pergunto e pelo visto ele nem queria olhar na minha cara, já que soltou a mochila no chão e foi para a chuva. Então ele prefere se molhar, a me ouvir? Esse bastardo! – Acha que não sou capaz de entrar em uma chuva também? – Digo jogando a minha mochila no chão e indo até ele, senti os pingos de chuva baterem contra meu rosto, me molhando por inteiro.

 

– O que você quer afinal? – Ele vira e me encara a procura de uma resposta.

 

Agora pensando, não sei o que quero de fato. Antes eu jurei que apenas queria ajuda-lo a curar qualquer trauma. E agora... parece que eu estou fazendo loucuras para fazê-lo apenas me olhar. Estou me rebaixando tanto, e por que? Até agora não faço a mínima ideia. Me sinto um idiota, um completo infantil por estar aqui o encarando sem uma resposta concreta.

 

– Eu quero... eu quero ser seu amigo. – As palavras saem impulsivamente da minha boca, e até ele pareceu surpreso pela leve elevação das suas sobrancelhas. Seu cabelo negro caia sobre o rosto, suas roupas encharcadas, assim como as minhas. Aquela chuva caia sem intervalos, parecia querer complementar aquele momento tenso.

 

– Amigo? Não brinque comigo Park, sabe muito bem que não tenho amigos. E não quero. Não preciso de pessoas falsas ao meu redor, não preciso de palavras otimistas, preciso da realidade. – Fala dando um passo à frente, ele parecia estar com mais raiva de mim agora. Não entendo esse moleque. – Que tal parar de bancar o preocupado comigo, e ir cuidar da porcaria da sua vida que deve ser mais interessante que a minha. – Praticamente cospe as palavras em cima de mim.

 

E por mais peculiar que possa parecer, a única coisa que eu fiquei focado naquele momento, foi no brilho inexplicável que seus olhos tiveram naquele momento. Parece que aquela água que caia duramente apenas deixou seus olhos mais brilhantes, pequenas orbitas oculares extremamente brilhosas. Sem nem perceber, meu corpo começou a se mexer sem minhas ordens, minha mão se levantou na hora que ele estava me encarando, e logo se posicionou em sua bochecha. Por algum motivo estranho, eu queria sentir a sua pele, queria ter a certeza que aqueles olhos não eram uma mera ilusão da minha cabeça. De repente, tudo ao nosso redor parou, o som da chuva se tornou uma melodia de piano que chegava a ser triste. JungKook parecia estático, sem saber o que fazer ali, mas no momento que eu encostei em sua pele quente – nunca iria pensar que ele era tão quente – senti uma onda eletrizante passar pelo meu corpo, que vinha acompanhada de arrepios. Foi como se meu toque no seu rosto tivesse um forte impacto sobre mim. Como se... JungKook tivesse um poder magnético sobre meu corpo. E isso me deixou sem palavras, sem ações, sem atitudes naquele momento.

 

– O que está fazendo? – As palavras saíram baixas dos seus lábios, e por incrível que possa ser, eu o ouvi.

 

– Eu... eu não sei. – Confessei ainda com a mão em uma das partes do seu rosto, mas em um segundo ele pareceu retornar a consciência e se afastou de mim, balançando a cabeça negativamente e voltando a me olhar estranhamente.

 

– Nunca mais toque em mim. – Avisa. Logo pegando a sua mochila e saindo dali rapidamente. Enquanto eu fiquei alguns minutos parado naquela chuva.

 

Por que fui tocar nele? Por que fui me humilhar tanto? Por que ele é tão quente? Por que ele esconde esses mistérios? Por que seus olhos contam segredos que nem mesmo ele sabe? Por que senti essa corrente elétrica passar pelo meu corpo com nosso contato breve? Por que? Milhares de perguntas, e nenhuma resposta cabível.

 

Jeon JungKook, qual o seu mistério?

 

 

 

Continua...


Notas Finais


Até mais!! <333


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