História Patience - Capítulo 4


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Annabeth, Audrey, Dominic, Drama, Era Vitoriana, Inglaterra, London, Londres, Paciente, Patience, Plot Twist, Romance, Século 19, Século Xix, Short Fic
Visualizações 26
Palavras 3.812
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 4 - Parte IV


Fanfic / Fanfiction Patience - Capítulo 4 - Parte IV

Parte IV

A mansão Ivy se enchia de preparações para o casamento de Annabeth. A menina mais velha tentava organizar toda a cerimônia e ainda lidar com as indústrias da família sem sobrecarregar o velho pai, mesmo que ele insistisse para ela se dedicar apenas as provas do vestido e a escolha do cardápio. Audrey acompanhava tudo de longe mesmo que sua irmã insistisse pela sua participação. Ela sabia que escolher entre dezenas de vestidos ou diferentes tons de creme para os guardanapos não estava exatamente na lista de atividades preferidas de Annabeth, mesmo que fosse para seu próprio casamento. O quarto da mais velha foi envolto por finos tecidos, seda e renda moldando os mais belos vestidos em seu alto e esguio corpo. Audrey fitava o sorriso da irmã que persistia em seu rosto por mais tempo que ela jamais havia visto, ela estava realmente feliz e Audrey se sentiu mais culpada do que nunca por não estar plenamente feliz pelo casamento daquela na qual a apoiou toda a vida. Estava sendo um tanto egoísta, ela admitiu tentar superar isso e sorrindo para a irmã que estava radiante em um vestido bem acertado a seu corpo coberto em pedraria. O sr. Joseph era sem dúvida um homem de sorte, pensou Audrey.

Foi a primeira vez em muito tempo que a mansão Ivy foi tão movimentada, apesar disso a vida da loira continuava um tanto vazia com as visitas de Dominic cada vez mais escassas. Uma dúzia de cartas já haviam sido enviadas, porém os dias sem respostas estavam se tornando cada vez mais ansiosos, o que ela sabia que causava os atos súbitos cada vez que se viam. Ela tentava preencher as lacunas dos seus dias ouvindo seu pai argumentar com compradores em seu escritório pela porta entre aberta e tomando incontáveis doses de chá enquanto a irmã decidia as flores da cerimônia. Nada que a pudesse a entreter por muito tempo. Ela ponderou em contar para Annabeth sobre Dominic, mesmo com receio de sua reação. Pensou no assunto mais de uma vez e sempre chegava na mesma questão. O que havia para contar? Isso atormentou pelos dias seguintes. Para forçar as palavras saírem pela sua boca em alto e bom som primeiro ela teria que aceitar para si mesma seus sentimentos pelo jovem médico. O que era um incômodo que ela estava decididamente evitando nas últimas semanas. Ela chegou a se perguntar se qualquer futuro para aquela relação era realmente inexistente, e sua certeza não se pareceu firme como antes. Ela até mesmo perguntou o quão errado era aquilo, ponderando os motivos pela qual ela deveria, ou não, aceitar os sentimentos que floresciam dentro dela e quase começavam a escapar do seu controle. Ela suspirou pesadamente decidindo que ainda não era a hora certa para se atirar desse abismo na qual ela estava caminhando a borda, ou para contar a sua irmã.

Já era tarde e a jovem já estava sob suas cobertas tentando pegar no sono que custava a vir, quando sua porta se abriu iluminando seu quarto. Annabeth se sentou a beira da cama da mais nova que se afastou para ela se acomodar ao seu lado. No quarto escuro iluminado apenas pela luz que vinha do jardim refletida na grande janela a frente da cama de Audrey, ela sussurrou para a mais velha.

— Também não consegue dormir? — Ela ouviu Annabeth suspirar.

— Os preparativos estão me deixando ansiosa.

Um silêncio se seguiu por alguns minutos, Audrey não sabia ao certo o que dizer, mas apreciava a presença da irmã ali. Ela mal podia se lembrar da última vez que elas haviam rumado para cama da outra no meio da noite para conversar.

— O que está te incomodando? — perguntou Annabeth repentinamente fazendo a menina se virar para com uma expressão receosa. — Eu percebi que você não parece muito contente nos últimos dias.

— Eu estou bem, Anna. — desconversou a mais nova, mas ela ainda fitava com veemência.

— Não minta para mim, Audrey. Eu sei que tem algo errado. — A loira suspirou vendo a insistência da irmã e a conhecendo bem demais para saber que ela não costumava ceder ou esquecer as coisas facilmente.

— Eu acho que essa casa vai ficar vazia sem você. Não me entenda mal, Anna, eu estou imensamente feliz por você, mas... — ela fez uma pausa olhando pra ela. — Você é minha única amiga, e agora você está indo embora.

Ao terminar ela sentiu os braços de sua irmã envolverem seus ombros a puxando para perto em um abraço, logo ela não pode conter as lágrimas que já guardara por tempo demais, assim como Annabeth. No fundo de seu peito ambas sentiam medo, medo de como seus dias seriam dali para frente, medo começar uma nova fase de suas vidas mesmo sabendo que era o certo. Porém no meio daquele abraço necessitado elas sabiam que uma a outra era única certeza que realmente tinham. Secando seu rosto a morena olhou para ela.

— Eu nunca vou te deixar sozinha. Não vou viver mais aqui, mas isso não significa que não vá visitar você ou papai. — ela disse no tom tranquilizador de sempre. — Ou que você não possa ir me ver sempre que quiser.

A loira assentiu, se sentindo verdadeiramente mais calma, ela tinha ciência disso e sabia que estava sendo um tanto infantil, mas ouvir vindo de sua irmã fez tudo soar mais verdadeiro para seu coração. Elas se aconchegaram do lado uma da outra novamente com as mãos entrelaçadas.

— Você logo se casará em breve também. — continuou Annabeth arrancando um sorriso da mais nova. — Podemos tomar chá juntos, o que acha? — elas riam

— E quem seria meu príncipe? — brincou Audrey.

— Ele poderia realmente ser um príncipe, imagine. — A loira se virou para ela com divertimento

— O que?

— Sim! O príncipe da Dinamarca ou algo assim. — fantasiou Annabeth fazendo a mais nova rir. — Você seria princesa Audrey.

— Entrar para a realeza não está nos meus planos.

Ela se deitou sentindo finalmente o sono a alcança-la.

Na semana seguinte tudo estava incomumente agitado dentro do escritório do sr. Ivy, a jovem loira se aproximava com cautela quase se esgueirando pelos cantos das paredes nas pontas dos pés, ela sabia o quanto seu pai havia lhe dito para não escutar conversas atrás das portas, ela por outro lado, não podia evitar. Mesmo com a porta fechada ela podia ouvir a voz rigorosa de seu pai soando abafada lá de dentro, contrapondo Annabeth que tentava achar uma solução mais viável. Era clara a discordância.

— Papai, o senhor tem ciência que é de vital importância que eu compareça a essa reunião. — Ela ouviu a irmã argumentar.

— De forma alguma você irá deixar Londres as vésperas do seu casamento, Annabeth. — pelo tom na voz do sr. Ivy a conversa parecia se encerrar ali.

— Nós estaremos de volta antes do casamento, papai. Eu lhe asseguro isso. Ainda temos uma semana.

— Isso não causará uma boa impressão de qualquer forma, o sr. Joseph...

— Frederic sabe a mulher na qual está se casando, papai, ele não se importa se eu for. Além do mais, é minha empresa também e o senhor sabe quanto me dediquei a ela. — houve um momento de silêncio no qual Audrey quase pode ver as sobrancelhas do pai se levantando para a mais velha, a ruga se formando em seu queixo e ele a fitando ainda incerto, mas considerando seu argumento. Como ele sempre fazia. Como Annabeth conseguia. — É um contrato importante, nos esperamos por esses compradores a meses. Por favor, papai.

— Certo, certo. Mas de qualquer forma, Audrey não está em condições de nos acompanhar e ela não poderia ficar sem nenhuma observação... — antes que o pai pudesse terminar a menina mais nova já havia adentrado seu escritório em protesto.

— Eu posso ficar sozinha... Quero dizer, sinto muito. — se apresou a dizer quando viu o olhar abismado do pai e a expressão de reprovação de Annabeth. — Eu estava apenas de passagem. — ela pigarreou. — Eu acho que poderia ficar bem sem observação, é o que quero dizer.

— De maneira nenhuma, Audrey. — o sr. Ivy juntou os papéis sobre sua mesa pronto para terminar a conversa e deixar a sala.

— Papai...

— Esse não é um ponto que vamos discutir, Audrey. — cortou ele. A menina olhou para a irmã em busca de qualquer apoio.

— Acho que o que a Audrey quer dizer, papai... — começou a mais velha ainda a lançando um olhar de reprovação. — É que a melhora do seu estado de saúde tem sido clara nos últimos dias. — Sr. Ivy a lançou um olhar dúvida e a loira assentiu vigorosamente. — E que talvez seja possível que o dr. Fletcher venha vê-la pelas manhãs enquanto estamos fora. Ela ficara bem entre esse meio tempo, não é mesmo, Audrey?

— Sim, foi o que quis dizer. — afirmou a menina aceitando as condições delicadamente impostas pela irmã.

O sr. Ivy agora levantava a sobrancelha para as duas, só Deus sabendo o que se passava em sua cabeça pelo longo instante em silêncio. Mas pela sua expressão era clara a sua batalha contra as palavras certamente bem colocada de Annabeth, ele se mexeu na cadeira.

— Apenas se o sr. Fletcher poder vir todos os dias — A menina mais nova abriu um sorriso indo até o pai. — Não ficaremos fora por muito tempo, um dia ou dois apenas.

— Obrigada, papai. — A loira lhe deu um beijo no alto de sua cabeça que começava a perder para a idade os fios de cabelo escuros.

— Certo, certo.

E no dia seguinte lá estava o sr. Ivy deixando a mansão ao lado de sua filha mais velha e deixando Audrey sobre um olhar preocupado. A loira abraçava a irmã a prometendo que se cuidaria e que tudo ficaria bem. Ela não ficaria completamente sozinha, afinal de contas, não era como se a casa não contasse com uma dúzia de empregados que não mediam esforços para deixar a mansão em ordem. Ela pensou que o pai e a irmã estava exagerando com sua proteção como sempre. E com o cair da tarde ela estava sentada ao beiral de uma das enormes janelas no ponto mais alto casa onde ela avistou o jovem Dominic adentrando os portões da propriedade pelo o caminho de pedra no jardim. Ela correu pelos longos corredores e desceu as escadas rapidamente sentindo seus músculos se enrijecerem quando ela parou arfando a frente a porta antes de abri-la. Dominic abriu o meio sorriso de sempre ao vê-la, a envolvendo-a pela cintura em um abraço que estava longe de ser uma formalidade. Então estavam agora sentado um de frente para o outro a frente da mesma janela onde Audrey se encontrava anteriormente, onde ela sabia que poderiam estar sozinhos no mal iluminado corredor próximo a entrada do sótão. A luz tremeluzia pelo vidro na janela iluminando alguns pontos do carpete escuro do corredor e sobre as molduras das pinturas na paredes.

— Tem certeza que foi uma boa ideia ficar sozinha enquanto seu pai está fora? — insistiu Dominic com uma ruga de preocupação sob as sobrancelhas que arqueavam.

— De novo, não vou estar sozinha. Dr. Fletcher irá vir me ver e eu tenho você, afinal de contas. — argumentou a menina fazendo um beiço e ela viu Dominic assentir forçando um sorriso.

— Você me parece mais feliz. — comentou ele.

— Eu conversei com Annabeth. Contei a ela. — disse e ele se moveu desconfortável, estreitando os olhos nela.

— Sobre?

— Como eu me sentia com o casamento dela. Eu estava sendo infantil, eu só precisava ouvir dela, por fim. — ela parou os olhos nele que parecia aliviado. — Pensei em contar a ela sobre nós... Não sei se há bem algo para contar. — Dominic se aproximou dela acariciando sua bochecha com as costas das mãos.

— Eu prefiro manter isso entre nós, por enquanto. — sussurrou ele juntando sua testa com a dela. Ela fechou os olhos. — Eu não sei se ela entenderia. Eu não sei se alguém entenderia.

— Isso não pode ser tão errado, Dominic. — ela soou mais desapontada do que pretendia. — Por que está com medo?

— Audrey, olha para mim. — ele pediu inclinando seu rosto para próximo do dele. — Já está sendo difícil suficiente te ver apenas as vezes. Eu não quero pensar como seria se me afastassem de você. — Sua voz a havia mergulhado no tom sério que ela desconhecia novamente, dessa vez quase beirava um receio no qual ela também não compreendia.

— Por que me afastariam de você? —perguntou ela e ele se afastou com um suspiro. A jovem não queria acreditar que a irmã ou o pai a privariam de tal sentimento tão bruscamente assim.

— Você se lembra quando passeávamos pelo labirinto no jardim, como você dizia que havia uma bela fonte no centro dele, mas nunca chegamos a encontra-la? — ela assentiu se perguntando qual fim ele daria para aquele pensamento. — Nós ouvimos o som da água pelos arbustos, mas nunca a alcançamos. Nós apenas sabemos que ela estava lá. Você tem que confiar em mim, Audrey.

Ela o fitou por uns instantes, suas palavras ainda rodeando sua mente fazendo cada vez menos sentido toda vez que ela se esforçava para entende-las. Dominic esperou por uma resposta a ansiedade escapando pelos gestos simples das mãos fechadas firmemente.

— Há muitas coisas sobre você na qual eu ainda não compreendo, Dominic. — começou ela e sua expressão não mudou, ele apenas sustentou seu olhar como se tivesse nada mais a perder. — E eu não vejo como posso confiar sendo que não sei tais coisas. É como se eu estivesse caminhando no escuro. A cada passo eu posso cair.

— Não, querida Audrey, não. Eu estou caminhando logo ao seu lado. — Ele se aproximou novamente tomando suas mãos nas dele. — Eu sinto muito se o caminho a frente ainda parece escuro para você, mas eu nunca te deixaria cair. — E sussurrando a última frase ele pressionou seus lábios contra os dela delicadamente.

Audrey se sentiu frágil. Mais vulnerável do que já havia se sentido em toda sua vida, sentindo que a emoção faria seu peito despedaçar a qualquer momento, ela simplesmente não podia conte-la. Ela sentiu os lábios de Dominic se descolar dos seus e os tocar novamente quase pedindo tal permissão para isso. Ela deixou pouco a pouco o sentimento consumi-la enquanto ele movia lentamente seus lábios contra o seu. O tempo pareceu correr muito mais devagar até que eles se separaram, Dominic ainda acariciava seu rosto.

A tarde estava próxima de terminar, o céu tomava uma coloração escura para si junto com nuvens cinzas carregadas que pareciam cobri-lo, e antes que qualquer um pudesse perceber a chuva fina logo se tornou uma tempestade com raios e trovoadas preenchendo todo o céu em uma noite barulhenta. Audrey aguardava ao lado de Dominic vendo as gotas pesadas baterem violentamente contra o vidro, naquele temporal que parecia estar longe de cessar. Ele mencionou em ir, mas a jovem nunca permitiria, não havia condições nenhuma que ele pudesse deixar a mansão sob a forte tempestade. Ela insistiu um tanto como ela sempre fazia e ele não teve com negar o pedido para passar a noite ali. Havia dezenas de quartos na velha mansão, ela sabia que não seria um problema. Com o passar da noite a tempestade ainda não havia encontrado uma trégua e fazia Audrey tremer em sua cama a cada trovoada. A loira detestava tal evento natural e se lembrava das piores noites nas embarcações pela Europa quando ela passava as noites em claro tremendo em seu pequeno compartimento enquanto o enorme navio era jogado de uma lado pra outro pelas violentas ondas formadas pela tempestade e toda a estrutura da embarcação sacudia parecendo se partir a qualquer momento. Ela sentia o pavor crescer em seu peito apenas por lembrar de tais noites e os constantes raios iluminando todo seu quarto não ajudava em nada esquecer tais memórias. A chuva parecia ter levado seu sono com ela, e a jovem se encolhia sobre as cobertas a cada estrondo que perturbava os céus. Ela tinha praticamente certeza que todos já estavam em suas camas a essa altura, e com sorte também estariam dormindo. Mas ela não conseguia ficar ali, sentindo seu coração palpitando cada vez mais forte a cada clarão que tornava todo seu quarto fantasmagórico. Ela já havia perdido a conta de quantas vezes ela havia acordado gritando ao meio da noite por conta dos seus pesadelos nos quais sempre a levavam de volta as noites tempestuosas no navio, e como as ondas eram fortes demais para enfrenta-las e água o invadia cada vez mais o trazendo para o fundo. As madeiras do chão rompiam, todo o barco chocalhava e não havia como deixar sua cama. A água invadia seu quarto tão rápido quanto o medo crescia em seu peito, envolvendo seu corpo encarando suas vestes, ela podia ouvir os gritos ou eram seus próprios gritos? Não havia como lutar agora água gelada do mar estava a submergindo e antes que ela se afogasse ela acordava. Uma trovoada soou alto e quando ela se deu por conta ela já estava deixando o quarto com o coração acelerado no peito adentrando o quarto de Dominic sem pensar duas vezes.

Ele se sentou na cama pelo quarto mal iluminado, fitando a menina com uma expressão curiosa. O quarto era um tanto menor que o de Audrey com uma grande cômoda em madeira escura e uma lareira ao lado oposto com suas chamas quase se extinguindo. Ao centro uma pomposa cama ocupava a maior parte do cômodo, coberta por lençóis e travesseiros brancos as mantas que a cobriam tinha a mesma tonalidade em verde-musgo escuro das pesadas cortinas e da tapetaria. Ele se sentou acendendo o candelabro ao lado de sua cama. Ela se forçou a explicar, engolindo seco e ainda ouvindo a tempestade chicotear os vidros da janela.

— Me desculpe. E-Eu não quis, ah- É essa tempestade, eu detesto tempestades e... — ela se apressou em dizer, porém parou quando viu que ele se levantava indo em sua direção. Ela se reprendeu sentindo seu rosto esquentar, onde estava com a cabeça, afinal. —E-Eu vou voltar pro meu quarto...

— Audrey, por favor, fique. — pediu ele sutilmente a guiando para cama onde a envolveu com as mantas naquela noite gelada e se acomodando ao seu lado. Ele acariciava sua mãos em meio a suas tentando a tranquilizar. — Você está tremendo.

— Suas mãos já tremeram alguma vez na vida? — murmurou ela para ele que tinha mãos extremamente firmes. Ele soltou um riso abafado.

— Por que todo o desprezo a tempestades? — perguntou ele a aconchegando perto de seu peito.

Audrey contou a ele seus terríveis pesadelos em voz baixa e ela se perguntou se eles não tivessem tão próximo ele seria capaz de ouvi-la e ficou feliz por estarem. A tempestade lá fora não se abrandara, mas ao passar que ele afagava seus cabelos e a beijava lentamente o medo foi perdendo espaço em seu peito, dando lugar ao arrepio que tomava seu corpo cada vez que os lábios dele tocavam sua pele e corriam pelo seu pescoço. Dominic logo se livrou da fina camisa que usava juntando seu corpo ao dela. Ela podia sentir seus dedos deixar um rastro quente em sua pele por onde eles passavam e onde seus músculos a seguravam próxima dele. Sua respiração soava abafada em meio seus lábios que procuravam um a outro por muito tempo. Enquanto seus pensamentos se dissolviam se tornando o perfume de sua pele o que era tudo que ela conseguia sentir agora, se afogando prazerosamente em seus olhos castanhos-mel a cada movimento. Ela já não podia mais ouvir a tempestade.

Na manhã seguinte o sol aparecia timidamente no céu e todo rastro da furiosa tempestade da noite passada havia sido deixado para trás, entretanto cada centímetros da pele da loira ainda prendia o perfume doce e suave de Dominic. Ela se mexeu preguiçosamente quando os raios de luz que adentravam o quarto a despertando, e com os lençóis ainda envolvendo seu corpo nu ela avistou Dominic terminado de se vestir em frente ao espelho. Ele a lançou um sorriso pelo reflexo.

— Sem pesadelos essa noite? — perguntou ele se apoiando sobre a cama para beijar sua testa, ela riu levemente.

— Sem pesadelos. Talvez tempestades não sejam tão terríveis assim, não é mesmo? — disse ela com a curva provocativa no canto dos lábios.

— Você deveria se vestir. — disse ele acertando as mangas do sobretudo. — Dr. Fletcher vai estar aqui em breve.

Ele estava certo, aquilo havia sido totalmente levado de sua mente. Ela se apressou em recolocar suas vestes e se apertar em um claro vestido antes de voltar ao quarto de Dominic que anunciou estar indo embora. E lhe dando mais um beijo demorado ele partiu a deixando sozinha, seguindo pelo corredor voltando para seu quarto. Entretanto, ao passar pela sala de estar, lá estava o homem de cabelos bem acertados para trás e sua maleta.

— Bom dia, srta. Ivy. — anunciou assim que a viu.

— Dr. Fletcher. Sinto muito se o deixei esperando, perdi a noção do tempo. — cumprimentou ela.

— De maneira nenhuma. Podemos começar? — ela assentiu e ele a seguiu ate seu quarto.

E fazendo uma dezenas de perguntas enquanto checava seus sinais vitais, Audrey respondia tudo monotonamente, esperando que terminasse logo.

— Tem tomado suas vitaminas, srta. Ivy? — indagou ele fazendo suas anotações.

— Sim. — mentiu ela. Era não queria confronta-lo e se sentiu mal por mentir, mas se sentiria ainda pior se quebrasse a promessa que havia feito a Dominic.

— É importante que continue as tomando, certo? — adicionou ele a entregando outro frasco cheio de comprimidos. — E o sr. Ivy retorna...?

— Em um ou dois dias.

— Poderia dizer a ele para me contatar assim que possível? — pediu ele no tom simples de sempre, retirando os óculos e guardando as anotações.

A loira apertou os olhos no sorriso plastificado médico, sentindo uma pontada de apreensão, mas assentindo em seguida. Ela preferia que o quer que seja que o doutor tivesse a dizer que ele dissesse a ela mesma, porém se reprendeu antes que pensamento fugissem para longe demais ponderando sobre o que se trataria a conversa, ela preferiu acreditar na incerteza confortável que ficaria tudo bem, por hora.


Notas Finais


Penúltimo capítulo, me digam o que estão achando.
Obrigada por ler ❤


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