História Patys unidas jamais serão vencidas - Capítulo 20


Escrita por: ~

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Categorias Seventeen
Personagens Boo Seungkwan, Hansol "Vernon" Chwe, Hong Jisoo "Joshua", Jeon Wonwoo, Junghan "Jeonghan", Kim Mingyu, Lee Chan "Dino", Lee Jihun "Woozi", Lee Seokmin "DK", Seungcheol "S.Coups", Soonyoung "Hoshi", Wen Junhui "JUN", Xu Ming Hao "THE8"
Tags Chanhao, Hozi, Jeongcheol, Junhao, Meanie, Nahu Me Obrigou, Patricinhas, Seventeen, Soonhoon, Verkwan
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Palavras 10.057
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Escolar, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shounen, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Olá, meus amores <3 to meio atrasadinha ne? mas são só algumas horas qqq

Hoje eu venho trazer a vocês o ultimo capitulo de patys ;; minha primeira longfic, minha bebezinha <33
A principio, o finalzinho nao estava ficando do jeito que eu queria, mas eu consegui deixar melhor ainda :D
Vou deixar vocês aproveitarem, desculpem qualquer errinho, bianca ama vocês c:

Boa leitura.

Capítulo 20 - A lei mais (in)útil


— Que? — Entendo sua confusão, Soonyoung. — Mimi, te chamou de gostosa aqui! — MEU DEUS.

 

— O que? — Ela olhou pro Wonwoo, que tava assustado pra caralho e com um cara de "vou te matar" pro Soonyoung, e depois olhou pro geminiano. Depois voltou pro Wonwoo e nossa, eu ri.

 

Ela deu um puta tapa na cara dele.

 

E ele ficou tipo "uau, incrível".

 

— GENTE, POR FAVOR!

 

— Mas Hannie, ele mal me conheceu e já ta com essas intimidades todas! Que tipo de amigos você tem?

 

— Ele não disse isso, e ele é muito legal, ta? Filho de prefeito também… — A última frase eu sussurrei mesmo. Menina, os olhos dela dobraram de tamanho.

 

— Me desculpa! Eu achei que você tinha dito mesmo, até porque sua cara é de quem faz isso… Eu sinto muito! — Hum, que feio, ein?

 

— Não, tudo bem. — Pronto, aqui temos Jeon Wonwoo.

 

— Wonwoo, eu achei que você fosse do lado colorido da força! — Joshua, seu melhor amigo, não sabia, imagine eu!

 

— O que é isso?

 

— Ser viado, ô viado. — Obrigado pelo ênfase, Seungcheol.

 

— Mas eu sou.

 

— O que foi isso, então? — Perguntei ainda desacreditado.

 

— Eu também gosto de meninas. — No way!

 

— Sério? — Gente, e o Mingyu?

 

— Revelações em Seul, queridos. — Soonyoung debochou.

 

— Coitado do Mingyu. — Fiz carinha de choro.

 

— Mas ele vem primeiro na listinha de contatinhos, né? — Jisoo perguntou com um olharzinho sugestivo. Ai, não tem gente que preste aqui.

 

— Claro.

 

— UAAAU! — Tinha que ser o boca furada do Seungcheol.

 

— Ok, eu não vou falar nada, temos que sair. Cadê o Yoongi? — Perguntei olhando para os lados, mas nada do loiro.

 

— Vai procurar, seu preguiçoso. — Hum, esse Soonyoung ta todo Chan hoje. Vou colocar ele no lugar dele.

 

— Finalmente conhecerei o motorista. — Gente, esses moleques querem ver sangue. E eu vou dar.

 

— Ai, cala a sua boca. — Obrigado, Soonyoung. — Mentira, cala não, ele é um gato, não mais que o Jihoon, mas é. Se eu fosse você ficava bem preocupado. — ME SEGURA.

 

— Eu vou te jogar na água quente e tirar teus pelos que nem galinha! Inclusive os lá de baixo!

 

— Mal posso esperar. — Não disse? Jisoo já ta até com a panela na mão.

 

— Vou chamar o Yoongi. — Nem Mihyun estava aguentando ficar perto desses retardados, viu?

 

— Jeonghan, você sabe que eu to brincando, né? — Ele veio pra cima de mim e me abraçou de lado, olha, eu queria só gravar isso pro Jihoon ver e arrancar a pele desse filho da puta.

 

— Eu também, mozão.

 

— Mozão é o caralho, meu filho.

 

— Ai que grosso!

 

— Grosso? Como assim? Você viu muito bem no riozinho. — Kwon Soonyoung está pedindo pra eu encher a cara dele de tapa.

 

— Eu não vou me dignar a te responder isso. Você ta muito estranho hoje, tenho certeza que o Jihoon brigou com você.

 

— Não foi isso, ele só me expulsou da casa dele porque eu fui lá almoçar. Ai eu fiquei do lado de fora até ele sair pra sua casa e ele me mandou embora. — Ta explicado o humorzinho salgado.

 

— Achei o sumido! — Mimi chegou carregando o tal sumido pelo braço. Coitado, ele tava todo desengonçado tentando alcançar o ritmo da loira.

 

— Olá, querido, quanto tempo!

 

— Boa noite, Hoshi.

 

— Que mané Hoshi o que, chama de Soonyoung mesmo. — Po, ele também quer se livrar do apelido que o namorado deu?

 

Ainda bem que eu nem uso mais, coisa escrota pra caralho.

 

— Por que todos têm problemas com o jeito que eu os chamo? Eu não tenho culpa e… A-ah, me perdoem, falei alto demais! — Coitadinho, gente.

 

— Eu não, seja Joshua ou Jisoo, nós tamo ai. — “Tamo”.

 

— Ai, amor, fica tranquilo, como você pôde ver, nossa estrelinha está na TPM e não quer papo decente com ninguém. Já eu não sou velho, muito obrigado. — Seungcheol até virou a cara. Que que foi, queridinho?

 

— Desculpe. — Ele até fez reverência, que coisa fofa!

 

— Oi, Choi Seungcheol, futuro namorado do Jeonghan e vou com vocês na missãozinha. — Sabe quando você bate com a mão na cara? Com aquela cara de decepcionado? Então, eu agora.

 

— Nossa, Jeonghan, você não me disse que esse era o moço que provou dos seus lábios. — Mihyun disse rindo e Yoongi me olhou com uma cara assustada. Ele deve estar pensando algo como "o que eu tenho a ver com isso?"

 

— Eu vou bater em vocês todos quando eu voltar, menos você, Mimi, você vai receber cócegas por dez minutos seguidos.

 

— Você não teria coragem! — A carinha da bandida, agora não tem volta não, fofa!

 

— Vamos, queridos. — Eu bati palmas apressando os palhaços, porque aqui só tem isso, né? E eu sou o anfitrião desse circo.

 

E to querendo vender ele.

 

— Vou tirar o carro. — Yoongi disse se retirando.

 

— Rapidinho, antes do meu pai passar perto e perceber a gente aqui. — Falei antes dele sumir.

 

— Maneiro ele. — Mas o que?

 

— Sim, ele assustado é bem legal. — Eu fui irônico, mas eu acho que ele levou a sério.

 

— Seus amigos são umas figuras, Viu? — Vindo dela eu poderia dizer que é um elogio.

 

Esperamos mais um pouquinho até que vimos o carro sendo retirado da garagem. Adivinha quem quase foi atropelado? Isso mesmo, Jeon Wonwoo.

 

— Desculpa ai. — Eu sou quase atropelado e faço escândalo, Wonwoo pede desculpa. Justo.

 

— Entrem rápido, eu quero sair daqui logo. — Gritei pra eles e entrei logo. Fui pra janela porque se tem uma coisa que me acontece dentro de um carro e enjôo constante. Nunca faço nada além de sentir náusea, se eu ao menos botasse coisas pra fora.

 

Imagina que legal, eu no carro enjoado com alguém tipo o Chan — mas que eu não goste, porque eu até simpatizo com ele, risos — do meu lado e eu vomito na sua roupa caríssima? Sensacional, né?

 

Enfim, entrei no carro já sentindo o enjôo chegar quando do meu lado apareceu Seungcheol e Wonwoo. Graças a Deus aquele idiota do Soonyoung vai na frente.

 

Se bem que ele vai perturbar o Yoongi.

 

Ah, ele que se vire.

 

Só que assim, temos um problema.  Joshua ficou do lado de fora, isolado. O que fazer?

 

— Vem. — Wonwoo bateu na coxa dele e Joshua sentou ali. Qualquer freada ele fura o capô e sai voando. Seria meu sonho?

 

As portas foram trancadas, o carro ligado e puff, começou a correr. Que pressa é essa? Yoongi não deixou nem eu por o diabo do cinto!

 

— Você sabe onde fica, querido? — Perguntei tentando achar o buraco de prender o cinto, mas parecia que aquela porra tava no cu de alguém, não é possível.

 

— Sim, eu já levei o Senhor Yoon lá algumas vezes, mas na maioria das vezes ele leva o carro ele mesmo.

 

— Ei, quando ele atende o telefone aqui no banco, ele fala alguma coisa que pareça suspeito ou estranho? — Isso, Soonyoung, pra isso você serve.

 

— Não, a maioria das ligações que ele atende são de trabalhos de advocacia e a única vez que ouvi algo que não fosse trabalho, era ele dizendo para a Senhora Jaehee que queria comer pudim com ela.

 

— O que é pudim? — Wonwoo perguntou com uma cara de confusão total. Olha, eu to surpreso que ele não saiba, mas ok.

 

— É um doce português, muito bom, coisa mais gostosa que há.

 

—Obrigado por me lembrar, agora eu to triste porque não vou poder mais comer o da sua mãe. — Ih.

 

— Claro que vai, Joshua! Depois dessa confusão toda, vou chamar todo mundo pra comer lá em casa. Claro, vou ter que fazer meu comprar uma mesa nova pra caber todo mundo, mas tudo pelos meus subordinados.

 

— Sou um subordinado. — Wonwoo riu. Do que? Não sei.

 

— Mas espera ai, como assim melhor doce? Por acaso você já comeu brigadeiro? — Agora Soonyoung quer discutir sobre doces do mundo?

 

— Não, mas pudim deve ser bem melhor!

 

— Você ta entendendo esses caras? — Seungcheol perguntou para Wonwoo, e eu até reclamaria, mas to mais interessado em provar que pudim é a melhor coisa que os paladares humanos podem provar.

 

— Brigadeiro é maravilhoso! Vem lá do Brasil e é chocolate! Chocolate! Quer coisa melhor? — Nossa, parece até que ta de TPM mesmo. — Uma vez eu e meus pais fomos para lá, eu estava caminhando na rua quando vi uma senhora super fofa vendendo. Comprei um, comi, meu coração parou de tão bom que era e depois comprei a bandeja toda.

 

— Tem certeza que não estava envenenado? Quer dizer, olha pra você agora. — Aaah, boa, Seungcheol.

 

— Haha, muito engraçado! — Soonyoung disse sarcástico.

 

— Eu fiquei com vontade agora. — Na verdade seria maravilhoso comer agora, até porque comer algo durante seu enjôo faz super bem. E eu não to sendo irônico.

 

— Aah, então você vai ver! Eu aprendi a fazer na internet, é super fácil! Eu vou te fazer um monte, torce pra eu estar de bom humor na hora que eu fizer.

 

— Ou o que? Vai me envenenar?

 

— Possivelmente. — Oh, já não vou mais aceitar. Vou pedir a Mimi pra fazer mesmo.

 

— Estamos chegando. — Mas já? Achei que ficasse longe a beça esse escritório.

 

— Nossa, que fodido o Hansol, ele disse que era longe. — Soonyoung reclamou se esticando, não sei como, o carro era daqueles mini bem bonitinho.

 

— Verdade, espero que aquilo de desativar as câmeras não seja furada. — Joshua disse pulando, sim, pulando, no colo de Wonwoo. Eu não entendo esses atos  explícitos repentinos.

 

— Com calma, parceiro!

 

— Se for, eu mando o Seungkwan bater nele. — Respondi Seungcheol já tirando o cinto, mas o filho da puta no volante deu um freiadão que se não fosse o mozão eu tinha fodido o nariz.

 

Aaaah, olha o que ele fez! Peguei a mania!

 

— Tu ta bem? — Soonyoung perguntou olhando para trás, até Yoongi tomou um susto. Calma, gente. O rei está bem. Vocês quase mataram ele, mas ele ta bem.

 

— To sim, por que freou?

 

— Porque chegamos. — Já?

 

— Nossa, ok. — Eu disse já indo abrir a porta do carro, depois sai de lá, já sentindo o ar puro, mas não tão puro, pois estamos na cidade, entrar nos meu pulmões. Cheiro de carro é foda.

 

— Espera, esse é o prédio? — Estávamos na frente de um edifício praticamente caindo aos pedaços. Que fofo.

 

— Claro que não, eu não podia parar na frente de lá com os seguranças e os bicho tudo, eu tenho que distraí-los pra vocês entrarem.

 

— E o que você vai fazer? Seduzir eles? — É uma boa ideia! Muito obrigado, Soonyoung!

 

— Pode ser.

 

— Pode ser minha rola, você não vai seduzir ninguém. — Ih ala.

 

— E como os inteligentes vão entrar? — Se ele quer brincar assim, vamos brincar. Ele é o boy ciumento e eu provocador.

 

— Vamos dar na cara de todo mundo, óbvio.

 

— Não quero nem ver o que vão dizer se verem o filho do prefeito batendo em pobres seguranças. — Soonyoung ta que ta, viado.

 

— Vai se foder. — Berro, primeira vez que eu vejo essa reação.

 

— Então, acho que a gente devia atraí-los para um lugar qualquer com, sei lá, uma pedra, e ai entramos.

 

— E as câmeras? — Eu não vou aceitar esse plano, foda-se também.

 

— Vou falar com o Hansol. — Seungcheol disse pegando o celular e indo pra longe.

 

— E eu? Que que eu faço? — Awn, Yoongi é um bebê, gente!

 

— Você fica no carro alerta porque se algo der errado e a gente precisar cometer aquelas fugas de filme você vai ter que aparecer.

 

— Ah, que legal! — Ai a gente cai num rio e morre.

 

— Gostei, sempre quis morrer na água. — É retardado, o Jisoo.

 

— Ele disse que já falou com o amigo e ele já conseguiu desligar as câmeras, mas é por meia hora só.

 

— Ué, e por que? — Isso é um abuso, ter horário.

 

— Porque a novela dele começa mais tarde. — Ah.

 

Vou fingir que não ouvi.

 

— Escutem, eu vou na frente, beleza? Vou ver quem está fazendo a guarda e ai plau, vou distrai-lo e vocês passam. — Espero que seja um carinha em especial.

 

Facilitaria tudo.

 

— Tenho uma dúvida. — Seungcheol disse levantando a mão como um aluno do quinto ano querendo falar. — Como vamos entrar? As portas das salas devem ser todas trancadas. — É, né.

 

— Sim, mas só uma nos interessa, a do meu pai. Eu tenho uma coisa que eu guardei por muito tempo sem saber pra que iria precisar, e eis que o dia finalmente chegou. — Eu disse levantando um cartão entre meus dedos.

 

— Que isso? — Soonyoung perguntou e Seungcheol deu um tapa na própria cara.

 

— Um cartão, sua anta. — Agressivos.

 

— É, um cartão pra eu entrar no prédio e na sala do meu pai. Duas utilidades, muito chique sim.

 

— Uau. — Sim. — E vai ter segurança lá dentro não?

 

— Nunca tem, só do lado de fora. E é um prédio até pequeno, então fica só dois, mas hoje é tipo aqueles dias que fica um porque o outro ta no bar bebendo.

 

— Legal. — Verdade.

 

— Eu vou deixar esse cartão com vocês, enquanto distraio o cara. Então vocês entram e eu digo que não consigo porque meu cartão sumiu.

 

— Bem bolado seu plano, ein.

 

— Tem ideia melhor, Joshua?

 

— Eu não reclamei. — É bom mesmo.

 

— Então vamos. — E lá vamos nós.

 

Sai caminhando na frente até a rua da empresa. Nós tínhamos parado um pouquinho longe, mas nada qur minhas coxas não aguentem. Quando cheguei lá, vi apenas uma pessoa. A pessoa que eu queria ali.

 

Os meus amigos ficariam atrás de umas plantas — nostalgia, risos — e eu iria distrair o homem do lado da porta principal. Foi nessa hora que Seungcheol telefonou para o tal amigo do Hansol e tivemos a certeza de que poderíamos fazer o que quiséssemos sem sermos pegos pelas câmeras.

 

Andando a passos largos, cheguei a sua frente e na hora ele me reconheceu.

 

— Senhor Jeonghan, quanto tempo! — Senhor… Só não dou na cara dele pra não estragar o disfarce.

 

— Olá, tudo bom? — Sorrisinho bonito, pose fofa, eu sou um monstro.

 

— Sim, mas por que estou lhe vendo aqui? E a essa hora? — Que fofo. Ai, esse cara é uns três ou quatro ano mais velho que eu, ele não disfarça que ama olhar pra minha carinha e definitivamente será fácil de enganá-lo.

 

— Ah, desculpa. — Eu fui para mais longe da porta e fiquei paralelo a ela, de forma que o seguranca ficasse de costas.

 

— É que meu pai é um esquecido, deixou uns papéis importantíssimos aqui e ele precisa deles hoje. Então eu vim aqui buscar.

 

— Ah, entendi, mas sozinho? Não é bom sair por ai de noite, é perigoso. — Ele diz isso por que? Não tenho nem dinheiro, infelizmente meu cartão de crédito ficou em casa.

 

— Eu vim com meu motorista, então ta tudo bem. — A conversa nem fluiu tanto, mas o cara ta tão fixado aqui que os meninos podem passar de boas. E foi assim, eu fiquei trocando um papinho com o homem e depois fiz final para os meninos irem até lá. Devagar, eles vieram e enquanto eu escutava palavras desinteressantes do segurança, eles abriam a porta.

 

Ruim foi quando ela foi destrancada. Fez um barulhinho. Mas eu sou moleque sagaz e puxei o rosto do cara antes que ele virasse.

 

— Seus olhos são tão bonitos! E seu cílios são enormes, tão lindos e perfeitos! — Só eu mesmo.

 

— O-obrigado! — Ele ta vermelhão, ai. E o Seungcheol ali atrás também, vermelho, mas de raiva. Aah, adoro. — Os seus também são! — Fiz sinal para que eles fossem. Aquela atuação tava foda, queria acabar logo.

 

— Obrigado, querido. — Quanto eu tinha certeza que eles já haviam ido pra ven longe da porta, fiz aquela ceninha básica. — Não acredito! — Disse olhando tudo quanto era bolso que eu tinha, ou seja, dois.

 

— O que?

 

— Esqueci o cartão que me deixa entrar lá dentro! — Apontei para a porta com uma carinha de desespero.

 

— Posso abrir pra você! — E todo desajeitado ele foi destrancar a porta pra mim. Espero que os retardados já tenham passado.

 

— Muito obrigado, posso te ligar para você abrir para mim na volta? — Ah, como eu sou sagaz, moleque!

 

— Claro. — Trocados os números, eu entrei acenando lindamente. Eu devia der ator, né? Altos doramas que me dariam msis dinheiro que já tenho. A diferença é que seria meu e não do meu pai.

 

É, aqui dentro ta escuro pra caralho. Espero que algum fos bocós tenham trago lanterna.

 

— Cadê vocês?

 

— Oi! — Cacete, que susto, Soonyoung me deu um abraço por trás que eu quase meto um soco nele.

 

— Que que foi aquilo, ein?

 

— Não enche, cabeça de pêssego. — Olhei para Seungcheol na hora e adivinha? Ele virou a cara. Vai ficar de gracinha? Beleza.

 

— Mas é sério, na hora que você puxou ele achei eu ia tascar um beijo na criatura.

 

— Eu tenho respeito por ele, não vou ficar iludindo o pobrezinho também. Já basta ele se iludindo sozinho.

 

— Ué, ele gosta de tu? — Soonyoung perguntou.

 

— Ele não poderia deixar mais óbvio.

 

— Uau, que disputado.

 

— Que nada!

 

— Da pra gente ir logo direto ao ponto?

 

— Ih. — Eu, Jisoo e Soonyoung dissemos. Wonwoo bem quietinho, alguém ajuda ele.

 

— Ih o que?

 

— Sabemos que você está com ciúmes, mas tudo bem, não está sozinho. — Joshua disse isso com um puta sorriso estranho. Acho que na cabeça dele já ta formado um plano pr matar o pobre segurança.

 

Deixa eu dar uma moral.

 

E eu não acredito que vou dizer isso.

 

— Não se preocupe, você é o único. — Sussurrei em seu ouvido, quando Jisoo já havia se afastado. Olha, rapidinho a carinha dele mudou.

 

— Ei, ei, o que você disse? — Eu to com medo desse aprendiz de Dino.

 

Não é nem Lee Chan, é logo o pseudônimo.

 

— Segredo. — Fiz sinal de silêncio com o dedo e depois pus a mão na cintura. — Quem trouxe lanterna.

 

— Eu. — Wonwoo disse mexendo em sua mochila. Vi que Soonyoung e Jisoo faziam o mesmo, só eu e Seungcheol que somos os lerdos e burros da rodinha.

 

— Beleza, se eu não me engano a sala do meu pai é no último andar, a última do corredor à esquerda. — Sim, bem lixo.

 

— Não vamos ter que subir de escada, vamos?

 

— Vamos. E ta reclamando do que? O prédio só tem seis andares, Wonwoo.

 

— Não tem elevador não? — Nossa, a legião de preguiçosos está aqui. Ainda bem que minha fase preguiçosa já passou. Semana retrasada foi foda.

 

— Tem, mas como vocês podem ver, não tem luz, sem luz, sem elevador.

 

— É tipo um no pain no gain lixoso, né? — Que?

 

— Faz muito tempo desde que você fumou, Joshua? Talvez esteja com abstinência. Ou será que você fumou antes de vir pra cá?

 

— O que você acha? — Mentira? — Não fumo desde que a gente voltou, idiota. Eu quero parar.

 

— Ai, me desculpa. — Pelo menos uma boa notícia, esse menino vai virar um ser decente.

 

— Eu não, me relaxa.

 

— O caralho, você vai parar também! — Quando eu digo que me sinto uma mãe pra eles eu não to brincando.

 

— Tem certeza que vocês querem discutir isso agora? — Pai que não quer ver a mãe arrebentando a cara do filho.

 

— Quero!

 

— Ai, não…

 

— Escuta, é ótimo para relaxar, eu consigo viver sem, mas também consigo viver com, não me prejudica em nada, então por que parar?

 

— Você fumou tanto que seus neurônios foram queimados! — Ai, eu não quero ser esse amigo filho da puta controlador, mas eu também não quero ele nessas coisas.

 

— Ele vai parar, nós estamos juntos nessa.

 

— Eu nunca disse isso.

 

— Pelo menos diminua!

 

— Vamos subir, gente? — Aquilo não foi uma pergunta, eu não pude nem dizer meu não, já fui puxado pelo Seungcheol pro corredor que dava pras escadas.

 

Os outros vieram logo atrás, alguém ligou a lanterna e todos subimos. Subimos? Não, tentamos. Porque só subimos três lances de escadas e os caras já estavam morrendo. Eu riria, mas acontece que magicamente estou cansado.

 

— Vamos, sem moleza. — Cansado ou não, sexto andar ta quase ai.

 

— Não… — Seungcheol que me puxou e ainda quer parar?

 

— Bem feito. — E dessa vez era eu puxando o bonde.

 

E logo chegamos ao último andar. Estávamos dependendo basicamente da luz das lanternas e da lua porque ô lugarzinho escuro.

 

— Onde ta meu cartão?

 

— Que cartão? — Ah, não.

 

— O que vocês usaram pra entrar aqui!

 

— Eu dei pro Soonyoung. — Seungcheol disse olhando pro moreno confuso.

 

— Deu o que? Seu cu, né? Tem cartão nenhum aqui!

 

— Eu não sei de nada.

 

— Ta contigo que eu sei. — Joshua apontou pro Seungcheol que parecia desesperado. Olha, eu não sei o que ta acontecendo, mas eu vou matar a pessoa que perdeu esse cartão, que por acaso é Seungcheol.

 

— Eu não to com ele… Ou estou? — Ai ele vai e me tira do bolso o diabo do cartão. E rindo! — Aaaai! — Ninguém mandou ficar de gracinha. Recebeu um cascudo na cabeça de graça. Peguei o cartão da mão do filho da puta e coloquei no bagulho de abrir a porta que eu esqueci o nome.

 

A sala foi aberta e nós entramos naquele local escuro. Peguei uma lanterna da mão de não sei quem e apontei para o lugar como um todo. Eu vi uma mesa com um computador.

 

Outro computador! Mimi vai fazer falta aqui…

 

E também tinha uma estante cheia de papéis e pastas que deviam conter mai papéis chatos dentro. Além de alguns livros bem gordos. Talvez fossem aqueles que têm todas as leis dentro.

 

Sei lá.

 

— Tenho certeza que seu pai não iria guardar nada de comprometedor dentro de um computador dentro da própria casa. Ainda mais por causa da mulher e do filho. — Seungcheol disse fechando a porta atrás de si. — Deve ter algo nesse computador.

 

— Pois é, né? Mas e ai, fazemos o que? Porque euzinho não sei fazer mágica que nem a loirinha que o Wonwoo quer pegar.

 

— Ai, para, Soonyoung! — Coitadinho, vai sofrer pelo resto da vida nas mãos do Soonyoung.

 

— E agora? O que fazemos? — Seungcheol me perguntou ignorando os dois briguentos ao lado.

 

— Ai, vamos caçar o que der. — Eu nem sei o que fazer, mas o que der nós estamos tentando.

 

— Será que aqui também livro de romance? — Soonyoung perguntou olhando as prateleiras ao lado da estante. Sinceramente, esse cara que decorou essa sala ta com um senso muito bosta.

 

— Seu pai defende os caras maus, faz jus ao homem que ele é. — Jisoo disse mexendo nas gavetas da mesa.

 

— Eu não sei nem por que eu to procurando coisa dentro de um livro de leis, eu não acho que tem algo aqui e mesmo assim estou procurando, o que houve comigo? — Wonwoo estava com um livro enorme nas mãos, não sei como não deixou aquele bicho cair no chão.

 

— É isso que uma pessoa burra pensaria! E é por isso que ele pode ter posto algo ai dentro!

 

— E você está fazendo isso porque me ama, simples. — Completei Seungcheol e depois voltei a olhar a decoração do local. Muita sorte terem trazido lanternas extras, né?

 

— Ai, tu não vai fazer nada não, bonito?

 

— Obrigado pelo elogio, mas não tem o que fazer aqui.

 

— Ué, olha o computador ai. — Seungcheol apontou para o bicho que acende, como é o nome? Ai, to todo burro.

 

— Mas como eu vou mexer nisso? Deve ter senha.

 

— Ai, só tenta. — Soonyoung disse andando rápido até perto de mim e ligando a geringonça. Sim, geringonça, meu pai tem dinheiro a beça e ainda usa aqueles computador que parece que tem trinta anos de idade.

 

— Bom, eu me pergunto se esses PCs davam pra botar senha. — Falei sentando na cadeira confortável em frente a mesa. Olha, pelo menos isso, né?

 

— Pô, acho que não. Mas burlar isso ai deve ser fácil. — Wonwoo disse vindo até o meu lado e olhando para aquele negócio que aparentemente ainda iria levar meia hora para iniciar. Mas não, foi só dois minutos. Mas o moreninho ainda ta aqui, não me diga que ele sabe tirar senha?

 

— Ah, nem preciso. — Ele leu meu pensamento?

 

— Como assim?

 

— Não preciso fazer nada, não tem senha.

 

— Porra, que chato. — Cadê a emoção? Eu quero emoção!

 

— Bora, meu querido, tenho hora pra chegar em casa. — Jisoo? Hora pra chegar em casa?

 

— Que engraçado. — Seungcheol riu

 

— Engraçado é a minha mão na sua cara.

 

— Vem pro pau! — Olha, duas galinhas se bicando.

 

— Olha, Jeonghan. — Virei meu rosto para Wonwoo que já estava de volta com seu livro de leis.

 

— Que foi? — Ele já achou algo? Nossa, fiz nada aqui. — O que você achou?

 

— Uma lei sublinhada. Artigo 37, parágrafo 3. Fala de concurso público e essas paradas.

 

— E daí?

 

— Sei lá, porque está marcado com um coração do lado e escrito projeto para o meu filho? — É o que?

 

— Projeto pra que, entrar em concurso público?

 

— Deve ser, ah, não sei.

 

— Acho que porque pra você ser advogado você temque fazer um. — Seungcheol ta sabido das coisas, parabéns pra ele.

 

— Mas o que isso tem a ver?

 

— Caralho, tu é lerdo, ein? — Soonyoung gritou como quem está em uma festa com música alta. Aqui não e zona não!

 

— Lerdo é… — Eu sou lerdo mesmo, por que estou reclamando? — Eu te odeio.

 

— E eu te amo!

 

— Por favor, sem demonstrações de afeto na minha frente.

 

— Na minha pode! — Jisoo ama contrariar Seungcheol, mesmo que ele não faça sentido.

 

— Vai se perder em alguma esquina! — Ih, mandou se perder!

 

— Cala a sua boca e mete a cara nesses papéis que voce arrasa.

 

— Dá pra vocês pararem? Eu vou mandar o segurança vir aqui com o cacetete dele.

 

— O único cacetete que eu quero é o seu, amor.

 

— Por favor, sem demonstrações de afeto na minha frente. — Amei a cara que recebi dele, não minto. — Enfim, por que?

 

— Por que o que? — Wonwoo perguntou com uma cara confusa. Mais do que a minha até.

 

— Por que é que esse bagulho ta sublinhado?

 

— Porque seu pai quer que você tome pra si a mesma carreira que ele. Mas isso é apenas uma dedução.

 

— Porra, nem pra me agradar pra me fazer criar gosto pela profissão. Não funciono na base da marra não. — Esse velho pensa que é quem?

 

— Acho que ele é muito burro, desculpa falar.

 

— E quando foi que você mediu suas palavras, Soonyoung? — Não estou ofendido, o otário é o meu pai, não eu.

 

— Desculpinha! — Piorou.

 

— Então, nada de pista, gente.

 

— Nem desenho de árvore. — Ai, vou bater nesse urubu.

 

— Ei, esperem, e o computador? — Joshua perguntou se sentando na cadeira onde eu estava antes. — Vocês não vão olhar aqui?

 

— Que horas são?

 

— Oito e sei lá.

 

— Ok, então ainda temos tempo pra fazer busca. — Cheguei pertinho do pêssego ambulante e olhei para o monitor.

 

Ah, lembrei o nome!

 

Bom, era aquele papel de parede feio do windows nos seus velhos tempos.

 

Então Jisoo começou a movimentar o mouse por aquela área de trabalho fodida, clicando nos ícones dela e depois partindo para a biblioteca do computador.

 

E de novo só pude ver documentos que são inúteis para mim. Olha, ta foda, ein?

 

To me irritando já.

 

— Deve ter algo aqui escondidinho, não vou parar enquanto não achar nada. — Jisoo disse determinado. Ai, gente, eu sou emocional.

 

— Obrigado, mas eu acho que no máximo você encontra uma foto de cachorrinho.

 

— Positividade!

 

— Tentando, Soonyoung, tentando. — To sendo sincero, já não acho mais que esse plano vai funcionar. Agora só me resta aceitar que eu vou mudar de escola e provavelmente só ver meus bebês uma vez a cada mês — isso meu pai sendo generoso. Ou então eu implorando pra ele, ajoelhado e humilhado. Ai, ai, jamais. Sou orgulhoso demais pra isso.

 

— Vou dar mais uma olhada na sala. — Seungcheol deve estar irritado, pelo jeito que ele falou. Talvez se sentindo inútil? Mas eu não posso fazer nada além de agradecer pelo esforço que todos estão botando pra me ajudar.

 

Ai, eu disse que sou emocional!

 

— Nada? — Wonwoo perguntou para o amigo encarando a tela.

 

— Nada, esse definitivamente é o computador de trabalho dele. — Ele disse se escorando na cadeira. Então é isso?

 

— Caralho, é impossível que não tenha nada pra usar contra ele! Nem que seja pra acabar com a reputação. Ele não te maltrata a beça? Não da pra usar isso? — Vejo aqui que o Seungcheol está pior que eu. É errado achar isso lindo? Não o fato de ele estar mal, mas estar mal por causa de mim? Nossa, eu tenho problemas sérios.

 

— Acho que era isso que o Chan queria dizer com criar boatos e postar na internet. — Soonyoung respondeu se sentando no chão. Poxa, sujar a calça linda que ele ta usando é foda.

 

— Sinceramente, eu não queria fazer as coisas desse jeito, até porque ele é advogado e pode muito bem foder com vocês por difamar ele. Se podíamos fazer algo, era achar coisas que pudessem afetá-lo sem nos incriminar, né? — Disse tudo com um pouco de desânimo. Sim, eu estou ficando triste. Eu sei que se fosse mandado pra uma escola da preferência do meu pai seria uma daquelas que eu só posso sair em datas especiais. Raramente veria meus amigos e raramente iria poder ir no shopping. Isso é horrível!

 

Logo agora que eu aumentei a listinha de amigos...

 

Vacilo.

 

— Então é isso, não tem nada aqui, vou desligar. — Joshua se levantou da cadeira e apertou no botão de desligar aquele lixo de computador, af, to irritado.

 

— Eu não consegui achar nada além daquela lei. — Wonwoo se lamentou olhando para a estante.

 

— Não fica desse jeito, você achou algo pelo menos. — Eu ri sem graça, nós não fizemos nenhum progresso além de saber que meu pai é um louco.

 

— Nós fizemos o nosso melhor, por que estamos tristes? Vamos bolar outra solução que eu sei. — Entendi qual foi do apelido de estrelinha.

 

— Tudo bem, temos uma semana toda pra pensar no que fazer. Nós pensaremos em várias coisas e alguma coisa vai dar certo! — Joshua disse batendo palmas.

 

— Ah, eu não quero ir pra escola não.

 

— Mas vai! Ou então vou vir te ver aqui todo dia. — Seungcheol disse ajeitando algo nas gavetas. Ai, a última coisa que eu quero é que meu pai perceba o que fiz depois desse fracasso.

 

— Ok, vamos pra casa? — Wonwoo perguntou e nesse momento um barulho de algo sendo derrubado do lado de fora foi ouvido. O Jeon correu pra trás de mim e me agarrou, Seungcheol e Joshua se abraçaram, e eu teria rido se não fosse uma cena de puro horror. Soonyoung? Ele estava no chão, com a lanterna dele derrubada do seu lado e com a mão na cabeça, até parece que veio policia pra cá!

 

— Que porra foi essa? — O medroso do Wonwoo perguntou. Olha, se ele não sabe, eu muito menos. Sei que to todo cagado aqui.

 

— Ugh! — Joshua e Seungcheol se afastaram rapidamente, e mais uma vez eu quis rir, mas eu to morrendo de medo! — Eu acho melhor a gente sair daqui agora! — O pêssego disse alterado.

 

— Você tem certeza que quer dair agora? — O Soonyoung, outro alterado, disse em tom mais alto.

 

— Sabe o que é isso? O defunto nos seguindo! — Ai, será?

 

— Porra, Wonwoo, não lembra disso. E isso nem é real! — Seungcheol gritou, contrariando sua fala, já que aparentava estar morrendo de medo.

 

— Por quê? Você pode até ser acéfalo… Acético… Cético! — Soonyoung precisa de ajuda, gente. — Mas a gente não, e o Joshua teve o desprazer de ver o vulto! — Defendeu um morto, parabéns.

 

 

— Mas eu não disse que era blefe? — Wonwoo passou de "estou com um puta medo do caralho" pra "você ta falando sério, flor?"

 

Com direito a mão na cintura.

 

— Era?

 

— Não vamos falar disso agora, mas sim enviar uma alma corajosa lá fora pra verificar o que há! — E depois de falar aqui, Joshua e todo o resto ali olhou para Seungcheol. Espero que ele tenha entendido o recado.

 

— Não… Não, não, não! não vou lá fora!

 

— Vai sim, seu fodido! Você não tem medo disso, não é real! Então pode ir! — Soonyoung levantou a raba do chão só pra empurrar o Seungcheol pra porta.

 

— Isso não é justo, e se for um ladrão? Un guarda?

 

— Os ladrões aqui, tecnicamente, somos nós! — Joshua falou passando a mão na testa. É, todo mundo tenso.

 

— Isso ta errado, devíamos ir todos juntos! — Seungcheol gritou sacudindo a lanterna, meu olho até doeu.

 

— Meu pau, daqui eu não saio enquanto não souber que estou seguro!

 

— Se for fantasma ele atravessa a parede, você não está seguro aqui! — Ai, caralho, vai tomar no cu, Jisoo.

 

— Meu paaaaau! — E lá vai ele se agarrar em mim.

 

— Para com isso, seu pau não tem nada a ver com isso! — Apartei ele de mim e resolvi parar com aquela palhaçada. Eu sou um dos que estão com mais medo e ainda sim tenho mais sanidade que esses idiotas!

 

— Foda-se, não vou lá fora. — Seungcheol sentou numa poltrona no canto da sala, que eu nem tinha visto, e cruzou os braços. Peguei ele pelo braço e tomei a lanterna da mão dele.

 

— Vamos todos juntos, já temos que ir embora mesmo, é caminho. — Disse caminhando em direção a porta, mas na verdade faltava coragem pra abrir. Todos os bocós estão atrás de mim, to sentindo uma puta pressão.

 

— Vamos logo, ta esperando o que? — Soonyoung está me provocando.

 

— Seungcheol, vai você, protege seu homem. — Não acredito que disse isso!

 

— Opa, o que foi isso?

 

— Ei, a porta ta bem na sua frente, idiota! Dá mole não! — Soonyoung gritou agarrando os ombros de Joshua, to só vendo a cara dele de quem vai acertar um murro na cara do otário ai.

 

— Calma ai, cacete! — Ele hesitou um pouco, depois tomou coragem e abriu a porta. Eis que vimos o incrível: nada. — Eu sabia que não tinha nada aqui nesse caralho!

 

— Ai, graças a Deus! — Acho que Wonwoo ta mais calminho.

 

— Não podemos relaxar enquanto não sairmos desse lugar! — Ai, verdade.

 

— Soonyoung, eu te odeio! — Coitado do Wonwoo, vontade de pegar pra cuidar e só largar no mundo com idade pra ser papai.

 

— Calma, kids, vamos andando logo que nada vai acontecer. — Joshua disse tomando a frente com uma coragem da porra, não teria, admito.

 

— Quem você chamou de kid?

 

— O que é kid mesmo? — Soonyoung por ser tagarela a gente até pensa que é inteligente, mas na verdade é uma mula mesmo.

 

— Criança em inglês. E eu chamei você mesmo!

 

— Ta, mas quem é o mais velho?

 

— Eu. — Wonwoo respondeu esfregando as mãos uma na outra. Primeiro, acabou com a minha graça. E segundo, ta com frio, demônio?

 

— Você não conta, você é o repetente.

 

— Cala a boca também! — Olha lá o abuso do bebê, ta se achando demais!

 

— Enquanto isso o defunto ta rindo. Ele deve ta pensando que nem precisa matar vocês, antes disso vocês se assassinam ai. — Soonyoung está certíssimo, mas ele também iria morrer, pois quero fazer isso desde que ele pôs os pés pra fora de casa.

 

— Que mané defunto, defunto é a minha rola. — Depois eu sou o boca suja, Seungcheol está ai para provar que eu lavo a boca com água de rosas.

 

— Ai, por favor, eu quero ir pra casa! — Wonwoo choramingou para nós. Nossa, esse lado dele é novo, que nem o lado "gosto de mulher" dele.

 

— Vamos logo, antes que esse pequeno menino morra infartado. — Tem como? Tipo, agora?

 

— Sim, aceito. — Então todos nós começamos a nos morrer em direção as escadas, torcendo para não dar de cara com nenhum ser não identificado. Acabou que descemos aquilo tudo na maior tranquilidade. Vou dizer que teve uma hora que eu senti um ventinho que eu to até agora intrigado, mas sei lá, o Seungcheol tava atrás de mim, vai ver era só ele querendo me assustar? Ou excitar, não sei, os dois.

 

— Jeonghan, como saímos daqui? — Boa pergunta.

 

— Que cara é essa? Não sabe?

 

— Ah, peguei o telefone daquele cara, nem lembrava. — Cuidado com a burra. — Vou ligar pra ele!

 

— Certifique-se de que vá apagar depois. — Ih.

 

— E você é quem pra me dizer isso? — Provoquei enquanto pegava meu celular do meu bolso.

 

— Nada. Ainda. — Oh, ainda.

 

— Ok. — Apertei no contato do segurança e disquei seu número, sendo rapidamente atendido. — Olá, querido! — Nem fui encarado mal por Seungcheol. — Eu consegui pegar o que queria, pode abrir aqui pra mim?

 

— Como vamos sair? — Fiz sinal de silêncio, essa gente não sabe calar a boca não?

 

— Beleza, estou esperando. — Desliguei o telefone e dei um tapa na cabeça de Soonyoung por ter falado no meio da ligação. Merecido.

 

— Vou dar um jeito de distrai-lo pra deixar a porta aberta pra vocês passarem. Eu espero que vocês tenham pelo menos a inteligência de deixar ela do jeito eu estava antes. — Falei olhando diretamente para o mais provável de fazer isso do grupo, Soonyoung. Só ta aprontando merda, não é a toa que o foco ta quase todo nele aqui.

 

— Por que você ta me olhando?

 

— Cala a boca. — Eu disse quando escutei finalmente a porta ser aberta. Eu não sei aonde que esse cara estava pra demorar tanto. Os outros garotos aqui se esconderam e a luz do lado de fora brilhou nos meus olhos. Poético.

 

— Oi de novo. — Oi de novo, melhor coisa pra se dizer.

 

— Oi. — Passei pro lado de fora e antes que o homem pudesse se mover para trancar a porta fiz uma cara assustada e pronto, o teatro começou. — Você ouviu isso? — Olhei para um lugar fixamente para fazer o segurança focar lá e depois olhei para trás, um dos garotos me olhou e percebeu que devia ficar alerta. Sim, eu podia dar o cartão para eles e ai poderiam sair direto, depois de eu tirar o cara de lá. Mas adivinha? Está comigo agora.

 

— Isso o que? — Meu jeito desesperado desesperou ele, amei.

 

— Isso, esse barulho estranho, veio dali! — Eu falei apontando para uma região qualquer, mas acabou que apontei pra um beco. Caralho, ele vai achar que eu to chamando ele pro coito.

 

— Não se preocupe, não é nada. — É sim, porra.

 

— Acho melhor nós irmos olhar, deve ser algo sério! — O que seria? Nem eu faço ideia.

 

— Tudo bem, só deixa… — Deixo não, sai puxando ele para aquele lugar escuro. Desculpa, moço, peço que não confunda nada.

 

— Tenho certeza que está ouvindo demais, eu não escutei nada vindo daqui. De lugar nenhum, na verdade. — A última frase foi um sussurro. Pobrezinho deve estar todo confuso. — E eu acabei deixando a porta da entrada aberta, alguém pode entrar e ai eu vou perder meu emprego! — Ai que horror, gente.

 

— Não vai acontecer, só tem a gente aqui, seja mais positivo! — Falei o arrastando até o beco.

 

— E se esse barulho que você ouviu for uma distração pra alguém entrar? Vou ter que olhar lá dentro quando voltar. — Que paranóico da porra!

 

— Hum, parece que não era nada. — Espero que já tenham saído.

 

— Vamos voltar, por favor. — Como queira.

 

Caminhamos de volta para o prédio, mas eis que a mula do Joshua estava ali, em pé, agindo como se estivesse passeando pelas ruas calmas de Seul. Pau no cu dele.

 

— Ah, o senhor que está encarregado desse lugar? Está aberto, eu estava passando por aqui e vi isso e achei que alguém tivesse invadido pela hora. Já ia chamar a polícia. — Olha que ator!

 

— Sou eu sim, eu vou verificar lá dentro. — Que lerdo, o Joshua podia ser o ladrão que ele não iria perceber. — Obrigado.

 

— Tudo bem, estou indo. — Ele acenou e pegou o caminho que o levaria até o carro. Esperto, saiu da situação ruim com maestria. Pena que é um bosta.

 

— Então eu também vou para casa.

 

— O que ia pegar? — Ele perguntou, muito curioso, queria meter o louco e dar um fora.

 

— Um cartão de memória.

 

— Entendi, boa viagem de volta! — Ok, tchau.

 

— Patys unidas jamais serão vencidas —

 

Entrei no carro empurrando todo mundo, então Joshua acabou batendo a cabeça no teto tentando subir no colo do fumante ativo. Vocês sabem quem é.

 

— Bem feito, isso é por ser um burro com rabo!

 

— Porra, que culpa eu tenho se voltou rápido demais? Eu sou lento, reações lentas, estamos falando de Hong Jisoo barra Joshua!

 

— Caguei, você tinha que ser mais ágil nessas situações!

 

— E daí, pelo menos eu me safei!

 

— Só porque aquele cara era mais lerdo que tu, quem é a pessoa sã que vê um urubu desses todo de preto perto de uma empresa grande de noite e não suspeita de nada?

 

— O que você ta querendo dizer?

 

— Ei, vamos com calma ai atrás. — Soonyoung? Ta na frente por quê? Ah, o Seungcheol ta do meu lado. De cara feia ainda.

 

— Hum. — Cruzei os braços e virei meu rosto para a janela. Se Seungcheol vier falar no meu ouvido sobre o cara lá eu encho ele de porrada.

 

— Jeonghan… — O carro começou a andar.

 

— Já vou apagar o número, mas se me lembrar de novo eu te bato. — Odeio não cumprir com a minha palavra.

 

— Não ia falar disso, eu ia te pedir desculpas.

 

— Por que, garoto? Você fez algo que eu não sei?

 

— Já ta traindo? — Soonyoung…

 

— Não atrapalha o momento bonito que eu to tentando criar, seu filho da puta! — Ih  acabou já.

 

— Yoongi, leva eles pra casa deles e depois me deixa. — Pedi ao motorista ignorando os retardados.

 

— Ok, patrão. — Olha, não foi um senhor!

 

— Jeonghan, é sério, essa semana ainda vamos conseguir algo e você vai poder ficar com a gente.

 

— Sim, nós vamos dar um jeito. — Wonwoo levantou o punho fechado, como se dissesse aqueles fighting. — Mas agora eu vou dormir. — Acabou a fofura.

 

— Antes tu diz onde fica tua casa, né? — Então todos aproveitaram para dizer seus endereços. Todos moram bem perto, e eu nem sabia.

 

— Agora eu posso dormir?

 

— Sim.

 

— Durma bem! — Soonyoung disse lá da frente. — E eu vou tirar um cochilo também.

 

— Já que todo mundo vai dormir, dá licença. — Ai Joshua se esticou até me alcançar. Sua cabeça estava em cima do meu colo, e eu bati muito nela, e suas pernas no colo de Wonwoo. To vendo até a cena do Seungcheol socando o estômago do infeliz.

 

— Obrigado pelo espaço, me acordem quando estivermos na porta da minha casa. — Abusado.

 

— Idiota. — Ri junto com o moreno ao meu lado e deitei minha cabeça sobre seu ombro. Ele me olhou, sorriu e beijou o topo da minha cabeça. Não vou nem dizer nada.

 

Ficamos daquele jeito até que a primeira pessoa, no caso Joshua, fosse soltada em casa. Depois Wonwoo e Soonyoung. Todos me disseram coisas boas para me animar e aquilo me deixou muito feliz. Depois eu percebi que Seungcheol não havia dito onde morava.

 

— Onde você vai ficar, amigo? — Ah, ele você chama de amigo, né, Yoongi? Ta bom, tu vai ver.

 

— Pode me deixar lá perto da praça. — Sei de que praça ele fala. Mas já está tarde, por que ele não vai para casa logo? Vai ficar vagando sem rumo na rua?

 

— Não fique passeando na rua, é perigoso a essa hora.

 

— Não se preocupe, eu vou para casa rapidinho. — Ele sorriu e deitou sobre mim da mesma forma que eu havia feito antes. Depois ele teve que se mandar, mas não deixei ele o fazer sem antes nos beijarmos. Sim, eu tomei a iniciativa, por incrível que pareça. Eu só tenho pena do Yoongi que ficou de vela.

 

Por respeito a ele, e por falta de fôlego, parei e me despedi de Seungcheol.

 

Agora eu teria que voltar para casa e pensar em alguma coisa. Eu não posso deixar todo mundo pensar nisso por mim quando o problema é meu.

 

Mas eu estava me lembrando…

 

O que será que meus pais estavam conversando?

 

Bom, eu não sei, não to muito afim de saber e é isso ai.

 

To mais interessado em pensar no que eu fiz. Parece que meu interior finalmente organizou seus sentimentos. Meus sentimentos. Parece que aceitei que comecei a nutrir sentimentos por alguém que uma vez jurei odiar. E aconteceu rápido, sem eu perceber também, depois daquele primeiro beijo então... Podia até não pensar muito naquilo, talvez por medo, mas já se tornou um sentimento concreto em mim.

 

E eu não to entendendo o que estou falando, eba!

 

Enfim, acho que já sei o que sinto pelo Seungcheol. Mas saber isso logo agora que meu futuro ao lado dele e de meus amigos é incerto é tão ruim. Eu nunca pensei que isso fosse me acontecer, de verdade. Nada disso. Me juntar ao grupinho do Seungcheol, virar amigo de alguém como Chan e conhecer a vida da pessoa mais fechada da rodinha.

 

E logo quando isso acontece, logo quando eu estou gostando, o destino — ou só meu pai mesmo — vem e decide que vai acabar com a minha festa?

 

Ridículo!

 

Não vai acontecer, eu não vou deixar meu pai fazer isso.

 

— Chegamos. — Que? Já?

 

— Ok, obrigado. — Sai do carro e vi minha casa. Caminhei até a porta e puxei minhas chaves do bolso, só precisava ser discreto na hora de entrar.

 

Bom, só tentar. Porque essas chaves fazem mais barulho que alto-falante.

 

Entrei em casa, vendo nada nem ninguém ali. Passei pela sala e percebi que o quarto onde meus pais conversavam antes ainda estava com suas luzes ligadas. E a porta também estava aberta, então pude ver meus pais sentados enquanto conversam. Tentei passar por ali sem ser visto, mas meu pai me viu e minha mãe se virou. Ela se levantou e veio até mim.

 

— Oi, filho!

 

— Oi, mãe, tudo bom? Vocês estão aí desde que sai. — Eu estou preocupado, não ia perder a oportunidade de perguntar.

 

— Claro, vai ficar tudo bem. — Ela disse acariciando meu cabelo. — Vai pro seu quarto, vai? Eu já vou falar com você.

 

— Ok. — Falei estranhando um pouco, é muito estranho? É, mas eu tenho que obedecer, né?

 

Subi pro meu quarto e fechei a porta. Me joguei no chão porque na cama que eu não ia, não com essa roupa suja da roupa. Eu tenho que tomar um banho bem tomado pra ficar de boas depois desse dia. Eu acordei tarde pra porra, mas mesmo assim me sinto cansado. Incrível.

 

Fiquei deitado ali e eu não sei o que aconteceu, acho que é o famoso ato de dormir, mas é, aconteceu e eu acordei com um barulho na janela.

 

Será que um pássaro bateu aqui? Ai, tomara que não tenha morrido, sem sangue de ave na minha janela.

 

Levantei num pulo e fui até a janela, abri a cortina e quando percebi o que estava acontecendo, não sabia se ria ou se chorava.

 

— Oi! — Por que o Seungcheol está em cima de sei lá o que bem na minha janela?

 

Porra, eu falei pra minha mãe não botar essas coisas que da pra escalar na parede do lado de fora, esses lunáticos sobem!

 

Será que ela esperava que alguém fosse fazer isso e botou essa merda? Ela é amante de clichês, sei lá.

 

— Por que você ta aqui?

 

— Quero falar com você, abre ai antes que eu caia. — Sua voz abafada pelo vidro chegou aos meus ouvidos e eu ri. Ri mesmo, porque eu não vou abrir porra nenhuma!

 

— Vai ficar ai!

 

— Daqui eu não saio, até que você abra pra mim!

 

— Então fica ai, gostosão!

 

— Fico. — E não é que ele ficou? Cinco minutos, foi meu limite.

 

— Idiota. — Abri a janela e puxei sua mão para que ele entrasse.

 

— Obrigado, amor!

 

— O que você quer? — Minha fofura dura pouco sim.

 

— Você está cortando todo o clima. Aproveita que seu quarto ta escuro pra gente poder tornar esse momento especial.

 

— Não vou dar pra você. — Ele até cobriu a cara com a mão, será que estou pegando pesado?

 

— Para, ta deixando mais difícil!

 

— Você chega aqui a essa hora correndo o risco de meu pai te pegar e quer que seja fácil? — Cruzei os braços, bem megera a pose.

 

— Por favor.

 

— O que você quer? — Sentei na minha cama e olhei para o garoto em pé a minha frente.

— Para de pensar que eu quero sexo, não sou o Minghao! — Ele bateu o pé no chão que nem uma criança. Criança mula, porque se alguém vier aqui em cima fodeu.

 

— Fala, criatura! — As pessoas de hoje em dia são muito paranóicas.

 

— Olha, eu fiquei na praça pensando nisso e eu não sabia se fazia isso agora, mas a ansiedade estava comendo meu cu com areia então eu tive que vir aqui. — Quem melou o clima foi você, já aviso logo. — E eu não me importo com o seu pai, eu enfrento ele se for necessário. Então eu vou ser direto com você. — Ai... — Jeonghan, você sabe que eu já gosto de você há muito tempo e agora que conseguimos uma relação diferente da de antes, eu só preciso saber de uma coisa.

 

— Que é? — Eu estou nervoso, porra, Seungcheol!

 

— Quer namorar comigo? — Ai, ai, ai, eu vou morrer, eu vou morrer!

 

— Jeonghan? — EU VOU MORRER. — Jeonghan, eu vou entrar! — Essa voz, meu pai... Misericórdia de mim, alguém!

 

— Puta que pariu. — Seungcheol sussurrou quando a porta foi aberta e a figura do meu pai foi revelada.

 

— Quem é esse garoto?

 

— Pai...

 

— Quem é ele? — Ele gritou, me assustando e provavelmente fazendo as outras pessoas da casa perceberem.

 

— Choi Seungcheol, amigo do...

 

— Não perguntei pra você!

 

— Pai, por favor, calma!

 

— Calma, como ter calma? Eu chego no quarto do meu filho e vejo ele no escuro com outro marmanjo? Quer que eu pense o que?

 

— Não estávamos fazendo nada, senhor.

 

— Não estou falando com você!

 

— Para de falar assim com ele!

 

— Eu sabia que não devia ter ido na da sua mãe, ela me convence de te perdoar e pedir desculpas e quando eu chego no teu quarto eu te vejo com esse moleque. Eu devo ter merda na cabeça.

 

— Não, você não tem! Se você parou pra pensar e aceitou é porque você acredita que dá pra voltarmos a ser uma família unida, bonitinha tipo dos comerciais de manteiga.

 

— Não me faz rir agora, eu tenho que manter a pose. — Seungcheol disse segurando o riso e eu tive que rir também. Idiota.

 

— Vocês estão achando que eu estou de brincadeira? — Ele perguntou sério, alternando em me encarar e encarar Seungcheol.

 

— Escute, nada disso do que você pode estar pensando é o que está realmente acontecendo.

 

— Me explique então. — Será que ele está de bom humor?

 

— Aconteceu que ele estava preocupado comigo e veio até aqui saber se eu estava bem. — Tive que dar uma mentirinha.

 

— Mas você saiu antes disso, devia estar com ele!

 

— Eu não estava, estava com meus amigos! — Ai que merda.

 

— Ele não podia te mandar mensagem não?

 

— Não, porque ele tinha algo para me dizer, que só podia ser pessoalmente.

 

— O que? — O que? O que? Ai, como faz?

 

— Que a partir de hoje ele é meu namorado. — Tanto Seungcheol quanto meu pai ficaram surpresos. — E eu digo que não há nada que vá impedir isso. Porque eu gosto dele e ele gosta de mim, nós passamos muito tempo agindo mal um com o outro e agora tudo o que eu quero é ficar com ele. Porque agora eu sei que eu e eles devemos ficar juntos. Não vai ser seu preconceito idiota que vai acabar com o nosso sentimento. Um sentimento puro, e não sujo como você imagina. — Meu pai ouviu tudo aquilo e depois de um tempinho, que pareceu durar uma eternidade ele se pronunciou.

 

— Seungcheol, é esse o nome?

 

— Sim, senhor.

 

— Dê licença, eu quero falar com o meu filho a sós.

 

— Senhor, por favor, não faça nada ruim para ele, eu não quero ver ele mal de novo. — Seungcheol disse receoso, claro, quem não ficaria perto desse homem à nossa frente?

 

— Nada vai acontecer, pode ficar na porta. — Então Seungcheol me olhou e depois saiu. Ele disse que não faria nada, então vamos confiar. Qualquer coisa eu grito.

 

— Eu não quero brigar, eu só quero poder ficar com meus amigos, que me amam tanto e com meu namorado. Todos eles estão tristes porque você decidiu que vai me mandar pra outro lugar longe deles. E eu estou me sentindo pior ainda, eles são os melhores amigos que eu poderia querer. — Disse tudo para o homem quieto. Ele apenas me olhava, e eu não sabia o que havia nos seus olhos.

 

— Jeonghan, você não vai sair de perto deles.

 

— Sério? — Eu não to acreditando!

 

— Não... Eu conversei com a sua mãe, ela me disse coisas a beça e eu também, ela também me mostrou coisas que eu não conseguiria perceber sozinho. Eu fico feliz que ela não desistiu de mim. — Coragem a dela, mas eu entendo. Ela esperava mudança, ela acreditava nisso. — Vou ser sincero, não é fácil. Eu queria um neto, uma nora, mas também queria sua felicidade. Só não entendia como iria fazer acontecer, porque você começou a mostrar que não era isso que me daria. Sempre achei estranho, e ainda acho, mas o que ela me disse me fez pensar.

 

— Eu fico feliz, porque parece que você quer mudar.

 

— Eu quero. — Ele disse, mas não olhava em meus olhos por nada, seria por que estava com vergonha? — Sua mãe me lembrou daquela época em que éramos felizes juntos. Ela foi no meu computador e me mostrou fotos nossas. Eu não sei como ela sabia que eu as tinha ali! — Eu também sei, sabe?

 

— Eu também sinto falta daquela época. Mas tudo acabou tomando um rumo estranho.

 

— Foi minha culpa. Eu afetei você, sua mãe, eu que fiz isso. Porque não aceito as coisas como elas são, não aceitei que você era assim porque era. Mas eu quero que isso acabe. — Pai... — Eu peço desculpas por aquele dia, aconteceu um problema na empresa, estava irritado a beça, vi aquela coisa e perdi o controle. Eu não me preocupei em saber se você tinha chegado bem ou não, mas era por conta do trabalho.

 

— Sabe, aquilo era do meu amigo, estava na sua mochila e eu levei ela pra casa sem querer. — Não vou dizer que peguei ela e carreguei pra cá. — Pode acreditar!

 

— Eu acredito. — Ele sorriu sem graça. — Me perdoa pelo tapa, me perdoa pelas coisas horríveis que eu disse pra você, eu já pedi para a sua mãe também.

 

— Eu aceito, e agradeço o ato. Eu quero muito voltar a ter um bom relacionamento com você, como quando eu era pequeno. — E eu não estou mentindo, isso é verdade.

 

— Então você pode deixar seus amigos tranquilos, não te levarei pra nenhum colégio interno nem nada do tipo.

 

— Obrigado, pai. Sério, isso é tão bom, tão lindo, eu não to acreditando... — Eu acho que vou chorar...

 

— Filho?

 

— Oi? — Ele veio até mim e me abraçou... Quando foi a ultima vez que isso aconteceu? Gente...

 

— Eu te amo. — Ele disse com a voz embargada, pois chorava, que nem eu.

 

— Eu também te amo, pai. — Pronto, se eu estivesse de maquiagem tava tudo borrado.

 

Ficamos daquele jeito por alguns segundos e então nos separamos.

 

Claro, secamos as lágrimas, porque estávamos parecendo dois bebês com a cara inchada.

 

— Já jantou?

 

— Não, eu só fui dizer algumas coisas pros meus amigos. — Menti, e agora estou com um puta arrependimento do que eu fiz. Ainda bem que não achei nada.

 

— Então vamos, sua mãe já está lá em baixo e eu já pedi pra Mihyun cozinhar algo.

 

— Então está bem. — Sorri para ele e saímos do quarto. Mas o Seungcheol ainda estava lá, escorado na parede com uma cara de preocupação daquelas. Ele nos viu com aqueles rostos e ficou confuso. Sério, a carinha de confusão, olha que coisa linda!

 

— Você já comeu? — Seungcheol foi pego de surpresa pela pergunta, eu também fui.

 

— Não... Não consegui.

 

— Então agora pode. — E desceu as escadas, deixando um Seungcheol com uma interrogação desenhada na cara e eu rindo.

 

Descemos, jantamos e pela primeira vez em tempos eu me sentei à mesa com meu pai, sem reclamações ou brigas. Apenas sorrisos.

 

Apenas a família unida como muitos anos atrás.

 

E agora com mais um membro: Seungcheol, meu namorado. 


Notas Finais


E essa fic chega ao fim assim

Muito obrigada a você que me acompanhou até o final, aguentou as minhas demoras e meus erros ahaha
você que comenta é muito especial, assim como você que apenas favorita, ou deixa guardadinha na biblioteca pra ler depois. Você que divulga anda comigo no recreio qqqq
Mas você que apenas lê, você é especial pra mim. E eu te amo, viu? Amo vocês demaaaais.

Obrigada ao meu appa, Nahu, que me ajudou tanto com essa fic, serio, amo esse cara. A menina que fez minha capa também, é muito lindinha <3

Eu não esperava que fosse ficar com esse tanto de favoritos e comentarios logo na primeira long, é por isso que sou tão agradecida :D porque vocês fizeram acontecer~

Sobre o especial/posfacio que mencionei antes, eu o farei, mas final mesmo eh esse. Se vocês meaniers (?) estiverem se perguntando onde ta o meanie, eu recomendo que leiam esse especial ahahaha eu só não prometo entregar até quinta que vem. Trabalhos e viagem estão ai pra mim ;~;

E sobre escrever outras fanfics... Veremos ne?

Enfim, eu estou muito feliz e ao mesmo tempo triste por acabar isso. Mas tem que ter um fim, né? Então é isso. Muito muito obrigada! Nos vemos por ai!

Beijos da ca~
Tchau <3


(vamos fingir que ninguem viu que eu escrevi tudo certinho nas notas finais por ser o ultimo cap)


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