História Pé de Coelho - Capítulo 7


Escrita por: ~

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Categorias EXO, Huang Zitao "Z.Tao", Kris Wu
Personagens Chanyeol, Huang Zitao "Z.Tao", Kris Wu, Personagens Originais
Tags Bunny, Chanyeol, Drama, Exo, Kris Wu, Romance, Ztao
Visualizações 29
Palavras 4.013
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Colegial, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência
Avisos: Estupro, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Suicídio, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá meus queridos <3
Sinto muito pela demora, a faculdade arrancou meu couro nesse semestre, sem brincadeira. MAS ESTOU AQUI <3

As coisas começam a mudar, pois é, a história ficando cada vez mais sombria. Fica ai o mistério...

Obrigada pela paciência e carinho.

Boa Leitura

Capítulo 7 - Capítulo 6


Fanfic / Fanfiction Pé de Coelho - Capítulo 7 - Capítulo 6

Amanda acordou naquela manhã com enjoo. Sentada na cama, observando seu quarto tentando adivinhar que horas poderiam ser, a cabeça estava pesada, apesar da febre ter cedido, não sentia-se totalmente bem. Levantou e caminhou até a janela, a chuva continuava a cair. O quintal atrás da casa estava com algumas poças de lama, a pequena casa de ferramentas de seu padrasto havia um buraco grande no telhado. Amanda odiava aquele lugar.
 Balançou a cabeça tentando retirar os pensamentos perturbadores, os pelos de seus braços arrepiaram-se, e então fechou a cortina indo em direção a porta. Retirou a cadeira que colocava todas as noites para bloquear a maçaneta, destrancou as diversas fechaduras – que ela mesma instalou – e foi direto ao banheiro. Despiu-se lentamente, cada movimento era uma pontada diferente em diversas áreas do corpo.

 Encarou o reflexo abatido no espelho.

- Mais um dia... – Estendeu a mão tocando o vidro. – Viva a mais um dia.

 Ela caminhou até o box, entrou ligando o chuveiro esperando alguns instantes, como se reunisse coragem. Assim que parou embaixo da água corrente, fechou os olhos com força, apoiou as mãos na parede de azulejos amarelos e respirou fundo. A água batia na pele sensível, escorria rapidamente naquelas feridas semiabertas de suas costas, tomavam conta de cada parte do corpo. Ardendo, a torturando silenciosamente. A dor pontiaguda subia pelo pescoço e a pele chegava a arrepiar-se constantemente. Eram feridas estreitas, perfeitamente marcadas em sua pele clara, horizontal e verticalmente. Deixou que as lagrimas fundissem com a água, ajoelhou-se no chão com a dor, e chorou no silencio.

 Suas dores não são apenas físicas, mas também mentais. Ela desejava todos os dias que tudo fosse um sonho, e quando acordasse, as coisas desaparecessem. Desejava não ter que lidar com seus problemas, com sua vida. Porque ela já havia perdido o sentindo, não existia algo que a motivasse, nada. Suas lamentações eram tantas que não conseguiriam ser enumeradas. Sua mente era sua prisão, ao mesmo tempo era sua válvula de escape. Os bons pensamentos, as lembranças carinhosas a faziam sorrir. Mas aquilo não era o suficiente. Amanda não era suficiente.

Os demônios dentro dela, a consumiam um pouco a cada dia. Até que finalmente, não exista mais nada. A mente, consumida pela insanidade, não conseguia mais distinguir o que é real. Seus delírios... mais íntimos que qualquer pensamento lúcido.

 Eu sou o monstro dentro dela. Aquele que induz a loucura, a atos ilícitos, a fúria e o ódio. Sem piedade.  Sou o que a levara para o fundo do poço, sem amor, alegria, apenas sofrimento e decepção. Não me importo com o que dizem, não me importo com o que pensam. Apenas afunde, afunde, afunde, afunde! Estarei aqui para segura-la e afoga-la.

Continue caindo... Te esperarei aqui em baixo.


 Amanda terminou de passar a gaze sobre o corpo, sem apertar muito, vestiu a camiseta branca e a calça jeans preta, logo depois o moletom cinza. Os cabelos ainda estavam molhados, mas não a incomodava, passava o pente entre os fios quando ouviu a campainha tocar no andar inferior. Desceu as escadas sem pressa, não fazia ideia de quem poderia ser. Ficou na ponta dos pés analisando o olho magico. Era uma senhora de cabelos brancos e dourados penteados para trás, segurava o guarda-chuva na mão esquerda e algo parecido com uma cesta na direita.  Bunny abriu a porta e recebeu o sorriso gentil da vizinha.

- Bom dia minha querida!

- Bom dia senhora Holanda, na verdade eu nem sei que horas são...

 A senhora riu fechando o guarda-chuva e passando pela porta.

- Logo imaginei que estaria em casa, não à vi indo para o colégio. – Balançou a cesta que carregava. – Já passam das dez da manhã e acho que não tomou café.

 Amanda sorriu constrangida, ela tinha razão. Dona Holanda era uma amável senhora de 70 anos que morava ao lado. Sempre bem arrumada, tratando todos da vizinhança com carinho. Não existia uma data comemorativa que Dona Holanda não fizesse uma grande confraternização, os vizinhos, amigos dos vizinhos, até desconhecidos vinham ao bairro para comer seus bolos e salgados. Bunny tinha um carinho especial pela aquela senhora.

- Venha, vamos criança, fiz aquele bolo de cenoura que tanto gosta, sem mencionar os pãezinhos caseiros. – Disse a mulher caminhando até a cozinha.

 Amanda a seguiu, tentou ajudá-la a fazer o café, mas foi impedida. Sentou-se no banco apoiando os cotovelos sobre o balcão a observando. Ela andava de um lado para o outro, contando os feitos de seus filhos e de como os netos tornaram-se pestinhas adoráveis. O mês de outubro era um dos seus preferidos por causa do Halloween. Decorar a casa e fazer doces era seu hobbie. Tirou ovos, manteiga e pedaços de bacon da cesta e começou a cozinhar. A jarra media tinha um conteúdo branco e liquido com o rotulo em azul escrito leite.

- Aposto que Frank não foi ao mercado ainda, certo? – Amanda acenou brevemente, ele comia fora todos os dias então não se importava com aquilo. – Como pode proteger as pessoas, se não consegue cuidar de uma. – Resmungou ela. – Tome querida, ovos mexidos frescos para você.

- Obrigada.

 Amanda nem acreditava que estava realmente comendo algo tão bom. Fazia semanas que não tinha uma refeição aceitável. O café com leite não amanhecido, o cheiro maravilhoso do bolo de cenoura com a calda de chocolate escorrendo pelos lados. Cada pedaço era uma sensação diferente de alegria. Seu estômago agradecia.

- Por Deus, não tem nada nesses armários, e quando encontro está vencido! – Puxou um saco transparente de pão com fatias mofadas. – Eu vou jogar tudo isso fora, não é possível. Arrg! – Fez um som não muito comum para o ser humano e continuou a jogar diversas coisas no saco de lixo.

 A menina não respondeu, na verdade estava ocupada demais comendo e acabou não prestando muita a atenção. Depois de colocar as louças dentro da pia, ajudou a mulher a levar o saco para fora, a chuva forte diminuiu, mas ainda garoava. Dona Holanda limpou as mãos na calça e cruzou os braços olhando para a rua e logo depois para Amanda que segurava o guarda-chuva.

- Por acaso teve febre querida? – Amanda a encarou surpresa, e ela riu fraco analisando seu rosto. – Seus olhos não têm aquele brilho bonito, estão opacos, quer dizer que teve febre. Céus aquele homem deveria ser processado, veja como está abatida, sem contar que devorou tudo o que cozinhei...

- Estou melhor, não se preocupe. – Disse enquanto a acompanhava de volta a casa. – Estive mal por alguns dias.

- Querida, seu amigo, Tao, veio me perguntar sobre sua alimentação ontem e eu não soube responder.  – Amanda desviou o olhar para qualquer ponto da sala, sem dizer nada. – Por acaso, Frank lhe da dinheiro? Para comida, condução, ou qualquer outra coisa?

 Com o silencio, a mulher entendeu. Balançou a cabeça irritada, acariciou o rosto da menina e lhe deu um abraço. Holanda temia o profundo silencio de Amanda. Sem reclamar, proclamar seus próprios direitos, sendo deixada de lado como um animal. Sua voz foi desaparecendo pouco a pouco, o sorriso caloroso e meigo destruído por uma face sempre séria, a cada dia, aquela menina sucumbia a escuridão. Assim como aconteceu a própria mãe.

E se ela dissesse o que realmente era...
As pessoas dariam as costas para ela?

E, se ela parecesse perigosa...
As pessoas a temeriam?


Ela é apenas uma garota com uma pequena vela para guiá-la.
Que está lutando para escapar do que está dentro dela.
Mas a vela derrete, o pavio queima rápido, e a escuridão cresce.
Um monstro que estava ficando cada vez mais forte.


A cabeça de Amanda doía, mal conseguia enxergar com o olho esquerdo, a pontada que vinha freneticamente a deixava tonta e enjoada. A enxaqueca havia voltado. Depois de passar um bom tempo com a gentil vizinha, e almoçado devidamente. Bunny voltou para casa, arrumou os dois andares da melhor maneira para que o padrasto não arranjasse desculpa para gritar com ela. Mas não importava, ele sempre encontrava algo errado. Por sorte quando voltou do colégio ontem, apenas recebeu sermões pelo telefone, de como ela não deveria deixar de responde-lo mesmo quase morrendo.

Talvez a morte seja a melhor solução.

 Ela subiu as escadas e caminhou até seu quarto, pegou o livro dentro da mochila e sentou-se na cama. Passava algumas páginas grifadas com o marca-texto, precisava anotar mais algumas coisas para conseguir explicar aos colegas no dia seguinte. A dor latejante de sua cabeça continuava ali, assim como a ardência em sua pele, mas mesmo assim, ignorou. Era só mais um dia.  O diretor havia pedido aquele favor a ela, não poderia decepciona-lo.

Mas porque não? Hein? As pessoas são um profundo poço de decepções!

 Parou de ler olhando para seu armário. O reflexo no espelho mostrava uma garota de pernas cruzadas, pálida e cansada com olheiras profundas no rosto magro, segurando um livro antigo de história. Uma típica visão de Amanda.

Balançou a cabeça soltando um longo suspiro. E voltou a ler.

Houve uma época, entre o século XIX (19) ou antes, onde as pessoas eram enterradas vivas, não por crueldade ou algo do tipo. (Pelo menos não nesse caso.) Mas porque elas eram diagnosticadas como mortas. A explicação sensata é simples, a Catalepsia Patológica. Uma doença rara que ocorre no sistema nervoso do indivíduo, deixando-os rígidos. Os batimentos diminuem e é quase impossível identificar um sinal de vida. (Lembrem-se: No século XVIII, XIX a medicinada não era avançada como a de hoje.) Assim, os corpos vistos pelos legistas eram enterrados. Tempos depois, ao retirar o caixão, marcas de unhas podiam ser encontradas em suas tampas...”

Fechou o livro de repente apertando as têmporas que latejavam, a pálpebras de seus olhos tremiam e pareciam que pulariam para fora. Sua cabeça doía intensamente. A janela de seu quarto balançou com o vento forte, chamando a atenção para o vidro que tremia, a luz fazia os olhos dela doerem ainda mais. Amanda tapou as orelhas com as palmas das mãos, aquele ruído agudo soava forte, ecoado em sua mente a atordoando.

Piiii, piiii, piii! Está alto? Vai ficar muito mais! HAHAH

 Seu corpo tremia, os braços mal aguentavam ficar naquela posição, sentia muito frio, mas a sensação de queimação sobre sua pele contrastava a deixando arrepiada. A voz em sua cabeça estava a cada dia mais alta, gritava, xingava, a convencia de coisas... terríveis. Ao erguer o rosto para frente, a visão estava péssima, os móveis do quarto estavam desfocados até mesmo sua audição pareceu mudar, o som abafado, assim como se todos os sons estivessem distantes. A respiração falhou e ela caiu deitada no colchão totalmente exausta, os olhos foram em direção a algo que se moveu a frente da cama, mas não havia nada ali além do espelho na porta do armário.
 Então, seu reflexo se moveu, mas Amanda, nem havia respirado fundo. Mesmo com a péssima vista, o reflexo se remexeu-se novamente sobre a cama de forma anormal, engatinhou para fora do colchão ficando de pé, encarando fixamente o espelho. Virou-se de costas, encarando Amanda, que com certeza vivia um delírio. Ela sentiu falta de ar, a dificuldade de respirar a deixou ainda mais nervosa, fechou os olhos tentando concentrar-se em qualquer outra coisa.

-Amanda...

 Aquela voz a chamou de forma lenta e pausadamente causando arrepios em sua pele. Estava ouvindo a si mesma.

- Amandinha, não ignore a voz da sua consciência! HAHAHA!


 A risada era perturbadora. Ela manteve os olhos fechados, cobriu o rosto com as mãos e tentou acalmar-se. O suor escorria pelo canto da testa, pescoço, e as mãos tremiam demais sem mencionar a intensa dor latejante na cabeça.

- Chega... – Pediu sussurrando. – Sai da minha cabeça... por favor!

- Não há como fugir de si mesma. Eu sou você e nós sabemos o que realmente quer...

Seu corpo foi prensando contra o colchão, o peso estava sobre seu quadril a machucando, abriu os olhos assustada e paralisou ao se ver. Os cabelos castanhos caindo para frente, o rosto pálido e magro, as grandes olheiras muito maiores que o normal, os olhos eram totalmente pretos, cicatrizes profundas espalhavam-se por todo o corpo, mais Amanda não havia nenhuma parecida com aquelas. A sua outra versão sorriu de forma horripilante, indo de ponta a ponta de seu rosto sobrenatural, os lábios tinham feridas, cortes e também marca de dentes.

-Seu maior desejo é ser enterrada como aquelas pessoas não é... Ou passar uma corda no pescoço como a mamãe? Hmm que duvida...

 Riu deitando sobre si. Passou o indicador lentamente sobre sua bochecha aproximando de seu rosto. Amanda tentou se afastar, mas não conseguiu, a outra sorriu e passou a ponta da língua em seu lábio superior a ouvindo resmungar em reprovação.

- Querida Amanda, a cada dia desejamos mais a morte, então... Por que não a abraça logo?

- Você não é real!

Disse entre os soluços, a viu rir outra vez e então as mãos dela apertaram seu pescoço com força, segurou seus pulsos na tentativa inútil de soltar-se, mas aquilo apenas a fez sorrir. Perdeu o ar, a cabeça girou e sentiu o peito arder.

-E agora... Quem não é real?

 Amanda acordou em um sobressalto, puxando o ar pela boca agarrando o cobertor entre nos dedos. As lagrimas caiam sem cessar, o coração acelerado a ponto de senti-lo batendo na garganta, encarou a janela do quarto com as cortinas abertas vendo o relâmpago dos trovões distantes. Puxou as pernas junto ao corpo as abraçou e soluçou baixo. Porque aquilo estava acontecendo? A cada noite, os pesadelos eram piores, muitas vezes nem precisava estar dormindo para encontrar aquela outra versão de si. Bastava encarar o espelho.
 A chuva balançava o vidro de sua janela, o vento uivava e a escuridão tomava conta do quarto. Amanda não havia movido um musculo se quer de sua cama, estava com medo. Com a barulheira no corredor deduziu que seu padrasto havia chegado e não estava sozinho, ela detestava suas companhias.  As vozes de mulheres ecoavam pelo corredor, altas e escandalosas, o som do salto trincado nos tacos de madeira, a porta do quarto dele foi batida com força e Amanda apenas respirou fundo ouvindo aquela voz insistente em sua mente.

Ela  VOCÊ é apenas uma garota com uma pequena vela para guiá-la...

                            Mas a vela derrete, o pavio queima rápido, e a escuridão cresce....



Sim, ela tinha certeza que seu quarto ficava cada vez mais escuro, mais frio e amedrontador. Afundou as unhas nos braços com força até sentir uma fisgada ardente e começou a arranhar-se lentamente. A dor era sua distração. Mas então, parou de repente assustando-se com o intenso brilho da sua tela de celular piscar na escrivaninha próxima ao armário. Ficou ali parada encarando a luz ascender e apagar diversas vezes, o aparelho vibrar intensamente sobre a mesa até reunir coragem o bastante de levantar-se e pega-lo.

17 ligações perdidas de Zi Tao.
5 Ligações perdidas de Kris Wu


 Já passavam da meia-noite, Amanda provavelmente desmaiou de febre e perdeu a noção do tempo, por isso viveu tão intensamente aquele pesadelo. Sentou-se de volta a cama e checou as mensagens.

 Tao:
“BUNNY! Você está melhor? Kris disse que não foi a escola! Me responde mulher!” 13hs30
“AMANDA!” 13hs45
“Acorda!! Para de me ignorar criatura dentuça!” 13hs45
“Se estiver dormindo eu vou perdoar, mas se apenas estiver me ignorando não comparei mais marshmello pra você!” 14hs00
“Bunny, vou ter que viajar e ficar alguns dias fora, meu celular ficara sem sinal no avião, por favor, fala comigo!” 15hs12


 Passou os dedos entre os fios de cabelo já pensando no pior. Detestava quando Tao ficava longe por muito tempo. Ela tem uma necessidade incontrolável de conversar com ele, não importando o horário, Tao a distraia. Provavelmente o amigo estaria esperneando-se no avião de preocupação. E com razão.

 Respirou fundo ouvindo os gritos vindos do quarto no final do corredor. As mulheres estavam se divertindo até demais, as coisas que diziam em voz alta faziam o estomago dela revirar-se de nojo.

Kris Wu:
“ Bunny, está bem? Não foi a aula e não tive um sinal de vida.” 12hs55
“Tao ligou e disse que você não atendeu, sua febre diminuiu?” 13hs50
“Ei coelho não me deixe preocupado, Tao já perdeu o controle está pirando...” 14hs18
“Tao pegou o voo das 18, não vai conseguir conversar com a gente, espero que esteja bem.” 18hs20
“Hey, está acordada?” 01hs03


“Hm, até parece que alguém se importa com você... Que ilusão Amanda. Eu vejo o fogo daquela vela diminuindo devagarzinho, ficando cada vez mais fraca... Assim como você!”

 Ela coçou os olhos sentindo as pálpebras tremerem, a cabeça latejou algumas vezes, estava cansada de ouvir a mesma coisa todas as vezes e sentir que aquilo era verdade. Ergueu brevemente o rosto e seu reflexo no espelho estava sombrio. Havia braços entrelaçados em seu pescoço, uma cabeça apoiada sobre o ombro direito, os lábios moviam-se próximo a sua orelha sussurrando de forma muda causando-lhe calafrios.

“Tão fraca, inútil, a vida só mostra o quanto não precisa estar viva, mamãe se matou por sua causa, livrou-se de um peso como você.”

“Desista Amanda... Desista.”


 Ela tapou os ouvidos, fechou os olhos com força e abaixo a cabeça, não queria mais ouvir, sentir, viver tudo aquilo. Ficar naquela casa, com aquelas lembranças, as verdades que sua mente doente lhe dizia. Era como se sentisse o resto de sua esperança desaparecer, derreter como aquela vela imaginaria. Não havia salvação para o que passava todos os dias, não existia ninguém que pudesse tira-la daquele poço escuro.

 “Vamos! Levante! Abra a janela, se jogue do segundo andar! Entre no chuveiro e ligue o secador de baixo d’água!”

 Amanda choramingou baixou, balançando a cabeça negativamente.

“Vá até a escada e se jogue! Pegue a faca da cozinha e atravesse ela em sua jugular! ATIRE EM SUA CABEÇA COM A ARMA DO FRANK! VAMOS! FAÇA ALGO DE UTIL COM ESSA SUA VIDA DE MERDA!”

 Deixe esse monstro crescer... e sair... Por que não há ninguém para te ajudar.

Seu celular tocou de repente, vibrava e piscava sobre os cobertores iluminando parte do quarto escuro, soluçou secando as lagrimas de desespero o encarado. Quem poderia ser? Não tinha vontade nenhuma de atende-lo e assim fez, sua cabeça doía demais, as mãos tremiam, e não enxergava direito tanto pela escuridão quanto a visão embaçada. Mas o aparelho voltou a tocar e aquilo incomodou aquela voz em sua cabeça.

“Taque esse celular na parede! Vamos, isso você pode fazer!”

 Ela o segurou, mas ao invés de joga-lo atendeu a ligação.

- Kris? – O nome dele na tela do pequeno aparelho chamou sua atenção, fazendo-a mudar de ideia sem explicação.

-Ei! Finalmente, estava preocupado! -  Sua voz carregava aquela afirmação, pareceu totalmente aliviado ao ouvi-la, mas ainda sim notou algo estranho. -  Tudo bem? Está chorando?

Desligue esse celular! Não responda! Você não deve explicação a ninguém!


 Foi o que esbravejou a sua mente, mas ela não queria fazer aquilo, estava sozinha e com medo de si mesma.

- E-eu... – Um soluço de seu choro escapou, ela abaixou a cabeça segurando o celular fortemente contra ao ouvindo, o som do choro era abafado pelos cobertores, estava totalmente em pânico e sem conseguir pensar claramente. – Estou com medo!

- Amanda... -  A voz dele soava firme, porém calma. – Você não está sozinha, conversa comigo, me diz, do que está com medo? - Ela demorou bons instantes para responder, então ele insistiu – Bunny...

- Do escuro, de tudo... -  Respondeu ela voltando a sentar-se, encarou o espelho vendo aquela pessoa remexer-se sobre seus ombros os deixando pesados, ela os encolheu sentindo uma ardência.

-  Feche os olhos. -  Ela soluçou outra vez, mas não desviou o olhar sobre o espelho, estava paralisada, então Kris insistiu ainda com aquele tom de voz calmo. -  Feche os olhos Bunny, confia em mim. ­– Hesitou, mas em fim os fechou ouvindo aquela voz gritar consigo.

EU NÃO VOU EMBORA AMANDA! VOCÊ NÃO É NADA SEM MIM! SEM CORAGEM, VIDA, FALA, PESAMENTO... EU SOU TUDO EM VOCÊ!”

 Mas então Kris interrompeu os pensamentos perturbadores outra vez.

-A escuridão é apenas momentânea, o pânico faz que não pense direito, respire fundo e me diga a primeira cor que vem a sua mente. – Ela custou bons segundos para assimilar a pergunta.

“Ridículo, como pode ser tão ridículo!?”

- Azul... – A voz saiu quase em um sussurro.

- Me diz um objeto com essa mesma cor. – Disse sem esperar qualquer questionamento, tentando manter a mente dela ocupada.

 Amanda balançou a cabeça esforçando-se a se concentrar naquelas perguntas.

- Um balanço.  –  Lembrou-se do antigo balanço azulado que tinha no quintal ainda criança, onde sua mãe a empurrava contando histórias fictícias.

- Ótimo, agora imagine você sentada nesse balanço azul, em um belo dia de verão, totalmente tranquila e se divertindo.

 Ela não soube como, mas aquela cena ficou nítida em sua mente. Sentada, balançando-se lentamente seguindo sua mãe com o olhar, caminhando de um lado para o outro trabalhando em seu jardim, repleto de flores coloridas e bem cuidadas. A flor amarela era uma de suas preferidas, assim como a de sua mãe. Allamanda, era seu nome. Uma planta trepadeira que se agarra em muros, troncos ou em qualquer coisa que a faça subir.  Foi assim que Amanda teve seu nome escolhido. A menina sempre ria ao lembrar-se desse fato. Seria possível reviver tal momento? Não... Naquela imagem, Amanda já estava com seus 17 anos, o balanço quebrou quando havia 9 ou 10 anos. Mas, mesmo assim, a sensação de conforto e tranquilidade era idêntica.

 Sua mãe sorriu e acenou, assim Bunny abriu os olhos voltando ao seu quarto. Mas já não estava tão escuro como antes, a iluminação parcial dos postes de luz da rua passava por sua janela, a chuva continuava, mas já não a deixava mais tensa. O peito ainda doía pela tensão e o stress passado pelo choro, mas a respiração estava mais calma do que antes, a cabeça também não latejava intensamente.

-Amanda? Tudo bem?

 A voz de Kris do outro lado da linha a vez voltar a realidade, ajeitou os cabelos para trás da orelha constrangida pela situação. O que ele pensaria dela depois disso?

- Sim, e-eu... – Parou alguns instantes para respirar e formular uma frase coesa. – Obrigada.

 Pode ouvir um suspirou aliviado do outro lado, e imaginou que ele estivesse sorrindo.

-Fiquei preocupado. - Disse sincero. -  É a primeira vez que tem uma crise de pânico?

 Ela suspirou pesado soltando os ombros, balançou a cabeça encarando o edredom.

- Não... – Encarou o reflexo no espelho e já não havia mais nada além da própria imagem. – Mas... hoje foi pior.

-Sua voz ainda está fraca, vou deixar você descansar e ...

- Não! – O interrompeu de repente. – Por favor, não...não me deixa sozinha.

-Ei, tudo bem! Se acalme, vou ficar com você. – Ela deitou-se na cama respirando fundo procurando acalmar-se. -  Quer ouvir como o professor de química explodiu o microondas hoje?

 Amanda riu fraco com a animação na voz dele e aceitou ouvir a história.

 Ela não soube quando adormeceu, mas ouvir Kris falar manteve sua mente ocupada de qualquer outro tipo de pensamento. Os sons incômodos que vinham do quarto de seu padrasto desapareceram, a tempestade ficou distante, assim como a voz insistente de sua mente sumiu até que pegasse no sono.

 Amanda não poderia esquecer a tamanha atenção e carinho que Kris teve com ela. A maneira de como conversou e a ajudou a passar por mais aquela síndrome do pânico. Mas se perguntava porque justo com ele? Porque foi ele que ligou? E porque ela o atendeu? Não havia uma resposta, simplesmente Kris a ajudou e infelizmente, descobriu algo que nem mesmo Tao sabia.

 Ela tem tantos segredos, que eles não conseguem mais ficar escondidos. Estão começando a sufoca-la e afoga-la.


 Há dois tipos de pessoas nessa equação:

O curioso e a misteriosa.

Some: Curiosidade + Mistério = ?

A vida faz coisas estranhas algumas vezes. Não é ? 


Notas Finais


E ai ? Pedradas? Abraços ?Não? Ok... XD
Espero que tenham gostado.

Até a próxima <3


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